Pó de Chifre de Unicórnio

Título original: "Polvo de Cuerno de Unicornio"

Autora: JulietaPotter

Tradução (autorizada): Inna Puchkin Ievitich


Capítulo 10

O Silêncio de Hermione

Regularmente costumava ser na Sala Comum à meia-noite, quando esta já estava deserta. Mas também tinha sido em salas vazias, cujos móveis eram testemunhas mudas daquele ato de entrega. Uma vez, atreveram-se no banheiro das Monitoras, cuja senha ela conhecia... Pelo menos uma ou duas vezes na semana, sendo cada vez mais difícil a despedida e mais insuportável a espera da ocasião seguinte, já que esse parecia ser um alimento do qual quanto mais se provava mais se queria e necessitava... quanto mais ele fazia amor, mais desesperadamente a desejava.

Deitado e completamente despido sobre o tapete da Sala Comum, ele se deixou retirar o último que levava posto: seus óculos... que ela depositou suavemente sobre a pilha de roupas recém despojadas. Fechou os olhos para desfrutar do beijo suave e lento que ela lhe deu, enquanto sentia seu cabelo perfumado cair sobre seu rosto. Deus, como a amo...

- Em muito tempo, estes dois meses foram os mais felizes de que tenho lembrança... - disse-lhe Harry. - É verdade que a vida me tomou muito... meus pais... Sirius... Mas, sabe de uma coisa? Me pagou com você.

Ela subiu sobre ele, também nua, enquanto o beijava com uma paixão que crescia a momentos… sentiu sua pele suave e tíbia como se queimasse a dele... desesperado por possuí-la de novo, acariciava-a com frenesi, deslizava suas mãos pelo suave dorso até seus quadris, tentando levá-la até ele... como se suplicando-lhe que o libertasse da tortura de seu desejo.

- Quisera dizer a todos o que somos, você e eu...

- Não, Harry! - disse-lhe, cortante. - Deixemos assim... pense em Rony.

- Mas, ele tem ficar a par!... A menos que... você pense que não temos futuro. - disse-lhe Harry. Ela não respondeu.

Ela brincava com ele, mordiscava os lábios e deslizava suas mãos por seu peito com paixão... acariciava suas pernas com as suas... mas evitava chegar até ele... simplesmente deixava-o louco. Enquanto ele gemia de prazer à beira do desespero, suplicou-lhe:

- Hermione… seja minha…

Ela sujeitou-o pelas mãos contra o chão, para evitar que prosseguisse acariciando-a. Para ele, este gesto o exasperou ainda mais, se isso poderia ser possível.

- Por que gosta de me fazer sofrer? - perguntou-lhe sorrindo.

- Não sei...

Seria muito tolo de minha parte se quisesse negar o fato de que Hermione nunca me disse o que sente por mim... nem um 'te quero', muito menos um 'te amo'... simplesmente está comigo... durante o dia é minha melhor amiga, minha companheira... e nas noites em que há possibilidade, entrega-se a mim... brinca comigo, me conduz aos labirintos da paixão... dos quais me liberta, um dia, e, no outro, me abandona de novo...

Não posso viver sem saber se amanhã poderei abraça-la como hoje. Por que nunca me disse o que sente por mim? Será que sou para ela apenas noites de paixão?... Não, não posso e nem quero acreditar... Sei que ela me ama, que sempre me amou, como eu a ela... Eu sei, o sinto... Mas parece que é ela quem não sabe... Tenho medo...

Ela mordiscou seu pescoço e foi deslizando, com língua úmida, até seu peito, seu estômago, seu ventre... ele sentia seu corpo estremecer sem controle.

Ela havia chegado com sua boca a esse íntimo lugar... a parte mais sensível dele... sentia que enlouqueceria... Sentiu imensas golfadas de prazer com cada beijo que ela lhe dava... com cada carícia que sua língua lhe administrava.

Quando achava que não poderia suportar mais e sobreviria o final, ela deixou de estimular... ele sentiu-se abandonado, como um náufrago em alto mar.

- Por que brinca comigo? - murmurou ele.

- Não sei... - sorriu.

Mas o sofrimento não durou muito... Hermione deslizou seu corpo pelo de Harry, aproximando, de novo, seu rosto até ele. Ele recebeu, ansioso, o seu beijo, como se fosse o ar que um homem sob a água espera para não morrer. Então, sem prévio aviso, sentiu Hermione deixando-se invadir por ele... Era terrível e ao mesmo tempo excitante que ela tivesse o controle... sentiu a garota manejá-lo a seu bel prazer, subindo e descendo sobre seu corpo a vontade, suavemente... perdeu a noção de tudo, simplesmente deixou-se levar.
Conseguiu liberar as mãos justo antes de sentir que sua alma e mente explodiam numa brilhante luz, que não admite pensamento algum... era como deixar-se morrer... e em seguida, voltar à vida... mais pleno, mais feliz.

Hermione descansava sobre seu corpo, recostada sobre ele e seu cabelo revolto em todo seu peito. Harry demorou vários minutos para voltar à realidade e recuperar o fôlego, enquanto abraçava-a com suavidade, tentando prolongar o momento.

- Isso foi incrível, Hermione... Eu disse hoje que te amo mais que minha vida?

Escutou-a rir levemente.

- Pelo menos cinco vezes. - disse ela e suspirou... - Harry?

- Mmmm? - Harry esperou ansioso, talvez ela o diria por fim.
Ela ergueu seu rosto e olhou-o nos olhos, parecia querer dizer algo... mas somente franziu o cenho e apertou os lábios, num gesto que, para Harry, pareceu estranhamente familiar.

Voltou a recostar-se em Harry para evitar seu olhar.

- Nada… esqueça.


Embora com seu silêncio e seus medos, Hermione dera a Harry o que nunca havia tido em sua vida: uma presença segura e constante... e seu amor incondicional, ainda que ela nunca o dissesse... não era possível que se entregasse com essa paixão se não o amava... não poderia ser possível que ela lhe honrasse com sua primeira vez, se não sentisse que Harry era alguém especial... Além disso, estava toda a sua história, tudo que Hermione havia feito por ele ao longo de seus anos de amizade. Mas seu silêncio não deixava de machucar.

Se Hermione já era importante para ele antes, nos últimos meses ela havia se convertido em seu motivo de viver... sua razão para levantar-se todos os dias... o que dava-lhe ânimos para aprender, para lutar, para cumprir sua missão...

O que antes fez por si, pela humanidade ou pelo que fosse... agora tudo era por ela e para ela. As vezes se surpreendia sonhando com um futuro... um futuro com ela. Esquecia-se, por um momento, que ele era O Escolhido... que teria que matar ou morrer... simplesmente, era como qualquer garoto apaixonado... planejando sua vida ao lado dela...

Ela era um alívio em sua solidão, e se fazia mais fácil encarar o destino que lhe aguardava. Por isso a amava. Embora ela não o dissesse.


Tentando continuar com sua vida normal e não passar todo o tempo revivendo, em sua mente, o último encontro com ela, enquanto seu coração ansiava pelo seguinte, Harry dedicava-se à outras coisas. Entre elas estavam as aulas de Aparatação, nas quais estava cada vez melhor, embora isto não lhe preocupasse muito, já que não completaria os 17 até julho. Também estava a tentativa de persuadir o Professor Slughorn, para que lhe contasse sua recordação... e nisto não estava tendo muito êxito.

Porém, o que mais interessava-lhe no momento era investigar o que fazia Malfoy, nos períodos em que desaparecia do Mapa do Maroto... constantemente revisava o mapa buscando-o, contudo não lograva averiguar o que era que tinha nas mãos... Harry sabia que planejava algo malévolo, mas não podia apurar o que era.

Nessa manhã de março, tentava não pensar que ele e Hermione completavam dois meses juntos... sorriu, com ternura, ao recordá-la e suspirou. Novamente, deixava-se levar.

Voltou a concentrar sua atenção na busca. Por fim, encontrou Malfoy, que, aparentemente, não estava fazendo nada diferente, já que estava no banheiro dos Monitores no qual Harry uma vez entrou.

Olhou a etiqueta com o nome de Gina passear pelo corredor, que ficava fora destes banheiros. Ia sozinha. Harry sentiu uma pontada de ansiedade ao pensar nela, pois tinha notado um comportamento diferente, que rogava que nem Hermione e nem Rony se dessem conta.

Ultimamente, não a via com Dino como antes, de fato parecia que ela o evitava... em troca, Gina fazia verdadeiros esforços para coincidir com Harry, fosse na Sala Comum ou nos corredores, ou sentar-se junto a ele no Grande Salão. Para Harry, não se podia passar despercebido que ela fazia todo o possível para fazer-se notar por ele... olhares sedutores, agitar seu lindo cabelo diante dele, falar-lhe em tom suave e sugestivo.

Nessas ocasiões, Harry ficava em pé de polvorosa, inventando qualquer desculpa e olhando com apreensão para Hermione, desejando que não se desse conta do franco flerte de Gina para com ele.

Esta situação fazia-lhe desejar, ainda mais, que sua relação com Hermione saísse à luz, pois assim Gina saberia que o coração de Harry já estava ocupado. Porém, Hermione insistia em manter tudo assim... embora Rony continuasse com Lilá, acreditava que podia prejudicar sua amizade com Harry. E Harry achava que tinha razão, pois estava seguro de que seu amigo não estava levando Lilá a sério.

Passaram os dias sem muita novidade... a neve, pela qual Harry e Hermione costumavam dar longos passeios, desapareceu... dando lugar a um tempo úmido e ventilado.

Chegou o aniversário de Rony, regado de acontecimentos atrozes. Primeiro foi afetado por uma velha poção de amor que havia sido originalmente destinada a Harry, e posteriormente envenenou-se com um copo de hidromel que Slughorn lhes ofereceu.

Afortunadamente, para Rony, Harry recordou o bezoar e, prestemente, introduziu-o na garganta de seu amigo, salvando-lhe a vida, ante o olhar atônito de Slughorn.

Harry e Hermione esperavam do lado de fora da enfermaria, pois os Weasley, em peso, encontravam-se dentro, com Rony, o qual, embora ainda inconsciente, já se encontrava melhor.

Hermione parecia pálida e preocupada, e suspirava com profundidade de vez em quando. Harry olhava-a intrigado. Era de se supor que estimasse Rony e se preocupasse por ele, pois haviam sido amigos por muitos anos... mas sentia o espinho dos ciúmes introduzindo-se lenta, mas firme, em seu coração, sem que pudesse evitá-lo.

Harry suspirou também. Pensou que era um tolo por ter ciúmes de Rony. Depois de tudo, era ele que tinha Hermione a seu lado... era ele quem fazia-se amor. E, precisamente, nesse lugar onde havia sido sua primeira vez. Estava a ponto de aproximar-se dela, para passar seu braço por seus ombros, quando repentinamente Gina saiu pela porta da enfermaria.

Tinha os olhos vermelhos e o rosto preocupado, e ao ver Harry jogou-se em seus braços com tanta força que quase o derruba, ao tempo em que fundia a cara em seu peito. Harry e Hermione olharam-se desconcertados, ele nem sequer correspondeu o gesto, senão que simplesmente permaneceu com os braços frouxos dos lados.

Gina pareceu não importar-se que Harry não lhe correspondesse... ergueu o rosto e ele observou que tinha os olhos úmidos, olhando-o com algo que ia mais além de agradecimento.

- Oh, Harry… - sussurrou, diante dele, surpreendendo-o. - Você é um verdadeiro herói... ter salvo Rony assim... se não fosse por você... - fez um gesto melodramático. - Deus, não quero nem pensar!

Harry tentou safar-se do abraço dela, empurrando-a com suavidade, incomodado porque Hermione já parecia chateada. Olhou sua garota por cima da cabeça de Gina, que estava grudada importunamente em seu corpo.

Hermione elevou seu lábio inferior, enjoada, e bufou ao tempo em que entrecerrava os olhos, com fúria. Harry suplicou-lhe com o olhar, como que pedindo-lhe ajuda porque não podia fazer nada... tentou retirar os braços de Gina de ao redor de seu corpo, mas esta não afrouxava nem um pouquinho.

- Está bem, Gina... - dizia Harry, pondo-se vermelho em instantes. - Não é para tanto... de verdade... Gina, por favor... o que há...?

Antes que pudesse terminar de falar, Gina tinha ficado na ponta dos pés para alcançar Harry, e afogou sua pergunta com um beijo, que pegou-o totalmente desprevenido. Abriu os olhos com pavor, enquanto tentava tirá-la de cima de si, sem atrever-se a olhar Hermione, que estava às costas de Gina.

- GINA! - exclamou Hermione, totalmente encolerizada. - O QUE ESTÁ FAZENDO!

Mas Gina ignorou-a olimpicamente. Seguiu oprimindo sua boca contra a de Harry, embora este não lhe correspondesse o beijo em absoluto. Tentando não ser muito brusco, empurrou-a, segurando-a pelos braços, até que logrou separá-la dele.

- Gina! - disse Harry indignado, limpando a boca com a manga de sua casaco. - Por que fez isso?

Gina aproximou-se sedutoramente até Harry enquanto lhe sorria, ainda aparentando que Hermione era apenas um tapete na parede.

- Não me diga que não gostou...

- Não!... Digo, é que... você não é namorada do Dino?

- Ah! Esse... mmmh… pois... - olhou Harry provocativamente, dando-lhe a entender que Dino podia entrar para a história.

Aparentemente, Hermione pensou que já tinha visto e ouvido o suficiente, porque deu meia volta, e Harry viu-a caminhar rapidamente rumo aos jardins. Sentiu uma angústia crescer em seu interior e a urgência de sair correndo atrás dela.

E isso fez. Teve que voltar a empurrar Gina outra vez a qual, novamente, estava tentando abraça-lo, e sem dizer-lhe nada voou pelas escadarias para alcançar Hermione. Chegou até as portas de carvalho e olhou, frenético, para todos as partes buscando-a... mas nada.

Viu apenas uma numeroso grupo de Sonserinos fazendo 'panelinha' em torno de algo e rindo-se com vontade. Malfoy e seus amiguinhos estavam ali... Harry teve um atroz pressentimento e dirigiu-se rapidamente até eles. Ao chegar, teve que abrir caminho aos empurrões, para poder ver o motivo pelo qual estavam tão felizes.

Era Hermione. Harry sentiu que o coração caia-lhe aos pés. Estava sentada em meio ao grande charco lodoso, completamente empapada e suja. Estava abraçando seus joelhos e se tapava o rosto entre braços e pernas. Harry soube, com segurança, que estava chorando. Se havia caído ou tinham-na empurrado, não o sabia. Por um segundo, ficou imóvel, lívido e desconcertado.

- QUE DEMÔNIOS LHE FIZERAM? - gritou-lhes, quando pode reagir.

- Assim é como acabam os asquerosos sangue sujos! - rugiu Malfoy, com crueldade; parecia que arrebentaria de tanto rir. - Imundos como eles mesmos!

Harry sentiu que uma fria e assassina ira percorria-lhe o sangue, e olhou Malfoy com o ódio de que foi capaz... mas antes de nada, correu até Hermione para ajuda-la a levantar-se. Pôs-se de cócoras diante dela.

- Hermione… - disse-lhe, com suavidade, tentando segurar suas mãos. - Sou eu.

- Vamos, Potter! - gritou-lhe Draco. - Você também gosta das sangue-sujas? Que mau gosto tem...

- CALE-SE, MAFLOY! Eu o advirto...! - Harry sentia que seria capaz de matá-lo nesse momento, sua mão urgia buscar a varinha para silenciar Draco de uma vez por todas. - Uma só palavra mais que saía de su...!

Mas Draco o interrompeu.

- Não basta para você a ruiva Weasley? Sim, outro dia os vi saindo de uma sala... muito acaramelados… - Draco também olhava-o com fúria. - O que estariam fazendo os dois ali sozinhos?

Harry surpreendeu-se tanto pelo que Draco dizia que, por um momento, ficou mudo, pensando de que diabos falava.

Então, deu-se conta que Hermione já não tinha o rosto escondido... estava-o olhando com incredulidade. Vê-la assim partiu o coração de Harry: seu lindo rostinho estava manchado de água suja e lágrimas. Porém, o pior era o olhar de infinita decepção que dirigia a ele.

Harry abriu a boca para dizer-lhe que Malfoy estava mentindo, mas antes que pudesse dizer algo, sentiu sua bochecha arder subitamente com a tremenda bofetada que ela lhe deu.

Foi tão inesperada e tão forte, que o fez perder o equilíbrio e caiu para um lado sobre o lodo, sujando-se também. Os Sonserinos rolavam de rir. Antes que Harry pudesse recompor-se, Hermione levantou-se e, salpicando lama por todos os lados, em meio as burlas de Malfoy e seus amigos, correu, afastando-se dali.


Nota 1 da Tradutora:

Faço aqui o mesmo que fiz, anteriormente, em Reverto Umquam: peço desculpas aos leitores pela demora na atualização. Desta vez, o atraso deveu-se a um problema técnico com a minha conta do FF, especificamente com o upload dos documentos. Depois de dois dias tentando postar os capítulos de RU e PCU, hoje, somente hoje, consegui. Só espero que das próximas vezes, o mesmo contratempo não volte a ocorrer. Além de ser estressante é imensamente frustrante.

Nota 2 da Tradutora:

Meus agradecimentos aos fiéis leitores de PCU, em especial àqueles que dão-se ao trabalho de deixar reviews. Agradecimento mais que especial a Pink Potter, à minha afilhadinha Marcx, e a Julieta Potter. Muchas gracias, Julie! Besos a ti! Soy tu fan numero uno! ;-)

Por fim, despeço-me, agradecendo aos leitores a compreensão pelo atraso na publicação do capítulo.

Grande abraço e até o próximo capítulo: "A suspeita de McGonagall".

Hasta pronto, amigos!
Inna