PRISIONEIRO DO PASSADO
Autora: Thity Deluc
Beta-reader: Elphie Cohen – Obrigada, você fez um trabalho fantástico! Excepcional!
Classificação: acima de 9 anos - Angst - Drama - SS/HG
Esta fic faz parte do Amigo Oculto de Dia dos Professores das Snapetes. Su, seu pedido não foi fácil, pois o nosso primeiro instinto é escrever um romance, quando se trata de Snape e Hermione. O que tornou o seu pedido um verdadeiro desafio. Então, aí está. Espero que você goste.
Pedido - Snape e Hermione professores, mas sem romance.
Resumo: Severo não morreu. E ele não havia se preparado para sobreviver ao Lorde das Trevas. Mas o que irá acontecer quando ele souber que Hermione será sua colega de profissão em Hogwarts?
Disclaimer: Personagens, lugares e citações pertencem a J.K. Rowling, Scholastic Books, Bloomsbury Publishing, Editora Rocco ou Warner Bros. Essa estória não possui fins lucrativos.
Capítulo 10 - Melhor assim
Severo estava terminando de arrumar o material do seu laboratório, separando o que era da escola e o que era seu, quando escutou uma batida leve na porta. Pensou quem bateria à sua porta de madrugada, mas percebeu que já devia ter amanhecido. Procurou seu relógio: eram seis da manhã. Abriu a porta e quase não conseguiu disfarçar o susto: Hermione.
Ficou olhando-a, fechando sua expressão enquanto pensava como ela podia parecer tão jovem, tão... bonita, assim logo cedo.
- Bom dia, Professor Snape. – Ela o cumprimentou sem sorrir.
- Bom dia, Granger. Posso ajudá-la?
- Ontem a Diretora me convocou para substitui-lo... – A moça hesitou, parecia sem-graça.
- Entre, Granger. – Severo percebeu a hesitação da moça, sem entendê-la. – Sente-se e diga-me o que você quer. Preciso arrumar minhas malas.
A moça fitou-o calada, sentada bem ereta na poltrona, tensa.
- O senhor está indo embora definitivamente, Professor? – Ela perguntou repentinamente.
- Sim. – Severo sentiu suas mãos ficarem frias e suadas. Respirou fundo, tentando disfarçar, e forçou-se a manter o controle. – Acredito que sim. Mas não deixarei você na mão, ficarei mais uns dois dias passando tudo a respeito das aulas para você e para o Potter.
- Oh, sim, claro. – Ela olhava pela sala, evitando olhá-lo nos olhos.
Severo percebeu que ela queria falar alguma coisa, mas não conseguia. Ela suspirou, e resolveu olhar nos olhos dele, espalhando aquele calor por ele. Os olhos castanhos estavam sérios, meio tristes, e se fixaram nos negros abertamente. Severo sentiu um aperto no peito, pois percebeu que talvez nunca mais olhasse para esses olhos castanhos, tão carinhosos, tão sinceros...
- Professor – ela ainda hesitava – eu sei que não é da minha conta, mas... O senhor viu as memórias do Harry? – Ela disse a última frase em um sussurro, como se fosse ofendê-lo perguntar em voz alta.
Severo ergueu mais ainda suas barreiras, seu rosto tornou-se uma máscara ilegível, seus olhos ficaram opacos, sem vida. O que ela queria dele?
- Realmente, Granger, não é da sua conta. Mas já vi sim. – O desprezo na voz dele era cortante.
- Bem, então. – Ela enfiou as mãos dentro das vestes, pegando três frascos e estendendo pra ele. – Aqui estão as minhas.
Severo levantou-se como se tivesse sido picado por uma cobra.
- Não! – Ele protestou, gritando sem perceber. – Não quero ver suas memórias, Granger. – Ele jamais poderia ver os sentimentos dela por aquele ruivo idiota.
Ela pareceu ficar muito magoada. Levantou-se devagar, sem saber o que fazer: a decepção estampada no rosto, nos olhos...
- Entendo, senhor... Achei que... Bem. – Ele teve certeza que ela estava à beira das lágrimas, mas não entendia por que. Não conseguiu deixa-la ir embora assim.
- Granger, as memórias do Potter foram suficientes. – Severo agora suavizara sua voz. – Já entendi que, tanto eu quanto vocês, sempre nos julgamos rápida e falsamente. – Severo não conseguiu acrescentar nada mais produtivo para a situação.
- Professor – ela tomou fôlego, como se isso lhe desse coragem – eu só gostaria que o senhor soubesse que nós o consideramos um homem de muita coragem e muito honrado. Gostaríamos de ter sua amizade, ou pelo menos, que o senhor saiba que pode contar conosco para qualquer coisa que precisar. Todos nós, inclusive o próprio Harry... sabemos que Voldemort não teria sido derrotado senão fosse pelo senhor. – Ela respirou fundo de novo, rapidamente, e continuou. – Eu sei que não é do seu feitio confraternizar com ninguém, só queríamos que o senhor visse que nós também não éramos do jeito o que o senhor sempre pensou. Bem, em meu nome, do Harry e do Rony, pedimos desculpas por todas as vezes que, injustamente, atacamos o senhor. Ou nos servimos de seus estoques... – Ficou vermelha.
Ela levantou-se, rapidamente, e encaminhou-se para a porta. Olhou para Severo, parado no meio da sala, onde havia ficado escutando-a, e despediu-se:
- Bom dia, Professor Snape. - Ela foi embora
- Bom dia... – Ele simplesmente estava fascinado por ela. Sentia ainda o perfume dela, mesmo depois que ela fechara a porta. Sentira desde quando ela entrou, passando por ele para se sentar.
Estava novamente preso a pensamentos e sentimentos conflitantes. Mas sabia que não tinha nada a oferecer a ela. Melhor assim, pensou. No fundo, ficou satisfeito com o pedido de desculpas. E concordou com ela: todos eles se analisaram erroneamente.
Severo continuou arrumando seus pertences, mas Hermione não saía de sua mente. Ele realmente tinha fortes sentimentos pela moça, e essa constatação só reforçava sua idéia de que o melhor para ele era ir embora de Hogwarts. E melhor para ela também.
Havia apenas uma aula para aquela manhã e duas para o período da tarde. Seriam suas últimas aulas. Severo sentiu-se estranho ao pensar nisso, vivera sua vida, nas últimas décadas, de forma tão intensa, tão focado naquela batalha da luz contra as trevas, que nem saberia dizer se gostava ou não de ensinar.
Entretanto, se tinha uma coisa de que ele sabia que gostava e que era bom fazendo, era preparando poções. Focou todos os seus pensamentos no seu novo trabalho, isso iria fazer com que ele se desligasse rapidamente de sua antiga vida.
Severo dirigiu-se ao Salão Principal em um estranho estado de espírito. Sentiria falta das masmorras, aquelas pedras frias muitas vezes foram seu apoio, a sensação de segurança que em muitas ocasiões ele precisou para prosseguir na vida dupla que levava. Sacudiu a cabeça, tentando clarear as idéias: era justamente por isso que estava indo embora! Quanta contradição, pensou.
Chegando ao Salão Principal, Severo parou à porta, olhando o intenso movimento de alunos tomando seus lugares para o desjejum. Seu olhar circundou o Salão até cair na mesa dos professores. Hermione já estava lá, o cabelo preso, as vestes pretas, séria. Severo lembrou-se da conversa dos dois mais cedo. Será que ela estaria triste? Ele a teria magoado? Pensou bem e percebeu que se a tivesse magoado, não teria como se desculpar. Não era hora de tornar-se afável ou simpático com ninguém, muito menos com ela, ele não poderia baixar suas barreiras de proteção de jeito nenhum!
Severo entrou no Salão, dirigindo-se rapidamente para a mesa dos professores. Só havia um lugar, ao lado de Hermione. Bufando de raiva, sentou-se, mais azedo do que nunca. Cumprimentou os colegas e começou a comer. A Diretora pediu todos se dirigissem à sala dos professores ao final da refeição. Severo já sabia que ela anunciaria sua saída da escola.
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Severo chegou à sala dos professores junto com a Diretora, sentaram-se aguardando a chegada dos outros. Ela começou a organizar uns pergaminhos que trouxera e ele fixou seu olhar na parede oposta, concentrando-se em mascarar seus pensamentos e sentimentos. Poucos minutos depois, todos haviam chegado. A Diretora pediu silêncio.
- Professores, teremos uma mudança em nosso quadro. O Professor Snape deixará Hogwarts até o final dessa semana. – McGonagall olhou para os professores, aguardando os murmúrios de surpresa diminuir. – Enquanto procuramos um substituto definitivo, a Professora-Assistente Granger fica com as turmas do primeiro ao terceiro ano e o Senhor Potter aceitou, em caráter temporário, ficar com as turmas do quarto ao sétimo ano. Vamos ter que mexer nos horários para que a Granger consiga cuidar das duas disciplinas.
A Diretora não deu tempo para que alguém abordasse Snape, imediatamente ela começou a organizar com eles os novos horários e, passados alguns minutos, ela dispensou-o da reunião.
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continua...
N/A: Obrigada por lerem minha fic. Não se esqueça: Deixe um review e faça uma autora feliz!
Capítulos finais no próximo domingo!
T.D.
