Hinata conseguiu enfrentar o restante da manhã com aparente o que devia fazer, embora a idéia a apavorasse. Mas, para que o plano funcionasse, tinha de preparar o terreno com muito cuidado. Felizmente não tinha compromissos essa tarde. Não teria de cancelar audiências e entrevistas, o que despertaria suspeitas.

Por volta da hora do almoço a duquesa mandou Akemi sair para uma tarefa rápida e sem importância, pois precisava que ela se ausentasse do escritório durante algum tempo. Respirando fundo, discou o número do escritório de Sasuke.

A secretária atendeu.

Gostaria de falar com o duque. Aqui é a duquesa.

— Lamento, Sua Graça, mas o duque não está. Gostaria de deixar algum recado?

- Esperava vê-lo hoje. Acha que será possível?

- Infelizmente não, Sua Graça. Sinto muito. O duque passará a tarde toda atendendo a compromissos importantes, e só voltará no início da noite. Quer que eu reserve um horário amanhã?

— Não, obrigada. Eu o encontrarei na recepção, mais tarde.

Quando Hinata desligou o telefone, um sorriso satisfeito apareceu em seus lábios.

Perfeito!

A última coisa que queria era vê-lo, e acabara de obter as informações necessárias para planejar os próximos passos do plano.

OoOo

Como sempre fazia quando não tinha nenhum compromisso formal, Hinata pediu que a criada levasse o almoço à sua sala de estar e chamou Ino.

- Quero que meu filho venha me fazer companhia enquanto almoço — disse-lhe — Leve-o à minha suíte por volta da uma da tarde.

Sabia que o pedido não despertaria desconfianças, porque sempre que tinha tempo almoçava em companhia do pequeno.

Ino chegou com o garoto a uma em ponto, e logo depois uma criada trouxe o almoço.

— Quando devo vir buscá-lo? — Ino quis saber. A pergunta provocou uma onda de pânico que Hinata tratou de sufocar.

- Não se preocupe, eu mesma o levarei de volta. Talvez demore um pouco mais que o habitual. Hoje tenho mais tempo livre, e quero aproveitar cada segundo.

Se sentia mais e mais nervosa à medida em que se aproximava o momento do passo final, e por isso comeu pouco. Já Adam comeu tudo com uma voracidade anormal para uma criança tão pequena.

Quando almoçavam juntos, Hinata sempre brincava com o garoto durante algum tempo antes faze-lo dormir, e foi exatamente o que ela fez. Era melhor mantê-lo acordado.

Dentro de uma hora, quando o restante do palácio estivesse dormindo, como era comum nessa parte do mundo, a Duquesa de San Rinaldo pegaria o filho e fugiria. E muito antes de Sasuke notar sua ausência estaria segura no castelo de seu primo, à uma hora de distância. O duque aprenderia a não desafiá-la, e saberia de uma vez por todas que nada a separaria de Adam.

Pouco depois das duas e meia Hinata preparou o filho, calçou as botas de cano curto e tomou-o nos braços.

- Muito bem, vamos dar um passeio, amor.

No instante seguinte atravessavam o corredor e desciam a escada, Hinata corria como se todos os demônios do inferno a perseguissem. Seu carro estava estacionado no pátio dos fundos.

O pátio estava deserto. Hinata abriu a porta de trás para acomodar o pequeno na cadeirinha de segurança, e foi então que uma voz poderosa a fez parar.

- Adam não vai a lugar algum!

No segundo seguinte o garoto foi arrancado dos braços da mãe.

- Sasuke! — Hinata exclamou horrorizada.

O rosto diante dela era uma máscara de fúria, e os olhos negros brilhavam de ódio.

- Onde pretendia levá-lo?

— A casa do Neji. Maldito! — ela gritou — Como soube? E que direito acha que tem para impedir?

— Tenho todo o direito de impedir que meu filho seja raptado. — E então, com a expressão muito mais suave, Sasuke olhou para o filho e sorriu. — Iremos visitar o tio Neji outro dia, está bem?

Hinata viu o filho retribuir o sorriso e experimentou um grande alívio. Pelo menos ele não captara a tensão entre os pais. Nesse momento, o ódio que sentia por Sasuke era tão grande que sentia-se capaz de matá-lo com as próprias mãos.

- Acho melhor entrar no carro e ir visitar o Neji, como pretendia. Não verá seu filho durante algum tempo, e será mais prudente ficar longe de mim. Eu não do que seria capaz...

Hinata pensou em protestar, mas o ódio nos olhos dele a deixou muda. Sem saber ao certo o que estava fazendo, a duquesa bateu a porta de trás, se sentou em frente ao volante. Respirou fundo para conter as lágrimas e se virou para um último aceno para Adam, mas era tarde demais.

Sasuke já o levara.

OoOoO

As vinte e quatro horas seguintes foram um inferno para Hinata. A duquesa telefonou várias vezes para o Palácio pedindo para falar com Ino ou Adam, mas o duque proibira os criados de chamá-los. Tentou falar com Sasuke, mas ele recusou-se a atendê-la.

Neji, a quem contara toda a história, se mostrou sensato, embora solidário com Hinata.

- Cometeu um engano acreditando que Sasuke a deixaria fugir com o filho dele. Pensei que conhecesse seu marido, Hina.

— Mas eu estava desesperada! Não podia mais prosseguir com aquela farsa, e temia que ele me impedisse de ver Adam, caso eu me recusasse a colaborar.

E agora piorara a situação. De onde havia tirado a idéia de que conseguiria fugir? Mesmo que houvesse chegado à casa de Neji com Adam, Sasuke a teria seguido.

- Sabe que pode ficar aqui quanto tempo quiser, e acho que deve ficar pelo menos até se acalmar, minha pequena. E até aquele desgraçado se acalmar, também. Não sei o que faria se ele tocasse em você – ele cerrou os punhos, mas logo seus olhos se suavizaram – Bom, depois deve voltar para ele e continuar cumprindo seu dever, mesmo que isso envolva retomar o que chama de farsa. – Neji bufou.

- Não sei se vou conseguir.

- Terá que se esforçar. Devia ter pensado duas vezes antes de casar com ele Hinata. Você é a esposa de um duque, e representar agora faz parte de suas obrigações. Talvez as coisas melhorem. Talvez não. Eu sugiria o divórcio, mas sei que para você isto está fora de cogitação. O jeito é levantar a cabeça e encarar a situação, como a mulher madura e forte, que apesar do que pensa, você é - Neji a abraçou – Minha vontade é quebrar a cara daquele maldito, mas não posso fazer nada. Eu a amo minha pequena, e mesmo que isso vá contra todas as fibras do meu corpo, acho que sabe que deve sacrificar seu amor-próprio para poder ficar perto de seu filho.

Hinata não discutiu. Sabia que o primo estava certo, até ele que sempre fora super protetor com ela, sabe que agora não há jeito se não aceitar o que lhe é imposto. Iria encarar a situação, acabaria com o que restara de sua dignidade, mas o que há de se fazer?

OoOoO

- Diga ao duque que preciso falar com ele. Diga que é urgente. Estarei esperando em meu escritório até obter uma resposta.

Hinata voltara para casa vinte e quatro horas depois de te-la deixado, pois esse fora o tempo necessário para recuperar a calma e decidir o que devia fazer.

Era muito simples. Precisava voltar para perto de Adam, pois não suportava a idéia de viver sem ele. Se para isso tinha de representar uma farsa, aceitaria a imposição e desempenharia seu papel da melhor maneira possível. Pediria desculpas pelo que fizera, imploraria seu perdão, se necessário fosse, e prometeria nunca mais repetir o erro.

Agora, enquanto esperava que Sasuke fosse vê-la, Hinata sentia-se controlada e emocionalmente distante. O duque já não tinha o poder de abalá-la, pois matara todo seu amor no momento em que arrancara o filho de seus braços.

Teve de esperar por mais de uma hora até que ele finalmente aparecesse, e apesar de sua presença acelerar as batidas de seu coração, como sempre, desta vez não experimentou o habitual prazer por poder fitá-lo. Na verdade, a única coisa que sentia era ódio.

- Quer falar comigo?

Nenhum cumprimento. Era evidente que também a odiava.

Hinata o encarou de queixo erguido.

- Quero pedir desculpas pelo que aconteceu — ela disse. — Cometi um erro que não se repetirá.

— Oh, não se preocupe. Eu sei que isso não vai mais acontecer. Afinal, não terá nenhuma outra chance de repetir seu erro.

E o que isso significava? Hinata o encarou e uma onda de pânico a invadiu.

- Espero que não esteja tentando dizer que pretende manter essa situação absurda. Sabe muito bem que não tem o direito de me manter longe de Adam, e não vou permitir esse abuso de poder.

— Me chamou até aqui para dizer o que pretende permitir ou impedir que eu faça? Nesse caso, acho que estamos perdendo tempo.

Era tão superior! Hinata experimentava uma raiva amarga e poderosa, e temia enlouquecer. Em vez de pedir desculpas, gostaria de apertar aquele pescoço arrogante! Mas Sasuke estava saindo, e não podia correr o risco de permanecer longe de Adam.

- Não — disse apressada —, eu não o chamei aqui por isso. Pedi que viesse ao meu encontro para dizer que estou disposta a aceitar suas exigências sobre as tais aparições em público. Já compreendi que a representação faz parte de meus deveres, e não voltarei a reclamar. Por favor, deixe-me ver Adam.

Sasuke a encarou em silêncio por alguns instantes antes de responder.

- Estou feliz por ter recuperado a razão tão depressa. Tomou essa decisão sozinha, ou Neji a convenceu de que essa era a melhor solução?

— A decisão foi minha – Neji apenas colocou em palavras o que ela já sabia - Sou perfeitamente capaz de decidir minha vida sozinha, sem a interferência de meu primo.

- E bom saber disso, apesar de suas decisões serem sempre um pouco... estranhas.

— Todos nós cometemos enganos. Tenho certeza de que até você consegue errar de vez em quando.

- É verdade — ele sorriu, a pegando de surpresa. Hinata não pôde conter o sentimento despertado por aquele sorriso, uma emoção perigosamente próxima da ternura e muito, muito distante do ódio. Por um momento foi como se seu coração se abrisse para expor toda a fragilidade e o sofrimento que mantivera escondidos. Sentia vontade de chorar, mas, respirou fundo e se conteve.

Como podia deixar-se seduzir com tanta facilidade, depois de ter sido tratada com tamanha crueldade?

Com tom frio, Hinata perguntou:

—Apareceu na hora exata ontem. Como soube que eu pretendia levar Adam? Mandou alguém me espionar?

— Talvez — seu sorriso desapareceu — E foi uma boa idéia, já que parece incapaz de comportar de maneira adequada. Assim, é melhor tomar mais cuidado no futuro.

Sasuke se virou, e por um momento Hinata teve a impressão de que ele partiria sem dar a resposta que ela realmente esperava. Mas então o duque parou.

- Pode ver Adam, mas nunca sozinha. Haverá sempre uma terceira pessoa presente, como Ino, por exemplo. Lamento, mas vou precisar de algum tempo para confiar em você novamente. Até lá, não a quero sozinha com o garoto.

E então ele partiu de cabeça erguida, superior como sempre fora.


N/A: Olá pessoas *-*

Não houve tanto atraso – dessa vez.

Não sei se repararam, mas fiz o Neji um pouco mais distante, ou talvez não, sei lah... mas enfim, ele também é um duque e sabe como tudo isso funciona, ele não podia simplesmente proteger a Hinata e quebrar a cara do Sasuke, por mais que ele quisesse. – não comentei sobre a mulher dele nem nada, porque eu não tenho idéia de quem é ela O_O Não acho que seria relevante pra história hehe /levapaulada

Sasuke do mal hein. Tadinha da Hinata, coloca sempre o amor pelo pequeno á frente de tudo =)

Jhe, OpriscillaO, Misha yanata, Brbara e pandoraff – Obriigada pelas reviews liindas *-*

E ai gostaram? Estou com o pé atrás com esse capitulo, sei lah, não gostei muito.

Mandem REVIEWS – ou não, vocês que sabem '-'

Beeijos :*