Revenge

Quando o amor e a vingança caminham juntos.

Capitulo 10

Bella

Ela ergueu-se com as mãos em sua cintura e arqueou suas costas para trás, depois para frente, na vão esperança de distender os músculos de seu corpo que lhe doíam até a alma. Seu suspiro saiu pesado e passando o dorso de sua mão em sua fronte, que estava lavada de suor, ela se abaixou novamente e pegou ao pesado cesto com roupas sujas e se encaminhou para a área dos tanques. Lá, já se encontravam algumas lavadeiras, com seus enormes traseiros e seus braços fortes e bem torneados. Isabella se distinguia dentre elas pelo porte, beleza e educação, mesmo trajando roupas tão simples quanto as outras. Mas este diferencial somente lhe servia como segregação com as outras mulheres que não a aceitavam com cordialidade, mas para ela, naquele ambiente, pouco lhe ia nas idéias o bom convívio. Era somente um dia após o outro e, neste ritmo, já se passaram quase cinco meses desde que ela deixara a pousada, que sempre que se lembrava, chamava de espelunca. A vida de Isabella havia chegado até a lavanderia onde trabalhava todos os dias antes do sol nascer e, até bem depois dele se por, quando na outra manhã, após a noite mal dormida na espelunca, ela andara praticamente quase que todo o dia em busca de alguma esperança.

Que acabou por encontrá-la em frente à porta de uma igreja presbiteriana que servia um caldo para os pobres e necessitados, estando ela nesta mesma situação. Isabella lembrou-se daquele dia enquanto batia com vigor as roupas nas tinas de sabão, lembrou-se dela, com as mãos tremulas, pegando muita agradecida à caneca com o caldo fumegante e o pedaço de pão duro e amanhecido. Não era a melhor refeição que ela já comera em sua vida, mas, era a que ela comera com mais fome e era a mais bem vinda que ela poderia desejar. Visto que andara muito, sem destino e faminta. O calor aqueceu seu estomago vazio e seu corpo e ela ficou ali, sentada em baixo de uma arvore, com os galhos congelados enquanto olhava os pobres que ainda se encaminhavam na fila para terem a sua vez ao alimento bem vindo. Um menino pequeno com rosto sujo de fuligem, trazia em seu peito uma lousa com algumas palavras escritas a giz. Curiosa, ela se aproximou para olhar melhor e, surpreendida, leu que se tratava de labuta.

Ansiosa, ela perguntou ao pequeno sobre a lavadeira, quem o precisava, no que a mão pequena e suja da criança pegou a sua, à conduzindo pelas ruas cobertas de gelo. Eles andaram por entre os prédios barulhentos, passando pela feira no centro da cidade, onde se vendia de tudo um pouco, até mesmo a alma, para por fim, pararem em um prédio mau cuidado, com um tabuleiro enorme onde se lia lavanderia do Lao. O pequeno menino a conduziu pela lateral do prédio entrando pelos fundos, passando primeiro pela área dos tanques, onde já se encontravam algumas mulheres a labutar. Para por último, entrarem em um cômodo onde tonéis de metal, enormes, fumegavam com roupas dentro, sobre o fogo que era alimentado por uma mulher muito pequena, com feições estranhas. Isabella ficou olhando para ela que usava uma mistura de calças largas com uma bata e, tinha os cabelos presos em uma trança comprida e grossa. O rosto era de uma tonalidade amarelada e Isabella se pôs a pensar se aquela mulher não estaria doente? Mas foram seus olhos que mais chamaram a sua atenção, eram pequenos e repuxados. Ela lembrou-se da gravura de um livro de conhecimentos gerais, disposto na biblioteca de Inácio Greenne, escrito por um viajante italiano. Diziam que o homem percorrera todo o mundo. Ela gostava de pegar aquele livro e ler as informações de lugares fantásticos e pessoas diferentes das que ela conhecia. Mas nunca chegou a acreditar que elas de fato existissem, e agora, seus olhos viam a verdade. A única duvida que lhe ficou, foi sobre a origem daquela mulher e, forçou a sua mente para lembrar o nome dos lugares, onde tinham as gravuras com a semelhança dela.

Um puxão em sua mão a fez voltar-se imediatamente. O menino a levou até um cômodo, desordenado e iluminado por uma vela apenas. Em uma mesa estranha estava sentado a versão masculina daquela mulher e Isabella pulou de susto, quando o homem começou a falar palavras que lhe soaram estranhas. Porém, sem conseguir conter-se, ela passou a rir e, na mesma intensidade em que o homem falava, pois achava tudo fantástico por demais.

_Veio aqui para rir de Lao?

Depois ela colocou a sua mão sobre a sua boca e percebeu que fora rude e deselegante, mas culpou o momento por qual passava, que de certo a estava deixando desatinada. Ela inclinou-se a pedir desculpas ao estranho homem e se apresentou:_Boa noite! Meu nome é Isabella Dwyer e vim ter com o senhor a respeito de labuta.

_No, no! Lao precisa de mulher forte, sim? Grande!

Ele falara a ultima palavra abrindo seus braços para evidenciar a sua necessidade. Já Isabella, lembrou-se da versão feminina do pequeno homem que falava com ela e, erguendo seu queixo, ela comentou sobre a mulher tão pequena quanto ela a mexer os tonéis com roupas fervendo e alimentando o fogaréu. Então, ela exigia uma chance de poder provar que era tão forte quanto para exercer a atividade. Desde aquele dia ela vem labutando sem descanso naquela lavanderia, apenas podendo parar para se alimentar. O que sempre lhe era um sofrimento, pois ela corria até a mesma igreja, afim de se beneficiar da solidariedade dos seguidores de cristo. E infelizmente, havia dias e, as vezes seguidos, que ela perdia a distribuição da sopa. Mas, sempre que podia guardava em seus bolsos um pedaço do pão servido na refeição anterior. A moradia ela conseguiu na igreja também, mas isto, após dormir quase três noites seguidas na espelunca. A mulher do pastor, Sra. Fishmann lhe enviara até a uma casa enorme, onde mulheres eram acolhidas, mães sem pais para os seus filhos, viúvas e órfãs, assim, como ela. Lá, ela passou a dividir um quarto com mais três mulheres e pagava semanalmente pelo pouso.

_Hey, magrela! Acaba logo que eu preciso desta tina! a voz grosseira da mulher a trouxe de volta a realidade e Isabella pegou as peças que acabara de bater se dirigindo para os tonéis, onde a prestativa Sra. Lao, lhe sorrindo, as inundou na água fervente.

_Srta. Dwyer, precisa comer, vai, vai! Isabella retribuiu o sorriso e pegando ao seu casaco puído, vestiu suas galochas e apressou seus passos, do contrário iria perder novamente a refeição em frente à igreja. Ela já estava mais acostumada a vida da cidade e se desviava com estrema facilidade dos transeuntes. Como já era de costume, Mike, o menino da face suja de fuligem, apareceu sorrindo e lhe deu a sua pequena mão, onde os dois seguiram rápidos para a igreja, e no caminho aproveitavam para brincar, pulando os buracos. Assim que dobraram a esquina de uma rua, a que dava de frente para a pequena congregação, seu coração disparou de tal modo que lhe faltou o ar.

_Não pode ser! Mike, como que sintonizado com as emoções que dominavam o corpo de Isabella, parou ao seu lado, segurando em sua mão, com clara evidência de que estava preocupado com a sua amiga, que o puxou a um canto escuro. Ela encostou seu corpo na parede de um prédio abraçando o pequeno corpo do menino e contendo a muito custo o acelerar de seu coração. Depois, ela inclinou-se, somente um pouco para olhar novamente para a igreja. E não tinha mais duvidas, era ele!

Alto e imponente, destacando-se das pessoas más vestidas na fila da sopa e com seu cabelo acobreado, estava o Sr. Cullen, que a tudo olhava com interesse. Chegava mesmo a ser um desconforto a visão, ele tão nobre e vistoso em meio a toda aquela pobreza. Isabella viu os olhos verdes, intensos e brilhantes, perscrutando ao redor, para depois voltar-se assim que a esposa do pastor foi ter com ele. Pelo o que Isabella podia perceber ele procurava por informação, visto que suas mãos sinalizavam, tentando mostrar altura e porte. Depois o pomposo Sr. Cullen apontou para uma mulher parada na fila e os olhos de Isabella seguiram a este gesto e, para a sua surpresa, era uma mulher magra, tão branca quanto ela e de cabelos marrons.

Seus olhos acompanharam arregalados, o momento em que ele, Edward Cullen foi ter com a sua sósia, tocando-lhe os ombros sem qualquer temor, para depois olhar descontente para a esposa do pastor e, tirando de sua carteira uma nota de dinheiro, que chamou a atenção de todos, até mesmo do pequeno Mike que deixou a Isabella imediatamente, correndo para unir suas mãos pequenas aos demais a pedir a sua esmola.

Isabella sabia o que aquilo significava, ela tinha toda a certeza! Edward Cullen procurava por ela e um desespero passou a tomar conta de seu ser, ela voltou a recostar sua cabeça na parede, ali, protegida pela penumbra e fechou a seus olhos. No que foi assaltada pelas lembranças que lutava por quase cinco meses, não querendo relembrar. Lembranças estas, que vinham assaltá-la em seus sonhos, a fazendo acordar religiosamente todas as noites em meio a madrugada toda suada e tremendo. Lembranças da força daquele olhar, verde e impiedoso, do calor daqueles dedos fortes e acusadores e, por ultimo, a voz, várias delas na verdade, à acusando de algo que jamais fizera. Mas era o olhar triste de sua avó se apagando no meio da escuridão, seu maior sofrimento. Um soluço escapou-lhe pela garganta, a fazendo doer, a mesma dor que sufocava em seu peito e, Isabella voltou-se pelo mesmo caminho que veio a correr com as lagrimas que lhe turvavam as vistas e seus pés a tropeçar. Ela precisava fugir, ir-se embora, pois em Forks a sua segurança estava comprometida com a presença do frio e agressivo Edward Cullen. Ela precisava chegar até a pensão para recolher suas coisas e, em meio à estes pensamentos de fuga, misturados a sua pura angustia, Isabella não viu a porta da carruagem que se abrira no exato momento em que ela vinha desembestada. Ela apenas sentiu a um baque forte e muito dolorido em sua face e a escuridão tomou conta de seu ser.

Mas, ela apagou antes de conseguir ver ao cavalheiro alto e bem vestido que saia da carruagem, portanto capa, cartola e bengala. Alguns transeuntes pararam para olhar a cena inusitada, de um cavalheiro com trajes tão nobre se abaixando até uma mulher caída no chão, vestida em farrapos, e surpreendendo ainda mais, o nobre tirou de uma de suas mãos uma luva branca, exposto dedos compridos e bem feitos e tocou o rosto da pobre, tirando-lhe da face desacordada as mechas de seus cabelos marrons, depois com calma ele disse:

_Bernard, pegue-a!

_Senhor, onde posso deixar a esta indigente?

_Leve-a para a mansão.

O nobre ergueu-se e recolocou a sua luva fina, para depois voltar-se com seus olhos negros como a noite para o seu empregado particular:_Pode ir! Daqui sigo para a residência de madame D.