The Prince and The Maid

– Eu te amo, Kiku. Eu realmente gosto de você. Eu prometo fazer o pedido formalmente, mas... Você aceita se casar comigo?

Não soube direito o que responder. Casamento entre dois homens era aceito? Se bem que Arthur era o Rei, até isso ele poderia mudar. Desviou o olhar, o sangue se acumulando nas bochechas, acabando por tingi-las de rubro. O que responder? Como reagir? Aquele olhar era tão significativo que o deixava sem fala. O loiro até ia completar que ele poderia pensar antes de responder, todavia, Kiku parecia tanto querer falar algo, que esperou. Sentiu as mãos do menor se movendo delicadamente sobre a sua, intercalando os dedos e os enlaçando.

– Eu—

– Senhor Arthur! – A porta foi aberta de uma vez, fazendo ambos olharem a figura da governanta. – Por favor, vá até a sala do trono e fuja, rápido!

– O quê? O que houve?

– Estamos sendo invadidos. Por seu irmão, Scotia, e tem um exército negro que também está invadindo a cidade, não conseguimos reconhecer o brasão... Por favor, seja rápido! Estou indo avisar a Rainha!

Sem nem fechar a porta direito, a mulher voltou a correr. Só então Arthur voltou o olhar para Kiku, sentindo as mãos dele geladas. Mesmo que sua face nada demonstrasse, sabia bem no que ele estava pensando: Hirohito. Ambos ficaram sem ação por algum tempo, Arthur foi o primeiro a cair em si. Levantou-se, puxando Kiku pela mão, com o cuidado de ser a que não estava com o ombro ferido.

– Vamos! Pegue o que precisa!

O moreno ouviu, não respondeu, mas foi até o armário, retirando a camisa que usava e jogando ali, vestindo o que deveria ser uma roupa mais apropriada para combate e pegando mais armas. Arthur desviou o olhar enquanto Kiku se ajeitava, guardando os analgésicos de qualquer jeito no bolso da calça.

– Pronto?

Indagou, virando-se e arriscando olhar para o menor, aliviado por ele continuar com a face descoberta. Estranharia muito se fosse de outro jeito.

– Sim!

Sem esperar mais, Arthur tomou uma das mãos do menor, começando a correr pelos corredores do castelo. Estavam vazios, apenas seus passos soavam naquela imensidão silenciosa. Os sons da batalha estava longe, mas o loiro sabia que não demoraria a chegar no cerne do castelo. Estava preocupado com Kiku, porém sua primeira preocupação deveria ser chegar em um lugar seguro.

Foi obrigado a parar quando Kiku o fez, até abrindo a boca para perguntar o que era, mas viu onde os olhos dele estavam fixos. Uma pessoa de preto – provavelmente companheiro do oriental – lutava com um dos guardas do castelo. Arthur mordiscou o próprio lábio inferior, cobrindo os olhos do menor bem a tempo dele não ver ambos se matando.

– Não olhe... Vamos correr, Kiku...

Sabia que era inútil. Mesmo sem ver, o moreno sabia o que tinha acontecido, mas Arthur queria fingir que não. Voltou a segurar a mão do menor, puxando-o pelos corredores do castelo. Por mais que a segurasse... tinha a impressão de que Kiku ia se distanciando de si, pouco a pouco.

Não correram muito mais, logo alcançaram a sala do trono. Ali havia uma passagem secreta esquecida, poderiam fugir por ali. Já estava puxando Kiku na direção da passagem quando este soltou a mão, abaixando a cabeça.

– Desculpe, Arthur, eu tenho que ir.

– O quê?! Eles vão te matar! – Aproximou-se, segurando-lhe os braços. – Não entende? Eles querem sua cabeça!

– Não interessa! Eu tenho que ir!

– Não! Não vou deixar!

Falando isso como se desse um ponto final no assunto, abraçou o menor, mas não adiantou muito. Kiku prosseguiu com os protestos.

– Solte-me, Arthur! Eu tenho... Tenho que lutar! São meus companheiros!

O japonês se remexia, acotovelando o maior que ainda o envolvia com os braços de modo que não conseguisse se mover bem. Maldição! Ele não deveria retirá-lo do chão, tirando vantagem da diferença de alturas.

– Pare com isso! Companheiros não tentam matar um ao outro!

Exclamou, franzindo o cenho, já se irritando com o menor. Era uma invasão! Um ataque de dois lados, apesar de não serem ordenados pela mesma pessoa. Isso não tornava as coisas piores? Odiava admitir isso, mas precisavam recuar ao menos por enquanto, pois nada mudava o fato de que, se continuassem ali, estariam encrencados! Arthur só não sabia que tocou em um assunto delicado para Kiku. Talvez soubesse, porém estava mais preocupado com a segurança de ambos. Cerrando os dentes, este conseguiu se livrar do loiro, virando-se e depositando a palma da mão na bochecha dele com força.

– Cale-se! O que você entende?! É só um rapaz mimado! Acabou de ser coroado rei, mas isto de nada serve se tudo for destruído! Eles são... a minha família - virou as costas para ele, arfante. Precisava se acalmar. Fechou os olhos e conseguiu, voltando ao tom neutro, embora dessa vez estivesse frio e cortante. Ainda conseguia disfarçar bem suas emoções, apesar de estar com o sangue quente. - Se quiser fugir, vá sozinho. Não conte comigo, Arthur de Vaughan.

O loiro arregalou os olhos por um instante, mas logo franziu as sobrancelhas, rosnando baixo, virando-se de costas e indo seguir para o lado contrário. Teimoso! Ele acabaria... Morrendo.

Sentiu um aperto no peito ao pensar nisso, indo se virar para correr até o ninja e arrastá-lo dali à força, se necessário, mas, antes que executasse a ação, viu quem entrava no cômodo. Certo, não sabia quem era, mas parecia com Kiku: ao menos os cabelos e olhos também tinham aquele tom escuro característico dos orientais. Mas os olhos... Estes estavam nublados de ódio.

Droga! Por um único momento, tinha se esquecido: Kiku tinha sido considerado um traidor. Iriam matá-lo. Sem pensar, ao ver o homem correndo na direção de Kiku, sacou a espada e se jogou na frente, defendendo um golpe da katana.

De tão alterado que estava, Kiku não reparou mais uma presença no local até ouvir o som das lâminas se encontrando. Virou-se para trás exaltado, arregalando os olhos ao se dar conta de quem era.

– Hi... Hirohito-sama...

Forçou a espada japonesa, jogando o loiro para o lado, fitando o menor com um sorriso seco.

– Finalmente te encontrei, Honda-kun.

– O que o senhor está fazendo aqui? É perigoso...!

– Cale-se! - Gritou, fazendo com que o outro se assustasse. Nunca tinha o visto levantar a voz, afinal. - Não podia descansar... Até vê-lo. Não posso te deixar viver, Honda Kiku. Decidi isso e vou cumprir, nem que seja com minhas próprias mãos.

Sabia daquilo. Ele agora o odiava. Mas ver... Sentir aquilo tão claramente era diferente. Sorriu triste, nunca esperava aquilo; tinha o visto crescer. Mas, se era assim...

– Cale-se você! - Uma terceira voz gritou. Era Arthur que ficara esquecido até o momento. - Pare de querer mandar na vida dos outros! Ele te idolatra, qual é a sua para decidir matá-lo de uma hora para a outra?

Hirohito rosnou. Algo que seria inimaginável em situações normais, mas lá estava ele olhando ameaçadoramente para Arthur, dando um passo a frente na direção dele, mas vacilou antes de conseguir fazer qualquer gesto mais brusco. Caiu de joelhos e levou a mão livre até o abdomen que sangrava, sujando os dedos de rubro. Droga... Só mais um pouco. Ao menos aquele príncipe idiota... Precisava matar!

Kiku continuava paralisado. Nunca se sentira tão sem ação assim. Seu cérebro trabalhava rápido, mas não chegava em lugar nenhum, fazendo com que sua respiração ficasse chiada. Percorreu os olhos pelo ambiente, como se isso fosse lhe ajudar a decidir o que fazer. O certo seria cometer suícidio ali mesmo, mas havia em sua mente uma luz vermelha acesa. Perigo. Precisava proteger ao menos mais uma vez seu senhor.

Não lhe agradava a ideia de utilizar uma arma de fogo, mas sacou o revólver que guardara, apontando na direção de Hirohito. Destravou a arma e atirou sem hesitar, a bala passando rente a face dele, atingindo um atirador que estava mais atrás bem no centro da testa, fazendo-o cair morto no chão.

– Kiku...

Hirohito chamou ao se dar conta do que ele fizera. Salvara sua vida. Ele continuava fiel a si. Cambaleou, já sentindo os efeitos da falta de sangue no organismo, gemendo de dor ao ir de encontro ao chão. Tinha sido todo aquele tempo cegado pela raiva, ódio, ciúmes. Agora que não focalizava mais nada, sua mente se abrandou. Talvez por sua vida estar se esvaindo cada vez mais rápido de suas mãos. Estava merecendo aquilo, sempre quis monopolizar seu subordinado e isso era errado. Suspirou, sentindo o corpo ser erguido.

– Hirohito-sama - chamou delicadamente, segurando-o como se qualquer movimento fosse causar-lhe dor. - Desculpe-me por ter te decepcionado, mas... Precisamos ver um médico. Eu vou te levar, certo?

Sorriu fraco, tentando acreditar nas próprias palavras. Arthur apenas observava, apesar do ciúmes, não negava que estava com pena. Pelo visto tinha sido um tiro e muito sangue já tinha escapado pelo ferimento como era visível agora que reparara no quimono manchado do moreno caído ao chão. Não tinha mais escapatória.

– Desista. Está tudo escuro, Kiku. Sei que minha hora está chegando. Uma pena que só agora veja meus erros... - Tossiu, fazendo sangue escorrer pelo canto dos lábios.

– Não fale! Vai ficar tudo bem. Vamos sair daqui e...

– Pare - fez o menor se calar, voltando os orbes vazios na direção dele. - Eu quero que me perdoe. Apenas isso... E me prometa que vai viver tudo o que não viveu. Por você e por mim. Jovem Vaughan, prometa também que vai zelá-lo por mim

Sabia. Ambos sabiam que não tinha como discutir. Arthur murmurou um "sim", sem querer se intrometer no momento. Kiku fechou os olhos com pesar, concordando.

– Sim, Hirohito-sama. É uma...Promessa.

Uma mão se estendeu frágil, tocando-lhe a bochecha, manchando-lhe com o líquido escarlate. Um sorriso se desenhou, frágil. Kiku não pode deixar de pensar que daquele jeito ele parecia mais bonito. Mais humano. Alcançável.

– No final... Eu te alcancei, não é?

Indagou o superior, sem perceber que as lágrimas escorriam. Todo aquele tempo ficou admirando o mais velho. Porque estavam juntos desde sempre. Kiku sempre cuidara de si, fazia parte de suas lembranças mais antigas. E o amou. Talvez não de um modo puro... Provavelmente distorcido e errado. Mas realmente o amava.

O menor precisou engolir o choro, sabendo que ele não gostaria de ouvi-lo. Iria ser forte até o fim para sustentar a figura de seu deus. Segurou-lhe a mão, pressionando-a delicadamente, sorrindo.

– Sim. O senhor sempre esteve aqui.

– Posso... pedir mais uma coisa? Diga meu nome.

– Hirohito Takeshi - murmurou, abaixando-se e selando os lábios brevemente sobre os dele, não ligando que agora os próprios ficassem avermelhados. - Eu amo você. E o senhor sempre estará comigo.

Era especial. Somente Kiku conhecia aquele nome... Ele quem o dera. Era um segredo dos dois.

Mesmo com toda a dor, Hirohito - ou Takeshi, como gostava de ser chamado por aquele subalterno - teve tempo de fechar os olhos antes de soltar o último suspiro e partir para o descanso eterno. Não como um deus na terra dos homens. Mas como um ser humano, embora sua figura continuasse resplandecente.

Deitando-o no chão frio, Kiku fez uma oração, limpando ao menos o sangue da face do maior. Ele sempre reclamava de estar sozinho, de não poder fazer nada por conta daquele dever... Agora ele descansaria.

Mas Arthur não estava calmo. Ouvia sons se aproximando, indo para perto do menor, envolvendo-o delicadamente - apesar de hesitante pelas lágrimas que agora escorriam livres.

– Precisamos ir, Kiku... Logo vão nos encontrar. Sei que... Queria ficar com ele - doía admitir, mas sabia de toda a devoção de Kiku. - Mas precisa cumprir sua promessa. Era o que ele queria...

Realmente, ainda era uma criança. Não sabia o que falar para tentar animar o outro, mas ele era forte. Não precisava de sua ajuda. Kiku ergueu-se, tomando a postura guerreira após limpar as lágrimas. Precisava ficar vivo. Por Hirohito. Por Takeshi.

x

A fuga não foi fácil. Era como um labirinto e, além disso, algumas passagens estavam trancadas, mas Kiku ajudou nesse quesito. Ele tinha um bom senso de direção, além de, por precaução, ter montado uma armadilha no meio do caminho, só para o caso de Patrick lembrar daquela passagem e segui-los. Todavia, não era nisso que o ruivo estava interessado. Ele só queria tomar o lugar que era, por direito, de Casey. A batalha foi sangrenta, porém, no final, os ninjas recuaram ao tomarem conhecimento de que Hirohito faleceu em meio à luta e Patrick saiu vencedor. Com Arthur desaparecido e a Rainha tendo cometido suicídio no meio de tudo, o ruivo conseguiu o que queria.

Para ir ao lugar mais distante possível dali, Arthur vendeu as roupas luxuosas e adotou uma vestimenta mais simples, podendo guardar dinheiro e, inclusive, cuidar propriamente de Kiku que, uma vez no meio do caminho, acabou piorando o estado do ombro não cicatrizado. Com o tempo, o moreno melhorou, mas não poderia mais estar em batalha.

Isso não importava mais.

– Olhe, Kiku! É o mar!

O moreno ergueu os olhos para a imensidão à frente, abrindo um sorriso amplo, finalmente podendo confirmar quão bonito era.

– Só viu uma vez, não é? – Arthur sorriu, estendendo a mão. – Vamos até lá!

Concordou com a cabeça, segurando a mão do maior, correndo um pouco atrás dele, tomando cuidado com a descida. Com o tempo, conseguiu ficar mais espontâneo, sorrindo com mais frequência, apesar daquela educação natural que mantinha. Realmente, se não conhecesse Kiku, pelo modo dele, poderia ser muito bem um nobre. Talvez fosse um príncipe de uma família no Japão, quem sabe? Arthur gostava de imaginar sobre esse tipo de coisa, antes de dormir.

Alcançaram a areia, os pés afundando, fazendo Arthur tropeçar e cair, de modo que Kiku foi logo em seguida. O loiro abraçou o menor, trazendo-o para perto.

– Se quiser... podemos ficar por aqui. É bem longe de tudo e todos.

– Vamos ficar bem.

O nipônico se levantou, estendendo a mão e ajudando o outro a fazer o mesmo. Caminharam pela beira da praia e, mais além, acharam uma casa feita de madeira, afetada pelo tempo, mas estava vazia e isso bastava. Demoraram um pouco no trabalho – Arthur não aguentava muita coisa –, mesmo depois de pronta, não tinham muitos móveis, só uma cadeira sem uma das pernas que já estava ali. Dormiam no chão, somente sobre um fino lençol, de dia era muito quente, de noite, frio; mas estavam felizes.

A casa foi se formando com o passar dos dias, talvez meses, não estavam realmente contando o tempo. Para sobreviverem, Kiku trabalhava com os pescadores – e descobriu que era bom nisso! – e Arthur... ele não sabia muita coisa que serviria na prática, essa era a verdade. Por uma pequena quantia, às vezes por alguns mantimentos, ensinava as crianças do vilarejo.

Às vezes, tinham algumas dificuldades, porém estas eram vencidas e a vida corria sem muitas surpresas. Isso só aconteceu quando, um dia, Arthur acordou febril.

– Tem certeza de que não quer que fique com você?

– Tenho... Alguém precisa trabalhar, né? – Riu fraco. – Vou ficar bem. É só um resfriado. Vou dormir um pouco e melhorar.

O menor concordou, um pouco hesitante, todavia, se aproximou e deu um beijo na testa do loiro, trocando o pano úmido e o cobrindo melhor.

– Eu volto logo, ok?

Arthur concordou e adormeceu, mas não melhorou. Bem pelo contrário.

Quando Kiku voltou, a febre não tinha baixado, parecia piorar, fazendo o rapaz delirar. Ficou ali a noite toda, e o passar dos dias, ao pé da cama, enxugando o suor do loiro e segurando-lhe a mão. Mesmo o médico disse que não sabia o que fazer, tudo que estava ao seu alcance era deixar alguns remédios para tentar baixar a febre e tirar a dor.

– Ei, Kiku... – Chamou, entreabrindo os olhos, em um raro momento de lucidez. – Vem aqui...

O menor rapidamente se aproximou, sentando-se ao lado do outro, acariciando-lhe os cabelos, indagando com um tom gentil:

– Sim? O que foi, Arthur?

– Tem uma caixa debaixo da cama... pode pegar para mim?

– Claro. – Saiu dali, abaixando-se e logo achando a caixa atrás das cobertas, puxando-a e colocando ao lado do mais novo. – Essa?

– Sim.

Antes que o outro se esforçasse mais, o nipônico o ajudou a se sentar, auxiliando-o com o próprio braço. Sabia que naquela pequena caixa Arthur guardava umas poucas joias – somente uma ou duas, que resolveram guardar como lembrança ou para emergências, em casos extremos. Todavia, o loiro retirou de lá uma pequena caixa aveludada, estendendo na direção do moreno.

– Acabei não tendo chance de fazer direito... – Pegou a mão esquerda do nipônico, abrindo a caixinha e revelando uma aliança simples de prata. – Não é o que você merece, mas... Kiku, quer se casar comigo?

Os olhos castanhos ficaram marejados. Tentou ser forte durante todo aquele tempo e não chorar, porém ver Arthur se preocupando com aquilo, depois de tanto, lhe dava uma sensação indescritível. Sentia-se feliz. Sentia-se triste. Queria rir e chorar, tudo ao mesmo tempo. Trouxe o maior para perto, ele que mal conseguia manter o sorriso nos lábios, apesar de muito querer.

– Eu aceito!

Arthur soltou um leve riso, roçando os lábios no rosto do menor.

– Estou feliz.

Fechou os olhos, deixando o recipiente de lado, respirando fundo e demorando um pouco para focalizar a mão que segurava. "Só mais um pouco, Deus, por favor" – pediu silenciosamente, encaixando o anel no dedo anelar do menor. Sorriu, com uma expressão cansada, mas genuinamente feliz.

– Ah... coube direitinho.

Cambaleou, sendo amparado pelo moreno, que acabou por sorrir também, engolindo o choro.

– Me dê sua mão também.

Arthur obedeceu, em silêncio, somente observando enquanto o menor terminava de selar o compromisso. Deixando o anel no lugar ao qual pertencia, elevou a mão do loiro, beijando-a.

Os olhos verdes encheram-se de lágrimas que não conseguiu evitar de derramar. Abraçou o menor com tanta força quanto lhe era permitida, enterrando o rosto em seu pescoço.

– Eu não quero... Eu não quero morrer, Kiku...! Quero viver, com você...!

O moreno ergueu os olhos para o teto baixo de madeira, fechando os dedos em torno da camisa do maior. Naquele instante, estava se esforçando ao máximo para não acabar fazendo o mesmo, acariciando as costas dele. Estava lamentando todas as vezes que ficou quieto, olhando para o passado, enquanto Arthur apenas ficava ao seu lado. Desperdiçou um tempo precioso, assim, mas estava grato. Fechou os olhos, afundando os dedos nos cabelos claros molhados de suor, apertando-o contra si. Além de consolá-lo, queria evitar que ele visse sua expressão de dor.

– Eu estou com você, Arthur... Agora, mais do que nunca, somos um só. – Respirou fundo, soltando o ar silenciosa e pesadamente, beijando o topo da cabeça do mais novo. – Eu te amo, Arthur.

– Eu também te amo, Kiku...

Afastou-se, o suficiente para fitar o oriental nos olhos. Ele também sofria. Segurou-o pelos ombros, aparentemente tão frágeis, mas que suportavam tanto peso. Estava trêmulo, estava tão frio!

– Você não vai ficar solitário, não é? Eu estou com você, né? Prometa... Prometa que vai ficar bem... que não vai chorar... e que vamos ficar juntos...

– Nós já estamos juntos.

Conseguiram compartilhar de um pequeno sorriso, seguido de um abraço e um último beijo apaixonado. Foi o último esforço do jovem príncipe, que logo voltou a delirar em febre, sempre clamando que não queria ir embora, não queria abandonar tudo. E, até o derradeiro momento, o simples serviçal ficou a acolhê-lo, acariciando-lhe os cabelos e mentindo que tudo ficaria bem. Provavelmente foi graças a isso que, no suspiro final, o loiro conseguiu sorrir.

Kiku quis prometer, do fundo do seu coração, não ficar triste. Não conseguiu, mas após aquela noite, não derramou mais nenhuma lágrima. Viveu dia após dia, com um anel que não saía mais de seu dedo e promessas cravadas em seu coração. Inevitável era olhar para o passado, aquelas lembranças felizes das pessoas mais importantes de sua vida. Mas logo voltava a si e vivia, até os dias finais de sua existência, quando poderia encontrá-las.

Morreu próximo ao mar, dentro da cabana que ajudara a reerguer, com um anel que não saía de seu dedo e sem o peso de nenhuma promessa a cumprir.


Espero que ninguém tenha ficado com vontade de me matar. Mas ficaram, né? Hahah!
De toda forma, apesar de toda demora, eu quero agradecer muito a todos que leram esta fanfic. Seja aqueles que acompanharam desde o primeiro capítulo ou os que pegaram o bonde andando. Cada review era um estímulo a continuar!
(E vocês, pessoas que leram, essa é a chance de deixar um review! E eu sei que vocês existem, ok? Ok.)
Bem, acho que é isso. Obrigada mais uma vez e, como não tem um próximo capítulo pra ameaçar... Elogios, críticas, até ameaças de mortes... reviews!
Beijos a todos. sz