Todos os personagens pertencem a Masashi Kishimoto. A história é de autoria de Lisa Kleypas do seu livro A Redenção – Série The Travis Family.
Essa fanfic é uma adaptação.
Capitulo 10
O aviso de Mei para eu ficar longe dos moradores foi desnecessário. Eu já tinha me decidido a aceitar a avaliação que Sai fez de Sasuke. Eu não iria chegar nem perto dele. Meu cara para tirar o atraso, se e quando eu arrumasse um, não seria manipulador nem conturbado. Ele seria alguém com quem eu saberia lidar, alguém que não me oprimisse. E, embora Sasuke fosse apenas cerca de sete ou oito anos mais velho que eu, ele tinha muito mais experiência que eu em todos os sentidos. Com relação a sexo, ele tinha "atacado o pote de doces" vezes demais, como Tia Tsunade gostava de dizer.
Mas no dia seguinte à mudança de Sasuke para o 1800 Main, eu encontrei um pacote embrulhado sobre a minha mesa, amarrado por uma bela fita vermelha. Como não era meu aniversário nem qualquer feriado em que se dá presentes, eu fiquei perplexa. Rin estava parada na entrada do meu cubículo.
"Deixaram aí há alguns minutos", ela informou. "Foi um dos caras mais bonitos que eu já vi. Olhos ônix e músculos bronzeados."
"Deve ser o novo morador", eu disse, aproximando-me do pacote como se pudesse conter uma bomba. "O Sr. Uchiha."
"Se esse é o tipo de morador que estamos atraindo", Rin brincou, "vou trabalhar aqui para sempre. Sem salário."
"Eu ficaria longe dele, se fosse você", eu me sentei à mesa. "Ele não respeita as mulheres."
"A gente pode sonhar, não pode?"
"Mei o viu trazer o pacote?", eu lhe dei um olhar vago. "Ela o conheceu?"
Mei sorriu.
"Não só ela o conheceu, com também o cobriu de beijos, assim como Kurenai e eu. E ela tentou de tudo para descobrir o que tem nesse pacote, mas ele não contou."
Ótimo, eu pensei e segurei um suspiro. Não precisava ser um gênio para saber que eu iria limpar a máquina de café pelo menos dez vezes naquele dia.
"Bem... você não vai abrir?", Rin perguntou.
"Depois", eu disse. Só Deus sabia o que havia dentro daquela caixa. Eu iria esperar até poder abri-la em particular.
"Sakura... você está louca se acha que vai conseguir tirar esse presente do escritório sem deixar Mei saber o que é."
Embora Rin parecesse gostar da nossa chefe, era do conhecimento de todos que nenhum detalhe do que acontecia dentro do escritório escapava à atenção de Mei.
Eu coloquei o pacote no chão. Era pesado e produziu um clangor metálico. Seria algum tipo de utensílio? Eu pedi a Deus que não permitisse ser algum brinquedo erótico bizarro.
"Eu não tenho que deixá-la se meter em assuntos da minha vida particular."
"Aham", Rin olhou com ceticismo para mim. "Espere até Mei voltar do almoço. Sua privacidade vai durar tanto quanto um cubo de gelo no sol do meio-dia."
Não foi surpresa, é claro, que Mei tenha ido diretamente para o meu cubículo quando voltou. Ela vestia um tailleur branco imaculado, com uma blusa rosa-claro que combinava com o esmalte e o brilho labial. Fiquei tensa quando ela meio que se sentou na beirada da minha mesa e me encarou de cima para baixo.
"Nós tivemos um visitante enquanto você estava fora", ela comentou, sorrindo. "Parece que você e o Sr. Uchiha estão se dando bem."
"Eu procuro me dar bem com todos os moradores", respondi.
Ela pareceu achar graça.
"Com quantos deles você está trocando presentes, Sakura?"
Eu a encarei sem piscar.
"O Sr. Uchiha e eu não estamos trocando presentes."
"Então o que é isso?", ela apontou para a caixa ao lado da minha mesa.
"Eu acredito que seja um gesto de agradecimento. Porque eu recomendei o decorador de interiores."
"Você acredita?", ela riu baixo. "Bem, vamos parar de acreditar e descobrir logo o que é isso."
Eu lutei para não deixar o desespero tomar conta da minha voz.
"Estou ocupada demais para mexer com isso agora. Eu tenho muitas..."
"Oh, sempre há tempo para presentes", Mei disse, alegre. "Vamos, Sakura. Abra."
Eu xinguei em pensamento Mei, eu mesma e, principalmente, Sasuke Uchiha, por me colocar nessa situação. Esticando a mão para a caixa, eu a puxei para o meu colo. Ao primeiro som de papel sendo rasgado, os outros empregados, incluindo Rin, Shikamaru e Lee, apareceram na entrada do meu cubículo. Eu tinha uma plateia.
"Ei", Rin disse com um sorriso, "até que enfim você vai abrir essa coisa."
De cara fechada, eu tirei o papel, fiz uma bola e a joguei no lixo. O presente, fosse o que fosse, estava dentro de uma inócua caixa branca. Se fosse algo constrangedor, pensei, eu iria matar Sasuke Uchiha logo em seguida. Segurando a respiração, eu ergui a tampa e descobri uma maleta rosa feito de plástico moldado. Tinha uma etiqueta presa a um cabo, com poucas palavras:
Espero que isso lhe dê uma mãozinha.
S.
"É alguma coisa para banho?", Rin perguntou. "Maquiagem? Joia?"
"Joia numa caixa deste tamanho?", soltei os fechos prateados.
"Estamos no Texas", Rin argumentou.
"Vamos lá", Mei disse, quando eu hesitei na hora de levantar a tampa.
Antes que eu pudesse me segurar, um sorriso imenso, incontrolável, tomou conta do meu rosto quando eu abri a caixa. Era um conjunto de ferramentas completo, com um martelo de cabo rosa, uma trena, uma chave inglesa e um conjunto de chaves de fenda.
"Um conjunto de ferramentas?", Rin perguntou, atônita. "Bem, é diferente."
Até Mei pareceu decepcionada. Sem dúvida, ela estava esperando algo escandaloso ou comprometedor, ou pelo menos caro. Mas um conjunto de ferramentas de presente dificilmente sugeria um caso tórrido. Infelizmente para mim, aquilo foi mais eficiente que um baú cheio de diamantes. Aquilo sugeria que Sasuke Uchiha me entendia, de verdade, de um modo que nenhum outro homem tinha entendido. De um jeito que Sasori nunca nem chegou perto. Aquilo me assustava quase tanto me agradava.
"Legal", eu disse, amena, e me virei para esconder minhas faces ruborizadas. Eu fechei o conjunto de ferramentas e o coloquei no chão ao lado da minha escrivaninha.
Mei ficou na minha mesa até todo mundo voltar ao trabalho. Eu podia sentir o olhar dela na minha nuca, mas a ignorei e fiquei concentrada na tela do meu notebook.
"Você é mesmo ruim com os homens, não é?", eu a ouvi dizer em uma voz baixa para que ninguém mais ouvisse. "Eu teria feito com que ele me desse algo muito melhor que isso."
Eu me convenci de que a única coisa decente a ser feita era agradecer a Sasuke pelo presente. Então naquela noite eu subi até o apartamento dele, depois de jantar, na esperança de que ele não estivesse em casa. Meu plano era deixar uma garrafa de vinho e um bilhete na soleira, e assim evitar qualquer contato com ele.
Mas quando eu saí do elevador no décimo-oitavo andar, eu vi Sasuke digitando a senha na fechadura da porta. Ele tinha acabado de treinar — estava usando calças de moletom e uma camiseta molhada que grudava em todas as linhas do seu tronco. O físico dele não era musculoso, mas... poderoso. Trincado.
Dava para ver os contornos dos músculos em suas costas. Seus bíceps esticavam as mangas da camiseta. O cabelo em sua nuca estava encharcado de suor. Um brilho úmido recobria sua pele.
Ele era um macho grande e fumegante, e eu quase podia sentir o cheiro de sal, suor e pele quente de onde estava. Eu senti impulsos conflitantes de repulsa e desejo. Eu quis saboreá-lo. Eu quis colocar minha boca nele, em qualquer parte dele. Eu também quis sair correndo na direção oposta o mais rápido que podia.
Eu consegui sorrir e segurei a garrafa de vinho à minha frente quando ele se virou para olhar por cima do ombro.
"Oi", ele disse, com a voz suave, o olhar fixo no meu.
"Oi." Tive a sensação de que demorei um tempo absurdo para chegar até ele, como se o corredor tivesse se transformado em uma esteira que se movia em sentido oposto. Quando finalmente cheguei até ele, estiquei a garrafa de vinho com um gesto esquisito. "Obrigada", agradeci. "Pelo presente. Adorei."
"Vamos entrar", ele convidou ao abrir a porta.
"Não, obrigada. Eu só queria lhe dar isto...", nossos dedos se tocaram quando ele pegou a garrafa comigo, e eu puxei a mão para trás.
Ele pareceu achar graça, e um brilho de provocação passou por seus olhos.
"Você não quer ver como ficou a decoração do Sai?"
"Eu... quero. Acho que vou entrar um instante", eu segui Sasuke apartamento adentro. Ele acendeu as luzes e eu fiquei de boca aberta com a mudança operada naquele lugar. Ele tinha sido transformado em um recanto rústico, mas sofisticado. Os ricos tons terrosos de madeira e estofamento combinavam com a parede de janelas. Havia um mínimo de mobília — algumas peças grandes e confortáveis, incluindo um sofá fundo, poltronas e um divã baixo, plano, estofado com couro cor de caramelo. Uma pintura estilizada em três partes, retratando uma boiada, estava pendurada em uma parede. Perfeito.
"Não sei quanto você pagou ao Sai", eu disse, "mas valeu a pena!"
"Foi o que ele me disse", Sasuke admirou a garrafa de vinho. "Napa. Vinho da montanha. Eu gosto deles, principalmente dos Cabernets."
"Você já foi a alguma degustação de vinho?", perguntei e fiquei vermelha ao lembrar de quando ele me colocou na mesa da adega do meu pai e ficou entre minhas...
"Algumas", Sasuke colocou a garrafa sobre o balcão. "Eu aprendi um pouco aqui e ali. Mas nunca entendi o retro-olfato..."
"É bem sutil. Às vezes ajuda se você mantiver o vinho na boca e deixar que atinja a temperatura do seu corpo...", Sasuke se aproximou e eu esqueci por completo o que estava falando. Meu olhar foi para a pele bronzeada de seu pescoço, a cavidade úmida na base dele. "Então...", eu disse, "Preciso ir. Vou deixar você tomar seu banho." Pensar nele nu, com água quente escorrendo por todos aqueles músculos duros, toda aquela energia comprimida, esfrangalhou ainda mais minha compostura.
"Você não viu o restante do apartamento", ele disse.
"Deve estar uma maravilha."
"Você deveria pelo menos ver o quarto."
Eu vi a malícia cintilando nos olhos dele. Sasuke estava me provocando.
"Não, obrigada."
Sasuke se inclinou sobre mim, todo músculos e hormônios, apoiando uma mão na parede.
"Alguém já lhe disse", ele perguntou casualmente, "que seus olhos são da cor exata de uma esmeralda?"
Eu ri, desarmada.
"Esse tipo de cantada funciona para você?"
Ele pareceu se deleitar com o fato de eu ter achado graça.
"Até que funciona, com a mulher certa."
"Eu não sou a mulher certa."
"Você e Sai... são amigos há muito tempo?"
Eu anuí.
"Desde o fundamental."
Um vinco apareceu entre as sobrancelhas morenas dele.
"Você costuma sair com ele?"
"Tipo em encontros, você quer dizer? Não."
A expressão dele desanuviou, como se minha resposta tivesse confirmado algo de que ele desconfiava.
"Ele é gay, então."
"Bem, não. Sai é do tipo 'vale tudo'. Ele já teve relacionamentos com homens e mulheres. Ele é aberto a qualquer possibilidade, porque acredita que o exterior de uma pessoa é só a embalagem. É um ponto de vista até que bem esclarecido, se você parar para pensar."
"Eu não sou esclarecido", Sasuke disse. "Eu só estou interessado em embalagens que incluam seios", por um instante o olhar dele baixou para o meu peito, demonstrando um interesse que eu achei injustificado, considerando minha falta de volume. Ele voltou o olhar para o meu rosto. "Sakura, tem uma coisa que eu vou fazer amanhã à noite... estão reabrindo um teatro..."
"O Harrisburg?" O teatro de renome nacional tinha passado por um ano de reformas depois que seu subsolo foi arrasado por uma inundação. A reabertura receberia celebridades locais e nacionais, para não mencionar a elite política e social do Texas. "Eu vou com o Sai."
"Um dos meus sócios fez uma doação em nome da empresa. Então eu estou meio obrigado a ir."
Eu tive a impressão de que Sasuke ia me convidar para ir com ele. Um encontro. Eu me senti quente e sufocada com essa ideia. Eu não estava pronta para um encontro com ninguém, muito menos com ele.
"Pode ser que nós nos encontremos lá", eu tentei parecer casual. "Mas se nossos caminhos não se cruzarem... divirta-se."
"Você também."
"Legal. Até qualquer hora", eu me virei e fiquei mexendo na maçaneta. Ele me rodeou e a segurou.
"Deixe que eu abro para você."
Esperei com uma impaciência que beirava o pânico, pronta para fugir. Mas Sasuke parou antes de abrir a porta.
"Sakura", ele esperou até que eu me voltasse para ele, ficando com nossos corpos alinhados de frente, quase se tocando. A consciência que tínhamos um do outro era tão intensa que eu quase podia sentir a pressão dele na minha pele — sua dureza e seu peso. Eu não conseguia deixar de imaginar como seria o sexo com ele, se eu sairia esmagada e machucada, se ele seria delicado.
E então eu me perguntei se ele já tinha batido em uma mulher.
De algum modo, eu não conseguia conceber isso, que aquelas mãos poderosas poderiam infligir danos em alguém mais vulnerável que ele próprio, rompendo vasos, deixando hematomas. Mas Sasori tinha me ensinado que coisas inimagináveis eram possíveis.
Quando eu reunisse coragem para tentar de novo, não poderia ser com uma criatura tão excessivamente masculina. Mas talvez isso fosse parte da atração, saber lá no fundo que sentimentos reais, uma ligação real, nunca seria possível com Sasuke.
Eu encarei os olhos dele, hipnotizada pelo negro. Mesmo sabendo que era errado, eu quis me derreter nele, ser esmagada por aquele corpo enorme, sólido e... deixar acontecer. Respirar. Confiar.
"Fique", ele pediu com gentileza, "e tome este vinho comigo."
"Você... precisa tomar banho."
Um sorriso lento cruzou a boca dele.
"Você também pode tomar o banho comigo."
"Certo", eu disse, carrancuda, enquanto minha cabeça se enchia de imagens de pele masculina ensaboada e músculos molhados. "Até parece."
Sasuke abriu a porta e me deixou escapar.
"Teria sido divertido", ele disse às minhas costas enquanto eu atravessava o corredor.
E eu tive que esconder o sorriso, sem coragem de olhar para trás.
Depois disso, eu me senti agitada a noite toda. Meu sono foi fraturado por sonhos, e de manhã acordei dolorida e de mau humor. Eu me dei conta de que todos os meus encontros com Sasuke Uchiha começavam a parecer preliminares.
"Starlight Experience" era o tema da noite, que trazia cantores e músicos em homenagem aos irmãos Gershwin. Pelo menos 500 pessoas se acotovelavam pelo teatro enquanto um jazz animado preenchia o ambiente. Gershwin era uma escolha perfeita para a noite, transmitindo uma sensação de prazeres misturados e espontâneos.
O Harrisburg, na verdade, era constituído por dois teatros. O superior tinha cerca de quatro andares de altura e um palco italiano tradicional, para espetáculos convencionais. Mas o teatro inferior foi o que eu achei mais interessante. Com um palco modular, com chão segmentado, cada uma de suas seções era montada sobre seus próprios pistões pneumáticos independentes.
Assim o palco podia ser reconfigurado em qualquer formato que a produção exigisse. As paredes também eram segmentadas, permitindo uma infinidade de projetos.
Embora eu fosse imune a qualquer sentimento romântico por Sai, gostei de vê-lo de smoking. A julgar pelos olhares que ele recebeu, a maioria das pessoas também gostou. Esguio e felino, o smoking caía com uma folga elegante em seu corpo magro.
Sai me levou às compras e escolheu meu vestido, um pretinho básico longo e colado ao corpo com decote drapeado e tiras de veludo preto. A frente era relativamente comportada, mas o decote nas costas ia tão fundo que não pude usar nada por baixo.
"Essa é a vantagem de não ter seios grandes", Sai me falou. "Você não precisa de sutiã para ficar empinada."
"Não estou preocupada com a frente", rebati. "Nem em ficar empinada. O que me preocupa é que estou sentindo ventar em lugares onde o sol normalmente não bate."
Mas Sai examinou minha vista traseira e garantiu que eu não estava exibindo o cofrinho. Não iria aparecer nada, ele disse, desde que ninguém ficasse muito perto e olhasse de cima para baixo.
Como eu esperava, a maior parte da minha família estava lá, incluindo meu pai, Hinata e meus três irmãos. Hinata estava arrebatadora em um vestido vermelho de seda, com o tecido cintilante drapeado e retorcido ao redor de seu corpo voluptuoso.
"Não consigo parar de olhar para sua mulher", Sai confessou para Naruto. "É como olhar para uma fogueira."
Naruto sorriu e passou o braço pela cintura de Hinata. A banda começou a tocar Embraceable You e Hinata olhou para ele.
"Você quer dançar", Naruto convidou, interpretando o olhar dela, e Hinata anuiu. Ele pegou a mão dela e murmurou, "Vamos, então", em um tom de voz que a fez corar. Os dedos dos dois se entrelaçaram de leve enquanto ele a conduzia até a pista.
"Ela treinou você direitinho, garoto", Sai falou para eles, e se sentou perto de Gaara e de mim. Do outro lado da mesa, um desfile interminável de gente parava para cumprimentar meu pai.
"Ela faz bem para ele", Gaara comentou, observando Hinata dançar com nosso irmão. "Ele se soltou bastante desde o casamento. Nunca pensei que veria o Naruto ficar tão maluco por alguém."
Eu sorri para Gaara.
"Vai ser assim com você, também", eu disse. "Algum dia você vai encontrar alguém e vai achar que lhe acertaram na cabeça com um porrete."
"Eu me sinto assim todo sábado à noite", Gaara brincou.
"Sua acompanhante é uma gata", Sai elogiou enquanto a namorada du jour de Jack se aproximava da nossa mesa, voltando do banheiro feminino. "Qual é o nome dela? Essa é a Ino?"
Gaara empalideceu.
"Não. Deus, por favor não a chame assim. Essa é a Matsuri. Ela e Ino brigaram em público na semana passada."
"Por que motivo?", eu perguntei, e então revirei os olhos quando vi a expressão de culpa no rosto do meu irmão. "Deixe para lá. Não quero saber."
"Tem mais uma coisa que você também não vai querer saber", Sai me disse.
Em resposta ao meu olhar de interrogação, ele acenou com a cabeça para o outro lado da mesa, onde meu pai continuava recebendo cumprimentos. Senti um aperto no coração quando vi Sasuke Uchiha parado ali, apertando a mão dele.
Sasuke não envergava um smoking com a facilidade lânguida de um aristocrata, mas com a vaga impaciência de alguém que preferiria estar tomando uma gelada com os amigos. Contido e preso pelas roupas civilizadas, ele parecia mais do que nunca uma força da natureza.
Meu pai o encarava com muito interesse nos olhos. Como sempre, ele foi sutil como uma machadinha. E como sempre, todo mundo prendeu a respiração enquanto ele falava.
"Você está planejando arrumar confusão com os Uzumaki?", meu pai falou em tom amigável. "Está tentando dar algum golpe em nós?"
Sasuke o encarou de frente, um malandro novo medindo um malandro velho, com respeito.
"Não, senhor."
"Então por que você foi morar no meu prédio?"
Um leve sorriso tocou os lábios de Sasuke.
"Os Uzumaki não são os únicos que desejam uma vista do andar mais alto."
Eu não precisei olhar para o rosto do meu pai para saber que ele adorou ouvir aquilo. Adorou. Por outro lado, ele não era de se esquecer de rixas antigas.
"Tudo bem", ele disse para Sasuke, "você já demonstrou respeito pelo líder da matilha. Pode ir, agora."
"Obrigado. Mas você não é o Uzumaki que eu vim ver."
E então Sasuke olhou para mim.
Eu estava sendo caçada bem na frente da minha família. Eu dei um olhar rápido, desesperado, para Sai, implorando em silêncio por ajuda. Mas ele estava apreciando demais o espetáculo.
Enquanto o olhar coletivo de todo o clã Uzumaki focou em mim, eu olhei para Sasuke.
"Boa noite, Sr. Uchiha", eu disse com o tom de voz mais normal que consegui.
"Está se divertindo?"
"Espero que sim."
Um mundo de confusões se escondia naquelas três palavras.
"Ei, Uchiha", Gaara cumprimentou, ficando de pé e dando um tapa no ombro de Sasuke. "Que tal nós irmos pegar uma cerveja no bar?"
Sasuke não cedeu.
"Não, obrigado."
"Por minha conta. Eu insisto."
Como se as coisas já não estivessem bem ruins, Naruto e Hinata voltaram para a mesa. E Naruto, que era mais do que um pouco possessivo no que dizia respeito à sua mulher, deu uma encarada mortífera em Sasuke.
Hinata pegou a mão de Naruto e a segurou com firmeza.
"Sasuke ", ela cumprimentou com um sorriso tranquilo "Há quanto tempo. Como você está?"
"Ótimo. E você?"
"Fantástica", ela respondeu. "Nós temos um garotinho, agora. Boruto."
"Ouvi dizer. Parabéns."
Naruto encarava Sasuke de um modo que eriçou os pelos dos meus braços.
"O que você quer?", ele perguntou em voz baixa.
O olhar de Sasuke voltou para mim, onde ficou enquanto ele respondia.
"Eu quero dançar com a sua irmã."
Antes que eu pudesse responder, Naruto o fez por mim.
"Sem chance."
E Gaara disse quase ao mesmo tempo:
"Acho que não."
Meu pai olhou para mim e ergueu as sobrancelhas.
E meu irmão Deidara escolheu aquele momento para chegar por trás da minha cadeira e colocar uma mão sobre o meu ombro.
"Estamos com algum problema?", ele perguntou, sem se dirigir a ninguém em particular.
Eu me senti sufocada por eles, os homens da minha família, que estavam tão decididos a me proteger que nem pensaram em considerar minha opinião. Eu afastei a mão do Deidara.
"Nenhum problema", eu respondi. "O Sr. Uchiha só me convidou para dançar. E eu vou aceitar..."
"De jeito nenhum", disse Deidara, recolocando a mão no meu ombro.
Irritada, eu dei uma cotovelada no flanco dele.
"Não pedi sua opinião."
"Mas devia pedir", Deidara murmurou, olhando feio para mim. "Preciso conversar com você, Sakura."
"Depois", eu disse, mortificada. Nós estávamos fazendo uma cena. As pessoas começavam a olhar.
"Agora", Deidara insistiu.
Eu o encarei, incrédula.
"Pelo amor de Deus", eu protestei, "mesmo para uma família de texanos malucos e controladores, isso é ridículo."
Sasuke tinha armado uma carranca
"Enquanto seu comitê decide se você tem permissão para dançar", ele me disse, "eu vou esperar no bar."
Ele saiu andando tranquilo e eu fuzilei Deidara, que costumava ser o irmão que menos interferia. Claro que isso não queria dizer muita coisa. Mas ainda assim...
"Com licença", Deidara disse para o restante dos Uzumaki e me afastou da mesa.
"O que está acontecendo?", eu perguntei com um sussurro tenso enquanto nós serpenteávamos em meio à multidão. "Por que é um problema tão grande eu dançar com Sasuke Uchiha?"
"Esse cara é o problema", Deidara disse, calmo, "e todo mundo sabe disso. Com tantos homens aqui para escolher, por que pensar nele? Você está assim tão decidida a irritar a família?"
"Notícia extraordinária, Deidara: existem algumas coisas na vida que eu decido sem levar a família em consideração."
"Tem razão", ele concedeu, depois de um momento. "Mas eu não vou ficar em silêncio se a vir caminhando na direção de um buraco no chão. Não se eu puder evitar que você caia dentro dele."
"O que eu fizer ou não fizer com Sasuke Uchiha só é da minha conta", eu disse. "Eu vou lidar com as consequências."
"Tudo bem. Desde que você entenda que são grandes as chances de você ser usada."
Eu dei um olhar duro para ele.
"Por que está dizendo isso?"
"Dois anos atrás, pouco depois que você se casou, eu fui chamado para fazer as fotos do perfil que a Texas Monthly escreveu sobre ele. Por exigência dele. Eu passei quase um dia inteiro com ele. Nós conversamos sobre muitas coisas, mas o que eu percebi, perto do fim da sessão de fotos, foi que todas as conversas levavam a uma pessoa... ele ficava fazendo perguntas, cavando informações, querendo detalhes particulares..."
"Sobre a Hinata ", eu murmurei.
"Não, diacho. Não sobre a Hinata. Sobre você."
"O quê?", eu perguntei com a voz fraca.
"Ele disse que vocês dois se conheceram no casamento."
Meu coração pareceu parar.
"Ele lhe contou como?"
"Não, mas você causou uma impressão e tanto nele, para dizer o mínimo. Então eu deixei claro para ele que você era proibida. Que tinha se casado. Mas isso pareceu não importar nem um pouco para ele. Ainda assim ele queria saber mais. Isso me deu uma sensação ruim, mesmo na época", Deidara parou de falar e me observou com os olhos do mesmo verde que os meus. "E agora você está saindo de um divórcio, vulnerável, e ele está atrás de você."
"Ele não está atrás de mim, só me convidou para dançar."
"Ele está atrás de você", Deidara repetiu com firmeza. "De todas as mulheres que estão aqui, ele foi atrás de você. Por que será, Sakura?"
Uma onda fria passou por mim. Merda. Talvez eu fosse de novo a mulher no Astrodome. Talvez minha atração por Sasuke fosse um modo de masoquismo autodestrutivo.
"Ele tem algum plano", Deidara concluiu. "Ele quer deixar uma marca, ou se vingar dos Uzumaki, tirar alguma coisa de nós. E ele não vai ver nenhum problema em te usar para conseguir isso. Porque ele deve pensar que não existe nada mais excitante para você do que um cara que sua família não aprove."
"Isso não é verdade", eu protestei.
"Eu acho que é", Deidara passou a mão pelo cabelo, parecendo exasperado. "Pelo amor de Deus, Sakura, encontre outra pessoa. Se você quer conhecer alguém, eu conheço milhares de..."
"Não", eu disse de mau humor. "Eu não quero conhecer ninguém."
"Então vamos voltar para a mesa."
Eu sacudi a cabeça. A ideia de voltar para a mesa da família como uma criança repreendida era intolerável.
"Você quer dançar?", Deidara perguntou.
Isso provocou um sorriso relutante em mim.
"Com o meu irmão? Não, isso seria patético demais. Além do que, você detesta dançar."
"Verdade", Deidara disse, parecendo aliviado.
"Eu vou até o banheiro conferir minha maquiagem", eu disse. "Eu volto para a mesa em alguns minutos."
Depois que Deidara saiu de perto, eu vaguei desconsolada pelo salão. Era óbvio que eu não devia ter ido à reinauguração do teatro. Devia ter ficado em casa. Eu precisava pensar nas coisas, incluindo em por que, apesar do que eu própria achava, e da convicção da minha família de que aquilo era um erro, eu continuava atraída por Sasuke Uchiha.
Mas antes de me dar conta do que estava fazendo, eu fui parar no bar.
Foi fácil localizar a figura montanhosa de Sasuke. Ele estava apoiado no bar com um copo baixo na mão. Ele parecia estar conversando com alguém, embora seu ombro bloqueasse minha visão. Eu me aproximei, hesitante, e inclinei a cabeça para tentar ver quem estava com ele.
Ele conversava com uma mulher. É óbvio. Era inconcebível que um homem com aquela aparência não atrairia atenção feminina. A mulher era magra e peituda, e envergava um vestido dourado brilhante. Isso tudo, mais o cabelo ruivo, fazia com ela parecesse uma estatueta de algum prêmio.
Fiquei rígida quando vi o rosto dela.
"Oi, Mei", eu disse, quase sem voz.
Continua!
Obrigada minhas lindas Ai No Majou e Obsidiana Negra, pelos comentários e apoio!
E Obsidiana Negra, estou ansiosa pelo capitulo de The Deal .
Ah também por Perdida, Rock N'Roll e O Ar Que Ele Respira 3
Suas adaptações são as melhores minha diva!
