Acidente doméstico é igual a abuso infantil. Droga, odeio pegar esses casos, me dá nojo do indivíduo e mais ainda da mãe que deixa um filho de 8 anos ser maltratado pelo próprio pai. Tenho uma teoria sobre isso, mães amam por terem participado do processo de criação, pais apenas adoram porque não sentiram o mesmo que a mãe, logo eles se sentem à vontade em molestar, bater, surrar e matar os filhos quando querem... É um direito deles né? Tá lá na constituição, toda criança tem direito a um pai e uma mãe, independente se eles são usuários de drogas pesadas, que tenham distúrbios mentais seríssimos, que eles te forcem a fazer coisas que vão perturbar o seu sono todas as noites para o resto de sua vida. Humanos... Eu deveria matar alguns enquanto o meu fessor não me vê...
- Mas me diz... - eu digo a contra-gosto... - Você disse que entrou em casa e o seu filho estava semi-nu? - eu pego a ficha da polícia e o delegado ali já levanta as sobrancelhas... Odeio policiais e oficiais de Justiça. Acham que a gente não tem capacidade para ver claramente que o garoto ali, quase se espremendo na parede do ambulatório, olhos vidrados nas mãos e tremendo feito vara-verde não foi molestado sexualmente pelo pai... Idiotas... Como eu queria falar isso bem alto hoje...
- Sim doutora... Acho que foi aquele safado do vizinho, o Olliard! O desgraçado é um demente!
- Os depoimentos dos vizinhos contam que a criança costumava conversar com o suspeito, dra... - olhando meu crachá. - Ulhoa...
- Sim,sim... Será que me dão licença? - peço polidamente para os parentes e ao policial, eles estranham no começo, mas depois vão saindo pela porta de aço do ambulatório, eu pego o garotinho pela mão e ele quase sufoca um grito de horror. Eu sei como é carinha, eu sei como é querer gritar e não poder porque se tem vergonha do que não fez, mas foi forçado a fazer... - Vem cá... Quero conversar contigo...
- E-eu, não quero... quero a minha mãe... - e eu o seguro mais pela mão.
- E o teu pai, não quer não? - e ele cai na armadilha e começa a chorar... E é a pior coisa que um estudante de Medicina pode fazer na vida, servir de apoio essencial para uma criança despedaçada...
- E-eu não queria... Ele me obrigou... - eu o abraço com carinho, poderia ser meu filho... Poderia? Será que mamãe gostaria que eu falasse isso? Filhos... Acabei de chamar Erin de criança pelo seu comportamento estúpido de dúvida e aventura e essa criança em meus braços está só querendo um pouco de descanso e nada de aventuras...
- Eu sei... Vamos dar um jeito nisso... Eu sei que vamos...
- Não quero voltar mais pra casa...
- Não vai... - eu mentia para agradá-lo da melhor maneira possível... E era assim que milhares de mães faziam para deixarem seus filhos calmos... Minha mãe mentira muito pra mim antes de falecer, mentira que iria para o CTI, mentira que iria pra um lugar melhor, que não sofreria lá, que eu seria feliz... Mentiras...
- Ulhoa, o que você tá...? - disse meu professor comovido com a cena estranha, eu agarrada a um garoto que mal conhecia, mas que sofria pelas mesmas mentiras que os adultos adoravam plantar em nossos corações.
- Vou fazer o corpo de delito dele. Pede pra Claire vir pra fazer avaliação psicológica e queria também usar o aparelhinho de digitais... - eu disse sem titubear e o enfermeiro atrás do meu professor apenas saiu apressado para atender o que eu pedira. O meu fessor sorriu e foi um sorriso confiante, eu nunca vira isso em ninguém antes.
- Vai lá Joanne e mostre do que você é capaz para honrar sua profissão...
- Ele vai ficar bem? - perguntei com o telefone na mão, Claire alisou a testa com esforço.
- O que você acha?
- Fisicamente ele tá bem, só alguns arranhões... Ahn... Quero dizer, eu percebi bem que ele não queria fazer o exame completo... - nós duas ficamos em silêncio. Ela pegou o telefone da minha mão e me abraçou ali no meio do corredor. - O que foi...?
- O que acha...?
- Você tá repetindo perguntas, é doida de pedra...? - ela me apertou bem e eu me senti reprimida pelo comentário. Claro que aquele era um assunto sério, claro que o garotinho teria idéias insanas de querer matar o próprio pai, talvez quando crescesse conseguisse o que tanto queria, talvez virasse um doido varrido qualquer que fizesse o mesmo com crianças, talvez ele...
- Me abraça Jojo que eu não tou bem hoje... Tive minha cota de stress... - E feliz aniversário pra mim.
Mudança de plantão. Preciso de água.
- Ow, me empresta aquele seu cd do The Smiths?
- Ahn, não? - 23 minutos depois de querer enfiar minha ccabeça dentro do vaso sanitário e dar descarga até me afogar...
- Pow Jojo!
- Vem escutar comigo então!
- Pow Jojo você vive aqui é?
- Mazomeno... O que foi?
- É engraçado! Lembra Hannibal Lecter e talz...
- É... meu querido professor...! - e nós rimos porque é sempre bom receber a visita da pequena grande garota Alinwe, filha do vigia da noite, Willian, ela quebrou o braço na escola e ficou a noite em observação. Como ela saiu do quarto sem ninguém perceber que é o grande mistério...
- Eu queria ser como você...
- Não deseje o que pode te perseguir o resto da vida!
- Hahaha! O que é isso? - apontando para os instrumentos do lado esquerdo.
- Remoção de resíduos corporais...
- Éca, legal! E isso?
- Pinça... Serve pra tirar pedaços de coisinhas que ficam por aí...
- Tipo remover estilhaço de balas e talz?
- É, algo por aí...
- Cadê a serra?
- Serra...?
- Serrote que você usa pra desmembrar os carinhas, hehehehe - E a convicção da garota de 14 anos me assustou um pouco. Seria uma ponta de curiosidade mórbida pelo meu trabalho detestável...?
- Ow guria! Acha que sou açougueira é? Escuta, meu trabalho é só ver do que eles morreram e não fazer pedacinho deles...!
- O tio do meu amigo morreu todo torto, tiveram que quebrar ele ao meio pra caber no caixão. - ela disse com um leve sarcasmo? Meo, essa guria me assusta!
- Isso não aconteceu aqui não... Na maioria das vezes é paciente do C.T.I. que já vem deitado bunitinho...
- Já viu um carinha se mexer aê?
- Ahn... Já...? Espasmo cadavérico, isso se chama…
- Como é que foi?
- Foi uma senhora, morreu do coração. Tem muita coisa disso quando se morrer de ataque súbito e...
- É verdade que as almas ficam andando por aqui?
- Ahn... Não vi nenhuma até agora...
- O meu pai disse que vê umas coisas estranhas aqui...
- Bem, a única coisa estranha aqui sou eu e... E Smiths!
- Pára! Morrissey é Deus!
- E Bono Vox é Jesus Cristo! – nós rimos da besteira herética que acabamos de falar.
- Queria que meu pai saísse logo de lá...
- Eu também... Assim não teria que te agüentar vindo aqui e... – a guriazinha me deu um tapa bem dado! – Hey! Me respeita que sou mais velha!
Dia de domingo:
- Lindsay, nós não deveríamos estar aqui... – disse Amanda temerosa olhando ao redor.
- Você é muito engraçada! Pede pra gente conversar num lugar mais calmo...
- Mas não quis dizer a capela! Muito menos no confessionário!
- Mas aqui é um lugar bom... Bem quieto até...
- Tá, posso te falar agora...?
- Sim, quando quiser... – deixando a garota sentar em seu colo, Amanda se aconchegou nos braços de Lindsay e foi provocada por um beliscão por debaixo da saia rodada de uniforme. – Ai! Pára! Isso doeu!
- Awww... O que foi hein? Hein…? – beijando lentamente o pescoço de Amanda, causando arrepios na garota mais nova.
- Não faz isso aqui não! Não aqui! – mas amoleceu depois de um beijo bem dado perto do ombro direito.
- Droga, menina, como eu te amo...
- E isso está... está... errado...
- Não, não está não!
- Se alguém nos pegar...
- Ninguém vai... – mordiscando os lábios dela. – Ninguém vai nos separar...
- Lindy... Eu preciso te contar...
- O quê, o que foi?
- E-eu estou grávida... – o urro de alegria de Lindsay fez Amanda tapar-lhe a boca – Eu disse que...
- Mas isso é incrível...! – quase chorando de felicidade, abraçou Amanda devagar com cuidado no ventre. – Meu Deus amado... – colocando a mão na barriga da mais nova. – E-e qual o nome que você vai colocar...?
- E-eu não sei! – Lindsay sorriu, as lágrimas caíram pelas bochechas.
- Essa é a melhor notícia do mundo...
- Eu estou com medo...!
- Medo?! Nós podemos cuidar dela!
- Como você sabe que é menina?!
- Só pressenti, oras... – acariciando a barriga de Amanda.
- Dizzy, não sei se quero...
- Ta maluca?! De jeito nenhum! Não é mais com você!
- Mas os meus pais...!
- Que se danem! Eu tenho um dinheiro, posso muito bem cuidar da gente e...
- E-ele quer casar comigo...!
- E você vai? – silêncio, Amanda concordou com a cabeça. – Droga... Por quê você...?
- Eu não posso... Se eu tiver o bebê, vou ter que casar com ele...
- Droga, olha... e-eu... Okay, ta tudo bem...
- Ahn...?
- Casa com ele, é o melhor que podemos fazer...
- Arrãm...
- E um filho sem pai é estranho, né? A criança pode... – sua voz foi morrendo... – Estarei com você Amy...
- Muito obrigada, Dizzy... – e abraçou a futura Supervisora daquela escola...
- Como você entenderia o nosso caso...?
- Falha múltipla dos órgãos e colapso no sistema linfático...
- O quê?!
- Desculpa, amor... Tou aqui baixando mais um... - rindo, Erin teve que engolir em seco ao pensar que ela estava naquela maca de novo. - Somos completamente estranhas no ninho... - segurando o celular com a ponta dos dedos. - Por isso damos certo...
- Ahn... Você me assustou da última vez, pensei que iria desistir...
- Desistir...? É, cheguei a pensar nisso... – empurrando maca para a geladeira, outro assistente iniciante a ajudou. – Obrigada Jeremy...
- Sem problemas, Jojo! – disse ele animado.
- Mocinha vou desligar, daqui a pouco apareço aí...
- Okay... – suspirando um pouco tensa, queria contar, mas não podia agora...
Foi cantando alguma musiquinha, pediu licença no portão, conversou um pouco sobre a artrite de Irmã Tânia e foi direto para o corredor da diretoria, queria vê-la e contar o que descobriu, bateu na porta e a voz de Lindsay Mackensie permitiu ela entrar.
- Pronta para o 1° dia? – sorriu a professora para a antiga aluna problema.
- Haha! Não...?
- Que bom... É assim que começa... – empurrando um caderno para ela.
Erin surtava com a quantidade de poesias que escrevera para o evento daquela semana, nenhuma encaixava no tema proposto: "Experiência do Amor de Deus" todas as suas falavam de assuntos que não eram muito aceitos por uma bancada de velhotes que achavam que sabiam o que era expressão artística...
- Droga, droga... Cadê meu caderno...? – abriu o armário no corredor e remexeu no conteúdo interno, lá no fundo encontrou a esperança, o velho caderno de anotações esquecido de Jojo, sorriu e guardou dentro da bolsa, só falaria isso para ela quando fosse a hora. Achara o caderno na biblioteca, empoeirado e esquecido entre os livros de Alexandre Dumas e clássicos medievais. Não era um diário, mas algo bem íntimo para Erin. Jojo não fazia poesias, ela fazia esquemas, esquemas estranhos que ultrapassavam páginas, fórmulas químicas avançadas, assuntos que não interessariam a garotas de 14 anos... Oncologia, angiologia, obstetrícia e algo insistente em todas as páginas: Tanatologia. Em todas as páginas estava um n° diferente, algo que ela não sabia o que datava e o nome de alguém na frente: "Mamãe"
Aos 14 anos Joanne Ulhoa tinha idéias variadas sobre a morte e aos 14 anos Erin ficava com garotos e garotas, mais de uma vez em uma só festa. A vida era estranha na maior parte das vezes... Sorriu ao passar pelo corredor das salas de 7ª série, seu coração parou ao ouvir a voz dela fazendo os alunos rirem pela 1ª aula de Fisiologia Humana.
- Peraêêê! Calma lá O que foi mesmo? Fala aí com calma... – a turma estava em alvoroço, alguns riam ou faziam piadas.
- Ah, tipo... Amo ré algo assim... – risos para o garoto balbuciando – Tipo é meio carnal e do coração, sacas?
- Arrãm... – ouvindo atentamente. – Explique então o carnal...
- Ah fessora! – mais risos e piadinhas.
- Gente, isso é sério... – ela pediu com atenção, o aluno de 13 anos estava embaraçado.
- Tipo, a gente fica, sabe? E se rolar alguma coisa...
- Já chegou a pensar o que acontece nessas horas? – risos altos – Mesmo! Ninguém sequer pensou como é o processo fisiológico do ato em si?
- Só sei que fico doidãããooo!!! – gritou um aluno mais velho lá no fundo. A classe riu muito.
- Isso se chama testosterona em ação. – mais risos.
- Explica aê fessora!
- É, explica! – e lá foi Joanne Ulhoa dar sua 1ª aula de Educação Sexual para adolescentes...
Foi o beijo mais avassalador que recebi na minha vida. De tantos outros aquele fora o único que carregava um pouco de sentimento de saudade, de necessidade, de paixão. Não poderia descrever isso... Foi algo que transcendeu os meus sentidos e claro, ela ainda não sabia beijar direito...
- Não faça mais isso! – disse ela sufocando o riso, fiquei pálida – Não fique sem falar comigo por tanto tempo! – mordendo os lábios com um sorriso sapeca, por Deus, como eu amo essa criança crescida...
- Você vive ocupada... Não tenho culpa, também estou trabalhando...
- Eu sei... – o abraço mais carinhoso e quente, pareço uma boba nos braços dela. – Como eu sinto sua falta...
- É, eu sei... também sinto... – e minhas palavras parecem incoerentes, mas a abraço como posso, não como gostaria, isso eu deixo para mais tarde, em um momento que eu souber que ela é só minha e de mais ninguém. É estranho esse sentimento de solidão sufocada , como se ela pudesse colocar suas mãos em cima do meu coração e esmagá-lo com um só aperto, mas ela não faz isso, ela o cutuca de vez em quando e o segura na maior parte do tempo...
- Me abraça mais forte...? Tou sentindo uma dorzinha...
- Aonde...? – me preocupo mesmo já sabendo do jeito estranho dela querer atenção.
- No meu coração... Você fez um buraquinho nele...
- Oh, é mesmo... – e o jeito que ela fala faz meu coração derreter. É surpreendente o que ela faz, me sinto uma idiota. Uma idiota com vontade de agarrar essa menina. – Você é tão fofinha!
- Nhá! Pára com isso! Vai me convencer que não sou uma Tanatologista... E sou muito má!
- Oh sim, sim... – enlaço sua cintura para me manter no abraço, queria isso para sempre. Mas algo dentro de mim diz que não vou ter muito esse tempo para aproveitar. – Será que você pode me beijar de novo...?
- Ah... não? – e riu de meu espanto imediato. – Não quero que você fique mal acostumada...
- De quê?
- De viver sem a minha pessoinha... Hey... O que você vai fazer depois da aula?
- Trabalhar...! – digo desanimada, mas é minha obrigação da semana.
- Não quer trabalhar lá no meu quarto não? – sussurrando para mim.
- Não! – rimos e ela ficou vermelha, a única coisa que posso fazer é demonstrar meu carinho alisando seus ombros tensos, ela sempre tem os ombros tensos... Imagino se é por minha causa, imagino se ela ainda fica nervosa e tímida com minha presença e eu não queria isso, queria que ela ficasse mais a vontade, falasse mais sobre o que sente do que se esconder em suas palavras difíceis. – vai dar aula hoje?
- Não mais, a 7ª série foi teste...
- Quando você for pra minha sala, prometo não pegar pesado...
- Oh obrigada... – ela sorriu e meu estômago girou violentamente com aquela sensação que sempre tive quando sabia o que deveria fazer logo após e essa sensação me fazia pensar duas vezes quando era com ela...
- Você bem podia me ensinar o que você trabalha...
- Credo! De jeito nenhum! – ela se assustou, fale algo rápido!
- Não, não! Biologia, queria dizer isso e... – e recebo um sorriso e a sensação aumenta quando o beijo tímido que era destinado aos meus lábios foi para o meu pescoço. Aquela hora da tarde o pátio estava vazio e a árvore baixa ali perto nos escondia de qualquer intruso que viesse ver o que fazíamos.
- Eu te ensino o que você quiser... – outro beijo que agora me tirou do sério, avancei um pouco e tomei conta de seu corpo, ela não encolheu nem se afastou, apenas segurou meu rosto com carinho e encaixava seus lábios nos meus, tão ávidos por ter mais do que podia... Ainda não entendo o porquê de tanta necessidade, vai ver que ela é muito sozinha por todo sempre ou porquê ache que eu vou salvar a vida dela de algum modo.
- Eu quero...
- Ah, isso eu já sei, mas ahn... São 4 e 16 da tarde, hehehe.. – e a risada dela me esfria totalmente. Por que ela sempre leva tudo tão a sério? – Ainda vai trabalhar...? – e eu amoleço novamente, essa criança crescida vai me deixar louca...
- Vou... – e eu suspiro e chuto uma pedrinha ali perto de meu tênis, ela usa um All Star branco, limpíssimo, cadarços entrelaçados simetricamente, a calça com a barra costurada para cima e vou subindo meu olhar... A blusa co botões perolados e opacos, o busto nem tão médio, como sempre penso ela tem 21 anos no corpo de 14 anos, e eu estou doida pra conhecer esse corpo todo... Ela sempre usa branco como um anjinho que queima meus olhos... Porque eu sei o quanto pecadora eu sou, mas com ela não posso ser...
- Ta gostando...? – eu concordo, não quero falar mais nada, estou com vergonha. – O que foi?
- Nada...
- Nada? – e ela me provoca com um sorrisinho malicioso, como ela pode ter esse sorriso? – Por isso que eu te amo, minha cabecinha de melão...
- Haha, tá bom minha professorinha meiga – agora eu estava soltando frases fofas de carinho? Onde eu estava? Ela me abraçou bruscamente.
- Deus, como eu te amo!!! – assustei com a confissão, mas me deixei ser abraçada... Era o máximo que eu poderia fazer... Logo pensei novamente onde eu estava e o que estava fazendo ali... Eu poderia dar o mundo à ela, mas não gostaria nem um pouco que ela visse o meu mundo...
