N.A.: É fato, vou parar de postar a fic, gente! Mta gente coloca a fic no alerta, mas não comenta... como vou saber se está legal?
Please, comentem.
Gabby e Jane, obrigada por comentarem. Esse capítulo tem algumas algumas amostrar de carinho... ahauhauha
Marilia valeu por betar.
Boa leitura pessoal!
Capítulo 9
Minhas emoções estão à flor da pele. Após Rosalie sair com Carlisle, subi até o quarto e vim para o banheiro, sem dizer nada para Peter e Denise. Me senti em um filme B, sentada no chão perto da pia, chorando de raiva. Já muitos anos que eu não chorava de raiva, mas hoje deixei tudo que estava acumulado sair. Odeio me sentir vulnerável, odeio ser fraca, mas aparentemente o mundo resolveu cair na minha cabeça e não há nada que eu possa fazer.
Tirei minha roupa e entrei no banho, deixando a água quente tentar arrancar da minha pele todo o ódio que sinto. Bom, não é muito fácil. Já faz quase uns bons vinte minutos que estou com o chuveiro ligado, mãos espalmadas nos azulejos a minha frente, água caindo com força em minhas costas. É relaxante se você quiser que seja, mas deixa de ser se você fica pensando em seus problemas. Nossa, eu odeio ser problema na família dos outros. De verdade, odeio mesmo.
Alguém está batendo na porta, mas talvez minha falta de resposta o faça ir embora, quem quer que seja. Aparentemente estou enganada e a pessoa acaba de abrir a porta. Ora, mas que novidade, Emmett. Puxo a toalha e me enrolo, mesmo debaixo da água.
-Saia.
-Não.
Conheço pessoas teimosas, mas ele ultrapassa níveis astrofísicos nesse quesito.
-Emmett, por favor.
-Você quer nos eliminar?
Ok, pergunta profunda e aparentemente o Emmett sério está aqui novamente. Desligo o chuveiro, mas não saio do box, estou só de toalha e toda vez que fico perto do Emmett minhas roupas parecem querer sair correndo sozinhas. E dessa vez só estou de toalha e isso não é muito bom.
-Não vocês em particular. – eu respondo sincera, eles em particular não, apenas parte de sua raça. A parte assassina.
-Saiba que não conseguirá.
-Obrigada, era o incentivo de que eu precisava. – minha voz se lota de sarcasmo. O vejo se aproximar do vidro escuro do box, os olhos dourados estão tão vivos e fortes que é impossível não olhar.
-Não matará os vampiros da Resistência?
-Não.
-Acha que a Divisão deixara um pedaço da ameaça vivo?
Hum, ele me pegou. Eu nunca havia pensado nesse lado. Claro, eles já provaram estar ao nosso lado, mas se eu conseguir os segredos dos Volturi, achar um modo de derrubá-los e de eliminá-los, a Divisão deixaria os Cullen, e as outras famílias da Resistência continuar a existir? Não havia pensado nisso.
-Falarei com eles.
-Você está envolvida com nossa família, falarão que está sendo emocional.
EU ESTOU.
-Darei um jeito. – minha voz não convenceria nem um surdo.
Emmett sorri de lado e eu não consigo não sorrir, é quase que automático. O vejo abrir a porta do box, me afasto um passo. Ah, não. Lá vou eu ficar com mais marcas roxas do que já estou.
Nesses últimos vinte minutos eu tentei entender essa atração idiota que sinto por esse vampiro idiota. Já consegui começar a compreender. Ele é um vampiro, só por isso se torna a coisa mais linda, um predador cheio de atrativos. Eu, a presa imbecil, corro atrás. Claro, ciclo natural da porcaria do reino animal idiota.
Mas é tão estranho que eu saiba que ele é o predador e eu a presa, e ainda queira me jogar em seus braços. E como eu quero me jogar em seus braços. Mesmo que seja errado, que vá contra o que acredito e contra tudo que eu sempre lutei. Tá, acho que estou ficando repetitiva.
-Por que faz isso comigo? – vamos embromar, sou ótima nisso.
-Isso, o quê? – ele está exatamente a minha frente, o frio dentro do box é quase que demais.
-Me provoca.
-Porque posso.
Rá, engraçadinho. Olho dentro de seus olhos, vendo pequenas faixas de dourado mais claro, misturadas ao restante da íris que parece serem de um mel queimado. Nossa, eu preciso sair daqui.
-Como está Bella? – qualquer assunto é assunto agora.
-Morta. – isso eu já sabia.
Opa, presa. Os braços dele me seguram, sua roupa se molha com a toalha encharcada. Meu rosto está perto do dele e Deus me ajude, eu quero tanto ficar mais perto desse vampiro que acho que é praticamente impossível pela física a proximidade que quero.
-Emmett.
Ahhh, mas é claro, estremecer enquanto digo o nome dele ajuda muito. Ele sorri de novo, as mãos apertam minhas costas. Mas que merda, Emmett, se continuar assim, não vai sobre pedaço de Marybeth para contar história. Minha respiração está acelerada, acabei de descobrir. Minhas mãos já agarram os ombros dele, puxando-o – sem sucesso algum – para perto de mim. Mas ele vem sozinho, sua boca a milímetros da minha, seus olhos presos aos meus, o corpo forçando-se para junto do meu.
-Morphine?
Ah, mas isso não é possível. É a segunda vez que Denise atrapalha minha tentativa de me acabar nos braços grandes e fortes de Emmett. Ok, controle, Morphine, controle. Giro minha cabeça para ver Denise e Jasper parados na porta do banheiro, ambos nos fitando como se o mundo fosse acabar e estivesse começando por ali. Claro, se eles não saíssem do banheiro nesse mesmo momento, o mundo deles vai acabar.
Emmett ri inclinando a cabeça para trás e me solta, eu quase caio. O olho e depois para os visitantes insuportáveis. Será que Peter liga se eu der um tiro em Denise? Seria só um. E será que Alice vai se importar de ter que juntar alguns pedaços de Jasper espalhados pela casa? Hum, acho que Carlisle pode se chatear. Inferno.
-O que foi? – ops, quase gritei.
-Vim te chamar para ver a coleção de cd's que eles tem. – Denise me dá aquele sorriso que diz "eu sabia que você não iria resistir" e eu fico ainda mais séria. – Mas depois você vai.
-Já terminei.
Saio do box, Emmett ainda está lá. Não olho para trás e passo para o quarto, vou até minha mala na cama e vejo Peter entrando no quarto. Pronto, era realmente o que me faltava, a trupe está completa.
-Ei, tomando banho de toalha?
Ele graceja, quero ver se vai continuar a fazer isso quando ver Emmett molhado também. Abro minha mala e Denise, Jasper e Emmett ainda estão ali. Ouvi o ar se deslocando com velocidade para perto de mim e seguro minha arma que está no colchão. É uma mania tão difícil de perder.
-Ei, tomando banho de roupa, Emmett?
Tá, Peter é meio lerdo. Mas pelo canto de olho, estou a ver que o sorriso dele está morrendo, dando lugar ao entendimento. Um entendimento que ele realmente não gostou. Volto minha atenção a minha mochila, afastando as roupas indesejadas e vasculhando pelas que quero. Mas calma lá, essa multidão vai ficar por aqui me observando?
-Será que todos vocês podem me dar licença?
Um por um eles saem, Peter por último, esperando que Emmett saia. Será que ele vai ficar guardando a porta para que o vampiro grandão não entre enquanto me troco? Com certeza. É de rir. Peter e seu ciúme, chega a me dar alegria, é como ter um irmão mais novo ciumento. Uma calça larga, blusa e tênis. Não estou na minha casa pra ficar andando de calcinha e sutiã, mas não seria uma boa idéia ter uma casa minha pra poder fazer o que eu bem quisesse.
Prendo os cabelos molhados e abro a porta, Peter está de costas pra mim. Eu quase caí para trás de dar risada, ele me olha, não achando tanta graça.
-Pare de ser ciumento.
-Você está envolvida com ele. – Ok, isso pareceu uma bronca. Não gostei nem um pouco.
-Não lhe diz respeito. – levanto o pé para dar um passo em frente, para passar por ele, mas ele segura meu braço, fecha os dedos por sobre as marcas roxas doloridas. Mas que merda, Peter.
-Gosta dele, não?
-Gosto, Peter. Pronto, está mais feliz agora que me fez dizer em voz alta?
-Ele não, mas Emmett está. – essa voz mais baixa e suave, eu conheço. Viro minha cabeça para ver Edward parado perto de nós. Oh, é quase ótimo vê-lo ali.
-Edward.
-Morphine. Peter.
Peter o cumprimenta, mas não solta meu braço. Na verdade, ele acaba de fechar ainda mais os dedos nele, me deixando muito nervosa. Ok, eu realmente não queria machucá-lo, mas não estou a ver saída. Seguro seu punho com minha mão livre, aperto-o e meu pé vai de encontro com seu joelho, chutando-o para trás.
Oras, ele não gritou, mas caiu de joelhos, e me levou junto, sem soltar meu braço. Bem que Edward poderia me ajudar, não? Bom, aparentemente não.
-Só quero que veja o que está fazendo, Mary. – a voz cheia de dor de Peter me deixa com remorso. Que merda.
-Eu sei. Mas eu sei o que estou fazendo. – com a mão que seguro seu punho, o solto e lhe faço carinho no rosto. – Confie em mim.
-Posso fazer isso. – ele sorri e me solta por completo. É, quero ver ele se levantar sozinho. – Agora me ajude que você ferrou completamente meu joelho.
Edward e eu damos risada, mas o machucado não acha tanta graça assim. Oras, era só ter me soltado antes quando deveria e não teria que ter passado por isso. O ajudo a levantar e o vejo entrar no quarto, mancando e falando palavrões. Eu continuo a rir.
-Está com muitas marcas. – Edward diz, agora mais próximo de mim. O olho, só para constatar que seus olhos estão bem mais escuros do que me lembro.
-Há quanto tempo não se alimenta? – ele sorri parecido com Emmett e inclina a cabeça para o lado. – Deveria comer algo.
-Estou esperando Bella acordar, para podermos ir juntos.
Romântico, tenho que concordar. Ele está a passar fome esperando que a namorada dele, uma ex-humana, acorde da transformação para vampira, sedenta por sangue e querendo matar qualquer um que esteja na frente. É, sacrifícios que o amor exige.
-Você tem uma mente interessante.
-Deveria ficar longe dela. – eu aviso, ele dá risada. Mas é uma risada cansada, dá pra perceber.
-Bella ficava assim. – ele encosta a ponta do dedo em uma das marcas em meu braço. Mas que merda, vamos voltar a esse assunto? Eu deveria ter colocado uma blusa de manga cumprida. – É só que...
-Ela fez a escolha dela, Edward. Um dia você a perderia, não seria pior?
Ele inclina a cabeça novamente, como se estivesse pensando seriamente no assunto. Claro, sei os motivos que ele tinha para não transformar Bella, mas ele continua o mesmo, mesmo depois de matá-la. E talvez seja esse o fato, ele teve que matá-la.
O sorriso que ele acaba de me dar confirma minha suspeita. É, se a vida fosse justa não teria graça. Eu pelo menos acho que não.
-Ela acordará quando?
-Dentro de um dia ou dois, Alice vê isso.
-Isso é bom. – eu realmente queria vê-la. Seria a primeira pessoa que conhecia humana e vampira. E isso me jogava na única pergunta que eu nunca fizera. – Como foi que acabaram juntos?
Nos encostamos na parede oposta a porta do quarto em que eu, Peter e Denise estamos, Edward parece tão cansado que realmente poderia dormir se seu corpo permitisse. Ele sorri pra mim, um sorriso cúmplice. Hum, mas um dessa família que eu começo a deixar ocupar espaço em minha mente. Achei que Esme, Carlisle e Emmett já estavam ocupando todo o espaço possível.
-Na cidade. Ela estava escondendo-se com a mãe. – ele fecha os olhos, acho que trazendo as imagens para a frente dos olhos, revivendo o momento. – Eu quase a matei.
-Por quê?
-Se pudesse entender como é forte. – ele abre os olhos, quase recuo um passo. As íris estão ainda mais escuras, mas é algo tão certo que ele não me atacara que fico onde estou. – É como se o sangue realmente cantasse. Nos chamando.
-O que fez? – eu estava realmente curiosa, apesar de saber o final da história.
-Conversei com ela, lhe contei a verdade. – os olhos dele se encheram de dor. – Ela nem ao menos recusou, não ficou com medo. – aquilo parecia lhe infligir dor, era bizarro. – Dois dias inteiros com ela e eu já me controlava. Bella, não.
Eu ri, entendia exatamente o lado dela. Era completamente impossível ficar longe deles quando estão perto demais.
-Ela me disse isso. Eu a machuquei tantas vezes, fiquei tão... – ele nem precisou falar o que ele sentiu, deu pra ver na cara que ele fez. – Aos poucos fui me controlando, aprendendo. Ela também. Três anos depois, e aqui estamos.
-Três anos? – ele havia agüentado três anos com Bella humana e com o sangue dela lhe tentando? Nossa, que força de vontade.
-Eu a amo. Isso ajudou.
Fico em silêncio, já nem sei o que dizer mesmo. O amor deles me parece tão absurdo e ao mesmo tempo, parece ser tão certo. Afinal, ela é a Cantante dele, e ele é o amor da vida – e morte – dela. Não acho que o final dessa história diferente poderia ser outro. Hum, era estranho gostar de histórias românticas, já que essa parte da minha vida sempre esteve em último plano e sempre foi um desastre.
Oh, que vergonha. Edward ri de mim e eu seguro minha barriga com força, ela acaba de fazer um barulho alto e monstruoso. Ouço passos rápidos subindo a escada e vejo os cabelos claros de Esme balançando a minha frente. Os olhos dela estão semi-cerrados, um pouco assustadores tenho que dizer.
-Quando foi a última vez que comeu, Morphine?
Hum, boa pergunta. Merda, não me lembro. Deus, eu não me lembro quando foi a última vez que comi alguma coisa. Como é que estou conseguindo parar em pé? Bom, talvez estresse e nervosismo estejam me sustentando. Não acho que seja seguro contar isso pra ela, vou levar uma bronca enorme.
-Ela não lembra. – Há, Edward, que dedo duro do caramba.
-Não é muito certo. – a voz maternal dela me fazer sentir culpada. Odeio isso. – Emmett.
É engraçado, ela não elevou a voz em nada, apenas o chamou como se ele estivesse ali do nosso lado, e de repente, ele estava. Deve ser um caos poder ouvir tudo em toda parte da casa. Sem segredos pelo visto.
-Emmett, leve Morphine e os amigos dela para comer. – a frase dela me parece tão surreal que eu dou risada. Edward ainda está na minha mente, então também ri.
-Acho melhor ficar longe de minha mente, último aviso.
-Edward. – Esme lhe repreende um olhar severo pela primeira vez. Uau, nem quero ver outra vez.
-É um pouco difícil. Ela é... – ele pensa antes de continuar a frase. – Criativa.
-Vou considerar como um elogio. – sorrio pra ele, que balança a cabeça e se vira, voltando para um quarto bem no fim do corredor. Será que Bella está lá?
-Vem, Miss Criatividade, vamos te arranjar uma comida.
Rá, essa frase ficou tão pornográfica na minha mente. Não sei bem, mas acho que ouvi Edward rindo lá do quarto.
continua...
