Capítulo X
-Hoje temos doze pacientes do nosso lado, mas prevejo que em breve estaremos lotados com essa gripe que está circulando. – Avisou Bella a seus três técnicos enquanto lhes passava o relatório do plantão na enfermaria – Siobhan, você ficará com os leitos 201 ao 204. Fique atenta para o horário dos antibióticos do paciente 202 e não se esqueça que o 203 fará uma ultrassonografia amanhã e deve ficar em jejum.
-Sim, já anotei para não me esquecer! – Disse Siobhan, registrando cada palavra do que Bella falava em seu bloquinho de anotações. Era uma mulher madura e a melhor técnica de sua equipe, mas às vezes ficava um tanto confusa com os horários.
-Liam, você fica com os leitos 205 ao 208. Passei uma sonda nasogástrica no paciente do 207, então toda medicação via oral que ele tiver terá que ser diluída antes. Além disso, tome cuidado com o 205. Auscultei o abdômen dele e creio que teremos uma disenteria a caminho. Se você não quiser dar um banho no leito em plena madrugada, acho melhor colocar uma frauda bem ajustada nesse paciente!
-Vou colocar um tampão nele, isso sim! – Exclamou Liam com seu jeito escrachado.
-Por fim, Maggie, você ficará com os pacientes do 209 ao 212. Fique atenta ao 210, pois ele está medindo a diurese, e lembre-se de pesar a 212 em jejum amanhã cedo antes de enviá-la para a hemodiálise.
-Pode deixar chefinha! – Respondeu Maggie com seu jeitinho sapeca de sempre – Missão dada é missão cumprida.
-É assim que eu gosto de ver. Já calculei os horários de todas as medicações e vocês já podem ir preparando-as. Acho que isso é tudo por enquanto. Se precisarem de algo, é só perguntar. Tenham um ótimo plantão.
Seus técnicos lhe desejaram o mesmo antes de saírem para cumprir suas obrigações, e Bella se preparou para por em ordem os papeis dos exames que deveriam ser feitos amanhã. A chefia de enfermagem sempre tinha que lidar com a parte burocrática, e às vezes aquilo se tornava um tanto enfadonho...
-Boa noite Bella! – Disse Jessica ao adentrar na enfermaria – Vim pegar um pouco de gaze. As da pediatria acabaram.
-Fique a vontade.
-Obrigada. Ah, soube que você ganhou folga no ano novo! Muita sorte a sua.
-Não ganhei uma folga. Ganhei uma licença médica. Machuquei meu tornozelo no natal e Esme me deixou descansar até que pudesse pisar no chão novamente. – Respondeu entendendo aonde Jessica queria chegar.
Após ter sido atacada por James daquele modo miserável, Edward falara com a tia e lhe explicou a situação. Esme, que não queria ver escândalos envolvendo o nome de seu hospital, achou que o melhor a se fazer seria dar uma folga para Bella, até que o contrato de James acabasse. Assim ela não seria obrigada a encarar o desgraçado e ainda poderia passar o ano novo com a família, se recuperando dos ferimentos que sofrera.
Edward a telefonava todos os dias e insistia bastante para que ela o deixasse visitá-la, mas Bella não queria problemas com sua sindica. Além disso, passou o final do ano na casa de seus pais e agora que sua folga acabou, regressou ao hospital sentindo-se mais aliviada por saber que o desgraçado do James Cater já não trabalhava mais em Newcastle.
No início tinha medo dos boatos que provavelmente seriam espalhados sobre o ataque que ela tinha sofrido, mas de algum modo, Edward e Emmett conseguiram abafar o caso. Os únicos comentários que ela ouvia, eram sobre a folga privilegiada que havia ganhado misteriosamente da diretora do hospital e do vexame que Mike Newton tinha causado durante a festa.
-Que inveja... – Disse Jessica fazendo becinho enquanto tentava sondá-la mais a fundo – Queria poder passar o ano novo em casa com minha família, mas tive que ficar de plantão.
-Machuque o pé da próxima vez. – Sugeriu Bella com o seu melhor sorriso irônico – Talvez assim consiga esse "privilégio".
-Engraçadinha. Mas tem outra coisa que eu achei bastante estranha. Você e o Edward sumiram na confraternização de natal, antes mesmo que a ceia fosse servida! Não me diga que está havendo algo entre vocês?
-Se quer uma nova fofoca para espalhar, fique a vontade. Só sugiro que tome cuidado com quem será o seu alvo. Edward Cullen é o sobrinho da diretora desse hospital, e talvez Esme não fique muito satisfeita em saber que você anda inventando coisas.
E após falar isso, levantou-se e saiu da enfermaria. Estava no começo de seu plantão e tinha muito o que fazer. Bella e Alice gerenciavam o setor e supervisionavam o trabalho de seus técnicos, além de providenciar os procedimentos que os médicos pediam e examinar cada paciente para evoluí-los em seus prontuários. Não era um trabalho fácil, mas ela adorava fazê-lo. Geralmente, o paciente se abria mais para o enfermeiro do que para qualquer outro profissional de saúde, e Bella adorava ouvir o que eles tinham a lhe dizer, exceto em alguns casos...
-Isabella! – Exclamou a senhora Sulpicia, paciente do leito 201 ao vê-la entrando em seu quarto para a visita clínica noturna.
Sulpicia era uma daquelas senhoras hipocondríacas, com cerca de setenta anos e que sempre achava um motivo para queixar-se. Bella tinha que ser extremamente paciente para tolerar suas neuroses, mas às vezes, achava que ela passava dos limites.
-Boa noite senhora Sulpicia! – Disse enquanto anotava os sinais vitais dela no prontuário – Como está se sentindo hoje?
-Não muito bem, minha filha! Minha garganta ainda incomoda um pouco. – Respondeu ao pigarrear, para enfatizar o que dizia.
-Entendo. Irei trazer uma solução para que a senhora possa fazer gargarejo. Certamente irá melhor bastante.
-Oh, obrigada! Você é mesmo muito dedicada ao seu trabalho. Deveria ser médica, e não enfermeira.
-Talvez, se eu fosse médica, não seria tão dedicada assim. – Respondeu contendo-se para não ser grossa. Detestava quando as pessoas faziam a medicina parecer mais importante do que a enfermagem.
-Oh, mas já imaginou como seria fabuloso ser uma médica? Você estaria em uma posição de comando e superioridade.
-Não é bem assim, senhora Sulpicia. Os médicos cuidam da doença, mas os enfermeiros cuidam dos pacientes. Cada um possui sua importância e relevância na equipe de saúde e nenhum é superior ao outro. Agora deite-se e me deixe examiná-la.
Aquela era a única forma de fazer a velha senhora se calar. Bella nunca foi uma pessoa tolerante, e lidar com Sulpicia exigia muito de seu autocontrole. A medicina era uma das profissões que jamais poderia executar, devido a sua responsabilidade e inteira dedicação, o que seria inviável para uma pessoa com limitações como as dela. Mas Bella jamais arrependera-se de ter escolhido a enfermagem.
-A senhora vem sentindo algum outro desconforto alem da garganta? – Indagou Bella após concluir o exame físico.
-Na verdade, sim... Acho que venho sentindo uma queimação no estômago após comer. Pensei que talvez fosse gastrite ou até mesmo uma ulcera.
-Não vamos tirar conclusões precipitadas. Irei ver em sua prescrição se há algum protetor gástrico e caso contrário, levarei isso ao médico. Agora tenho que ir. Se precisar de qualquer coisa, pode chamar a técnica que está assistindo-a.
-Obrigada minha filha, e tenha um bom plantão.
Bella sorriu para a senhora Sulpicia antes de sair do quarto, enquanto fazia algumas anotações. Estava tão centrada, que não teve tempo de parar antes de esbarrar em alguém. Sentiu seu coração dando um salto quando olhou para cima e viu Edward parado bem na sua frente!
A última vez que falara pessoalmente com ele, fora na manhã de natal, quando ele a levou para casa e se despediram com um rápido beijo antes que a senhora Gianna aparecesse para atrapalhá-los. Sentiu suas bochechas corarem ao recordar-se disso e tentou manter a calma. Não sabia que tipo de relação os dois estavam mantendo, afinal, haviam trocado beijos, carícias e telefonemas, mas em momento algum a palavra compromisso fora mencionada.
Talvez estivessem apenas praticando aquilo que as pessoas chamavam de "se conhecendo". Fazia tanto tempo que Bella não saia com alguém, que começava a achar que tinha desaprendido sobre essas coisas. Na verdade, depois de ter terminado com o seu namorado, Jacob Black, não tivera nenhum outro relacionamento sério. Havia saído com um ou dois caras desde então, mas nunca passou do segundo encontro.
Esperava que com Edward fosse diferente... Afinal, ele era médico, e compreenderia sua situação melhor do que qualquer um. Saberia lidar com suas limitações e não acharia que ela fosse alguma aberração ou algo do tipo. Sim. Eram adultos e não precisavam fazer as coisas de modo apressado. Tinham todo o tempo do mundo para se conhecerem e pouco a pouco aceitarem suas diferenças.
-Finalmente achei você. – Disse ele com um sorriso torto.
Bella sentiu o ar saindo de seus pulmões de modo lento e pesado. A barba dele estava bem feita, deixando seu queixo de feições angulares evidente. Os cabelos haviam sido penteados para o lado, o que o deixava com uma postura mais séria, ressaltada pelo jaleco branco que usava. Bella passou as mãos de forma nervosa por seus cabelos que estavam soltos e tentou parecer calma quando falou.
-Algum problema?
-Sim. Você deveria ter me avisado de que já tinha chegado. Poderíamos ter tomado alguma coisa antes do nosso expediente ter começado. Mas me diga, alguém te importunou hoje pelo que aconteceu na festa de natal?
-Não. – Respondeu encarando aqueles olhos verdes e preocupados – Acho que você e Emmett conseguiram abafar o caso. Obrigada.
-Agradeça tomando um café comigo quando o plantão acabar. O que me diz?
Bella mordeu o lábio inferior enquanto pensava naquilo. Seu expediente acabava às oito horas e segundo a previsão do tempo, o sol nasceria às oito e trinta e uma. Se tomasse um café com Edward após o plantão, não chegaria em casa a tempo... Mas ainda assim, estavam em janeiro, e a neve caia lá fora. O céu estava coberto por uma pesada camada de nuvens e seria pouco provável que o sol aparecesse ao amanhecer. Resolveu arriscar.
-Tudo bem, acho que posso tomar algo com você.
-Ótimo. Ah, suspeito que a paciente do 211 está com infecção urinária.
-Compreendo... Passarei uma sonda e coletarei uma urocultura assim que terminar as minhas visitas clínicas. Pode ser?
-Claro. Faça como achar melhor.
Bella lhe dedicou um sorriso tímido e seguiu pelo corredor, entrando no próximo quarto. Tinha que admitir que foi uma verdadeira provação para ele não agarra-la ali mesmo, naquele corredor, e beijá-la como vinha sonhando há muito tempo. Mas não podia fazer isso ali, em seu local de trabalho. Logo, juntou toda a sua força de vontade, e seguiu rumo ao leito de seu primeiro paciente. O plantão não foi dos mais tranquilos! Teve que encaminhar um senhor para a UTI devido ao início de uma insuficiência respiratória, instalar um dreno torácico em outro e ainda por cima realizar uma paracentese de emergência.
Tudo isso sem contar com as inúmeras admissões. Parecia que uma virose estava se espalhando e as pessoas chegavam de todos os lugares, com dores no corpo e calafrios terríveis. Mas tudo aquilo era aguardado, afinal, estavam no mês de Janeiro, onde o clima frio fazia com que as pessoas ficassem mais agrupadas e transmitissem doenças umas para outras.
Quando a madrugada finalmente chegou ao seu fim, Edward dirigiu-se até a sala de descanso e lá encontrou Jessica Stanley e Lauren Mallory conversando. Achou que algo estava errado, pois Lauren, a enfermeira que costumava substituir Alice durante o plantão diurno, estava com o rosto vermelho de raiva e parecia realmente irritada, enquanto Jessica tentava acalmar a amiga.
-Ainda não consigo acreditar que aquela egoísta fez isso comigo. – Dizia Lauren com os dentes trincados e tentando não gritar – Eu só precisava desse pequeno favor...
-Você sabe que Isabella nunca troca plantões ou férias. – Falava Jessica com um tom de voz indignado – Ela só pensa nela mesma e está nem aí para os outros.
-Não sei como pode existir pessoas assim no mundo.
-Posso saber qual é o problema? – Indagou Edward, agora um tanto curioso.
-Eu vim hoje mais cedo, para resolver uns problemas com Esme sobre minhas férias que geralmente são no mês de fevereiro. – explicou Lauren – Mas este ano pretendo me casar, e queria fazer isso em maio, por que é o mês mais ensolarado nessa cidade.
-E o que Isabella tem a ver com isso?
-As férias dela são sempre em maio, e Esme sugeriu que nós duas trocássemos, mas Isabella se recusou. Disse que sempre passa esse mês em Shetland Islands na Escócia com uma tia e não podia mudar seus planos só por que eu iria me casar.
-Essa foi uma das coisas mais egoístas que ela já fez! – Exclamou Jessica tomando as dores da amiga – Isabella podia muito bem visitar essa tal tia em fevereiro. Maio seria o mês perfeito para o seu casamento, uma vez que não chove tanto assim, mas ela insiste em não trocar as férias...
-Talvez a tia dela não possa recebê-la antes. – Disse Edward tentando defender Isabella, mas achando aquela tarefa um tanto difícil.
-Bobagem. Estamos falando de um casamento! Do meu casamento! Ela poderia muito bem ter desmarcado as passagens e trocar as férias comigo.
-Não há outra enfermeira com quem você possa trocar? – Indagou começando a sentir pena de Lauren Mallory. Ela tinha um mau gênio, mas agora parecia realmente desesperada.
-Não. Todas tomamos cuidado para não tirarmos férias no mesmo mês, assim não deixamos o hospital com déficit de pessoal. Isabella era a minha última esperança... Francamente! Como alguém pode passar o mês mais ensolarado do ano em uma ilha na Escócia, onde chove praticamente todos os dias?! Ela não estaria perdendo nada se trocasse as férias comigo. É mesmo uma egoísta.
-Talvez ela reconsidere se você explicá-la melhor sua situação...
-Não vai adiantar de nada, posso garantir. – Disse Jessica Stanley olhando-o como se ele acabasse de dizer uma sandice – Isabella sempre foi assim. Uma vez, eu tinha que dá um plantão diurno para compensar uma falta, mas minha mãe estava doente e eu não podia vir trabalhar. Então pedi para que ela viesse no meu lugar, mas Isabella disse que não podia fazer nada por mim e eu tive que deixar minha mãe sozinha e doente.
Edward custou a acreditar que Isabella seria capaz de se negar a ajudar uma colega de trabalho em uma situação como aquela. Será que conhecia mesmo aquela mulher? Não... Ela podia ser implicante e muitas vezes rude, mas não era uma má pessoa. Jessica Stanley só podia está exagerando, como sempre costumava fazer.
-Se isso realmente aconteceu, deve ser por que Isabella tinha seus motivos. Talvez ela estivesse ocupada no dia e não pôde substituí-la...
-Lamento dizer isso, mas você está enganado, Dr. Ela nunca pensa em ninguém! Nunca fica até depois do seu expediente e se recusa a trabalhar durante o dia, seja lá pra quem for. Só pensa nela mesma e se esquece dos outros. Pode ser uma ótima profissional, mas é dura e fria como uma pedra. Se quer chora pelos pacientes quando morrem.
-Algumas pessoas preferem chorar em silêncio e guardam suas dores.
-Pois garanto que se for mesmo assim, no dia em que o choro dela vier à tona, irá acabar desmoronando e eu não levantarei um único dedo para ajudá-la. – Disse Lauren enquanto levantava-se de modo irado e saia da sala.
Jessica Stanley não demorou muito para seguir a amiga, deixando-o sozinho na sala de repouso. Edward não gostou nada de ter presenciado aquilo. Isabella já não tinha muitos amigos naquele hospital, e não seria bom para ela criar mais inimigos. James não era o único que podia fazê-la mal. Por sorte aquele bastardo estava longe deles para sempre, mas isso não era motivo para que Isabella distribuísse inimizade.
Além disso, Edward ficou com as palavras de Jessica e Lauren ecoando na mente, e de repente, se pôs a pensar em tudo o que elas falaram. Newcastle era uma das cidades mais nublosas da Europa, mas o mês de maio era famoso por ser o mês em que o sol aparece mais vezes, então por que Isabella fazia tanta questão de passá-lo em Shetland Islands, uma ilha onde o clima era ainda pior?
Talvez a tia dela fosse realmente uma velha ranzinza e só aceitasse vizitas em maio. Difícil dizer... Jamais gostou de tirar conclusões precipitadas, mas a situação estava levando-o a formar um milhão de ideias de vários gêneros a despeito de Isabella. Sabia que ela não era má pessoa, só não compreendia por que agia daquele modo mal educado e ranzinza. Talvez estivesse na hora dele intervir.
Estava pensando sobre isso, quando foi interrompido pela entrada de Erick Yorkie, o médico que costumava substituí-lo no plantão diurno. Edward se forçou a concentrar-se em seu trabalho, e passou o plantão para o médico de forma eficaz e hábil. Estava louco para se ver livre de tudo aquilo, e assim que o momento chegou, foi até a cafeteria, onde encontrou Isabella sentada em uma mesa, esperando-o. Ela já havia se trocado, e agora vestia um simples sueter e um jeans. Parecia encantadora enquanto tomava seu café, e Edward sorriu quando seus olhos se encontraram. Como uma criatura tão delicada assim poderia criar tantas desavenças?
-A madrugada foi bastante agitada, não foi? – Indagou enquanto sentava-se na mesa dela e pedia para que a moça da cantina, lhe trouxesse um cappuccino.
-Sim, tivemos cinco intermentos. A enfermaria nunca esteve tão lotada, e algo me diz que isso só é o começo.
-Posso imaginar. Tinha esquecido que janeiro costuma trazer bastante trabalho para todos.
-Precisa ver março. As alergias de primavera são tão piores quanto às gripes do inverno.
-Eis ai outra coisa da qual sinto falta no Haiti. – Disse com um sorriso brincalhão – Lá só tínhamos duas estações.
-Isso certamente facilita muito as coisas. Oh, antes que eu me esqueça, a senhora Sulpicia se queixou hoje de uma queimação no estômago. Acho que deve se gastrite. Ele toma tantos remédios que acaba agredindo a mucosa do estômago.
-Está fazendo uso de algum protetor gástrico?
-Não. Conferi em sua prescrição, mas não havia nada.
-Foi bom você ter avisado. Vou repassar isso para o médico plantonista. Creio que ele irá prescrever algum antiácido. É comum que idosos sofram dessas coisas, não precisa ficar preocupada.
-Eu sei, mas essa paciente é realmente insistente quando tem alguma queixa.
-Entendo.
Os dois foram interrompidos pela moça da cafeteria, que trouxera o cappuccino que Edward pedira e ele deu um rápido gole em sua bebida antes de tocar no assunto das férias. Tinha que pensar direito nas palavras que usaria. Não queria que Isabella pensasse que ele estava intrometendo-se na sua vida.
-Sabe... Eu estava pensando sobre uma coisa que queria falar com você.
-Comigo? – Indagou Bella achando aquilo muito suspeito. O modo como ele ponderava cada uma de suas palavras a fazia sentir-se ansiosa. Será que falaria em compromisso? – Oras, então diga logo.
-Não quero que você me interprete errado, mas ouvi um comentário sobre o casamento de Lauren que será em maio, e que ela estava tentando trocar de férias com você.
-Parece que as notícias correm nesse hospital. – Falou com mal humor. Por que ele estava tocando naquele assunto? – Sim, ela quis trocar as férias comigo, mas eu me recusei. E daí?
-E daí que estamos falando sobre o casamento de uma pessoa. Bella, maio é o mês mais ensolarado de Newcastle. Lauren quer que tudo saia perfeito no dia de suas bodas, e seria terrível se chovesse, não acha?
-Estamos em uma das cidades mais chuvosas da Inglaterra. Mesmo em maio a chuva cai com frequência.
-Eu sei disso, mas acho que ela ficaria mais tranquila se você trocasse as férias com ela. O que tem de mal afinal?
-Sempre passo o mês de maio com minha tia em Shetland Islands. – Disse de forma irritada. Não queria falar sobre aquilo! – Isso é uma tradição em minha família e não vou mudá-la só por conta de Lauren.
-Shetland Islands é uma ilha cinzenta e fria. Tenho certeza de que sua tia ficará feliz em recebê-la em qualquer mês do ano. Além disso, tenho uma proposta para lhe fazer. – Ele fez uma pausa para dá um gole em seu café, e Bella sentiu que na verdade estava medindo suas palavras com cuidado – Um amigo meu comprou um bangalô próximo à Marseille, e me ofereceu as chaves para que eu passasse minhas férias lá, caso quisesse.
-Fico feliz por você. Ouvi dizer que Marseille tem uma das praias mais belas do sul da França e tenho certeza de que vai se divertir muito por lá. Agora diga logo o que quer.
-Quero convidar você para vir comigo.
-O que? – Bella sentiu seu sangue correndo rápido nas veias, aquecendo todo o seu corpo como em um choque elétrico. Edward estava convidando-a para viajarem juntos?
-Você me ouviu muito bem. Quero que venha comigo.
-Por quê?
-Por que sim, oras. Mas só poderei ficar com essas chaves até março, e era por isso que eu queria que você trocasse as férias com Lauren. Assim poderíamos passar o mês de fevereiro em um aconchegante bangalô no meio do nada, rodeados pelo sol e pelo mar. O que acha?
Ela não tinha palavras para expressar a confusão que sentia. Edward falava como se aquilo fosse um passeio romântico onde os dois se conheceriam melhor e aproveitariam um bom tempo juntos, mas no fundo ela sabia a razão daquela oferta. Ele estava tentando convencê-la a trocar as férias com Lauren, porem não podia fazer aquilo. Não podia viajar com ele para uma praia onde o sol brilhava diariamente.
-Sabe, é realmente humilhante saber que o real motivo para você me convidar para essa viagem, é fazer com que eu troque as férias com Lauren. – Disse segurando-se para não gritar.
-Eu só quero que nós dois nos conheçamos melhor...
-Não me faça de idiota. Sei muito bem o que você está fazendo.
-Isabella, eu já estava pensando em convidá-la para Marseille há um tempo, só que agora achei que poderíamos unir o útil ao agradável. Você tiraria as férias em fevereiro, eu também, e juntos aproveitaríamos um bom mês de descanso. Tenho certeza de que sua tia não vai se incomodar.
-A questão não é minha tia!
-Então o que é?
-Não quero falar disso aqui! – exclamou sentindo-se acuada – Edward, sei que todos devem está me apedrejando pelas costas por que não quis trocar as férias com Lauren, mas eu não me importo. Não insista nesse assunto.
-E por que não insistiria? Isabella, eu só quero o melhor pra você. Largue de ser cabeça dura e pare de agir como se não se importasse com os outros. Desse modo até mesmo eu acreditarei que você é a pessoa fútil e fria de quem tanto ouço falar.
-Pois então pense no que quiser. Não vou para Marseille com você, e estou pouco me importando para o casamento de Lauren!
Sem pensar duas vezes, Bella levantou-se da mesa e saiu da cafeteria segurando-se para não correr. Por que as coisas tinham que ser assim? Por que não podia largar tudo e ir com ele? Talvez Edward não estivesse pronto para aceitá-la como ela era... Talvez homem algum jamais estivesse.
É... essa eh realmente uma relação de gato e rato! Um dia estão no maior amaço, no outro, só faltam se matar...
Dedicarei esse capítulo a Christye-Lupin, Marjorie e JOKB. Sempre presentes ^^
Amanhã vcs terão mais uma dica... Mais uma peça do quebra-cabeças! Vamos ver se alguém acert Bella tem! hahaha
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