Nomes: (para melhor compreensão da fic, aqui estão os nomes completos dos personagens)

1. Saga Arthur Lewis Rolland
2.
Kanon Cristopher Lewis Rolland
3. Aioria Garland Hamilton Gabriel
4. Aioros Logan Hamilton Gabriel
5.
Shaka Gregory Sullivan Ascott
6.
Mu Ashley
7.
Shion Theodore Colin Lawrence
8.
Milo Alexander Andrew Windsor
9.
Shina Emeline Windsor
10. Kamus Phillipe Lenoir
11.
Afrodite Richard Nolan Lauderdale
12. Aldebaran Brown
13.
Shura Marquez
14.
Dohko Russell
15.
Marin Gladys
16.
e o famoso Carlo di Angelis (da Pipe)


Capítulo IX :

- Até que enfim voltou ! Faz dois dias que está fora!

- Acalme-se Aioria. Eu avisei-o antes de sair da soirée que ia para casa do Saga. Porquê esse nervosismo todo? – perguntava Aioros aparentemente descontraído.

Aioria estava tenso; não sabia como tocar no assunto da ruiva ao irmão. – Aioros, na noite da soirée, ao voltar para casa, aconteceu algo sobre o qual eu preciso de falar com você.

O mais velho despia o sobretudo calmamente e dirigia-se à sala, com o mais novo em seu enlaço. Percebeu a preocupação do irmão. – Sente-se, e conversemos então. Não quero ver o meu irmão nesse estado de inquietação.

Aioria tomou lugar numa poltrona que mobilava a sala. Uma serva adentrou no local.

- My lord, seja bem-vindo. – fez uma pequena vénia - Deseja algo?

- Obrigada Elinor. Prepare-me um bom banho quente por favor. Preciso urgentemente de relaxar.

- Com certeza my lord. – disse saindo do local.

- Um bom banho quente? Relaxar? – perguntou Aioria troçando do primogénito. – pensei que depois desses dois dias fechado em casa com o desgraçado do Saga fosse suficiente para o relaxar durante semanas!

- Pois é meu irmão… mas o Saga deu cabo de mim, se é que me entende! – respondeu à provocação.

- Dispenso pormenores dessa estadia… - acabou dizendo.

- Queria falar algo comigo se não me engano, e a conversa está a fugir do rumo inicial. – continuou divertido com as caras que o irmão fazia. Era inevitável aquelas reacções quando o seu caso com Saga vinha à conversa.

- Sim… - suspirou ganhando coragem – quando estava voltando da noite de casa do Shaka, atropelei uma pessoa. Saí do coche e verifiquei que ela ainda estava viva. Em muito mau estado, mas viva. Trouxe-a para aqui.

- E está bem? Não tem nada de grave? – Aioros preocupou-se.

- Não, está tudo bem. Dohko veio aqui e prescreveu descanso total e uma dieta rigorosa.

- Hum…menos mal... não vejo qual é o problema… essa pessoa ainda se encontra aqui?

- Sim. Seu estado é estável, mas não convém mudar de local de reabilitação. – Aioria estava cada vez mais nervoso, sentia que teria de dizer a verdade ao seu irmão, mais cedo ou mais tarde. Afinal, não fora qualquer uma que ele trouxera para casa… era uma prostituta…

- Bem, então seria mais conveniente eu me apresentar não? – preparou-se para levantar.

- NÃO! Espere! – estagnou ao ouvir o grito do irmão – ainda não lhe contei o mais importante!

- Diga então! – Aioros mantinha a calma, e um sorriso nos lábios, o que incitou o outro a continuar.

Do lado de fora, Elinor chegava para avisar o amo que o banho estava pronto. Chegou perto da porta, levantou o braço preparando-se para bater. Começou a movimentar sua mão quando…

- O QUÊ? – assustou-se com o grito vindo do interior.

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Milo mal conseguira dormir, tal maneira era a excitação de receber o francês naquela tarde. Passara a noite remexendo-se na cama, mais parecendo um adolescente bobo apaixonado.

"Apaixonado" – essa palavra ecoou em sua cabeça. Não se chegava a lembrar da última vez que isso acontecera! Se é que alguma vez acontecera. Não percebia quando Aioros falava de "amor" relativamente ao seu relacionamento com Saga.

"isso acontece porque você leva uma vida de boémio, meu caro amigo!" – era a resposta constante do mais velho. Sabia que essa frase referia-se também a Aioria.

O corpo apenas tapado até metade pelas cobertas, olhava o tecto do quarto.

Finalmente decidiu que não estava fazendo nada deitado e levantou-se saindo do quarto. Shina tinha por hábito acordar cedo, já devia estar a pé tomando o desjejum.

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Seguira o conselho que o amigo lhe dera e esperara uma noite para que os ânimos se acalmassem. Sabia que devia explicações a Mu, mas este não lhe dera oportunidade para isso. Ainda lhe custava acreditar na reacção do mordomo no dia anterior. Tudo bem que Mu ter-se-ia sentido usado. Mas fora por uma boa causa! Para que tudo desse certo, era necessário o maior sigilo.

Eram estes os pensamentos com que a mente de Shaka era bombardeada enquanto se dirigia para junto do ruivo. Este esperava-o para comer. Pela primeira vez, não vira Mu ao acordar.

No caminho, encontrou uma serva que fez uma pequena vénia à chegada do mestre.

- Onde está o Mu? – perguntou sem saber quem era a serva; sem nem se lembrar de alguma vez a ter visto.

- O senhor Mu encontra-se indisposto hoje my lord. Está no seu quarto e pediu que o substituíssem nas tarefas do dia. – respondeu a serva calmamente, sempre mantendo o olhar no chão.

- Avise Kamus que não irei comer tão cedo por favor. – ordenou à jovem que logo assentiu saindo do local.

Seu rumo mudara. Dirigia-se agora à ala dos quartos dos servos. Os subordinados que se encontravam por ali, ficavam pasmos com a presença do loiro. Não era comum ele aparecer naquele local.

Finalmente chegou ao seu destino. Bateu à porta.

- Me deixem em paz! – ouviu do interior.

Abriu a porta e entrou sem mesmo deixar tempo ao outro de se manifestar. Fechou a porta atrás de si trancando-a. Mu, que se encontrava sentado numa cadeira perto da cama, levantou os olhos pronto para gritar com a pessoa que se atrevera a entrar sem autorização. As palavras morreram na sua garganta ao vislumbrar o interlocutor.

Shaka continuava parado em frente à porta; olhando fixamente o jovem na cadeira. Reparou nas olheiras e na cara de cansaço do rapaz. Sentiu-se culpado. Era ele o culpado do seu estado. Sentiu vontade de correr e abraçar o outro, mas seu orgulho apelava à calma. Afinal, também ele se sentia ferido devido à maneira como o outro o encarara no dia anterior. Se tivesse sido outra pessoa qualquer, com certeza já estaria na rua a uma hora dessas.

- Está mais calmo? – seu tom de voz saiu mais arrogante que o desejado.

O mordomo que já se encontrava em defesa, apenas a reforçou ouvindo a pergunta.

Desta vez mais calmo, Shaka prosseguiu: - Mu, acho que lhe devo satisfações.

- Não as quero para nada! Não gaste sua fala comigo! – Atacou o outro, profundamente irritado.

Shaka teve de juntar todo o seu autocontrole para não deixar escapar uma frase mais irritada. Inspirou fundo tentando se acalmar.

- Eu decididamente lhe devo explicações. Me ouça atentamente por favor, se depois disso decidir que mereço toda essa raiva contida, aceitarei sua decisão.

Mu desviou seu olhar para o chão de novo, parecendo extremamente perdido. Shaka tomou o silêncio como uma aceitação. Começou:

- A cena que você presenciou ontem, foi premeditada. – ao ouvir a primeira frase, Mu fechou o punho lembrando-se da cena. Fazendo pouco caso, o loiro prosseguiu – Eu avisei Shina de que iríamos ao centro, para que ela se encontrasse connosco lá. Precisava de um grande favor, e ela logo aceitou sem fazer perguntas.

- Não quero ouvir mais nada. Saia daqui! – falou em tom brando mas decidido.

- Não vou sair até que oiça tudo o que eu quero dizer! – retrucou decidido – Como você sabe, estes últimos tempos tenho recebido demasiados pedidos de casamento. A cada dia que passa, eles se tornam mais frequentes, e sobretudo, mais difíceis de recusar. Sempre o fiz até agora, mas as recusas constantes acabam por gerar as mais diversas histórias, iniciadas geralmente pelos pais das noivas renegadas.

Mu ouvia tudo atentamente, apesar de fazer questão de não o demonstrar.

- Eu queria que isso parasse. O único modo de o fazer, seria gerar o boato do meu interesse por alguém. Ao acontecer isso, as pessoas deixariam de me assediar durante um bom tempo. E a única pessoa de sexo feminino em quem eu tenho total confiança, é Shina.

Uma ideia começava a formar-se na cabeça de Mu, mas este recusava-se a acreditar nela. Não queria que tudo passasse de uma ilusão.

- Então armamos aquela cena, em plena praça principal, para que o maior número de pessoas possível a presenciasse. Pode acreditar que neste momento, já metade da aristocracia inglesa sabe do meu pseudo-interesse pela Shina.

Então tinha sido uma armação… Mas parecera tão real…

- Assim acredito que estarei mais descansado durante um bom tempo. Claro, sempre mantendo a chama da mentira acesa. – continuava o loiro, sempre atento às reacções do outro. – E você faz ideia porque eu queria ter privacidade Mu?

De repente sua garganta secou. Uma lágrima escorria em sua face. Não podia acreditar no que sua mente teimava em concluir. Fechou os olhos com força apoiando a cabeça nas duas mãos. Sentia-se culpado. Irritado consigo mesmo. Extremamente arrependido.

Shaka aproximou-se lentamente da cadeira. Baixou-se pousando um joelho no chão, as duas mãos tocando as do subordinado. Pegou seu queixo levantando-o e obrigando-o a encará-lo. Mu mantinha os olhos fechados, não tendo coragem de olhar o mestre; as lágrimas corriam agora livremente em sua face.

Shaka beijou suavemente seus lábios. Um leve roçar, que tinha tanto impacto nos dois.

- Abra os olhos Mu. – pediu carinhosamente.

Mas Mu não reagiu.

- Por favor. Não é uma ordem. – apressou-se a acrescentar.

As orbes verdes finalmente foram reveladas. As faces do mordomo estavam banhadas por lágrimas e seus olhos demonstravam uma tristeza sem fim.

Shaka sentiu seu coração apertar com a visão à sua frente. Decididamente, devia tê-lo posto ocorrente do que ia acontecer!

- Eu o amo Mu. De toda a minha alma. Não imagina o quanto! Se soubesse o que eu sofria a cada vez que me avisava calmamente de que tinha mais alguém oferecendo casamento, seu sorriso; e eu só queria você! – concluiu acariciando a face do outro com a mão.

Mu não sabia o que dizer. O que fazer. O que pensar.

Num acto de desespero, fez a única coisa que conseguia naquele momento: abraçou o loiro com força, escondendo sua cara em seu ombro, chorando descontroladamente.

Shaka acolheu-o em seus braços, tentando acalma-lo. Estava agora sentado no chão com o mordomo encolhido em seu enlaço. Mexia carinhosamente nos longos fios lavanda que caiam soltos.

- Desculpe…- ouviu o mordomo dizer entre soluços.

- Calma. Está tudo bem.

Após algum tempo nessa posição, Mu soltou um longo suspiro cansado. Estava mais calmo. O loiro continuava com os carinhos na sua cabeleira sem nunca o largar.

Por fim, o mordomo soltou-se do abraço e encarou o mestre.

- Me desculpe… - disse olhando nas íris azuis do loiro.

Este apenas assentiu sorrindo docemente, puxando-o para um beijo.

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Saga entrava no quarto do irmão devagar. O outro dormia profundamente, de barriga para baixo; os lençóis completamente desfeitos estavam agora no fundo da cama. Puxou-os de novo para cima do gémeo, tendo o cuidado de não o acordar.

Sentou-se à beira da cama. Retirou delicadamente os longos fios azulados destapando a face do outro. Pousou um leve beijo em sua testa.

Quando se ia levantar para sair dali, sentiu sua cintura ser agarrada por um braço forte que o trouxe de volta ao colchão fofo.

- Onde pensa que vai assim? – dizia Kanon com a voz rouca de quem acabava de acordar.

- Ia deixa-lo dormir em paz! – respondeu virando-se e começando a passar a mão pelos cabelos revoltos do outro.

- Fica comigo… - pediu o gémeo puxando-o para se deitar a seu lado.

- Você é muito manhoso…- disse acabando por ceder ao pedido.

Mal se deitou, sentiu sua cintura ser agarrada com força. Retribuiu ao abraço, fazendo um movimento de vai-vem em toda a extensão das suas costas.

Kanon gemeu. – isso é bom…

- Eu sei… - respondeu sentindo o irmão se agarrar cada vez mais a si. – Kanon? Onde esteve até tão tarde ontem? – arriscou a pergunta notando a entrega do irmão.

- Hum… a curiosidade matou o gato sabia? – desconversou, sempre na mesma posição.

- Sim…mas eu me preocupo com você… promete que se estiver com problemas, que vem falar comigo?

Kanon mantendo-se como antes, assentiu. – Sente que há algo de errado comigo não é?

- Somos gémeos Kanon. Não o quero forçar a nada, mas não tente esconder quando está mal. Pode tentar o quanto quiser, mas não vai conseguir me enganar. E preferia que me contasse tudo. Quero ajudá-lo.

Kanon suspirou. Era verdade que tentava esconder as coisas do irmão. Não por não ter confiança nele, mas porque queria mantê-lo fora, a todo o custo, das embrulhadas onde estava metido.

Saga sentiu seu desconforto. – Vamos seu preguiçoso! Se levante dessa cama e venha comer alguma coisa. Já são mais que horas de acordar! – disse levantando-se e jogando um travesseiro na sua direcção.

Este, mais aliviado, jogou de novo o travesseiro em direcção a Saga.

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Ouviu alguém bater à porta. Levantou-se para ir até ela. Ao abrir, deparou-se com as duas pessoas.

- Bom dia darlin! – disse a mais velha beijando-o delicadamente.

- Lina! O que faz aqui? – perguntou ainda meio desconcertado.

- Vim buscá-lo! Ou se esqueceu que tem de ir trabalhar? – respondeu divertida ainda na soleira da porta.

De repente saiu uma criança detrás dela correndo para dentro de casa.

- SHURA! – saltou agarrando-se ao espanhol.

Este, que fora apanhado desprevenido, sentira-se abraçado por uma longa cabeleira loira e ondulada. Após ter-se recomposto, abraçou a rapariguinha que logo enlaçou seu pescoço.

- Bom dia mi angél. Está cada vez mais crescida! – disse sendo abraçado pela criança.

À porta, a irmã e Aldebaran olhavam a cena. – Não acredito que fui trocado por um espanhol… - dizia o jovem de braços cruzados, não conformado com a situação.

- Essa falta de atenção em relação a mim tenta-me a fazer o mesmo…-disse a Lina a seu lado.

- Ah não! Você não! A pequena ainda se percebe, não tem o mínimo sentido de estética, mas você? Além de que eu não me recompunha! – disse abraçando-a.

No meio da sala, Shura e Noëlla olhavam a cena. – sabe que eles namoram? – sussurrou a pequena ao ouvido do espanhol.

Shura sorriu – Sei sim pequenita!

- E não me disse nada? – perguntou com cara de zangada.

- Mas o que se passa aqui cazzo! – o italiano acabava de entrar na sala. Vestia apenas as calças do pijama, o tronco nu, mexia no cabelo irreverente. Lina corou com a visão do jovem, desviando o olhar para o lado.

- Cuidado com o palavreado, italiano! Há crianças na sala! – respondeu Shura ainda com Noëlla no colo.

- Olhem quem é ela! – dizia sorrindo cinicamente – não será a pirralhita irritante número um?

Adorava tirar a criança do sério. Era tão cómico! Claro que, como o espanhol, adorava aquele anjinho loiro; mas não deixava de gostar de a ver zangada.

Nöella desceu do colo do espanhol, andou em direcção a Carlo esticando o dedo: - eu não sou pirralha! – sua voz soava irritada.

- Claro que é! Toda a criança em sua idade é pirralha, e você não é excepção! – ajoelhou-se para ficar à mesma altura da pequena. – continua pequena pelo que vejo!

- EU NÃO SOU PEQUENA! – gritou. – Você é que é grande! E feio!

Shura, Lina e Aldebaran caíram na gargalhada com as últimas palavras. Carlo olhava para eles com ar interrogativo.

Noëlla voltou a correr para o espanhol, pedindo colo. Sentia-se segura.

- Afinal, a verdade vem da boca das crianças, no é vero? – brincou Shura pegando na pequena.

Carlo bufou fazendo cara de zangado. Viu Noëlla falar algo no ouvido do espanhol e este aproximou-se dele. Quando estavam perto, a pequena largou o pescoço de Shura e esticou as mãos para o italiano. Passou de um colo para o outro, beijando e abraçando Carlo.

- Além do espanhol, também fui trocado por um italiano… estou a perder qualidades… - suspirou Aldebaran ainda abraçando Lina.

Esta desenvencilhou-se do namorado e dirigiu-se aos outros dois: - Shura, Carlo, queria saber se era possível deixar a Noëlla com vocês hoje. A nossa vizinha saiu, e eu não quero deixa-la sozinha em casa. – disse calmamente, evitando olhar o italiano que ainda estava de tronco nu.

- Claro que não há problema. O Carlo provavelmente vai ter de sair não tarda, mas eu fico com ela, não se preocupe. – disse Shura amigavelmente.

A jovem sorriu. Após algumas recomendações à mais nova, saiu de casa com Aldebaran. Tinham mais um longo dia de trabalho pela frente.

- Sabia que Aldebaran é namorado da minha irmã? – perguntou a pequena com um grande sorriso ao italiano.

- Claro que sim! – respondeu sentando-a numa cadeira, e preparando algo para comer.

A rapariga ficou pensativa por uns momentos. – Porque sou sempre a última a saber das coisas? – finalmente perguntou.

Os dois jovens olharam-se divertidos. Podia ser ainda criança, mas era muito esperta!

- Eu também quero um namorado! – disse ainda encarando os dois.

Shura que estava sentado ao seu lado, engasgou-se com o comentário. Carlo que estava dirigindo-se ao seu quarto, parou a meio caminho.

- Você tem tempo para ter um namorado mi angél! Tem de ser uma pessoa de quem gosta muito. Isso leva o seu tempo! – respondeu o espanhol olhando ternamente para Noëlla.

A pequena pareceu pensar durante longos momentos sobre o assunto. Aceitou uma chávena de leite oferecida pelo espanhol. Carlo divertido com a cena, estava sempre atento às reacções de Shura. Era complicado explicar a uma criança de 7 anos um relacionamento de adultos.

Tudo estava calmo quando Noëlla; que acabava de levar a chávena aos lábios, com a boca completamente suja de leite, manifestou-se:

- Shura; quer ser meu namorado?

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A manhã tinha passado muito rápido. Considerando o desenrolar dos acontecimentos, realmente tinha passado rápido de mais. Aioria nunca imaginou que Aioros pudesse reagir da maneira que o fez… Ao início ficou um pouco zangado, mas depois acalmou-se e acabou por se ir apresentar à jovem, chegando a ser muito amável com ela.

"Realmente tenho de admitir que esse relacionamento com Saga está lhe fazendo bem…"

A rapariga estava restabelecendo-se aos poucos. Mais uns dias e poderia voltar para casa.

"Casa…será que ela tem casa?"

Realmente sabia que a vida nos bairros pobres de Londres era miserável. Marin devia sofrer muito vivendo ali.

"Assim como muitas outras pessoas! Além do mais, só escolheu a vida que tem porque quer!"

Reparou que todos os seus pensamentos iam dar à ruiva.

"Realmente Aioria…deve estar com muita pouca coisa para fazer… ate chega ao ponto de deixar seus pensamentos serem povoados por uma…"

- Aioria, por favor não faça essa cara… ainda me mata de rir… - o irmão interrompera seus pensamentos.

- Interrompeu as minhas deduções! – disse brincando com o irmão.

- Não acredito… depois de 20 anos, descobri que o meu irmão pensa! – riu o primogénito.

- E eu após 20 anos, que meu irmão tem um péssimo sentido de humor…

Ambos riram, como à muito não faziam.

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- My lord, lord Ascott e lord Lenoir acabam de chegar.

Milo precipitou-se para a entrada da mansão, para acolher os convidados. O coche acabava de chegar, viu Mu sair de dentro dele e segurar a porta para o mestre e… Kamus.

Seu coração acelerou quando viu a figura ruiva sair elegantemente da viatura, seu longo cabelo solto esvoaçando com o vento gelado que soprava. Eles aproximavam-se calmamente de onde se encontrava. A cena parecia estar passando em câmara lenta.

Parecia uma criança que esperava ansiosa os amigos para brincar.

"Brincar… não me importava nada de brincar com o francesinho" – pensou lançando um olhar de cobiça ao corpo do ruivo.

- Sejam bem-vindos! – disse quando entraram no hall.

- Milo em pessoa vindo nos receber! Não acredito! – exclamou Shaka para desagrado do anfitrião.

Mu, atrás de Shaka, retirava-lhe o sobretudo longo cuidadosamente.

- Sigam-me, por favor. – disse Milo, mais para Kamus do que para Shaka. – Shina saiu, mas não deve tardar.

Mu, que estava no vestíbulo guardando os sobretudos ouviu os passos afastarem-se. Geralmente eram os servos da casa que tratavam disso, mas ele fazia questão de sempre tratar das coisas de Shaka.

Assustou-se quando sentiu-se ser virado e beijado tão depressa que mal se apercebeu do que estava acontecendo.

Viu o mestre se afastar para finalmente acompanhar o anfitrião e o ruivo, mas não sem antes se virar e sussurrar um: "eu te amo".

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A pequena Noëlla não conseguia parar quieta em casa quando viu que estava a nevar. Carlo tinha saído, com a desculpa de que ia "deixar os novos pombinhos a sós".

E lá estava ele, sentado em plena praça, vendo a pequena extremamente feliz por estar a brincar na neve. Ele que detestava o frio. Mas fazia de tudo para rever o sorriso da criança.

Largou o lápis em cima da folha, e repensou na conversa momentos antes.

"- Quer ser meu namorado Shura?

O italiano não aguentava de tanto rir. As lágrimas vinham-lhe aos olhos.

Shura não tinha reacção perante aquelas duas orbes azuis olhando-o interrogativas. A pequena mal chegava à mesa, e segurava a chávena de leite com as duas mãos pequeninas. Como negar alguma coisa àquele poço de inocência?

- Quem sabe, quando crescer… - limitou-se a dizer usando um pano para limpar a boca da menina.

- Porquê? – perguntou, logo levando a chávena de novo à boca.

- Porque ainda é muito pequena para pensar nessas coisas, pequenita!

- Eu não sou pequena!

- Claro que não é. Mas ainda é uma criança, e dá muito trabalho ter namorado, sabia?

- Mas eu gosto muito de você!

- Isso não chega, mi ángel.

A menina ficou pensativa.

- Promete que quando eu crescer, você vai ser meu namorado?

Shura suspirou: - Se até lá, você ainda gostar de mim… - disse sorrindo e pousando um beijo em sua testa."

E lá estava ele, fazendo as vontades à menina, sofrendo com o frio gelado.

Do outro lado da praça, uma pequena figura ria sozinha lançando bolas de neve ao ar. As gargalhadas eram geradoras dos sorrisos dos passantes que se deparavam com a criança brincando despreocupadamente.

De repente, o piso gelado fez com que a pequena escorregasse e caísse. Doía o joelho que ficara ferido. Tentou levantar-se, com lágrimas nos olhos.

Sentiu duas mãos delicadas ajudá-la.

- Está bem pequenina? O tombo foi forte! – perguntou uma voz feminina carinhosamente.

- Dói o joelho. Dói muito. – disse num tom choroso.

- Está aqui sozinha? Não tem ninguém cuidando de você? – interrogou mais uma vez a jovem.

- Tem sim… meu namorado veio comigo. – disse finalmente olhando nos olhos verdes da jovem que a ajudara. – Você tem uns olhos bonitos!

A jovem fora apanhada desprevenida pelo elogio. Só depois assimilou a frase da criança de 7 anos: - Seu namorado?

- Sim! – disse a criança sorrindo. – Meu futuro namorado veio comigo! Ele prometeu que, quando eu fosse grande, ele seria meu namorado!

A jovem riu, ajudando a criança a levantar-se.

- E onde está esse seu príncipe encantado?

- Está ali! Ele desenha muito bem! – disse a rapariga apontando um lugar vazio. – Onde foi ele?

- Calma, vai ver só mudou de lugar. Como se chama seu príncipe? – perguntou mais uma vez, vendo a aflição da criança.

- Shura! Seu nome é Shura! – disse a pequena à beira das lágrimas.

Uma voz grossa ecoou na praça chamando. – Noëlla! Noëlla! – o jovem aproximava-se a correr das duas raparigas.

- Shura! – a criança precipitou-se para os braços do espanhol, chorando.

A jovem que se encontrava de pé vendo a cena, sentiu-se corar quando viu o rapaz. A pele morena, os olhos rasgados verdes, o cabelo negro como breu; tudo nele era lindo. Emanava dele uma aura de sensualidade que a fez estremecer.

Shura levantou-se pegando na criança tentando acalmá-la. Ia agradecer os cuidados da mulher, quando sentiu seu coração falhar ao ver quem era.

- Obrigado por ajudar a pequena, my lady…

- Windsor. – concluiu a jovem rubra. – Shina Emeline Windsor.

Olharam-se durante momentos, até que Noëlla espirrou.

- Acho que fiquei doente… - disse abraçando ainda mais o pescoço do espanhol.

- Desculpe my lady, mas preciso levar a criança para casa. – Shura tirou seu sobretudo enrolando-o sobre a pequena.

- Tudo bem Shura. Cuide bem dela. – disse calmamente.

O espanhol sentiu seu coração acelerar ao ouvir seu nome dito por ela. Sua cara de interrogação não passou despercebida a Shina que sorriu.

- A menina me disse que estava com você. Disse também que era sua futura namorada!

O jovem passou a mão na cabeça encabulado – É uma longa história… - acabou por admitir.

Nöella espirrou mais uma vez. Foi o suficiente para apressar o fim da conversa que estava tão deliciosa.

- Espero ter o prazer de a rever my lady. – disse beijando a mão de Shina, sempre com Noëlla em seus braços.

- Seria um prazer Shura.

Viu o jovem afastar-se com a menina no colo. A pequena parecia ter adormecido. Um pequeno anjo, que passeava com seu cavaleiro fiel. Seu príncipe encantado…

"E que príncipe…" – pensou ainda vendo-os afastarem-se.

Continua...


Curiosidades:

o Shura e Shina apresentam:

o Regras de conduta em sociedade o

Shu: Ai Shina! Assim não! Está doendo!

Shi: Você é homem ou não é? Aguenta! Já aguentou dores piores!

Shu: mas não em partes tão sensíveis! AIII!

Shi: Só mais um pouco… está quase… aqui!

Shu: Contente? Agora vou ficar com marca na cara por causa das suas unhas!

Shi: Você sabe perfeitamente que não suporto cravos! Você tinha um enorme e tive de o tirar! Alem disso, nunca se queixou das minhas unhas antes! – dando um selinho no espanhol.

Shu: O que eu não faço por você…

Shi: depois Shura… agora temos de falar sobreo tema de hoje…

Shu: Bom… regras de conduta dos cavalheiros nas ruas… Um cavalheiro nunca deve deixar de erguer seu chapéu em cumprimento sempre que cruzar com um semelhante. Caso trombe em alguém ou pise no vestido de uma dama, deve desculpar-se e em nenhum momento perder o controle nem atrair atenção por conversa exaltada. É conveniente oferecer a uma dama seu braço, especialmente à noite, e sempre o braço direito. Um cavalheiro andando sozinho deve ceder a uma dama, ou a um cavalheiro com uma dama, a parte interna da calçada.

Shi: Regras de conduta de uma dama nas ruas… A dama deve andar de maneira silenciosa pelas ruas, não vendo nem ouvindo o que não lhe é da alçada, cumprimentando conhecidos com um cortês aceno e amigos com palavras de saudação. Ela nunca é intrusiva, nunca fala alto, nunca ri de modo espalhafatoso ou tem modos que possam atrair atenção dos passantes. Deve ser sempre modesta, discreta, gentil e prestativa. A dama deve cumprimentar um cavalheiro antes que ele o faça. Ele, por sua vez, nunca deve falhar em retornar o cumprimento. Ela deve procurar evitar chamar o cavalheiro pelo primeiro nome.

Shu: as normas de conduta eram diferentes em público e em privado, sendo neste, muito mais descontraído.

Shi (olhando maliciosamente): …descontraído… que tal irmos para um domínio mais, privado? Prometo que não vai doer tanto desta vez…

Shu (sorrindo e abraçando a namorada): acho uma óptima ideia… chegou a vez de você sofrer…

Shi (retribuindo): …tudo o que você quiser…

…Latinos de sangue quente…insaciáveis…


Cantinho ariano:

…olhando para os lados…

Felizmente desapareceram… aqui está o 9º capitulo! Foi um dos capítulos que me deu mais prazer escrever por causa das cenas que incluem a pequenita . Noëlla e Lina são, como já devem ter reparado, personagens originais que criei especialmente para a fic! Tenho um graaande carinho pela pequenita! É um anjinho lindo que juntou o espanhol lindo do meu coração e Shina!

Falando dos motivos de Shaka: espero ter sido suficientemente esclarecedora e sobretudo convincente no que toca ao assunto. Realmente eram casos que aconteciam; mas geralmente para salvaguardar as aparecias, os lordes acabavam por se casar com uma das pretendentes, mantendo em segredo os outros casos amorosos (homossexuais ou heterossexuais).

Agradecimentos a todos os que continuam a acompanhar a fic. Um beijo especial para os que deixaram reviews: Gemini Kaoru, Musha, Margarida, Athenas de Aries e Doshi.

Mu (saltando e abraçando a autora): minhhhaaaa lindaaaaaaaaa

…Áries: AHHHHHHHH! QUE SUSTO!

Mu com um grande sorriso: eu sabia que você não ia me deixar mal com o Shakinha!

…Áries: pois… eu era incapaz disso… apesar de ainda ter muitas sensações fortes por vir XD

Mu: eu sei, eu sei… mas podia ter feito eu não chorar tanto no capitulo…

…Áries (estranhando a ausência de alguém): é o teu lado emotivo… 80 por cento de um bom ariano…

Shion (berrando): POSSO SABER PORQUE EU NÃO APARECI NESTE CAPITULO?

…Áries e Mu ficam lívidos de medo…

Mu: c…calma mestre!

Shion: calma nada! Eu não devia ter confiado em você!

…Áries após um tempo para recuperar… inspira…expira…: VOCÊ PIROU DE VEZ? MAS QUE PORCARIA VEM A SER ESSA? ENTRA AQUI SEM MAIS NADA E DECIDE BERRAR COMIGO? MAS QUEM MANDA AQUI NO FINAL DE CONTAS HEIN? EU! SOU EU QUE MANDO! PORTANTO REDUZA-SE À SUA INSIGNIFICANCIA E FIQUE CALADO!

Shion e Mu sem reacção… estáticos…

Mu: calma linda… não é preciso explodir dessa maneira…-virando-se para Shion – mestre, peça desculpa…

Shi: não! Está fora de questão! – cabeça dura.

Mu: mas… linda: peça você desculpa primeiro!

…Áries: mas nem morta! – olhando directo nos olhos de Shion e soltando faíscas…

Mu: parem com isso…

...Áries e Shion: NÃO!

Mu vermelho de raiva: ACABOU! CHEGA! VÃO PEDIR DESCULPAS IMEDIATAMENTE!

…Áries e Shion: m-mas…

Mu: AGORA!

…Áries: (baixinho) desculpa…

Shion (ainda mais baixo): desculpa eu…

Mu: Óptimo;… voltando a falar de mim e do Shaka… XD

…Áries: O.O

Conclusão: se um ariano com raiva incomoda muita gente; três deitam a casa abaixo…