Disclaimer: Justiça Jovem pertence a Greg Weisman/ Cartoon Network/ Dc Universe/ Warner Bros., etc. Jogos Vorazes pertencem a Suzanne Collins. Sou apenas uma fã sem nada pra fazer.
Inspiração bateu, mal betei o capítulo. Mas espero que gostem.
Boa Leitura! ;3
NOTA: FIC LIDA QUE É COMENTADA, É ATUALIZADA SEM ATRASOS! Portanto, tratem de comentar ou vão ficar mais um mês sem capítulo atualizado poxa vida! :/
Capítulo IX - Raios e Feitiços
Eu cheguei à conclusão de que me aliar às crianças da Zona Onze foi à coisa mais sensata que eu fiz desde que entrei na arena. Megan era muito animada e positiva, apesar da idade que tinha. Ela era muito inteligente, apesar de sua aparência e seu jeito de agir não serem coerentes com sua personalidade. Ela sabia quais frutinhas nós devíamos comer e onde andarmos, pois haviam muitas ervas venenosas e perigosas ao toque. Além disso, o sorriso dela me lembrava muito de Bette e isso me deixava um pouco mais animada – pelo menos algumas lembranças boas.
Já Garfield era muito bom que ele sorrisse e ficasse na forma de um macaquinho, além disso ele podia se transformar num pássaro e checar com uma visão periférica a arena. E ajudou também com a caça nessa parte, já que eu comecei a reclamar pela falta de proteína. Também tem o fator de ele ser um garoto completamente animado, esperançoso que sorria quando abria seus olhos verdes depois de uma soneca e contava piadinhas de criança enquanto andávamos exaustos pela selva.
Eu até fico meio triste quando penso nisso, mas, por mais que eles tivessem muito mais chance de viverem até o fim do jogo e mais tempo que eu, eles não iriam vencer.
Muito honestos muito bondosos para conseguirem vontade pra sair daqui. E é nesse momento que eu paro de pensar no futuro e volto para a realidade. Ainda estou numa arena correndo risco de morrer por qualquer motivo vão se eu não prestar atenção e despertar.
Nós terminamos nossa refeição enquanto ainda era dia e apagamos o rastro de fogueira com o poder de Megan. Eu limpei o rastro e Gar me ajudou a jogar as lenhas queimadas nos arbustos caso Klarion e sua trupe quisesse brincar de caçar.
Depois disso, Megan sentou-se no ar com as pernas cruzadas e eu estiquei meu corpo, desacostumada depois de dormir naquela cama deliciosa da capital e voltar para o chão enlameado da natureza. Eu estava me sentindo suja, mas ainda não tínhamos conseguido chegar num lago ou riacho. Tínhamos que nos manter longe de Klarion ou acabaríamos num espeto. Gar patrulhava o céu.
-E agora? – a alienígena me perguntou animada demais para o meu gosto. Ela queria saber qual era o plano.
-Nós achamos o Roy. – eu os avisei e Megan deitou a cabeça de lado – E matamos qualquer um que nos impedir. – mentalizei.
-Certo. – ela assentiu determinada e depois me encarou – Mas só se houver extrema necessidade né? – eu entortei meu nariz.
-Você vai esperar ter um super-poderoso com as mãos ao redor do seu pescoço pra te estrangular pra decidir se vai matá-lo ou não? – disse cuspindo as palavras. Nós andávamos ao norte e Gar ia à frente.
-Bem... Não... – eu não deixei a continuar.
-Vai esperar que um humano comum esteja com uma faca nas suas costas pra mudar de idéia? – ela abaixou a cabeça e veio andando ao meu lado. Aquele assunto parecia meio pesado para ela – Não queria magoar você...
-Não tem problema. – ela me deu um meio sorriso – É que, por mais que tenhamos sido criados sobre a cultura da Capital, a cultura da nossa Zona é conhecida por ser pacifica. Nós poupamos todas as formas de vida, porque elas estão lá por um motivo assim como nós. – ela começou a explicar com um brilho em seu olhar âmbar – Uma forma mais fácil de te explicar é uma formiga marchando em fila com uma folhinha em suas costas. Ela tem uma missão nessa terra, por mais curta que seja. Nossa missão, ou parte dela, era vir aqui para a Arena. – Megan sorriu para mim com emoção em seus olhos e eu fiquei tentada a sorrir também – Se nós vamos ganhar ou não, não depende apenas de nós. Tem que estar em nosso caminho. Então, a gente não deve interromper a missão de ninguém. – ela sugeriu e eu suspirei.
-Pode até ser, Megan. – eu avisei-a e ela começou a sorrir – Mas por mais que você não queria interromper a missão de ninguém, acho que as pessoas lá fora ficariam muito tristes se sua missão fosse interrompida.
Ela arregalou os olhos e eu continuei a andar. Ela ficou ali pensando por um momento e eu continuei a andar meio avulsa.
Por mais que ela tenha sua cultura e suas crenças, e eu respeite, ela deve entender que onde ela está pisando não é mais a Zona dela e as pessoas não vão poupar a vida dela. Não quando ela tem todas essas vantagens ao seu lado enquanto outros estão ralando para continuar vivendo.
É uma filosofia muito bonita e é óbvio que a Megan já aceitou estar aqui. Não há outro jeito, de qualquer forma. A única forma de sair da arena é matar ou morrer. Não tem meio termo, quer queiram os tributos ou não. Só que ela ainda não associou com não haver respeito mutuo aqui dentro e eu não preciso pensar no que as outras pessoas sentem por mim agora. Caso contrário, eu não iria tirar o Cameron da cabeça e isso não ia dar certo nem pra mim, nem pra ele.
Um silêncio pousou entre nós então e Megan demorou um pouco até voltar a flutuar ao meu lado. Foi até meio mórbido, mas, pelo jeito, ela tinha absorvido o meu ponto de vista. Quem sabe agora ela ficaria um pouco mais a espreita.
-EU TO MORTO DE SEDE! – Gar gritou pousando no meu ombro e eu respirei fundo, coçando a minha cabeça. Ele estava como um tordo verde e era engraçado. Parecia que ele estava usando o animal como fantoche.
Eu também estava com minha boca seca e minha garganta doendo.
-É. Eu te entendo. – suspirei e Megan atravessou nossa frente.
-Que tal irmos ao rio? – eu neguei com a cabeça.
-Muito perigoso. Vamos acabar sendo mortos por Klarion ou qualquer outro por lá.
-Mas nós não temos onde beber água.
-É. Bom... – eu dei de ombros, pensando no que fazer – Se nós déssemos a sorte de chover, poderíamos usar folhas grandes das árvores para fazer uma bacia e beber. E aí guardar um pouco nos cantis. Pelo menos até acharmos um poço.
-Não vai chover por um bom tempo. – Gar me avisou e eu fiz um barulho nada humano de completa angustia. Ele riu e Megan sorriu sem jeito.
-Então se fossemos populares, nossos patrocinadores nos mandariam uma garrafinha, né? – eu tentei e Gar riu novamente.
-É... Somos renegados... – mas Gar parou de falar e começou a mexer sua cabeça de pássaro em busca de alguma coisa.
-O que foi Gar? – Megan perguntou preocupada e eu parei de andar, tentando ouvir alguma coisa.
-Escutem...
E um zumbido bem baixinho sibilou no meu ouvido. Eu me virei na direção e ele começou a ficar mais alto e alto até que Gar deixou o barulho de tordo sair de sua boca enquanto eu e Megan ficamos paradas até ver uma árvore em chamas passando entre nós duas.
Ela gritou e caiu no chão e Gar voou até ela, chamando-a para levantar. Eles pareciam muito assustados. Eu estava cambaleando e tentei correr para alcançá-los, mas uma bola de fogo passou zunindo pela minha cabeça e depois outra foi atirada bem por cima de nós, caindo na direção em que íamos, tampando nosso caminho.
-MEGAN! – Garfield a chamou tomando a forma humana comum – Megan! – ele a sacudiu e parecia que Megan tinha sido atingida, mas as faíscas começaram a aparecer entre nós do tronco em chamas que pairava entre eu e eles e logo fumaça negra se juntava ao redor na floresta.
-GAR! – eu gritei e ele tentou me olhar – VAI LOGO! – eu gritei e fiz sinal para que ele se mandasse com ela daqui – VIRA UM CAVALO, UM JAVALI, UM RINOCERONTE! SEI LÁ! PEGA ELA E VAI! – ele estava começando a chorar e eu deduzi que estava morrendo de medo.
Ele se colocou embaixo de Megan e se transformou em um camelo. Ele se virou para sair, mas antes me olhou preocupado: - E VOCÊ?! – eu não sabia o que fazer.
-EU ESTOU INDO! VAI! CORRE! – eu não podia deixá-los naquele calor enquanto eu era rodeada pelo fogo.
Certo. A primeira vista eu estava cercada, mas quando eu olhei de novo, tentando calcular direito o que fazer e levando a manga do meu casaco na minha boca porque estava ficando difícil de respirar, eu vi um corredor que ainda não tinha sido atingido pelas chamas. Eu saí correndo com tudo o que eu tinha e os manipuladores da arena fizeram o chão em que eu pisava pegar fogo e derreter a sola da minha bota.
-MERDA! – apertei o passo e olhei para frente tirando a manga da minha cara e usando meus braços como impulso para minhas pernas, dando mais velocidade.
Se eu paro, eu morro! Eu preciso sair daqui!
Mais uma bola de fogo saiu voando cruzando meu caminho e eu brequei, escorregando e caindo no chão. Só então que eu notei que eu estava num desfiladeiro e comecei a escorregar sobre as pedras e lama embaixo de mim. Era muito alto aquilo. Veio terra em meios olhos e minhas roupas estavam sujas. Eu não gritei, mas meu maxilar estava dolorido pela força que eu mordia meus dentes. E pedras atingiam a minha pele exposta, abrindo machucados por todo lugar do meu corpo. Até que veio uma pedra e bateu em minha cabeça com força e eu só me lembro de bater no chão duro e sentir minhas costas serem esmagadas por toneladas de pedras.
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Quando abri meus olhos eu estava presa entre o chão e um desabamento, a minha frente um rio correndo. Por um momento eu estava tão aliviada que mal pude conter algumas lágrimas que escaparam dos meus olhos. Por mais que fosse perigoso, depois de uma área de risco, ninguém ficaria ali por perto. Os manipuladores iriam apenas se aproveitar da situação para causar mais mortes – ou quase mortes no meu caso.
Arrastei-me sentindo que meu ombro estava definitivamente deslocado e o meu braço aberto estava doendo muito. Mas aquela água toda limpa a minha frente me deixaria descansar essa dor e eu teria coragem o suficiente para dar um jeito em mim mesma Minha boca salivou e eu pude sentir meu estomago dar um nó por aquilo. Eu notei o céu escuro sobre mim, a luz da lua como a única fonte de iluminação.
Senti a terra se mover sobre mim, mas não hesitei em continuar a me arrastar dali. Se eu fosse morrer soterrada, pelo menos não seria sem tentar me salvar. Continuei até eu não sentir mais o peso da terra sobre mim. A lama perto da água me acolhia e era gelada, mas no completo e bom sentido.
E logo mais eu estava boiando no raso do rio, lavando a sujeira de mim por alguns de alguns dias de jogos e bebendo toda a água que podia. O céu estralado sobre a minha cabeça e eu me lembrava de quando eu e Jade acampávamos no deserto. As folhas dançavam no vento e as sombras não estavam me dando medo. Também, depois de escorregar uns vinte metros até o chão com uma floresta pegando fogo atrás de mim e ser soterrada por algumas boas toneladas, temer a sombras na selva não era nada.
Eu senti peixinhos nadarem embaixo de mim e as pedrinhas presas na minha pele eram levadas pela correnteza – não todas, mas uma grande parte. Respirei fundo sentindo aquela dor passar um pouco e então mergulhei minha cabeça sobre a água, ficando um bom tempo sobre ela e esfregando a sujeira do meu rosto e do meu corpo.
Eu tive vontade de tirar minha roupa e me lavar completamente, mas até aí ainda havia câmeras espalhadas por aí.
Enchi a minha boca de água e bebi tudo o que cabia no meu estomago, até eu ficar enjoada de tanta água. Minha mochila estava encharcada e eu só abri para puxar o cantil pra fora e encher com a água limpa que corria do rio. Respirei fundo o ar puro e lavei meu braço esquerdo, sentindo que ele havia diminuído. Entretanto, eu precisava cuidar mais dele. Depois disso era a hora da verdade e eu me sentei na terra grossa do raso do rio e larguei a mochila atrás de mim, com dificuldade devido ao meu ombro estar deslocado. Eu não tinha me dado conta do quanto estava doendo até eu terminar de beber água. Acho que a emoção era tanta que não me fez sentir dor antes e é claro que eu não poderia desfrutar daquele momento com felicidade total.
Eu procurei algo duro para morder, meu maxilar ainda dolorido por passar aquela descida inteira com a boca fechada com força pra não gritar. Entretanto, quando se quebra alguma coisa ou tira ela do lugar, é necessário colocá-la no lugar e a sangue frio.
Eu mordi a aba da minha mochila e pressionei meu ombro direito com a minha mão esquerda, sentindo aquela dor latejante me corroer.
-Conte até três, garotinha. – eu ouvi meu pai falando e mordi com mais força o material – Aí você empurra com toda sua força e com uma força maior ainda.
-Mas vai doer!
-Só tem dor nessa vida, Artemis! Se você ainda não aprendeu, não pode ser chamada de Crock. – eu devia ter uns 5 anos nessa época e eu tinha quebrado o meu dedinho subindo a escada para o meu apartamento.
Eu respirei fundo e olhei fixamente para meu ombro, vendo minha mão molhada esfregar a manga do meu casaco. Minha respiração estava mais constante e eu procurava me manter calma. Eu tinha que contar até três.
-Vai lá. Você só precisa empurrar. – eu mordi com mais força a aba e olhei. A imagem do meu pai ao meu lado começou a ficar mais forte e a voz dele mais alta.
-Um... Dois... Três!
Uma dor aguda passou por todo o meu corpo e meus olhos lacrimejaram enquanto eu xingava até a quinta geração do infeliz que derrubou um desfiladeiro nas minhas costas. Eu chorei de dor, engolindo meus gritos e sentindo meus dentes doeram na mesma intensidade que meu ombro. Pelo menos agora ele estava em seu devido lugar – no mínimo até eu achar alguma coisa pra enfaixar ele. Eu não conseguia me levantar ainda então apenas me deitei para trás, voltando a encarar o céu estrelado meio embaçado devido às lágrimas nos meus olhos.
-Pronto. Já foi, garotinha. Já foi. – eu ouvi meu pai cantarolar e uma imagem incomum que eu não me lembrava por tanto tempo ter acontecido me ocorreu.
Lá estava meu pai, grande e musculoso, parecido com um urso mal, sentando a minha frente no chão, segurando o meu dedinho no lugar com a sua mão da largura das minhas costas e me abraçando, me ninando enquanto eu chorava morrendo de dor.
E então, vendo aquelas estrelas lá no céu, logo mais eles anunciariam se alguém havia sido morto ou não naquele dia e eu não podia simplesmente começar a chorar. Ainda tinha gente aí fora que viria atrás de mim e alguém podia jogar uma pedra em cima da minha cabeça a qualquer instante. Eu não podia continuar ali por muito tempo.
No céu uma imagem holográfica se formou e aí uma mensagem que eu aguardava ver daquela arena:
SEM BAIXAS
Eu respirei fundo e pensei em Roy, que ele estava bem e ele sabia se cuidar muito melhor do que qualquer outra pessoa. Pensei em Megan desacordada e Gar desesperado, carregando ela para longe, indefeso e preocupado em me deixar sozinha. Pensei em Zatanna, provavelmente perambulando com medo nas sombras da selva e Dick e Babs... Eu estava aliviada até mesmo por Cameron não ter morrido – mesmo que ele tenha uma chance mínima disso lhe acontecer. Mas, outra coisa me ocorreu, enquanto eu encarava aquele céu brilhante depois que o brilho verde desapareceu: quanto mais mensagens dessa iluminarem a noite, mais longo serão os jogos e aí mais difícil vai ser de voltar pra minha casa – num caixão, obviamente.
E, por algum motivo, eu me virei para meu lado esquerdo, descansando meu ombro e respirando meio eufórica, meu coração batendo rápido em meu peito. Acho que eu estava com saudades ou com medo. Eu não sei exatamente.
Tudo o que eu sei é que eu pude ver meu pai, então, sentado do meu lado com sua mão gigante em meu ombro segurando-o para não sair do lugar e sorrindo aliviado para mim.
-Pronto. Já foi, garotinha. Já foi. – e uma lágrima salgada desceu do meu olho.
Eu acabei dormindo e o meu sonho, vamos ver dá pra adivinhar...
Eu tinha uns três anos e estava vestindo o boné de baseball do meu pai, sentada em seu colo e fingindo ser uma grande segurança de fábrica enquanto Jade dizia que eu estava parecendo um molequinho remelento e minha mãe de pé, no balcão da cozinha, mandando meu pai tirar os pés da mesa de centro dela porque aquilo não eram modos.
Um bom sonho para variar.
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O dia raiou e eu já estava de pé, caminhando com o casaco amarrado na minha cintura e outro pedaço da minha blusa usado como tipóia para manter meu ombro no lugar. Meu cabelo tinha perdido sua trança e eu somente o coloquei num coque malfeito no topo da minha cabeça, mais fios fora do penteado do que fazendo parte dele. Eu não tinha tempo pra me preocupar com aparência enquanto tinha um estômago roncando e roupas ainda molhadas. Estava calor e eu precisava me mexer, pois isso indicava apenas que o rio seria um lugar considerável para os sedentos e fedorentos tributos com grandes habilidades que não tinham medo dos outros super-poderosos ou de Klarion.
Como não é o meu caso, eu pesquei um peixe, com muita dificuldade devo admitir – já que no deserto não tem rio, eu nunca pesquei. Não me julguem! E o comi cru porque não dava pra fazer uma fogueira na minha situação – não, a floresta em chamas já havia sido apagada com a terra e não dava pra aproveitar o fogo se não havia nenhum; empanturrei-me com água mais um pouco e lavei meu rosto para seguir em frente, longe dali.
Megan e Gar não estariam nessa parte baixa da arena, então eu precisava achar uma forma de encontrá-los. Megan estava potencialmente ferida e Gar desolado. Portanto, eu tinha que fazer alguma coisa. Os únicos caminhos era seguir entre o desfiladeiro de vinte e tantos metros de altura, com pedras pontudas ameaçando cair em sua cabeça a qualquer instante, correndo o risco de ser achada por outros tributos na beira do rio; ou atravessar o rio a nado e rezar para não haver uma armadilha do outro lado.
Bem... Não tinha muito jeito e nós acabaríamos nos encontrando mais cedo ou mais tarde. Eu respirei fundo e me preparei para nadar no rio.
A água fria era boa para o meu ombro e, por sorte, ele não era lá muito fundo – eu tinha aprendido a nadar naquela uma semana de treinamento, mas não havia nada exemplar para se fazer quando estava com um braço imobilizado e o outro cortado. Eu fiz o máximo para não me ferrar mais ainda enquanto nadava entre os peixes até o outro lado, esperando que ninguém viesse a me encontrar.
Eu saí da água e andei sorrateiramente entre as árvores, me escondendo nas sombras já que não iria conseguir subir na copa delas por motivos. Olhava aonde pisava e o marrom e o verde eram vibrantes graças à luz do dia limpo. Eu segui mais longe do que eu imaginava, naquele passinho sorrateiro, cansando e sentando na primeira raiz mais alta. Respirei fundo e reclamei de dor um pouco, mas não havia muito mais coisas para eu fazer – nem as câmeras deviam estar em cima de mim naquele instante pelo meu tédio.
Eu estava sentindo falta da risada alta de Megan e das piadinhas sem graça de Gar. E, não sei por que, o cabeça de cenoura apareceu na minha mente como se fosse uma lembrança boa.
É... Ele bem que podia surgir do nada pra me tirar um pouco do tédio...
Uma coisa gelada passou por mim e eu endureci, vendo uma lança de quase um metro e oitenta atravessara árvore a minha frente. Definitivamente não era de Cameron, já que ele preferia atirar estilhaços de gelo nos outros. Crystal estava por perto e isso significava Klarion na minha cola.
Eles tinham me achado e eu estava completamente sozinha.
-ERROU! – eu ouvi e me joguei no chão, sem fazer muito barulho me arrastando atrás de uma árvore com arbustos mais cheios em volta.
Quando me aventurei a olhar eu pude ver a garota meio azulada olhando por entre as árvores e fazendo outra lança de gelo. Tuppence estava ao lado dela, resmungando e com os braços cruzados, como se estivesse esperando a ordem de alguém.
-Ali! – eu li os lábios da loira quando ela apontava para alguma coisa no alto da árvore e Crystal e seguiu sua indicação, eu também, para a copa das arvores onde eu vi Babs rodopiando para cima dos galhos enquanto elas tentavam em vão acertá-la.
Eu sorri com aquilo, mas fiquei preocupada e até quis ajudar. Mas eu estava desarmada e desabilitada. Eu acabaria dando mais trabalho. Esse meu senso de justiça pelos fracos e oprimidos – só porque eu era um deles...
-ESSA VADIA MACACA NÃO VAI PARAR DE ESCALAR ESSAS MALDITAS ÁRVORES, CRYSTAL! SERÁ QUE VOCÊ AINDA NÃO SE TOCOU! – Tuppence gritou marchando e afundando a terra até a árvore de Babs com Crystal em seu pé.
E ela começou socou a árvore, fazendo Babs se desequilibrar e eu mordi minha língua para não gritar. Completamente equivocada, obviamente, porque quando se tratava de escalada, Babs era especialista e ela se jogou de um galho para a copa da outra árvore quando Tuppence derrubou a que estava. Elas nem a viram sair e se esconder em algum lugar. Eu só esperava que Dick estivesse por perto – e isso significava que eles foram atacados.
Tuppence e Crystal começaram a discutir, mas pararam assim que voltaram de onde vinham e eu achei à hora certa pra correr atrás de Babs. Eu provavelmente me daria melhor se estivesse com alguém como eles, ou poderíamos colocar o assunto em dia pelo menos.
Esgueirei-me pelas arvores olhando para as costas das duas até elas sumirem atrás das arvores. E então eu corri atrás de Babs, mas perdi o rastro dela mais para frente e eu estava seguindo na direção do rio. Bufei e chutei uma pedrinha no chão.
Eu preciso me armar, sem falta. Não dá pra ficar escalando, correndo e me jogando de todos que vem atrás de mim. Vou acabar morrendo caindo de cabeça no chão e isso não vai ser legal nem vai deixar meu pai orgulhoso de mim.
Um estalo e minha cabeça gira na direção. Movimento, passos apressados, corrida. Alguém estava vindo até mim. Corri o máximo que eu pude e me joguei no chão novamente, tentando me virar melhor. Senti uma pontada no meu ombro e gemi de dor, mordendo com toda a minha força meu lábio.
Um grito agudo feminino e eu me encolhi, um pouco mais.
-WALLY, PEGA ELA! – um grupo... E o Wally estava nele!
Essa voz era a do Dick, com certeza. Onde eles estão?!
Eu me ergui e avistei a uma menina de cabelos negros brilhantes de vestimentas negras, imunda e toda rasgada, voando de onde eu estava. Um vulto cinza escuro tão rápido que fez todas as folhas soltas voarem para os lados de repente parou no lugar onde Zatanna atingiria o chão e quando o ruivo cheio de sardas na cara se manifestou, com os braços estendidos para pegá-la, o impacto foi mais forte que ele e os dois foram ao chão. Eles falavam muito baixo para eu conseguir ouvir – eles estavam bem longe.
Eu engoli seco e cambaleei me levantando, correndo até eles. Meu coração na minha mão. Eu só esperava que eles estivessem bem e que ninguém fosse pensar besteira de mim por ter sido carregada da clareira por Cameron. Se bem que, né? Wally viu aquilo e correu atrás de nós, mas não conseguiu nos alcançar por algum motivo.
Eles ainda estavam muito longe e eu estava cansada, mas eu continuei correndo. O cabeça de cenoura se levantou, colocando a Zatanna que parecia estar inconsciente no chão. Minha sombra... Espero que ela esteja bem.
E quando eu já estava a dez metros deles, lutando com o meu fôlego pra chamar por eles num quase grito, um raio caiu entre nós e a terra embaixo de mim tremeu. Eu parei imediatamente e me desequilibrei. A chuva forte começou e vento ajudou a levantar a poeira da terra junto com a chuva de tempestades. Eu olhei ao meu redor e Wally já tinha ido dali com Zatanna enquanto um bando de gente vinha em minha direção. Eu tentei fugir, mas a garota de cabelo rosa da Zona Três atirou alguma coisa bem quente cor de rosa que passou raspando por mim. Assim que me desviei vi Kaldur com uma arma em suas costas e suas tatuagens nos braços brilhando azul claro – a única luz mais fixa do que os rápidos clarões dos traços que os raios davam sobre nós. Todos os tributos deviam estar naquele mesmo lugar, porque os manipuladores não costumam fazer tanto estardalhaço só para algumas pessoas.
A arma parecia de choque e dela Kaldur controlou a água da chuva, que começou a brilhar tomando um formato de uma moréia gigante que cortava a minha diagonal. Eu dei uns passos mais perto deles no campo de batalha e notei que a moréia devia atingir Klarion, que estava de costas para mim, com um gato dourado pintado em vermelho e preto ao seu lado. Apesar da tempestade de raios e do ataque de Kaldur, ele não moveu nenhum músculo. Ele estava seco e vestindo um terno preto do mesmo tom de seu cabelo. Eu não acreditei de inicio, mas não teve jeito. Não tinha muito mais tempo para isso, pois logo mais a menina da Três jogou uma bola cor de rosa quente em mim e eu dei um mortal para frente, sentindo meu ombro se dilacerar no movimento.
Caí no chão e ela estava uns cinco metros de mim. Seus cabelos cor de rosa completamente molhados da chuva ficaram um pouco mais escuros e seus olhos não possuíam qualquer compaixão por mim. Ela usava um casaco preto amarrado a cintura e uma blusa de manga cumprida sobre a calça de malha roxa. Em sua mão esquerda a produção da magia quente que ela iria jogar em mim para me matar e eu me desesperei.
-Não acho que precisamos de você, Sete. – ela disse arrogantemente dando passos pequenos em minha direção, a bola ficando maior.
Sete? Eu bufei irritada. Quem ela pense que é pra falar comigo assim?
Certo. Eu me concentrei e, aí, quando ela deu mais um passo, meus olhos em sua face, um metro entre nós e a bola rosa do tamanho da cabeça de um rinoceronte em sua mão, eu ri sarcasticamente, me erguendo devagar.
-Nossa... – ela parou e me encarou, som de arvores quebrando atrás dela e gritos, ordens e trovejadas além da chuva e do vento uivando em nossos ouvidos – Precisa atirar tão perto assim? Pra garantir? – falei debochada e ela fincou as sobrancelhas, uma veia latejando no meio de sua testa.
-Você é bem corajosa pra debochar de quem está com a sua vida nas mãos, Sete. – ela deu de ombros e assentiu, com um meio sorriso – Esse gostinho eu vou te dar, antes da sua morte. – e ela levou a outra mão pra erguer a bola.
-Só uma coisinha. – eu a chamei, colocando minha mão livre no chão. Ela parou de se mexer e me olhou por debaixo da bola, como se eu estivesse completamente submissa a ela. Eu não pude conter meus lábios se repuxando num sorriso maldoso – Aprenda meu nome, Três.
Meu pé trouxe terra quando o arrastei com toda a velocidade de meu corpo por trás das canelas da menina da Três, derrubando-a para trás e sua bola de fogo foi jogada para trás também, atingindo uma árvore e partindo-a no meio. Eu agradeci por não ter sido atingida e me levantei, olhando-a de cima por um instante e continuando meu sorriso.
-Meu nome não é Sete. – estralei meu maxilar e fechei meu punho, me ajoelhando ao seu lado. Ela estava zonza. Quando ela olhou para mim novamente eu falei, irritada – É Artemis! – e soquei o nariz dela, quebrando-o.
Levantei-me, respirando ofegante e vi Kaldur ainda chicoteando o escudo transparente com a água da chuva enfeitando-o como uma cachoeira ao redor de Klarion. O menino bruxo parecia rir e olhava para o gato e dizia alguma coisa que eu não pude entender direito.
Outro raio caindo perto de mim e eu caí no chão, de novo. Meu coração a batendo a mil por hora em meu peito e a chuva ficou mais forte, dificultando ainda mais a visão. Olhei para a copa das árvores, mas estava muito escuro. Lanças de gelo ainda tentava atingir Babs, eu deduzi, porque Crystal não era de desistir facilmente – pelo menos do que eu notei durante a semana de treinamento.
BAM!
A terra tremeu e Tommy Terror estava sobre o garoto da Zona Doze bem a minha frente, talvez uns dois metros de distância de mim, lutando de igual para igual contra o garoto de olhos gelados e cabelos negros. Meus olhos arregalaram involuntariamente enquanto Tommy tomava um soco que o fez virar o pescoço totalmente em minha direção, fazendo-o me avistar.
-TUPPENCE! URG! – o garoto da Doze enfiou seu punho no estomago de Tommy, atirando-o nas árvores.
Eu dei um passo para trás enquanto ele se levantava, rangendo os dentes e trincando o maxilar. Ele me viu e estreitou seus olhos, me encarando de cima a baixo. Eu não gostei daquilo, mas nem me mexi. Vai que ele me arremessa do outro lado da Arena. Ele fez um barulho desumano e virou-se na direção em que Tommy tinha ido, dando um passo para frente e flexionando as pernas. Quando ele esticou, ele deu um salto tão alto que eu poderia jurar que ele estava voando.
Uma cratera foi aberta no lugar em que os dois tinham caído, mas eu a atravessei e decidi correr até Kaldur. Eu não sei porque, mas eu corri em direção a ele. Eu fui atraída até o brilho azul em volta dele. Mas meu caminho foi interrompido quando Tuppence esbarrou seu ombro contra as minhas costas, me atirando para minha lateral direita, me jogando contra uma árvore.
Uma dor aguda percorreu meu corpo e eu me levantei na árvore quase caindo na minha cabeça. Rolei para o lado e o tronco caiu. Meus olhos encontraram os azuis furiosos da loira de cabelos presos e músculos definidos.
Ela estava numa distância razoável de mim, seus punhos cerrados na lateral do corpo dela, braços flexionados e uma expressão de desdém em seu rosto cuja maquiagem escorria por suas bochechas além da sujeira da terra espalhada por ela.
-Até que enfim a ratinha resolveu parar de se esconder! – ela me disse, suas narinas bufantes. Eu franzi o cenho.
-Não sou ratinha... – disse entre dentes. Eu tinha uma farpa atravessada na minha barriga e aquilo doía muito, mas eu não vou deixá-la saber disso. NÃO MESMO! – Só quis evitar empecilhos por enquanto. – rebati e Tuppence arqueou uma de suas sobrancelhas, um sorriso debochado em seus lábios vermelhos.
-Além de tudo, arrogante. Muito bem. – ela bateu um dos punhos contra uma mão aberta e estralou o pescoço – Nada como humilhar uma vadia arrogante antes de matá-la.
Agora eu mantive meus olhos apenas nela. Fosse o que ela fizesse, eu precisava desviar. Eu não poderia fazer muita coisa desarmada e duvido que minha faquinha fosse fazer algum efeito naquela pele super-humana dela. Eu podia tentar fugir dali, mas ia acabar caindo na frente de alguém. Melhor tomar conta dela do que ir embora daqui.
-Eu quero ver você tentar. – eu respondi, ficando ereta, ou pelo menos tentando.
O sorriso sumiu da face dela e ela gritou enquanto vinha até mim. Eu abri um pouco as pernas e me preparei para dar um pulo alto o suficiente, pisar na cabeça dela e fazê-la tropeçar na árvore – este era o meu plano. E parte dele eu consegui realizar.
Eu pulei quando ela estava perto de mim, só que ela agarrou meu tornozelo e eu fui no vácuo. Ela me rodou com aquilo e eu tudo começou a se misturar até estar cinza apenas. Ela começou a rir de mim e aquilo me deixou muito puta. Eu olhei bem em sua cara, ela ia me soltar, mas eu não ia deixá-la sem nenhum machucado mesmo!
Eu me empurrei contra a força centrifuga e chutei seu rosto quando ela relaxou a mão em volta da minha canela. Eu saí voando e com certeza com meu calcanhar torcido, mas eu fiz a filha da puta perder um dente!
Isso não tem preço.
Quando minhas costas sentiram o chão em baixo de mim, de novo, eu perdi o ar em meus pulmões e o céu estava muito mais escuro do que eu pensava antes. Eu devia ter caído muito longe dela porque fiquei um bom tempo tentando me recuperar e nada de ela vir se aproveitar da minha situação. E quando eu senti o refrescar do ar entrar, eu me apoiei no meu cotovelo esquerdo, meu ombro, por milagre, no lugar. Minha roupa mais rasgada ainda e eu tinha sangue escorrendo pela minha barriga para baixo e minha boca também estava sangrando.
Foquei no campo de batalha novamente e vi Dick, finalmente, com seu traje preto e vermelho de malha, com o casaco em volta da cintura e o cinto atravessado em seu torso. Ele lutava contra Cameron que parecia muito revoltado com aquela situação inteira. Dick atirava algumas pedras nele e vários bumerangues pequenos do galho na árvore que estava. Eu fiquei com vontade de sorrir quando Cameron mostrou os dentes, muito fulo da vida por não acertar uma adaga de gelo no acrobata, que sorria e o provocava enquanto desviava em muitas manobras radicais.
Eu sorri e doeu minha cabeça, então eu voltei a ficar naquela expressão de dor. A farpa ainda ali e ela continuaria lá até eu morrer, porque eu não ia morrer de sangramento ou meu pai iria me matar.
Wally não dava sinal de vida, mas ninguém tinha morrido ainda. Eu me levantei, cambaleando e ainda meio tonta da pancada. Minha mochila resistiu firme e forte nas minhas costas até agora e isso me deixou mais contente.
-ARTEMIS! – uma voz familiar soou e eu olhei para trás, vendo um tigre verde correndo em minha direção com um sorriso aliviado no rosto e o formato de Megan transparente sobre ele.
Meu corpo relaxou e eu quase caí, mas Gar me deu apoio e me ajudou a ficar de pé. Megan me abraçou com cuidado e Gar ronronou, esfregando o pelo molhado na minha roupa. Eu agradeci e fiz carinho atrás da orelha do menino metamorfo.
-Você está bem?! – Megan me perguntou se distanciando de mim e vendo meu rosto suavemente, ela tinha voltado a ser opaca a natureza.
-Na medida do possível. – admiti num gemido e Gar riu.
-Pelo menos você está viva!– com tanta dor, eu nem sei se devo pensar que é uma coisa boa estar viva ainda.
-VOCÊ VAI MORRER SUA VAGABUNDA! VOU ARRANCAR DENTE POR DENTE SEU, SUA VACA! E VOCÊ VAI MORRER GRITANDO! AH, SE VAI! – Megan ficou horrorizada pelos xingamentos de Tuppence e eu me virei de costas com cuidado, Gar rosnou para a loira cujo dente da frente faltava e tinha rastros de sangue e lama descendo por seu queixo até sua blusa que um dia foi branca.
Tuppence se atirou com toda a força e velocidade em nossa direção, ainda bem distante de nós. Deu tempo para o Gar me apoiar em Megan e se transformar em um gorila enorme, que bateu em seu peito e grunhiu como um primata depois de dar um sorriso para mim, me dizendo que tudo ia ficar bem. Megan o mandou tomar cuidado e me ajudou a flutuar para trás, um pouco apenas distante do chão.
Apesar da força da menina, Gar a encarou no mesmo nível que ela, empurrando-a para bem longe de nós.
-CUIDADO, GAR! – Megan estava completamente aterrorizada.
-Você está bem? – eu perguntei me lembrando da noite passada.
-Ah, aquilo! Olá, Megan! – ela bateu com a mão na testa e eu esperei pacientemente, meio atordoada com toda aquela dor latejante se espalhando em meu corpo – O fogo é terrível para mim. Pro Gar, nem tanto, mas eu fico vulnerável. – ela me avisou com sobrancelhas preocupadas receosas, olhos âmbares nas costas do macaco gigante – Será que ele vai ficar bem?
Eu não sabia o que responder. Tuppence não era fácil e não o deixaria passar batido com certeza. Estávamos num campo minado e de uma luta eu fui para outra, sem nem pensar o que eu estava fazendo. Estávamos correndo um risco danado ali e Gar é apenas um menino. Qualquer movimento em falso, Tuppence o mataria – eu acabei colocando-o em uma grande encrenca quando ele me ajudou e lutou contra ela.
Eu estava ficando fraca e a tempestade piorou, com raios mais freqüentes e eu já não conseguia enxergar a luz azul de Kaldur. Será que ele estava bem? O barulho ensurdecedor dos trovões não nos deixava ouvir os canhões caso alguém tivesse sido morto. Aquilo estava um verdadeiro caos e eu estava sucumbindo a ele.
Só que, dessa vez, quando o raio caiu a minha frente, ele caiu com uma força muito intensa mesma e me deixou surda momentaneamente. Megan estava assustada, ela tinha voltado a ser transparente e seus olhos estavam arregalados, fixos em Gar. Eu voltei a olhá-lo, me perguntando se eu voltaria a ouvir alguma coisa ou não.
Tuppence saiu voando e Gar comemorou batendo os punhos gigantes contra o peito estufado negro, ele voltou-se para nós e sorriu, voltando a ser um garotinho. Veio caminhando devagar e começou a falar alguma coisa, com uma cara bem cansada.
Eu sorri, mas meus olhos viajaram até uma figura negra bem atrás dele, há uns bons trinta metros de distância, com uma careta demoníaca e um sorriso maléfico na face tenebrosa. Eu fiquei desesperada e ele notou isso, apenas mostrando os dentes debochado.
Klarion esticou o dedo na direção de Gar e mexeu os lábios, minha audição voltando aos poucos. O chão sobre nós tremeu e abriu. Megan gritou assustada e deixou-me cair, mas, por mais que tudo tenha sido muito rápido, na minha visão foi tudo devagar demais: Um raio negro contornado por um brilho vermelho sangue saiu do dedo do menino bruxo e percorreu por entre as gotas de chuva até atingir as costas do garotinho doce de pele verde e olhos grandes, cujo sorriso no rosto me deu muita alegria. Eu gritei e Megan parecia estar acompanhando porque quando minha audição voltou a escutei falar "Cuidado!". Mas foi tarde demais.
Gar foi ao chão como se estivesse tropeçando, seus joelhos dobrando um atrás do outro até que o restante de seu corpo pesou pra um lado, tombando-o com uma expressão de confusão nos olhos verdes e o sorriso acompanhando aquilo. De repente uma lágrima escorreu de seus olhos quando ele bateu no chão.
Eu me segurei na terra, com um braço e Megan gritou completamente desolada, se esquecendo de mim, e voando até Garfield. Eu tentei me segurar, mas meu coração se encheu de tristeza quando os olhos de Gar não piscaram com a lágrima e a terra voando nele, e um canhão soou ao fundo.
A terra se abriu ainda mais sobre mim e eu caí, Megan mal percebeu e eu fechei meus olhos depois de gritar o mais alto que pude.
Se agora era a hora de morrer, por que eu não podia pensar em momentos felizes como em Bette e em Helena? Em Dinah e Oliver? Até mesmo em Roy? Em Dick e Babs rindo, tirando sarro de Wally? Porém, não. Eu não consegui me lembrar de nada, nem de quando eu era pequena e estava com meus pais e com Jade, quando eu não sabia nada sobre os Jogos Justos.
Tudo o que vinha a minha frente era Klarion, o menino bruxo, com sua face diabólica acariciando o gato dourado pintado em seu colo e sorrindo para mim enquanto tirava a vida de Garfield, o menino mais doce e mais leal que eu já conheci durante minha vida toda.
Eu senti o chão, então, e tudo ficou preto.
Continuam no jogo:
Zona 1 – Klarion Bleak - Klarion e Zatanna Zatara - Zatanna
Zona 2 – Cameron Mahkent – Icicle Jr. e Crystal Frost – Killer Frost
Zona 3 – Jinx
Zona 4 – Tommy Terror e Tuppence Terror
Zona 5 – Billy Batson – Captain Marvel e Cassie Sandsmark – Moça Maravilha
Zona 6 – Kaldur Ahm - Aqualad
Zona 7 – Roy Harper – Arqueiro Vermelho e Artemis Crock
Zona 8 – Wally West – Kid Flash e Jesse Chambers – Jesse Quick
Zona 9 – Dick Grayson – Robin e Barbara Gordon – Batgirl
Zona 11 – Megan Morse – Miss Marte
Zona 12 – Conner Kent – Superboy e Kara Kent – Supergirl
Doeu matar o Gar, doeu mesmo. Mas ele já era pra ter ido desde o começo, só que eu achei melhor assim e aí nós temos estória! YAAAY!
Artemis é meio seca e talz, mas vocês vão ver como ela ficou marcada pela morte do Mutano. Portanto, acompanhem.
E, de novo, a fic que é lida e comentada (reviews!) é atualizada sem demora. Eu até tenho inspiração, só me falta incentivo. E é injusto com aqueles que comentam e mostram que gostam da fic ficarem sem ler porque alguns estão com preguiça de escrever.
Nem precisar criar um grande review. Só é preciso dizer se gosta ou não. Não dá pra continuar com leitores fantasma, gente. É sério.
Amo muito vocês e obrigada a quem lê e comenta! :) Sinto muito pelo transtorno, viu? Espero que me compreendam e continuem sendo gentis comigo.
Um beijão e Até a próxima (e que a próxima seja mais breve do que a última!)
