Capítulo 10
Sinfonia do Inferno
O sol já cruzara metade do céu quando Lucy acordou. Espreguiçou-se lentamente entre os lençóis e esfregou os olhos. Foi uma imensa surpresa o toque ao próprio rosto imaculado, plenamente restaurado após o ritual. Tudo dera certo, faltava apenas um detalhe. Abriu os olhos lentamente, chorando maravilhada ao contemplar o teto. As cores pareciam dançar mais uma vez à sua frente, a luz do dia, o brilho das cortinas de seda vermelha, os lençóis dourados.
Mas tão rápido quanto veio, a alegria se foi . Ao avistar as barras da jaula que a cercavam, sentou-se na cama, constatando não só que estava presa, como também o preço que pagara por sua dádiva. Percorreu as mãos pelo próprio corpo, conhecendo suas asas, chifres e escamas, soltando um grito aterrador. Não era isto que tinha em mente.
O som foi tão alto que acordou o Lord das Trevas, que dormia na mesma cama. Antes que ele pudesse se levantar ou dizer qualquer coisa, a mulher avançou, sentou-se sobre ele para que não se movesse e disse furiosa:
- A culpa disso tudo é sua! Olhe o que fez comigo!
Compreendendo a mudança de personalidade, Voldemort estava mais interessado nos olhos da demônio, que mudaram de vermelho, como surgiram na noite passada, para azul. Aquele seria o sinal de que Lucy estava agora no controle do corpo mais uma vez, sobrepondo sua personalidade, tal qual o Lord desejava, porém, com uma reação nada esperada. Precisando defender-se, ele segurou a guia invisível e puxou-a contra o colchão, derrubando a mulher para que deitasse. Neste tempo, foi a vez dele sentar-se e falar:
- Não se mova e escute o que tenho a dizer. Se quer realmente entender o que está acontecendo, terá que me ouvir.
Nos minutos seguintes narrou os fatos ocorridos na noite passada, desde os sacrifícios, até o despertar, explicando as mudanças físicas, o fato dela ser alma de Lilith encarnada, omitindo apenas a necessidade de energia sexual como fonte de alimento. Lucy ouviu tudo quieta, tentando absorver informações quando tudo que conseguia era formar uma mesma imagem em sua cabeça. Quando o Lord encerrou, foi a vez dela expor suas conclusões:
- Você me usou – disse com amargura a única conclusão que conseguia chegar. – Você só veio até mim para isso. Mentiu, me transformou nesse monstro para que fosse útil a você. E nem ao menos tem a decência de tentar negar.
De fato, ele nada dizia para rebater as acusações que lhe eram feitas. Era tudo verdade, Lucy estava certa, ele era culpado do que o imputasse. No entanto, esta atitude também era cuidadosamente calculada. Quanto mais ódio ela sentisse, mais perto sua alma estaria de acordar definitivamente Lilith, assumindo sua existência e unindo-se como o indivíduo único que realmente são. Com toda esta raiva, talvez ele finalmente fosse capaz de deixar de amá-la.
- Eu sou sua prisioneira agora, não é? – Ela continuou, movendo os dedos levemente sobre a coleira em seu pescoço. – Não vai me deixar ir. Mas não tem problema – moveu o anel de sua mão direita girando-o pelo dedo para exibi-lo -, eu não tenho medo de você, não agora que tenho poder suficiente para enfrentar suas hordas de seguidores e até os Aurores do Ministério da Magia. Enquanto eu for sua prisioneira, você será meu prisioneiro.
- Não pense que não posso me desfazer de você – Voldemort a ameaçou ao perceber o perigo. Não era nada sensato demonstrar fraqueza ou não possuir um objeto de barganha contra uma mulher particularmente perigosa.
- Você não faria isso – Lucy respondeu com um sorriso macabro. – Primeiro, você precisa de mim, pela minha força. Segundo, se você ou qualquer outro, ousar me apontar uma varinha, este anel, este voto, vai matá-lo.
Enquanto sustentava a expressão mais desagradável possível, ela se aproximava lentamente, caminhando de quatro sobre a cama, como um gato, até ficar bem perto do Lord. Com os rostos a uma distância mínima de centímetros, seu objetivo era apenas provocá-lo.
- Eu serei sua melhor serva, farei tudo o que mandar, cada um de seus pedidos, cada uma das execuções, sem piedade, sem contrariar – falou sentando-se no colo dele de frente. - Porém, vou causar-lhe um mal tão grande, como uma droga, e vou matá-lo aos poucos, depois de viciá-lo completamente – abriu as pernas para prendê-lo contra o corpo. - E estou tão feliz de poder estar em mim para lhe dizer isso, pois nem precisarei de minha consciência para tanto, pois sua querida Lilith fará todo o trabalho sujo – mordeu o lábio inferior com prazer.
Nesse instante, um brilho vermelho tomou-lhe o olhar e Lucy passou por milésimos a ser tomada pela personalidade de Lilith, reassumindo o controle logo em seguida. Ela estava triste, ela estava ferida, mas o faria pagar, nem que isso a devastasse ao ponto de nunca mais poder se olhar no espelho.
N.A.: Voltando depois de mil anos... Deu uma vontade súbita de escrever! Eu não tinha planejado esse capítulo, mas ele foi útil, pois agora tenho uma motivação muito melhor para o que está por vir. Dei a Lucy um poder muito grande, e ela vai usar tudo que tem para punir e ferir ao máximo Voldie. Quase tenho pena dele... Nãaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaao! xD Beijos e até os próximos capítulos!
