Autora: Hermione-weasley86 ( www. fanfiction u/ 528474/ Hermione_weasley86)
Tradutora: Mrs. Mandy Black
Shipper: Lily Evans e James Potter
Gênero: Romance / Humor
Fic Original: Cuando me di cuenta de que estabas ahí ( www. fanfiction s/ 1723590/ 1/)
Sinopse: Lily Evans e James Potter fazem parte de grupos completamente opostos em Hogwarts. Os caminhos dos dois se cruzam bastante durante o último ano, e James acaba decidido a conquistar a ruiva. Mas será que um ano é o suficiente para Lily passar por cima de toda a imagem que construiu de Potter?
Nota da Tradutora: Todos os personagens da série pertencem a J. K. Rownling e a história pertence à Hermione-weasley86. A mim só pertence a tradução.
QUANDO ME DEI CONTA DE SUA EXISTÊNCIA
| Capítulo 10 - Feliz Natal (parte 2) |
- O que foi? - perguntou Sirius, confuso. - Pensei que vocês se davam bem com ele.
As garotas trocaram olhares e em seguida adotaram um estado de alegria falso, que poderia enganar qualquer um... Que não fosse um Maroto.
- Nada, não é nada - respondeu Elise, segurando o braço de Lily. - Bem, vamos nos trocar. Se quiserem beber alguma coisa... já sabe onde fica tudo, Sirius.
Mas nem James nem Sirius deixaram de notar a cara de surpresa das garotas e agora se encaravam, suspeitando de algo.
- Bem, vamos assistir TV enquanto essas aí se arrumam - disse Nymphadora, puxando os dois pelas mãos. - Então quer dizer que você vai me apresentar outro amigo? Ele também é fortão?
Eles riram do atrevimento da menina e se sentaram com ela no sofá.
As duas amigas entraram no quarto de Elise.
- O que eu faço? - questionou Lily, se jogando na cama. - Ali vai ser fácil eu ficar sozinha com o Remus...
- Fica tranquila - Elise tentou acalmá-la. - Isso, respira.
- Não estou para brincadeiras - respondeu secamente.
Elise bagunçou o cabelo ruivo da amiga.
- A super forte e invencível Evans tem medo de dar o fora em um garoto - cantarolou ironicamente.
- Há, há, morri de rir - zombou Lily. - E não é como se eu fosse dar o fora nele, porque ele nem me pediu nada.
- Já, já vamos descobrir o que se passa pela cabeça do senhor lobisomem. Agora você precisa se vestir.
Suspirando, Lily se levantou da cama e fez menção de sair do quarto.
- Aonde a senhorita pensa que vai? - perguntou Elise, sentando-a na cama novamente.
- Para o meu quarto. Ainda não fiquei louca o suficiente para guardar as minhas roupas em um espaço físico diferente de onde eu estou.
- Bem, vejamos, preciso dizer isso de modo suave - começou Elise, sorrindo. - Calças grandes o suficiente para caber três pessoas como as que você usa, não é o mais adequado para se usar em almoços de família no Natal.
- Por quê? - perguntou Lily, sofrendo.
- Você sabe que eu adoro o seu estilo, Lils, mas também sabe que 99 porcento da população não compartilha da minha opinião... E já que vamos a um almoço com tanta gente, deveria deixar eu escolher a sua roupa.
- Me nego a me vestir de princesinha outra vez - apressou-se a dizer, assustada, afastando-se de Elise.
- Bem, encontraremos um meio termo então.
...
James tomava o chocolate quente que a ruiva tinha deixado pela metade, largado em cima da mesa. Enquanto isso, Sirius e Nymphadora brincavam com o tanque de brinquedo. A televisão estava ligada, mas nenhum deles prestava muita atenção. Foi quando Elise entrou pela porta e começou a recolher algumas coisas que estavam jogadas pela sala.
- Oh, Elise! - Nymphadora disse irritada. - Não é justo! Com as duas toneladas de maquiagem que você está usando, vai pegar o amigo deles, e eu queria ele para mim!
- Eu não estou usando maquiagem! - queixou-se a morena. - Quer dizer, só um pouquinho, mas quase nem dá para notar.
Os outros três começaram a rir, mas James logo se apressou a dizer.
- Não, não, você está ótima, Elise. Deveria deixar o cabelo solto mais vezes... Ficou muito bonita - terminou sinceramente.
Elise agradeceu sorrindo, continuando a arrumar a sala. Usava calça de cor champagne com uma camisa mais larga, vermelha, com uma bonita faixa marcando-lhe a cintura. Os primeiros botões de sua camisa estavam abertos, compondo um decote na medida certa. Usava o cabelo ao natural, negro e liso, combinando perfeitamente com a maquiagem leve e natural.
- E Lily? - perguntou Sirius.
- Aqui - Lily acabava de chegar.
Sirius, em reflexo, levantou-se e passou as mãos pelas calças, como se tirasse alguma poeira.
- Isso sim que é mudança...
Lily usava uma saia verde musgo de Elise, já que todas as calças da amiga ficavam quase 15 cm curtas. Um suéter justo mais escuro deixava seus ombros descobertos. O cabelo também estava solto, mas caprichosamente ondulado, com um grampo delicado para impedir a franja de cair em seu rosto. Se negara a usar salto alto, então Elise lhe deu um bonito par de sapatilhas nude.
- Elise, eu até concordo com você sobre minhas olheiras - começou a se queixar -, mas por que preciso de batom, lápis e sombra para escondê-las? Isso não era necessário!
- Claro que precisava - discordou Elise, pacientemente. Teve que inventar essa besteira para conseguir maquiar a ruiva - Tem que confiar em mim.
Lily a olhou com desconfiança e desapareceu de novo.
- Vou pegar meu casaco - disse simplesmente.
- É verdade! - exclamou a morena. - Vamos, Dora, pega seu casaco.
- Não me chama de Dora! - A menina reclamou, enquanto ia batendo o pé pelo corredor.
Sirius e James ficaram sozinhos. Então Sirius deu uma cotovelada em seu amigo.
- Já entendi porque gosta tanto dela - falou, rindo.
- Do que você está falando? - respondeu James, fingindo não entender. - Já falei que essa ruiva me interessa de outra maneira.
- Então eu posso pegar pra mim - brincou Sirius. - Bem, se o Remus deixar...
- Como assim, se o Remus deixar? - perguntou James, suspeitando.
- Ah, sei lá, ele se preocupa tanto com ela...
- Quem se preocupa tanto com quem? - Elise apareceu no corredor, com um sobretudo marrom pendurado em seu braço.
- Nada - desconversou Sirius, rapidamente. - Coisas de Quadribol.
- Por que os homens sempre citam o Quadribol quando não querem nos contar alguma coisa?
Felizmente, os dois garotos se livraram da pergunta comprometedora com a chegada de Lily e Nymphadora. O quarteto saiu do apartamento e caminharam para o Caldeirão Furado, onde usariam a Rede de Flú. Sirius e Nymphadora foram primeiro, seguidos por Elise.
- Você deve falar... - começou James.
- Eu já escutei. Valle de Godric, 203 - repetiu a ruiva impaciente, entrando na lareira.
- Sim, mas você tem que... - Tarde demais, a ruiva já tinha desaparecido em meio às chamas verdes.
Lily não gostava de viajar via flú. Ficava enjoada com tantas voltas e o ar a sua volta era muito quente e cheio de cinzas. Foi então que viu a saída da casa dos Potter, mas quando ia sair, algo a arrastou para cima, para outra saída. Como não esperava isso, caiu de cara no chão. Levantou-se irritada, xingando baixinho.
- Quem é você, senhorita? - Lily ergueu os olhos. Um homem mais velho, não muito alto e com o olhar brincalhão a encarava confuso.
- Estava indo para a casa dos Potter - respondeu, corando e levantando, percebendo finalmente que estava em um escritório. - Devo ter errado e...
O homem começou a rir.
- Fica tranquila. Como é o seu nome? - perguntou com curiosidade.
- Lily Evans - disse rapidamente.
- Posso chamá-la de Lily? - o senhor sorria. - Eu sou Henry.
- Sim, é claro. Encantada - Lily sorria. Não era seu costume dar conversa para estranhos, mas aquele homem era muito simpático.
- Já está na casa dos Potter, Lily - continuou o homem, estendendo um braço. - Se me permite, irei acompahá-la até a sala.
Um pouco inibida pelo gesto galante, Lily aceitou seu braço. Henry pegou seu casaco e saíram do escritório por uma porta larga. Saíram em um corredor com grandes janelas e muitos quadros.
- Nossa! - murmurou Lily. - Não sabia que o Potter morava em uma casa tão impressionante.
- Não é amiga do James? - perguntou o homem, confuso.
- Colega. A avó de James convidou a mim e à Elise para o almoço, mas James e eu não nos damos muito bem - explicou Lily, franzindo o cenho enquanto viravam em outro corredor, que dava nas escadas.
- Como assim? - o homem pareceu interessado.
- Digamos que pessoas que tem um ego maior que o corpo não me agradam muito. Além disso, ele não gostou quando me nomearam Monitora-Chefe.
Henry começou a rir.
- Então você é ela? - questionou, sem parar de rir.
- Perdão? - respondeu, sem entender. Tinham chegado às escadas e começaram a descê-las.
- Ultimamente James tem andado um pouco taciturno e pensativo - explicou o homem. - Eu tinha certeza que era por alguma garota nova, porque ele nunca ficou assim com a Tracy. Obviamente é você.
- Acho que não, senhor, ele não liga para garotas como eu...
O homem não respondeu, apenas sorriu levemente. Lily começou a escutar vozes, já que a escada deveria terminar em alguma sala. Estavam quase chegando ao pé da escada. Lily viu muitas pessoas conversando e achou Elise perto da lareira, provavelmente esperando ela sair.
- Encontrei esta senhorita no escritório - disse o homem entrando no salão, aproximando-se de uma mulher que encarava nervosa o outro lado. - Esta é Lily Evans, uma colega de James, Edna.
A mulher mais velha virou-se de repente, sorrindo alegremente.
- Finalmente, querida! - e a abraçou calorosamente. - Pensávamos que tinha se perdido! - virou o rosto para chamar uma senhora que parecia uma governanta. - Ana, avisa o Sirius e o James que eles podem parar de procurar, porque ela já chegou.
Mas não foi preciso, pois Sirius e James tinham escutado Edna.
- Desculpe o meu neto, Lily - continuou a mulher, entregando o casaco da ruiva para Ana, enquanto Sirius e James se aproximavam deles. - Nem sequer avisou que quando você vê a saída, precisa se agachar ou poderá parar em qualquer lareira da casa.
- Seu neto? - respondeu Lily, com um mal pressentimento crescendo dentro de si.
- Quando eu fui avisar ela já tinha ido - James se desculpou.
- Você tinha que ter sido mais rápido, garoto - sorriu Henry. - Não se pode negligenciar garotas tão belas e encantadoras como Lily. Perdoe meu neto - pediu Henry novamente a Lily, piscando um olho para ela, com cumplicidade.
Lily ficou congelada. Acabara de falar mal de James para seu avô! Mas como pôde ser tão tapada? Meu Deus, se estava na casa dos Potter era lógico que... Tinha vontade de sumir dali.
- Oh, Lily, até que enfim - Elise também se juntara ao grupo. - Senhora Potter, está é a minha amiga Lily Evans.
- Henry já nos apresentou, querida - sorriu, carinhosamente. - Bem, Lily, fiz Elise me prometer que vocês tocariam alguma coisa. Tudo bem para você?
- Sim, claro - respondeu a ruiva, com o nervosismo a flor da pele.
Edna se dirigiu até o que deveria ser a cozinha. Lily encarou Henry com vergonha, que voltou a sorrir e fez um gesto para dizer que estava tudo bem.
- James, o mínimo que você pode fazer para se desculpar é mostrar a casa para a Lily, não acha?
James concordou e Lily decidiu engolir sua língua, que já falara demais por um dia.
- Você vem, Elise? - foi a única coisa que se atreveu a dizer.
- Não, Sirius e eu vamos vigiar a Nymphadora um pouco, ver se ela se comporta. Daqui a pouco encontramos vocês.
- Certo - concordou a ruiva decidida, enquanto seguia James.
Herny observou os dois saindo do salão e sorriu.
...
Elise estava sentada em um dos bancos do jardim da casa dos Potter e ria, vendo Sirius brincando com as crianças de "Caça ao Trasgo". Sirius era o trasgo e eles deverim caçá-lo, o que era divertido para todos, exceto para o primo. Além disso, Elise ajudava os pequenos dando conselhos sobre a melhor forma de derrubar o garoto no chão.
Sirius, um pouco cansado, decidiu organizar uma guerra de bolas de neve, ao puro estilo militar. Elise continuava só olhando.
- Oi - alguém tinha se sentado ao seu lado. - Não sabia que você ia vir.
- Oi, Remus - respondeu a garota, sem se virar. - Eu também não sabia. Lily e eu só descobrimos hoje de manhã.
- Lily veio? - perguntou o lobismom ansioso.
- James está mostrando a casa para ela. Edna nos convidou.
Remus suspirou, mas não disse nada. Depois de poucos segundos, Elise pousou cuidadosamente sua mão sobre o ombro do garoto.
- E você? Como está? - foi a vez da garota perguntar.
- Bem...
- Teve tempo para pensar? - questionou Elise, ainda olhando distraída para a guerra de neve.
Remus a encarou surpreso e ela virou-se para ele, devolvendo o olhar.
- O que estava esperando? Sou amiga dela!
- Sim, essa mania de vocês contarem tudo um entre si... Mas como sabia que eu precisava pensar.
- Porque você não disse nada. Se quisesse sair com ela, já teria dito, e se tivesse sido tolice também. Eela não contou nada, nós é que percebemos. Para esse tipo de coisa a Lily é um livro aberto.
- Estava esperando ela falar alguma coisa - disse simplesmente.
- Gosta dela, Remus? - perguntou Elise, de repente. Remus sentia que essa garota sempre o dominava e o deixava incomodado. Parecia que ela lia seus pensamentos.
- Era isso que eu precisava pensar, sabe? Quando eu achava que ela estava com Artemis, não liguei. Mas quando James fala ou se joga em cima dela... Sei lá, não gosto quando ele faz isso. E não sei se é porque gosto da Lily ou se...
- Porque não quer o James fique com ela - completou Elise.
Remus suspirou.
- Exatamente.
- E por que não quer que ele fique com ela? - perguntou, curiosa. - É um dos seus melhores amigos.
- Não sei, acho que é porque... Você vai achar uma bobeira, mas acho que a Lily poderia acabar se apaixonando de verdade e James sempre termina todos os relacionamentos porque cansa das garotas. Ela não merece isso.
- Ninguém merece isso - respondeu Elise.
- Bem, as outras sabem onde estão pisando e acredito que elas veem James mais como aquele que é o número um em tudo. Mas Lily não liga para isso e se estivesse com ele, seria pelo "outro James". Não me entenda mal, James é uma pessoa muito boa, mas não quero que acabe tratando Lily como as outras sem nem perceber.
Elise concordou.
- Eu diria que se você não se importa em vê-la com Artemis, é porque não gosta dela desse jeito.
- Também cheguei a esta conclusão, mas não consigo deixar de ficar chateado toda vez que James lhe fala alguma coisa.
- E por que não deixa a Lily cuidar de si mesma? E converse com ela sobre o beijo, vai deixá-la aliviada - aconselhou Elise, se levantando. - Vou salvar o Sirius. Nos vemos no almoço.
Remus observou a morena, enquanto ela se aproximava das crianças. Estava começando a se tornar uma amiga. Uma amiga de verdade.
...
- Este é o meu quarto - disse James, abrindo uma porta do terceiro e último andar.
Havia lhe mostrado todo o primeiro e segundo andares. Era uma casa enorme, como uma pequena Hogwarts, pensava Lily. Devia ser maravilhoso viver ali. Lily entrou no quarto do garoto, que era tão grande quanto a sala de estar da sua casa em Surrey.
A decoração deste cômodo era diferente do resto da casa. Ainda que os móveis tivessem o mesmo aspecto nobre e antigo, as paredes estavam lotadas de pôsteres de estrelas do Quadribol, de fotografias e bandeirinhas. A escrivaninha, em frente a janela, estava coberta de livros da escola, abertos em páginas diferentes, além de ter revistas e pergaminhos.
Lily chegou perto das fotos. A maioria eram de Hogwarts. Riu quando viu a foto da comemoração da Taça das Casas de dois anos atrás. Ela estava ali, contando alguma coisa para Artemis, que estava a sua direita. Enquanto isso, um James mais jovem fazia gracinhas no canto oposto. Ao lado desta, havia outra fotografia, de um casal jovem com um menino de uns dois anos sentado sobre os joelhos do homem. O casal se beijava e conversava enquanto o menino tentava puxar a barba do homem.
- Seus pais? - peguntou Lily, distraída.
- Sim - respondeu James atrás dela.
- Onde estão?
- Mortos.
Lily ficou surpresa pela forma brusca como ele respondeu, mas não falou nada, ao que James agradeceu mentalmente. Estava farto de escutar "Sinto muito" de pessoas que nem eram tão ligadas a ele. James se sentou em sua cama.
- Desculpa por você ter que vir quando não era isso que queria. - Eles não tinham conversado enquanto conheciam a casa.
- Não - respondeu ela, secamente. - Tudo bem, a casa é impressionante.
James sorriu.
- Diga isso para minha avó e ela ficará encantada em te contar mil coisas sobre a casa e a família.
- Seus avós são muito simpáticos - falou Lily, enquanto olhava um dos livros que James deixara aberto em sua escrivaninha. - Seu avô foi especialmente amável comigo. Não devem ser características hereditárias.
- Há, há, que engraçada.
Lily se sentou na cama que ficava ao lado da de James. A de Sirius, provavelmente.
- Vai me dizer quem é? - ele perguntou de supetão.
- Quem é quem? - Lily não entendera nada.
- Meu Anjo. Sei que você sabe, senão não tinha falado sobre a pena.
- Já falei que foi coincidência - Lily levantou-se da cama, chateada. - Não insista! Além disso, acho o cúmulo você ter namorada e ficar perguntando por outras garotas.
- E quem falou que essa garota me interessa do jeito que você pensa? - James continuou.
- Ah, não sei... - respondeu aborrecida, colocando as mãos no quadril. - Será porque você a beijou? Sim, deve ser por isso!
Lily mal tinha terminado de falar quando percebeu que metera os pés pelas mãos.
- Como sabe que eu a beijei? - perguntou o garoto, surpreso.
- Me deixa em paz! - Lily saiu correndo do quarto, antes que a raiva a traísse novamente.
...
A comida estava fantástica. Lily rapidamente deu um jeito de não ficar ao lado de James e ignorou os olhares do garoto durante todo o almoço. Acabou se sentando entre Remus, que a cumprimentou alegremente, e Nymphadora, que lhe mostrou os machucados que acabara de adquirir durante a guerra de bolas de neve. Ainda que se sentisse um pouco incomodada por estar ao lado de Remus, se esforçou para não demonstrar nada, conversando animadamente com Elise e Sirius, que estavam sentados justamente na frente dela.
Depois de comerem, todos os convidados foram para o salão e as crianças voltaram a brincar no jardim. Edna não parou de insistir até que, a contra gosto, Elise se sentou no piano e Lily prometeu cantar alguma coisa.
Improvisaram algumas músicas que tinham guardadas na memória e foram muito aplaudidas, sobretudo pela avó de James, que dizia que Elise era a única que dava vida ao piano da casa.
- Queria que James tivesse aprendido - queixava-se -, mas ele não tocava, simplesmente socava as teclas.
Lily deixou o posto de cantora para Edna, que pediu para Elise tocar sua balada antiga favorita. A senhora Potter tinha uma voz parecida com Edit Piaf.
Lily ficou sentada no sofá escutando encantada a música quando notou que James e Remus se aproximavam, cada um vindo de um canto do salão, e teve vontade de sair correndo. Mas Remus a alcançou primeiro.
- Lily, acho que precisamos conversar.
- É mesmo? - desconversou a ruiva, como se o assunto não fosse com ela.
Remus a encarou, levantando uma sobrancelha.
- Certo, está bem - a ruiva baixou a cabeça e seguiu o garoto, que a levou até um banco, no jardim.
Sentaram-se um ao lado do outro.
- Eu queria dizer que... - falaram os dois ao mesmo tempo.
- Primeiro você - decidiu Lily.
- Então, sobre o beijo do outro dia...
- Eu não deveria ter saído correndo - Lily se apressou a dizer -, mas...
- É que não gosto de você desse jeito! - e falaram juntos novamente.
Trocaram um olhar aliviado e se puseram a rir.
- Seu bobo - Lily brincou, dando um soquinho no ombro do garoto. - Por que me beijou então?
- Porque eu ainda não tinha certeza.
- Eu também não - respondeu Lily, sincera. - Comecei a pensar que gostava de você, e olha só que constrangedor! Bem quando me deu um beijo, percebi que não era nada disso.
- Ei - o garoto resmungou -, não sou tão feio assim!
- Você não faz o meu tipo - respondeu Lily, rindo. - Além disso, beija muito mal.
Remus fez cara de ofendido.
- E você beija muito bem, por acaso?
- Isso você nunca saberá - Lily riu, levantando.
O lobisomem ficou sério de repente.
- Me promete um coisa, Lils. Tome cuidado com o James.
- Do que você está falando? - perguntou confusa.
- Prometa.
- Tudo bem. Mas nem precisa se preocupar, sempre tomo cuidado com ele.
Caminharam calmamente, voltando para a casa, em silêncio.
- Mas falando sério, beijo tão mal assim?
Lily não respondeu, apenas lhe deu um beijo na bochecha. Sentia-se extremamente aliviada.
Mas alguém entre as árvores não estava tão aliviado. James tinha ido até o jardim para ver o que Lily e Remus estavam fazendo, e mesmo não tendo visto nem escutado nada do que disseram quando estavam no banco, conseguiu ouvir muito bem a última pergunta de Remus e também viu quando Lily beijou sua bochecha. A raiva lhe subiu à cabeça.
Sem pensar nem por meio segundo, saiu do seu esconderijo e se aproximou de seu amigo e da ruiva. Os outros dois o escutaram chegando e se viraram, logo percebendo que ele não estava com uma cara muito boa.
- James, aconteceu alguma cois... - Remus não conseguiu completar a frase porque James acertou um soco em seu queixo, derrubando-o no chão.
Lily ficou sem reação, com o rosto paralisado pela surpresa. Intuitivamente, agachou-se para ver como Remus estava. O estrago aparente não foi muito grande, mas o garoto estava num estado de semi-inconsciência. James continuava em pé, encarando Remus com raiva. Foi quando Lily levantou e, com todas as suas forças, devolveu o soco. O nariz de James começou a sangrar.
- Você é idiota ou o quê? - gritou, enraivecida. - O que foi isso?
James tentava parar o sangramento com a manga de sua camisa.
- Ele mentiu pra mim - resmungou, irritado. - Me disse que não gostava de você.
- E não gosta mesmo, seu palhaço! - continuou gritando, fora de si. - E o que isso importa?
- E por que você disse que ele beijava mal? - respondeu, elevando a voz.
- Porque estava brincando!
- Então ele te beijou! - disse, com uma cara de triunfo.
- Sim, e daí?
- Isso significa que ele mentiu pra mim!
Lily avançou sobre James, que se preparou para receber outro golpe. Mas ao contrário do que pensava, Lily lhe beijou, afastando-se logo em seguida. A garota limpou a boca com as costas da mão.
- Viu só, cérebro de mosquito com uma lobotomia considerável? Acabei de te beijar e não gosto de você! Não há ninguém sobre a Terra que eu odeie mais que você e eu te beijei! Entendeu agora?
James permaneceu calado, olhando a ruiva alterada, caindo em si e percebendo a cena estúpida que armara.
- Além disso, que importa para você se o Remus gosta ou deixa de gostar de mim? Não acho que o fato de você achar que ele mentiu pra você lhe dê o direito de deixá-lo semi-inconsciente! - Lily agarrou a gola da camisa de James. - Agora eu vou embora daqui e espero que quando seu amigo acorde, você peça as devidas desculpas. Não sei o que as pessoas veem em você... Não passa de um monstro! - e o empurrou, afastando James de perto de si. - Não chega mais perto de mim.
Lily se dirigiu para a casa, enfurecida. James a seguia com o olhar, odiando a si mesmo.
- Lily! - chamou, antes que ela desaparecesse pela porta. Ela parou, mas continuou de costas para o garoto. - Eu... eu... eu gosto de você - murmurou sem deixar de olhá-la, para ner sua reação.
A ruiva pareceu pensar por alguns instantes, mas depois simplesmente entrou na casa sem dizer nada.
Lily cruzou rapidamente o grande salão e chegou até um dos banheiros. Trancou-se dentro dele e se sentou num canto, abraçando as pernas. Tinha vontade de chorar e não sabia porquê. Não era raiva, era tristeza. No fim das contas, tinha beijado novamente James Potter. Odiava a si mesma, se odiava muito. Pelo menos, pensou com amargura, cumpriu a promessa de ter cuidado com Potter. Mas isso só fazia mais lágrimas aparecerem.
Enquanto isso, Remus voltava a si e, com a ajuda de James, sentou em um dos bancos do jardim. James contou tudo que acontecera minutos atrás. Para sua surpresa, Remus não ficou chateado, só começou a rir.
- Não sabia que você era ciumento, James - disse, passando um braço pelos ombros do amigo.
- Nem eu sabia - respondeu, lutando contra as palavras. - E tampouco sabia que gostava tanto dela. Desculpa, não sabe a raiva que senti quando pensei que você estava com ela pelas minhas costas.
Remus ergueu as sobrancelhas.
- Não foi nada, eu deveria ter contado. Mas não tinha muita certeza - passou as mãos pelos cabelos, que já estavam desarrumados. - Vai ser complicado para você, não vou te enganar. Seria mais fácil a McGonagall nos incentivar a quebrar as regras do que Lily começar a gostar de você.
James fez cara de "pode contar outra que essa eu já conheço".
- E Tracy? - perguntou Remus, depois de alguns segundos.
- Vou terminar com ela. Já tinha que ter feito isso - queixou-se James - no Halloween, quando aconteceu tudo aquilo com o Anjo.
Remus ficou tenso e somente concordou com a cabeça.
- Acho que é melhor a gente entrar - falou dando uns tapinhas nas costas do amigo.
- Sou um idiota.
- É mesmo.
- Ei!
- Só estou dando um apoio moral, cara - brincou o garoto, rindo em seguida.
- Tá rindo do quê? - perguntou James, chateado.
- Cara, você foi nocauteado por uma garota! - Remus continuava rindo.
- Há, há, você realmente sabe me animar. Grande amigo... - resmungou, irônico.
- E você, que quase me matou agora há pouco?
...
Lily continuava trancada no banheiro. Já tinha se cansado de chorar, só que agora toda a maquiagem feita por Elise formava um belo quadro borrado por seu rosto. Recorreu ao papel higiênico e água, mas isso só deixava tudo pior. Alguém bateu na porta do banheiro.
- Sim? - respondeu.
- Lily, você está bem? Sou eu, Henry.
Lily hesitou um pouco, mas logo abriu a porta.
- Te vi passando correndo e... Acho que é melhor você limpar isso.
Procurou nas gavetas do armário do banhou até achar umas toalhinhas. Lily aceitou agradecida.
- Muito bem, pequena, suponho que o besta do meu neto é o culpado.
- Er... talvez. Entretanto acho que quebrei o nariz dele - Lily sorriu tristemente.
- Isso mesmo, mulher! Comecei a gostar de Edna quando ela jogou um vaso na minha cabeça por eu puxar suas tranças.
Lily voltou a sorrir, mesmo que não visse possibilidade de algum dia gostar daquele energúmeno. Ainda que suas lágrimas dissessem o contrário. Henry a deixou sozinha para limpar o rosto e depois a acompanhou até o salão.
- Está muito mais bonita sem maquiagem - elogiou, antes de deixá-la com Elise.
- Eu estava te procurando! Remus acabou de entrar, com um James de cara amarrada. Você não sabe de nada, não é? - perguntou, perspicaz.
- Conto tudo em casa, tudo bem? - suplicou Lily.
As duas se despediram dos senhores Potter, que as fizeram prometer uma visita nas próximas férias, e de Sirius, que mandou lembranças a Kate, ao que as garotas responderam erguendo as sobrancelhas. Não acreditavam que Kate quisesse lembranças dele. Sirius achava a mesma coisa, mas não custava tentar.
Não se despediram nem de James nem de Remus, que cuidando um dos machucados do outro. Tiveram que praticamente arrastas Nymphadora, que fizera muitos amigos e queria começar a morar ali.
Chegaram ao Caldeirão Furado e logo depois já estavam no apartamento. Andrômeda, com cara de cansaço, não demorou a chegar. Contou que não tivera problemas em obliviar os trouxas, mas que o Ministério não conseguira encontrar os culpados. Uma vez que mãe e filha se foram, Elise já foi perguntando.
- O que aconteceu com Remus e James?
E Lily, sem muita vontade, contou tudo.
- Ou seja, James gosta de você. Garota, quanto mel você tem ultimamente, hein?
- Há, há, ele pensa que está apaixonado. É realmente um tonto. Eu quebro seu nariz e ele diz que gosta de mim... Deve ser masoquista.
- Ou gosta muito de você.
- Pois então tem um trabalho a mais: se desapaixonar, porque não quero que ele chegue a menos de 20 metros de mim ou desta vez quebro as pernas dele - respondeu cansada, jogando-se no sofá.
- Lily, você gosta do Potter e não adianta tentar negar - disse Elise. - Desde que ele te beijou, não é a primeira vez que vejo você se perdendo em seus pensamentos - completou sentando-se ao lado da amiga.
Lily ia retrucar, mas logo reconsiderou.
- Esse é o problema. Devo ser masoquista também.
Nota da Tradutora: Milhares de desculpas pela demora enorme em postar o capítulo. Acontece que realmente fiquei sem tempo desde o final de novembro. Eu dou aulas de ballet e foi uma correria, porque tínhamos o espetáculo de final de ano e, por isso fiquei cheia de coisas pra resolver, além de um monte de ensaios. Além disso, essa época de fechamento de semestre na faculdade enche a gente de trabalhos, ainda mais que com tantos feriados, tudo ficou acumulado para o final. Agora estou de férias, ainda bem. Então podem ficar calmas que volto a postar mais rápido, como antes. E agradeçam o capítulo à Carlalli, minha cmpanheira de faculdade que não saiu do meu pé: "Amanda, agora você não tem mais desculpas, posta logo!" Espero que vocês gostem desse capítulo. O que acharam do beijo? É, a Lily está começando a ceder, pelo menos para si mesma. Mas ainda vai demorar para eles ficarem juntos, viu? Beijos para todos vocês e desculpa qualquer erro. Fiz tudo rapidinho para postar logo.
