Capítulo 10
The Noble and Most Ancient House of Black

Nas duas semanas que se seguiram, a única coisa da qual se falava em Hogwarts High era do baile de inverno, o que de certa forma era bom, já que a matéria falando sobre Harry e Draco logo fora esquecida.

Era a terça-feira antes do baile, as provas começariam na segunda-feira seguinte e Draco e Harry passariam o resto da tarde estudando juntos. Ou pelo menos esse era o plano se Harry não tivesse arrastado o loiro para a quadra para ver o treino de Cedric.

Certo, Harry não o havia arrastado, Draco mesmo se arrastou para lá, com apenas um propósito em mente: não deixar Cedric se aproximar demais.

Tudo ia muito bem, o jogo estava animado, até que a treinadora perguntou a Harry se o garoto não queria ajudar Cedric, já que sua dupla havia faltado. Excitadíssimo, o moreno trocou a camisa e a jaqueta pela camisa do uniforme que tinha na bolsa – fazendo Draco travar uma guerra consigo mesmo para não secá-lo descaradamente –, juntando-se ao mais alto num simples jogo de passe de bolas.

Draco sorriu com uma cesta espetacular que Harry fez, mas seu rosto esquentou-se quando Cedric, no auge da comemoração, deu um tapa na bunda de Harry. O moreno pareceu nem se importar, continuando com o jogo.

Na segunda cesta, Cedric repetiu o ato, deixando sua mão lá por mais tempo do que da primeira vez, e num ímpeto, Draco pôs-se de pé, a postura reta e os músculos tensos. Não demorou muito para que o mesmo voltasse a acontecer, dando seqüência a uma apertada fraca na nádega do moreno.

Sem pensar muito o loiro desceu da arquibancada, seguindo em passos rápidos em direção ao gigante, ignorando os apitos da treinadora. Adorando a expressão de terror no rosto de Cedric enquanto ele se aproximava, Draco fingiu não haver diferença entre suas alturas e agarrou a gola da camisa branca, preparando-se para enchê-lo de socos.

- Draco! – Harry segurou o pulso do loiro, empurrando-o pelo peito com força em seguida, tirando-o de perto do garoto mais alto. – Pare. Vamos.

- Qual é seu problema, Malfoy? – Perguntou Cedric ajeitando a camisa.

- Você é meu problema! – Draco bradou. – Você! Fique longe do Harry, está me ouvindo? Se você ficar longe dele, não teremos mais problemas!

- Draco, vamos. – O moreno continuava a empurrá-lo. – Vamos embora. Vamos.

Harry ainda empurrou o loiro por um longo caminho de volta ao refeitório. O loiro bufava, jurando voltar lá e deformar a cara de Cedric.

- Ora, aquele grande idiota! – Draco resmungou.

- Draco, já chega. – Harry parou de frente para o loiro. – Cedric estava mais do que disposto em manter a paz, mesmo com você por perto, mas você é incapaz de deixar suas infantilidades de lado, não é?

- Infantilidades? Agora eu sou infantil? – O loiro analisou o amigo incrédulo. – Só você não vê o que ele está fazendo, Harry. Como você mesmo disse que ele tanto queria, ele está tentando nos separar, e você está fazendo o plano dele dar certo.

- Mas que absurdo. – Ele rolou os olhos. – Vamos embora.

- Eu pensei que fossemos estudar.

- Nós vamos, mas não aqui. Não vou conseguir me concentrar sabendo que a qualquer momento você pode fugir e ir atrás de Cedric.

- E para onde vamos?

- Para casa de Sirius. Ele está com meu pai, ajudando-o nas novas estratégias de Marketing, então a casa dele está vazia.

- Harry, isso não me agrada nem um pouco. Se seu padrinho sequer imaginar que estive na casa dele, ele vai me caçar e me matar.

- Como você é dramático. – Harry riu. – Não, sério, está tudo bem. Vamos lá.


Draco estacionou atrás do carro de Harry, perto da calçada. Olhando ao redor não se via nada mais além de uma rua calma. Largo Grimmauld, número 12, Harry havia dito. A tal casa tinha janelas longas, delgadas e espelhadas, impedindo a visão de qualquer coisa lá dentro. Seguindo Harry, eles subiram os degraus de pedras gasto em direção à porta preta desbotada cheia de arranhões, e o moreno virou a chave que ele tinha na fechadura, girando a maçaneta prata com forma de serpente enroscada – detalhe que fez Draco dar um sorrisinho.

O corredor estava escuro até o moreno apertar um interruptor torto na parede, e o caminho se mostrou tão longo quanto estreito, um cheiro adocicado vinha com uma umidade abafada. Olhando para cima, Draco fez uma careta para o lustre que pendia no cômodo com pé alto e estava cheia de teias de aranha.

- Vamos, por aqui. – Disse Harry segurando a mão de Draco, que olhava tudo ao seu redor.

Ao longo do corredor ainda havia diversos quadros tortos e escurecidos pelo tempo. À frente a porta da cozinha Draco seguiu pela escada com um olhar, não podendo ir muito longe, pois Harry quebrou sua analise ao puxá-lo para o que ele acreditava ser a sala de jantar. No centro do cômodo se via uma mesa longa e estreita, cercado por um guarda-louça de pelo menos 4 metros lotado de pratarias com brasões e pratos de porcelana.

Toda a casa parecia ter o aspecto longo e esguio, os móveis que Draco tinha visto até agora eram de mogno marrom e preto, parecendo todos desgastados.

Harry largou sua mochila sobre a mesa e o loiro o imitou, lançando o olhar para a porta aberta da cozinha em seguida. Viu que as paredes eram de pedra bruta e diversos tachos e panelas balançavam levemente enquanto pendurados no teto.

- Quantos anos têm essa casa? – Draco perguntou ainda olhando tudo.

- Não tenho certeza, mas acredito que várias décadas, talvez séculos. – Harry deu de ombros. – Você está com fome? – Ele sorriu quando o loiro olhou espantado para a cozinha. – Duvido muito que Sirius tenha comida em casa. Vou pedir uma pizza pra gente.

- Por favor. – O loiro assentiu.


Demorou menos que o normal para que Harry fechasse os olhos e deitasse a cabeça sobre a mesa, como ele sempre fazia quando cansava. Os dois pratos e copos estavam empilhados sobre a caixa de pizza vazia no meio da mesa.

- Vamos dar uma pausa? – Pediu o moreno.

- Já? – Draco soltou uma risada nasal. – Eu vou ao banheiro e vamos para inglês quando eu voltar, está bem?

- Certo. Subindo a escada, primeira porta à esquerda.

Harry viu Draco fazer o caminho que ele indicou com receio e sorriu. Aquilo estava ficando ridículo. O moreno devia parar de desejar tanto o loiro. Ele era seu melhor amigo, ora essa, e não deveria ter sonhos e pensamentos inapropriados com Draco. Era errado, muito errado.

O moreno suspirou cansado. Conhecia o garoto há mais de dois meses e a cobiça parecia apenas aumentar. Quanto mais ele ficava com Draco, mais o sentimento parecia impossível de controlar. Às vezes, em seus momentos surreais, Harry podia jurar que estava sendo correspondido, mas ele tinha medo de fazer aquela parede que ele demorou tanto pra derrubar ressurgir.

Ao voltar à superfície de seus pensamentos, Harry se deu conta de que o outro estava demorando muito a aparecer e pensou que talvez ele houvesse se perdido. Subindo as escadas o moreno percebeu que havia se equivocado. O banheiro era na terceira porta, não na primeira.

Raramente aquela porta pela qual Harry entrou para encontrar o loiro estava aberta. O moreno nunca havia entrado ali e Sirius nunca disse o que havia por trás da porta. Finalmente Harry podia ver.

Uma tapeçaria de lã autêntica cobria as quatro paredes do cômodo vazio. Finos ramos se espalhavam por todas as direções. A tapeçaria parecia imensamente velha e desbotada. O fio de ouro com que fora bordada conservava brilho suficiente para mostrar uma enorme árvore genealógica que remontava à idade média. A árvore genealógica dos Black.

- Seu senso de direção não é muito bom, Harry. – Draco disse com ar de riso.

- Esse quarto sempre está trancado. – Harry contou, olhando ao redor, vendo nomes e rostos que não conhecia.

- Bem, a porta estava aberta. Acho que seu padrinho andou visitando esse cômodo ultimamente. E acho que sei por que. – Só então o moreno percebeu que o loiro analisava um ponto apenas. – Veja, Harry. Sou eu aqui.

Em passos urgentes Harry se aproximou, observando o rosto angular na tapeçaria. Uma faixa de ouro ligava o nome Narcissa Black com Lucius Malfoy e um ramo fino na vertical que saia do nome dos dois ao nome de Draco Malfoy. Com os olhos arregalados Harry soltou uma exclamação.

- Você é da família de Sirius!

- Estou tão surpreso quanto você, acredite. Eu não fazia a mínima idéia. – Draco continuava olhando seu nome na tapeçaria. – Minha mãe é prima dele.

- E você também. De 2° grau.

- Sim.

- Nossa. Isso parece meio surreal. – Harry passou a mão pelos cabelos.

- Você acha que é esse o grande problema entre nossas famílias, Harry? – O loiro levou seus olhos ao rosto bonito de Harry. – Uma briga de família?

- Talvez. Sirius deveria estar aqui. – Ele apontou para um buraco queimado.

- Minha mãe não me contaria o que aconteceu.

- Eu posso tentar falar com Sirius, mas se o problema for mesmo esse, dificilmente ele vai me dizer. – Harry disse, desanimado, voltando à sala com Draco ao seu lado.

- Isso tudo é muito estranho. Parece um segredo de estado ou qualquer coisa do tipo. Meu pai parece medir cada uma de suas palavras quando fala comigo sobre você e sua família, como se tomasse cuidado pra não deixar nada escapar e me mãe às vezes parece falar em códigos, mas eu não os compreendo.

- Eles acham que nós não entenderíamos, que somos muito novos. – Harry recolheu os pratos e a caixa de pizza sobre a mesa, indo em direção a cozinha, Draco ainda o seguia.

- Na verdade, eles estão sendo mais crianças do que nós. – De repente Draco soava indignado. – Essa briga deles é mais velha que nós e eles estão longe de superá-la. É tão patético.

- Se seu pai sonhar que você o está chamando de patético, você está ferrado. – O moreno disse, brincalhão, encostando-se no balcão da pia.

- Eu não estou chamando-o de patético. Essa situação toda é patética. A atitude deles é patética. Pelo amor de deus, eles são adultos, tem filhos, tem suas empresas, mas vivem nessa rixa desde não sei quando.

- Eu tenho que concordar, mas o que de fato me irrita é que nós não temos nada a ver com essa história, mas cá estamos estudando escondidos. – Harry bufou. – Eles que deveriam se esconder.

- Cansei disso, Harry. – Disse o loiro se aproximando mais do que Harry gostaria; seu autocontrole agora era uma corda bamba. – Cansei das artimanhas dos nossos pais e padrinhos para nos separar.

- Eu me lembro de dizer aos meus pais que minha vida não ia mudar só por que eu conheci você. – Ele deu um sorrisinho sem graça. – Mas mudou. Começando por ir a todos os lugares que nós vamos escondidos. Eu nunca fui de mentir sobre onde estava ou com quem estava.

- Oh, então eu corrompi o Santo Potter? – Draco deu uma gargalhada que soou perfeitamente sexy aos ouvidos de Harry. – Eu não me sinto mal por isso, fique sabendo.

- Eu sei que não. Na verdade, tudo fica mais divertido quando eu sei que seu pai pode aparecer a qualquer momento e me presentear com um tiro no meio da minha testa.

- E quanto a mim? Estou na casa do seu padrinho psicopata que arrancará minhas entranhas com as próprias mãos se me vir por aqui. – Ambos riram.

- Sei que Sirius não ficaria nada satisfeito em ter um Malfoy em sua nobre casa, mas ele aceitou que sua amizade é importante pra mim. – A corda bamba de seu autocontrole deu uma balançada violenta quando as íris azul-prateadas brilharam.

- Mesmo? – Draco deu um sorrisinho.

- É. – Envergonhado, Harry passou a mão pelos cabelos e viu quando o olhar brilhante caiu sobre os músculos de seu braço que se contraíram no movimento.

- O que você disse a ele sobre mim?

- Hm... Nada demais. – O estômago de Harry afundou três quadras quando o loiro deu um passo à frente, invadindo seu espaço pessoal. – Draco. – Ele murmurou.

- Sim? – A inocência fingida do loiro era uma tremenda de uma sacanagem. O desgraçado sabia o que estava fazendo. – Diga, Harry.

- Por favor. – A respiração calma de Draco batendo em seu rosto serviu como uma lufada de vento na corda bamba de seu controle. O loiro tinha que se afastar ou Harry faria uma grande besteira.

- O que foi? – Draco perguntou baixinho, quase num sussurro.

Draco aproximou-se ainda mais, praticamente colando os corpos, e inclinou-se para depositar um tímido beijo ao pé de seu ouvido esquerdo. Um tremor violentou corpo de Harry ao que o loiro se afastava e mordia o lábio inferior, sugando-o para dentro da boca. Seus olhos se estreitaram, tentadores. Harry não resistiu ao impulso de enlaçar a cintura fina e girá-los, pressionando o outro entre o balcão e seu próprio corpo.

Cedendo aos impulsos com uma ligeira impressão de que iria se arrepender mais tarde, Harry colou os lábios. Segundos depois e sem nenhum tipo de resposta d a parte de Draco, ele já estava se afastando, mas a mão do loiro agarrou sua nuca e puxou-o de volta. Desta vez, suas bocas se encontraram com maior rapidez e ferocidade. A mão livre de Harry viajou até a nuca de Draco e seus dedos fecharam-se nos fios claro dali. Já as do loiro, vagaram por seu peito até pararem às suas costas, pressionando-os juntos. Os lábios finos se entreabriram, permitindo a passagem da já insistente língua enquanto uma perna sorrateira tomava seu lugar entre as do moreno.

Olhos fechados, lábios e línguas se movimentando com uma rapidez impressionante a fim de satisfazer aquele desejo queimando os corpos de ambos lentamente. Aos poucos o ritmo diminuía até que seguiram-se apenas curtos beijos repetidos. Os olhos de Draco se abriram lentamente, fixando-se nos verdes. Um sorriso brincalhão tomou conta dos lábios de Harry que lhe beijou a ponta do nariz, seguindo para a testa e descendo novamente para a bochecha e pescoço. Todo o corpo do loiro estremeceu e arrepiou-se até o último fio de cabelo.

O coração de Harry estava num ritmo alucinado, batendo repetidamente contra suas costelas e ele tinha quase certeza de que Draco podia ouvi-lo, até um surdo poderia. Era impressionante o que apenas um beijo poderia fazer. Seus lábios se encontraram novamente, travando uma batalha por espaço, por ar, por satisfação. Gemidos baixinhos escapavam por entre os lábios diretamente para dentro das bocas um do outro.

Um latido ecoou pela antiga casa. Ambos pularam de susto, afastando-se rapidamente. Agradecendo por ter deixado a luz do corredor apagada, Harry puxou Draco para fora da cozinha, empurrando-o em direção à escada.

- Suba. – Ele disse. – Vá para o segundo andar. A porta dupla no fim do corredor...

- Tem certeza? Você tem problema com direções.

- Tenho! Vá, é meu quarto. Fique lá.

Assim que Draco subiu correndo, pulando diversos degraus, Harry voltou à cozinha, pegou um copo e encheu-o de água rapidamente, fazendo uma pose casual bem na hora que Snuffles entrou na cozinha seguindo Sirius de perto.

- Harry! – Sirius sorriu. – O que você está fazendo aqui, garoto?

- Oh, oi Sirius. – Ele correspondeu o sorriso nervosamente. – Estava muito barulho lá em casa, sabe como é, o telefone não para de tocar, você e o papai trabalhando... Pensei em vir pra cá pra estudar. Tem problema?

- Não teria se você não tivesse trazido um Malfoy para minha casa sem eu estar ciente. – Sirius cruzou os braços, olhando para o afilhado com interesse.

- Como você descobriu? – Harry deixou seus ombros caírem.

- Você é péssimo em esconder as coisas, moleque, sinceramente. – O mais bufou, fingindo desapontamento. – O carro dele está parado bem em frente à casa, a mochila dele está sobre a mesa e tem dois pratos e dois copos ai na pia. Você acha que eu nasci ontem?

- Merda. – Harry bateu na própria testa.

- Eu achava melhor você se bater mais se quiser compensar tamanha burrice. – Sirius revirou os olhos. – Sente aqui, moleque. – Seu padrinho indicou uma cadeira na mesa comprida e sentou-se em frente a ele. – Eu já disse que não vou mais me meter na sua amizade com esse garoto. Se você gosta dele, você deve ter suas razões. Mas se você precisava de um lugar para estar com ele, levasse-o a um motel, não pra minha casa.

- Sirius! – Harry pulou da cadeira, enrubescendo furiosamente.

- Ora, não me venha com essa. – Ele riu. – Seus lábios estão vermelho-escarlates e seus cabelos estão piores que o normal. Eu sei o que vocês andaram fazendo.

- Sirius, por favor. – Como se fosse possível, Harry ficou ainda mais vermelho.

- Tudo bem. Onde está o garoto?

- No meu quarto.

- Ah, e você ainda quer me convencer que não estavam fazendo nada demais? – Sirius soltou uma gargalhada latida. – Vá chamá-lo.

Harry bufou e seguiu em direção às escadas marchando. Os degraus rangeram sob seus passos e o moreno parou antes de chegar ao lance de escadas que levava ao segundo andar. Havia beijado Draco Malfoy. Havia beijado seu melhor amigo. Oh, ele estava tão feliz. Só após o susto da descoberta de Sirius, Harry pode perceber como seu coração estava acelerado e que suas pernas tremiam. Sem sentir culpa, ele notou que já sentia falta dos lábios macios e doces do loiro.

Mesmo não estando arrependido, Harry tinha medo de como o loiro podia reagir. Era verdade que ele havia correspondido com certo fervor ao beijo, mas algo que Harry aprendera logo era que Draco podia ser imprevisível.

O moreno subiu e abriu a porta de seu quarto com receio, encontrando o loiro de braços cruzados olhando para um dos quadros na parede, o peso do corpo todo na perna esquerda e o pé direito batendo impacientemente contra o assoalho.

- Isso é humilhante! Onde já se viu um Malfoy se escondendo dessa forma? – Draco bufou, virando-se e Harry não pode evitar um sorrisinho. – Já pensou num jeito de me tirar daqui? Não estou a fim de virar ração de cachorro.

- Ele já sabe que você está aqui. – O moreno se aproximou, enfiando as mãos nos bolsos.

- E onde ele está agora? Procurando uma machadinha? Eu não vou ficar aqui esperando o momento da minha execução.

- Eu disse que Sirius aceitava. Ele só não ficou muito satisfeito em ter um Malfoy na casa dele sem saber. – Harry deu de ombros. Draco levantou uma sobrancelha e deu dois passos à frente, ficando a centímetros de invadir o espaço do outro.

- Você está dizendo que eu vou sobreviver?

- Vai. – Harry riu, passando um braço ao redor da cintura fina de Draco, puxando-o para perto. – Dessa vez você está absolvido das decorrências do carrasco.

- Isso não me acalma nem um pouco, Harry. – Ele revirou os olhos.

- Talvez isto? – O moreno junto seus lábios num selinho demorado, sorrindo ao ser correspondido imediatamente.

Quando Harry afastou o rosto para observar o loiro, não teve muito tempo, por que este já o puxara de volta para um beijo mais necessitado, voltando a colocar as mãos por debaixo da camisa de Harry. O moreno tremeu ao sentir as mãos de dedos finos deslizarem lentamente por seu abdômen, fazendo seu caminho até seu peito.

- Draco, se nós não descermos, Sirius vai vir aqui e não fará cerimônia nenhuma ao nos constranger. – Harry disse quando foi buscar por ar.

- Tudo bem, teremos que terminar isso em outro momento, então. – Ele ajeitou a camisa do mais alto, passando a mão sobre ela de forma insinuante, fingindo alinhá-la.

Sorrindo maliciosamente, Harry pegou a mão de Draco, entrelaçando seus dedos, e o guiou escada a baixo. Assim que entraram na cozinha, Snuffles soltou um latido e pulou no loiro, colocando as duas patas no peito do garoto. Sem reação, Draco apenas olhou para Harry, que soltou um risinho e mandou o cão descer. Snuffles o fez, deitando-se aos pés de Draco e virando de barriga pra cima, com a grande língua vermelha pra fora.

- Snuffles, seu aproveitador barato, venha cá. – Chamou Sirius, batendo na própria perna, alisando a cabeça negra do animal quando ele se aproximou. O mais velho levantou o olhar pra Draco e cerrou os olhos levemente. – Sr. Malfoy Miniatura. – Ele cumprimentou com certa impaciência.

- Sr. Black. – Draco acenou com a cabeça, sorrindo de canto quando os olhos cinzentos de Sirius se estreitaram ainda mais.

- Nós vimos a tapeçaria, Padfoot. – Harry explicou rapidamente.

- Ah. – O moreno se encolheu com o tom de voz e o olhar Sirius. – Não bastava trazer uma visita indesejável, também tem que sair bisbilhotando?

- Sirius. – Harry repreendeu pelo "visita indesejável", mas ainda sentia certa desconfiança daquele Sirius sério. – Desculpe, eu disse as coordenadas erradas e Draco acabou achando o quarto. – Medindo bem as palavras, Harry continuou. – É por isso que eu e ele não podemos ser amigos? É alguma briga de família? É esse o motivo de você nunca ter me deixado ver o que tem atrás daquela porta? O que quer que seja, Sirius, se você está tentando me proteger, eu peço que você não o faça mais. Nós precisamos saber.

- Vá com calma, moleque. – O mais velho fez um sinal de cansaço e sentou-se na mesa esguia. – Eu não queria que você tivesse descoberto dessa forma. Na verdade, eu não queria que você soubesse que seu querido Draco é meu priminho. – Sirius lançou um olhar penetrante ao loiro quando este deu uma risadinha sarcástica.

- Eu pensei que você fosse o último Black, Sirius.

- Eu sou. Narcissa é uma Malfoy agora, como você já sabe. Oh, minha querida prima Cissy. – O tom de voz de Sirius era de uma melancolia fingida e jocosa. – Sempre tão delicada e adorável. Ao contrário da demente da Bellatrix, que agora se apresenta sob o sobrenome Lestrange, que parece ter fugido do ultimo manicômio no qual esteve. – A voz brincalhona se tornou amargurada ao falar da prima mais velha.

- Ora, não fale da minha mãe. – Draco rosnou.

- Mas por que não? – Os olhos cinzentos brilharam perigosamente ao se dirigirem de volta ao rosto angular. – Eu só tenho maravilhas a dizer sobre sua mãe.

- Não ouse. – O loiro deu um passo à frente, impedido de continuar quando Harry pôs-se entre os dois.

- Sirius, pare de provocar. – Pediu Harry.

- Acredite se quiser, Harry, eu estou falando sério. – Sirius deu de ombros. – Por mais que Cissy fosse um amor de pessoa, Andrômeda ainda era minha prima preferida. Tem contato com sua tia, Draco?

- Não. Não falamos sobre ela em casa.

- Ah, mas é claro que não. Pra que falar das desgraças da família que éramos eu e Andrômeda? Enquanto Narcissa e Bellatrix desfilam por ai com seus ricos e adoráveis maridos, quem se importa conosco, não é?

- Sr. Black, eu acho que seria relevante o senhor saber que até então eu não fazia a mínima idéia que o senhor e minha mãe eram da mesma família, então como o senhor espera que eu saiba qualquer coisa sobre minha tia Andrômeda além do que minha mãe me contou? – Perguntou Draco sem seu tom ofensivo dessa vez.

- E o que ela lhe contou?

- Que ela se casou com um estrangeiro e fugiu de casa. É por isso que o lugar onde o nome dela deveria estar foi queimado, não é?

- Assim como o meu. Fugi pra morar com os Potter. Minha adorável mãe me renegou como se eu apenas representasse um nome numa tapeçaria. Mas veja onde estamos, sou o último Black, de volta nessa antiga e nobre casa. E o melhor, me reunindo com a família de novo. – Sirius deu um sorrisinho em direção a Draco.

- Então é por isso? É esse o grande problema entre os Potter e os Malfoy? – Perguntou o moreno de olhos verdes.

- Não, não. O problema é entre James, Narcissa, Lily e Lucius. E até Snape. Eu estou no meio por que entrei defendendo seus pais, mas os motivos são deles.

- E você não vai nos dizer, não é? – Harry suspirou cansado.

- Por mim eu já teria contado, mas não cabe a mim, Harry. – Sirius levantou-se. – Agora, se ainda estiverem interessados, voltem a estudar. Eu estarei por perto, estão ouvindo? Moony deve estar já chegando.

- Tudo bem. Obrigado, Sirius.

- Sem problemas. – O mais velho fez um gesto displicente com a mão enquanto subia as escadas. – Até mais ver, priminho.

- Ele sabe muito mais do que imaginamos, Harry. – Draco murmurou.

- É, eu sei disso, mas não adianta, Sirius é muito fiel ao meu pai. Se ele diz que não vai contar, ele não vai. Talvez você devesse falar com sua mãe.

- Eu não sei se devo abusar da boa vontade dela. – O loiro suspirou tristemente. – Ela já se opôs demais ao meu pai por minha causa, fazê-la revelar os motivos dessa rixa já é muito.

- E o que vamos fazer, então? – O moreno entortou o lábio inferior. – Você acha que consegue algo com Snape?

- Ah, certamente que não! É mais fácil ele arrancar verdades de mim enquanto eu estiver tentando arrancar as dele. – Draco deu uma risada nasal enquanto eles voltavam a abri livros de cadernos. – Você vai ao baile, Harry? – O mais alto se assustou com a pergunta repentina, pigarreando, ele ajeitou-se na cadeira.

- Acho que não.

- Por que não? Eu já disse que vai ser divertido.

- A essa altura, eu não vou conseguir convidar mais ninguém pra ir comigo, Draco.

- Eu faço o sacrifício de ir com você, então. – Draco tentou manter a voz casual, como se fosse um convite qualquer, e pela expressão de Harry, ele viu que conseguiu.

- Hm... Bem... Nesse caso... – Ele deslizou a mão pelos cabelos e alisou a própria nuca. – Eu vou.

- Ótimo. – O loiro sorriu. – Você não vai se arrepender.


Nossa! Quantas reviews! Muito obrigada pessoal, de verdade.
Pronto, ai está o primeiro beijo deles! Eu realmente espero que vocês tenham gostado, por que escrevemos 3 versões diferentes e terminamos escolhendo esse.
Tarefa difícil essa, viu? HAHAHA
Obrigada PattJoger, Yann Riddle Black, Ines G. Black, Fafis, Freya Jones, Deh Isaacs, Poke, Dri, MarciaBS, Marina Feltcliffe e Stel Pynabe.
Vi que algumas pessoas já liam há algum tempo, mas só vieram comentar agora, e eu só tenho a agradecer!
Nós ficamos muito felizes que saber que a história vale seu comentário!

Marina Feltcliffe, eu tinha que dizer: meu parabéns por conseguir diferenciar nas escritas, por que às vezes nem eu nem Carol conseguimos lembrar quem escreveu o que quando estamos relendo. E sobre Sirius/Lupin, tanto eu quanto Carol somos shippers deles, mas não planejamos colocar nessa fic, pelo menos não por enquanto, sinto muito.

Stel Pynabe, muito obrigada! Ficamos muito feliz que você além de encher nossas hits, como você disse, resolveu deixar uma review dessa vez. Obrigada mesmo! Obrigada Fafis e Freya Jones também!

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Beijos e até semana que vem!