10º Capítulo: Catherine quer o seu final feliz, mas...
Sara não enxergou mais ninguém, além de Grissom, com a filha no colo.
- GIL! O que você está fazendo aqui?
- Eu e minha filha estamos nos conhecendo. – Disse beijando a menina,
- Estou vendo! Não foi isso que eu perguntei!
- Eu vim te buscar, Sara!
- Depois de um ano? Trouxe os papéis do divórcio?
- Que divórcio, Sara? Não falei a sério! Estava magoado!
- E levou um ano para saber disso?
- Gosto de analisar tudo muito bem! E quando você ia me contar dessa bonequinha? - Beijou carinhosamente os cachinhos da filha.
A partir daí, começaram a linguagem dos olhares, que exasperava Catherine, que nunca tinha conseguido dominar esse idioma, nem mesmo tendo se apaixonado. Ficava irritada, porque gostava de saber de tudo. E aquelas duas figuras singulares, não lhe forneciam a mínima informação, que amanhã todos iam querer saber.
Robin resolver agitar: olhou para a mãe, olhou para o pai, viu que ninguém dava bola pra ela, amarrou a cara, fez biquinho, ficou emburrada e pôs a boca no mundo. Catherine pôs as mãos no ouvido.
- Meu Deus! Que pulmões, têm essa menina!
Sara saiu daquele quase transe hipnótico, foi até Grissom pegar o bebê e olhando o relógio da sala, exclamou:
- Desculpe filha! Já estou atrasada para a sua janta.
Grissom estava meio confuso, com aquela barulheira e com o fato de Sara agora, ter outras prioridades. Apesar do choro da menina, não ter sido causado por ele, sentia-se aliviado, em entregar Robin a sua mãe.
- Aonde você vai?
- Vou alimentar sua filha, antes que ela arrebente os tímpanos do quarteirão! – Disse Sara, inconscientemente, rebolando na frente do marido.
- Humm... Você andou ganhando umas curvas voluptuosas querida!
- São as marcas da maternidade... E você está um pouco gorducho...
- Sim – respondeu, dando-lhe seu sorriso de menino. – Você sabe, quando fico ansioso, mastigo sem parar, e sem você para acabar com a minha ansiedade...
Sara perguntou ao marido com voz rouca, que Catherine nunca ousou pôr nessa frase:
- Vou dar de mamar a Robin, você quer assistir?
Grissom aceitou e Catherine disse ter ouvido barulho de chave.
- Que eles vão fazer no quarto trancados?
- Não sei e não quero saber. Só me interesso por uma loira maravilhosa, com quem gostaria de passar o resto dos meus dias. – Respondeu Howard, meio amuado.
Catherine foi sentar perto dele, no sofá. Ajeitou com carinho, o cabelo lisodele, que insistia, em cair em cima dos olhos.
- Realmente? – Ela olhou-o meio incrédula.
- Olhe gosto muito deles; são nossos amigos, estarei sempre aqui, para apoiá-los, mas não pretendo viver a vida deles, nem re-editar a história deles. Quero criar uma nova história com você, mulher adorável!
- Por um acaso, é um pedido de casamento. Howard Byron Simmons?
- Por um acaso é! Sei que não é nem a hora nem o lugar, mas enfim... Quer se casar comigo, Catherine Willows?
Ela não resistiu e beijou-o até perderem o fôlego.
O professor foi surpreendido pelo rompante inesperado dela. Digamos que tinha sido uma bela surpresa.
- Devo considerar isso como um sim?
Ela se afastou dele. Levantou-se, torcendo as mãos, tendo uma sombra bem em seus olhos.
- Fiquei muito lisonjeada com seu pedido, Howie. Mas... sabe que não posso aceitá-lo, quando Lindsey, não aceita você. Eu sinto muito!
- Com tudo que ela te fez?
- Ela sempre virá em primeiro lugar Howie: é minha filha! Você não tem filhos, não sabe como é...
Catherine arrependeu-se de ter falado isso, assim que as palavras saíram de sua boca, mas agora era tarde: já tinha dito. Ele levantou-se e cabisbaixo, dirigiu-se para a porta. Numa patética tentativa de detê-lo, ela gritou:
- Howard, por favor, fique! Ainda podemos nos encontrar...
- Para quê ? Para não chegarmos a lugar nenhum? Eu te amo demais, para termos um caso. Eu quero me casar com você!
Ele bateu a porta e ela ficou lá, parada no meio da sala. Começou a chorar, enquanto repetia;
- Adeus, Howard, também amo você...
Pouco depois, ouviu a porta do quarto se abrir e, um barulho de vozes. Enxugou o rosto com as mãos e esforçou-se para parecer natural.
- Como vocês demoraram!
- A nenê demorou a dormir, - Se adiantou Grissom, com a camisa abotoada errada nas casas e Sara com os cabelos desalinhados.
- Que estranho! Ela mama e dorme, às vezes nem acaba de mamar já tomba, vencida pelo sono.
Como sempre Grissom se afogava num dedal. Seu belo bronzeado fugiu, dando espaço a uma palidez mortal. Foi falar e as palavras não saiam; ele parecia engasgar com ele mesmo. Como sempre, Sara salvou-o de novo... Era incrível, como uma pessoa tão brilhante em certas coisas, pode ser tão incompetente em outras...
- Só para ser diferente, hoje ela não queria dormir... E Howard? – Perguntou para Catherine.
- Ele se foi...
- Que ele foi embora estou vendo, mas sem se despedir?
Catherine não agüentou mais e, entre lágrimas desabafou com Sara, que por se sentir feliz, não admitia que alguém perto dela estivesse infeliz. Ela pensou um pouco e pediu para Catherine falar para Lindsey vir a sua casa, que precisava falar com ela. Enxugando as lágrimas, Catherine olhou espantada para a amiga:
- O que você poderá dizer, que já não lhe tenhamos dito!
- Apenas confie em mim, está bem?
Alguns dias depois, ao sair da escola, Catherine deixou a filha na porta da casa de Sara, tratando de refrear sua natural curiosidade, nem saiu do carro; seguiu direto para o laboratório. Naquela noite, Grissom apareceu, antes do turno. Estava descansado, com um sorriso no rosto, bem diferente da outra vez. Disse que estava vindo se despedir. Ia voar para Paris, ainda naquela noite.
- Sara vai com você? – Perguntou-lhe Greg estabanadamente.
- Não. Ela ficará cuidando de Robin, enquanto eu cuido de nossa mudança pra cá.
- Ah, então voltará p/ nós? –Perguntou Catherine.
- Para Las Vegas, sim. Ao menos eu e Sara ficaremos na mesma cidade... - riu e depois, balançou a cabeça. – Para o CSI? Não... meu tempo passou... Vocês estão se dando bem sem mim, não vamos fazer confusão...
Dois dias mais tarde, Lilly passou-lhe um recado, assim que ela acordou: o prof. Schuster esperava por ela, às três horas. Dizia respeito a Lindsey...
- Outra vez? O que Lindsey andou aprontando agora?
Lilly não fazia idéia! Deu de ombros e continuou a almoçar, como se nada tivesse acontecido. Afinal, aquele era um problema que só a filha podia resolver.
Catherine foi bem pontual: às três horas em ponto ela estava na frente do diretor, nessa vez, ela nem precisou esperar para vê-lo, como da última vez.
- Boa tarde! O que está acontecendo? Ela aprontou outra vez?
- Espere um pouco, logo a senhora saberá do que se trata... - disse o Prof. Schuster.
A porta se abriu e o Prof. Simmons surgiu. Catherine ficou emocionada e com dificuldade indagou:
- VOCÊ? O que Lindsey fez agora?
- NADA! Não fui eu quem convocou essa reunião!
- NÃO?- E ela estava perplexa.
