Capítulo 10 - Ciúmes?
Remus demorou pouco tempo para me responder. Então, sim, eu teria companhia na visita a Hogsmeade. Confesso que fiquei aliviada por ele ter aceitado, quer dizer, ir sozinha ao vilarejo não é nem um pouco divertido. E também tinha o fato de ele ser um garoto, ou melhor, não apenas um garoto, e sim um dos mais cobiçados em toda Hogwarts e sabe-se lá como ele se sentiria ao ter que sair apenas comigo. Bom, ele me perguntou se a presença dele me incomodaria, mas acho que só fez isso por educação. Não acho que ele realmente quisesse ficar a sós comigo durante toda a visita. Deve ter alguém com quem ele desejasse realmente passar o tempo e nesse caso eu que estaria atrapalhando.
A pergunta agora seria como contornar isso? Não quero que ele se sinta obrigado a me fazer companhia porque as meninas não estarão comigo. Eu posso muito bem ir comprar alguns ingredientes, penas e pergaminho e os doces pra mim e as meninas e voltar sem problema algum. Aí ele estaria livre para sair com quem desejasse.
Eles esperavam por minha resposta. Tentei soar divertida, entrar na brincadeira. Parece que funcionou. Mas enquanto olhava pro Remus, e o visualizei andando com outra garota, não sei ao certo o que senti.
Ok, eu sei sim. Só não entendo porque senti isso. Nós não somos nada além de amigos. Não faz o menor sentido eu sentir ciúmes dele.
Emmeline, isso esta ficando ridículo. Pare de pensar essas coisas. Ele é apenas seu amigo e nada o faria se interessar por você.
Fiz de tudo para agir normalmente durante as aulas. Não dava para conversar com minhas amigas por bilhetes. Tivemos muitas aulas praticas e os professores não estavam de muito bom humor hoje. Acho que agi mecanicamente. Não lembro de muita coisa do que fiz. Lily me encarava curiosa, devo ter deixado transparecer alguma coisa. mas provavelmente ela estaria pensando que haveria relação com Prewett e não com um de nossos amigos, o qual acabei de notar não saia dos meus pensamentos.
Bufei indignada ao imaginar que ele teria marcado de se encontrar com Dorcas Meadowes em Hogsmeade. Ela vivia correndo atrás dele. Apoiei uma das mãos na bancada e com a outra massageei minha têmpora. Estávamos na aula de adivinhação e isso só fez a professora se alarmar dizendo pra turma inteira que eu estava tendo uma premonição. Queria que um buraco tivesse aberto sob meus pés. Felizmente o horário da aula acabou e eu me apressei para fora da sala ao som das risadas das meninas.
- Premonição?
- Essa foi muito boa. Qual foi sua premonição, Emme?
Olhei para Selene e soltei uma risadinha.
- Não acredito que ela fez esse alarde todo.
- Mas, Emme, foi engraçado.
- Claro, não foi com você.
- Agora sem brincadeiras. Você está bem?
- Foi só uma dor de cabeça. Pensar demais dá nisso. - bufei ao ver a Dorcas passando. - Vamos parar de falar nisso e sair daqui, ok?
Nem esperei pela resposta. Comecei a andar em direção ao salão. Tenho certeza que elas não entenderam o motivo de eu estar agindo assim. Nem eu estava entendendo direito.
- Meninas vou ao dormitório deixar minha mochila. Está muito pesada.
- Eu te acompanho Lily.
- Obrigada Emme. Então, nos encontramos no salão principal meninas.
Olhei para Lily enquanto caminhávamos para a torre da Grifinória. Alguma coisa estava incomodando-a. Talvez ela resolva falar quando chegarmos ao dormitório.
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Posso dizer que as aulas foram entediantes. Todos nós estávamos querendo saber como Emmeline estava. De uma coisa eu tinha certeza, a mente dela estava em outro lugar. Parecia estar confusa e irritada.
A aula de adivinhação rendeu boas gargalhadas para todos, menos para ela é claro que ficou sendo o centro das atenções. Eu daria tudo para saber o que estava passando pela mente dela.
Ela disse a todos que estava bem, mas mesmo assim algo a incomodava. Talvez eu consiga tirar algo dela durante os estudos de hoje.
- Emmeline? - a chamei gentilmente. - Terminou de almoçar?
Ela confirmou e fiz de tudo pra esconder meu olhar preocupado. Logo estávamos indo para a biblioteca.
Escolhemos uma mesa mais ao fundo. Separamos nossos materiais e passamos a percorrer as estantes atrás dos livros que precisaríamos. Dei-me ao luxo de observá-la enquanto caminhava. A expressão dela estava mais tranquila, mas ainda assim eu precisava saber o que se passava. Não acredito que tenha a ver somente com aquele imbecil do Prewett.
Peguei os livros que achei que valeria a pena serem utilizados e me sentei a mesa, não tardou muito para ela fazer o mesmo. Com ela explicando tudo ficava mais fácil. O tempo passou sem nem notarmos.
Enquanto terminava a tarefa de poções, notei que ela me olhava pensativa. A encarei de volta ao que ela sorriu. Emmeline nem me deu tempo de perguntar o porque de estar me olhando daquele jeito. E eu me vi agradecendo por toda ajuda que ela estava me dando.
Queria muito ter perguntado o que estava acontecendo mas não tive coragem já que ela estava mais calma. Nos despedimos depois de termos ido a cozinha e foi o ponto alto do dia pra mim, um simples e singelo beijo na bochecha vindo dela, mas que significou muito pra mim.
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- Estamos com muita sorte mesmo, Pontas. Por uma brincadeira inocente com o Ranhoso pegamos detenção bem no dia da visita a Hogsmeade e pior...
- Pior o que?
- Bem no dia que nosso querido Aluado tem um encontro! Vamos perder a parte boa!
- Ele vai se sair bem. Mesmo sem estarmos por perto. - James falou pensativo e colocou a mão sobre o ombro de Sirius. - Nosso garoto cresceu, Almofadinhas!
- Que papo é esse de nosso garoto!? Ta me estranhando? Depois diz que não é Veado.
- Sou um cervo! C-E-R-V-O! Quantas vezes vou ter que dizer isso?
- Depende de quantas vezes você estiver conversando com um cara e dar mole pra ele. - Sirius falou caindo em gargalhada em seguida.
- Eu não dou mole para garotos, meu caro. - James disse pausadamente.
- Sei... acho bom mesmo, já estava estranhando esse seu comportamento afeminado. Ai, não precisava bater.
- Pare de falar bobagens e vamos ao que realmente interessa agora.
- E o que seria?
- Cumprirmos nossa detenção e checar o motivo daquelas lindas garotas terem desistido de ir a Hogsmeade.
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Chegamos ao dormitório e não deixei de notar que minha querida amiga estava com os pensamentos vagueando bem longe.
- Lily?
- Ahn?
- O que está acontecendo?
- Er...não está acon..
- Não precisa mentir para mim. Você é minha amiga. Sei que tem alguma coisa te incomodando.
- Ai Emme. Não sei o que está acontecendo comigo.
- Posso arriscar um palpite? - ela balançou levemente a cabeça em sinal de concordância.
- O motivo de você estar assim seria... um certo garoto, apanhador e capitão do time de quadribol da Grifinória, mais conhecido como James Potter?
- Está tão óbvio assim? - segurei a vontade de rir.
- Não, não está. - abri um leve sorriso. - Somos amigas faz tempo Lily. Fica fácil reconhecer os motivos que te deixam com essa carinha aí.
- Sou uma completa idiota! - ela disse deitando de qualquer jeito em sua cama.
- O que foi que aconteceu? O que ele fez dessa vez?
- Ele não fez nada amiga. - ok, impressão minha ou ela está frustrada? - Não entendo o que está acontecendo.
- Agora quem não entendeu fui eu. - disse me sentando na beirada da cama. - Já que o James não fez nada, que relação ele tem com o seu estado?
- É justamente isso que me incomoda Emme. Ele não fez nada...eu...se disser isso pra alguém vou ficar muito magoada com você. - ela me advertiu, quase ri da cara que ela fazia. - Eu...eu sinto falta das provocações!
- Não precisa gritar. - olhei pra ela com carinho. As coisas estavam mudando. - Amiga, não brigue comigo. Mas, fico feliz por estar se sentindo assim.
- Como é?
- Isso quer dizer que está mudando sua opinião sobre ele. Convenhamos amiga...você está vendo que ele parou de provoca-la. Só que você não sabe se comportar com esse "novo" James e por isso está sentindo falta das provocações.
- Hum... isso faz sentido. - disse enquanto se sentava.
- Lily... aqui vai um conselho de amiga. Não tenha medo de experimentar o que é novo só porque é diferente de tudo que está acostumada. Dê uma chance ao James, quem sabe ele não te surpreenda de uma forma bem positiva.
- Acha mesmo que eu devo fazer isso? - ela me olhava assustada.
- Vai ficar tudo bem. - falei abraçando-a. - Amiga, tente agir com ele como age conosco. Seja a mesma Lily que conhecemos. Permita ao James conhecer a Lily que eu conheço. Aquela que aconselha, que é divertida, que tem fraquezas como todo mundo, que desmorona e precisa de apoio. Duvido que ele desdenharia ou te trataria com grosseria. Só tente. Comece devagar. Você vai ver que vai valer a pena.
- Sabe que só de conversar com você me sinto melhor. - ela sorria. - Vou tentar fazer o que me disse. Talvez valha a pena tentar. Eu disse talvez Emme, não olhe com essa cara.
- Desculpe.. tente não me matar. Mas, vocês ficam bem juntos. Formariam um casal lindo.
- Sério?! Eu diria o mesmo de você com o Remus.
- Tem alguma coisa acontecendo que eu não estou captando? Não é a primeira vez que estão me falando isso. E...
- E...?
- Lily não conte isso pra ninguém, ok? - falei quase suplicando. - Na aula de adivinhação...não ria...o motivo daquele mico era o Remus.
- Hein!? Como assim o Remus?
- Bom eu falei que poderíamos ir juntos a Hogsmeade e ele aceitou... maseseelequisesseencontraralguémlácomaDorcastalvez?
- Pode repetir a segunda parte? Não deu pra entender com você falando tão rápido. - a essa altura eu já estava da cor dos cabelos dela de tão sem graça.
- Mas e se ele quisesse encontrar com alguém lá? Com a Dorcas, talvez? - falei o nome dela entredentes. - Pare de rir! É sério! Não quero atrapalhar o Remus. Quer dizer, uma coisa é ele me acompanhar até Hogsmeade e outra é ele ter que suportar todo o passeio comigo. - bufei e taquei um travesseiro na Lily que rolava de rir.
- Desculpe, Emme. É que de repente pareceu que você estava com ciúmes do Remus. - acho que a cara que eu fiz piorou as coisas. - Está mesmo com ciúmes?
- Acho que sim. Gosto da atenção dele, da companhia, de ve-lo estudar, das brinca...
- Emme...você está gostando do Remus?
- É claro que eu gosto do Remus.
- Não fuja da resposta. Você entendeu muito bem o que eu perguntei. - baixei os olhos para minhas mãos que estavam firmemente apoiadas nos joelhos.
- Eu...não sei.
- Não sabe?
- Ai Lily. A companhia dele me faz bem, entende? Conversar com ele ou estar com ele me dá uma sensação tão agradável. E pensar que ele pode estar com...
- A Dorcas?
- Ela vive correndo atrás dele. Está estampado na cara dela que..dá para parar de rir!?
- Emme, aproveite o passeio. Não pense na Dorcas. O Remus perguntou diretamente para você se poderia te acompanhar a Hogsmeade. Se ele quisesse sair com qualquer outra pessoa ele teria simplesmente deixado o assunto Hogsmeade passar batido.
- Ele perguntou se poderia nos acompanhar, não me acompanhar.
- Ele não me pareceu chateado ao saber que só você tinha planos de ir a Hogsmeade. Amiga...apenas aproveite o passeio, ok? Quem sabe isso não ajuda a ordenar seus sentimentos.
- Acho que você tem razão.
- Agora vamos correr para o salão, ou prevejo um longo interrogatório pela frente.
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Como será esse passeio? Merlin me ajude.
Não faço ideia de que horas acordei. Só sei que estou com um frio na barriga que não quer me deixar em paz. Por que tenho que ter isso hoje? Quer dizer, não é como se nunca tivesse estado sozinha com o Remus.
- Acalme-se Emme.
- Estou tentando Lily. - sussurrei de volta. - Vou me arrumar.
- Está cedo ainda.
- Do jeito que eu estou, é melhor começar a me arrumar agora mesmo.
- O que você separou?
- Esse vestido no estilo vintage cinza, com essa meia 5/8 preta, mais o casaco xadrez marrom e preto. Um cachecol num tom um pouco mais claro que o marrom do casaco. Para os pés uma linda bota marrom e para o cabelo uma tiara preta com laço na lateral. Ruim?
- Remus vai babar.
- Não me deixe mais nervosa do que já estou, Lily.
- Fique calma amiga. Você vai estar linda, vai se divertir muito e comer muito chocolate. - dessa eu tive que rir o que foi péssimo porque acordei todas. - E claro trazer muito para nós.
- Ok. Vou tomar banho e me arrumar. Aí vocês me dizem se está ruim.
- Prima, você vai ficar linda com a roupa que separou. - sorri agradecida para Selene e me dirigi ao banheiro.
O que me pareceram poucos minutos se confirmaram como vários quando saí daquele banheiro. A verdade é que quase entrei em pânico lá dentro. Nunca estive tão nervosa como agora.
- Vamos Emme. Ninguém vai alterar um milímetro sequer do seu look. Está linda. Impecável.
- Obrigada Ally.
- Se não soubesse que você também gosta de se produzir, diria que está tentando impressionar o Remus.
- Que exagero Lene.
- Só quero ver a cara dele. Quando a vir descer as escadas para o saguão.
- Você não tem jeito né. Desse jeito vou acabar desistindo de ir.
- Nada de desistências. Você tem que comprar doces para todas nós, lembra?
- Depois eu que sou a viciada né, Lily? - falei em tom de pilhéria.
- Ele já está lá Emme. E está completamente embasbacado. - olhei a direção que a Lene apontou e quase arfei. - Você está bem?
- Estou sim. Foi só uma câimbra. - dei um sorriso amarelo pra Lily que claramente segurava o riso.
Foi a única coisa que me veio a mente depois de quase babar pelo Remus. Uau! Ele estava lindo demais pra minha já pobre e abalada sanidade aguentar. Trajando uma calça num tom cinza claro, uma blusa de gola preta com um casaco que parecia bem quente num tom marrom por cima e um sobretudo preto. Até parece que combinamos de usar as mesmas cores.
E aquele cabelo levemente desarrumado pelo vento, enquanto se recostava despojadamente no portal com as mãos nos bolsos. Céus, ele é demais pra mim. Não é a toa que faz tanto sucesso entre as garotas.
- Vocês estão em sintonia.
- Como assim, Selene?
- Os tons das roupas.
- Ah... sim é verdade.
- Bom dia - disse quando nos aproximamos dos meninos. Ao que eles responderam de pronto.
Nos despedimos de nossos amigos e nos encaminhamos para os terrenos de Hogwarts. Remus perguntou onde iríamos primeiro. Era um bom sinal não é? Perguntou com tanta naturalidade que realmente me fez pensar que não estava sendo um total incômodo ter que me aturar durante o passeio inteiro.
- Se não for incomodo para você. Eu tenho que comprar algumas coisas.
- Tudo bem por mim.
Ao chegarmos no vilarejo, tratei de comprar rapidamente as coisas que eu sabia estavam em falta pra mim, penas e pergaminhos novos, ingredientes para as aulas de poções.
- Remus não precisa carregar minhas sacolas. Posso carrega-las.
- Eu sei que não precisa. Mas eu quero carregar. - fiquei lisonjeada e envergonhada com o jeito que o Remus estava me tratando.
- Não gosto de incomodar, Remus. Você não está aqui para ficar carregando minhas coisas. Está aqui para se divertir. Entendeu? - tentei soar com naturalidade mas estava tão nervosa que devo ter passado impressão de mandona.
- Sim senhora. – ele riu e lhe dei um leve tapa.– Ai, isso doeu.
- Quem mandou você rir da minha cara.
- Mas você falou que era para eu me divertir. – ele rebateu. – Sua cara estava engraçada. Não sabia que era mandona.
- Eu... Não sou... ahn... Deixa pra lá. – eu sabia que tinha passado essa impressão. Não pude fazer nada além de rir e é claro sentir minhas bochechas esquentarem. – Bobo.
- Além do mais. É melhor eu carregar. Você vai precisar das duas mãos para pegar seus doces e de suas amigas.
- Sei. – foi a única coisa que consegui dizer sabendo que já estava corando novamente.
Remus apenas ria. E me vi hipnotizada pelo som da risada dele. Sorri involuntariamente. Por sorte estávamos indo para a Dedosdemel. A loja estava lotada então tivemos que esperar um pouco para podermos entrar. Lá dentro caminhei por entre as prateleiras pegando doces para mim e as meninas. E prestando atenção no que o Remus escolhia.
Ele pegou muitas tortinhas de limão. Deve gostar muito delas, assim como eu gosto de chocolate. Pagamos e prontamente nos retiramos da loja que já estava enchendo novamente e lá estávamos nós repletos de sacola. Guiei Remus até um banco para que ele pudesse se sentar e comer a tortinha que tentava a todo custo retirar de sua sacola.
Ele comeu com vontade e acabou sujando o rosto com o creme. E eu? Bom, eu me esforcei muito para não cair na gargalhada mas falhei miseravelmente. Logo começamos uma guerra de tortinhas. Percebi pelo canto dos olhos que algumas pessoas nos encaravam surpresas, principalmente as meninas. Não liguei pra isso. Estava me divertindo muito para me importar com o que estavam pensando ou sentindo.
E foi aí que Prewett apareceu. Seus comentários acabaram por fazer minha animação desaparecer e meus olhos se encherem de lágrimas. Tentei conter Remus o máximo que pude mas ao último comentário não consegui segura-lo. Ele sacou a varinha, nos deixou novamente limpos e acertou um soco direto no nariz do corvinal. Nunca gostei de brigas mas não tinha forças para impedi-los. A essa altura as lágrimas corriam livremente por meu rosto. A briga só terminou com a chegada dos professores.
- Srta. Vance. Espero que fique bem e aproveite o resto do dia. – registrei levemente as palavras que a professora McGonagall dissera suavemente ao me abraçar. – Cuide bem dela hoje, Sr. Lupin.
- Sempre, professora. – ficamos sozinhos e eu ainda não tinha coragem de erguer os olhos para o Remus. – Emme?
- Remus... eu... – tentei controlar minha voz. mas não dava. Ela saiu naquele tom choroso. Levantei meu rosto para poder ver como ele estava. Lágrimas ainda estavam presentes em meu rosto. Remus tentou tranquilizar a nós dois, parecia receoso de se aproximar de mim.
Extremamente envergonhada por tudo juntei o pingo de dignidade e coragem que me restavam e o abracei. Logo senti seus braços se fecharem ao meu redor em um abraço tranquilizador. Ficamos assim até que eu me acalmasse. Sinceramente eu teria ficado daquele jeito com ele por muito mais tempo. Os sentimentos de segurança, proteção foram instantâneos.
Logo voltamos a caminhar, entramos rapidamente na Zonko's. Com a algazarra provocada por alguns terceiranistas estava impossível permanecer por muito tempo lá dentro. A vantagem é que me fez esquecer um pouco o que havia acabado de acontecer. E isso deixou o Remus feliz, como pude notar.
Estava nevando e eu adorava esse tempo. Tomamos cervejas amanteigadas no Três vassouras mas pedi para caminharmos. A saída de lá foi divertida. Ao meu último comentário na brincadeira, Remus desviou seu olhar do caminho fazendo-o se voltar para mim.
- Obrigada de verdade por me acompanhar hoje, Remus.
- Não precisa agradecer Emmeline. Não foi esforço algum. Muito pelo contrário. Você é muito divertida, sabia disso?
- Acredito ter ouvido isso ontem. – rimos juntos. Vi seu olhar repousar sobre a Casa dos Gritos. Aquilo deveria ser um tormento constante para ele. Gostaria de poder ajuda-lo. Mas o que eu poderia fazer?
- A Casa dos Gritos. – falei bem baixo.
- Ela te assusta? - notei um tom receoso em sua pergunta.
- Não Remus. Não tenho medo desse lugar.
- Mesmo? A maioria tem. - odiei o olhar que vi no rosto dele. Queria ser capaz de arrancar toda a tristeza dele.
- A maioria que não é da Grifinória né? – falei tentando amenizar a situação. Ao menos ele riu.
- Pode até ser. Mas as meninas geralmente não se aproximam desse lugar.
- Isso não tem como contestar. – respondi ao pararmos bem próximo a cerca. – Este lugar me traz um sentimento diferente.
- Diferente? Medo, não?
- Nada de medo. Pareço medrosa para você?
- Nem um pouco. – sorri e voltei a olhar para a casa.
- Na verdade eu sinto um pouco de tristeza ao olhar para ela. Tão afastada de tudo. Isolada. Seja lá quem necessitasse ficar nesse lugar tinha motivos muito fortes para querer se isolar. Mesmo assim não deixa de ser triste. Estar sozinho não é uma coisa agradável.
- É isso que sente então? - voltei meu olhar para ele que exibia uma linda expressão de surpresa.
- Sim. Espero que a pessoa que tenha ficado ou que ainda fique nesse lugar, mesmo que por pouco tempo, tenha encontrado motivos para não querer se isolar do resto mundo. Tenha aprendido a gostar de viver. - Admito, esperava com isso colocar um pouco de esperança nele. Tem muitas pessoas que se importam de verdade com ele e que o aceitam exatamente como é. E eu sou uma delas.
- Sua forma de enxergar as coisas é incrível. – o olhei encabulada com esse comentário. Um vento cortante passou e eu estremeci. Remus gentilmente cedeu seu sobretudo.
- Remus, agora você vai congelar.
- Sou resistente como um pinguim, lembra? – eu tive que rir.
Ao notarmos que o céu começava a escurecer voltamos para o vilarejo. Fomos nos aquecer no três Vassouras e comermos um pouco. Ao anoitecer já estávamos prontos para voltar para Hogwarts. Caminhamos de braços dados durante todo o caminho e até chegarmos a sala comunal. Retirei o sobretudo que havia gentilmente me emprestado.
- Hoje foi muito divertido, Remus. Bem, quase o tempo todo, se alguém não tivesse aparecido para...
- Não vamos falar daquilo, ok. – disse interrompendo-me rapidamente e segurando meu rosto. Acho que agora alcancei o tom do cabelo da Lily. - Também me diverti muito Srta. Vance. – piscou, soltando-me em seguida.
- Boa noite, Remus. - disse sorrindo.
- Boa noite, Emmeline. - Recebi um abraço e um beijo na testa.
Acenei das escadas quando vi que ele permaneceria ali até eu desaparecer de vista. De uma coisa eu tinha certeza. Eu jamais esqueceria esse dia.
N/a: Perdoem pelo longo tempo de hiatus. Passei por algumas coisas que me desestabilizaram. Fiquei decepcionada, magoada, triste. E entrei em depressão. Estou bem melhor agora. Enfim...
Espero que tenham curtido o capítulo e deixem reviews para que eu possa saber o que estão achando.
Desde já, obrigada.
Até o próximo capítulo.
