_O-o que? –Sakura perguntou começando a ficar nervosa.
_Isso mesmo. –o sujeito continuou e soltou uma risadinha sem graça. _Homens! –ordenou e os outros três capangas a cercaram.
Não havia para onde correr. Os dois pajens estavam escolhidos e tremiam como ratos enquanto Ino parecia mais perdida do que ela, decidindo para onde correr, porém ao mesmo tempo amedrontada com o olhar do quarto homem sobre si.
A rosada tentou se libertar quando um deles a segurou, mas não conseguiu, afinal, ele era bem maior que ela e só então percebeu que estavam amarrando suas mãos e pés.
O grandão jogou-a sobre sua montaria enquanto os outros amarravam Ino e os dois homenzinhos e libertavam seus cavalos para que não fugissem.
Sakura não parava de gritar e o homem do sorriso nojento que parecia ser o capitão entre eles tratou de amordaçá-la. Em seguida o grupo pôde partir, desaparecendo no horizonte.
Já estava tarde e o ambiente ficou pesado após a cena com Sakura. Itachi estava totalmente fora de sua razão, Gaara e Sasuke não haviam parado de se encarar até o momento.
_Acho melhor irmos agora.
_Mais já?! –reclamou Itachi.
_Sim. –respondeu impaciente com o comportamento do irmão.
_Ele deve estar preocupado com Sakura, ela saiu daqui bem dizer sozinha acompanhada apenas por sua dama de companhia. –interviu Temari.
_Se estivesse preocupado nem teria a deixado ir. –acrescentou o ruivo olhando fixamente para o Imperador.
_Pelo que sei não tenho problemas de audição e não me lembro de ouvir ninguém aqui pedir sua opinião. –rebateu em seu tom habitual.
_Ei rapazes acalmem-se. Talvez seja mesmo a hora de retornar Sasuke, muito obrigado pela presença e peço perdão em nome de minha família por qualquer inconveniente. –apaziguou Kankurô.
O Uchiha diminuiu sua tensão e logo se encaminhou á entrada onde os cavalos estavam selados.
_Tem certeza que consegue montar?
_Claro que sim! –respondeu o irmão alterado devido ao álcool.
Pôde reparar quando entraram em uma casa grande, porém parecia abandonada.
Sendo carregada pelo grandalhão, foi conduzida ao porão onde as cordas em seus pulsos e tornozelos foram substituídos por correntes.
Percebeu então que mais um havia se juntado á eles. Era um pouco mais velho, notava-se isso pelos fios brancos de sua barba mal feita, não era gordo como os outros, mas o sorriso era o mesmo.
Ele aproximou-se retirando o lenço de sua boca e seu riso se alargou ainda mais o que provocou arrepios em Sakura.
_E o que temos aqui? Bela Imperatriz o Uchiha conseguiu não?
Os demais apenas riram como hienas e a garota se sentiu anda mais intimidada pelos olhares que a lançavam.
_Me pergunto se ele sabe desfrutar de tudo isso. –comentou enquanto sua áspera mão tocava seu rosto e suas esmeraldas arregalavam.
_Tire essa sua mão nojenta de cima de mim! –respirou fundo e praticamente gritou, estava muito assustada.
_Ora, ora a gatinha sabe falar. Por hora tudo bem, mas quem sabe mais tarde possamos continuar essa nossa conversa. –ergueu-se sorrindo como sempre. _Fiquem de olho nela.
Dois deles o seguiram e ela ficou lá sendo observada por mais uma dupla deles.
Temia pelo que mais poderia lhe acontecer e pensar que tudo isso deveria estar acontecendo por ela ser esposa de Sasuke.
Cavalgavam normalmente. Sasuke sempre olhando para trás se certificando de que Itachi não cairia.
Em certo momento do percurso avistou uma carruagem e se aproximando viu uma silhueta feminina elegante e sua cabeleira loira.
Pôs-se então a correr e percebeu que o coche não tinha mais os cavalos. Desceu rapidamente e confirmou que se tratava mesmo de Ino e dois homens que deveriam ser os pajens.
Aproximou-se e com uma adaga rompeu as cordas que os prendiam.
_O que aconteceu e onde está Sakura? –foi direto ao ponto questionando a loira que o direcionou um olhar de alívio ao vê-lo.
_Retornávamos quando fomos surpreendidos por um grupo de sujeitos, eles não queriam roubar, mas sim levar Sakura. Não pudemos fazer nada, eles libertaram os animais, nos amarram e...levaram-na com eles.
_Droga! Mas não citaram nenhum nome ou algo que pudesse identifica-los?
_Não. A única coisa que eu sei é que seguiram esse caminho. –apontou a direção para onde eles haviam ido.
_Eu irei atrás deles. Itachi não está em condições de ir comigo, portanto deem um jeito de voltar ao palácio. –falou subindo em sua montaria e seguindo a direção que Ino havia mostrado.
Não seria algo que o afetasse tanto, mas o casamento entre ele e Sakura ainda não havia durado o bastante. Se acontecesse algo com ela, como a morte ele perderia o direito sobre o país da Fênix e não permitiria que seus planos fossem por água abaixo agora.
Talvez fossem os aliados dela que fingiram desistir, mas na verdade esperavam a oportunidade certa. Não, o mais provável era que alguém havia a sequestrado para lhe afetar, já que poucos sabiam da ideia de que o matrimonio era falso e que ele não tinha nenhum sentimento pela esposa.
Independente de quem fosse era bem burro, já que nem fizera questão de apagar a trilha que seguiram, ou isso fazia parte de seus planos justamente para atraí-lo diretamente para lá. Ainda que fosse, ele não teria medo de algo assim.
Depois de um tempo ainda seguindo a trilha deparou-se com uma casa mal cuidada, a única conclusão a qual chegou é que nunca esteve ali e não sabia quem a habitava.
Adentrou sem fazer nenhum ruído e quando chegou á sala viu alguém sentado numa poltrona em frente à lareira. Seria fácil, aproximar-se e dar um único golpe sem que ele percebesse, porém foi surpreendido pela voz do individuo:
_Pensei que não viria mais senhor Uchiha.
Em seguida sentiu uma dura pancada em sua cabeça.
Abriu os olhos com dificuldade, sua cabeça doía e numa fração de segundos lembrou-se da situação em que estava antes de levar a pancada.
Nem olhou para os lados, levantou-se rapidamente pegando sua espada e colocando-se em posição de ataque.
Só então percebeu que não estava sozinho ao sentir o contato de duas frias laminas em suas costas.
_Se eu fosse você abaixaria essa espada, ou algo de ruim pode acontecer com sua esposa.
Olhou para frente e lá estava Sakura sendo segurada por um velho conhecido. Amoishi, um ladrão estupido que tentou invadir um dos cofres do palácio e até conseguiu roubar relíquias valiosas, mas Sasuke foi até sua casa e o confrontou. Travaram uma batalha e Amoishi investiu contra Sasuke que desviou fazendo com que o golpe acertasse em cheio o coração de sua esposa. Depois ele foi preso, mas escapou jurando vingança ao Uchiha.
_Eu realmente não me importo com ela, então porque não a solta e deixa que eu acabe com você mais uma vez? –falou o Imperador indiferente.
_Eu pensei muito no que lhe afetaria e encontrei várias opções que ainda ei de realizar. Mas por agora, que tal confirmarmos essa sua afirmação. Será que não se importa mesmo com essa bela mulher? –questionou-o segurando o rosto de Sakura com força entre os dedos de sua grande mão.
O Uchiha não esboçou reação nenhuma, então desceu sua mão para um dos seios dela o apertando com força. A Imperatriz começou a rebater-se inutilmente enquanto gritava para que parasse.
Ainda não satisfeito continuou, pegou uma adaga e cortou parte da saia de seu vestido em seguida deslizou a mão por suas lisas e bem formadas pernas, subindo e parando bem no centro entre elas. Nesse momento a voz da garota se tornou ainda mais desesperada acompanhada por lágrimas que lhe escorriam pela face enquanto ele roçava com a mão sua intimidade.
Sasuke notando o que ele fazia, deixou de lado sua indiferença e franziu o cenho inspirando fundo.
Amoishi ao notar isso gargalhou com gosto e mal percebeu quando Sakura num ato de aflição levou um de seus pés para trás flexionando o joelho acertando justo aquele ponto entre as pernas que é a fraqueza de todo homem.
Ele a largou imediatamente urrando de dor. A rosada correu sem direção só queria sair dali. Sasuke aproveitando-se que os homens que o direcionavam eram lentos e estavam a assistir a reação de dor do líder os segurou pelas cabeças, uma em cada mão e as chocou uma na outra com força.
Os outros dois capangas acercaram-se de Sakura que tentou correr o mais rápido possível. Ela viu Sasuke que lhe estendeu a mão, os bandidos estavam perto, perto até demais quando ela alcançou o Imperador e se encolheu atrás dele.
A dupla de brutamontes não hesitou e continuou avançando, Sasuke apenas lançou uma adaga que levava escondida consigo, atravessando o pescoço de um deles que caiu agonizando no chão.
Mas ainda havia o segundo. O Imperador então deu uma espécie de cambalhota, pegou a espada do outro que havia caído no chão e cravou-lhe pelas costas acertando seu coração.
Não havia se esquecido de Amoishi que ergueu-se empunhando uma grande espada e mesmo tremendo avançou contra o Uchiha que foi rápido o bastante para desviar notando logo depois uma ardência em seu braço, havia feito um corte e o sangue começou a escorrer. Sasuke olhou com raiva para o inimigo, geralmente seus adversários nem encostavam em si.
Lutar sem armas não era o seu estilo, ele era praticamente um samurai, mas mesmo assim, determinado começou a deferir várias sequencias rápidas de socos e chutes sobre o ladrão, que é claro que mesmo se empenhando não conseguiu se esquivar de todos e caiu no chão.
Sasuke aproveitou e tomou-lhe a bela espada suja com um pouco de seu próprio sangue e parando diante dele pronunciou:
_Vai pro inferno. –dando-lhe o golpe final.
Sakura que ainda estava extasiada diante de tudo virou-se. Já havia presenciado e vivido muitas cenas apavorantes e ao menos essa ela não iria ter impregnando seus pensamentos.
O Imperador caminhou tranquilamente, suas roupas brancas estavam manchadas de sangue, mas estava satisfeito de ter se livrado de mais um verme como Amoishi.
Passou pela Imperatriz que ainda tremia e tinha os olhos paralisados.
_Venha. –disse á ela e começou a caminhar.
Logo ela começou a segui-lo perdida.
Sasuke chegou ao seu cavalo e esperou que ela o alcançasse, depois a colocou sobre o animal e pôs-se a andar ao seu lado.
Era madrugada ainda, os sinais do dia começavam a aparecer, quando pararam diante de um pequeno riacho de água cristalina.
Sasuke sentiu a ardência em seu braço novamente e fez uma careta, em seguida sentiu sendo levemente tocado por Sakura.
Ela ergueu a manga de sua camisa e o puxou para perto da água, enxaguou o ferimento fazendo o que podia para limpá-lo e rasgou uma parte de seu vestido que ainda estava comprida, envolvendo o braço dele e amarrando o pedaço de tecido fortemente, dizendo finalmente:
_Eu jamais faria isso á você, mas não sou uma pessoa ingrata e não gosto nem de pensar o que teria sido de mim se não tivesse aparecido. –ele notou seu olhar vazio e que tentava inutilmente segurar as lágrimas.
Geralmente Sasuke acharia aquele jeito dela idiota, mas reconheceu internamente que ela passou por algo difícil e parecia naquele momento mais frágil do que nunca.
