Dianna acordou sozinha na cama na manhã seguinte. Podia ouvir a risada de Lea ecoando da sala, e isso despertou um sorriso nela mesma. Ignorando o coração acelerado e a adrenalina em seu corpo, ela levantou, tentando não pensar muito, e se dirigiu para a mesa de café da manhã.
- Bom dia! – ela disse alto, anunciando sua entrada. Contornou a cadeira da amiga, depositando um beijo no topo da cabeça dela ao passar.
- Bom dia, Lady Di! – Lea se virou para ela, sorrindo. Seus olhares se encontraram e Lea não hesitou em se aproximar e depositar um selinho demorado em seus lábios. Dianna abriu um enorme sorriso, tentando manter os lábios conectados por mais tempo possível.
- Dormiu bem, Dianna? – Seus amigos estavam no balcão, cortando frutas, e um deles se virou para observar o casal à mesa.
- Incrivelmente bem. – disse Dianna, finalmente se afastando de Lea e aceitando o prato que o amigo lhe passava.
- Nós imaginamos que vocês não iriam se incomodar em dividir uma cama de casal... acertamos? – o outro rapaz agora se reunia a eles, com um sorriso sacana no rosto.
Lea deu novamente a sua risada contagiante, enquanto Dianna apenas corava e balançava a cabeça. O alivio e a felicidade em ter Lea perto dela a impedia de se incomodar ou se preocupar com qualquer coisa no momento.
O dia todo foi como um perfeito ensaio de como seria um relacionamento entre as duas. Passearam pela cidade. Foram reconhecidas por algumas pessoas, deram autógrafos. Estavam próximas, mas evitando qualquer contato mais intimo. No fim do dia Dianna já não conseguia parar de sorrir, sendo acompanhada por Lea cada vez que a amiga capturava um desses sorrisos com os olhos. Dianna até estranhou quando Lea se aproximou dela parecendo um pouco desanimada, fazendo bico ao abraçar a amiga.
- Que foi, Le?
- Tô com cólica. – o bico só aumentou, e Dianna não pode deixa de sorrir com o gesto. – me leva pra casa?
- Vou falar com os meninos. Quer um remédio, enquanto isso?
- Quero. – ela escondeu o rosto no ombro de Dianna, resmungando de dor.
- Calma, linda.. – ela procurou pela pequena bolsinha de remédios que sempre carregava e entregou um comprimido pra Lea. – vamos pra casa, eu vou cuidar de você. – Lea sorriu, plantando um beijo na bochecha da amiga e concordando com um aceno de cabeça.
Dianna conversava com os dois amigos enquanto fazia um chá e preparava uma bolsa de água quente. Já estava acostumada a cuidar de Lea, que sempre tinha cólicas fortes e ia acordar Dianna para reclamar e pedir companhia. Sorriu com as lembranças das noites mal dormidas no sofá do antigo apartamento em L.A.
- Então você vai simplesmente cuidar dela como uma boa namorada? – perguntou o amigo, que assistia a cena.
- Eu.. não, eu faço isso por ela a tempos como amiga, ok?
- Sei. E você não tá se preocupando em.. não sei, quando a produção chegar segunda-feira e estourar essa bolha de amorzinho que vocês entraram?
- É obvio que eu estou, Gus. Eu tô morrendo de medo. Mas.. sei lá, me preocupar não vai fazer as coisas se tornarem mais fáceis, vão? Me deixa aproveitar..
- Deixa ela, amor. – o marido interveio. – Nada do que ninguém falar agora vai surtir efeito. Quando toda essa fantasia de vocês cair por terra e você precisar, saiba que nós estaremos aqui pra te ajudar, tá? Porque você sabe que isso vai acontecer, mais cedo ou mais tarde...
- Sei. Obrigada, mesmo assim. – ela deu um sorriso triste, terminando de arrumar a bandeja e se dirigindo pro quarto.
Mas quando Dianna entrou no quarto e se aproximou de Lea na cama, deixando a bandeja de lado e entregando-lhe a bolsa de água quente, não era exatamente amizade o sentimento compartilhado ali. Sussurrando "obrigada por cuidar de mim", Lea trouxe Dianna pra perto, compartilhando o primeiro beijo de verdade do dia. Um beijo profundo, carinhoso, cheio de amor e necessitado. Dianna se afastou brevemente, se ajeitando melhor na cama, antes de iniciar um novo beijo, mais lento e sensual do que o primeiro. Lea correu a mão pelas costas de Dianna por debaixo da blusa, apertando as unhas contra a pele pálida, antes de afastar Dianna carinhosamente, com um gemido frustrado.
- Argh. Eu estou realmente odiando a fisiologia feminina nesse exato momento.. – as duas sorriram, um pouco constrangidas. – Obrigada, Di.
- Não precisa agradecer. Vem cá. A gente arruma outras coisas pra fazer pra te distrair da dor..
Dianna se encostou na cabeceira da cama, puxando Lea para se recostar nela, antes de cobrir as duas e entregar o chá a ela. Esfregou os olhos, lutando para não adormecer naquela posição desconfortável.
O pânico começou a se apoderar de Dianna na manhã seguinte. Era o ultimo dia antes da turnê começar. Da desgastante série de entrevistas. Das viagens por todo o país. Do reconhecimento ainda maior. Dos shows. E, claro, isso significava que era o ultimo dia com Lea.
Elas preferiram não sair, passando o dia juntas. O casal de amigos se juntou a elas, compartilhando uma espécie de encontro duplo que durou todo o dia. Só foram realmente se afastarem uma da outra a noite, quando Lea foi para o banho e Dianna aproveitou para usar o computador. Sorriu ao ver os tweets postados pela amiga recentemente.
Era nessas horas em que Dianna questionava sua própria sanidade mental. Não era possível que ela estivesse se enganando tanto em relação a esses sentimentos. A forma como Lea a tratava. As coisas que escrevia ou deixava escapar, em relação a amiga. Os carinhos trocados. Como não alimentar alguma esperança? Como aquilo poderia não significar algum sentimento por parte de Lea? Dianna suspirou, perdida em pensamentos, sem reparar que a amiga já entrava no quarto completamente vestida.
- Di? O que você tá vendo ai no computador?
- Ah! – ela fechou o twitter com pressa, maximizando a tela do seu e-mail. – Finalmente enviaram a lista final das músicas da turnê. Quer ver?
- Depois.. agora eu quero ficar com você, só... – ela já estava deitada debaixo das cobertas. – Vem?
Dianna maneou a cabeça, sorrindo, antes de desligar o computador e se deitar ao lado dela, a abraçando. Deixou escapar um longo suspiro ao sentir o beijo leve que Lea depositou na sua bochecha.
- Que foi, Di?
- Nada... – Lea olhou pra ela desconfiada. – Tô só.. nervosa, com amanhã. Sabe.. grande passo na carreira e tal. Você não tá nervosa?
- Hm, não.. já tô acostumada com apresentações ao vivo.. – ela riu baixinho contra a orelha da loira. – não tem nada com o que se preocupar, Di...
- Pra você é fácil dizer, né, Srta. Lea Michele.. eu tô.. não sei, acho que tô começando a entrar em pânico.
- Di. – ela segurou o rosto de Dianna para manter contato visual. – Vai dar tudo certo. Esse é o sonho de todos nós se realizando! Vamos estar todos juntos e vamos nos divertir fazendo isso! Sem pânico..
- É difícil ter essa sua segurança no palco, sabia?
- Então, vai ser por isso que eu vou estar lá com você, pra garantir que você se sinta segura também..
- Você vai fazer isso? – Lea assentiu, e ela juntou seus lábios num selinho demorado, sem se afastar antes de completar. – e como você pretende fazer isso?
- Eu faço uma aposta com você! E se tudo der certo, no fim de cada show, eu vou segurar e apertar sua mão, no palco, pra gente encerrar o show uma do lado da outra!
- Você faria isso?
- Eu vou fazer! Porque eu te garanto que tudo vai dar certo. Relaxa, Di. – ela deslizou os lábios até o pescoço da loira, aplicando beijinhos carinhos no local, antes de ajeitar na cama e puxá-la para deitar a cabeça em seu ombro. – qual é a ultima música do show?
- Somebody to Love.
- Hmmm. Eu gosto dessa música.
- É, eu também..
- Eu sei que você gosta. – Lea beijou os cabelos loiros, iniciando um cafuné nela.
Dianna fechou os olhos e se aconchegou melhor à amiga, ouvindo Lea começar a cantarolar a música quase como uma canção de ninar. Relaxou, finalmente, adormecendo rapidamente nos braços dela.
-x-
- Aquele final de semana foi tão perfeito.. significou tanto pra mim...
- Aquilo foi uma ilusão, Dianna. – Lea se afastou um pouco, enxugando as lágrimas. – Um fim de semana de ilusão, sem amigos, sem namorados, sem imprensa, sem agente... Qualquer coisa que aconteça entre a gente.. envolve muito mais do que aquilo..
- PARA! – Dianna gritou, segurando Lea próxima a si. – Para com isso! Para de mentir pra si mesma! Você sabe muito bem manejar todas essas coisas e.. eu posso lidar com tudo isso também. Boston não era sobre isso! Você fugiu assustada depois porque você sabe que aquilo.. foi a chance que a gente se deu de ficar juntas! Porque você se permitiu. Porque você viu que poderia ser tão bom, como foi! E você tá fugindo de novo, você sempre fugiu!
- Bom, acho que eu tinha razão de fazer isso, no fim das contas. – ela disse amarga – já que quando eu me permiti, como você diz, você foi lá e fodeu com tudo com o seu namoradinho.
Dianna se afastou imediatamente, a compreensão e a culpa tomando conta dela. Era por isso, claro, que Lea se sentia tão mal com o episódio com Alex. Ela mal conseguiu manejar as palavras para falar algo naquele momento.
- Lea.. eu.. droga, eu sinto muito, muito mesmo. Eu não aguento mais pedir desculpas pra você e te ver desse jeito.. Eu.. só posso pedir que, em nome disso que você sente.. por favor, não desiste ainda.. por favor. – as lagrimas começaram a correr pelo seu rosto e ela não fez nada pra impedir.
- Para de chorar, Dianna. – fechou o espaço entre elas, caminhando firmemente, - o que eu falei hoje cedo ainda continua valendo. Eu não quero me afastar de você... eu nem sei se eu consigo. – ela puxou a mão da amiga, segurando-a entre as dela. Dianna concordou com um aceno de cabeça, dando um pequeno sorriso. – Foi o Brad que te chamou aqui ou você veio só pensar mesmo?
- Brad.. você também, né?
- Uhum. – ela suspirou. – ele provavelmente soube que você voltou lá pra casa..
- Também, né, Srta. Michele. – ela se permitiu um pequeno sorriso – com você saindo por ai contando isso pra todo mundo no SET..
- Ei! Eu só contei pro Chris!
- Como eu disse.. todo mundo. – as duas riram juntas, e Dianna aproveitou o momento pra segurar melhor as mãos de Lea. – Le, o que.. você quer que a gente diga pro Brad? Sobre o que está acontecendo?
- A verdade.
- Que é..?
- Vamos dizer que nós estamos tentando, ok?
- Nós estamos? – Dianna perguntou, num sussurro.
- Estamos, Di. – Lea deu um sorriso de lado, soltando uma das mãos das dela e ajeitando o boné na cabeça da loira.
Se prenderam em um olhar por algum tempo. Dianna tomou as mãos de Lea com as suas novamente, não se arriscando a tentar nada mais que isso. Só se separaram quando, alguns minutos depois, Brad entrou no lugar, procurando por elas.
- Meninas! – ele chamou, dando uma gargalhada ao observar os bonés que elas usavam. – isso merece ser registrado. – ele sacou o celular e bateu uma foto. Dianna riu e sacudiu a cabeça. – então, meninas...
- E, ai, Brad, algum motivo.. especial, pra ter nos chamado aqui? – Dianna perguntou, com uma pontada de ironia.
- Claro que sim, né, Di..
- Fala, vai.. é esporro, já?
- Não.. na verdade, eu chamei vocês aqui como amigo, não como produtor.. porque eu gostaria de ajudar vocês, antes que a coisa toda se torne um grande problema de novo.. então, como amigo.. o que está acontecendo?
- Brad... – Lea tentou dizer algo, mas não sabia por onde começar a explicar. – olha, nem a gente sabe...
- Isso sempre ficou claro pra mim e pra todos nós, Lea. – ele deu um sorriso compreensivo. – Independente de como vocês chamem isso.. vocês estão juntas de novo?
- Nós.. – Dianna começou.
- Estamos. – Lea cortou, respondendo.
- Bom.. – Brad respirou fundo, tentando descobrir como lidar com aquilo agora. – Meninas, primeiramente.. eu, como amigo, estou muito feliz por vocês.. vocês sabem que eu sempre torci por esse romance, né?
- Claro.. – Dianna buscou novamente a mão de Lea com a sua.
- Eu só peço pra vocês que sejam mais discretas dessa vez.. não há nenhum problema que você continue na casa da Lea, Di, mas não torne isso público..
- Não é definitivo. Eu tenho que parar de simplesmente morar na casa dos outros. Agora com a bilheteria do filme eu vou comprar meu apartamento, finalmente..
- Falando em filme.. e o Alex?
- Oficialmente terminado ontem a noite. Sabendo como ele é, vai estar na mídia em algumas horas...
- É uma pena.. seria melhor ter alguma coisa pra acobertar isso..
- Não. Não vale a pena, sério.
- Tudo bem. Sua escolha, Di.. Bom.. vocês sabem como isso funciona daqui pra frente, né? Sejam discretas. Sem fotos muito próximas, sem mãos dadas.. desculpa, meninas, mas é melhor vocês continuarem se mantendo um pouco afastadas nos eventos..
- Isso é um saco. – Lea bufou. – porque eu não posso ficar perto da minha melhor amiga?
- Eu não sou sua melhor amiga, Lea! – o antigo aperto no peito, que Dianna sempre sentia ao ouvir Lea se referir a ela daquela forma, voltou a incomodar.
- Eu sei que não. Que você não é só isso, apesar de te considerar isso, também. Mas eles não sabem. Eles não tem provas de que você é mais que isso, então.. eles não podem fazer isso.
- Infelizmente, Lea, eles podem. – Brad deu um sorriso triste a elas – Por favor, mantenham a descrição. E eu lhes asseguro pessoalmente que não vou deixar eles incomodarem vocês. – Lea curvou os lábios em um bico, mas concordou. – E eu prometo um dueto Faberry até o fim da temporada. – as duas se olharam, incrédulas, e abriram enormes sorrisos. – Se o publico gostar, a gente pode até tentar por na turnê.. que tal?
- Isso seria.. incrível. Imagina, a gente cantando juntas no show, Di?
- Imagino.. você ia me destruir no palco. – ela sorriu, olhando carinhosamente pra Lea.
- Idiota.. – Lea a puxou para um abraço apertado.
- Então.. estamos conversados, meninas?
- Sim. Obrigada, Brad. – Lea disse, sem se afastar completamente do abraço de Dianna. – Por tudo, mesmo.
- Que isso.. vocês sabem que eu realmente torço por vocês duas, né? – ele sorriu ao ser puxado por Lea para um abraço das duas. – posso tirar uma foto de vocês duas assim?
Elas sorriram e posaram pra foto, antes de devolverem os bonés ao local certo e saírem dali, se sentindo muito mais leve. Primeiro por ter a compreensão do produtor com a situação. Segundo, por, de alguma forma, terem aceitado tentar, mais uma vez, e talvez mais certo dessa vez. E, para Dianna, por um motivo em especial. Mais uma coisa acabava de fazer sentido na cabeça dela. O aperto que ela sentia ao ouvir Lea a chamando de "melhor amiga" provavelmente nunca mais voltaria a incomodar.
N/A: hm, não curti muito esse capitulo.. talvez por não haver tanto drama nele, hahaha. :p
Vou focar mais no momento atual da história, a partir de agora, pelo menos nos próximos capitulos..
E, gente, MUITO obrigada pelos comentários! Tá beeeem difícil responder eles agora, porque minha vida tá uma bagunça total (na real, tá difícil até de atualizar a fic, por causa disso, mas eu me forço a escrever pelo menos um pouquinho quase todo dia..).
Mas eu juro que leio todos eles e fico super "aaaaaaaaaaawn" cada vez que recebo um deles! E as dicas são super bem vindas! Continuem dizendo o que tão achando da história! Beijos!
