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-BOM DIA, querida. Dormiu bem?

Alexis sorriu para a avó e ocupou uma das cadeiras diante do balcão, seu café da manhã diante de si, e Martha encheu um copo com água sentando-se ao lado da neta.

-Como uma pedra. – confirmou recebendo um sorriso. – Acho que eu estava cansada... – admitiu. Os eventos da última semana haviam tirado seu sono, e ela sabia que da próxima vez, os pesadelos viriam com tudo. Alexis se concentrou em sua comida e quando percebeu que sua avó continuava calada, ela ergueu a cabeça para encontrar um par de olhos azuis quase idênticos aos seus analisando-a.

-Você quer... Conversar sobre o que aconteceu? – perguntou ela incerta.

Alexis abandonou a colher e seu cereal fitando-a.

-Eu falei com a capitã Gates sobre tudo isso ontem, vó. Estou bem.

-Não querida. Nem você, nem Katherine estão bem...

-Por falar nisso, ela já foi com o papai pra delegacia?

-Sim.

Alexis assentiu suspirando.

-Haviam momentos em que... – ela começou e respirou fundo, tomando notas mentais do olhar de sua avó. Aquele olhar sereno e a mudança leve em suas sobrancelhas indicando sua preocupação. – Em que eu pensei que estava tudo acabado. – confessou por fim. – E tive que observar enquanto Bracken levava Kate mais de uma vez, e esperar...

Martha continuou em silencio, e Alexis suspirou evitando seu olhar dessa vez.

-Esperar seu grito apenas pra confirmar que ela ainda estava viva... E os passos no corredor, trazendo-a de volta. Ele a torturou mais de uma vez, vó... E se não fosse por minha culpa, ele não teria as informações que precisava. Ele me ameaçou e Kate cedeu. Disse a ele tudo que sabia...

-Alexis, eu tenho certeza que o que quer que você pense que é culpa sua, não é. E sei que Beckett concordaria comigo.

-Você não estava lá...

Ela precisou de um par de segundos para responder.

-Não, eu não estava... Mas eu estava aqui, tão angustiada quanto seu pai. – Alexis abaixou o olhar de novo. – E a cada telefonema pensávamos no pior... Imaginávamos o pior. E tentamos ser fortes um para o outro, como sei que vocês duas foram.

-Acho que Kate canalizou o papai algumas vezes... – ela confessou lembrando-se de todos os momentos em que sua madrasta se colocara diante dela, puxando-a para trás de si e afastando-a do perigo iminente. – Vó, tem uma coisa que eu não contei pra você ou pro papai... Apenas Kate sabe.

-O que?

-A última vez que Bracken a levou, eu consegui acertar um dos guardas e tomar seu telefone. Só que antes que eu pudesse usá-lo, ele me alcançou e o destruiu... Foi como eu mandei a mensagem em código Morse.

-Alexis...

-... Ele tentou me... Tocar, mas não conseguiu... – ela se adiantou encontrando o olhar da avó que dessa vez não conseguiu ocultar a preocupação. – Eu consegui atingi-lo, e sei que é o cara que eles mantém sob custódia... Só que tem outra coisa, eu tomei a arma dele e encontrei uma pessoa no corredor, ela me levou até Kate.

-A esposa de seu avô. – declarou Martha surpreendendo-a. – Rita.

-Sabe sobre ela.

-Ah, querida não soe tão dramática. Seu avô seguiu em frente, e eu também. – não havia mágoa em sua voz, e Alexis sorriu.

Ela sabia que não teria mais nenhum apetite dali em diante, e que também precisava ir até a delegacia, então decidiu dizer a sua avó agora que Kate e Gates sabiam a verdade. Respirou fundo se aproximando de Martha Rogers e tomando as mãos dela nas suas.

-Kate estava com problemas, quando eu a encontrei, Bracken tentou atirar em mim... E eu reagi... Atirando nele primeiro.

Martha a fitou em silencio.
Surpresa pela revelação.

-Eu o matei vó... Se eu não tivesse atirado, ele iria...

-Ah, querida... – Ela não se surpreendeu quando a sentiu abraçá-la, tentando passar a segurança que Alexis lutava para acreditar ter naquele instante, e então escorou a cabeça em seu ombro fechando os olhos e respirando fundo.

E naquele instante, ela desejou ser uma criança de novo.


KATE ERA UMA PESSOA PREPARADA. Uma policial treinada, que durante os últimos dezessete anos se provava a cada dia a capacidade que tinha, entretanto, quando ergueu a cabeça para sua visitante, vê-la viva, respirando e andando, ela precisou conter um grito, falhando miseravelmente quando Rachel McCord entrou em seu campo de visão.

-Ei, Beckett.

-Rachel... – ela a fitou confusa. A mulher se aproximou, estava usando um longo sobretudo, as mãos nos bolsos e apenas escorou de lado fitando-a e atentando-se a vista da cidade. Por um breve instante, Kate ficou grata pelo ar frio de Nova Iorque. – Como você...?

-Eu suspeitei de que algo estava errado desde a morte de dois agentes. E sabia que tentariam "limpar a bagunça". Infelizmente não consegui ajudar mais ninguém além de mim mesma, e tenho que dizer que você ainda me surpreende.

-Obrigada.

-Como conseguiu fugir?

-Longa história. – contou. – E Castle me disse porque está aqui, e que isso tem a ver com algo que aconteceu há quinze anos. Vocês estão procurando alguém ligado a isso...?

-Na verdade estamos tentando descobrir sobre a garota.

-Garota?

-Sim. Há quinze anos, ela ouviu uma conversa... Uma conversa entre Simmons e LockSat. O presidente Russo estava na cidade. – Kate estremeceu. – Havia um novo tratado, ele não concordava, mas iria assinar. Isso estabeleceria uma breve trégua, até a tentativa de assassinato ao presidente acontecer. Eles planejavam uma troca... O secretário de defesa, estaria no comando... E em breve, se tornaria presidente.

-O que?

-Ivanovich tinha alguém para se infiltrar nos EUA... Alguém que iria tomar seu posto, quando chegasse a hora.

Kate tentou se lembrar daquele rosto de quando ainda era apenas uma novata.
O homem que estava com a menina, tentando tirá-la de onde ela havia se escondido... Dele.

O homem que agora ocupava os cartazes em metade de Nova Iorque, candidatando-se ao senado. Senado esse que ela se recusou, e agora ele ocuparia, e em breve, como Bracken pensou ser destinado... A presidência. E como se as memórias fossem um gatilho, Kate viu a si mesma aos vinte e poucos anos, fitando-o desconfiada. A menina encolhida, seu cabelo ruivo cobrindo seu rosto. Ignorou o olhar do homem em si.

-Ei... – a chamou. Ela continuava imóvel. – Aquela menina... Precisa ser encontrada.

E ainda como se reagisse, ela puxou sua arma no mesmo instante em que McCord lhe apontava a sua.

-Você era a responsável pelo carregamento. – declarou olhando para seus olhos azuis. – Você iria receber a entrega de Ashley e Paul Brian naquela noite. Mas algo deu errado... Não é...? LockSat.

-Esperto, Beckett. Sempre esperta... Mas nunca suficientemente rápida.

-Por que você precisava das drogas...?

-Controle. Mesmo sob um palco apresentando-se como presidente, ele precisará de controle, e quando tivermos todo o controle da cidade, drogas, contrabando, fraudes... Advogados, policiais, e claro, a Casa Branca... Nada mais precisará ser temido. Tudo estará em nossas mãos. Se ainda não estiver, teremos acesso rápido e em breve conseguiremos também.

-E tudo volta para a política. – ela estava tão cansada. – Ivanovich ainda é um rosto praticamente desconhecido. Ex-secretário do presidente dos EUA há quinze anos atrás. Sua experiência pode lhe dar um cargo, mas por que pensar que poderia lhe dar a presidência?!

-Ivanovich não é nada além de uma peça no jogo de xadrez, Kate. Assim como você... Um peão, que está conseguindo sobreviver graças ao sacrifício de outros... Como sua mãe, ou Montgomery... – ela engatilhou a arma aproximando-se alguns passos da outra. – Quem será o próximo? Seu pai?! Ou Castle? Ou talvez sua enteada?!

-O que diabos você quer de mim?!

-Ah, não queremos você. – declarou a mulher. – Porque isso acabou antes mesmo de começar... E quando todas as evidencias forem apagadas, todas as testemunhas do que aconteceu naquele galpão e há quinze anos... Teremos tudo o que buscamos, antes de qualquer um de vocês interferirem.

Em câmera lenta, Kate a assistiu levantar a mão devagar, como que para levá-la ao ouvido.
A escuta, então fez a melhor expressão de pânico que conseguiu e gritou olhando para a esquerda da mulher:

-O que está fazendo aqui?! – Ela agradeceu a Martha e seus ensinamentos sobre teatro no instante em que corria para as escadas com os tiros pipocando exatamente onde pisava quando a mulher reteve sua atenção por alguns segundos longe dela. A voz furiosa de McCord por ter sido enganada como uma criança de playground e o som de seus saltos nas escadas enquanto descia apressada a mesma.

-Beckett! – a mulher chamou furiosa e Kate continuou descendo-as enquanto os disparos ricocheteavam perto o suficiente para obriga-la a proteger o rosto e se esconder atrás de uma pilastra quando dois atiradores agora em seu caminho dispararam contra ela.

Em reflexo, Kate conseguiu atingir uma das luzes, assustando um deles e conseguindo abatê-lo, o segundo estava mais difícil, e a cada segundo que passava, McCord se aproximava. Finalmente, ela ouviu o clique de sua arma, ele estava recarregando, e lembrando-se de Castle agora, Kate puxou seu casaco colocando-o estrategicamente em um dos espaços do corredor onde estava, ganhando o tempo suficiente para distrai-lo ao pensar em que ela estava em um local diferente e conseguindo abatê-lo também. Sem tempo de apanhá-lo, Kate correu para a rua, olhando a sua volta assustada para todas as direções, esperando um sniper acertá-la no coração e dessa vez tirar sua vida... Permanentemente. A voz de todos aqueles que estiveram presentes ecoando em sua cabeça por um breve segundo que a acordou de novo, sua expressão determinada de volta aos seus olhos. Tateou seus bolsos se amaldiçoando porque o telefone ficara no casaco, assim como suas chaves. Estendeu a mão para um táxi assoviando ao mesmo tempo e ele parou.

Disse o endereço enquanto se afundava no banco de trás.
Quase pode ver a silhueta de sua antiga parceira procurando-a nas ruas da cidade.
Precisava voltar pra casa...

-Castle!

-Kate...? O que!? – ele a olhou confuso no instante em que ela o abraçou com força, o rosto enterrado em seu pescoço, a respiração descompassada. – Kate o que aconteceu?!

-Onde está Alexis? E Martha?!

-Aula. Dia de teste, e teatro... Kate?! – ela puxou o telefone que segurava surpreendendo-o de novo. Alexis era uma garota forte, ela não iria pausar sua rotina pelo que aconteceu, muito pelo contrário. E também não iria deixar que nenhum deles o fizesse...

-Espo? Sou eu, ela está na faculdade—

-Kate, ela não está na faculdade. – Castle a interrompeu fazendo-a fitá-lo. – O teste será no teatro Harbor... Uma réplica de... Enfim... Eles estão no centro... É o mesmo lugar onde...

-Espere. – pediu. – Espo, Castle e eu estamos indo até lá buscá-la. Tente avisar Martha, você está com meu pai...? Sim... Obrigada. Não, peça ao Ryan e vá buscar Lanie. Diga a alguém para ligar para Vitória... Sim. Sim, Javi, obrigada.

-Beckett, o que está acontecendo?

-Eu explico no caminho... Temos que chegar até Alexis, agora.

Ele não discutiu.
Apenas aceitou a mão dela na sua e a seguiu.
Castle sempre a seguiria...


Sim. McCord é LockSat. :)
Eu queria criar toda uma trama com Caskett E Alexis...
...