Estou tão animada de estar postando esse capítulo, por causa das coisas que acontecem nele. SOS! Parei. Boa leitura!
Regina acordou desorientada, sentindo embaixo dela um colchão macio e um aroma bom no ar. Ela notou que vários fios estavam ligados aos seus braços. A morena rapidamente compreendeu que ela estava em um hospital. Ela abriu os olhos lentamente e encontrou Robin sentado na poltrona ao lado de onde ela estava deitada e ela viu o rosto dele se iluminar ao vê-la acordada. Ela sorriu para ele e logo depois seus olhos se estreitaram devido à claridade que estava no quarto. Ele percebeu o que estava acontecendo e foi até a janela, fechando a cortina.
- Como você está se sentindo? – ele se aproximou dela e segurou suas mãos.
- Estou me sentindo bem. Só estou um pouco confusa, mas não estou sentindo dor nenhuma. Como eu vim parar aqui? - ela perguntou olhando para ele.
- Eu ouvi você falando que já ia abrir a porta, e em seguida eu ouvi um barulho forte. Ficou tudo em silêncio, você demorou a abrir a porta e eu fiquei desesperado. Eu não aguentei mais esperar e arrombei a porta e encontrei você caída no chão no final da escada. Meu mundo todo pareceu paralisar por alguns segundos. Eu não consegui nem pensar na possibilidade de te perder. Então eu vi um pouco de sangue saindo do seu braço, e eu voltei pra realidade. Eu chamei uma ambulância e liguei para os seus pais.
- Você não vai me perder. – ela sorriu e apertou as mãos dele. - Meus pais sabem que eu estou aqui? - ela perguntou se agitando na cama.
- Sim. - ele respondeu acariciando o braço dela, tentando acalma-la. - No momento eles estão conversando com o médico que te atendeu.
- Por quanto tempo eu fiquei apagada?
Ela perguntou e seus olhos rondaram pelo quarto. Era um quarto simples, mas arrumado, nem muito grande nem muito pequeno. Continha uma televisão no alto, a cama ficava localizada bem no centro do quarto e tinha duas poltronas de cada lado da cama. Ela olhou para o seu próprio corpo e percebeu que ainda estava vestindo o shorts e a blusa que ela estava vestindo antes de cair da escada.
- Oito horas. Os médicos te deram um sedativo leve para realizar alguns exames em você, para saber se você tinha machucado a cabeça ao cair da escada e coisas do gênero. Sua mãe trocou sua roupa e colocou em você uma roupa que o hospital pediu para colocar, para você poder realizar os exames. E depois de todos os exames feitos eles falaram que sua mãe podia trocar você para sua própria roupa e ela trocou. Eu quase pedi para sua mãe me deixar trocar você de roupa. - Robin disse comprimindo os lábios e Regina sabia que ele estava segurando uma risada.
- Seu maluco! – Regina não conseguiu segurar o riso e riu livremente. – Ainda bem que você se controlou e não falou nada.
- Eu sei. - ele riu e então sua expressão e sua voz tomaram um tom mais sério. – Eu apenas... você não sabe a confusão que estava aqui. A Rose e a Mary apareceram aqui chorando, preocupadas, e seus pais tentaram não demonstrar muito, mas eu percebi que eles estavam bastante abalados. Eu só queria ficar um pouquinho sozinho com você, porque você consegue me acalmar como ninguém.
Ela sentiu seus olhos se encherem de lágrimas e ela não confiou em sua voz naquele momento, ela sabia que ia sair em um tom angustiado, então ela simplesmente levantou uma de suas mãos e fez carinho no rosto dele. Ele sorriu e limpou algumas lágrimas que tinham caído do rosto dela com seu polegar.
- E você já viu os resultados? - ela perguntou um tempo depois fez uma cara culpada, achando que ele pudesse achar ruim de ela estar fazendo tantas perguntas.
Ele sorriu com o desconforto dela e acariciou as bochechas dela, mostrando que ele não se importava nenhum pouco de tirar as dúvidas que estavam perambulando pela cabeça dela.
- Já vi sim. Você é dura como uma rocha. Você não quebrou nada e não se machucou internamente, única coisa que aconteceu mesmo foi o corte em seu braço.
Ele olhou para o corte, que agora já estava limpo e cicatrizado e fez carinho no local e ela sentiu todo o seu corpo relaxar. Ela levantou o rosto dele com as pontas dos seus dedos e fez os olhos dele encontrarem os seus.
- Obrigada por me salvar. De novo.
Ela colocou suas duas mãos ao redor do rosto dele, e inclinou seu pescoço para beija-lo. Ele sussurrou "Não precisa agradecer" contra a boca dela e a beijou passionalmente. Foi um beijo calmo, e apesar de não quererem, se separaram algum tempo depois para pegar ar. Ele encostou sua testa sobre a dela e eles sentiram seus narizes se tocarem. Ambos tinham um sorriso bobo no rosto e eles permaneceram nessa posição por alguns segundos até eles ouvirem a porta do quarto ser aberta. Um homem loiro e um moreno, dois médicos Regina deduziu por estarem de jaleco, entraram seguidos por seus pais.
- Regina! – seus pais disseram ao mesmo tempo ao vê-la acordada e eles rapidamente foram até ela.
Ela sorriu e seus pais a abraçaram apertado, um de cada lado.
- Eu fiquei tão preocupada com você. - Cora disse baixinho perto do ouvido da Regina.
Ela sentiu seus olhos ficarem marejados e apertou mais sua mãe contra si.
- Eu estou bem, mãe. – a filha respondeu no mesmo tom que a mãe tinha usado.
Eles afagaram os cabelos longos da morena, depois se afastaram e o médico loiro se aproximou da Regina.
- Agora que você já está acordada, eu vou tirar esses fios do seu braço. Eles só estavam servindo para não te deixar fraca enquanto você estivesse dormindo - ele disse docemente com um sorriso e rapidamente desconectou os fios dela. – Eu queria te apresentar o doutor Graham. – ele disse apontando para o outro médico, que sorriu para ela e ela sorriu de volta. – Ele é o melhor especialista em ginecologia neste hospital e eu gostaria que você o acompanhasse até a sala dele.
Um olhar confuso se formou no rosto dela. Ela achou que estava tudo bem com ela, e que ela já ia ser liberada. Ela olhou para os seus pais e viu o mesmo semblante confuso nos rostos deles. Ela resolveu fazer o que o médico falou e se levantou da cama e caminhou ao lado dele em silêncio até a sala que pertencia a ele. Ao chegar à sala dele ela sentou em uma cadeira, e ela sentia que seu coração ia sair pela boca. Ela estava tendo um pressentimento tremendamente forte de que algo muito ruim estava para acontecer. Suas mãos começaram a transpirar devido ao nervoso e ela enxugou rapidamente suas mãos em seus shorts. Ele sentou na cadeira atrás da mesa, de frente para a morena, mexeu em uns papéis e olhou para ela com um sorriso fraco no rosto.
- Regina, você tem tido cólicas muito fortes?
Os olhos dela se arregalaram ao ouvir a pergunta dele. Era exatamente isso que parecia às dores que ela vinha sentindo, uma cólica forte.
- Eu vou tomar isso como um sim. Quando que elas começaram?
- Eu acho que faz duas semanas.
- E você teve algum sangramento fora do normal?
- Não. - ela respondeu rápido.
- Bom.. Regina, nós fizemos vários exames em você para sabermos se você havia machucado sua cabeça, e nós fizemos uma ressonancia magnetica. Nesse exame, infelizmente acusou que você tem uma doença chamada endometriose. Você já ouviu falar dela?
Ela sentiu seu coração parar de bater por alguns segundos. Ela já tinha ouvido sua mãe comentar sobre essa doença com alguma das amigas dela e Regina lembrava uma das coisas que essa doença causava. Infertilidade.
- Mais ou menos... - ela respondeu com medo de saber a resposta. Mas ela precisava saber.
- O útero das mulheres é revestido de um tecido chamado endométrio. Todo os meses, quando não há gestação, esse tecido descama e é eliminado com o sangue da menstruação. Quando há endométrio em outros órgãos, fora do útero, é diagnosticado endometriose. Esse tecido migra por meio da corrente sanguínea para outros órgãos. Me pergunte todas as duvidas que você tiver. Eu acredite que deve ter várias.
- Por que causa tanta dor? - ela perguntou.
- Porque mesmo forma do útero, esse tecido endométrio continua sendo estimulado pelos hormônios do ciclo menstrual. E isso acaba gerando uma inflamação. - ele responde olhando para ela com um semblante triste.
E agora, a ultima duvida que ela tinha.
- Essa doença causa infertilidade? - ela perguntou com temor.
O médico olhou para baixo, suspirou e encontrou o olhar da morena.
- Na maioria dos casos, causa sim. Pode ocorrer acotimento das trompas, orgão que conduz o óvulo ao útero. E... - ele suspirou novamente. - lamentavelmente, este é o seu caso.
Graham viu a expressão dela cair, e ele deu a volta na mesa e parou de frente para ela.
- Mas temos como reverter isso, Regina! - ele disse parando ao lado dela e ele continuou ao ve-la olhando para ele. - Podiamos reverter isso em uma cirurgia, mas no momento, no seu caso, acho que faria mais mal do que bem. O que podemos fazer é você usar anti concepcional, intercalar uma cartela na outra para evitar a sua mentruação de descer. - ele explicou para ela e ele viu um olhar de entendimento no rosto dela. - Com o tempo, talvez as trompas voltem automaticamente ao normal. E se não voltarem, ai sim podemos pensar na possiblidade de fazermos uma cirurgia. O que você acha? - ele perguntou.
Regina assentiu com a cabeça, mas por dentro, ela sentia que estava morrendo. Ela havia comentado sobre ter uma familia com Robin não muito tempo atrás. Ela sabia o quão ele era apegado com o primo pequeno dele, Roland. Ela própria queria muito ser mãe. Ela sempre imaginou, que percebendo as atitudes erradas que seus pais tinham as vezes, ela poderia usar isso para ser uma mãe melhor. Ela queria sentir os primeiros chutes. Ela queria sentir o Robin abraçando-a por trás e acariciando sua barriga grande. Ela queria comprar os primeiros sapatinhos. Ela já tinha feito uma imagem clara em sua mente, fim de tarde, Robin empurrando uma graciosa menina em um balanço, enquanto ele olhava apaixonadamente para Regina, que estava perto deles. A menina era a mistura perfeita deles. Tinha os olhos dele, o cabelo dela, as covinhas grandes dele, o queixo dela.
A morena sentiu lágrimas sentindo de seus olhos, e ela as limpou rapidamente e forçou as outras lágrimas a não sairem. A ação irritou seus olhos, e ela sentiu um aperto em seu coração. O médico deu um tempo ela, e depois ela se levantou. Ele disse para ela se acalmar, que o quadro dela apesar de já está bastante avançado, não era irreversivel. Eles andaram de volta para onde seus pais tinham ficado e Robin notou como os olhos da Regina estavam bem vermelhos, como se ela estivesse lutando para não chorar.
- Você já contou a eles? - Regina perguntou direcionando seu olhar ao médico que havia ficado com seus pais.
- Não, eu estava esperando você voltar.
- Ok. – Regina tentou acalmar sua respiração e organizou seus pensamentos. – Eu... eu queria falar com o Robin a sós.
- Nós podemos ir a um parque que tem aqui em frente ao hospital. – Robin sugeriu apreensivo com o estado em que a morena estava. Ele percebeu que as mãos dela estavam tremendo.
- Boa ideia. - Regina deu um sorriso fraco e começou a andar rapidamente para a porta do hospital e Robin apressou o passo para acompanha-la.
A cabeça dela estava a mil. Ela estava triste por si mesma, mas também por tirar isso do Robin. Ela não achava justo. Desde sempre, infelizmente ela achava que Robin merecia algo melhor. E aquilo, para ela, era a prova. No caminho até lá, ela tomou uma importante decisão. Ela se sentou em um banco em frente a um chafariz e esperou ele se sentar também para começar a falar.
- Eu acho que nós devíamos terminar.
Os olhos dele se arregalaram em surpresa e em seguida suas testas franziram.
- Por que você está falando isso? - ele perguntou e encostou suas mãos no rosto dela, mas ela o afastou e olhou para longe.
- Você sempre quis ter uma família. Uma família grande. E eu não vou ser capaz de te dar isso.
- O que você está querendo dizer?
- Eu tenho uma doença que me fez ficar estéril, Robin. Eu não vou poder ter filhos. - ela disse olhando para baixo.
O rosto dele assumiu uma expressão triste e ele aproximou mais seu corpo do dela e acariciou as pernas dela com uma de suas mãos. E com a outra mão, ele usou seu polegar para delicadamente levantar o rosto dela.
- Regina, por mais que eu queira ter uma família, ter uma família não teria a menor graça sem você. – ele disse com uma expressão carinhosa no rosto.
Ela sentiu algumas lágrimas escorrerem pelo rosto dela e um sorriso apareceu no rosto dela. Se ele pudesse, ele a manteria sorrindo para sempre. Ela percebeu quão boba ela foi de achar que ela ia ter forças para se separar dele, mesmo se fosse para o bem dele. Ela precisava dele. Agora, mais do que nunca. Ele sorriu de volta para ela enxugou o rosto dela.
- O médico te disse se essa doença tem cura? - ele perguntou virando seu corpo de frente para ela.
- Ele deu algumas sugestões de como a gente pode fazer para reverter isso, mas ele não me pareceu muito confiante. A doença já está muito avançada.
- Mas nós não podemos perder a esperança! - Robin disse. – Eu sei que vai dar tudo certo. É só tentarmos.
- Eu queria ter a sua certeza.
Ela se ajeitou no banco e encostou a cabeça no ombro dele, e ficou nessa mesma posição, apenas sentindo o cheiro dele, durante algum tempo. Depois eles levantaram e voltaram de mãos dadas para o hospital. Ao encontrarem os pais dela, eles a olharam com pena e com uma expressão triste.
- Olha, eu não quero que vocês sintam pena de mim e eu não quero conversar sobre isso. Não agora. Eu só quero ir para casa. Por favor. – Regina implorou cruzando os braços embaixo do peito.
- Ok. – Henry disse colocando os braços ao redor dela. – Nós já assinamos toda a papelada e você já está liberada para ir embora.
- Que bom. – ela suspirou. – Então vamos?
Todos assentiram e foram em direção ao estacionamento do hospital. Regina se despediu do Robin com um beijo, e ela voltou para casa com os pais. Ela chegou em casa e foi direto para o banheiro tomar um banho e tirar o cheiro de hospital que estava impregnado nela. A morena saiu do quarto para ver com os pais o que eles iam jantar, e ela os ouviu conversando.
- Eu não consigo nem imaginar a dor que ela está passando. - ela ouviu sua mãe dizer. - Quando você está apaixonada, é normal você começar a imaginar um futuro com essa pessoa. E esse futuro sempre inclui crianças.
- Nossa garota é forte, ela vai conseguir passar por isso. - seu pai respondeu.
Ela resolveu voltar para o seu quarto, e deitou na cama. Ela só esperava que seu pai estivesse certo.
Espero que vocês tenham gostado! Sobre a doença eu procurei me informar bem, mas claro, eu não sou médica, então claro que talvez não tenha ficado 100% fiel. Me digam se vocês tiverem alguma dúvida, ficarei feliz em responde-la. Me digam também se vocês acharam que ficou MUITO triste. É que não consigo evitar, eu amo um drama hehe. Mas tem partes fofas/felizes também, né? ;) Caso alguém queira me achar no twitter, eu sou a inlovewithlanap haha. Por favor deixem review ❤️❤️
