Oba novo capítulo!!!
Ba, obrigada pelo apoio e vou me esforçar para traduzir o próximo capítulo até o final do carnaval. Tenho três dias de folga, obaaaaa!!! Já falei que tb tô ansiosa para logo traduzir os próximos capítulos e logo vcs saberão pq...
lmbs100, Obrigada pelo review! Infelizmente tem muita gente que desiste logo no primeiro capítulo, porque não gostam de histórias longas. Mas é esse o charme dessa fic, as coisas vão se desenrolando naturalmente, a autora não teve pressa nenhuma em acertar as coisas. Obrigada por se interessar pela fic!
Boa leitura!
"Crueldades e Certezas do Destino"
Por Crawlspace
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"Aviso: Sailor Moon pertence a Naoko Takeuchi, não a mim. Só estou pegando os personagens emprestados por um tempinho".
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10. Coisas que Nunca Direi – Ami (NT1)
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A sala de pesos da academia estava vazia exceto por uma pessoa. Os sons de punhos cerrados batendo no saco de areia ecoava pela sala enquanto Makoto livrava-se de suas frustrações da única maneira que sabia.
Não era aquilo que pretendia fazer depois de sair da escola. Mesmo assim ela estava lá, a franja molhada em sua testa e o suor entrando em seus olhos. Makoto piscou ao sentir os olhos arderem e lançou uma perna para chutar o saco. Ignorando a dor que isso causava em suas costas, continuou seu assalto.
Cada soco e chute tinha como alvo uma voz em particular ou rosto. Seu punho direito atacava uma imagem de Itoh-san enquanto ele, com uma voz presunçosa, listava todas as razoes para ela sair da escola e ir para um lugar melhor. Makoto ouviu também todas as coisas não ditas nas entrelinhas, tipo em como ela era uma vergonha para eles e como isso fazia o status deles parecerem mal por ter uma estudante grávida e solteira.
Seu punho esquerdo era para Watashi-sensei. O limite do seu cansaço e ódio pelo o que acontecera no almoço prevaleceram quando ele entrou na sala e a olhou de nariz empinado. Não esperava vê-la de novo, ele disse, considerando a situação dela.
Outro chute e mais alguns socos ficaram mais violentos com a imagem do seu professor de História. O homem começou com ela desde o início da aula e não a largou mais. Cada resposta que ela dava para ele ou era errada ou inadequada. Se chegasse ao ponto dela dizer que o céu era azul e que a grama era verde, ele daria um jeito de argumentar que aquelas respostas estavam erradas.
E o assalto continuou. Makoto atacou seus colegas de sala pelos sussurros e fofocas, seus professores pelo olhar de desapontamento e desaprovação, Yuu por ter entrado em sua vida e finalmente ela mesma por ter permitido isso acontecer.
De tão concentrada que estava, Makoto não ouviu a porta da sala abrir. Nunca ouviu a outra pessoa entrar ou seus passos quando ela se dirigia para Makoto. Porém, quando uma mão forte a agarrou a sua e interrompeu um soco, Makoto virou-se para seu oponente, mais do que pronta para continuar a luta com uma pessoa de verdade.
De reflexo, Haruka tomou uma posição defensiva. Depois de respirar fundo e acalmar seus instintos de luta, franziu a testa para Makoto: "Mas que diabos você está fazendo?", perguntou chateada e um pouco com raiva da garota mais nova. O suor descendo pelo rosto de Makoto e a sua blusa molhada indicavam que ela já estava fazendo aquilo por um bom tempo.
Makoto continuou com os braços armados e pronta, o fogo continuava em seus olhos. Forçou sua visão contra o suor que estava embaçando sua vista e finalmente consegui enxergar a mulher à sua frente. "Haruka?", perguntou sentindo-se um pouco confusa.
A loira concordou e relaxou a guarda. Haruka estava falando, Makoto percebeu, mas não conseguia entender o que a garota mais velha estava dizendo. As palavras soavam distantes e ela percebeu que estava difícil de acertar a visão. E com a parada súbita de seus movimentos, Makoto pôde sentir o peso em seus músculos fatigados. Aquele peso parecia estar a puxando para o chão e a fazendo sentir-se exausta.
E só assim foi que Makoto não quis mais continuar. Tudo que queria era que o universo fosse embora e a deixasse dormir. Enquanto seus olhos fechavam e sua mente desligava, ouviu uma voz bem longe chamando seu nome. Sentiu que começou a cair e a última sensação que foi capaz de registrar foi algo morno e forte. Então só houve a abençoada escuridão e paz.
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Durante o caminho para o hospital, Ami não se mexeu uma vez. Minako foi pegar Rei, dizendo para não esperá-las e que elas dariam um jeito de chegar até lá. Aquilo deixou Usagi sentando no banco de trás com Ami enquanto Setsuna dirigia.
Usagi observava a sua amiga. A cabeça de Ami estava abaixada, seus olhos olhando para o chão. Sua respiração era compassada e deliberada, seu peito subia e descia no mesmo tempo. A mão que Usagi segurava lhe dava um aperto tão forte chegando ao ponto da mão da loira estar adormecida pela falta de sangue. Ainda assim, a loira continuava a segurar, preocupada tanto por Ami quanto por Makoto, porque aquilo era muito calmo e quieto, mesmo sendo Ami.
O carro parou no estacionamento e Ami já estava fora dele e dirigindo-se para a entrada mesmo antes de desligarem o motor. Foi difícil para Setsuna e Usagi a alcançarem enquanto seus passos tornavam-se mais ligeiros.
Usagi pôde ver claramente o pânico surgir em Ami naquele momento. Aquela visão fez com que suas preocupações e medos piorassem e ela desejou muito que Mamoru e as outras estivessem lá com ela.
"Kino Makoto", Ami disse para a secretária atrás do vidro da sala de espera. "Ela foi trazida faz pouco tempo".
"Você é da família?", perguntou a mulher.
Sem hesitar, Ami respondeu: "Sou".
"Só um momento", disse a mulher. Ela desapareceu por uma porta e Ami virou-se para Usagi e Setsuna.
Usagi pôs uma mão no ombro de sua amiga. Com uma certeza que não sentia, disse: "Ela ficará bem, Ami. Estou certa disso". Usagi ofereceu um sorriso fraco que acalmou um pouco a garota à sua frente.
Uns instantes depois, Ami ouviu seu nome. Virou-se para ver sua mãe estando na entrada do atendimento.
"O que aconteceu?", Ami questionou, suas palavras saindo apressadamente. "Eles estão bem?"
"Makoto está bem", respondeu sua mãe, usando o mesmo tom de voz que usava para tratar a família dos seus pacientes.
"O bebê?"
"Ele também está bem", Kaya respondeu. Colocou suas mão nos ombros de Ami. Quando fez aquilo, pôde sentir o leve tremor no corpo de Ami. Baixou os olhos para sua menininha, preocupada com ela. Pondo o máximo de segurança e tranqüilidade em suas palavras, Kaya continuou: "Os dois ficarão bem. Makoto fez muito esforço físico e como resultado teve uma tontura e desmaiou. Ela teve sorte de Haruka estar com ela quando isso aconteceu. Mas, por enquanto, ela está um pouco desidratada e com a pressão elevada. Essa pressão precisa diminuir um pouco antes de dermos alta, mas além disso tudo está perfeitamente bem".
A cabeça de Ami virou para as portas donde Kaya veio. Sua mãe pôde ver a preocupação e o brilho causado por lágrimas nos olhos de Ami. Tirou suas mão dos ombros de sua filha e as colocou em seu rosto. Gentilmente, Kaya fez com que Ami a encarasse.
"Ami", disse docemente, "prometo que ela está bem. Mas precisamos que ela fique calma e que descanse. Para isso acontecer, você precisa estar calma quando você for vê-la. Entendeu?"
Kaya respirou fundo com Ami a imitando automaticamente. Enquanto soltava o ar lentamente dos pulmões, Ami fechou os olhos e deixou a cabeça cair no peito de sua mãe. Kaya a envolveu em seus braços e a abraçou enquanto os braços de Ami abraçava seu quadril.
"Está tudo bem, querida", Kaya disse suavemente. "Eu sei que foi assustador, mas já está acabado agora".
Ami assentiu, seu rosto ainda enterrado no peito de sua mão. Por um momento seu abraço apertou um pouco. "Estou feliz por você estar aqui para ajudá-la", Ami disse, as palavras saindo abafadas. Então ela olhou para sua mãe, com o rosto confuso: "Por que você está aqui? Seu turno acabou há mais de oito horas".
Kaya abriu um sorriso. "Eu não saí. Hoje foi um dia complicado e eles precisavam de um par de mãos extras. E é Saatchi-san quem está cuidando de Makoto. Só estou abusando dos meus privilégios e sendo curiosa". Soltando Ami do abraço e voltando ao seu comportamento profissional, Kaya perguntou: "Está pronta par vê-la agora?"
"Só um minuto", Ami respondeu. Foi até onde Setsuna e Usagi estavam. "Mamãe disse que tudo está OK. Vou vê-la, então vocês podem dizer isso para Rei e Minako quando elas chegarem?"
Ami nem esperou direito pela resposta de Usagi e já estava voltando para o lado de mãe e a seguindo para dentro da emergência.
Kaya levou Ami até um leito separado por uma cortina. Quando entraram, Haruka levantou-se da cadeira em que estava sentada. Próximo dela, Makoto estava deitada na cama, com um lençol amontoado em cima dos seus pés. O vestido do hospital que devia vestir, estava pendurado atrás da cama, enquanto Makoto ainda vestia suas roupas. Um lenço molhado estava estendido na área dos seus olhos. Um braço descansava acima de sua cabeça, com um dedo enrolando o final do seu rabo-de-cavalo. O outro braço estava parado em cima da cama, conectado com o soro. Ami já conseguia ver o hematoma se formar na parte onde a agulha estava enfiada.
Kaya despediu-se ao mesmo tempo lembrando-as de que só era permitido um visitante por vez.
Haruka arqueou-se para agradecer a outra mulher e prometeu sair em instantes.
"O que aconteceu?", Ami perguntou baixinho depois de sua mãe ter ido embora.
"Fui para a academia para uma rapidinha antes de ter que buscar Hotaru", Haruka respondeu. Passou uma mão pelos cabelos, um gesto nervoso que demonstrava o quanto assustada ela se sentiu naquele momento. "Quando a vi, estava batendo no saco de areia que nem uma louca, na sala de pesos. Fui pará-la e, quando percebi, estava caindo no chão".
Ami balançou a cabeça. "Ela prometeu que não faria isso".
"Não falem de mim como se eu não estivesse aqui".
As duas garotas viraram-se para a cama. A mão que estava no seu rabo-de-cavalo agora segurava o lenço e Makoto as olhava só com um olho.
"Você me assustou pra caramba, Mako-chan", Haruka replicou. "Isso me dá o direito de falar de você do jeito que eu quiser".
Makoto colocou o lenço de volta e voltou a ignorar as pessoas em sua volta.
Haruka deu uma risadinha. Então falou só para que Ami lesse seus lábios: "Ela está sendo orgulhosa".
Ami concordou e então agradeceu Haruka pela ajuda.
"Só fique agradecida por eu estar lá", Haruka respondeu. Então ela se despediu e foi esperar com os outros na sala de espera.
Ami ficou por vários segundo só observando Makoto. Então se sentou cuidadosamente na cama.
Makoto sentiu o peso na cama e sabia que Ami estava sentando ao seu lado. No momento seguinte, o lenço foi tirado dos seus olhos. Ela os abriu então e ficou olhando Ami colocar mergulhar o pedaço de pano na água ao lado da cama e o espremer.
Com uma expressão séria e concentrada em seu rosto, Ami levou o lenço para a testa de Makoto. Gentilmente, passou-o ao redor da linha dos cabelos e atrás de suas orelhas. Depois passar o pano pelas bochechas de Makoto e debaixo de seus olhos, Ami perguntou: "Você pode se sentar?"
Makoto começou a se mover, então abriu um sorriso: "Não posso me mover do jeito que quero", falou indicando o seu braço esquerdo.
Após alguns minutos e de cuidados para conseguir, Makoto esta sentada numa posição estranha, com uma perna dobrada e paralela com a de Ami e a outra estava envolvendo a amiga por trás.
"Confortável?", Ami perguntou.
Makoto concordou. "O tanto que posso".
Ami concordou de volta e colocou uma mão na nuca da outra garota. Seus dedos acharam os nós lá e gentilmente começou a trabalhar neles: "Você pode se inclinar um pouco?"
Makoto já fechara os olhos quando os dedos de Ami começaram a se mover. Agora, ela fez um pequeno som e fez o que lhe foi pedido. Parou quando sua testa tocou o ombro de Ami e descansou lá.
Não era a posição mais confortável para estar, Makoto notou e Formiguinha provavelmente estava sentindo-se amassado. Mas aquilo era o mais relaxada que ela sentia estar durante todo o dia e ela se amaldiçoaria se tivesse que se mover antes da hora certa.
Os dedos de Ami continuaram a trabalhar na tensão na nuca da amiga e nos ombros. Makoto não sabia quanto tempo já tinha passado quando a mão de Ami foi substituída por um pano frio e molhado sendo colocado ao redor do seu pescoço. Makoto mudou um pouco de posição, sentindo se um pouco mais confortável. No momento, sentia-se realmente cansada. Talvez se ela pudesse tirar uma soneca tudo estaria bem quando acordasse.
"Mako-chan", Ami disse cuidadosamente, "você prometeu que não faria. Você geralmente cumpre suas promessas".
Makoto suspirou. O que é bom sempre dura pouco. Levantou sua cabeça do ombro da amiga: "Prometi durante o almoço e mantive a promessa", respondeu. "Isso aconteceu depois de História. E eu não queria fazer aquilo. Só quis andar um pouco, mas estava muito frio lá fora. Então fui até à academia. Uma coisa levou a outra". Franziu a testa para a cara que Ami fez. "Por favor não fique brava comigo, Ami. De tudo o que aconteceu hoje, acho que não agüentaria isso".
Ami lhe deu um leve sorriso. "Não estou com raiva de você, Mako-chan. É sério". Pôs uma mão em cima da de Makoto. "Então não foi só Yuu, isso?"
Makoto balançou a cabeça. "Watashi-sensei caiu em mim durante a aula. Aquilo só foi a cereja em cima do sundae. Então precisei sair e respirar um pouco".
"O que mais aconteceu?", Ami perguntou.
Makoto respirou fundo. "Itoh-san me tirou da sala durante o primeiro período. Ele passou o resto daquela e toda a segunda aula me dizendo que era melhor eu estar do outro lado da cidade, no Memorial. Sabia que lá eles tem programas de aulas só na metade do dia? Um é para os estudantes que trabalham e para aqueles que tem 'obrigações familiares'. Mas que droga, eu não quero me transferir! Não de novo! Conquistei o meu lugar naquela escola assim como todos os outros e não vou deixarem eles me expulsarem só porque faço os números deles parecerem ruins".
"Tudo bem, Mako-chan", disse Ami suavemente. Seu polegar acariciou a mão de Makoto num gesto inconsciente para manter a garota calma. "Nós pensaremos em alguma coisa. Eles não podem te transferir dessa vez".
"Eu também não vou sair assim, do nada", disse Makoto firmemente. "Você esforçou-se demais fazendo com que passássemos nos exames de admissão para qualquer uma de nós sair agora".
Ami sorriu timidamente para aquilo. "Todas vocês trabalharam duro. Se vocês realmente quisessem, vocês poderiam ter passado sem mim".
"Não mesmo", replicou Makoto. "Eu não seria capaz de me concentrar de outro jeito. Mas todas nós conseguimos e posso ir para a escola e criar meu filho sem nenhum problema. Embora Itoh-san não pense assim, já que ele gastou mais ou menos uma meia hora listando os benefícios da adoção depois de perceber que eu não sairia".
"Nenhuma de nós sequer pensou que você seria capaz de fazer isso", Ami a tranqüilizou. "Não importa o que os outros pensem".
Makoto concordou. "Eu não quero que Formiguinha sequer pense que eu não o quis", disse docemente. "Sei o que é isso, quando ninguém te quer e é um sentimento horrível. E quando a única pessoa do mundo que deveria gostar de você não gosta... Eu nunca vou querer fazer isso com ele".
Ami tentava pensar numa resposta, numa maneira de fazer com que Makoto soubesse definitivamente que era desejada, quando um pequeno sorriso surgiu nos lábio da outra garota. Ami curvou a cabeça para o lado, curiosa.
"Ele está se mexendo. Primeira vez hoje". Seu sorriso aumentou. "Você fica comigo mais tempo do que as outras, então aposto que reconhece sua voz. Ele sabe que você está aqui e quer atenção".
Ami ficou corada, sem palavras. Sentiu a mão de Makoto começar a dar a volta pela dela e então parou. Um senso de déjà vu a atingiu e ela ficou ainda mais vermelha.
"Hummm... você quer?" Makoto perguntou hesitante. Lembrou-se muito bem do que aconteceu quando tentou aquilo da última vez e não o faria de novo sem permissão.
Ami concordou e Makoto lentamente colocou as mãos delas para uma protuberância em sua barriga. Colocou as mãos de Ami no lugar certo e, dessa vez, a garota pôde sentir um movimento na palma de sua mão. O sorriso que aquilo provocou iluminou todo o seu rosto e fez com que todas as sombras que perseguiam Makoto desde que o dia começou desaparecessem.
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De uma pequena distância, através de uma pequena abertura da cortina, Kaya assistia as coisas acontecerem entre as duas garotas. Seu rosto era neutro, não traindo todas as emoções que percorriam o seu interior.
Silenciosamente, uma figura surgiu ao seu lado. Uma mão foi colocada discretamente em suas costas e Kaya achou conforto na forca que sentiu lá.
"Eu deixei as coisas irem longe demais, não foi?", perguntou baixinho.
Os dedos de Ken desenharam pequenos círculos nas costas da médica: "Honestamente, Kaya, acho que não há nada que você poderia ter feito para evitar isso. Nós nunca escolhemos por quem nos apaixonamos".
Kaya suspirou, triste. "Ami não é mais capaz de deixá-los e quando tudo isso uma vez acabar, ela será a única que ficará sozinha e sofrendo. Não é justo. E como eu deveria enfrentar Ami quando sou parcialmente culpada?"
Era uma pergunta retórica e Ken sabia. Fazer aqueles tipos de perguntas era como Kaya pensava numa saída. Então ao invés de dar uma resposta que não significaria nada, ele colocou um pouco de pressão em sua mão para que ela soubesse que ele estava lá por ela e sorriu quando ela levantou os olhos para ele.
"Você parece exausta", disse Ken finalmente. "Vá para casa e descanse um pouco. O hospital já está sob controle de novo e hoje é sua noite de folga. Tente aproveitá-la".
Kaya concordou. "Irei em breve. Quero esperar pelas garotas".
Ken sorriu. "Vou checá-la agora. Não deverá demorar muito".
Kaya assentiu de volta. Encostou-se ao lado dele só por um momento e então observou e esperou enquanto ele ia checar a melhor amiga de sua filha.
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Não faz muito tempo quando Usagi lamentou que se você ficasse sentada numa aula e olhasse para um relógio por muito tempo, o tempo parecia a se mover para trás. Ami estava se sentindo assim naquela noite. Levantou o olhar para o relógio mais uma vez, metade da sua mente concentrada na lição ministrada pelo professor do cursinho.
Chegaram na casa de Makoto facilmente. Rei tinha ligado para Mamoru quando Minako a encontrou e lhe falou o que acontecera. Ele as pegou no caminho para o hospital e, com ele lá, elas tinham três motoristas. A mãe de Ami também oferecera carona para as meninas. Porém, Ami, vendo o tanto que sua mãe estava cansada, disse que elas poderiam se virar. Então depois de uma rápida despedida e lembrete bem gentil da sua mão sobre a aula de noite, o grupo deixou o hospital.
Mamoru e Haruka as levaram de volta para o apartamento. Mamoru despediu-se mais cedo. Ele nunca pareceu completamente à vontade no meio de tantas garotas, Ami percebera. Mas ele era muito amigo e cavalheiro pelo menos checar que Makoto chegou em casa sã e salva.
Ami saiu não muito depois de Makoto ter sido acomodada. 'Acomodada' era realmente uma boa palavra para aquilo. Deitada no sofá vestida de pijama, com um lençol a embrulhando e com jantar à sua frente, Makoto era vítima das preocupações e instintos maternais exagerados de suas amigas. Ami estava certa que as outras três garotas dariam comida na boca da amiga se elas sentissem que a tarefa de levantar o sanduíche e o mastigar fosse muito cansativa para ela. Mas Makoto fez aquilo com ela mesma e simplesmente agora teria que sofrer as conseqüências.
O movimento dos outros estudantes reunindo seus pertences fez com que Ami voltasse sua atenção para a aula. Não era normal dela ficar viajando daquele jeito. Assim levou um susto ao perceber que a aula tinha acabado e que todo mundo estava saindo. Anotou rapidamente algumas coisas sobre o próximo assunto antes que o professor pudesse apagar o quadro, então seguiu os últimos alunos pelo o corredor.
Ami tinha pressa para voltar para Makoto. Naquela hora a amiga já teria aprendido a lição e merecia ser resgatada. Ami também sabia como seria o resto da noite. Depois de um tempo, as outras iriam embora. Então ela e Makoto ficariam no silêncio por um tempo e Makoto poderia descansar realmente sem distúrbios. Isso também daria tempo para Ami decidir se deveria tentar falar com a amiga sobre ficar em casa amanhã ou se seria melhor tê-la na escola onde elas pudessem ficar de olho nela.
Com tantos pensamentos na sua cabeça, Ami quase não viu a pessoa lhe esperando na saída. Ami parou, mais do que um pouco surpresa, enquanto sua mãe levantava-se do banco onde estava sentada.
"Mãe? O que você está fazendo aqui?"
O sorriso de Kaya era cansado enquanto ela dizia: "Pensei em lhe dar uma carona para casa. Está muito frio hoje e o homem do tempo está prevendo neve. Embora ele esteja falando isso há três dias", ela disse dando uma leve risada. "Venha. Vamos para casa".
Ami seguiu sua mãe enquanto Kaya saía do prédio. Já estavam no carro e Kaya tinha acabado de ligar o motor quando Ami falou hesitante: "Eu... eu iria passar a noite na casa de Mako-chan. Por causa do que aconteceu".
Kaya estava olhando diretamente para frente. Ami viu a mãe concordar levemente com a cabeça e respirar fundo antes dela falar: "Sei que você planejava fazer isso, mas...". Kaya então encarou a filha, com um pouco de remorso visível em seus olhos. "Mas acho que seria melhor se você passasse a noite em casa".
Todo o corpo de Ami ficou tenso. Ela não podia fazer nada, o instinto natural de lutar para fazer o que queria opondo-se contra o instinto obediente de nunca discutir com sua mãe. Após de vário segundos, Ami engoliu em seco. Seus olhos caíram como se um tipo de compromisso interno fosse alcançado. "Ela não deveria ficar sozinha", disse suavemente. "Não quero que fique sozinha".
Kaya levantou uma mão e a colocou em cima da de Ami. "Eu sei, meu anjo. Você é uma boa amiga para ela. Mas Makoto tem outras amigas. Dessa vez, você precisa deixá-las cuidar dela".
Lentamente, os olhos de Ami subiram para encontrar os de sua mãe. Kaya queria chorar pelo pânico que viu lá. Mais uma vez, lembrou a si mesma de que aquilo era o melhor. Ami precisava colocar um espaço entre ela e Makoto. E se um pouco de sofrimento agora poderia salvar sua filha de muito mais no futuro, então Kaya faria o papel de má e seria a que causaria aquilo.
"Minhas coisas", Ami disse baixinho. "Minhas coisas ainda estão na casa dela. Também gostaria de dar boa noite e dizer que não ficarei em pessoa".
Kaya concordou. "Tudo bem. Te deixarei lá e voltarei para lhe buscar em uma hora".
"Obrigada".
"Durante o caminho, Kaya não conseguiu parar de sentir a leve decepção que sentia por sua filha. Quando seus pais lhe falaram para parar de ver o pai de Ami, que ele nunca ajudaria em nada e que somente a deixaria cheia de problemas, Kaya lutou e venceu. Isso era um pouco diferente, é claro, e eles não podiam reclamar da vida que ela levava agora. Seus pais estavam certos pela maior parte, a única coisa boa que veio daquela união fora Ami".
Ami, por outro lado, simplesmente desistiu. Não houve luta, nenhuma discussão, somente a obediência que Kaya sempre se sentia abençoada por ter. Deveria estar contente, não era? Apesar de tudo, era isso que ela queria.
Kaya entrou no prédio e estacionou o carro. Ela parou Ami antes que a garota pudesse sair do carro: "Ami, eu te amo", disse cuidadosamente, esperando que Ami entendesse aquilo como uma abertura para que sua filha falasse algo. "Você sabe que não há nada que você possa fazer ou dizer que irá mudar isso".
"Eu sei, Mãe", Ami replicou. "Eu também te amo". Saindo do carro e virando-se para sua mãe, ela disse: "Estarei pronta em uma hora".
Kaya ficou olhando até que não pudesse mais ver Ami, então foi embora lentamente. Havia um restaurante não muito longe dali e uma xícara de café definitivamente a ajudaria a ficar acordada durante aquela uma hora.
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Ami ajudou Rei a levar as loucas e os restos de comida para a cozinha. Sua hora estava acabando, parecia que o tempo passou rápido desde que entrou pela porta da casa de Makoto.
Makoto pareceu ficar tão aliviada quando a viu. Ami pôde sentir pela cara da garota que parecia querer sair do seu corpo por causa de tanta atenção e cuidados. Ela implorou para que Ami tranqüilizasse as outras três de que ela não cairia morta se elas jogassem algo mais excitante do que Pif-paf. Ou que pelo menos elas a deixasse ir ao banheiro sem nenhuma escolta.
O pai de Usagi veio buscá-la não muito depois de Ami retornar. Foi quando Ami encontrou uma abertura para dizer que também iria embora em breve.
Após ouvir aquilo, Rei se ofereceu para limpar a bagunça, mais como uma desculpa para pegar Ami sozinha e perguntar se ela estava bem. Pensando que isso faria com que a amiga se sentisse melhor, Rei também se ofereceu para passar a noite em seu lugar.
"O Vovô não se importará com isso", disse Rei ao colocar a caixa de bolachas em cima da estante. "Não fique tão preocupada, Ami. Ela ficará bem sem você por uma noite".
As louças que Ami seguravam fizeram um barulho alto quando tocaram na pia. Rei virou-se para ver a garota apertando as beiradas da pia tão forte que seus dedos estavam ficando brancos. Sua cabeça estava arqueada e Rei teve que se esforçar para ouvir o que ela estava falando.
"Mas eu não quero que ela fique bem sem mim", disse Ami suavemente. "Quero ser aquela que cuida dela. Eu sei que é egoísta da minha parte e que deveria só estar contente por ela estar bem e não sentir ciúmes dos poucos amigos verdadeiros que ela tem. Mas eu não posso me segurar. Queria que ela fosse minha e somente minha".
Rei foi para trás de Ami e pôs uma mão em seu ombro. Dando um leve aperto, ela disse carinhosamente: "Tudo bem em querer isso, Ami. Não significa que você está sendo egoísta. Mas se você acha que é, então te dou permissão para ser egoísta nessa noite".
O aperto de Ami enfraqueceu um pouco e Rei viu uma lágrima correr pelo seu rosto: "Por que ela fez isso, Rei?" Ami perguntou com uma voz baixa e triste. "Ela não estava sozinha. Nós estávamos lá. Eu estava lá. Então porque ela fez isso?"
Rei só pôde dar de ombros, não tendo uma resposta e pensando que não importaria mesmo se ela tivesse.
Soltando as mãos da pia, Ami olhou para a sarcedotisa e andou para o outro lado da cozinha. Ela então se virou novamente para Rei, abraçando a si mesma. "Às vezes, eu a odeio por isso", disse com a voz levemente trêmula. "A odeio por se sentir sozinha mesmo nós estando aqui, mesmo eu estando aqui por tanto tempo. A odeio por ir até alguém que não se importava com ela e se entregando para ele enquanto eu não fazia nada a não ser me importar com ela sem pedir nada em troca. Odeio ter que vê-lo todos os dias. O odeio por ele não amar-la, ela por não me amar ou me querer do jeito que eu a quero e a mim mesma por ser não capaz de parar com isso".
As palavras de Ami transformaram-se em um soluço. Rei foi até ela e a abraçou enquanto todas as lágrimas que Ami segurara aquele tempo todo começaram a cair. Sem palavras, Rei fez sons suaves para a amiga como se fosse para acalmar uma criança assustada.
"Eu a amo tanto", disse Ami depois de vários segundos. "Às vezes, quando olho para ela, esqueço de respirar só do jeito que ela me faz sentir".
"Eu sei, Ami", Rei disse gentilmente enquanto acariciava os cabelos da amiga.
Ami balançou a cabeça e saiu do abraço de Rei. Limpando as lágrimas com a costa da mão, disse: "Não, você não sabe, porque não é mais só ela. O Formiguinha também. Posso até imaginar como é segurá-lo ou como ele vai ser quando estiver sentado no chão da cozinha, batendo com uma colher de pau nas panelas dela. E também posso imaginar como vai ser o dia em que alguém irá roubá-los de mim". Ami cerrou os olhos enquanto jogava os braços sobre si mesma, num abraço. "Isso dói, Rei. Dói demais", chorou baixinho.
Não havia nada que Rei poderia dizer para aquilo. Nada das frases falsas para confortar Ami que apareceram em sua cabeça ajudaria e provavelmente causaria mais sofrimento se fossem ditas. Então ela simplesmente continuou lá e permitiu que Ami se encostasse nela e liberasse o máximo da dor que conseguia naquele momento.
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Makoto tirou o pé da parte de baixo da porta da cozinha e deixou que a própria porta fechasse o pequeno buraco que ela estava fazendo. Apoiou seu corpo contra parede, sentindo-se fria e tonta. "Ami", sussurrou para si mesma, seus olhos fechando para conter as lágrimas que sentiu se formarem.
O último 'a odeio', seguido pelo choro de Ami, foi tudo que Makoto pôde agüentar. Se não fosse sua própria casa, ela sairia dali e nunca mais voltaria. De qualquer jeito, ela talvez ela faria isso. Tudo para fazer Ami parar de sofrer.
"Ei, Mako-chan, por que você tá demorando tanto?", Minako a chamou enquanto voltava para a sala. Ela parou quando viu Makoto. "Tá tudo bem?", perguntou, a preocupação substituindo a alegria.
Makoto saiu da parede e foi rapidamente até Minako antes que ela pudesse chegar perto o bastante da porta da cozinha para ouvir ou ser ouvida. "Tô, mas não tem nenhuma na cozinha", disse enquanto redirecionava a loira para o corredor. "Teremos que tirar uma das lâmpadas do quarto".
Minako olhou atentamente para a amiga. "Você está mentindo. O que tá acontecendo?"
Makoto riu para a loira entretanto aquilo pareceu forçado. "Você é muito desconfiada. Venha, porque vai ser você que irá colocá-la. Ami escondeu minha escadinha há semanas e ainda não a encontrei, então teremos que usar uma cadeira para alcançar a lâmpada do banheiro".
"Não deixarei você começar a subir em cadeiras, Mako-chan", Minako disse firmemente.
"Eu sei. E é por isso que eu disse que você vai ter que trocar", Makoto respondeu. "Agora venha e vamos fazer isso antes que elas acabem o que estão fazendo na cozinha. Ou então falarei para todo mundo que você gritou que nem uma menininha quando a lâmpada espocou".
Minako ficou séria para ela. "Grande amiga, você. E ainda depois de tudo que fiz por você".
Enquanto Minako reclamava que era uma boa amiga e que estava sendo abandonada, Makoto tentou usar sua voz para lhe distrair do que estava acontecendo na cozinha. Se fosse qualquer outro que fizesse Ami chorar, ela o caçaria e o socaria até ele cair no chão. Makoto não tinha a mínima idéia do que fazer quando a pessoa em quem ela deveria bater era si mesma.
NO PRÓXIMO CAPÍTULO...
"Ela me ama", Makoto disse com um sorriso tolo se espalhando pelo seu rosto. "Realmente, eu nunca imaginei..."
O resto é segredo...
NOTAS DA TRADUTORA
NT1 - Na verdade o nome do capítulo traduzido do inglês seria 'Coisas que Nunca Direi – parte 1'. Mas como nesse capítulo é só Ami confessa muitas coisas, mudei para 'Coisas que Nunca Direi - Ami'. Tanto que no próximo será 'Coisas que Nunca Direi - Makoto', já que será a vez de Makoto contar seus segredos.
