Desculpe a demora!
Capítulo duplo novamente. x3
Betado por akimi_tsuki.
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– Naruto... Eu preciso te contar uma coisa. – Mesmo que as chances do loiro aceitar fossem mínimas, o moreno não poderia guardar aquele segredo por mais tempo.
Continuação...
– O que é?
– Acho melhor você vir comigo... – O Uchiha não conseguia deixar de sentir aquela angústia que o afligia.
– Tudo bem, mas o que aconteceu, Sasu-chan?
O moreno apenas o puxou até um dos becos que se encontrava perto da casa do loiro, sentindo um nó se fazer em sua garganta. Naruto nem sequer imaginava o que estava por vir, pois ele não entendia o que estava acontecendo com o amado.
Ao longo de todo esse tempo, Sasuke andava irritado e sempre desmaiava, além dos enjoos repentinos que o abatiam. As febres também se tornaram constantes, a única coisa que o loiro poderia fazer era se preocupar e tentar resolver o problema, apesar do moreno sempre resistir.
– Se lembra de quando nós transamos? – Sasuke perguntou seriamente.
– Claro, depois de tanto doce que você fez.
– Hn... E se lembra de que você não quis usar camisinha?!
– Sim, afinal, você não ficaria grávido como uma garota, não havia nada a temer.
– E se... Eu ficasse?
– Bem... Isso não é possível, Sasuke. – O loiro sorriu e falou: – Pode parar de brincadeira e vamos pra minha casa.
– Eu não tô brincando.
– Como assim?
– Eu tinha uma dúvida, por isso, sempre cortava nossos amassos... Eu não me lembro direito, mas ouvi meus pais falando que eu não entenderia como é ter um útero. Poderia ser o Itachi ou... Eu.
– Então, quer dizer que... – Assim, o loiro entendeu, ainda não acreditando no que ouvia. – Você tá grávido?
– Sim.
– Não... Isso não é possível!
– É sim, eu não sei como isso acontece... Como esse útero foi parar dentro de mim, mas...
– Calado! – Aquilo havia sido um baque para o outro, ele não entendia como isso era possível e também porque o moreno omitira isso a ele.
– Naruto... Eu não sei como explicar, mas é possível!
– Eu disse calado!
– Naru... – O Uchiha tentou voltar a falar, ele queria explicar ao loiro, porém...
– Como você pode me falar algo assim? Garotos não tem útero, você tá ficando louco?!
– Não... Eu já disse que não sei como, mas...
– O quê? - O loiro questionou friamente.
– Eu... Eu... Eu não sei! – Sasuke respondeu chorosamente.
– Como não sabe? – O outro perguntou incrédulo.
– Eu... Naruto, me deixe explicar. – O Uchiha tentava manter-se calmo, não tinha ideia de como aquilo era possível, de como aquele útero havia sido instalado em si.
– NÃO! VOCÊ NÃO DEVERIA... – O Uzumaki gritou, tendo sua voz foi ecoada pelo beco. – VOCÊ NÃO PODIA TER FEITO ISSO COMIGO!
– Naru... – Sasuke sentiu seus olhos arderem e algumas lágrimas escorrerem pelo seu rosto. – Naru...
– Cala a boca e... – Naruto se virou e completou. – E me esquece!
– Mas...
– Vamos, Sasuke! – A voz imperiosa de Itachi chamou a atenção do garoto, que sentiu seu corpo arrepiar. – Deixe-o e vamos embora daqui!
– Itachi... – Sasuke balbuciou e seus olhos lacrimejaram ao sentir ser puxado pelo irmão.
– Isso mesmo! Vá com ele... Se você se guardava tanto, eu nem posso ter certeza que essa... Essa criança é minha. – Assim, Naruto saiu correndo em meio aquela chuva.
– Naruto... – A voz do garoto saiu fraca, não acreditava que aquele era mesmo o loiro a quem amava.
Sasuke tentou se livrar das mãos do outro, querendo ir atrás do Uzumaki, mas Itachi o arrastou até o carro. O menor estava muito cansado e suas lágrimas se misturavam com as gotas de chuva. Seu peito ardia e sua visão ficava cada vez mais embaçada.
Em frente ao carro, sentiu uma pontada em sua barriga e para que Itachi não notasse, abafou o gemido com a mão. O maior não havia notado, mas Sasuke estava sofrendo além do comum, afinal, todas as suas convicções haviam sido destruídas com sua própria ajuda.
– Sasuke, isso é para o seu bem. – Itachi falava, enquanto abria a porta do carro para que o outro entrasse.
– Hn. Eu... – O menor tentava controlar os soluços e formular alguma frase.
O garoto entrou no carro e Itachi fez o mesmo. Logo em seguida, deu a partida e saiu pelas ruas da cidade. Sasuke levou a mão até a barriga e olhou de esguelha para o irmão. Estava com frio e aquela dor que sentiu momentos antes não parecia ser algo bom.
– Você tá bem, otouto? - Itachi questionou, vendo que o garoto tremia e ainda chorava. - Sasuke, me responda!
Sasuke apenas virou o rosto para o outro lado e ficou olhando as gotas que caiam sobre o vidro da janela. Pensando em Naruto e em como queria estar com ele naquele momento. Não importava se tivesse que ouvir tudo aquilo de novo, mas queria poder lhe explicar, mesmo que ele próprio não entendesse.
– Sasuke. – Itachi o chamou, mas sem sucesso. – Sasuke?
Se pudesse, o caçula já teria se jogado, mas assim, poderia agravar o seu caso. Apertou sua barriga e sentiu vontade de gritar, pois havia sentido mais uma pontada, segurou firme em sua blusa e reteve o grito de dor.
– Ele está bem? – O maior falou, depositando sua mão sobre a de Sasuke. – Tomar essa chuva não faz bem, além do mais no seu estado.
– Como se você se importasse. – O outro retrucou. Sentia nojo e ódio pelo mais velho.
– Eu me importo! Afinal, ele pode ser meu, né? – Itachi o deixou surpreso.
"Então, ele sabia!" – Sasuke pensou e sentiu um medo avassalador invadir seu peito. – Como assim? Então, você...
– Sim, eu sabia que você tinha um útero e poderia me salvar com a vida dessa criança. – O maior falou sem se importar, como se fosse algo normal.
– Não... Você não...
– Eu não, o quê? Acha mesmo que eu não seria tão mau assim? Eu apenas quero me livrar da doença que me corrói e você é perfeito para isso.
– Você é um monstro!
– Pode me xingar, desde que não perca essa criança. Me odeie o quanto quiser, mas deixe esse bebê vingar, ok?
– Humph. – O garoto virou o rosto novamente para o vidro e se retraiu, pois estava sentindo muito frio.
Enquanto isso, o loiro corria pela chuva, nem se importando se estava encharcado, só queria entender o que o Uchiha havia lhe dito. Decidiu por voltar para casa, talvez embaixo da água quente pudesse colocar seus pensamentos em ordem.
Porém, ao chegar em casa, sua respiração falhou ao ver que todos o esperavam e ao lembrar do que Sasuke lhe disse, veio em mente que sua mãe detestaria a notícia, por isso, ele entrou no quarto e trancou a porta.
– Naruto? O que aconteceu? – A ruiva questionou preocupada com a feição do loiro.
– Nada! – Naruto se ajoelhou no chão e tentou se controlar.
– Não foi nada?! Quem era e o que aconteceu, filho?
– NADA! – O loiro gritou, deixando a mãe irritada.
– Não grite comigo, garoto!
Os pensamentos do loiro só o afligiam mais, sentou recostado na porta e ouviu sua mãe gritar do lado de fora do quarto, querendo saber o motivo que estava o perturbando. Naruto não podia contar, conhecia o gênio da mãe, que não se diferenciava muito do seu.
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Logo, chegaram à mansão de Itachi, que puxou o menor pra dentro e trancou as grades do portão, impedindo que o irmão viesse a fugir. Sasuke ainda pensava no que Itachi havia lhe falado e irritado com tudo o que lhe acontecera, falou:
– Foi por isso que você não deixou que eu me atirasse da escada, não é? E o Deidara também sabia, não?
– Como você é esperto, otouto.
– AHHH... – O menor sentiu seu ventre apertar e se abaixou em frente ao portão.
Itachi se aproximou dele e o levantou, não se abstendo de sua máscara fria, mesmo que houvesse uma ponta de preocupação. Observando que o irmão estava com os sentidos descontrolados, o pegou pelo pescoço e falou friamente:
– Não ouse desperdiçar o sacrifício do Kakashi e dos nossos pais. – Aquela frase fez com que o menor voltasse um pouco a si, mas o deixou mais angustiado.
– Como assim? Isso quer dizer...
– Que eu os tirei do nosso caminho, otouto. Eles só iriam atrasar meus planos e te empatariam com aquele loiro estúpido se ainda estivessem vivos.
– Droga, seu maldito! Como você foi capaz de fazer isso?!
– Para executar meu plano e salvar a minha vida... Se nossos pais não buscaram outro meio para me curar e apenas se preocupavam com o tratamento, por que os deixaria com vida quando eu tinha um trunfo em mãos?!
– Mas, o que você pretende fazer? Um bebê não poderá salvá-lo.
– Sim, mas de acordo com as minhas pesquisas, se essa criança for minha, ela teria o puro sangue Uchiha e conteria em seu sangue o gene que será capaz de regenerar minhas células e assim, fazer com que a doença regrida.
– Então, quer dizer que todo esse "show" é só pra salvar sua vida?!
– Claro.
– Você é maluco!
– Não, sou apenas alguém que busca pela salvação. – Itachi o soltou e sorriu.
– Seu doente... Argh... – Sasuke se segurou na grade, tentando respirar fundo.
Itachi suspirou e o puxou para dentro do banheiro, o encostando na parede do box e segurando o queixo do outro, sussurrou:
– Eu não gosto de repetir, mas nem ouse perder essa criança.
A respiração ofegante do mais novo preocupava Itachi, ele não queria que sua única chance se esvaísse. Sasuke se sentia tonto e tudo começava a ficar embaçado novamente, sem pensar muito, o maior retirou as roupas do irmão e ligou o chuveiro.
– Tome um banho, eu vou pegar algumas roupas. – O garoto deslizou pela parede e apertou a barriga, mesmo que não quisesse aquilo dentro de si e tivesse tentado tirá-lo, dessa vez, temia em perdê-lo.
Deidara estava no quarto quando Itachi entrou e o olhando preocupado, teve que perguntar, afinal, aquele bebê não era apenas para salvar a vida do moreno, pois apesar do loiro não ser bom, ele ainda tinha algum caráter.
– Ele está bem?
– Não. – O moreno nem sequer lhe olhou, apenas buscava algumas roupas que servissem para Sasuke.
– O que você vai fazer, Itachi-kun?
– Eu quero que você busque aquela mulher, pelo visto, vamos precisar dela muito antes do que eu pensava.
– Certo.
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Na residência Uzumaki, Kushina acabara de ouvir o motivo que levara o filho a chegar naquele estado e como todos conhecem, a ruiva ficou a ponto de pular sobre o filho e o espancar, afinal ela estava perplexa.
– Eu vou ser... – Ela fez uma pausa, pensando naquilo e voltou a falar: – Eu vou ser avó?
– Eu vou ser avô? – Minato também soube do motivo, sua mãe acabara de contar.
– Eu vou ser avó?! – Kushina estava a ponto de atravessar a porta.
– Eu vou ser avô?! – O pai apenas tentava colocar aquela novidade em seus pensamentos.
– Eu vou ser avó! – A ruiva ainda sentia vontade de espancar o filho, ela não queria um neto tão cedo.
– Eu vou ser avô. – Por fim, Minato sorriu, até que a notícia não era tão ruim assim.
– NARUTO, COMO ASSIM EU VOU SER AVÓ?! – A mãe gritou e Minato tentou acalmá-la:
– Calma, Kushina. Olhe pelo lado bom.
– Não existe lado bom, Minato. Seu filho é um irresponsável.
– Mas, Kushina... – Tsunade interveio, tentando colocar alguma razão na cabeça da nora. – Apesar disso representar um problema, é uma vida... Eu entendo que não queira se tornar avó tão cedo, mas não há mais nada a se fazer.
– Eu sei, por isso... Naruto saía desse quarto e vá trazer essa vaga... Digo, a mãe do meu neto.
– Kushina, mas não é uma mulher. – A loira falou, deixando a ruiva mais incrédula.
– Como assim?
– É o Sasuke, mãe. – Naruto saiu do quarto, olhando a mãe, com certo receio do que ela poderia fazer a ele.
– QUÊ?
– Então, o Sasuke pode gerar crianças e eu que pensei que com eles juntos, não teríamos netos. – Minato pensou consigo mesmo e sorriu.
– Pois bem, vá buscar o Sasuke. – A ruiva poderia não querer uma criança, mas como ela já estava feita, não poderia negá-la. – Eu quero cuidar desse bebê, porque vocês dois não tem juízo.
– Mas, eu não sei onde ele tá, o Itachi o levou depois que discutimos.
– Você discutiu com ele?! – As reações da ruiva eram tão parecidas com a do loiro.
– Eu tive a mesma reação da senhora, mãe.
– Mas... Ahh... Você discutiu com ele nessa chuva?
– Sim.
– Oh... Não. Naruto, se o Sasuke perder o meu neto, eu não vou te perdoar. – Ela falou, apontando o dedo nervosamente para o filho.
– Mas, você nem queria essa criança.
– Só que agora, eu quero. Não queria que vocês me arranjassem um neto, mas depois de feito, não há como negá-lo.
A campainha tocou e um fio de esperança nasceu no coração do loiro, depois da "conversa" com a mãe, tinha que reconsiderar suas palavras com o moreno, porém ao sair, viu Deidara encarando-o seriamente, porém, o garoto se lembrou dele e saiu ao seu encontro.
– Hey! Você é amigo do Itachi, certo?
– De certa forma, sim.
– Cadê o Sasuke? Eu preciso falar com ele...
– É melhor que você não o veja agora. – Deidara sabia que isso não agradaria a Itachi.
– Como assim? Eu preciso...
– A doutora Tsunade se encontra? – O maior mudou de assunto, afinal, eles precisavam que a loira fosse ver como o bebê estava.
– Sim...
– O que aconteceu? – A loira saiu e foi de encontro a eles.
– Precisamos de você.
– Tudo bem. – Ela abriu o portão e Deidara a ajudou a entrar no carro.
– Hey! O que houve com o Sasuke? – O loiro ainda queria saber como o outro estava. – E com... O bebê? Eu posso ir junto, eu quero saber...
– Não, Naruto. É melhor você ficar aqui. O Itachi não gostaria que você aparecesse lá.
Itachi estava trocando de roupa, Deidara estava levando a loira consigo e Naruto teve que se contentar em saber que Sasuke ainda estava com o irmão, mesmo que não pudesse vê-lo.
No banheiro, o moreno havia se levantado e se aquecido sob a água quente, se sentia menos mal e as dores haviam passado; com um roupão, foi até a cozinha e começou a revirar as gavetas, porém não havia nada além de colheres.
O maior ouviu o barulho do caçula e foi de encontro a ele, o puxando pelo braço e o jogando sobre o sofá. Sasuke o olhou irritado, porém o irmão apenas o encarou e retirou uma de suas facas do casaco.
– Ita-Itachi... – O garoto olhou-o assustado e tentou se levantar, porém, o maior apenas lhe ofereceu a faca e falou:
– Acabe com ele... Afinal, eu estou querendo há muito tempo ver como o sangue daquele loiro jorra.
– Eu não... Eu não quero. – Diante da recusa do caçula, Itachi gargalhou e o olhou sadicamente.
– Eu sabia, você ainda o ama, mesmo depois de tudo o que ele te falou.
– Hn. – Sasuke se levantou e passou pelo outro, indo até o quarto.
O garoto se trocou e se deitou, sem forças acabou desmaiando. Alguns minutos depois, a doutora chegou com Deidara, que a mando de Itachi, a levou até o quarto. Ao ver o moreno, ela se lembrou do neto e sorriu fracamente.
Se aproximou do garoto e o examinou, constatando que ele estava com febre. Itachi ficou parado na porta, enquanto observava a loira trabalhando. Deidara a ajudava, já que o menor estava sem seus sentidos.
– Bem... Eles estão bem, mas leve-o ao meu consultório, temos que ver de quanto tempo ele está e como está o desenvolvimento do bebê.
– Certo.
– Ele está com um pouco de febre, quando acordar, deem a ele apenas um chá, nada de calmante, antibióticos, remédio algum.
– E quanto as dores?
– Bem, isso é resultado do que aconteceu, da chuva e também há inícios de gravidez, onde se sente certas dores. Mas, qualquer coisa que acontecer, o levem a mim, ok?
– Ok. Muito obrigada, venha a minha sala que eu vou pagá-la.
– Hum... – A loira assentiu e passou a mão sobre a barriga do moreno. – Fiquem bem.
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Na manhã seguinte, o garoto se remexeu na cama e abrindo os olhos, se deparou com Itachi, o olhando seriamente. O maior pegou uma muda de roupas e jogou sobre a cama.
– Tome um banho, que o Deidara está preparando o café da manhã.
– Eu não quero. – Sasuke não sentia vontade sequer levantar-se da cama, ainda mais estando na casa de Itachi.
– E o que você quer?
– Voltar para minha casa.
– Não. Aqui é mais seguro tanto para você, quanto para ele.
– E se ele não for seu?
– Eu o mato.
– O quê?
– Você não o quer, o loiro também não, por que eu haveria de querer algo que não me pertence?
– Realmente você não tem coração, né?
– Não fale muito, você também não gosta dele. – Assim, o moreno saiu do quarto, deixando o garoto pensativo.
– Eu não gosto de você... – Sasuke passou sua mão sobre a barriga, falando com o pequeno ser que ainda estava se formando ali. – Mas, depois disso, eu quero protegê-lo.
– Não diga que não gosta dele... – A atenção do moreno se voltou ao loiro, que trazia o café-da-manhã para ele. – Independente se ele pode ou não salvar o Itachi, ele é seu... Um presente enviado a sua vida. Cuide bem dele e converse coisas boas com ele, talvez assim, ele nasça com um temperamento melhor que o de vocês.
– Por que diz isso?
– Bem... Eu não concordo com o Itachi, apesar de amá-lo e se precisar de ajuda, pode pedir, eu também quero proteger essa criaturinha.
– Hn.
– Aqui... – O loiro colocou uma bandeja sobre o colo do moreno. – Você tem que se alimentar, Sasuke.
– Eu não quero.
– Mas... Esse bebê precisa. – O loiro apontou carinhosamente para a barriga do moreno. – Lembre-se que agora você tem que se alimentar por dois.
– Humph. – Sasuke resmungou e o loiro levou uma de suas mãos até a testa do outro.
– Você ainda tá com febre, depois vou fazer um chá para você.
Mesmo sem vontade, o garoto comeu tudo, pois Deidara ficou sentado ao seu lado, cuidando para que ele se alimenta-se. Após o lanche, o moreno levantou e tomou banho.
– Eu queria sair daqui. – O garoto falou, se apoiando na bancada da cozinha.
– Não posso deixá-lo, mas...
Deidara deixou-o sair até o portão, porém, ainda não podia permitir que o menor saísse da casa. O moreno sentou-se e apoiou a cabeça na grade, lembrando de tudo o que acontecera com ele e o amado.
– Então, era isso que você queria dizer com exceções?! – Sasuke sabia que havia errado ao omitir aquele fato para Naruto, mas mesmo assim, ele queria que o loiro entendesse.
Afinal, Naruto sempre entendia os problemas mais estranhos. Por que não poderia abrir uma exceção para aquilo? O moreno suspirou e voltou seu olhar para a rua, deixando de pensar naquela situação, afinal, tudo já estava acabado.
Após alguns minutos, Deidara veio ao seu encontro lhe trazendo uma xícara de chá. Sasuke o olhou indiferente e pegou a xícara, sorvendo o líquido amargo. O loiro o olhou preocupado e se abaixando a altura do outro, falou:
– É melhor você ir descansar, não?
– Acho que sim.
– Pode ir, é melhor que o Ita-kun não o encontre aqui fora. Ele não iria gostar de saber que eu desobedeci suas ordens.
– Tudo bem. – O moreno concordou e se levantou.
Deidara foi preparar alguns ingredientes para fazer o jantar, enquanto isso, Sasuke havia adormecido no quarto, deixando os pensamentos de lado, pois quanto mais pensava, menos tinha razão.
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Algumas horas depois, Itachi abriu a porta, jogando sua maleta sobre o sofá. Indo em direção ao loiro e se pondo atrás dele, sem encostar-se no outro. Deidara sorriu e olhou-o.
– Ita-kun...
– Onde está o Sasuke?
– Dormindo.
– Dormindo? – O Uchiha falou insatisfeito. – Ele ainda não acordou?
– Calma, Ita-kun. Ele acordou, comeu direitinho, tomou banho e voltou a deitar. Hmm.
– Hum... Espero que isso seja normal.
– Bem, ele estava com um pouco de febre, mas como a Tsunade falou para não dar nenhum remédio, eu fiz um chá e ele foi descansar.
– Certo. Eu vou vê-lo.
– Tem certeza que não se importa com ele? – Deidara sempre tinha essa dúvida.
– Eu já fiz amor com você? – Como sempre, Itachi era frio consigo.
– Entendi, você só ama a si próprio.
– Isso mesmo.
No quarto, ao entrar, Itachi retirou o sobretudo e deixou-o sobre uma das cadeiras, observando que o irmão acabara de acordar e o olhava com sono. Sem resistir, o maior brincou:
– Olha só, a bela adormecida está acordando.
– Itachi.
– Espero que tenha descansado bastante, já que nós iremos sair hoje a noite.
– O quê? Eu não quero sair com você.
– Eu não perguntei se você queria, só falei que vamos. Ou será que você não gosta mais daquele tolo?
– Hn. Para onde você pretende me levar?
– Para sua antiga casa, vamos buscar tudo o que é nosso e voltaremos para cá.
– Você pode ir sozinho.
– Não, eu quero que você venha comigo.
Mesmo sem querer, o caçula foi obrigado a voltar a sua antiga casa. Depois de arrumar tudo o que precisava em algumas malas, desceu a escada, as levando consigo, enquanto Itachi estava arrumando outras coisas em seu quarto.
O loiro havia esperado que as aulas acabassem e sem pensar muito, foi até a casa do moreno, parando em frente da porta, respirou fundo, pensando em como seria reencontrar com o outro após ter dito palavras tão frias.
– SASUKEEE! – O moreno ouviu seu nome e parou no meio da escada. – SASUKEEEE!
Itachi também ouviu e puxou o irmão de volta para o quarto, trancando a porta, indo em direção à janela. O loiro estava aflito, quase batendo contra a porta para que alguém abrisse. O mais velho calibrou sua arma e abriu a porta, saindo do quarto.
Antes que ele chegasse a escada, Sasuke o puxou, impedindo-o de fazer mal ao loiro. Itachi tinha prometido que não atacaria o irmão até que ele estivesse melhor, porém, não entendia como ele ainda era capaz de proteger Naruto.
– Por favor, Itachi. Não faça nada.
– Não tente me impedir, Sasuke. Se o tirarmos do caminho, nem a vida dessa criança será poupada se ela não for minha.
– Não, Itachi. Por favor, deixe-o fora dos seus planos.
– Por que o protege? Você é idiota, por acaso? Ele não quer nem você e nem esse bebê.
– Eu não me importo, só quero que ele fique bem. E você já tem a mim, não precisa sacrificar mais ninguém.
– Tem razão. Eu já tenho o que queria. Vamos voltar para casa, mas, nem pense em lhe dirigir a palavra. Se você falar qualquer coisa que seja, eu acabo com ele.
– Tudo bem.
Assim, desceram as escadas e Itachi abriu a porta, levando as malas para dentro do carro, Sasuke saiu após ele, passando pelo loiro sem o encarar. O coração de Naruto disparou ao ver o amado e sem pensar, chamou-o:
– Sasuke... – O moreno fechou os olhos e respirou fundo, pois sentiu seu peito queimar ao ouvir a voz do loiro novamente.
Itachi entrou no carro e o caçula fez o mesmo, olhando o loiro de relance, mas não havia alegria nos olhos azuis. O loiro correu junto do carro e bateu no vidro, chamando pelo outro. Itachi virou para o irmão e sorrindo, questionou:
– Tem certeza que não quer falar com ele?
– Humph.
– Não tente enganar a si mesmo, se você ainda o ama, saía daqui e vá falar com ele.
– Você não entende o que é o amor, não? Eu não falei com ele justamente para protegê-lo de você ou se esqueceu do que me disse na casa?
– Eu entendo, só não entendo como vocês são capazes de fazer essas coisas por quem amam.
– Isso mostra que você não sabe.
O caçula relaxou no banco e fechou os olhos, seu coração ainda estava apertado desde que ouvira a voz do loiro, porém, se ainda doía era porque ainda existia um sentimento ali.
Ao voltarem para a casa do maior, Sasuke saiu do carro e sentou na calçada, ainda estava frio e as nuvens estavam negras. Itachi o olhou confuso, mas apenas retirou seu casaco e pôs sobre o outro, voltando para pegar as malas.
– Não fique muito tempo aí, faz mal tomar sereno.
O garoto passou a mão pelos próprios cabelos e se levantou, olhando para o céu. Sentiu algumas gotas caírem em sua cabeça e outras deslizarem de seus olhos, sem que percebesse, Itachi se aproximou e o abraçou por trás, porém, Sasuke ainda sentia nojo do irmão.
– Por que está fazendo isso? – O menor se soltou e virou, encarando o sorriso cínico do outro.
– Porque... – O mais velho o puxou pela cintura e deixou seus rostos próximos. – Eu quero.
E dito isso, ele tomou os lábios do outro, mesmo sendo empurrado em seguida, o garoto passou a blusa sobre os lábios e o olhando irritado, entrou na casa. Deidara estava arrumando a cama, quando viu Sasuke parar na porta com um semblante não muito agradável.
– O que aconteceu?
– Nada.
– Bem... Está pronta. – O loiro bateu na cama e se sorriu. – Pode se trocar e vir dormir.
– Tudo bem.
Deidara passou por ele, mas voltou e olhou o casaco do amante sobre Sasuke, apertou os olhos em insatisfação e puxou-o de sobre o garoto, que levou um susto com o movimento brusco do outro.
– Isso não deveria estar com você. – Deidara ainda sentia ciúmes do garoto.
– Eu não tenho culpa se aquele maldito queria proteger o bebê.
– O bebê?
– Claro ou você acha que ele se importa com algo mais?
– Me desculpe. – O loiro deixou o casaco no chão e saiu, andando rapidamente até a saída, dando de encontro com Itachi.
– Não olha por onde anda, Deidara?!
– Desculpe, só vim ajudá-lo.
– Se quer ajudar, leve isso para o quarto, eu irei tomar um banho.
– Certo.
O loiro recolheu as malas, as deixando sobre a poltrona do quarto e se retirou. Sasuke havia deitado, ainda se sentia indisposto. Naruto havia voltado para casa, não entendendo o motivo pelo qual o amante não falara com ele.
Após o banho, Itachi se dirigiu ao quarto onde Sasuke estava, ao entrar, foi até a cama e retirando a toalha da cintura, se deitou na cama. O menor estava com os olhos fechados quando o irmão lhe puxou pra perto e o virou, tentando alcançar sua boca.
– O que você pensa que tá fazendo?
– Estou querendo minha última vez com você.
– Quê?
– Isso mesmo que você ouviu. Quero transar com você de novo, pois parece que está bem melhor.
– Seu nojento. – O garoto se afastou de Itachi e o deixou sozinho no quarto.
Itachi se levantou e colocando uma roupa qualquer, foi até o escritório, se trancando e com o humor modificado, revirou alguns papéis e começou a lê-los. Sasuke voltou ao quarto e se deitou, estava cansado demais para aguentar qualquer invenção que o maior fizesse.
– Antes, eu não queria que você existisse, mas até que eu queria que você nascesse logo e nós pudéssemos sair logo daqui. – O moreno passou a mão sobre o ventre, fechando os olhos e adormecendo.
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Beijos e até mais.
