Caríssimos leitores,
Como sempre, venho com o meu discurso de desculpas pela demora na atualização e com a minha preocupação de que alguns de vós já nem estejam interessados na história (e não vos culparia, honestamente, eu sei que demoro).
A verdade é que este capítulo foi complicado de escrever e foi reescrito várias vezes. Eu tinha uma linha original toda planeada, mas modifiquei-a. Adicionei partes e depois tirei, modifiquei vezes sem conta. Isto porque este capítulo, apesar de não ter nenhuma cena do casal maravilha (o capítulo já é comprido como é, para além disso, prometo compensar no próximo), tem uma grande parte do desenvolvimento da história. Portanto, este é aquele capítulo chave de desenvolvimento que vai levar a muita coisa gira que eu não posso revelar!
UM GRANDE OBRIGADO a todos vocês. Recebi mensagens e reviews a perguntar pela fic, pela atualização e a elogiar não só The Eldest mas também a minha escrita... Não têm ideia de como isso me encheu o coração. Fizeram uma leitora feliz! Como sabem, dou muito valor a todos os comentários, opiniões e criticas que recebo e prezo imenso as vossas ideias e perceção da história. A The Eldest é a minha criaçãozinha fantástica, e tudo graças a vocês. Por isso, vou tentar responder a toda a gente que perdeu um bocadinho do seu tempo a dar a sua opinião e a ler o que eu escrevi.
Às pessoas sem conta no , a resposta aos vossos comentários está no fim do capítulo
Como sempre, um beijinho grande para vocês *
Sinopse – Ele era um homem frio e cruel que tinha assassinado a própria família. Para ela, ele não devia ser mais do que um dos homens do seu pai, mas não conseguia deixar de o ver como o seu anjo protetor desde que aceitara a sua mão naquela noite.
Disclaimer – Naruto e as suas personagens não me pertencem.
Capítulo 9 – Amigos e Inimigos
O dia ainda nem sequer ia a meio e Hinata já sentia o cansaço pesar, tanto na sua cabeça que começava a dar sinais de uma enxaqueca, como nos ombros tensos. Ela estava a tentar e a dar o máximo de si para ser forte, mas se aquilo estava a ser tão duro por apenas uma manhã, que ela não sabia exatamente por quanto tempo é que poderia tentar substituir o pai. E ela punha enfâse na palavra tentar, porque sabia que tudo o que fizesse, comparado com a liderança de excelência do pai, seria uma mera tentativa.
Pôs os pensamentos pessimistas de lado, pois sabia que se continuasse por um caminho tão negativo, não teria a mínima hipótese. Tinha de se concentrar nos aspetos a seu favor, como o facto de ter conseguido manter a lealdade da Akatsuki.
Por enquanto. A sua consciência lembrou-a. Itachi tinha-a avisado que a lealdade dos membros da organização era volátil e que mudaria consoante os seus próprios interesses. Depois Kurenai dissera-lhe que permanecer na sombra da família Hyuuga era do interesse deles, uma vez que isso lhes concedia uma liberdade e proteção que eles não teriam de outra forma. Talvez fosse por essa liberdade que Itachi ficara do lado dela.
Abanou a cabeça, tentando afastar os pensamentos sobre o Uchiha. Ela ainda não conseguia perceber exatamente o que se estava a passar entre ela e um dos melhores criminosos que estavam ao serviço do seu pai, mas não tinha tempo para entrar em pânico por causa disso no momento, não quando o seu pai estava em coma e a sua família a despedaçar-se. Até porque podia não ser nada. Ou podia ser tudo. E todo o drama adolescente parecia inútil no momento, mesmo que o drama em questão envolvesse Uchiha Itachi.
Abanou novamente a cabeça, enquanto caminhava em passos decididos até à enfermaria onde o seu pai, e provavelmente a sua irmã, se encontravam. Apesar da relação atribulada das duas até ao momento, a mais velha gostaria de ter estado lá quando Hanabi viu o pai numa cama que fazia lembrar as dos hospitais, rodeado por aparelhos que permitiam que ele ainda vivesse. Ela mesma ainda não tinha entrado no quarto onde o pai repousava, mas estava a preparar-se mentalmente para isso.
Entrou na enfermaria, constatando que o compartimento se encontrava vazio exceto pelos dois seguranças, provavelmente subordinados diretos de Pein, que se encontravam em cada um dos lados da porta do quarto de urgências. Não precisou de lhes dizer nada para que a deixassem passar. Conhecendo Pein e as regras da sua própria casa, o mais provável é que houvesse uma lista restrita de pessoas que podiam, efetivamente, visitar o líder do clã e ela estava incluída.
Hinata sabia que estava a sofrer e que passar da porta branca e ver o pai numa cama de hospital não seria fácil, mas nada a preparara para a imagem com que se deparou.
Hiashi jazia imóvel na cama ao centro do quarto, vestido com o típico conjunto claro de hospital e o longo cabelo castanho espalhado em diferentes direções. O seu rosto encontrava-se extremamente pálido, quase sem vida, e tinha uma mascara ligada a uma maquinha que cobria parcialmente a sua cara. Estava rodeado de maquinas, mas Hinata nem lhes prestou atenção, porque sentada na beira da cama, com as mãos pousadas em cima das de Hiashi e com lagrimas nos olhos, estava a sua irmã mais nova.
Hanabi era forte, muito mais forte que ela algum dia seria, no entanto, ver o pai, que sempre fora uma figura imponente e altiva, num estado tão frágil afetara-a.
- Os médicos não sabem se ele vai acordar. – Foi a mais nova que falou, sem tirar os olhos da figura deitada. - Ele parece estar a dormir, não parece? - A voz de Hanabi estava rouca e triste. Uma ou duas lagrimas continuavam a cair, mas a mais nova não se parecia importar. Hinata queria dizer-lhe que, apesar de nunca ter visto o pai a dormir, tinha quase a certeza que ele não costumava dormir com um aspeto tão pálido, debilitado, quase... doentio, mas não o fez. Não o fez pelo simples facto de não querer entristecer ainda mais a sua irmã, afinal, ela mesma preferia pensar no estado de Hiashi como um sono muito profundo. - E se ele...
- Ele vai acordar. - Interrompeu, surpreendendo tanto a ela como à mais nova, que a observou por um momento antes de voltar a desviar o olhar para o pai.
- Tu não sabes isso.
- Eu não preciso saber nada de medicina para saber isso. - Suspirou, tirando a franja preta dos olhos. - O nosso pai é a pessoa mais forte que conheço. Ele vai acordar.
- Quero tanto acreditar nisso. - Limpou as lagrimas, que continuavam a cair pela sua face. - O que vai ser de nós se ele não acordar?
Hinata já tinha pensado nisso. Não gostava de o admitir, nem para si mesma, mas a verdade é que a ideia já lhe tinha passado pela cabeça. Compreendia perfeitamente o medo da irmã, ela mesma também estava aterrorizada. Toda a situação era assustadora, ela não sabia se conseguiria perder o pai, não depois de já ter perdido a mãe.
- Eu vou tomar conta de tudo. Pelo menos até ele acordar. - Prometeu, olhando novamente para os olhos do pai, esperando que ele os abrisse a qualquer momento, mas isso não aconteceu. No entanto, enquanto o observava, não percebeu a dor e revolta que passou nos olhos da mais nova.
- Tu vais tomar conta de tudo? Tu não és o pai. Nem a mãe. Não os podes substituir. - As palavras saíram como veneno e magoaram Hinata, mesmo que ela tenha tentado não demonstrar. Observou a mais nova, surpreendida com a reação.
- Eu nunca os poderei substituir. Eu nunca serei a mãe, ou o pai. Nunca tentei ser. - Confessou por fim. - Foi por isso que te afastaste de mim todos estes anos?
Hanabi ficou em silêncio, confundindo ainda mais Hinata. Antes de a mãe morrer, elas eram muito unidas e amigas, no entanto, depois do acidente trágico, que ela começava a suspeitar que não fosse apenas um acidente, tudo mudara. Hanabi afastara-se e criara uma relação que era tudo menos amigável com a mais velha, ignorando-a completamente e fazendo alguns comentários ácidos de vez em quando. Mas a herdeira nunca percebera de onde vinha toda aquela revolta contra ela.
- Não compreendes. - A mais nova voltou a baixar a cabeça, escondendo os seus olhos.
- Explica-me, então. - Disse por fim. No entanto, a outra manteve-se em silêncio. - Hana. - A alcunha carinhosa chamou a atenção de Hanabi, que voltou a encara-la. - Só nos temos uma à outra. Eu não sei se consigo fazer isto porque eu não sou forte como tu e o pai, eu não sou a mais inteligente, nem a melhor lutadora. Sempre foste tu em primeiro lugar. Eu não quero a liderança, nunca quis, mas é a única maneira de manter o pai vivo. Eu não sei se consigo fazer isto ou não, mas há algo que eu sei, eu não consigo fazer isto sem ti. - Desabafou tudo, sem se preocupar em esconder toda a agonia que a inundava.
Esperou por uma resposta ou reação por segundos que a ela, lhe pareceram horas sem fim.
- Tu não és como o pai, Hinata. Tu és como a mãe. - A sua voz estava agora muito mais firme. As palavras saiam num tom sereno, como se tivessem sido ensaiadas milhares de vezes. - E quando ela morreu, eu não sabia o que fazer. Mas tudo em ti me fazia lembrar dela. E não foi só a mim, o pai também. Depois do acidente, era doloroso olhar para ti. Tu és a imagem viva da mãe, mesmo que não te apercebas disso. Aos poucos e poucos, o pai conseguiu deixar de te olhar daquela maneira, mas eu... eu sei que não foi justo para contigo, mas eu não sabia o que mais fazer, eu...
Por esta altura, as lagrimas caiam livremente. A herdeira levou um momento a perceber que também chorava incontrolavelmente, pois finalmente percebeu que a sua irmã não a odiava. Hanabi estava magoada.
- Também sinto muito a falta dela. - Confessou por fim. Encararam-se. - Ainda penso nela diariamente. Às vezes pergunto-me como seria se ela ainda aqui estivesse.
- Tudo seria muito diferente se a mãe ainda aqui estivesse. – Não era uma afirmação venenosa por parte da mais nova dos Hyuuga, mas sim uma triste constatação.
A herdeira deu alguns passos em frente, ficando do lado contrário ao que a irmã ocupava. Tocou ligeiramente na mão do pai, sem, no entanto, a segurar, pois ela conhecia bem o pai para saber que carinho não era permitido entre aquela família. Não pegava na mão do pai desde que era criança, pois a partir de certa altura, ela passara a ser tratada com a herdeira da família. E a herdeira dos Hyuuga não podia mostrar fraqueza.
- Há minutos atrás, estive no escritório do pai. – Desabafou por fim, sentindo a necessidade de falar com alguém sobre o pai. – Só costumo lá ir para dar recados ou ser repreendida. – Sorriu de maneira triste, sem se aperceber que agora os olhos da irmã estavam fixos nela, uma onda de emoções a passar por eles. – E agora, do nada, não posso ficar quieta junto à porta como sempre fiz. Toda a gente espera... – Fez uma pausa e abanou a cabeça levemente, pronta a corrigir. – Para o bem de todos nós, eu tenho que assumir o papel do pai.
Finalmente encarou a mais nova e notou que esta tinha parado de chorar.
- Não sei como vou fazer isso se nem consigo passar para o outro lado da secretária sem sentir que estou a invadir o espaço de outra pessoa. – Confessou, dando-se conta que era verdade. Ela nunca tivera medo do pai e sempre quisera ser como ele, mas sempre existira uma barreira invisível, sem deixar de ser palpável, entre eles. Um dia, ela ocuparia o lugar dele. Ela duvidava que algum dia estivesse preparada.
- Talvez seja melhor deixares de pensar tanto no assunto e simplesmente olhares para a situação como "ir para o outro lado da secretária". Afinal, é só uma secretária. – Hanabi falou calmamente, tentando mostrar apoio.
- Mas esse é o problema Hanabi. Não é só o "outro lado da secretária", é o lado que sempre pertenceu ao pai. A cadeira em que nunca ninguém se senta a não ser o pai. – Baixou a cabeça por um momento, fixando os olhos na figura deitada entre elas. – E nós não passamos para o outro lado da secretária, essa é a regra. Sentar-me naquela cadeira seria como... – Fez uma pausa, procurando as palavras. - ... Como se ele já não estivesse aqui. O pai não está morto, eu nem consigo pensar que isso vai acontecer.
- Então, só para eu ficar esclarecida, tu não passaste para o outro lado da secretária? – Perguntou Hanabi, suspirando alto quando a mais velha acenou negativamente com a cabeça. – Mas já estiveste no escritório.
- Sim, com alguns membros da Akatsuki. Mas não me sentei na cadeira. – Ao ver o olhar questionador da outra, apressou-se a acrescentar. – Sentei-me na secretária.
E de um momento para o outro, sem a mais velha perceber o que estava a acontecer, viu a sua irmãzinha começar a gargalhar, mesmo com os olhos ainda vermelhos do choro.
- Só tu Hinata. Não te sentaste na cadeira do pai, mas sentaste-te na preciosa secretária dele feita de madeira escura vinda de um país cujo o nome eu nem devo saber pronunciar. Acho que o pai ficava menos chateado com a cadeira. – Disse por fim, um tanto divertida. Mas depois, o seu sorriso passou a ser triste. – Lembras-te de quando eramos pequenas e fomos apanhadas três vezes a tentar entrar às escondidas no escritório do pai? E dizíamos sempre que era porque estávamos à procura do pai. Até que na quarta vez, a mãe apanhou-nos.
A herdeira dos Hyuuga lembrava-se dessa história perfeitamente. Era uma das melhores memórias da mãe.
- Ela não acreditou e em vez de nos castigar, abriu-nos a porta, sentou-se na cadeira do pai e disse-nos "Vá, façam lá o que quiserem. Vai ser o nosso segredo.". – Lembrou-se Hinata, sentindo a nostalgia a invadi-la.
- Ela ficou tão surpreendida quando nós corremos para ela e sentamo-nos no colo dela. – Continuou Hanabi. – E nós não conseguíamos parar de rir, estávamos tão contentes.
- Quando ela percebeu que nós queríamos a cadeira, riu-se tanto quanto nós. E nunca contou ao pai. – Sorriu, triste. – Sinto tanto a falta dela. – Confessou, sem pensar. Só se apercebeu que as palavras tinham saído quando sentiu o olhar de Hanabi encontrar o seu e ver que os seus olhos voltavam a lacrimejar. Por impulso, chegou à frente quando a sua irmã saltou para cima da cama do pai e aterrou nos seus braços, apertando-a e soluçando no seu ombro. Hinata levou um momento a perceber o que tinha acontecido, e quando percebeu, sentou-se ela também, no fundo da cama do pai, e abraçou a irmã mais nova com força. Entre soluços, conseguiu ouvir alguns murmúrios por parte de Hanabi, levou alguns momentos para perceber que o som se assemelhava a um "Eu também".
(...)
Era uma manhã calma no colégio de Konoha, tão banal quanto possível. A maior parte dos alunos encontrava-se em aulas, enquanto outros aproveitavam o tempo livre para porem o estudo em dia ou conversarem com os amigos.
Hinata estava na aula de Kakashi, sentada ao lado de Ino, que passara a hora e meia de aula a tentar por conversa com ela, quando a campainha soou pelo recinto, indicando o fim da aula. O professor nem se dignara a dizer nada, apenas fez um sinal de mão para os dispensar enquanto continuava a ler o livro que apanhara há cerca de quinze minutos atrás, enquanto eles faziam os exercícios. Ela estava a arrumar as suas coisas enquanto Ino e Kiba trocavam ofensas, pensando no quão bom era que algumas coisas permanecessem exatamente iguais, quando uma figura loira se aproximou deles e parou em frente a Hinata.
- É... Olá. – O rapaz louro coçou a nuca, um claro sinal de nervosismo, enquanto a outra mão se mantinha a segurar a alça da mochila. Hinata olhou para um lado e para o outro antes de perceber que ele estava a falar para ela.
- Ò. – Olhou para as mãos, sem saber o que fazer com elas, e voltou ao material. – Olá.
- Podíamos falar? – Perguntou por fim Naruto. Ela viu, pelo canto do olho, que estavam sozinhos com Ino e Kiba, para além de Kakashi que continava a ler o seu livro.
- Fala. – Foi Ino quem se chegou à frente, pondo uma mão na anca e afastando Hinata de maneira protetora.
- Bem... Eu queria... – Naruto olhou de Ino para Kiba e depois para ela. Podia presumir que nenhum deles parecia amistável para o louro no momento. Sentia-se agradecida por ter amigos tão bons e gostaria de evitar a humilhação de falar com Naruto, mas sabia que isso não ia resolver nada.
- Está tudo bem Ino. – Assegurou, encontrando o olhar surpreso da amiga. – Eu encontro-vos lá fora.
Pela primeira vez, os seus dois melhores amigos pareceram não concordar com ela, mas saíram calmamente, um atrás do outro.
- Por muito que os amores juvenis me inspirem, eu estou ocupado, por isso, fora da minha sala de aula. – Foi Kakashi quem falou ao fim de longos momentos. Ela viu uma veia quase saltar da testa de Naruto antes de ele se virar para o professor.
- Seu grande prevertido. Tu queres é ficar na sala a ler livros porno, até durante as aulas é tudo o que tu fazes.
- E tu só dormes, o que explica as tuas notas miseráveis. – Rebateu o mais velho, numa posse descontraída, sem tirar os olhos do livro. – Agora, shoooo. – E abanou a mão como se quisesse livrar-se de uma mosca.
Percebendo que nunca mais saiam dali se a discussão continuasse, Hinata decidiu intervir.
- Até à próxima aula, Professor Hatake. – Disse por fim, apanhando nas suas coisas. Ainda ouviu uma troca de palavras por parte dos dois homens, mas Naruto seguiu-a. – É a sala de aulas dele.
- Mas ele está a ler livros pornográficos. Eu sei porque aquele livro foi escrito pelo meu padrinho. – Queixou-se Naruto, como se isso explicasse tudo. O padrinho dele era o diretor do colégio, mas ela não sabia que ele escrevia livros daquele género.
- O que querias falar comigo? – Perguntou por fim, querendo parar a conversa dos livros pornográficos imediatamente. Isto pareceu deixar Naruto desconfortável novamente.
- Eu queria... – Fez uma pausa, parecendo incerto quanto às suas palavras. – Eu queria pedir-te desculpa Hinata.
Ela não sabia exatamente o que esperar do louro, dada a ultima interação na cafetaria, mas o pedido de desculpas surpreendeu-a.
- Não precisas...
- É claro que preciso. – Interrompeu-a, fixando os olhos muito azuis nos dela. Parecia envergonhado, mas determinado. Conseguia ver aquela determinação que ela tanto admirava na sua postura. – Ouve, Hinata, o que aconteceu na cafetaria foi horrível. A Sakura foi horrível contigo e eu não fiz nada para a parar. E eu não sabia... – Parou, corando ligeiramente. – Eu não sabia como tu te sentias em relação a mim.
- Não foi o que pareceu. – Disse por fim, lembrando-se da cabeça baixa.
- Eu não sabia. Tinha sido um mau dia para mim e acho que só cai em mim quando o Kiba quase me bateu. – Ao ver o olhar alarmado dela, ele acrescentou. – Ele tinha razão para isso. Eu agi como um imbecil e tu és minha amiga. Não importa o quão mal estivesse, eu devia ter feito alguma coisa...
- Eu acabei no meio de uma das guerras entre a Ino e a Sakura. A culpa não é tua. – Assegurou ela, olhando para a parede. – E quanto ao resto, não precisas de te preocupar, não é como se eu...
- Eu gosto de ti Hinata. Tu és minha amiga. – Disse o louro, interrompendo-a. – E és uma das pessoas mais bondosas que conheço, só devias abrir-te mais para as pessoas. Fazer amigos é importante e... – Ele parou a meio da frase e voltou a coçar a nuca. – Desculpa, eu falo muito quando estou nervoso. O que eu quero dizer é que tu és uma rapariga espetacular que merece alguém que a ame incondicionalmente.
Ela ficou a olhar para o rapaz louro à sua frente, piscando uma vez, duas vezes, enquanto raciocinava. Levou uns segundos a perceber onde ele queria chegar.
- Como tu amas a Sakura. – Completou ela, espantada pelo facto de não sentir a dor alucinante no seu peito que costumava sentir cada vez que pensava em Naruto apaixonado pela rapariga de cabelos cor de rosa que não lhe dava valor.
- É. Mas não é reciproco. – Sorriu, triste. - Ela deixou isso bem claro.
- Como sabes? Já tentaste dizer-lhe? – Perguntou, honestamente curiosa. Parecia algo que Naruto faria.
- No dia da cena da cafetaria, mais cedo. – Confirmou ele.
E de repente, toda a tristeza dele naquele dia fez sentido.
- Eu disse à Sakura que aquilo que ela fez está errado. No fundo, eu acho que ela sabe, só que tem uma grande necessidade de se afirmar. Principalmente com a Ino e...
- Obrigada Naruto. – Agradeceu por fim, interrompendo o rapaz. O louro olhou-a, surpreendido com o agradecimento genuino da colega.
- Não tens nada que agradecer. Quanto mais devias estar chateada comigo, não acredito que deixei que aquilo tudo acontecesse e fiquei calado. E tu não merecias aquilo que a...
- Eu sei. – Interrompeu novamente. – E obrigada à mesma, por seres alguém que eu posso admirar. És uma boa pessoa. – Fez uma pausa, respirando fundo e concentrando-se nos olhos azuis, gentis e brilhantes, do amigo. – E eu perdoo-te.
Naruto sorriu e aproximou-se. Ela demorou a perceber que o rapaz a levantara do chão e começara a rodopiar, contente. E tudo o que ela fez foi rir enquanto tentava, a todo o custo, equilibrar-se com as mãos nos ombros dele. Era a primeira vez que ela ria assim desde que recebera as noticias do seu pai. E era bom esquecer, mesmo que por um momento.
O que Hinata não percebeu, é que não estavam sozinhos. No fundo do corredor, escondida por trás dos cacifos, Karin ouvia a conversa. E não lhe passou despercebido que, de um momento para o outro, a rapariga tímida tinha deixado de gaguejar.
- Quem és tu, Kamiya Hinata? – Sussurou para si mesma.
(...)
Numa grande sala mobilada com móveis antigos, iluminada apenas pela luz que provinha da grande lareira embutida à frente de uma poltrona de cor vermelho sangue, um homem alto repousava enquanto olhava fixamente para as chamas e abanava ligeiramente o seu copo de whiskey com gelo.
Foi interrompido com algumas batidas na porta, mas nem se dignou a responder. Sabia exatamente quem era e já esperava a sua presença, por isso, não fez nenhum movimento enquanto o outro homem abria a porta, entrava e a fechava atrás de si. Sentiu-o aproximar-se e parar, a cerca de um metro da poltrona.
- É curioso como as tuas lealdades mudam. – Os olhos cor de sangue não deixaram o fogo enquanto levava a bebida aos lábios.
- A minha lealdade está com o vencedor. Sempre. – Proferiu o recém-chegado, numa voz confiante e sem o mínimo de culpa.
- Levaste algum tempo a voltar. – Disse o mais velho antes de tomar um golo e pousar o copo na mesa de madeira escura do seu lado direito. – Orochimaru diz que tu não foste... prestável relativamente à sua causa.
- Orochimaru estava condenado a falhar desde o inicio. Hyuuga Hiashi não é um homem que possa ser subestimado. – A resposta veio rápida e fria. – Não voltei por acreditar que ele será vencedor.
- Não. Suponho que não. – Olhos cor de sangue encontraram outros através de um espelho antigo que se encontrava na parede, dando perfeita visão do homem que se encontrava no meio da sua sala. – Mas não deixa de ser uma surpresa que te tenhas juntado à Akatsuki nas rédeas de Hiashi.
- Com os Uchiha fora de cena, os Hyuuga são a família mais poderosa. – Constatou por fim, curvando os lábios num sorriso sádico. – E não é minha culpa que os Uchihas tenham sido exterminados.
- Exterminados pelo seu próprio sangue. – Fez um gesto em direção à outra poltrona. – Senta-te. Conta-me, como está o meu sobrinho?
- Qual deles? – Questionou o outro homem, embora soubesse perfeitamente de quem o outro falava. Perante o olhar cortante que recebeu, limitou-se a sorrir. – Itachi cresceu. Parece-se demasiado contigo.
O homem mais velho curvou os lábios num sorriso de desprezo ao ouvir tais palavras.
- Tenho a certeza que o meu irmão pensava o mesmo. Itachi não saiu a ele. – Depois, voltou o foco ao que era realmente importante. – Mas ele não será uma ameaça. A sua maior fraqueza está nas minhas mãos. A Akatsuki sabe quem está por trás da morte de Hiashi, então, explica-me, porque permanecem?
- Todos suspeitamos que voltara assim que o ataque sucedeu. Procurei pela sua presença assim que soube, mas os outros acham que Hiashi ainda vai acordar. A filha de Hiashi assumiu a liderança e, sabe-se lá porquê, a Akatsuki decidiu segui-la.
Isto pareceu ter algum efeito no homem apático, que pareceu quase surpreso por segundos.
- A filha de Hiashi é só uma criança que foi protegida dos olhos do publico toda a sua vida, o que pode ela prometer-lhes? – Observou enquanto que o outro apenas abanou os ombros e murmurava um "Não faço a mínima ídeia".
Isto eram más noticias e ele resistiu ao impulso de massagar as suas temporas numa tentativa de fazer a dor de cabeça que se começava a formar desaparecer. Nunca mostrara fraqueza para ninguém e não ia começar agora.
- Estás a dizer-me que a Akatsuki, a organização com os piores criminosos da história, decidiu trabalhar para uma pirralha que mal saiu das fraldas?
- É mais complicado que isso. – O homem mais novo apenas olhou para a lareira antes de continuar, pois sabia que o outro esperava uma complicação. – Hiashi deixou bem claro que a sua herdeira assumiria os negócios de família, no entanto, nem ele parecia acreditar que ela estaria à altura. É inexperiente e ingénua, uma grande falha no clã, na minha opinião. Não se parece nem com o pai, nem com a mãe.
- Interessante. – Murmurou para ele mesmo, mas assim que percebeu que tinha sido ouvido, a sua mascara de frieza recompôs-se. - Se ela é assim tão inútil, porque é que a Akatsuki não se voltou contra ela?
- Eles parecem ver algo nela. Especialmente o seu sobrinho e Pain. – Deu de ombros, como se isso explicasse tudo. E de certa maneira, explicava. Não era segredo que Pain liderava a organização e que Itachi era o segundo no comando. Os outros limitavam-se a seguir.
- O meu sobrinho é tolo o suficiente para acreditar numa miúda da idade... – Fez uma pausa, fazendo cálculos mentais. - ... de Sasuke?
- Itachi é o mais próximo dela. – Confidenciou o outro homem, dando um sorriso matreiro que contrastava com o cabelo pintado de verde. – Na verdade, há rumores que são amantes.
Isto fez o mais velho curvar os lábios num sorriso sádico.
- Presumo que a tua lealdade tenha mudado, Zetsu. – Disse o homem por fim, encarando os olhos cheios de sadismo e maldade sem alterar a sua expressão estoica. – Assim sendo, diz
- A minha lealdade nunca mudou, apenas esperei pelo seu regresso, Madara. – Garantiu, encarando os olhos cor de sangue tão parecidos aos do sobrinho, mas com mais sabedoria e segredos guardados. Percebendo que algo era esperado dele, afinal, o Uchiha nunca voltaria a confiar nele sem provas da sua lealdade, apressou-se a dizer. – Precisas de tirar Hyuga Hinata da equação.
(...)
Hinata fechou os olhos quando sentiu uma dor aguda invadir o seu crânio quando este bateu novamente contra os cacifos. As suas mãos, pálidas como a neve, permaneciam nos braços que a prendiam contra os cacifos de maneira violenta.
- Vai com calma, Karin. – Ouviu uma voz masculina a dizer, à distância, que por exclusão de partes devia pertencer a Jugo. Isto porque Suigetsu encontrava-se encostado à parede no seu ângulo de visão e a rapariga ruiva de óculos estava à sua frente, imobilizando-a com o seu corpo e pressão executada na sua garganta.
- Não te vou deixar ir até falares, Kamiya. – Ameaçou Karin, ignorando completamente o amigo e fulminando-a com o olhar. – Sei que não és quem dizes ser. Por isso, quem raio és tu?
- Eu não... – A morena tentou falar, mas apercebeu-se que não sabia o que dizer. A pressão da mão da outra, fechada sobre a gola do seu uniforme, pressionava a sua garganta, impedindo-a de pensar corretamente. E o seu raciocínio continuava a ser interrompido pela dor de cabeça que se começava a formar por a outra ter lançado a sua cabeça repetidas vezes contra o metal. – Eu não sei do que-que falas.
- Sabes perfeitamente do que estou a falar. Os teus documentos são falsificados e até há alguns anos atrás, tu nem existias. – Proferiu as palavras com veneno, mas não detetou qualquer reação na Hyuuga. – E depois há esses olhos. Só membros do clã Hyuuga têm esses olhos.
A morena sabia que era completamente inútil esperar que alguém aparecesse no corredor àquela hora, estavam todos na cafetaria.
- Eu não... – Murmurou Hinata. – Eu era uma criança doente, eu... – Gaguejou. – Passava o meu tempo no hospital.
- Achas mesmo que vou acreditar nisso? – Resmungou a ruiva enquanto bufava. A sua paciência estava a acabar.
- Isto é uma perda de tempo.
Todos se viraram para Suigetsu, que observava a cena aborrecido. Ele observou Hinata por um momento antes de encolher os ombros.
- Estás a assustar a miúda e... – Não conseguiu acabar a frase, pois foram interrompidos.
- Mas o que é que se está a passar aqui? – A voz feminina e dura de Kurenai ecoou pelo corredor, fazendo com que Karin a libertasse com a surpresa.
- Merda. – Praguejou, num murmúrio. Depois, olhou para a outra rapariga e ameaçou, entre dentes. – Se abres a boca, garanto que te vais arrepender.
Foi a última coisa que disse antes de virar e seguir os dois amigos que se apressaram a desaparecer pelos corredores perpendiculares antes que a professora os alcançasse. Hinata ficou ali, quieta, tentando regular a sua respiração.
- Hinata, estás bem? – Só se apercebeu que Kurenai já estava ao seu lado quando esta tocou no seu braço. Olhou para a amiga da sua mãe, que a analisava com preocupação visível, antes de se aperceber que havia outra pessoa no corredor, afastado, a observar.
- O que fazes aqui? – Foram as suas primeiras palavras, destinadas ao rapaz que a olhava com indiferença.
- Foi ele que me chamou, Hinata. – Explicou a mais velha, fazendo com que atenção se desviasse de Neji. – E ainda bem que o fez. O que se passou?
- Karin descobriu que Kamiya Hinata não existe. – Proferiu, e viu a preocupação ocupar o rosto dos outros dois. – Não sabe quem eu sou, mas presumo que seja uma questão de tempo.
- E aí todos saberão e tu ficas em risco. – Concluiu o seu primo.
Kurenai massagou a cabeça da mais nova e analisou o pescoço vermelho, para ter a certeza que não era nada de grave.
- Tens treinado comigo todos os dias. – Isto pareceu atrair a atenção de Neji, que ficou surpreso e confuso ao mesmo tempo. Era previsível, uma vez que o seu primo não sabia de nada sobre a sua mãe e a amizade desta com Kurenai, ou que Hinata decidira ser treinada pela professora. – Podias ter-te defendido, porque deixaste que eles te encurralassem?
A Hyuuga suspirou.
- É improvável que Karin tenha vindo atrás de mim apenas por curiosidade. Eles suspeitam de algo, mas se eu tivesse revidado, eles saberiam exatamente quem eu sou.
Perante a explicação, todos ficaram em silêncio até que por fim, Neji deu um leve aceno de cabeça à prima e começou a caminhar na direção da cafetaria. Quando as duas mulheres ficaram sozinhas, Kurenai olhou severamente para a mais nova antes de lhe perguntar se queria ir à enfermaria, mas a sua oferta foi rapidamente recusada.
- Vejo-te hoje à noite. – Disse Hinata, em modo de despedida, antes de começar a caminhar calmamente até à cafetaria onde encontraria Ino e teria de inventar uma desculpa qualquer para a sua ausência.
A verdade era que estava habituada a ser o elo mais fraco, a não lutar e não se envolver em confusões. Quando Karin apanhou a sua gola e a mandou contra os cacifos, ela teve que exercer todo o seu autocontrolo para se deixar levar em vez de ripostar. E durante o ataque, ela quisera ripostar. A sua cabeça estivera cheia de ideias e técnicas que poderia utilizar baseadas na sua análise do perfil de cada um dos amigos. E o pior de tudo, é que esta súbita mudança ocorrera em tão pouco tempo de treino, tanto com Kurenai como com Itachi, que ela começava a perguntar-se o que viria a seguir.
Continua...
BIBIG – Obrigada! Aqui está o capítulo seguinte, acabadinho de sair do forno! Espero que gostes. Beijinho
Nani – Aqui está a continuação, espero que gostes!
Ji – Perspetiva muito interessante. O Madara tem interesse na Hina, mas não dessa forma! No entanto, posso dizer que o Madara tem ou teve interesse em alguém e que isso vai ser super importante! Prometo mais momentos do casal favorito para a próxima. Beijinho!
Hu – Muito obrigada por acompanhares! E claro que vou continuar! Espero que gostes deste novo capítulo! Beijinho!
AnayHyuuga27 – BEM VINDAAAAA! Desculpa a demora! Mil desculpas, eu sei que as minhas leitoras lindas não merecem, mas eu levei seculos a por este capítulo como queria! Omg, muito obrigada por todos os elogios! Melhor Itahina? Que sonho. É uma honra. E fico feliz de te ter "convertido" para Itahina! Também gosto de SasuHina, mas o Itachi... Ai o Itachi, é o homem dos meus sonhos, que posso fazer? Ahah Não desisto, prometo! Espero que gostes do capítulo e que deixes a tua opinião! Beijinho enorme*
B – Aqui está o capítulo! O Itachi é possessivo, como se pode ver! Mas ainda se vai ver melhor. O Sasuke... bem, o Sasuke vai ter um papel vital no futuro! Espero que gostes do capítulo e que continues a acompanhar!
Danda – Obrigadaaaaaa! Espero que continues a gostar.
Fernanda – A interação Itachi-Hina-Sasuke vai acontecer, não exatamente dessa forma, mas vai acontecer! E vai ser explosiva e de uma maneira inesperada! Ou pelo menos espero que seja inesperada! Espero que gostes do capítulo! Beijinho*
Na – Não foi abandonada não! Estou aqui e trago o novo capítulo, que espero desde já que seja do teu agrado! Beijinho*
