Título Original: The High-Society Wife

Autora: Helen Bianchin

Sinopse:

Isabella e Edward Cullen aceitaram um conveniente casamento com os olhos bem abertos. Eles agiam como um casal feliz para criar uma aliança entre suas poderosas e milionárias famílias e dispersar as fofocas da imprensa. Mas, um ano depois, as coisas mudaram: o casamento pode não ser real, mas a paixão de Edward pela mulher, sim...


CAPITULO OITO

Qual era o preço da fama? Isabella perguntou-se cini camente ao abrir o jornal pela manhã e folhear até a coluna social. Lá estava, em posição de destaque, a foto da noite anterior.

Quatro pessoas, felizes, com uma intimidade im plícita que não existia. A legenda endossava a foto, fazendo uso de uma sutil especulação que fez com que Isabella fechasse o jornal enojada. O boato social poderia transformar-se em um dia de fofocas sem precedentes.

Ela conhecia bem o processo.

O sindicato confirmaria o assunto se a fotografia aparecesse em um dos jornais de Sidney. E se Edward visse aquilo antes que ela tivesse a oportunidade de explicar?

Diante da situação, ela deveria ligar e avisá-lo.

O celular de Isabella tocou, ela olhou o identifica dor, reconheceu o número de Rosalie e atendeu.

— Publicaram — a voz dela estava apressada. — Emmett vai contornar o estrago. Ele conversará com Edward. Você está bem?

— Estou de saída. Telefono mais tarde para você.

Ela ligou para o número do Edward na discagem rá pida e a ligação caiu na caixa postal.

Droga. Ele poderia estar no banho, tomando café, ou... Fazendo alguma besteira com a Tanya na cama. Não entre nessa, uma voz interior advertiu.

Foi necessário certo esforço para ela se livrar daquela imagem em sua cabeça.

Concentre-se no que você tem que fazer, ela se obri gou. Principalmente agora, que precisava ir para o es critório trabalhar.

Ela estava quase conseguindo... Quase. Teria con seguido se não tivesse lido a mensagem que acabara de entrar no celular enquanto o sinal estava fechado.

Adorei a foto. Sidney é maravilhosa. Tanya.

Isabella jogou o celular no banco do carona e gritou de raiva. Por que ela demorou tanto?

Ela teria esperado Edward sair da suíte do hotel e pegar um táxi para onde quer que fosse aguardado? Ou Tanya preferiu esperar Edward ler a página no jornal?

Droga, ela conseguia visualizar o cenário com de talhes.

Dizer que isso tinha arruinado o seu dia era pouco. Não sabia se chorava, se ficava irada... Ou se tinha um ataque histérico com a já conhecida história!

Em vez disso, mergulhou no trabalho. Fez todas as ligações necessárias, exceto para Edward. Com ele, ela trataria pessoalmente!

Marie ligou, convidando para um chá na sába do pela manhã.

O almoço foi uma salada com sanduíche na pró pria mesa do escritório. Estava tão metódica na reu nião de marketing durante a tarde que era quase uma piada. A fachada era a única coisa que a fazia manter tudo em ordem.

A confusão começou quando encarou um engarrafamento, buzinou duas vezes, resmungou alguma coisa feia... Quando, normalmente, seria fácil para Isabella se controlar.

O Volvo de Edward não estava na garagem. Ela não sabia se estava desapontada ou satisfeita por ga nhar mais tempo para enfrentá-lo.

Contudo, ele poderia chegar a qualquer momento, e foi pensando nisso que se dirigiu para a cozinha. Seria melhor que Ângela não ouvisse quando ela come çasse a brigar.

Comida era a última coisa em que estava pensan do. Mesmo assim, orientou Ângela com relação ao jan tar antes de subir, vestir um moletom, calçar um par de tênis, prender o cabelo e descer para a academia. Um pouco de exercício poderia ajudar a extravasar aquela raiva. Ela fez um pouco de esteira, levantou pesos, exercitou-se no aparelho de remar, pedalou e depois calçou umas luvas de boxe e foi esmurrar um saco de pancadas.

Isabella estava quase terminando quando Edward entrou na academia. Ela continuou até que ele esti vesse no seu alcance de visão.

Ela precisou de alguns segundos para perceber que ele tinha trocado as roupas formais de trabalho por um moletom e um par de tênis.

— Você tem algum motivo para estar batendo com tanta força?

— O saco de pancadas substitui você.

Ele estendeu a mão e segurou os braços dela com uma facilidade irritante.

— Como assim?

Ela olhou furiosa para ele.

— Como se você não soubesse.

Edward percebeu a raiva e o ódio que vinham do olhar dela e segurou com mais força os braços de Isabella.

— Alec entrou em contato comigo e me falou sobre...

— Não é sobre Alec.

As feições dele ficaram tensas.

— Então qual é o problema?

— Solte minhas mãos.

Ele soltou... E se afastou quando ela deferiu outro soco inesperado.

— Você quer brigar comigo?

Isabella ignorou a sutil ameaça.

— Sim, dane-se.

A cabeça de Isabella batia na altura dos ombros de Edward e ele tinha o dobro do peso dela.

— Pegue alguma coisa para você ter alguma chance.

Boxe tailandês seria covardia. Ele tinha experiência, pernas mais longas e mais fortes e ela não conseguiria chegar perto dele para acertar um golpe.

Resmungou irritada e seus olhos soltavam faíscas de raiva quando ele arrancou as luvas de boxe das mãos dela.

Se um olhar pudesse matar, ele já estaria morto.

— Você está testando minha paciência.

Ela se torturou com aquelas imagens durante todo o dia.

Todo o esforço para diminuir a angústia foi inútil e agora ela queria que ele pagasse por isso.

— Então... Bata.

Agora havia uma provocação.

Isabella esbofeteou o rosto dele. Com força. Ela quase morreu de ódio.

— Você tem dois minutos para se explicar.

Duas pessoas iradas que se enfrentavam. O que mais poderia ser pior?

— Um minuto e trinta segundos.

Agressão física não era a sua praia, nunca foi. En tão, por que recorrer a isso agora?

Porque ela não suportaria a possibilidade de per dê-lo... Apesar de achar que poderia.

— Isabella — a voz mansa de Edward estimulou-a a falar.

— Tanya me enviou uma mensagem dizendo que tinha passado a noite com você em Sidney.

Deus do céu. Será que ele tinha ideia do quanto isso a torturava!

— Você acredita nela?

Ela fez o possível para não acreditar! Mesmo con siderando o comportamento diabólico da atriz, mas a mensagem provocou dúvida. Mesmo tendo trabalha do o dia inteiro, não conseguiu tirar isso da cabeça.

— Ela é sua ex-amante, deseja você e já deixou claro que está preparada para fazer o que for preciso para tê-lo. — Sem se preocupar se isso me deixaria destruída emocionalmente.

— Então, você fez disso um fato consumado? — os olhos dele estavam embaçados de raiva. — Você não está esquecendo nada?

Isabella olhou para ele em silêncio.

— Tanya deve ter algum plano em mente... Mas eu não pretendo fazer parte dele.

— Você deveria dizer isso a ela.

— Eu já disse.

Ela deveria acreditar nele? Deveria?

— O que aconteceu com a confiança?

Se estivesse segura do amor dele, confiança não seria um problema. Não poderia pronunciar estas pa lavras sem expor os mais íntimos dos sentimentos. Não queria dar este poder a ele.

— Você acredita que eu quebraria meu voto de fi delidade?

Eu não sei.

— Se Tanya viajou para Sidney, eu não fiquei sa bendo. — A voz dele estava pesada como aço. — Você tem minha a palavra. Deveria ser o suficiente.

Ele dirigiu-se para o remador e ela recusou-se a observar, mesmo por alguns segundos, aqueles mús culos impressionantes se flexionarem enquanto ele se exercitava.

Ela preferiu subir, tirar o moletom, tomar um ba nho demorado, vestir uma calça jeans e camiseta e se enfiar no escritório.

Só de pensar em comida, sentia-se mal. Isabella abriu o laptop e começou a trabalhar.

Rosalie telefonou por volta das oito e meia e co meçou sem rodeios:

— Você ficou de retornar a minha ligação.

Como poderia ter esquecido?

— Sinto muito. Tive um dia e tanto. — Uma meia verdade, se é que havia alguma.

— Emmett fez uma reserva para nós quatro jantarmos amanhã. Edward sabe os detalhes.

Ela tentou mostrar entusiasmo, mas só conseguiu dizer:

— Ótimo.

— Alguém comentou alguma coisa com você com relação à foto do jornal?

— Uma ligação da minha avó convidando para um chá no sábado pela manhã. Estou esperando alguns conselhos sábios junto com a recomendação para estar sempre atenta — ela fez uma pausa. — E você?

— Minha mãe também ligou. Sem escândalos... Etc.

Rosalie desligou o telefone, Isabella trabalhou por mais duas horas, desligou o laptop e recolheu-se no quarto.

Sozinha. Nem sinal de Edward. Ela deitou-se e apa gou a luz.

Havia um bilhete com a letra de Edward em cima da mesa quando ela desceu para o café-da-manhã.

Encontro com Emmett e Rosalie, 18h30, na cidade.

Reparar os danos. Dois casais, demonstrando feli cidade e união, tentando conseguir a publicação de uma foto na coluna social do jornal na manhã seguin te. Dessa forma, desmentiriam a insinuação da mídia com relação ao casamento deles.

Isto parecia um plano.

Será que Edward avisou a Ângela que jantariam fora?

Isabella escreveu um bilhete e pendurou com ímã na geladeira.

O restaurante, um dos mais chiques da cidade, foi deliberadamente escolhido por ser reduto de ricos e famosos.

— Você acha que isso vai funcionar?

Rosalie ergueu a taça de cristal e brindou:

— Quem se importa com isso? — E deu um sorri so travesso.

— Temos que usufruir a companhia um do outro, fazer uma excelente refeição e beber champanhe.

Isabella retribuiu o brinde e encostou sua taça na dela.

— O que mais poderiam perguntar?

A amiga esboçou um sorriso malicioso.

— Alec, Demetri, e chamam isso de festa?

— Devem estar falando sobre isso em algum outro lugar.

— Você acha?

— Comportem-se — Emmett advertiu.

— Foi um dia difícil — Rosalie confidenciou. — Minha enteada me rebaixou para madrasta de meia-tigela por eu ter discordado que o vermelho escuro é a cor de cabelo que está na moda. Isso foi no café-da-manhã, que não é a melhor parte do meu dia. Tive um descanso durante o horário escolar, depois do qual meu enteado resolveu me testar, afirmando que um brinco é permitido como acessório no uniforme es colar.

Isabella esforçou-se para esconder o sorriso:

— Ah, querida.

— Ontem — Rosalie continuou e valorizou o mo mento — um de seus amigos disse que eu era atraente, o garoto acabou com o nariz ensanguentado. Isso, claro, não deu certo e ele ficou de castigo na escola.

— A culpa é toda sua, seus atrativos chamaram atenção.

Rosalie lançou um olhar para ela:

— Você deveria ser minha melhor amiga. Posso continuar?

— Deve — Isabella provocou.

— E tem mais. O pecado mais recente para as ma drastas é vestir um número menor que as enteadas.

— Rolaram lágrimas e fúria — Emmett declarou. — E ela ainda quer ter filhos.

— Os nossos serão diferentes.

— Querida, eles também crescerão e se tornarão adolescentes.

— Que preocupante.

Emmett e Edward começaram a falar do mercado de ações enquanto Isabella olhava o menu de sobremesas e pedia um chá.

Quando o garçom se afastou ela foi fotografada e alertou baixinho:

Paparazzi.

O fotógrafo foi rápido... Ele provavelmente tinha que cobrir outros lugares badalados naquela noite.

— Missão cumprida — Rosalie declarou quando o fotógrafo saiu.

Eles permaneceram um pouco mais e usufruíram o ambiente agradável.

— Nós precisamos fazer isso outras vezes. — Edward entrelaçou seus dedos aos de Isabella enquan to Rosalie distribuía abraços.

— Um almoço, em breve.

— Liguem.

Seguiram em direções diferentes para pegar os carros. Daqui a pouco, a cidade estaria um tumulto quando as pessoas começassem a sair dos restaurantes. Mas, por enquanto, estava relativamente calma. Isabella recostou-se no banco do carona e fechou os olhos.

Teria dias ocupados pela frente, e Edward também. Ele trabalhou longas horas, acordava cedo para se exercitar na academia e viajava com frequência. Via gens nacionais e internacionais. Agitando-se e nego ciando para manter a Cullen-Swan à frente dos outros.

Solicitada para dar informações, Isabella estacionou sua Ferrari na imponente casa de Marie. Ti nha algumas dúvidas sobre as razões que levaram Marie a convidá-la para um chá pela manhã.

Dez minutos, talvez quinze, calculou o tempo que levaria antes que a avó começasse a repreendê-la.

Menos... O que significava que a coisa era mais sé ria do que tinha imaginado. Pior, havia um jornal do brado sobre a mesa ao alcance das mãos.

— Isabella — Marie começou sem rodeios, en quanto apontava para a fotografia. — Em que você estava pensando?

A explicação dela não convenceria... Em geral, a verdade mais simples não funcionava. De qualquer forma, ela tentaria.

— Encontrei-me com a Rosalie para irmos ao cinema e depois jantarmos. Dois amigos estavam entre os clientes do café e se sentaram conosco.

— Dois amigos homens — Marie continuou. — Com quem você foi fotografada?

Por que será que ela se sentiu como uma adoles cente rebelde sendo chamada pela diretora do colégio para prestar esclarecimentos?

— Foi espontâneo e completamente inocente.

— Claro.

Bem, obrigada aos céus pelas pequenas graças! E pelo grau de lealdade em nossa família.

— Mas, não é o que parece. A foto dá margem a especulações. — Sua avó inspirou e expirou lenta mente. — E só fornece motivos para os contratempos daquela atriz idiota com a mídia.

Uma discreta batida na porta anunciou a chegada da empregada, que trazia uma bandeja com o chá. Marie fez questão de servi-lo.

— Seria proveitoso se uma declaração pudesse ser feita.

A manhã estava piorando.

— Antes da concepção? — Foi impossível susten tar a ponta de cinismo na voz dela, e a avó reagiu es treitando os olhos.

— A incapacidade em conceber lhe aborrece?

As coisas não estavam melhorando.

— O que me aborrece é que você continue valorizando esta questão.

Marie encolheu os ombros e suspirou... Fazendo questão de realçar o movimento. Uma ilusão de ótica?

— Vocês realmente... Dormem juntos?

— Você quer dizer... Fazer sexo? — Foi difícil não cair na gargalhada, exceto pelo fato de isso poder se transformar em uma histeria. — Com frequência. E não usamos contraceptivos.

Será que a avó havia ficado constrangida?

— Podemos fazer um acordo para você deixar esse assunto de lado? — Isabella disse gentilmente. — Está se tornando cansativo.

— Muito bem, minhas desculpas.

Ela não se lembrava de ter ouvido Marie pedir desculpas para alguém. Não na sua presença.

— Obrigada.