SEGUNDA PARTE
"Auror"
Capítulo Nono
Ela estava de volta! Estava ali, onde sempre deveria ter estado, onde ele deveria tê-la atado! Severus mal podia acreditar! Andava de um lado para o outro em seu escritório imaginando se ela, por algum acaso da vida, iria até ali para visitá-lo. O encontro na escadaria deveria ter ceifado essa esperança dele, afinal já haviam cumprimentado um ao outro como pessoas civilizadas, mas ele pensou que ela talvez pudesse querer conversar... como nos velhos tempos. E diante disso, as masmorras e o proprio Snape estavam impecaveis.
Ele sacudiu a cabeça para afastar aquele pensamento tolo. Já não havia esperança de resgatar aqueles velhos tempos, e os dois sabiam tanto disso! Ela se foi no momento exato, por que se ela por um acaso tivesse ficado, as atitudes tomadas seriam atrapalhadas e inconsequentes. Ele divagou sobre tudo a respeito dela naquele tempo em que ficaram apartados. Ele imaginou mil situações e em nenhuma delas ele permitiria que ela fosse de outra pessoa. Pamela era dele, tanto quanto ele se sentia pertencente a ela. Levasse o tempo que fosse, mas ele a teria de volta. Ele sabia que por ela não conseguir voltar deveria ser por alguma coisa realmente seria e não apenas um surto de paixonite ou outra reação exagerada da fênix.
Mas nada disso excluia o fato de que ela ainda, mesmo que aparentando ter seus vinte anos, era uma garotinha cuja vida fora atipica e brutal. Ele temia ser outra dor e outra complicação. Temia prendê-la a ele sendo que a vida dela estava cheia de possibilidades, e ele já era um homem marcado.
-Preciso que você me responda uma coisa. –ele disse entrando no escritorio do diretor e sentando-se afobado diante dele.
-O que pode ser tão urgente que você esteja ameaçando atrasar o início do banquete?
-Quando você se apaixonou por Minerva?
-O que? – Dumbledore riu nervoso- Quando?
-Não se faça de desentendido, Albus! Ela ainda era sua aluna?
-Talvez não tivesse mais do que quinze anos. – o velho bruxo respondeu com um sorriso saudoso- Claro que não era nada que pudesse se confessar, afinal, Minerva era menor de idade e eu era velho como deveria ser seu avô.
-E continua sendo.
-Sim, mas devemos ser francos, meu caro. Há muito mais maturidade nos sentimentos de uma mulher do que nos sentimentos de um homem. E Minerva mesmo durante a adolescencia era uma das criaturas mais adoraveis e responsaveis que eu já pude conhecer. Depois que ela se formou as coisas esfriaram um pouco, mas eu nunca pude deixar de pensar nela, geralmente antes de adormecer.
-E como você fez pra conseguir conviver com o fato de que você é pelo menos quarenta anos mais velho que ela?
-Cinquenta e quatro, para ser mais exato. – ele sorriu- Oras, meu caro, foi muito simples. Eu apenas me convenci de que eu era o melhor para ela. E de que no final das contas, eu não deveria me preocupar com a nossa diferença de idade, por que de todos os modos, não seria eu quem a influenciaria. Ela é quem manda em mim. – e gargalhou levemente- E você sabe muito bem como essas mulheres McGonagall tem uma boa voz de comando, aveludada como um pêssego e autoritária como um general.
-Mas Minerva nunca se sentiu... Quero dizer, sua idade nunca causou nenhum desconforto a ela?
-Eu acredito que não. Eu posso ser um velho, meu filho, mas em relação ao amor eu era um rapaz muito mais inexperiente que ela. Minerva já havia sido casada, a esta altura, e eu nunca fui além de algumas cartas trocadas e raros encontros puramente carnais com algumas senhoritas. Mas depois de conhecer Minerva, mesmo esperando por ela por tantos anos, eu nunca senti falta de nenhuma presença feminina que não fosse a dela.
-Pan nunca viveria nada além do que eu teria a oferecer. Ela ainda é tão... jovem!
-Então faça com que ela viva tudo ao seu lado. E se alegre homem! – Dumbledore disse animado dando a volta a sua escrivaninha- Ela está de volta!
-Sim, eu a vi. Mas ela parece ferida, Dumbledore, eu não sei o que fazer!
-Diga a Pan que vai lutar por ela! Funcionou pra mim! – e com uma piscadela ele deixou o escritorio.
Pamela levou mais tempo do que esperava para definir os lugares dos grupos de dementadores que vieram proteger o castelo. Quando já tinha tudo sob controle, ela foi se vestir para o Banquete de inicio do ano letivo. Optou por uma saia de tule negro e um corpete verde escuro, muito justo, por cima de uma blusa de mangas largas e compridas, também preta. A saia descia até abaixo do joelho e deixava à mostra uma bota de couro de dragão de bico fino e saltos medianos. Amarrou os cabelos num rabo de cavalo, deixando a franja lisa e comprida cair por sobre os olhos. Atou a varinha ao cinto e saiu para o salão Principal, ainda vazio. Filch, que encerava o chão atrás da mesa dos Funcionários reclamava de haver uma nova cadeira ali, mais trabalho para ele, como se já não bastassem as outras, principalmente a de Dumbledore que pesava mais que ele mesmo.
-Olá, Filch! -saudou Pan venenosa, aproximando-se do resmungão por trás- Como vai madame Nor-r-ra?
-Ah, pestinha, é você? Bem que me disseram que estaria de volta. -ele torceu o horrível nariz.
-Oh, sim. Estou.
-Madame Nor-r-ra está fazendo a ronda.
-Mesmo sem alunos?
-O professor Snape estava por aqui ainda há pouco. –disse o zelador rispidamente- Quem sabe você não vai perturbá-lo, tenho certeza que ele adoraria. -Filch riu malicioso- Eu estou ocupado agora.
-Humm... Não ensinam a polir chão no Feiticexpresso? Ahh, devem ensinar, mas até pra isso é preciso uma varinha, não é mesmo?
E saiu deixando Filch vermelho como um tomate. No hall de entrada, Pan sentou-se na escadaria de mármore, apoiada no corrimão. Seu peito tocava uma rumba ao imaginar que logo mais veria Severus no banquete. Não podia mentir, nem para si mesma, que aqueles trajes tinham uma finalidade. Sentia-se tola e infantil, mas não podia evitar imaginar que quanto mais bonita estivesse aos olhos dele, mais chances teria de que ele passasse a ver a mulher que ela se tornou. Merlin, como ela sentiu a falta dele! Como doeu afastar-se e lutar contra aquele sentimento que só maltratava os dois!
Havia uma pequena manifestação de carruagens do lado de fora do Castelo. As portas se abriram, admitindo um vulto esfarrapado e decadente com cabelos cor de palha que já era seu conhecido. Era seu padrinho Remus Lupin. O homem sorriu ao vê-la com uma expressão paternal. Pan, que sentia uma leve afeição por ele retribuiu o sorriso, mas logo em seguida desviou o olhar. Ele se aproximou com ar solene e disse:
-Srta. McGonagall?
-Professor Lupin?
-Bom, creio que a senhorita seja a Auror encarregada de Hogwarts?
-Pois sim.
-Então eu devo informá-la que um dementador entrou no Expresso de Hogwarts e que ele atacou um estudante.
-Q-q-quem foi? -sibilou ela fracamente, nervosa e assustada.
-Harry Potter.
-Como assim um dementador entrou no Expresso de Hogwarts e atacou Harry Potter? -Pan ficou de pé furiosa e esmurrou o corrimão da escada- E... e... e onde está ele?
-Me disseram que eu devia informá-la. Eu cuidei do Harry, ele está bem.
-Dementadores... -dizia ela em tom indignado caminhando de um lado para o outro no hall- O que o auror responsavel por este dementador estava fazendo enquando ele invdia o Expresso de Hogwarts?
-Acalme-se...
-Como isso aconteceu?
-Ele entrou, avançou para Harry e eu o espantei com um Patrono.
-E o Harry comeu chocolate?
-Sim, Pamela. Que espécie de professor de D.C.A.T. você acha que eu sou?
Pan parou de andar e sorriu, mais amena. Sem reclamar ela aceitou o afago carinhoso de Lupin.
-E como vai minha afilhada?
-Tensa.
-Eu imaginava. -sorriu o homem carinhosamente- Você cresceu!
-E você envelheceu.
-Oh, sim. O tempo passou pra mim também. Não tão rapido e glorioso quanto pra você, eu devo admitir...
-Deve passar bem devagar nas noites de lua cheia.
-Sarcástica como... -e ele preferiu reprimir o comentário. - Bem, é hora do Banquete. Se você me der a honra de acompanhá-la até seu lugar...
Eles entraram juntos e discretamente no Grande Salão. O Prof. Flitwick coordenava a Seleção das Casas. Pan sentou-se entre Hagrid e Lupin, observando as mesas. Acenou para Fred e Jorge Weasley, que foram seus companheiros de Quadribol, bem como Olívio Wood, que fora seu capitão no time da Grifinória. Podia sentir a presença de Severus do outro lado da mesa, mas tentou não olhar para ele, que por sua vez se perguntava o que aquele lobisomem fazia ao lado dela, sentado junto dela e conversando com ela... Ele seria capaz de torturar Lupin naquele momento, mas decidiu ignorar a existencia do ex-colega de escola e focar suas atenções em Pamela.
Como estava linda, meu bom Deus! E como parecia segura de si! Os cabelos longos e negros estavam presos no alto da cabeça e ela tinha deixado uma graciosa franja caindo até o queixo. Seus olhos, maqueados, como ele pode notar, pareciam ainda mais azuis, tão azuis quanto os de Albus. As maças do rosto, delicadas e suaves, estavam coradas, certamente pelo sol. O sorriso, ainda que arrancado por Lupin, era como uma noite enluarada, pura e iluminada. E sobre o corpo ele não queria nem pensar, já que verdadeiramente ela era uma mulher e das mais exuberantes.
Harry e a garota Granger chegaram no fim da Cerimônia de Seleção. O coração de Pan deu um salto quando ela o identificou entrando no salão. Minerva veio sentar-se a direita de Albus, que apertou discretamente a mão dela e ergueu-se para cumprimentar os estudantes.
-Sejam Bem Vindos! -começou ele.
Dumbledore falou sobre os dementadores e advertiu os alunos de que não era seguro sair da Escola. Disse que nem capas de Invisibilidade enganavam dementadores, e nessa hora, Pan não pode deixar de notar que Harry e seus amigos se entreolharam. Albus já lhe advertira sobre a existencia de tal artefato.
-Agora, falando de coisas mais agradáveis. -continuou ele- Tenho o prazer de dar as boas vindas a dois novos professores e uma nova Funcionária. Primeiro o Professor Lupin, que teve a bondade de aceitar ocupar a vaga de D.C.A.T.
Pan notou que Harry e seus amigos aplaudiram entusiasmados. Na mesa de Funcionários também houve aplausos. Pan sorriu para Lupin e não pode deixar de procurar ver a expressão de Severus, que olhava o colega com nojo e desprezo.
-Quanto ao nosso segundo contratado -Dumbledore continuou quando cessaram as palmas mornas destinadas a Lupin- Bem, lamento informar que o professor Kettleburn pediu demissão no final do ano passado para aproveitar melhor os membros que ainda lhe restam. Contudo tenho o prazer de informar que o seu cargo será ocupado por ninguém menos que Rubeo Hagrid, que concordou em acrescentar essa responsabilidade docente às tarefas de Guarda-Caça.
Os aplausos foram muito entusiásticos por parte da mesa da Grifinória. Harry, Ronald e Hermione foram os últimos a parar de aplaudir.
-Guardei para o final a notícia que mais alegrou e tranqüilizou a todos nós, professores e funcionários. -continuou Dumbledore, dessa vez sorrindo abertamente- Este ano nós teremos uma Auror em Hogwarts. Auror, para quem não sabe, é um caçador de bruxos das Trevas, e nós tomamos essa providência em virtude do perigo eminente. Pamela McGonagall é a mais jovem Auror da história da Bruxidade. Ela tem a Ordem de Merlin, Segunda Classe e o título de Guardião Supremo concedido pelo Ministério da Magia. É praticamente filha de Hogwarts, já que foi criada aqui. Pan garantirá a segurança de vocês.
Os alunos mais velhos aplaudiram Pan com entusiasmo. Apenas alguns alunos da Sonserina torceram o nariz. Eles ainda lembravam-se dos talentos da garota no Quadribol.
-Bom, acho que, de importante, é só o que eu tenho a dizer. Vamos à festa!
