Capítulo Terapia
Após lancharmos, voltamos ao hospital e Jasper já estava no quarto. Seu estado era caracterizado pela insensibilidade dos sentidos, fato esse, que algum remédio lhe proporcionara a fim de mantê-lo em repouso. Seus olhos estavam meio abertos, mas ele não respondia a estímulos.
Observei-o por alguns instantes, enquanto Bella estendia o lençol que trouxe na cama para visitas. Era uma espécie de sofá-cama e ficou em um tamanho favorável depois de armado. Após organizar os travesseiros, ela me entregou a roupa de Jasper que eu dormi na noite passada, escova de dente, xampu e chinelos e sentou na beira da cama para desabotoar a bota que usava. Observei as peças na minha mão admirado com o fato dela sempre pensar em tudo. Sempre precavida e completa. Cuidadosa e perfeita.
—Tome banho e se apronte que estou esperando. — Ela pediu e tirou a calça lentamente, depois a blusa, ficando de calcinha e sutiã.
Fiquei parado, digitalizando-a com apreciação masculina, achando incrível seu desembaraço. Seu poder sobre mim foi uma força absoluta que atraiu meus olhos como magneto. Perdi a faculdade de me orientar, falar, mover. O fato de se expor tão naturalmente enlevou os meus sentidos, me atraiu, cativou, prendeu e desviou de toda e qualquer influência. Seria castigo não ter a possibilidade de presenciar o seu corpo.
—Edward, vai ficar a noite toda aí? — Bella disse presunçosa a centímetros de mim.
Sua respiração bateu em meu rosto e meu corpo estremeceu, atingido pelas ondas de cobiça que massacravam meus sentidos. Ela percebeu a fome dos meus olhos por seu corpo e beijou minha boca ardentemente, encostando o seu corpo ao meu.
Enquanto sentia minha boca ser atacada por sua língua, seus dedos em meus cabelos, impedi minhas mãos de tocá-la, embora eu desejasse ansiosamente isso. Os seus atos impensados me pegaram de surpresa. Essa proximidade não era tolerável, era martirizar os meus sentidos e arruinar o meu controle quando tento manter-me longe de cometer tolices.
Lamentando por ser eu o indivíduo responsável pelos nossos atos, libertei-me de seus beijos ansiosos e a abracei, permitindo-me tocar suas costas nuas com as pontas dos meus dedos.
—Bella, por favor... Não faça isso de novo... Se você soubesse o quanto eu estou vulnerável a você. — Supliquei e me soltei do abraço, dirigindo-me seguidamente ao banho.
Estava me sentindo com menos força do que a regular. Sentia um desejo impetuoso, intenso, de modo que estava a beira de perder o controle. Necessitava atenuar essa ambição por ela, só assim não cometeria atos impróprios que impugnem os limites impostos por ela. Devia retrair-me para que os seus planos fossem seguidos, como prometi.
Com a auto-satisfação resolvida durante o banho, a gravidade da situação foi diminuída, assim eu poderia voltar para o quarto sem ameaçar sua virtude.
Ela já estava deitada na cama de pijama longo amarelo quando voltei de short e sem camisa. Sorriu ao encontrar os meus olhos.
—Vem... — Abriu os braços e me chamou.
Sentindo-me rico de várias maneiras ao ter seus braços ternos estendidos em minha direção, deitei-me em cima dela, segurando o meu peso nos braços e na perna que separava as suas. Sua pele quente e macia mesmo protegida pelo pijama me aqueceu, deixando-me confortável e acolhido. Abracei-a e deitei a minha cabeça entre os seus seios enquanto ela acariciava os meus cabelos com os dedos. Agora, com o desejo acalmado, tudo que eu ansiava eram sua presença, seu abraço e sua ternura.
—Sabia que essa é a primeira noite que dormimos juntos em que estamos sóbrios e bem? — Bella citou pensativa.
—Como assim?
—Na primeira noite na Capital estávamos brigados, e na outra noite eu estava bêbada. —Citou distraída.
Eu relutava em pensar naquela noite... Preferia que ela nunca tivesse existido.
—Espero que ainda existam muitas outras noites em que estejamos bem e sóbrios para dormirmos abraçadinhos. — Vaticinei sonhador e a abracei mais. Estar ali era como estar em um paraíso distante e sonhado. Algo que eu iria almejar incessantemente quando estivesse longe e não tivesse mais os seus braços me acolhendo.
—Senti tanto a sua falta, Edward... —Disse triste. — Queria tanto ter ficado com você desde o dia em que você chegou. —Lamentou com olhos distantes.
A acusação nas entrelinhas me cortou como uma navalha, mas não pareceu ter sido proferida com o intuito de me atingir. Ainda assim, eu queria ter o poder de voltar no tempo e resgatar as oportunidades perdidas. Talvez ela me perdoasse se eu fundamentasse o real motivo da distância. Mas até o momento ela não deu abertura para dialogarmos sobre o assunto! Bem, talvez esse tema lhe traga feridas irreparáveis, e ela ainda não esteja preparada para conversar. Nem eu posso me perdoar pela tristeza profunda e duradoura que senti, quando a sensação de perdê-la para sempre me transformou em um decadente a beira da ruína.
—Sonhei muito com esse dia... —Continuou. — Estar bem com você... Passar uma noite todinha abraçada a você. — Sorriu carinhosamente e continuou a passar os dedos insistentemente em meus cabelos molhados, com um afeto reconfortante.
Ela não sabia, mas seus braços era o lugar que eu queria estar sempre, era o lugar que me trazia abrigo e bem estar. Eu queria ter, como ela, facilidade em falar tudo que penso e sinto, mas não tenho forças, nem coragem. Não encontro palavras para expor. Não devia, mas ainda me sinto tímido perto dela, quando ela é perfeita e resolvida, sensitiva e perspicaz. Ainda me sinto pequeno diante da sua grandeza de pessoa, e isso me retrai.
Angustiado por minha covardia, deitei ao seu lado e me inclinei ao encontro do seu rosto, beijando cada cantinho seu: queixo, mandíbula, bochecha, pálpebras, testa. Beijei cada pedaço declarando com beijos que a amo como se fosse minha vida. Ela me abraçou fortemente, colocando a perna entre as minhas e encaixou minha boca em seus lábios.
—Para gente! Eu vou traumatizar... Respeitem o moribundo! — Uma voz sonolenta e baixa se pronunciou. Era Jasper que lutava contra a falta de solidez para iniciar a conversação.
Bella levantou-se da cama em um pulo ao ouvir sua voz e se posicionou próximo a cama que ele estava deitado. —Oi irmãozinho! —Abraçou-o carinhosamente. — Você está bem? — Disse mimando-o, afagando o seu rosto.
—Ai, Bella... Assim o maníaco descobre tudo sobre nós... Você tem que disfarçar. — A voz de Jasper era arrastada e rouca. Sorri de seus gracejos.
—Você me deu um baita susto, seu garoto inquieto! Você tem uma formiguinha no bumbum te incomodando, é? Por que tu foi descer as escadas pelo corrimão?! Queria coçar? — Ralhou divertida. Não dava para diferenciar quem era o mais infantil dos dois. Talvez a proximidade os tivesse contagiado, ou, talvez a semelhança de personalidade fosse sucessão lógica. Bem, da minha casa ele é o que tem a individualidade e personalidade mais diversa.
Aproximei-me da cama e o observei de perto. Sua cor e pele voltavam ao normal gradativamente. Com cuidado pus-me a analisar o corte que ele sofreu. Pequeno. Nada diferente das dezenas de cicatrizes que ele adquiriu na infância... Não entendi o motivo da hemorragia. Se a sua falta de resistência era motivada somente por anemia, por que uma incisão minúscula causou derrama excessiva de sangue?
A falta de solidez estava estampada no seu rosto, sua fragilidade lhe exigia repouso, talvez porque ainda estivesse sob forte efeito dos remédios.
—Jasper, descansa. Amanhã vocês conversam mais. — Pedi sério, ainda confuso e desconfiado.
Despedi-me dele e deitei de costas no sofá-cama. Bella ficou sentada ao lado dele passando os dedos em seus cabelos.
—Bella, vem... Estou cansado. — Chamei-a.
—Para de ser ciumento e rabugento, maníaco. —Jasper arreliou indolente. —E não façam isso que estão pensando em fazer. Tem uma pessoa em estado difícil no quarto, tenham respeito. — Zombou, já entregue a sonolência.
Bella lhe beijou na bochecha, foi ao banheiro escovar os dentes e deitou-se sobre o meu peito, depositando beijos que faziam minha pele arder e distribuíam pequenas correntes de desejo. Um desejo controlado fisiologicamente, mas que meu coração não controlava. Tinha ambição contínua por ela, não só pelo seu corpo, mas por tudo que ela me proporciona.
Faminto, busquei-a para os meus lábios e a apertei a mim, sentindo cada curva coberta pelo fino pano. Passei as mãos por toda porção de espaço em suas costas e parei-a na nádega, adaptando-a ao meu viciado corpo de um jeito possessivo. Ela gemeu um lamento e suguei sua língua, mantendo-a cativa. Nenhuma sensação que já experimentei trazia esse efeito atordoante de êxtase. Um amor que atuava de uma maneira tão entorpecente que um simples beijo acendia chamas em todo o meu corpo.
—Vamos dormir, Bella... —Ofeguei desolado. — Não está lembrando o que combinei com você? — Beijei seu rosto, enquanto nossas respirações se equilibravam.
—Foi você quem me puxou... — Acusou sorridente e acariciou meu peito.
—Mas você podia ajudar, né. Foi você quem fez planos... — Abri minha boca em seu pescoço e entrei com a mão dentro do pijama, acariciando o abdômen.
—É, mas foi você quem prometeu que ia segui-los. — Ergueu o tronco oferecendo-se. Salivei.
—Bom, é isso que estou tentando fazer: seguir seus planos. —Afastei minha mão da tentação e a abracei. —Então vamos dormir... — Eu mudei na cama, posicionando-a em minha frente e pus o edredom em cima de nós, pensativo sobre o porquê de respeitar seus planos.
Hoje a culpa que ainda me domina, depois da noite na capital em que eu estava possuído pela insegurança, pelo ódio e pelo medo de amar, é o que neutraliza o meu impulso diante do desejo arrebatador de possuí-la. Seu corpo envia comandos de que está pronto, fazendo-me saber que ela me deseja tanto quanto eu a ela. E o meu corpo deseja obedecer, acendendo-se instintivamente ao ter contato. Mas é conveniente que eu execute o que prometi e abrande a intensidade do que sinto... ou, fuja do martírio.
—Por que já temos que dormir? — Sussurrou depois de um tempo calada e encaixou-se mais em mim, moldando-se ao meu quadril. Oh, Senhor. Suspirei indefeso e estremeci de prazer. Às vezes Bella age como se eu não fosse homem. Não se importa se sou eu quem sente dor pela frustração.
—Porque estou com sono, porque está tarde, porque estamos em um hospital, porque tem um rapaz em repouso ali, porque a qualquer hora pode entrar uma enfermeira aqui, porque seus beijos me enlouquecem, porque nossos gemidos estavam muito altos, porque se não dormir esqueço que estamos em um hospital e porque estou doido para esquecer que aqui é um hospital... Quer mais algum por quê? — Sorri explicando enquanto beijava a sua nuca.
—Tudo bem... — Enfim, sossegou com um sorrisinho.
Apertei-a, com o nariz em seu cabelo e me perguntei como iria anestesiar-me dela quando meu mundo real me chamasse... Não há certeza se consigo.
...
Fui tirado do sono quando a porta se abriu e uma enfermeira entrou. Atordoado, cobri meu peito com o edredom ao perceber que a enfermeira me fitava insistentemente e abracei Bella como escudo.
—Bom dia. — Sorriu e virou-se em direção ao soro que alimentava a intravenosa do meu irmão.
Sem responder, aproveitei que ela estava de costas e direcionei-me ao banheiro para vestir uma blusa e uma calça que Bella trouxe, pois me senti embaraçado com seu olhar. Lavei o rosto, passei os dedos nos cabelos, escovei os dentes, depois sentei no sofá para calçar o tênis e peguei a chave do carro que estava em cima da mesinha próxima a cama.
Jasper estava acordado, completamente consciente, analisando a moça da cabeça aos pés.
—E aí, melhor? — Perguntei ao meu irmão.
—Ô! E como! — Respondeu com os olhos maliciosos direcionados as formas da enfermeira, que preparava algo numa bandeja, de costas para nós.
Rolei os olhos.
—Vou sair. Daqui a pouco eu volto. — Avisei.
—Aonde você vai essa hora? São sete da manhã! — Perguntou admirado.
—Fala baixo que Bella não acordou! — Sibilei. —Vou comprar umas coisas.
A enfermeira olhou-me de um modo avaliativo demais, de maneira a me deixar descomposto. Saí imediatamente, desconfortável com a descarada atenção feminina, principalmente quando minha nam... Bem, quando Bella dormia bem ali.
Procurei um supermercado 24 horas ansioso em comprar tudo que eu precisava. Pus no cesto suco de caixinha, achocolatado líquido, pães de queijo, broas, pãezinhos doces, geléia, mini torta, duas maçãs e só faltou um item que eu ainda tinha que procurar. Vaguei por umas ruas e encontrei o que procurava no jardim de uma casa.
Uma rosa.
Para a minha sorte uma senhora esticou uma mangueira e posicionou-se para molhar o jardim. Aproximei-me vagarosamente e rompi a timidez para pedir que ela cedesse à rosa. Ela cedeu.
Abri a porta silenciosamente do quarto e Bella ainda dormia um sono profundo e tranqüilo. Pus as compras na mesinha e Jasper tomava café enquanto eu lavava as maçãs.
—Tá feliz, né? Tirou o atraso! — Ironizou maliciosamente.
—Não enche! — Respondi baixo.
—Cara, tu viu aquela enfermeira?! Ela não tirou os olhos de você! Coragem eu tenho, só não tenho é sorte. Ah! Mas eu pegava! Pegava mesmo! — Começou. Rolei os olhos ignorando suas tolices. —Quando eu chegar a sua idade e ficar saradão igual você, vou passar o rodo geral! — Sorriu sonhador. —Você achar que eu vou negar amor pra quem quer me dá? Nunca! Isso é um favor para humanidade. Considere-me como alguém amoroso.
Eu sorri furtivamente. Se ele soubesse que eu não lembro nem mesmo o rosto da enfermeira a que ele se referiu.
Em silêncio contumaz, peguei a bandeja de inox do lanche dele, passei um guardanapo e organizei o que trouxe.
—Putaquepariu! Cada dia mais eu me convenço... —Jasper fez careta. — Num faz isso não, cara! Isso é coisa de gay! Por favor, homem tem que ser é bruto! Se tu ficar mimando mulher assim, tu vai ganhar é chifre e pé na bunda. —Galhofou, disposto a tirar o meu sossego com suas brincadeiras torpes, mas nada abalaria meu bom humor.
—Dorme vai, Jasper Wílliam Hale... — Pedi fingindo severidade.
Depositei a bandeja em uma mesinha próxima a cama e afastei os cabelos de Bella para beijá-la na nuca e pescoço. Ela dormia de lado, abraçando o travesseiro.
—Bom dia, Bella adormecida... — Beijei atrás de sua orelha.
Ela se virou de bruços e se cobriu. Sorri, lembrando da manhã que foi ela quem insistiu em me acordar na capital.
—Acorda. Estou me sentindo só sem você aqui. — Tentei mais uma vez.
—Deita aqui... Vem dormir mais... — Resmungou manhosamente.
—Eu trouxe lanche. Vem me acompanhar. — Encostei-me junto ao seu corpo, abraçando-a por trás e tirei lentamente o edredom que a cobria. Ela estava tão quentinha.
—Vem, Bella, por favor, fica comigo. — Pedi novamente.
—Então feche os olhos que eu vou lavar o rosto e pentear os cabelos. Não quero que me veja bagunçada assim. — Impôs decidida
Rolei os olhos. —Tudo bem. — Fingi tapar os olhos e observei-a levantar-se cambaleando e esfregando o rosto. Sorri da cena. Ela saiu do banheiro minutos depois e pulou em meu colo, enchendo minha boca de beijos alegres.
—Ai! Nojento! Nem escovaram os dentes! — Jasper escarneceu. Eu joguei o travesseiro nele cegamente, enquanto ainda recebia beijos.
—Eu escovei! — Bella afastou-se, levantou o dedo e se defendeu, depois olhou para a bandeja com o mini café da manhã que eu preparei. —Quem trouxe?
—Eu... —Disse sem jeito. —É seu. Aliás, meu e seu... A maçã é só enfeite, não coma. —Apontei desajeitado para bandeja.
—Por que comprou se não é para comer? — Perguntou e pôs vários pães de queijo de uma vez na boca.
—Por que é simbólica.
—Como assim? — Franziu o cenho com a boca cheia.
—Em primeiro lugar, sei que você gosta. Em segundo, simboliza nós dois. —Expus subitamente nervoso. — Você é meu fruto proibido.— Falei sério e abri o achocolatado para ela tomar com o pão de queijo. —Eu não devia querer você. O destino vem conspirando contra nós, ainda assim nós teimamos.
—EU VOU TER QUE FICAR OUVINDO ISSO? — Jasper gritou e tapou os ouvidos.
Ignoramos sua brincadeira e Bella me olhou intensamente, formulando algo para dizer.
—Edward, quando o destino quer cumprir alguma coisa, ele não consegue fazer isso sozinho. Temos que construir a ponte até o alvo que escolhemos. A estrutura dessa ponte é recheada de conquistas diárias, concessões, lutas e acima de tudo de sentimentos. Você vê tudo de uma maneira diferente. Hoje eu vejo que o destino sempre quis nos unir, não nos separar. E nós dois estamos construindo a ponte que nos liga um ao outro. Não é fácil. Ainda temos muitas coisas para enfrentar, mas se quisermos, vamos conseguir. —Segurou meu rosto nas mãos. —Eu não sou seu fruto proibido. Eu fui feita, escolhida, designada, escrita e predestinada a você. — Disse enfaticamente, com um brilho intenso nos olhos.
Suas palavras foram tão profundas que fiquei em choque. Com sua meiguice e sabedoria prematura ela tinge o meu coração pessimista com cores de esperança.
—CARAMBA! EU ME CONVERTO! EU ACEITO! SIM! SIM! SIMMMMM!— Jasper levantou as mãos para o céu enquanto gritava. —Que religião é essa aí?
Bella sorriu, sem ligar para seus surtos de loucura matinal. Ele era tão inquieto que não conseguia ficar com a língua dentro da boca.
—E a rosa? Também simboliza alguma coisa? — Perguntou curiosa, com olhos felizes.
Peguei a rosa e soltei duas pétalas. —A rosa significa você: de cor pêssego, cheirosa, macia, desejável e eu cobicei no jardim dos outros. — Mordi uma pétala.
—E você vai despetalar e comer a rosa no café da manhã? — Insinuou, ela sorriu presunçosa e me beijou nos lábios. —Adorei acordar com você quando o seu humor está assim.
Sorridentes, comemos quase tudo sobre a bandeja. Olhei em direção ao meu irmão, estranhando o fato dele estar calado a mais de cinco minutos, e ele estava sorrindo bobamente.
—Que cara de tonto é essa, Jasper? — Bella comentou desconfiada. Abracei-a e sorrimos juntos de sua expressão.
—Meus dois irmãos estão juntos e felizes novamente. Vou me machucar mais vezes para proporcionar outras noites de sexo selvagem para vocês no hospital. — Tinha que vir alguma tolice após uma observação vinda dele. —Ah, Bella! Eu vi você trocando de roupa ontem a noite, viu. Vocês pensam que eu estava dormindo, mas eu não estava. Vi o meu irmão babando em você também. CARA TU TEM QUE SE CONTROLAR! —Dramatizou. — Eu nem ligo mais. Vejo elas assim quase todos os dias, até já enjoei. — Definitivamente ele ia tirar o dia para perturbar. —Mas vou te contar, TU TÁ PASSANDO BEM, HEIN BICHONA! Minha irmãzinha é boa!
Torci os lábios para romper o sorriso, não resisti e juntei-me a Bella. Já que íamos passar a manhã com esse disparate, tínhamos que preparar os ouvidos. Ele estava de bom humor e eu estava feliz em saber que estava bem. Com certeza o pequeno acidente não iria deixar seqüelas.
Tirei a camiseta para não amarrotar, deitei de lado, puxei Bella para deitar em minha frente e ligamos a TV em desenhos, esperando o tempo passar.
—Vai ficar o dia de pijama? Está linda, mas aqui entra enfermeiras e médicos o tempo todo. — Avisei.
—Não quero sair daqui... — Se aconchegou mais a mim.
Mordisquei sua orelha e a senti arrepiar-se. Meu corpo respondeu rapidamente ao perceber seu mamilo enrijecido sob a fina blusa. A vontade de colocar minha mão por dentro ficou quase irresistível. Abracei-a, descansando os meus braços sobre o botão enrijecido e entreguei-me àquele pequeno prazer inocentemente me proporcionado. Se Bella conhecesse o meu cérebro desvirtuado com certeza se assustaria.
Sorrindo da minha perversão, afastei-a.
—Vai, Bella, troque de roupa. — Empurrei-a levemente, salvando-a de mim.
Ela pegou uma roupa na bolsa e se direcionou ao banheiro para trocar-se. Vestiu-se com uma calça jeans e uma camiseta justa de manga longa. Bem, talvez fosse melhor que ela se vestisse com roupas resistentes.
—Está com frio?
—Não. —Respondeu desconfiada, depois sorriu como se tivesse feito a descoberta do ano. —Pode deixar. Mais tarde eu visto um vestido. — Respondeu maliciosa. Eu sorri de canto. Será que as minhas preferências estavam tão explícitas assim?
—Gente, tentem disfarçar essa tara de vocês! Eu só tenho quinze anos! Sou de menor! Caramba, vocês só pensam naquilo! Já passaram a noite miando igual gato! Dá um tempo! Isso mata! — Jasper sacudia a cabeça de um lado a outro, fingindo desespero. —Eu vou reclamar de vocês. Vocês não são bons acompanhantes, não! Estão me deixando mais doente! — Disparou a rir e caímos na gargalhada junto a ele. Não tinha como ficar irritado com ele, ele só nos divertia.
Depois de uns segundos, o telefone de Bella tocou e interrompeu a diversão.
—Oi... já acordou... Que horas você vem?... Traz um vestido para mim... Aquele preto, de malha, tomara que caia e curto... Beijo.
Ela me olhou com sorriso travesso, deu uma piscada e sorriu.
—TÁ MORTO, IRMÃO! — Jasper zombou.
Tentei não pensar no que se passava na cabeça dela e voltei meus olhos para a TV.
—Edward, enquanto Alice não chega, eu vou ao Centro. — Avisou, levantou e foi arrumar o cabelo.
—Eu vou com você. — Levantei e vesti a camiseta.
—Não, eu vou só. Você fica com Jasper. Alice ainda vai demorar.
Sentei contra a minha vontade, sem opção de argumentar.
—O que vai fazer? — Perguntei contrariado.
—Comprar uma sandália para usar no Réveillon.
—Ah, Bella, vamos depois! Antes de irmos para Forks a gente passa lá. — Sugeri relutante. Ela se aproximou, ajoelhou na cama e beijou-me levemente nos lábios, consciente que iria me vencer.
—Espera aqui. Eu volto logo. — Ela levantou e saiu sem olhar para trás.
Entediado, cruzei os braços e sentei no sofá. O jeito era esperar. Estava tão viciado nela que me senti frustrado pelo vazio que ela deixou.
Alice chegou meia hora depois e sentou-se na cama ao lado do meu irmão. Pareciam amigos, mas o comportamento do Jasper mudou com sua presença.
Bella chegou após duas horas fora, com umas sete sacolas de lojas elitizadas.
—Não era só uma sandália, Bella? — Acusei brincalhão ao recebê-la com um abraço.
—Sim, mas resolvi fazer outras pequenas compras. — Deu de ombros, como se fosse algo irrelevante. Franzi o cenho e me perguntei quanto ela gastou com suas pequenas compras.
—Bella, estou arrependido de ter dito que você não é uma patricinha esbanjadora. — Brinquei.
—Não comprei nada desnecessário. —Defendeu-se. — Podemos ir? Alice, você trouxe minhas coisas?
Enquanto ela conversava com Alice, organizei o quarto, depois pegamos as sacolas de compras dela juntamente com a bolsa de roupas que ela trouxe e nos direcionamos ao carro.
—Edward, você prefere almoçar aqui ou em Forks? — Perguntou quando sentou no banco do passageiro.
—Bem, são onze horas agora. Eu prefiro almoçar lá, porque assim você não volta muito tarde. — Expliquei, dei partida e liguei para a Rose, avisando que almoçaríamos em casa.
O percurso foi tranquilo, mesmo quando tomamos o ferry boat. Bella ouvia músicas altas da Beyonce e cantava mais alto ainda. O prazer de estar com ela, juntamente ao prazer de dirigir seu carro na estrada foi indefinível. Chegamos a Forks mais cedo que o tempo normal por causa do motor potente. Estávamos a uns cinco minutos da minha casa quando ela pediu para tomar a direção do carro. Embora eu não tivesse entendido o porquê, não perguntei. Encostei o carro na lateral da pista, entreguei a chave a ela e sentei-me no banco de passageiro.
Senti um gênio travesso em seu olhar, mas não importei. Não sabia o que ela poderia fazer... Ela sorriu, acelerou forte alguns metros, virou de uma vez o volante e puxou o freio de mão, fazendo o carro frear bruscamente e rodar na pista. Abruptamente, senti o meu corpo ser jogado para frente e para trás, procurei seus olhos, preocupado, e ela sorriu maldosamente.
—O que foi isso?! — Ofeguei assustado.
—Uma coisa que você nunca teve coragem de fazer, mas vai fazer hoje. — Sorriu.
—É doida, Bella! Toda hora passa patrulheiros aqui! — Sacudi a cabeça, sério. Ela acelerou de novo e fez a mesma manobra. Um carro passou por nós na pista.
—Bella, para com isso! Acaba com o carro! — Repreendi impaciente.
—Vou parar, porque agora quem vai fazer é você! — Ela enfatizou e encostou o carro. Rá, absurdo!
—Eu não vou fazer isso! Não começa, não! — Virei o rosto para a rua, contrariado.
Ela deixou o banco do motorista e engatinhou para cima de mim, sentando em meu colo. A seguir enfiou a língua em minha boca e persuadiu a minha, encaixando sensualmente de várias formas. Louca!
—Vai, Edward... Eu vou te ensinar... — Pegou uma mão minha e levou ao seu seio nu dentro da blusa. Beijou meu pescoço e minha orelha tão insinuante que levaria qualquer homem sério à perda total da razão. Pior ainda no estado hormonal que eu estava. —Para de ser certinho... Encare como uma terapia. — Murmurou, enfiando os dedos em meus cabelos. —Eu sou sua psicóloga e estou trabalhando na sua personalidade. — Senti meu corpo em ebulição e enfiei minhas duas mãos sob a blusa, apertando seus seios redondos.
—Bella... Não... — Neguei, mas não sabia mais ao que negava. Meus sentidos famintos brigavam por agradá-la.
—Você tem que fazer coisas erradas... — Passeou a língua lascivamente atrás da minha orelha.
—Você em cima de mim aqui na rodovia a uma da tarde já é uma coisa errada... — Ofeguei. Não tinha como raciocinar com a sua língua invadindo minha orelha.
Ela não era normal e agora me transformava em um inconseqüente também. Atordoado, afastei-a para recobrar a consciência e olhei com olhos nublados em seu rosto.
—Quem te ensinou a fazer isso?
—O Emmett! Ele que me ensinou a dirigir e aproveitou para ensinar a fazer Drifting, conhecido popularmente como cavalinho de pau. Não é legal?! — Explicou eufórica, imaginando que estava me convencendo.
—Vou fazer mais uma vez... —Voltou ao banco de motorista. —Presta atenção...
Segurei-me ao banco e ela acelerou rápido, mais forte, fazendo o pneu do carro cantar, então, girou o volante todo e puxou o freio de mão. Dessa vez ela não virou o volante de volta, e se não fosse o cinto de segurança, eu teria sido jogado do carro quando ela rodou 360º. Fiquei admirado com sua performance. Será que alguém naquela família era normal? Deus do céu. Era a companhia deles que deixava meu irmão tão inconsequente assim! Como alguém poderia ter ensinado isso a uma mulher?!
Ela encostou o carro e seu rosto era puro êxtase, parecia uma criança fazendo travessura.
—VAMOS EDWARD! SÓ UMA VEZ! VOCÊ VAI GOSTAR! —Gritou, depois lambeu os lábios e se inclinou. —Prometo te recompensar. — Sorriu maliciosa e veio ajoelhada para o meu banco beijar minha boca novamente. Ela beijou, e beijou, gemeu languidamente e moveu-se deliberadamente sobre mim. Gemi, excitado pela adrenalina e perdi a capacidade de raciocinar. Não iria dizer não. Com essa confiança em si, ela mandava e desmandava em meu querer.
—Ok, Bella. — Passei para o banco do motorista, não acreditando no que fazia. Como eu podia deixá-la me dominar assim?
—Tá... Você acelera muito, depois vira o volante todo e puxa o freio de mão. Quando começar a rodar, você vira o volante de volta, assim o carro não capota. — Explicou lentamente.
Meu sangue pulsava nos ouvidos de uma maneira a me fazer ofegar. Não era o medo do ato em si, mas das responsabilidades que me rodeavam.
—NÃO PENSA! Vamos! Todo homem sabe fazer isso! — Ela falava disparada e eufórica.
Bella era o anjo mau que bombardeava minha consciência. Acelerei o carro sem sair do lugar, só testando a potência. Ela me olhava ansiosa. Deixei o carro sair, acelerei forte, rodei o volante todo, puxei o freio de mão e o carro rodou. No mesmo segundo voltei o volante e nossos corpos balançaram de um lado para o outro.
—IUP! DEMAIS! Perfeito! Vamos de novo!? — Gritou e ofegou.
Tomei ar, saboreando a sensação extasiante. Eu já imaginava como fazia, mas nunca tive coragem de experimentar, afinal, o carro da minha mãe é mil.
—VAMOS! DE NOVO! DE NOVO! — Ela gritou e me sacudiu.
Suspirei, acelerei e fiz a manobra novamente. O motor rosnou e os pneus cantaram. Ela gritou e bateu palmas, adorando fazer isso comigo: corromper os meus bons costumes. Eu sorri com ela. Entretanto, antes de recuperar o fôlego, ouvimos um som de sirene.
—Rápido! Vem para o banco do passageiro, sem perguntas! — Ela pulou por cima de mim, e eu me afastei para sentar no banco do passageiro, em ato reflexo. Ela abaixou o som e esperamos o policial descer.
—Carteira e documentos do carro, senhorita. —O policial pediu ao encostar-se ao nosso lado. Ele nos estudou enquanto observava o carro e esperou que Bella tirasse os documentos da bolsa.
—Algum problema, seu policial? — Bella perguntou simpática. Imediatamente me senti culpado por não ter sido responsável quando deveria ser a parte sensata de nós dois.
—Rotina. Você é a dona do carro? É Srta. Cullen? — Perguntou e olhou em minha direção duramente.
Eu estava furioso comigo. Permiti-me ser um inconseqüente e ainda deixei que uma menor tomasse as responsabilidades pelas ações! Eu me desconheço!
—Sim, meu nome está aí no documento. —Bella respondeu prestativa.
Ele olhou para ela alguns minutos.
—Você é filha do Carlisle? — Ele sorriu.
—Sim. O senhor o conhece? — Sorriu natural.
—Estudamos juntos no colegial. Era você quem estava brincando com o carro? — Perguntou e olhou em minha direção. Não pareceu acreditar que uma mulher seria capaz de fazer manobras bruscas com um carro. Nem eu acreditaria! Mas, do que ela não é capaz?
—Era. O senhor quer ver? — Perguntou marota. Eu balancei a cabeça desacreditado de sua inocência.
—Não precisa. Vá para casa e dê lembranças do Júlio ao Carlisle. Até mais. — Entregou os documentos dela e saiu. Eu fiquei quieto, pensativo.
—Vamos de novo!? — Provocou cinicamente, obviamente conjecturando a hipótese.
Revirei os olhos e respondi sério: Vamos para casa, Bella! Não era para você ter assumido isso.
—Edward, relaxa! Pare de ser resmungão! Fui eu quem começou. Eu tinha que assumir as responsabilidades.
Ligou o carro e dirigiu cantando, ignorando-me, até minha casa. Eu desci em silêncio e cumprimentei Rosalie com um beijo no rosto.
—Pensei que ia morar lá igual o Jasper! Estou vendo que só eu quem não vou mudar para lá. — Rosalie brincou.
—Bem que eu queria aprisioná-lo lá, mas ele é teimoso em fugir de mim. — Bella me envolveu com um abraço apaziguador. Eu sorri e a beijei na testa.
—O almoço está pronto. —Rosalie informou. —É lasanha. Eu estou saindo. Divirtam-se! — E saiu.
Almoçamos e deitamos no sofá, Bella na minha frente, deitada no meu braço.
—Edward, posso tomar banho aqui? Estou com a roupa que estava no hospital. Queria trocar.
—Sem problema.
—Você pega lá as coisas no carro que eu te espero no banheiro. —Avisou e seguiu para o banho.
Eu peguei sua bolsa no carro, pus sobre minha cama, encontrei toalha e nécessaire, depois bati na porta do banheiro para entregá-los.
—Entra.
Entrei de cabeça baixa e coloquei os itens em cima da pia.
—Quer vir? — Perguntou por trás da cortina de plástico.
—Lógico que não né, Bella. — Óbvio que quero. Sacudi a cabeça e expulsei os pensamentos sem me dar chance de levantar o rosto para fitá-la.
—Pode olhar para mim. Eu estou vestida. Fica aqui. — Pediu manhosa. Ela devia gostar disso: torturar-me. Só tinha essa explicação.
Levantei os olhos, e ela estava molhada, de conjunto adolescente de algodão rosa, transparente por causa da água, enquanto passava o sabonete pelo corpo... Pior, no meu banheiro. Essa imagem iria me perseguir pelos dias decorrentes.
Meu corpo despertou ao registrá-la. Minha mente voou, imaginando-a comigo de várias formas ali. Balancei a cabeça e libertei-me da vista. Frustrado, saí para pegar uma cadeira e sentar-me à porta do banheiro.
—Bella, você percebe o que faz? Você está consciente? — Perguntei olhando para as minhas mãos.
—Fale claro. —Pediu direta.
Minha reação reflexa foi retesar ante seu tom inquisitivo, mas não me permiti intimidar. Com um suspiro, obriguei-me a romper minhas limitações, que era a dificuldade de me expor.— Bella, eu não sou tão forte como você imagina que eu seja. Esses dias então, eu não estou em condições favoráveis para presenciar suas brincadeiras. Está demais para mim.
Ela passou um tempo silenciosa, enquanto isso o barulho da água escorrendo despertou minha imaginação, ainda assim permaneci de cabeça baixa, torcendo que ela tivesse entendido para eu não ter que me expor de um modo mais claro.
—Isso não quer dizer que eu vou parar de brincar. — Sentenciou com um risinho malicioso. Ergui o olhar cético. Ou ela não entendeu, ou entendeu tudo e gostava de massacrar. Ela terminou o banho e pediu a toalha. Entreguei e direcionei-me à sala para lhe dar privacidade.
Minutos depois ela apareceu na sala com o vestido que pediu para Alice: de malha, curto e tomara que caia. Bem, ela abusava assim porque o aquecedor da casa estava ligado. E embora não tivesse, minha temperatura seria suficiente para aquecer a casa.
—Senta aqui, Bella. — Apontei carrancudo para o sofá, e ela sentou. Em seguida coloquei a cabeça em seu colo. Não podíamos deitar de conchinha com ela usando um vestido tão corrompido. Todavia estar com a cabeça em suas pernas também não ajudava muito, pois involuntariamente, involuntariamente mesmo, meu rosto virava para sentir o cheiro do sabonete e consequentemente fantasiava com que gosto teria suas coxas em minha língua. Argh, meu cérebro estava a mil. Eu tinha que conseguir salvar Bella de tamanha torpeza. Ela era um ser completamente puro, usufruindo de suas pequenas descobertas hormonais adolescentes, e eu querendo pular etapas!
—Por que a gente não fica no seu quarto? —Bella propôs. — Eu não estou a fim de assistir TV. Podíamos ouvir música e ficar deitado lá.
Encarei-a incrédulo, buscando encontrar um sinalzinho de consciência. Ou ela não tinha noção da gravidade, ou ela realmente queria me levar à demência.
—Vamos, Edward. — Afastou a minha cabeça de suas pernas e se direcionou ao meu quarto.
Arrastei os pés até o quarto e, quando cheguei, ela estava procurando uma rádio; encontrou e pôs uns travesseiros na cama.
—Vai ficar aí na porta? Você está tão lento hoje! — Deitou e apontou o lugar ao seu lado para eu deitar. Eu deitei de bruços, me protegendo de tamanha tentação.
—Você devia tomar banho também... —Sugeriu de sobrancelha arqueada. —De repente você ficar melhor.
Franzi o cenho ao pressentir a insinuação. Não me mexi e, quando menos esperei, ela se sentou em minhas costas e tirou minha camiseta devagar. Depois se inclinou e arrastou a boca sem pressa com beijos até o pescoço. Fechei os olhos e deixei por alguns minutos que a sensação de sua língua e mordidinhas na minha pele me queimasse. Hmmm, eu queria mais. Sempre mais. Respirei fundo e me virei para olhar nos olhos daquele anjo mau que me atormentava. Seus olhos eram pura diversão e ela continuou sentada no meu quadril, com o vestido cobrindo nada... Tá, evitei olhar. Eu juro.
—Bella, você está brincando com fogo... Não devia me tentar ass...
Nem terminei a frase, e ela cobriu minha boca com volúpia, exigindo e tomando minha língua. Meu Deus. Deixei-me levar pelos beijos molhados, quentes e seguros. Meu corpo se agitava na cama, minha pulsação corria. Ela tinha o poder de me fazer entrar em efervescência. Subi as mãos em suas coxas, quadril e percebi que eu estava fora de mim.
Não era mais o ser humano comedido que já fui. Existia um instinto inadequado habitando em mim, e eu não conseguia me controlar. Eu a queria imediatamente. Instintivamente, virei nossas posições na cama e me coloquei por cima, com uma nuvem vermelha de desejo nos olhos. Ela sorriu e pareceu feliz com minha reação. Seus olhos flamejavam promessas, e ela me puxou pelo cabelo para um beijo lúbrico, abriu a perna naquele minúsculo vestido e puxou meu quadril, me aconchegando nela. Céus, era muita tentação, muita tentação. Tão quente. Minhas mãos por vontade própria apertaram suas coxas, modulando-a em mim. Eu queria despi-la, abaixar seu vestido, tomar seus seios em minha boca novamente, beijar cada canto. Mas eu sabia que dessa vez não conseguiria parar. Dessa vez não estávamos em um carro no meio da rua. Estávamos em casa e sozinhos. E eu não devia testar meu domínio.
Ela continuou com seus lábios impetuosos e respirava desesperadamente, ansiosa, enquanto me apertava inquieta ao seu corpo. Por um segundo, soltei seus lábios, beijei seu colo e olhei para baixo para ter um vislumbre de sua calcinha exposta. Testando-a, arrastei um pouquinho o volume da áspera calça jeans nela e o estremecimento que Bella deu abalou minhas estruturas. Não. Era demais para mim. Nosso desejo era maior que o meu controle, então... Devia parar. Tinha que parar.
—Bella, eu vou tomar banho. — Refreei de súbito e a deixei respirando ofegante na cama. Foi horrível fazer isso, mas eu sabia que se ela me olhasse com aqueles olhos dilatados eu não resistiria e quebraria a promessa. Girei sobre meus pés, direcionei-me ao banho e, de novo, acalmei a ânsia do meu corpo, aviltado pelo vício incontrolável.
Minutos depois, troquei de roupa, voltei para o quarto mais calmo, e ela me olhou minuciosamente.
—O que foi? — Eu quis saber.
—O banho resolve o seu problema, é? — Sorriu curiosa.
—Gelado, sim. — Ri de canto com sua inocência em não saber que não era o banho que resolvia.
—Então já temos a solução. — sugeriu animada.
—Ah é, mas só resolve momentaneamente. — Observei secamente.
—Então a gente beija dez minutos e você vai tomar banho, a gente beija de novo e você toma banho. — Brincou.
—Muito fácil de resolver. — Ironizei.
—Você vai ter que se acostumar. Eu adoro beijar você e mesmo que não queira me beijar, se quiser ficar comigo vai ter que se acostumar a me beijar muito. —Ditou. — Credo! Eu nunca vi isso! Parece que você não gosta de me beijar! Se eu não te pressionar, você não beija!
Ela tinha entendido tudo errado. Parecia não entender do que se tratava. Talvez a sua inexperiência fosse a responsável pela aparente inocência.
—Mas eu também adoro beijar você... — Oh, Deus, como ia explicar isso? —O problema é que é instinto. Eu estou muito sensível! Consegue entender isso? — Perguntei sem ânimo de entrar nesse assunto novamente.
—Como assim? Por que você não explica num linguajar claro? Por que você está evitando me beijar desde ontem? Sinceramente eu não consigo entender.
—Bella, eu prometi respeitar o seu tempo, lembra? Pois é, eu me sinto fraco. Falando como homem, estou obcecado por você. Você está irresistível para mim ao ponto de me causar dor física. Por isso eu estou te evitando. Você lembra de ontem no parque, quando eu disse que não ia mais deixar você me torturar? Pois é, era com relação a isso que eu falei. Eu estou à beira de uma combustão espontânea. Estou me sentindo horrível com isso, nunca imaginei que a presença de uma pessoa deixasse o outro tão descontrolado assim. Me sinto realmente um maníaco obsessivo.
Inesperadamente, Bella gargalhou alto. —Adorei ouvir você se abrir assim. Mas agora eu estou com dó de você! — Ela continuou sorrindo.
—Por quê? — Cerrei os olhos desentendido.
—Porque eu pensava que me evitava por não gostar de me beijar, ou porque era inibido demais para iniciativas, mas saber que é porque você me deseja demais e está descontrolado, me deixou convencida e me dá mais poder sobre você. —Piscou presumida. — Se você achava que eu te torturava, agora que você vai ver! — Ela sorriu e aproximou-se, sentando no meu colo enquanto segurava firmemente o meu rosto para me beijar.
—Sabia que você tem que ir embora? — Informei antes que ela obtivesse êxito. —Já passam das quatro e você não deve chegar tarde.
—Está querendo se livrar de mim? — Cruzou os braços chateada pela rejeição e sentou-se ao meu lado.
—Lógico que não. —Neguei pacificador. — Só estou preocupado. — Deitei na cama e a trouxe comigo para o meu peito.
—Vou ficar só mais um pouquinho, tá? —Aconchegou-se manhosa. —Prometo me comportar.
—Tá. —Disposto a não perder tempo dela, passeei os dedos em seus braços, pescoço, abracei-a e beijei seus cabelos, curtindo os mínimos segundos que pudéssemos ter. Ela sorria silenciosa e passeava os dedos em meu peito. Havia um brilho contente nos seus olhos, e isso me alegrava. Permanecemos abraçados um bom tempo, até que eu interrompi o silêncio.
—Bella, podíamos conversar sobre nós. Sobre o que está acontecendo, ou o que esperar... — Propus sentindo instantaneamente suas costas se erguer num suspiro.
—Não, por favor. Eu não quero.— Ela relutou. —Melhor não estragarmos o dia.
—Você não quer saber o que seu pai queria comigo? — Insisti.
—Prefiro não. Acredito que quase a mesma coisa que ele disse para mim.
—Eu queria saber o que ele te disse. — Pedi, deslizando os dedos por sua coluna para deixá-la dócil.
—Pediu para eu diminuir a intensidade do meu sentimento. — Resumiu, sem vontade.
—Você acha que ele tem razão? — Perguntei cauteloso.
—Eu não quero achar nada. Sentimento não é um botão que liga e desliga para se diminuir a intensidade... Mas eu sei lidar com o meu pai. — Respondeu impaciente.
—Ele é muito bom pra você, não é? — Perguntei afirmando.
—Sim. Eu sei que o problema dele comigo é só preocupação e amor... — Disse frustrada. Ela amava o pai, estava claro, e temia magoá-lo.
—Eu também me preocuparia se você fosse uma filha minha. — Fitei o vazio, pensando nas palavras do Sr. Cullen na noite anterior.
Bella me afastou e olhou-me com olhos reprovadores.
—Edward, não fale assim de você mesmo. Não há razão para ele se preocupar. Eu conheço você, eu te entendo e sei que você é bom, um gênio, admirável, apegado à família, e vai ser o melhor na profissão que quer ter. Não há razão para apoiá-lo nessa opinião dele.
Eu assenti em silêncio e abracei-a forte, surpreso e grato por suas palavras de afirmação. Permanecemos mais um tempo quietos, aproveitando nossos últimos minutos, e quando as horas não estavam mais do nosso lado, eu lembrei-a de ir.
—Está na sua hora... — Eu disse carinhosamente. —Depois eu te ligo.
Ela riu triste.
—Não precisa me prometer algo que você não vai fazer. — Lembrou amarga. E a alusão implícita ao fato de eu ter prometido vê-la quando chegasse da Capital e não ter cumprido me machucou.
—Você não acredita em mim? — Perguntei culpado.
Ela ergueu o olhar desamparado. —Eu acredito no que você sente hoje, quando está perto de mim. Quando estamos longe eu não reconheço seus sentimentos. E não vou me permitir sofrer esperando algo que não vai acontecer.
Com um suspiro desolado, sentei-me disposto a elaborar o assunto. Esta era a deixa para conversarmos sobre futuro.
—Quando você fala isso, está dizendo nas entrelinhas que não acredita mais em nós. — Sugeri e deixei a insegurança se alargar em meu peito. Tudo por culpa de um ato impensado. Droga, o que eu fiz? Um momento de covardia apagou toda fé dela em nós. Se eu pudesse voltar no tempo, três semanas atrás...
—E você, Edward? —Devolveu. —Você acredita que exista amanhã para nós?
Encarei-a, lendo no seu semblante a incerteza... Ela não estava mais disposta a esperar... Talvez cada um de nós escolhesse rumos diferentes agora... Talvez ela quisesse viver a sua própria vida... E talvez fosse o certo, afinal.
Fechei os punhos e meu cérebro rejeitou energicamente essas premissas. A inquietação no meu peito foi tamanha. Uma sensação aguda que só a dor trazia apertou meu peito e queimou minha garganta, me fazendo respirar pesadamente ao pensar na renúncia a este amor. Senti-me derrotado, sufocado e deixei-me arruinar pela tristeza.
—Oi, crianças! — Esme nos pegou de surpresa ao entrar no quarto.
Levantei-me para falar com ela. —Oi, mãe! — Dei-lhe um beijo no rosto e Bella também se levantou para cumprimentá-la.
Esme fitou-nos por uns segundos, observando o nosso semblante e se direcionou ao seu quarto. Peguei na mão de Bella e puxei-a para a sala.
—Edward, cadê a Rose? — Esme perguntou.
—Saiu depois do almoço e não disse onde ia. — Respondi e aproximei Bella de mim. Ela estava distraída, com olhos distantes. Deus, não podia ficar longe dela. Meu coração doía em saber que ela tinha que ir. Ainda mais vendo o muro que se ergueu entre nós depois do último assunto.
—Edward, eu vou dormir em Seattle, pois Carlisle deu recesso coletivo de Ano Novo. Eu vou ficar lá amanhã e volto só depois de amanhã para passar o New Years Eve com vocês, tudo bem? — Esme avisou, e eu assenti.
—Você vai dormir na minha casa?! — Bella levantou-se e perguntou com uma pequena mudança na expressão, os olhos brilhando.
—Sim, vou ver como está o meu filho e ficar um pouquinho com ele, já que hoje tive que vir trabalhar. — Ela respondeu e voltou para o quarto, apressada.
Bella segurou a minha mão e puxou-me para o quarto da minha mãe.
—Então eu vou dormir aqui! —Avisou subitamente eufórica. — Meu pai não vai ter coragem de brigar se você chegar lá e falar que eu resolvi dormir aqui. Embora ele vá me encher o saco depois, enquanto você estiver lá, ele não vai ter coragem de brigar. — Explicou conspiradora.
Eu fiquei perplexo com sua mudança repentina, e feliz em saber que ela desejava estender o tempo comigo.
—Eu aviso. Mas por que você tem tanta certeza assim que eu falando ele não vai brigar?! — Questionou curiosa.
—Porque quando ele está perto de você, ele fica todo bonzinho e desprotegido. — Bella riu maldosa. — Já presenciei isso duas vezes.
—Então tá. — Esme respondeu desconfiada e continuou arrumando a bolsa de roupas.
—Bella, tem como você me esperar lá na sala um pouco. — Pedi educadamente. Ela retirou-se do quarto. —Mãe, precisamos conversar. —Comecei sério. —Vocês estão me escondendo algo sobre Jasper, e eu não gostei de estar por fora. — Cruzei os braços pressionando-a.
Ela tentou evadir-se. —Pergunta para Bella. Eu quero sair logo para não chegar lá muito tarde.
Eu torci os lábios. Dessa ela conseguiu escapar.
—Então tá, depois eu pergunto para ela. —Concedi. — Mas eu tenho outra pergunta e dessa você não vai escapar... Eu vi certo médico no hospital parecendo muito interessado em você. Você percebeu isso? — Sorri sugestivamente.
—Sim. Ele até já conversou comigo. — Minorou a importância com um dar de ombros.
—E? — Insisti.
—Eu não sei, estou pensando ainda. — Respondeu relutante, querendo cortar o assunto.
—Mãezinha querida, eu estou tentando conversar, me dá cinco minutos seu. — Bajulei. Ela sentou resignada.
—Você não está dormindo com o Sr. Cullen, né? — Inquiri desconfiado.
—Não, Edward! — Respondeu na defensiva, depois torceu os lábios frustrada.
—Esme, você não esqueceu ele? — Censurei.
Ela suspirou desolada.
—Edward, até que quando eu estou longe dele eu não sinto nada, mas quando estou perto... Eu não sei. —Abaixou o olhar envergonhada. —Eu torço para ele me chamar.
—E ele não tem chamado? — Perguntei surpreso.
—Não. Na casa dele não. Lá ele se comporta como meu amigo.
—Você não disse que tinha esquecido ele? Não disse que o amor de adolescente tinha morrido? — Perguntei cauteloso. Deus, quanto tempo mais minha mãe iria sofrer por esse homem?
—Eu pensei que sim... Mas depois de ver o que ele faz pelo Jasper, depois de sentir o quando ele é bom para mim, independente do envolvimento entre você e Bella, eu percebi que o meu Carlisle está lá. — Suspirou sonhadora.
Cerrei os punhos subitamente aborrecido. Droga, iria começar tudo de novo! Como Esme alimenta esse amor platônico por um homem que não a merece!?
—Mãe, você tem que se dar uma chance... Tente com o médico do Jasper. — Falei brandamente, mas sentia ansiedade e desespero ao pensar no seu sofrimento em estar presa novamente a ele, sem que ele desse nada em troca.
—Eu vou tentar, Edward, amanhã mesmo eu vou ligar para Dr. Charles e aceitar o convite de sairmos para jantar.
Eu a abracei. Sabia que não era o que ela queria fazer, mão não custava tentar protegê-la.
—Mãe... Aquele homem não merece você. — Tentei novamente.
—Filho, lembre-se que aquele homem é o pai da Bella. Ela não vai gostar de ouvir você falar do pai dela assim. — Me soltou do abraço. —E vocês? Como estão? Por que estavam com aquela cara quando eu cheguei?
Eu torci os lábios, incapaz de ocultar meus sentimentos. Nunca fomos só filho e mãe. Somos antes de tudo companheiros e amigos. E desde o dia em que vi Bella pela primeira vez foi com ela que contei para me abrir.
—Eu não sei... Eu não sinto mais segurança nela. Antigamente ela lutava por mim. Agora parece que ela só quer curtir o hoje e acabou. Parece que ela desistiu de um futuro comigo. Ela não quer mais conversar sobre a gente. — Resmunguei inseguro
—Você ainda vai embora daqui a quatro dias? — Esme perguntou.
—Eu não tenho certeza, mas acho que não... Não estou conseguindo me desprender... Mas só não vou se ela quiser que eu fique. — Murmurei incerto.
Ela percebeu a minha angústia e me abraçou. —Você disse isso a ela?
—Não.
—Eu espero que vocês consigam vencer os obstáculos da vida. E a maioria deles é resolvido com conversa. Se você vencer esta sua barreira em não gostar de se abrir já é uma grande conquista. — Aconselhou-me.
—Mas ela não quer mais conversar... — Expliquei desgostoso.
—Fica calmo. Ela vai querer. Ela gosta de você. Só o fato de ter enfrentado o pai ontem à noite para dormir com você e hoje estar comprando briga de novo para dormir aqui, mostra que ela quer ficar perto de você. Então não perca o tempo de vocês com pequenas desavenças. Fique feliz!
Eu sorri sentindo alívio em ter conversado.
—Obrigado, mãe. Amo você. — Beijei sua testa e voltei para sala revigorado. Bella estava sentada no sofá conversando com Rose.
Mais esperançoso, sentei-me no sofá e trouxe Bella para o meu colo. Ela sorriu acolhedora e deitou o rosto no meu ombro.
—Bella, você pode dormir na minha cama. — Esme avisou. —Ela é grande e confortável. Edward, depois você troca os lençóis para ela. — Pediu e me encarou. Rá, de onde minha mãe tirou a idéia de Bella dormiria na cama dela? Ela iria dormir no meu quarto e na minha cama!
—Obrigada, Esme. Pode deixar que eu durmo lá. — Bella respondeu grata.
—Então, crianças, estou indo. — Despediu-se apressada.
Assim que ela saiu, convidei Bella para sairmos pela cidade. —... Aí nós jantamos cedo, porque quero voltar cedo e dormir cedo. —Enumerei animado. — Amanhã vou te levar em um lugar e tem que ser antes do sol nascer. — Expliquei.
—Eu não quero dormir. — Fez bico. —Vou passar a noite todinha acordada com você. Pra que dormir se vamos ter que acordar? — Brincou e beijou meu pescoço. —Melhor não dormir. — Piscou bem-humorada e beijou-me no rosto. Sorri e passei os braços fortemente em volta dela. Estávamos em paz novamente.
—Bella... Você não está preocupada com o seu pai, não? —Perguntei após uns minutos.
—Só um pouco. É um milagre ele não ter ligado ainda. — Comentou pensativa.
—O que vamos comer? — Mudei de tema antes que o clima pesasse.
—Acho que pizza, pode ser?
—Pode. Então vamos sair que eu vou te mostrar minha cidade. Vou mostrar onde eu estudei e onde eu cresci. — Propus, e ela não pareceu se interessar.
—Não estou a fim de sair, não. Está congelando lá fora. Rosalie chegou com o nariz vermelho. —Encolheu-se preguiçosa no meu peito. —E aqui dentro tá tão quentinho.
—Nossa, Bella, você é muito sedentária.— Resmunguei. — Pior que perto de você eu fico igual. Vamos sair. Quero passear em alguma praça, curtir o frio da minha cidade.— Insisti.
—Eu sei o que você quer, tá? —Torceu os lábios com uma carranca. — Pode pedir lanche que nós vamos comer aqui. Depois pode deixar que eu vou dormir. — Impôs, saiu do meu colo, sentou no sofá e cruzou os braços.
—Mas não são nem sete horas! — Comentei surpreso.
—Você disse agora a pouco que tínhamos que dormir cedo. Então vou dormir!
—O que foi, Bella?! —Perguntei perdido com sua oscilação de humor. — Por que essa cara agora?
—Eu sei que você quer me evitar! Já estou arrependida de ter ficado! —Afastou-se para o canto do sofá cheia de birra. Só faltava essa!
Divertido com sua tempestade num copo d'água, puxei-a e sentei-a em meu colo novamente. Inclinei-me e abri meus lábios nos seus, movendo calidamente a língua em sua boca. Ela correspondeu com a mesmo intensidade, indefesa ante nossa química. Satisfeito com o resultado, afastei-a quando senti seu ar faltar.
—Mais calma? — Sorri presunçoso enquanto ela suspirava.
—Você tem que parar de questionar, só obedecer! —Ergueu um nariz petulante. —Eu só quero ficar deitada com você, você entende? Quero curtir segundo por segundo da nossa noite.— Sorriu e me puxou pelo pescoço para um novo beijo.
Após comermos a pizza que eu pedi, embalei o que sobrou e lavei as louças enquanto Bella procurava uma rádio no micro system.
—Ai, ai! Não passa uma música que preste nas rádios daqui essa hora! —Reclamou impaciente. — Tem algum cd bom aqui?!
—Eu só tenho de músicas clássicas.
—Piano? Orquestra? — Fez careta.
—Sim. — Sorri. Com certeza ela me via como o seu oposto.
—Ai, Edward, eu quero rock, rap, pop, trance, agitação, qualquer coisa desse tipo!
—Eu tenho um cd que eu ganhei. É da Madonna. Não gostei muito, não. Você quer ouvir?
—O novo da Madonna? —Deu um pulo animada. — É lógico que eu quero ouvir!
Eu quase rolei os olhos para sua animação. Busquei o cd no quarto e entreguei a ela, depois fui secar as louças. Ela aumentou o som, dançou lendo as letras no encarte e cantou alto. Era muito estranho a inclusão de alguém tão hiper-ativa em meu calmo mundo.
—QUEM É SOPHIA? — Gritou, pois a música estava muito alta. Ela segurava o encarte nas mãos e certamente tinha visto a dedicatória de aniversário no encarte.
Abaixei o som antes de responder. —A pessoa que me deu.
—Quem é ela? É do seu curso? —Questionou. — Ela deu nesse último aniversário, né? O cd é lançamento... — Atropelou em perguntas.
—Sim, é uma daquelas colegas do curso que você conheceu lá na casa do Ryan. — Respondi e continuei organizando a cozinha.
—Mas você não passou seu aniversário lá! — Argumentou desconfiada.
—Ela me deu um mês antes. —Tentei evadir. — Por que tantas perguntas?
—Ela é aquela que estava na cozinha? A mais quieta de todas? — Continuou, com o cenho franzido.
—Sim.
—A mesma que te deu o perfume? —Insistiu. — A que é a fim de você?
Respirei fundo.
—Bella, qual o problema?
Ela fez cara de poucos amigos, jogou o encarte na mesa bruscamente e foi ao carro pegar todas as suas sacolas de loja. Ficou inexplicavelmente estranha e distante e evitou meus olhos quando voltou e se trancou no quarto da Esme. Não entendi a reação. Fiquei parado como estava, em choque com o furacão, só observando de braços cruzados.
Quando eu vou entender essa mulher? Cada reação é inesperada! A cada dia que passa duvido mais da sua sanidade.
Alguns minutos se passaram, ela tomou banho, saiu ainda emburrada do banheiro e encostou a porta do quarto. Desorientado, tomei um banho, vesti um short e fui ao quarto dela vê-la e dar boa noite. Sentei na cama para observá-la, e ela estava coberta da cabeça aos pés.
—Bella... — Chamei-a. Ela não respondeu. —O que aconteceu?
Ela continuou deitada e coberta.
—Edward, eu tenho uma coisa para te confessar... —Disse meigamente. Eu novamente fiquei confuso. Não conseguia acompanhá-la. —Eu menti para você e não desejo mentir mais... — Sussurrou, inexplicavelmente dócil. —Você ontem disse que sabia que eu tinha mentido para você e mandou-me pensar e te falar... Então eu vou logo confessar. —Revelou humilde.
—Tudo bem. — Esperei que ela desenvolvesse.
Ela sentou-se e não se descobriu do lençol. —Por que eu não posso comprar coisas pra você?! — Perguntou manhosamente. —Por que a sua amiga da Capital pode te dar presentes, e eu não?! Ela é mais importante do que eu?! — Fez um bico carente.
—Eu aceitei um presente seu, Bella. Inclusive estou lendo e gostando.
—Não foi um presente só meu! — Reclamou contrariada. —E eu nem acredito que nós vamos ter essa conversa novamente. — Cruzou os braços sobre o lençol e fez beicinho, magoada. —Poxa, eu compro com carinho! Você devia ter mais consideração por mim. — Melindrou olhando para o chão.
Imediatamente, aproximei-me dela e tentei trazê-la para perto, com o braço em volta do seu ombro.
—É desproporcional, Bella. O que eu posso te dar perto do que você comprou pra mim? Aqueles óculos são um Ray-Ban exclusivo, o relógio Adidas topo de linha, o perfume Pólo. Tudo é muito caro! —Elucidei exasperado. —É muito desproporcional. Chega a ser constrangedor.
—Você já pensou que o que é caro para você, pode não ser para mim? — Questionou imparcial. —Tudo bem, então encare assim: é um investimento, um empréstimo. Um dia, se ainda estivermos juntos, você me dá algo proporcional. Me cubra de ouro, se você quiser assim... Mas, por favor, aceite... — Suplicou carinhosamente.
—Bella, não... — Neguei.
—Edward, eu já comprei. Você devia usar se tem consideração por mim. Você gosta de me ver infeliz? — Olhou-me por baixo dos cílios. Ela me torturava agindo assim.
—É lógico que não. — Disse comovido e acariciei seu rosto.
—Pois você me deixa muito infeliz com as suas preferências pelos presentes de sua amiga e rejeição aos meus. — Choramingou ofendida. —É tudo presente. Vai ver ela não é uma simples colega de classe... — Fez beicinho e virou o rosto. —Tenho sérias suspeitas, já que dela você já aceitou dois e de mim nada!
—Bella, quieta... Eu não tenho nada com ela. — Passei os dedos no seu rosto tentando evitar outro surto.
—Eu não me importo com o que você tem com ela. Só que você gosta mais dela do que de mim! — Dramatizou chorosa, jogando a mão no ar.
Balancei a cabeça em negativa sem acreditar que ela estava irritada com isso, fazia comparações entre sentimentos por causa de presentes!
—Eu não gosto dela. Pare com isso!
—NÃO PARECE! — Aumentou o tom e deitou, emburrada. Embrulhou-se até a cabeça e ficou em silêncio.
Respirei fundo várias vezes, pensando num meio de amenizar a situação.
—Tudo bem. Eu aceito seus presentes. — Cedi contrariado.
—Então passe agora o perfume que eu te dei! — Ela exigiu, deu um sorriso de canto dissimulado e sentou triunfante. Eu abri a boca para negar, mas não aguentava mais brigas. Fui ao meu quarto, abri a embalagem do perfume e borrifei em todo o meu corpo. Sentia-me um dominado. Não tinha mais desejos próprios.
Voltei para o quarto onde ela estava, entrei e ela estava de roupa íntima, com várias roupas dobradas em cima da cama. Não concentrei atenção nela para não cair em tentação e dediquei o olhar às minhas mãos, consciente que precisava conversar para restaurar a paz que nas últimas horas claudicava miseravelmente.
—O que você ia confessar, Bella? — Perguntei ao lembrar que ela começou falando sobre isso.
—Quero confessar que as roupas que você estava ontem não eram do Jasper. Eu as comprei pra você ontem de manhã porque as suas estavam sujas. Eu não quero mentir nunca mais para você, então para que eu não tenha que dizer que achei essas roupas aqui no lixo, aceita logo, por favor, as roupas que eu comprei hoje pra você. — Ela disparou num fôlego só, e eu levei algum tempo para processar a informação.
Depois que raciocinei, olhei em câmera lenta para cama. Tinha duas calças sociais, uma xadrez fino e uma risca de giz... Três camisas... Dois ternos completos com gravatas e cintos... E... Um sapato social.
Instantaneamente senti meu sangue ferver e uma explosão de ira fez meus punhos fechar.
—Bella, você enlouqueceu de vez!? — Disse entre dentes, tentando controlar meu tom de voz.
—Não. São só presentes. — Respondeu com um brilho cínico no olhar que me desequilibrou emocionalmente.
Ela devolveria tudo!
—Tá me achando com cara de michê!? — Não consegui controlar a fúria em minhas palavras.
—Você prefere que eu minta? — Ergueu o queixo insolente. Seu arzinho dissimulado estava me tirando do sério.
Apoiei os cotovelos na perna e segurei a cabeça nas mãos, tentando manter a calma. Queria fazer mil coisas com aquilo. Devolver, tocar fogo, jogar no lixo, atirar no rio...
Ela se aproximou lentamente e encostou a cabeça no meu ombro. —Edward, eu comprei com carinho. — Murmurou baixinho.
—Dá um tempo, Bella! Melhor não conversarmos. — Interrompi antes que a magoasse.
—Você vai precisar. Você vai trabalhar no Capitólio e vai precisar de ternos e roupas sociais. Por favor, eu estava sonhando em ver você dentro deles...
—Putz! Precisava desse exagero?! Eu não preciso que compre coisas para mim! Olha esse terno! — Apontei contrariado. — A marca mais cara do país, Bella!
—Você é o melhor. Então merece o melhor. —Bajulou.
—Meu Deus! Você é louca! — Balancei a cabeça e passei as mãos nervosamente em meus cabelos, transtornado pela situação humilhante.
—Edward, não briga... Aceita, por favor. — Sussurrou ignorando minha impaciência e deitou na cama. —Tem mais presentes para você. — Havia doçura em sua voz, o que só içou fogo à minha ira.
—Tudo bem, a devolução vai ser maior. — Grunhi, de cabeça baixa. Será que ela não tinha limites?
—Tem certeza que vai devolver? Eu já estou usando... — Virei o rosto enfurecido e deparei-me com ela apontando convidativamente para sua lingerie branca, de renda com cetim... Um pequeno shortinho de renda transparente, muito transparente, e sutiã de cetim com lacinhos e fitinhas caindo pela barriga e pelas laterais.
Abri a boca hipnotizado.
—Quer mesmo que eu devolva? — Mordeu os lábios maliciosamente. —É seu. É para substituir aquele embaixo do seu travesseiro... Você podia vir pegar... — Apontou para o sutiã provocando. Ela era maligna. Despertava meu desejo de apreciar a imagem e manipulava minha fúria. Era uma criatura astuta e confiante. Minha dona. Ela sabia como me vencer.
—Vai ficar com o presente? — Ela puxou as laterais e soltou bruscamente, fazendo barulho com o encontro do elástico ao corpo.
—Por que está fazendo isso comigo... —Lamentei ressentido por ser tão fraco, já sentindo o incômodo entre minhas pernas.
—É uma terapia... Sou sua psicóloga... Está vendo a roupa branca? — Ela apontou despudorada.
—Terapia para me enlouquecer, é isso! — Resmunguei indefeso.
Seu corpo atraía meus olhos como ímã, meus processos mecânicos foram adormecidos. Ajoelhei na cama, não resisti e aproximei-me apetecido pelo banquete à frente. Sem que eu pudesse conter, levei a mão ate sua coxa e permiti-me passear os dedos pela lateral, apreciando a beleza exagerada que suas curvas exibiam.
—Edward, vai ficar só olhando? — Intimou sensualmente. Ela hoje iria transformar meu cérebro em frangalhos. Iria me enlouquecer de vez.
—O que quer que eu faça...? — Murmurei desamparado, ouvindo a rendição e desejo em minha voz.
—Que me beije, é claro. — Afirmou convicta.
Sem opções de negar, aproximei-me de seus lábios sem permitir ao meu cérebro concentrar atenção nas peças íntimas que ela estava.
—Não... —Virou o rosto. — Na minha boca agora não... — Me conteve com a mão em meu peito.
—Onde quer que eu beije? — Perguntei sem rumo, a respiração ofegante.
—Em todas as partes descobertas. — Insinuou e mordeu os lábios.
—Bella... Não... Por favor... — Acariciei sua barriga e senti a memória do gosto em minha boca. Ela ergueu o tronco e arranhou a renda do sutiã com olhar travesso.
—Só você quem perde... Não quer o presente? — Murmurou maliciosa.
—Eu quero você toda. — Suspirei, me censurando por ser um obcecado.
—Pensei que você tivesse dito que não ia me pressionar...
Tirei minhas mãos de cima dela e retrocedi. Tão ávido como estava não tinha como não pressionar. Aborrecido como uma criança contrariada, deitei ao seu lado e olhei para o teto, com as mãos atrás da nuca.
—Sabia que você está me devendo algo? — Ela voltou a dizer depois de um minuto de silêncio.
—O quê?
—Mil beijos divididos em quatro partes iguais do meu corpo. Você prometeu no dia do meu aniversário e não me deu até hoje. Boa hora para pagar. —Incitou maldosamente.
—Não faz isso comigo, Bella... Por favor... — Supliquei vulnerável ao sentir suas intenções. Será que ela não sabia que a qualquer momento eu poderia perder a sensatez e aquelas pecinhas transparentes não me impediriam de possuí-la?
—Vamos colocar o cd da Madonna? — Ironizou e colocou uma perna em cima de mim. Sem forças para resistir, passeei os dedos novamente em suas coxas. —Faz assim, eu vou dividir melhor para você. Cem do joelho para baixo, trezentos do joelho até a cintura, trezentos da cintura ao pescoço e trezentos do pescoço pra cima. É pegar ou largar. — Negociou com fingida neutralidade.
—E o que eu ganho com isso? — Sorri sem humor de sua inclinação para a maldade.
—Você está devendo. Não tem porque ganhar nada. Além disso, só depois que me pagar que vai levar o seu presente. — Ela simulava inocência, como se o assunto fosse dinheiro ao invés de teste de resistência.
Um estremecimento de prazer me atravessou ao pensar beijar seu corpo seminu.
—Quem vai contar? — Sussurrei rouco, me rendi totalmente e procurei sua boca para um beijo, enquanto o martírio de sua doçura fustigava meu corpo faminto.
—Eu conto... Quero ter certeza que vai pagar um por um. — Mordiscou meu lábio inferior sedutoramente.
—Por onde quer que eu comece? — Arfei, a voz falhando de desejo.
—Dos pés.
Respirei fundo, ajoelhei, segurei seus pés, ergui e plantei beijos lentos no dorso. Ela sorriu e se contorceu de cócegas.
—Está contando? — Perguntei divertido ao vê-la sorrir.
—Sim.
Mordisquei os cantos e tinha o aroma de seu sabonete, cítrico e limpo. Sorri deliciado, ganhando o controle da minha situação e mordisquei lentamente até o joelho, sem deixar de registrar cada reação sua. Ela fechou os olhos e se contorceu. Arrastei os lábios para coxa, beijando e mordiscando cantinho por cantinho e tentei desconectar o meu cérebro pra que ele ignorasse o que eu fazia, mas a dificuldade de manter-me anestesiado me fazia tremer.
Beijei o ossinho da pélvis e, como se não bastasse minha própria avareza, o corpo dela sofreu um espasmo, e ela gemeu, erguendo o tronco e ondulando quase imperceptivelmente o quadril. Aquele convite mudo se atirou a mim duplicando o meu desejo incomensuravelmente. As correntes de eletricidade deixavam meus músculos tensos e meu cérebro sem o oxigênio necessário.
Subi lentamente para a barriga e senti seus tremores. Deus, eu não estava preparado para isso. Eram limites irresistíveis. Insuportáveis de abdicar. Sequioso, lambi até o umbigo, apreciei a textura, o paladar, tudo...
Ainda disposto a agradá-la, mudei-a na cama, deixando-a de bruços e afastei os seus cabelos para beijá-la na nuca, pescoço, atrás da orelha, enquanto minhas mãos vagavam por suas curvas da nádega, coxas. Ela arfava e se retorcia, dando gemidos que arrastavam a minha mente sã à beira do abismo.
—Bella... a Rose... Menos... — Sussurrei a fim de contê-la.
Tentando clarear a bruma de luxúria que pairou sobre meus olhos, levantei e liguei o som. Apreciei a imagem bela e perfeita, cálida e feminina em cima da cama, coberta pelos cabelos e com olhos fechados. Era exótica e pura. E eu me sentia soberbo em ser eu a despertá-la para o desejo. Permiti-me contemplá-la por longos minutos, assim eu acalmava o meu desejo e proporcionaria um longo tempo de deleite àquela insensata e amada que me enlouquecia com as suas extravagâncias.
Engatinhei na cama e encostei-me ao seu lado.
—Quantos? — Fingi objetividade.
—300. — Murmurou incerta e com o olhar anuviado.
Sorri, voltei meus lábios para sua nuca e não me interessei em contagem. Eu só queria estar ali, desfrutando do bouquet enquanto não podia usufruir do vinho. Desci por ombros, laterais das costas, dando pequenas mordiscadas, arfando de prazer ao senti-la quente como brasa. Beijei sua cintura e ela estremeceu, entregue aos meus beijos.
Segui mordiscando até seu quadril e fui à loucura quando beijei sua nádega. Meus olhos perderam o foco ao ver o shortinho minúsculo perdido nela, sexy, permitindo uma visão alucinante da grande porção de carne exposta. Eu beijei, apertei, mordi. Ela grunhiu e contorceu-se como cobra em brasas.
Respirei fundo e a virei bruscamente, arrastando meus lábios indelicadamente de sua barriga, abdômen, colo, até a boca. Beijei-a vorazmente. Ela correspondeu com lábios quentes, molhados, intensos, abandonando sua língua inquieta em minha boca, ao tempo que gemia. Apertei-a ao meu corpo, moldando seu quadril ao meu, desejando-a quase com desespero. Meu corpo necessitado insistia em pedi-la, pulsando, contorcendo em mim. Negar era como nadar contra a força de uma correnteza feroz.
Deus, eu queria fazer tanta coisa com ela. Queria entrar com a mão na peça íntima, tocá-la intimamente, acariciar, degustar, prová-la toda. Queria lhe proporcionar prazer de várias maneiras. Porém, sentia-me retraído, impedido por seus planos. E tinha consciência que depois de começar, não conseguiria parar.
—Posso pegar o meu presente? — Arfei, buscando ar e parei para controlar-me. Eu estava à beira de uma súbita e violenta fragmentação de células.
—Se aceitar esse, tem que aceitar e usar todos... — Sussurrou. Ela era um ser maquiavélico, oportunista, astuta, e eu a amava por isso também.
Sorri com a sua tendência para o mal. —Quantos faltam? — Perguntei.
—Perdi as contas, vamos ter que começar tudo de novo.
Suspirei verificando se ainda tinha algum controle. —São todas as partes descobertas? — Eu precisava de certezas. Ela não respondeu, e sempre que ela fazia isso, eu ficava cheio de dúvidas. Ela tinha que se conscientizar que estávamos juntos nisso. Eu só iria aonde ela me conduzisse. Ela se virou, intentando orientar-me aonde eu deveria chegar, desencaixei o seu sutiã e tracei o caminho de suas costas novamente com a língua.
Eu já beijei suas costas em outra ocasião, ocasião esta que eu bloqueava da minha lembrança. Hoje tudo era novo, cada toque era novo, cada sentido era novo, o gosto era novo.
Virei-a novamente e ela puxou-me para sua boca. Seus lábios quentes estavam insaciáveis e inquietos, me levando a um ponto distante. Meu nível de excitação era alto, eu perdia o controle e o senso de realidade. Sua boca sugava minha língua. Meu corpo clamava por atrito, por atenção, por liberação.
Fantasiava ter minha masculinidade no lugar da minha língua e ser aquela pequena parte que era sugada ao seu interior com fome. Imediatamente expulsei os pensamentos lascivos e permaneci explorando-a com a boca, deliberadamente arrastando-me em sua feminilidade, recebendo gemidos ansiosos de aprovação.
Acariciei com as mãos trêmulas, pelo desespero e o medo de não conseguir parar, a lateral do seu corpo, alcançando cautelosamente seus seios perfeitos. Eu adorava a idéia de poder tocá-los. Era tão nova essa intimidade, tão extasiante. Eles tinham o tamanho ideal, com gosto delicioso. Ela soltou os meus lábios e ergueu o tronco arfando, de olhos fechados.
Continuei afagando-a, estimulei o mamilo, mas a indecisão me invadiu ao vê-la tão confiante. Eu queria tomar, saciar-me, usufruir de cada grama dos seios rosados, mas eu não me sentia seguro e me contive em somente apreciá-la, enquanto apertava, esperando nesse tempo a minha respiração acalmar.
Ela percebeu a mudança brusca no ar, abriu os olhos e olhou-me com olhos vítreos.
—Edward, você é indeciso demais... Eu já deixei...
—Eu sei, mas não posso mais que isso... — Murmurei, sentindo-me latejar, agora com um pouquinho de dor.
—Não é por você... Eu quero. — Sussurrou e puxou-me novamente para seus lábios.
Por que, em nome de Deus, Bella queria de me torturar assim, se não íamos aos desfechos?
Bem, saber que ela não obstava, melhor, que queria, me impulsionou, oh Deus, a prosseguir com aquela lasciva exploração masculina que me aprazia e me torturava. Soltei-me dos lábios molhados e desci lentamente pelo queixo, pescoço, e alcancei o seio. Movi a língua devagar, sentindo a superfície, o feitio, a temperatura, o gosto... Lentamente... Enquanto meu corpo ardia em chamas que eu tentava controlar.
Movi meus lábios para o centro, delineei o bico e mordisquei leve, observando-a gemer e erguer o corpo, pedindo mudamente por mais. Vê-la assim dissipou o meu juízo, e os toques de conhecimento com os lábios não foram mais suficientes. Juntei os dois nas mãos, abri a boca num mamilo, sugando, e passei de leve os dentes, primeiro um, depois outro, mordiscando toda a extensão. Ela se projetou, contorcendo-se por mais, o que só me deu poder em continuar provocando, sem conseguir conter os sons dos meus próprios gemidos de fome, de prazer, de ansiedade, de luxúria.
Pressionei meu quadril nela, e Bella prendeu as coxas em mim, ansiosa. Éramos dois corpos se conhecendo, se atraindo, se buscando. Minha boca se apossou dos fartos seios, alimentei-me de seu gosto e registrei minuciosamente as sensações. Suguei, lambi, e ela arfou compulsivamente, puxando os meus cabelos. Calafrios de prazer corriam por meu corpo, meu cérebro estava sem um ponto fixo, desconectado. Nada era suficiente mais. Não eram suficientes pequenas sucções. Eu grunhi, mordi e os chupei no fundo da minha boca, explorando de maneira nada cavalheiresca. Há muito tempo eu não era mais senhor das minhas vontades. Eu não iria mais parar.
Com a excitação num nível elevado, voltei para os seus lábios, segurei seu quadril e apertei contra mim de uma maneira brusca. Ela instintivamente se moveu e me acomodou generosamente a si, arfando como se estivesse desesperada por algo. Beijei-a num ritmo voraz, sem reservas, movendo-a comigo. Ela tremeu e gemeu na minha boca, com as unhas em minhas costas. Eu fui aos poucos arrastado pelo prazer irresistível. O clímax cresceu em espiral em meus poros, invadiu meu sistema e não pude mais me conter. Meu cérebro foi entorpecido por densidade, o líquido seminal esvaiu-se naturalmente e todos os sentidos suspenderam, levando-me grunhir de prazer e agonia em sua boca. Choques convulsivos sacudiram meus músculos e a dormência prazerosa me fez desabar sem forças sobre ela... Foram segundos e segundos de deleite sem fim.
Sem ar, abri a boca em seu rosto, enquanto meu corpo ainda tremia em espasmos, mergulhei o nariz em seus cabelos e agradeci aos céus por tê-la ali, toda minha. Ousada e Indulgente. Linda e perfeita.
Queria dizer que a amava... E que ela sempre seria tudo pra mim...
Continua...
