Na véspera
— Não posso o crer. —gemeu Alice Fentress, uma garota de Gryffindor que cursava em seu quinto ano. — Estão seguros que escutaram bem? Falaram de divorciar-se?
Victor Turney, o garoto de Ravenclaw que presidia a reunião, assentiu. Um arquejo de assombro se expandiu entre todos os assistentes.
— Por isso, temos que fazer algo e impedir que cometam essa loucura. —prosseguiu.
— Mas como? —perguntou Rachel Damke, de Slytherin.
— Para isso estamos aqui, planejaremos algo para os acercar de novo. É momento de esquecer-nos de infantilidades contra Potter, tenho estado pensando e quiçá não seja sua culpa, talvez esse Adiel o tenha enfeitiçado.
— Isso deve ser. —opinou Pam Wong. — O Professor Potter via-se tão apaixonado do Professor Snape até faz pouco tempo, não acho que uma pessoa se apaixone e desenamore tão rápido.
— Ademais, sejamos sinceros e reconheçamos que Snape não está nada mau. —interveio uma corada Marianna Pullicino. — Acho que é… sexy.
Esse comentário ganhou-lhe as miradas curiosas de todos seus colegas, isso intensificou seu coro, mas não se retratou, ela podia ver perfeitamente o motivo pelo qual Harry Potter tinha terminado casado com o ex comensal.
Sem vontade de discutir com respeito ao atrativo de seu Professor de Poções, Victor Turney se aclarou a garganta para chamar a atenção de seus colegas.
— A mim o que me importo é que nada mude, desde que estão juntos o ambiente é menos tenso no colégio, apesar de que continuamos perdendo pontos todos aqueles que não somos de Slytherin, Snape já não é tão terrível como antes. E não cabe dúvida que esse milagre lhe devemos a Potter.
— É um insensível. —protestou Alice. — Ambos fazem um casal único e especialmente diferente, não creio recordar a ninguém cuja história me provocasse desejos de encontrar a meu príncipe azul, como lhes sucedeu a eles. E se participarei nisso, é porque estou convencida de que a todo casal lhe chega o momento de dúvida, eles devem de estar passando por essa crise somente, o amor não pode ter terminado são um para o outro!
— Bem, pelo que seja, Alice, o fato é que temos que tirar a esse Adiel do caminho e se aceitam todas suas sugestões… que se lhe ocorre?
Alice suspirou, era verdadeiro, tinham que pensar em como fazer que o amor ressurgisse, de ser possível, com mais força que antes.
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Alguém mais que não podia dormir era Harry, se girou para olhar a Severus e ainda que este tinha os olhos fechados, sua respiração revelava que também não tinha caído em sono.
— Sev… —lhe sussurrou de perto—… Sev, não posso dormir.
— E daí quer que faça? —respondeu sem abrir os olhos.
— Conversamos um pouco quer?
— Mais sobre Adiel? —questionou sorrindo-lhe divertido.
— E sobre Armand também, me fala mais dele.
Severus finalmente abriu os olhos e comprovou feliz que Harry parecia sinceramente interessado em conhecer mais ao filho de Draco. Se resignou a que essa noite não dormiriam pelo que empilhou umas almofadas para recostar-se sobre elas e em seguida acomodar a Harry sobre seu peito.
— Armand foi o bebê mais adorável que tenha visto jamais, e Draco lhe amava estranhamente, por ele ansiava o final da guerra, queria para seu filho um mundo onde pudesse viver sem medo.
— Confesso-te que não posso imaginar a Draco sendo responsável por um bebê.
— Em um princípio também duvidei de suas capacidades, mas cedo demonstrou que era um garoto excepcional. Não permitiu que nenhum elfo se encarregasse dos labores pesados, ele mesmo se encarregava de banha-lo, lhe preparar sua comida e o alimentar, velava suas noites sem nenhuma queixa, podia passar horas arrolando-lhe para que dormisse.
Harry nunca pensou que chegaria a sentir tantas ciúmes por Draco, mas tivesse dado o que fosse por ter a oportunidade de sentir crescer uma vida em seu interior e depois a cuidar e a proteger tal como Draco tinha feito com Armand. Teve que fazer um grande esforço por não derramar uma lágrima, já tinha aceitado que essa experiência jamais poderia a viver e não era o momento de se angustiar nem de angustiar a Severus.
— Como supõe que Armand terminou no Orfanato? —perguntou tentando mudar de tema.
— Penso que quiçá Draco soube que sua vida corria perigo, talvez se sentiu demasiado encurralado e decidiu o deixar onde jamais seria encontrado por magos.
— Devia ser muito difícil para ele tomar essa decisão.
— Não posso me imaginar quanto, mas agora lhe admiro mais.
— Porque não o terá trazido contigo?... ele sabia que você lhe protegeria.
— Não o sei, quiçá estava demasiado doído com este mundo, quiçá nunca se inteirou que sobrevivi.
— É tão estranho que um Malfoy repudie o mundo mágico.
Severus assentiu com macieza e Harry preferiu não fazer mais perguntas, sabia melhor que ninguém quanto lhe doía a seu companheiro ter perdido à gente que queria… após tudo, assim tinham chegado a se apaixonar.
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Oito anos atrás…
Harry corria com todas suas forças pelo corredor de St. Mungo. Não se tinha decolado da salinha de espera por dois dias, e tivesse querido não ter tido que sair, mas era inevitável sua presença nos funerais de Fred Weasley. Ainda levava sua roupa escura de luto e o nariz corado pelo pranto que não pôde conter ao ver o destroçada que luzia essa família pelo integrante perdido em batalha.
Sentia-se culpado de não ter podido o proteger apesar de que ninguém fez nenhum comentário que se assemelhasse a reproche algum, mas mesmo assim, para Harry era imensamente dolorosa a cada morte.
Por isso ia estar aí, em St. Mungo, até que comprovasse com seus próprios olhos que Severus Snape não fosse uma vítima mais. Não importava seu comportamento bastardo durante seus anos escolares, não importava seu ódio desmedido para seus pais, nem que suas mãos se encontrassem manchadas de sangue de pessoas que ele tinha amado. Não importava nada disso, seria hipócrita de sua parte se sentir limpo nesses momentos.
Seu coração batia muito assustado, até o cemitério chegou-lhe a coruja informando-lhe de uma forte recaída do experiente em poções. Não esperou mais tempo e por isso corria como se disso dependesse tudo.
Ia entrar à habitação quando um grupo de médicos saíram daí, seus rostos não anunciavam nada bom. Só um deles permaneceu junto a Harry, o resto continuou seu caminho a prosseguir com seus demais pacientes.
— Lamento. —disse o medimago suspirando cansado.
Essas simples palavras romperam dentro de Harry algo que não sabia que tinha, de repente se sentiu que não ia poder o suportar e sem ficar a escutar, entrou intempestivamente para se assegurar de ver a Severus Snape uma vez mais.
Aí estava ele, com a palidez cadavérica que lhe dava o ter perdido infinidade de sangue. Felizmente o veneno da serpente parecia ter-se controlado graças aos oportunos antídotos que o mesmo professor se administrasse, mas mesmo assim, não tinha conseguido se recuperar. Harry sentiu vontade de chorar ao ver ao homem que agora considerava um excepcional exemplo de valentia, se derrubar ante a morte.
No entanto, os aparelhos que lhe mantinham em vida ainda estavam ligados. Supôs que era o primeiro que retiravam quando se declarava morte, pelo menos assim tinha visto nessas populares séries muggles que Dudley punha no televisor.
— É questão de horas. —informou o médico chegando a seu lado. — Não está respondendo adequadamente, por isso decidimos esperar a um familiar ou representante legal para que autorize não aplicar feitiços de sobrevivência quando apareça outra crise.
— Que demônios está dizendo?! —grunhiu girando-se enfurecido para o medimago. — Snape não tem familiar vivo, mas eu não autorizo semelhante aberração! Ele vai viver, e se você não se considera o suficientemente competente para o ajudar então renuncie, me buscarei a alguém que tenha ainda que seja um mínimo da valentia que teve este homem para salvar sua vida e a de sua família!
O médico se corou pelo reproche que podia ser merecido, no entanto, certamente não considerava que tivesse nenhuma esperança para o herói insuspeito, por isso assentiu aceitando a decisão de Harry de buscar a outros médicos que sim pudessem fazer algo por ele.
Ao ficar só, Harry acurtou a distância para Snape. Sua atenção fixou-se em mão direita de seu ex professor. Viu como sua própria mão se acercava a ela para a sujeitar, estava tremendo, não recordava ter tido nunca nenhum contato físico com Snape que fosse totalmente voluntário, mas agora queria o fazer o precisava!
Estremeceu-se ao sentir a frialdade da suave pele branca, mas não se deteve, a sujeitou com força enquanto dirigia seus olhos para o rosto do mago.
— Escuta-me bem, Snape, não te vou soltar… Sei que é o tipo mais odioso que jamais conheci, mas não te permitirei que te morra. —disse surpreendido de sentir lágrimas escorregando por suas bochechas, às que preferiu atribuir a sua sensibilidade recente pelo enterro de Fred. — Sei que não quer morrer, por isso levava esses antídotos contigo, e não entendo que é o que te está fazendo esquecer seus motivos para viver, não posso te recordar, mas te darei um mais… Ou vive, ou convidarei a seu funeral a uma dúzia de jornalistas, chorarei em frente a eles lamentando me ter debochado de… de suas habilidades na cama! —afirmou corando, não queria levar imagens a sua cabeça, mas se surpreendia de ter pensado nessa ameaça.
— Eu… bom, é uma maneira de dizer ao mundo que sou gay não? —continuou tentando sorrir. — Inclusive levarei a coleção de livros de Lockhart para colocar sobre sua tumba sem deixar de chorar juro-te que direi que essa era sua última vontade!
Harry esteve quase seguro de ter visto que o cenho de Snape franzia-se. Isso lhe animou para se inclinar mais para ele e repetir "Te juro, será reconhecido como o admirador número um de Gilderoy Lockhart"
Quatro meses depois, Severus encontrava-se completamente restabelecido, e pese a seus esforços ainda não conseguia se desfazer dos assustadores cuidados de Harry quem o ia visitar a suas masmorras todos os dias sem falta. Sem importar-lhe jamais o gesto desdenhoso com que era recebido, enquanto não fosse jogado, ele voltaria.
E um bom sinal era que Severus jamais lhe tinha pedido que não voltasse.
— Que faz? —perguntou aquela noite ao chegar, novamente sem importar-lhe que Severus lhe recriminara pelo atuar.
Mas não, nessa ocasião o Professor se encontrava demasiado imerso guardando um pergaminho em sua mesa. Harry notou que ia vestido para sair, com uma longa gabardina negra que podia usar tanto no mundo mágico como no muggle. Se reprochou a si mesmo por se sentir opressivamente acalorado ao olhar como luzia.
— Não é óbvio, Potter? —respondeu Severus enquanto se atava o cinto da gabardina, Harry engoliu duro ao ver como se cingia a seu cintura lhe fazendo luzir extraordinariamente esbelto. — Terá que regressar a sua casa, estarei ocupado.
— São quase as dez. —disse agradecendo ao céu que sua voz não se escutasse tão acelerada como estava seu coração. — A onde vai tão tarde?
— São assuntos meus.
— Está em perigo?
A só possibilidade de que isso pudesse ser verdade fez que Harry se esquecesse temporariamente do descontrole de seu corpo e corresse a interpor para a porta. Snape bufou descontentamento.
— Não acha que já é suficiente, Potter? Bastante tempo tem estado jogando ao herói protetor, acho que é hora de que me deixe tranquilo.
— Não, Posso ir contigo?... quiçá seja de utilidade.
— Duvido, mas ainda que o seja, este é um assunto que não lhe interessa.
— Trata-se de Draco? —perguntou, já estava inteirado do desaparecimento do loiro e as tentativas de Snape por encontrar, algo que não lhe tinha surpreendido demasiado, sempre lhe tinha protegido durante seus anos escolares.
— Ainda que não sei nem porque me tomo a moléstia de lhe responder lhe direi que sim, tenho pistas sobre seu paradeiro e irei por ele.
Harry franziu o cenho sem dar-se conta. Ainda sentia ressentimento pelo garoto loiro e agora lhe parecia mais covarde que nunca.
— Ele não se merece que se arrisque tanto. —disse molesto, ao princípio não sabia de onde vinha esse ardor no estômago a cada vez que Snape manifestava preocupação por Draco Malfoy, agora sim o podia identificar, ainda que isso não lhe trazia nenhum consolo, Snape continuava aferrado à ideia do buscar. — Se foi-se é porque quer, não vale a pena perder tempo por ele… É um imbecil covarde que fugiu, inclusive sem lhe importar o destino de seus próprios pais, tão só lhe interessou salvar seu traseiro.
Snape apertou os punhos ao escutar as palavras de Harry. Instintivamente este retrocedeu um passo, nunca tinha visto tanta fúria nos olhos de Snape, e isso já era dizer demasiado. O alto professor inclinou-se para ele conseguindo intimidar ao jovem que tentava inutilmente não mostrar seu temor.
— Você não tem ideia, Potter. —sibilou Snape. — Draco não fugiu para salvar sua vida… salvava a de seu bebê.
Os olhos de Harry abriram-se com surpresa, estava seguro de ter escutado mau, isso não podia ser verdadeiro.
— Bebê? —repetiu torpemente. — Mas… quando, com quem?
— Isso não é da sua conta, tão só lhe direi que para Draco foi muito difícil ter que abandonar a sua família, mas ama a seu filho tanto como seus pais lhe amaram a ele, por isso deram a vida para o proteger, e ele seria capaz de dar a sua para cuidar de seu filho.
— E-eu não sabia. —desculpou-se envergonhado, mas nem isso minimizou a ira de Snape.
— Obviamente que não, Potter, e para você sempre tem sido fácil julgar antecipadamente, sobretudo a Draco. Agora faça a um lado e não me faça perder mais tempo.
Severus apartou-lhe e saiu de suas habitações fechando a porta atrás de si. Harry não se moveu, quiçá não lhe era permitido lhe acompanhar, não ia ser tão imprudente de seguir, o homem estava completamente reposto de suas feridas e confiava em que poderia se cuidar sozinho. Mas ficou aí, disposto a esperar seu regresso e ajudar-lhe no que fosse necessário.
Nas longas horas de espera Harry meditou muito nas palavras de Severus. Draco sempre lhe tinha sido antipático e era mutuamente correspondido, mas jamais lhe tivesse desejado um mau tão grande como o de temer pela vida de seu filho. Seguia sem compreender com quem tinha engendrado um bebê, no colégio não lhe conheceu mais noiva que Pansy, mas ela jamais mostrou nenhuma gravidez.
Ao final terminou por aceitar que isso não era o importante. Prometeu-se que quando Severus regressasse ia mudar sua atitude, lhe demonstraria que podia ser menos imaturo e que poderia lhe ajudar a encontrar ao loiro e a seu filho.
Estava a ponto de amanhecer quando começou a se preocupar seriamente. Severus ainda não voltava e com a só ideia de que algo mau pudesse lhe ter passado já sentia uma forte opressão no peito.
"Devia ir com ele" Se lamentou sentindo que as lágrimas estavam a ponto de brotar, não ia poder suportar o perder. Se sentir à beira da morte quando tão só era um odiado ex professor lhe angustiava dolorosamente, agora que era algo mais que isso, sentia morrer.
Já se tinha decidido ao ir buscar quando a porta se abriu. A alegria do primeiro momento desvaneceu-se quando notou que seu professor não parecia o mesmo. Quase luzia derrotado.
Ao vê-lo, Severus recompôs sua postura e seus olhos brilharam com fúria imensa.
— Disse-lhe que se marchasse! Fora de minha vida!
— Não posso. —respondeu debilmente, essas simples palavras nem sequer pensou-as, saíram de seu coração com a maior espontaneidade, realmente estava fora de seu alcance o afastar-se de Severus.
— Para que ficou?! —gritou Snape como jamais dantes o tinha feito. — Para comprovar que finalmente tem conseguido se desfazer de um mais de seus inimigos, Potter?!... Sim, Draco morreu, agora largue-se!
Harry pôs-se de pé lentamente, deu uns passos, mas não para a saída senão para Severus. Podia sentir sua dor como próprio, era mais forte que mil cruciatus juntos.
E ainda que sabia que provavelmente se estava arriscando a experimentar tão dolorosa maldição, passou seus braços sobre os ombros de Snape. Teve que se levantar de pontas para poder o abraçar, mas o conseguiu.
No entanto, não foi por muito tempo. O homem perdeu força em seus joelhos e deixou-se cair sentado no tapete. Harry seguiu-o em silêncio, sem deixar de abraçar-lhe, sabendo nesse momento que não tinha dor mais profundo que as lágrimas de um homem como Severus, alguém quem se tinha roubado seu coração sem o pretender sequer.
— Perdi-os. —soluçou Severus tão baixinho que Harry mal atingiu a lhe entender. — De nada serviu lutar tanto… de nada serviu sobreviver.
Harry mal podia crer o que escutava, Snape nunca foi um homem que permitisse mostrar seus sentimentos, muito menos aqueles que o faziam vulnerável.
— Severus, sei que nada poderia brindar algo de consolo neste momento, mas ainda que sinta que tudo tem sido inútil, não o foi. Está vivo, e há quem sente-se em dívida com o céu por isso.
— Eles eram o único que tinha.
— O único que crias ter. Lamento de todo coração o que tem passado, mas não está só, Severus.
— Vai dizer-me que lhe tenho a você? —questionou mordaz.
Harry inclinou mais seu rosto para sussurrar-lhe ao ouvido um "Sim". Ao instante Severus quis soltar-se, como se de repente se tivesse dado conta do insólito da situação, ele chorando no ombro de Harry Potter, era quase como se sentisse ácido na pele com o simples roce do jovem. Mas este não lhe permitiu se retirar, usou toda sua força para se manter o abraçando e em poucos minutos foi sentindo como a resistência minguava até que novamente Severus se rendeu e voltou a umedecer em silêncio o suéter de Harry.
Esse foi sua primeira aproximação real, mas não foi fácil daí em adiante. Harry teve que se armar de muita paciência para suportar as tentativas de Severus por lhe afastar. Às vezes esteve a ponto de render-se, Severus podia ser chato quando lhe propunha, mas Harry se esforçava por não esquecer que tudo era produto da dor que queimava, lhe via sofrer terrivelmente pela morte de Draco, não era capaz de abandonar… nem sequer ainda que às vezes sentisse vontade de correr a chorar a escondida, ele também sofria ao ver que o homem que estava amando se desmoronava entre seus dedos.
— É que nunca se cansa, Potter? —perguntou Severus uma noite quando entrou a suas habitações e Harry já estava aí.
Harry não respondeu, Severus se distraiu deixando seus livros sobre uma mesa próxima, até que finalmente notou o silêncio e se girou ao olhar. O garoto tinha-se posto em pé, mas luzia extremamente nervoso, com a mirada baixa e as mãos às costas. Severus notou em seguida suas bochechas coradas, algo que lhe intrigou, muito a sua pesar.
— Que lhe passa?... Está doente?
— N-não, eu… errr… feliz aniversário? —disse estendendo suas mãos mostrando um pacote envolvido em brilhante papel verde.
Por uns segundos o tempo pareceu deter-se entre eles. Harry continuou com os braços estendidos sem atrever-se a olhar diretamente aos olhos do homem que tinha em frente. E Severus observava-lhe incrédulo por seu atrevimento.
— Como o soube? —perguntou ao cabo de conseguir recompor-se da surpresa.
— Por acaso, às vezes a informação que mais me interessa chega por meios estranhos… Hagrid o comentou.
— Estúpido gigante. —cuspiu molesto. — Odeio este tipo de celebrações, Potter, e agora que o sabe, se guarde seu obsequio que não o preciso.
— Faz favor, receba.
Severus duvidou um instante, e ainda que não tinha interesse algum no que Harry podia lhe presentear, sabia que não se livraria dele até ver seu conteúdo. Incomodado aceitou seu presente e sem nenhum cuidado rompeu bruscamente o papel. Grande foi sua surpresa ao ver do que se tratava.
Harry atreveu-se finalmente a olhar aos olhos o qual ajudou a acentuar a cor de suas bochechas.
— Uma vez deram-me um álbum de meus pais e a alegria que senti não se pode comparar com nada, se voltou um tesouro para mim… e eu queria que você sentisse essa mesma felicidade, Severus.
O Professor deixou-se cair lentamente sobre o sofá com o álbum sobre suas pernas. Suavemente acariciou a portada de pele de dragão verde com as letras DM em prata. Sentiu que Harry se sentava a seu lado, mas não fez caso, foi abrindo o livro observando a cada uma das fotografias de Draco, aí estava praticamente toda sua vida em Hogwarts.
— Essa me presenteou Pansy. —assinalou Harry uma fotografia onde Draco posava com prévio a um partido de Quidditch em quinto ano. — Ela guarda muito boas lembranças de Draco, em realidade, quase todos seus amigos aos que visitei sorriam com carinho ao falar dele.
— Draco era muito apreciado, ainda que vocês os Gryffindor se empenhassem em ver o pior dele.
— Bom, é que Draco também não se esforçava muito por ser agradável conosco.
Harry quase arrependeu-se em seguida de ter pronunciado essas palavras, o cenho de Severus tinha-se franzido com moléstia, mas não era mais que a verdade.
— Sinto muito. —desculpou-se envergonhado. — Acho que simplesmente faltou-nos conhecer-nos, quiçá inclusive tivéssemos podido ser amigos.
— Duvido. —espetou Severus. — E sim, quiçá deva reconhecer que Draco não foi demasiado amável, mas não era mau garoto.
— Creio-te, e ademais era muito atraente. —agregou Harry voltando a olhar a fotografia. — Luze realmente bem nesse uniforme… não sei como jamais o notei.
Severus fechou o álbum imediatamente, de repente sentia-se mais enfurecido pelo afetuoso comentário de Harry para Draco que por todos os insultos que pudesse lhe dar. Não gostou, realmente não tinha gostado nada que Harry manifestasse desse pensamento.
Temeroso de ter cometido uma estupidez, Harry tentou sorrir a modo de desculpa.
— Amm, bom, acho que já deveria me ir, espero que tenha gostado de seu presente.
Severus assentiu enquanto obrigava-se a esquecer da sensação queimante em seu estômago. Animado pelo gesto mais suave de seu ex professor, Harry aproximou-se a abraçá-lo.
Fechou seus olhos desfrutando desse contato, não tinha voltado a abraçar desde o dia em que se inteiraram da morte de Draco, e essa ocasião era completamente diferente. Harry deu-se o luxo de cheirar o aroma que desprendia o pescoço de Snape, um cheiro que embriagava seus sentidos prodigando-lhe de um calor abrasador. Afundou seus dedos no longo cabelo escuro, adorando sua textura sedosa e fresca.
Foi estremecido sentir como, ao cabo de uns segundos, Snape lhe correspondeu lhe rodeando pela cintura. Harry quase esteve a ponto de gemer de prazer. Estava tentado a fazer algo mais, mas sabia que era um grave erro, não podia transgredir tanto os limites. No entanto, sentia o abraço de Snape tão possesivo que estava começando a excitar-se com assustadora rapidez.
Fez um esforço sobre-humano por apartar-se apesar de estar desfrutando das sensações tão intensas, não poderia responder de si mesmo se as prolongava demasiado. No entanto, Snape não o soltou de tudo, pelo que combinaram com os rostos tão perto que podiam se beber seus fôlegos.
— Solta-me. —suplicou Harry debilmente.
— Talvez não tem sido você quem iniciou este abraço? Porque fazer se resulta-lhe tão repulsivo?
— Não é repulsivo. —arquejou involuntariamente. — Mas se não me solta, Severus, vou te beijar.
A surpresa refletiu-se nos olhos de Snape, quem de imediato soltou-lhe. Harry deixou sair o ar de seus pulmões, agora sentia que suas calças lhe apertavam, mas mesmo assim não podia deixar de olhar as profundidades escuras que lhe observavam como se algo andasse mau no universo.
— É que não te deste conta que te amo, tonto? —voltou a arquejar Harry.
Depois de dizer isso, se pôs de pé caminhando torpemente para a saída. Mal podia ver, a excitação lhe mareava de uma maneira que jamais tinha sentido com ninguém.
— Potter… —chamou-lhe Severus antes de que pudesse abrir a porta, Harry se deteve se girando ao olhar, sem saber como teve a força de vontade para não correr de regresso para ele e lhe roubar para o levar a onde nada pudesse lhes separar. —… Minerva me disse que teria um bolo na sala de Professores quer vir comigo?
Harry assentiu, era uma tortura, uma doce tortura continuar ao lado desse homem, mas o faria, porque agora se sentia o ser humano mais feliz do mundo… Severus lhe estava convidando a ficar mais tempo com ele.
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Na atualidade…
Harry sorria apaixonado. Estava por amanhecer e o sono não tinha chegado a ele, mas não importava. Levantou o rosto e viu que Severus estava nas mesmas circunstâncias.
— Devemos tomar alguma poção. —comentou Severus. — Teremos um dia muito ocupado e o melhor tivesse sido que descansássemos um pouco de tanta excitação.
— Não sei você, mas eu nesses momentos sofro de outro tipo de excitação.
Harry montou-se a sobre seu esposo apoderando-se desesperado de seus lábios. Se essa noite não dormiriam, estava disposto a entreter-se em algo delicioso.
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Nota tradutor:
Hummmmmmmmmmmmmmm
Vejo vocês por ai
