-- CAPÍTULO 9 --
A FUGA DE SOCCET WOODS
Elvys amanheceu aquele dia ao som das badaladas do sino anunciando o café da manhã, onde se aprontou junto com Paulo, Lipinho e Shanaelton. Geralmente Lipinho estava se entrosando mais, sendo mais amigo de Elvys, participando de todas as conversas da turma, "ele está se tornando um de nós" como falava Paulo quando Lipinho saia para fazer alguma coisa.
No salão principal havia muitas pessoas, umas já estavam tomando café da manhã, e Elvys, junto com seus amigos sentaram-se em seus lugares, e na frente de Elvys estava Tracy, não parecia muito contente brincando com a colher.
- Você não vai comer Tracy, - falou tentando ser amigável.
- Estou sem fome.
- Tracy, você não pode só ficar pensando nesse idiota, você deve se alimentar, - falou Emillia que tentava empurrar uma colher de sopa para Tracy.
- Olha Emillia, sinceramente, eu já cansei de ouvir você dizer besteiras sobre o Elvys, ele é meu amigo, e se você falar mais cosas ruins sobre ele na minha frente, de quem eu vou acabar me afastando é de você, - falou Tracy passando de triste para muito zangada.
- Tracy, você não entende, ele é...
- E ponto final.
Elvys começou a tomar o café da manhã, e estava acostumado a ser interrompido por algum membro autoritário da escola, mas nesta manhã foi diferente, o que ele percebeu que iria ser um dia normal, Elvys e seus amigos foram pra aula de Química e Poções. E chegando à sala de aula mais uma cara nova. Quando todos conseguiram se acomodar o professor tomou a frente para começar a aula.
- Sejam todos bem-vindos. Meu nome é André Guimarães, e estarei com Química e Porções, e hoje iremos aprender a fazer o elixir da força, que preparado corretamente pode dar mais de 700N de força para um bruxo qualquer, mas tomem cuidado, essa porção pode seu mortal, pois se preparada de algum modo incorreto pode enfraquecer a pessoa de tal modo a falecer, conhecia três amigos que foram mortos, por prepararem a porção incorreta.
A aula de Química e Porções de Elvys não foi o que digamos, maravilhosa, como se destacava em feitiços ou magia defensiva, e logo após o almoço todos se retiraram para seus dormitórios para descansar, mas Elvys foi lentamente subindo as escadas com a brisa suave do início da tarde, e quando alcançara sua cama se atirou nela e com um lento cansaço pôs-se a cochilar, mas mal tentara pelo menos tira uma soneca quando os sinos da escola bateram ferozmente mobilizando toda escola em emergência para o salão principal.
Todos descendo as escadarias tão rápidas, que mal podiam abrir a boca e falar algo. Quando eles realmente alcançaram o salão principal, cheios de medo e curiosos, estavam à frente do palco Nan e Arcano assustados, e com, o que pareceu a Elvys, as mãos nervosas e trêmulas.
- Atenção todos, antes de qualquer coisa, - começou Arcano, - Não queremos pânico algum na escola, e depois é meu dever informar a todos vocês que correm perigo, e se não haver remédio, deveremos bani-los de nossa escola, para a informação de todos, Calisto Aliança conseguiu fugir de Soccet Woods. Infelizmente ninguém poderá sair da escola durante cinco dias, os esqueléticos foram mandados pelo ministério da magia, para guardarem a escola de qualquer mal, asseguramos que a aliança está bem protegida, e que em Volta Quadrada estamos tendo a máxima segurança oferecida pelo ministério da magia, eu peço para que não ultrapassem dos limites do castelo, os esqueléticos receberam ordens para matar qualquer um desconhecido que atravesse o terreno, estão à procura de Calisto, e peço a todos que não façam nada perigoso demais, terão aulas normais dentro do castelo, que manterá suas portas fechadas, e infelizmente ninguém poderá se comunicar, o ministério estará vigiando os meios de comunicação de Volta Quadrada, peço ainda cautela a todos.
- Agora todos para os dormitórios, - falou Nan, seguindo Arcano pelos fundos do salão.
Os alunos seguiram horrorizados pelo salão e foram em direção aos dormitórios, Elvys não sabia explicar a sinistra sensação que estava, sentindo, ele sabia que Calisto queria a aliança só para poder viver mais, por que Arcano apenas poderia esperar o momento em que Calisto começasse a se sentir mal para morre, e fazê-lo ter uma nova vida, mas talvez ele tivesse seus motivos.
Quando demorou alguns minutos, ou talvez horas, o sino ecoou novamente por todo castelo, avisando que a aula seguinte estava para começar, os alunos desceram para o salão habitual do primeiro ano e, assim como os demais salões habituais, tinha um aviso no mural.
A partir de hoje, as aulas serão divididas em cinco etapas, Feitiços, Preparo Físico e Mental, Magia Defensiva, Clarividência Natural e Feitiços Avançados, para a proteção de todos os alunos desta entidade.
Arcano Arkeyro.
Os alunos passaram vários dias aprendendo feitiços, bloqueios e outros encantos, mas o que mais chamou atenção foi na aula de Clarividência Natural, onde a professora Bonner ensinou os alunos a usarem pregos-bomba, um tipo de apetrechos que não foi solicitado na lista no inicio do ano. Bonner fez questão de ir até Groolers e comprá-los.
- Bem esses pregos-bomba servem para perfurar o adversário, e depois explodem dentro dele, mas este apetrecho só pode ser usado em casos de legítima defesa, pois as conseqüências são imagináveis.
Os dias foram de estudos reforçados em questões de proteção na escola, Volta Quadrada, que mantinha suas portas fechadas, ou melhor, dizendo, seus portões fechados, deixavam fluir um estranho brilho do sol, incandescendo e iluminando partes próximas a janelas e fechas, e na noite as pequenas várzeas de luz de que surgiam era de uma varinha ou de uma simples luz de vela.
Quando ao clarear do dia todos acordavam com o som de breves badaladas, anunciando o café da manhã e as seguintes aulas que já não eram mais previstas, os alunos não tinham nenhum horário a seguir.
Elvys e seus amigos prestavam bem atenção nas aulas, e antes de dormir discutiam sobre elas, a pedido de Shanaelton, que estava se esforçando o máximo que podia, em aprender Defesa e Ataques, uma nova matéria que surgiu ministrado pelo professor André, que cumpria sua carga horária com muito prazer.
Toda noite a turma se reunia no salão habitual para conversar, um grupo particularmente amigável, apenas Elvys, Paulo, Shanaelton, Lipinho, Rogério, Luiz, Tracy, Emillia e outros alunos que decidiam se juntar ao grupo, mas que não participavam da conversa.
Durante todo o dia os alunos davam pequenas olhadas das janelas, e Elvys seguia o ritmo, pensando que algo estava acontecendo. Numa manhã nublada, Elvys estava sentado no batente de uma janela em seu dormitório, segurando Dominik que comia alguns tesuálios, e Elvys olhava para a floresta lá fora, que parecia chorar aos pequenos pingos de água, Elvys conseguia avistar o pequeno jardim que um dia sonhara estar com a Tracy.
De repente, Elvys conseguiu avistar um homem mulato muito magricela, saindo da floresta, parecendo preocupado com alguma coisa que estava em sua cabeça, sacudindo as mãos com se estivesse sendo atacado por milhares de insetos. Um homem bastante esquisito, magro e, o que Elvys pôde perceber, parecia doente. O homem conseguiu livrar-se do que quer que seja que estivesse o atacando e virou-se, onde Elvys pôde ver claramente a sua face.
- C.A., - ele falou repentinamente.
Elvys correu para acordar Paulo, como era domingo o sino não tocava, pois não tinha aulas.
- Acorda Paulo, acorda, - Elvys balançava um Paulo sonolento e leso, deitado na cama, - venha ver isto.
- O que é, - falou Paulo num angustiado bocejo.
- Paulo, é o C.A., ele está lá fora na floresta, venha ver.
Paulo se levantou e foi correndo com Elvys em direção à janela, e quando chegaram só havia na imagem refletida do vidro uma paisagem de uma floresta com uma fina garoa que caía.
- Elvys, não tem ninguém, - falou Paulo assustado, - quem você disse que viu mesmo?
- Paulo, eu juro, o C.A. estava bem ali, ele estava...
- Elvys, você está precisando dormir.
- Eu não estou maluco, se é que você pensa que estou, - falou Elvys em fúria, - eu vi, realmente, e tenho certeza que era aquele homem que você me mostrou no retrato do muro do castelo, que você disse que era C.A., ele estava ali na floresta.
- Bem, já que você diz que viu mesmo, e que as circunstâncias não negam, já que C.A. esta solto, você devia avisar para Arcano.
- Tem razão, - falou decidido, - vou agora mesmo até o escritório dele.
Elvys tirou o pijama, vestiu suas roupas de esquisitos e desceu as escadas e andou pelo saguão vazio, andando ainda mais rápido alcançou uma escadaria de mármore, e subindo alcançou um salão todo branco com uma porta no final, e na porta havia uma maçaneta com uma gravura de uma aliança, e uma placa com os dizeres "SALA DO DIRETOR". Elvys bateu a porta, mas nada aconteceu, ele ia girando a maçaneta quando então conseguiu escutar vozes.
- Mas ministro, nossa escola não está preparada para um combate deste nível, - falava Arcano desprezivelmente, - você sabe mais do que eu que C.A. tem um exército de zumbis, todos que morreram em Groolers estão debaixo da terra esperando até que ele os chame, e voltarão como zumbis atacando todos que estiverem em seu caminho.
- Arcano, não seja bobo, você terá os esqueléticos, eles também poderão formar um exército, e além do mais, zumbis são muito lesos, quando se levantam parecem um bando de bêbados.
- Sim, é claro, mais quando atacam podem matar. Olha ministro eu sinto muito, mas nem eu e nenhum desta escola iremos enfrentar C.A. em um combate de exército, saiba que isso é dever do ministério, você deve formar seu exército.
- Arcano você sabe muito bem que Elvys está na escola, e sabe a relação que ele tem com C.A., e, além disso, se isso não acontecer, vidas, Arcano, vidas, nos deixarão.
- Hilter, você deve me entender, quando eu mandei Ramos e Nan à casa de Elvys, eles conversaram com os pais dele, e eles sabem que aqui em Volta Quadrada, Elvys está seguro.
- Olha Arcano, eu só vim avisar-lhe, pode ser que C.A. esteja ai fora agora, e não me culpe quando ele conseguir o que ele quer, eu já vou indo, quando resolver mudar de idéia, me avise que os amigos estão sempre disponíveis para ajudar a todos que precisam.
Elvys escutou passos se aproximando da porta e procurou lugar para se esconder, e correu para trás de um vaso com uma planta.
Na porta saiu um homem baixinho e gordinho com um chapéu deitado para o lado, e logo após a figura célebre de Arcano Arkeyro, parecendo bastante preocupado, com problemas de mais, e só então, pela primeira vez, Elvys pôde ver o rosto de Arcano, uma face pálida e velha, com olhos azuis cintilantes.
- Passar bem, ministro.
- Passar bem, - e saiu pelo salão branco.
Arcano parecia realmente, preocupado, parecia desapontado consigo mesmo, e Elvys, escondido onde ninguém podia vê-lo, mesmo olhando para a grande planta volumosa, dava olhares para ver o que estava realmente acontecendo, e Arcano começou a falar.
- É, nestes tempos difíceis, a preocupação se torna ainda maior, e temo que estejamos correndo risco de vida, - ele falava como se estivesse conversando com alguém, e Elvys pensou "será que Arcano é maluco?", - e sei que você deve estar preocupado agora também, - ele se virou para a planta no vaso, - que não sabia disso tudo, não é Elvys.
Elvys sentiu seu coração acelerar. Como Arcano sabia que ele estava ali escondido atrás do vaso, mas era de se esperar do maior feiticeiro da comunidade que ele descobrisse que Elvys estava escutando toda conversa. Elvys, porém, não disse mais nada, apenas levantou-se de onde estava agachado e caminhou em direção à Arcano.
- Senhor eu não fiz de propósito, ao escutar esta conversa, eu só vim aqui para dizer-lhe algo, e então quando bati a porta e ninguém veio eu resolvi entrar e de repente comecei a escutar a conversa.
- Esta porta tem um feitiço sonoro, Elvys, que eu mesmo pus, e qualquer que tente bater nela, não será escutado, mas se chamar meu nome, é como se um alto-falante em minha sala disparasse. Eu sabia desde quando você chegou e começou a escutar nossa conversa, e saiba Elvys, que tudo que foi dito aqui é verdade, você tem um tipo de ligação com C.A., como vocês o chamam e eu escutei o senhor Clorees falando, e esta medida se espalhou e agora todos o chamam assim, mas infelizmente eu não sou a pessoa certa para contar-lhe esta ligação com você e C.A., só uma pessoa pode dizer a você, diretamente, a ligação, e esta pessoa é o próprio C.A. Elvys, este ano, mais do que nunca, você começou bem, fazendo amizades para seu futuro, é triste informar-lhe de que quem está a seu redor, quem você gosta realmente, corre perigo, exceto seus pais, pois aqueles que têm o seu mesmo sangue percorrendo as veias, está livre de qualquer risco relacionado à C.A.
- Mais professor, por que eu tenho esta ligação com C.A., - perguntou Elvys indignado.
- Infelizmente Elvys, eu não posso contar a você, eu até queria, mais não quero morrer ainda, isto é mais uma maldição de C.A., ele amaldiçoou seus ouvidos para que não escutassem o que quer que fosse dito sobre a ligação, e quem tentasse dizer morreria, essa é afinal sua especialidade, a morte de todos. Apenas saiba Elvys que C.A. não gosta desta ligação que tem com você, e para terminar esta ligação ele só tem uma saída...
- Me matar, - falou Elvys completando as palavras de Arcano.
- É hora de começarmos a nos preparar assim como Hilter falou. Precisamos estar prontos, e quero que faça isso, Elvys, monte um time de guerra, preparado para qualquer coisa, eu estarei com você, - Arcano falava dando tapinhas na bochecha de Elvys.
Elvys voltou correndo para o dormitório onde encontrou seus amigos e contou tudo a eles.
- Mas o que eu não entendo é por que C.A. pegou Tracy naquele dia em vez de Elvys, - falava Paulo confuso.
- Por que ele afeta as pessoas que Elvys gosta, e Tracy ele não só gosta como ama, - falava Shanaelton olhando Elvys.
Elvys se levantou e foi em direção à janela onde tinha visto C.A. e começou a pensar no perigo que Tracy corria. E agora, mais do que nunca, Elvys estava decidido a lutar, ele já sabia que seus pais sabiam de tudo e ele ainda não sabia de quase nada.
- Vamos formar um exército, e quem estiver comigo, lutara comigo, se ninguém estiver comigo... Eu lutarei só.
- Não amigo, eu e Shanaelton estaremos com você até a morte, não é Shanaelton, - Shanaelton concordou com a cabeça, - você não se livrará da gente tão fácil assim não.
Eles sorriram e Elvys continuou.
- Nós vamos reunir um grupo hoje à noite, e conversaremos com alguns, que eu já tenho em mente, e Arcano disse que estará conosco.
