Episódio 5: A marca na rocha

Capítulo 3



A selva

"Então está me dizendo que você realmente vive em uma árvore?" Preston perguntou enquanto andava ao lado de Marguerite. Depois de alguma argumentação, Marguerite finalmente permitiu que o Sr. Hughes fosse com ela. Ela mantinha uma mão próxima à cintura, em sua arma, apenas para o caso de ele estar mentindo. E além disso, ele definitivamente a impedia de ficar entediada.

"Uma casa na árvore" Marguerite respondeu. "Ela foi construída há muitos anos por uma família que veio para cá."

"E quem mais vive nessa casa da árvore?" Preston perguntou. Sua natureza questionadora quase a fez repensar sua decisão de trazê-lo, mas ele estava sendo uma companhia agradável.

"Eu, Verônica, cujos pais construíram a casa, um jovem escritor chamado Malone, Finn - uma menina do futuro, Roxton e Challenger" disse Marguerite rapidamente. Preston parou por um momento e abriu a boca devagar.

"George Challenger?" Perguntou ele.

"O primeiro e único" Marguerite respondeu.

"Você faz parte da expedição Challenger, que saiu de Londres há quase quatro anos?"

"Sim" respondeu Marguerite.

"Ora, mas por que não disse isso antes?" Preston rapidamente perguntou. "Eu quis participar da expedição, mas estava na Índia na época. Quando voltei para Londres, vocês já haviam partido".

"E mesmo assim você ainda acabou no platô."

"Bem, isso foi por acaso" respondeu ele. "Uma mulher... na verdade." Marguerite mordiscou o lábio inferior quando percebeu o breve sorriso mais uma vez e ela teve quase certeza de que pegou tudo o que ele queria. Ele era um homem muito bonito e amigável, mas parecia estar muito à vontade no platô. Eles estavam ali há anos e ainda ficavam nervosos ou paranóicos, às vezes, mas ele parecia estar completamente certo de que nada jamais iria prejudicá-lo. "Você também mencionou Roxton... seria Lord John Roxton?"

"É, sim" Marguerite respondeu, a imagem de Roxton retornando a sua mente. Ela tentou afastar a recente discussão de sua mente, mas a lembrança retornou com a simples menção de seu nome. Ele percebeu sua reação súbita e ficou em silêncio por um momento. "Um admirador dele também?"

"Na verdade, eu o conheci durante uma de suas viagens de caça" respondeu ele. "Mas não acho que tenha gostado muito de mim. Eu luto contra a caça de elefantes, então seu grupo foi caçar macacos naquele dia em vez disso. Que tragédia." Marguerite balançou a cabeça, de acordo, ao se lembrar da culpa de Roxton por, acidentalmente, matar seu irmão quando atirou num macaco. Ela ficou ainda mais quieta por um momento, pensando nos poucos momentos em que John contou a ela sobre seus medos e sua culpa. Percebendo seu silêncio, Preston decidiu mudar rapidamente o assunto.

"Então, quando diz que há uma garota do futuro, o que você quer realmente dizer com isso?" Perguntou ele.

"É uma longa história" Marguerite disse. E enquanto caminhavam, ela começou a dizer-lhe algumas coisas sobre o platô... deixando de fora algumas coisas que tinham lhe acontecido ou sido causadas por ela. Eles se engajaram em uma conversa profunda até chegarem à casa da árvore.


Em outra parte da floresta...

"Você tem certeza de que ela está realmente nos levando a algum lugar?" Finn perguntou enquanto continuavam a seguir a menina. Ao dizer isso, viraram à direita e se depararam com uma grande cidade de pessoas que se vestiam exatamente como ela.

"Tenho certeza" respondeu Roxton já parando. A menina chamada Aninna estava atrás de um homem grande que parecia ser o líder. Ele olhou para os explorasdores com um olhar desconfiado, como eles estavam ao encontrarem a menina. O homem caminhou lentamente para a frente e olhou para Challenger e Roxton. Ele murmurou alguma coisa em uma língua que eles não entendiam e os outros começaram a aplaudir.

"Onde está Marguerite quando se precisa dela?" Challenger estava totalmente congelado, preocupado com o que o homem havia dito.

"Oh, provavelmente, sentada na casa da árvore... sem fazer nada" respondeu Roxton olhando para as pessoas. O homem andou até Roxton e olhou diretamente em seus olhos.

"Você tem que vir" disse o homem o Roxton, movendo as mãos e agitando-as em apreciação. Ele fez o mesmo com Challenger e Finn, deixando os exploradores sem entender nada.

"Vir?" Challenger perguntou ao homem.

"Disseram-nos que vocês estariam aqui em breve" respondeu o homem.

"Quem disse?" Finn perguntou, olhando para o líder e de volta a Challenger e Roxton.


A casa da árvore

Malone e Veronica estavam à mesa rindo enquanto desfrutaram do almoço e do sossego da casa da árvore. Passaram toda a manhã rindo e se divertindo... às vezes até flertando um pouco, aproveitando o tempo sozinhos.

"Hoje está sendo um dia... ótimo" Veronica disse olhando para seu amigo.

"Sim, é verdade" Malone respondeu com um sorriso. Por um momento, seus olhos se fixaram um no outro, mas os dois começaram a rir e olhar ao redor.

"Talvez eu deva limpar isso."

"Não" disse Malone com a voz baixa e segurou seu pulso. Ela olhou para o local em que ele estava tocando com carinho e, logo, os seus braços se uniram num abraço "Isso pode esperar." Ela sorriu e e continuou olhando para ele. "Veronica..." ele começou a dizer, mas foi parado pela sensação dos lábios de Verônica contra os dele. Ele ainda não esperava beijá-la naquele momento, mas uma parte dele havia pensado nisso o dia todo. Tudo o que ele queria era descobrir como estava o seu relacionamento e se eles ainda tinham potencial para levá-lo além da amizade. Então, em vez de se concentrar em suas histórias ou falar sobre as coisas que fez enquanto esteve fora, tinha preferido passar todo o dia com ela. Ele levantou o braço e a trouxe para mais perto dele enquanto saboreava cada momento. De repente, ele a sentiu se afastar e olhou-a confuso.

"O que foi?" Perguntou ele. Ela ficou um um pouco longe dele enquanto olhava em direção ao elevador e ele, de repente, entendeu. O elevador tinha começado a se mover, indicando que alguém estava subindo. Ele assistia a cena ao lado de Veronica e então ouviram risadas. Ambos ficaram de queixo caído quando as pessoas no elevador apareceram. Eles viram Marguerite e um homem.


A selva

"Alguém disse que viríamos?" Challenger perguntou ao líder da aldeia. O líder havia dito a eles que eram amigos - uma tribo do platô que vivia ali há anos, mas que preferia ficar escondida. Eram pessoas que odiavam conflitos e viviam harmoniosamente nas partes mais profundas da selva amazônica. A jovem, Aninna, foi à procura deles e os encontrou a tempo. Agora, os aldeões se assustaram com os exploradores e as notícias que traziam.

"Sim" respondeu o líder enquanto caminhavam pela aldeia. "Um homem veio dizer que você traria as respostas para o platô."

"E como era esse homem?" Roxton perguntou.

"Ele usava um casaco" disse o dirigente, sacudindo a cabeça. Embora não fosse sua língua nativa, ele falava inglês muito bem e fluente. "Percebemos as mudanças no platô, e estávamos procurando os motivos quando ele veio sozinho."

"E há quanto tempo ele esteve aqui?" Challenger perguntou.

"Três noites atrás" respondeu o líder. "Ele disse que dois homens e uma mulher viriam e que tínhamos que mostrar-lhes as marcas."

"As marcas?" Challenger perguntou.

"As marcas nas rochas" respondeu o líder. "Elas não estavam lá antes de o platô ser alterado. Agora, nós não sabemos o que elas significam, mas elas estão lá. "

"Onde?" Finn perguntou ao parar ao lado Roxton. Ela pensava que a história do velho era alguma mentira, mas uma parte dela queria ver se ele dizia a verdade.

"Venham, vou lhes mostrar" disse ele à medida que os levava a um caminho por trás da vila.

"Você acredita nisso?" Roxton sussurrou para Challenger.

"Eu não sei" respondeu Challenger. "Só saberemos assim que ele nos mostrar, John." Roxton balançou a cabeça e manteve sua mão firme e perto da arma... pronto para puxá-la a qualquer momento ou a qualquer sinal de perigo. Finn ia logo atrás deles e ainda não tinha certeza se deveriam acreditar no homem.

"E se ele estiver nos levando ao perigo?" Finn sussurrou para os dois homens.

"É um risco que correremos" disse Challenger enquanto continuava caminhando. Finn e Roxton suspiraram fundo. Depois de muito andar, eles entraram em um caminho estreito que levava a um paredão de pedra. Eles de repente começaram a perceber os desenhos ao longo do caminho. Símbolos estranhos tinham sido pintados sobre a pedra, mas somente quando chegaram ao fim do caminho de pedra que Challenger, de repente, gritou para que parassem.

"O que houve?" Roxton rapidamente perguntou.

"Algo familiar" disse Challenger rapidamente. Ele puxou o mapa de sua mochila enquanto olhava por cima dele. Seguramente, havia um caminho de símbolos no mapa, mas um símbolo especial chamou a atenção de Challenger... na pedra a sua frente estava o trion, pintado em um dourado brilhante. "É isto."

"Isto o quê?" Finn perguntou enquanto Challenger olhava para o mapa.

"Este é o lugar onde o mapa está nos levando" respondeu Challenger. "Estamos indo na direção certa." Eles todos se entreolharam e olharam para o caminho que continuava na frente deles com um novo sentimento de que estavam finalmente começando a descobrir os segredos do mapa...