Oi, gente.

Bem, em primeiro lugar, quero me desculpar. Sério, eu não imaginei que ia demorar tanto tempo assim. Desculpe, desculpe! A escola tentou me matar, mas eu sobrevivi! pose de lutadora exausta

E depois, eu tive que ter um tempo para me recuperar das lutas cansativas, né? hehe... Além disso, eu fiz outra fic também, neh? A propósito, adorei ver vocês lá! brigada, fiquei feliz, mesmo! (provavelmente, vou continuar, mas terminemos aqui primeiro, neh?)

Bom, taí, uma história bem comprida, mas que falta pouco (diga-se um 4 capitulos) para acabar!

Apreciem!

Mudança

-Êêêêê... – exclamava Tinúvil dando pulinhos, com as mãos entrelaçadas. Acabara de receber uma ótima notícia: seu mais novo amigo Caleb estava vindo treinar magia! Ela, o colega de aprendizagem e a mentora, Méomer, já haviam se mudado para a Nova Azarath, pois ali era o lugar mais seguro em que ele poderia ficar. Mais para o Norte ou mais para o Sul, e Trigon poderia rastreá-lo facilmente. Porque Trigon já estava sabendo da profecia, e provavelmente estava louco de vontade de conhecer os netos.

-Ai, ai... É bom que ele seja tudo o que você diz... – resmungou o rapaz ao lado dela. Era um garoto alto, moreno, magro, de rosto bonito, mas com uma expressão de desdém misturado a tédio. – Espero que tenha valido a pena nos mudar para essa dimensãozinha...

-Não seja tão chato! – ordenou Tinúvil, cruzando os braços. – A Nova Azarath é legal!

-É... É legalzinha... Mas perto do nosso palácio mágico no Norte...

-Méomer disse que os prédios de Azarath costumavam ultrapassar os nossos, em tamanho, beleza e magia.

-É, mas isso foi há tipo, vinte anos atrás, Núvil. Helooo... Presente... Esse lugar é medíocre.

-Não é medíocre... Você que é muito exigente! – rebateu a garota lhe mostrando a língua. – Estou doida pra rever Caleb! Ele é tão legal... Foi o primeiro garoto que não se encantou comigo. Ou pelo menos... Foi o que mais resistiu!

-O primeiro garoto...? Nossa, valeu pela consideração... Eu sou o que, mesmo? O gato do vizinho?

-Ah, Peter, não enche... Você sabe do que eu estou falando. Garotos humanos. Você não é comum. Embora... Às vezes eu surpreenda você olhando demais pra mim!

-Só se for nos seus sonhos... – murmurou Peter, mas desviou o olhar. – Pra mim, você ta gamada...

-Não estou! – exclamou ela, com os punhos fechados.

-Claro, claro... – concordou Peter, fechando os olhos. – A Núvil e seus namorados...

-Namorados uma ova, eu...

-Tinúvil! Peter! – chamou a voz autoritária da mulher loura e altiva que adentrou no aposento. – Eles já vão chegar.

-Oba! – exclamou Tinúvil.

-Já estamos indo, senhora. – informou Peter, se levantando do sofá em que estivera sentado.

A mulher desapareceu pela porta com uma expressão de impaciência.

-Anda Núvil. Vamos conhecer o tal... O tal da profecia...

-Acho que até você vai gostar dele, Pete.

-Hum... Talvez...

Os dois correram para fora, a fim de receber os visitantes e o novo colega de aprendizagem.

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- Sejam bem-vindos!

A família se encontrava na frente da casa de Arella. Era quase um castelo. Uma das maiores construções da Nova Azarath, por ser uma das primeiras.

-Uau! – exclamou Marie, soltando a maleta. – Que casona, vovó!

-Se diz casarão, Marie cabeça-oca. – corrigiu Esmeralda, mas sorria, com Pérola nos braços. – Mas é mesmo incrível, vó. Nem a base do vovô Steve ultrapassa! É como um castelo!

-Eu vou ser a princesa! – avisou a pequena Arella, com um salto. A pomba Ellie continuava em seu ombro.

-Não mesmo. Papai sempre disse que eu sou a princesa dele. – rebateu Esmeralda. – Não é, papai?

-Hã...

-Por que vocês não vão escolher os quartos? – perguntou Arella avó – Só tem dois com sacada, e um é dos seus pais.

-O outro é nosso! – afirmaram as gêmeas juntas.

-Vai sonhando! – exclamou Esmeralda – Eu sempre quis ter um quarto com sacada!

-Vai continuar querendo. – informou Marie, enquanto ela e a gêmea corriam para dentro.

-Voltem aqui! – a garota soltou a gata no chão e correu atrás das irmãs, os longos cabelos verdes dançando atrás dela.

-Cuidado para não quebrarem nada! – gritou Ravena quando as filhas desapareceram pela porta.

-Vamos entrar. É aqui que vocês vão morar por um tempo. O que está achando, Caleb?

-Hum? Ah, é ótimo, vovó. Muito legal, mesmo. – respondeu Caleb com um meio sorriso. – É uma cidade incrível.

-Era ainda mais incrível antes. – contou ela com um suspiro de saudade, e Caleb achou melhor não lhe contar, por enquanto, que a cidade-dimensão iria sofrer uma nova guerra.

-Vamos entrar, está esfriando. – pediu Ravena, pegando as malas. Mutano pegou as demais e seguiu a esposa e a sogra para dentro do castelo. Caleb ficou parado um instante, admirando seu novo e temporário lar, com a mochila nas costas e Flame preso pela guia. O cão estava ansioso, andando até onde lhe era permitido e cheirando tudo ao seu redor. Caleb olhou em volta, observando a cidade-dimensão. Tinham tantas coisas em que pensar que ele não conseguiu se fixar em uma em especial.

-Queria ver Tinúvil logo. – murmurou ele para si mesmo. – Vamos, Flame.

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-Mas ainda não entendi porque eles tiveram de ir embora! – reclamou Diego, de braços cruzados.

-Já disse, Kirah, querido. – repetiu Estelar, também amuada. – Caleb vai aprender mais um pouco sobre seus dons.

-Mas porque todos tiveram que ir embora?

-Porque famílias não se separam enquanto puderem evitar. Ou enquanto não chegar a hora.

-Hum.

-Também estou chateado, garoto. Todos estamos. – disse Cyborg, pousando uma lata de refrigerante no balcão. – Mas fazer o que! Eles tiveram que ir. É uma coisa importante.

-E vamos poder continuar em contato com eles. – lembrou Sarah, afagando os cabelos escuros de um Brian emburrado.

-É... será que eles já chegaram? – perguntou Stephanie, com Silkie no colo.

-Ravena disse que iriam ligar quando desse. Mas isso não importa agora. Precisamos falar de coisas importantes. – informou Robin, sério. Estavam todos na Torre, chateados por que a família Logan havia partido. Eles olharam para o homem, que agora lembrava mais do que nunca o rapaz em roupas coloridas que liderara os titãs.

-Vocês todas, crianças, já ouviram a história de Trigon, e também a de Ravena. Sabem como isso é sério, não sabem? – elas assentiram. – Por isso quero que entendam. Há uma grande probabilidade de o demônio vir atacar a Terra. E nós teremos que lutar. 'Nós' significa: eu, Koryander e Victor. Vocês vão ficar com Sarah em um abrigo que construímos e não vão sair de lá até que tudo esteja seguro.

-Mas... Talvez possamos ajudar.

-Não. Eu imaginei que iriam dizer isso. E a resposta é definitivamente não. Podem ter poderes, armas e muita coragem, mas não vão sair por aí salvando o mundo. Muito menos de Trigon.

-Certo, porque vocês faziam isso quando eram bem mais novos que nós e...

-Stephanie Komad´r Grayson. – recitou ele, sério. – Sabia que você ia tentar usar isso contra nós. E a resposta continua sendo não. Nós tínhamos aquela vida porque não éramos como vocês. Você não entende? Éramos todos órfãos, sem nenhuma família no mundo e com talentos excepcionais. Só tínhamos uns aos outros. Não havia mais ninguém e mais nada. Vocês são diferentes. Tem uma família. Tem chances na vida. E, mesmo quem tem poderes não tem experiência para usá-los. Como acha que nos sentiríamos vendo nossos filhos correrem perigo e, muito provavelmente, perecendo em batalhas como essas? Nada de luta. Vão continuar indo para a escola como crianças normais e ficar longe se e quando Trigon vier aqui.

-Mas Caleb e Esmeralda...

-... Foram para outra dimensão aprender sobre seus poderes. – completou Cyborg, terminando e amassando a lata. – Não quer dizer que eles irão lutar. Caleb, talvez, por causa da profecia. Mas arranho meu carro se Mutano e Ravena deixarem as filhas chegar perto de batalhas.

-Dick e Vic têm razão, crianças. – falou Estelar, consolando-os. – É muito perigoso e muito arriscado. Vocês são muito jovens.

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-Caleb! – exclamou Tinúvil ao vê-lo, e correu a abraçá-lo. Ela, Méomer e Peter já haviam chegado na casa de Arella, e a família descera correndo para conhecê-los. Bem, exceto Esmeralda e as gêmeas. Elas ainda estavam disputando quem iria ficar com o quarto com sacada, enquanto os pais e o irmão já tinham desfeito as malas.

-Ah, Caleb, que bom rever você! Fiquei com saudades, ficou também? Ah, adorei o seu cabelo, está muito bonito. Você veio estudar magia com a minha mentora! Só os melhores estudam com ela... Sem querer me gabar, mas, bem, nós vamos estudar juntos! E você vai conhecer o meu amigo Peter e eu vou conhecer a sua família e...

-Tinúvil! – chamou ele, encabulado.

-Oh... Desculpe. – pediu ela, soltando-o. Mas ele a abraçou de volta.

-Também senti sua falta. – disse ele com a voz macia. Ela sorriu, sentindo-se quente. Então eles se separaram com meios sorrisos e faces coradas.

-Bem... Ah, pai, mãe, essa é minha amiga Tinúvil. – a apresentou. Os pais entenderam imediatamente porque Caleb fora com ela para a torre circular no dia da profecia. Mutano abriu um grande sorriso, mas Ravena franziu o cenho.

-Muito prazer em conhecê-los, Sr e Sra. Logan! – disse ela, com uma leve reverência. Méomer, muito contrariada por não ter sido priorizada, pigarreou, olhando para Arella avó e depois para Ravena e o marido, mas não obteve o efeito que esperava. Então cutucou Tinúvil.

-Oh, sim, perdão, mestra. – pediu ela, surpresa. – Caleb, Sr e Sra. Logan, essa é Méomer, a minha tutora, e quem vai ensinar Caleb, também. E esse é meu amigo e nosso colega, Peter.

-Já nos conhecemos, claro. – disse Méomer com altivez, se inclinando brevemente. Não recebeu volta, porém. Ravena a olhava com uma expressão de raiva contida, e Mutano estava prestes a lhe dar uma resposta bem malcriada quando Arella resolveu interromper, procurando evitar brigas:

-Méomer está arrependida pelo modo como se portou aquela noite, há 16 anos, Ravena. – ela disse, e a mulher loura assentiu, olhando para baixo. – Por isso se ofereceu para ajudar Caleb.

-... Certo. – respondeu Ravena, suavizando a expressão. Mutano ia dizer algo, mas a esposa o cutucou, então ele ficou com um leve olhar de desdém raivoso.

-Então... – começou ele, sem olhar a mulher nos olhos, achando que ela devia ter dito aquilo por si mesma. –... O que, exatamente, pretende ensinar ao nosso filho?

-Tudo que for possível. – respondeu ela prontamente, mas sem humildade nem encabulação. – Tudo aquilo que seus poderes puderem fazer e que sua mente possa entender. Quero ajudá-lo a estar pronto para resistir a qualquer ataque de Trigon, seja físico, mental ou espiritual.

-E isso pode acontecer? – perguntou Caleb surpreso.

-Claro que pode acontecer! – respondeu Méomer com rispidez. – De fato, é quase certo que acontecerá. Ainda não contou a eles, Arella?

-Bem... Não... Não tive tempo... – murmurou a mulher, envergonhada. – O caso, querido, é que Trigon já sabe de sua existência, de todos vocês, e da profecia.

-Mas então... Ele virá atrás de Caleb! – exclamou Ravena, aterrorizada.

-Não exatamente, Ravena. Ele não pode entrar. A Nova Azarath não é tão bela, mas é bem mais poderosa e reforçada que a primeira. – explicou Arella. – Mas eles não estarão livres de possíveis ataques mentais. Em sonhos e coisas assim. Por isso é bom que ele estude com Méomer. Ela é extremamente boa nisso. Proteção mental e espiritual.

Ravena mordeu o lábio. Não gostava da idéia de haver uma possibilidade de ataque a seus filhos. Não imaginara que a coisa ficara tão séria. Era até melhor eles terem saído da antiga dimensão nesse ponto, para não oferecerem perigo aos amigos, e ficarem em segurança. Trigon voltaria � Terra facilmente, se já estava reconstituído. Mutano pensava as mesmas coisas, e confortou a esposa, tocando-lhe o braço. Ela olhou para ele e viu que ele concordava com Arella: deviam deixar Caleb ser ensinado o mais rápido possível. Ela assentiu silenciosamente.

-Está bem, então, Méomer. Vamos esquecer o passado e confiar em você. – disse ela, mas com frieza. Méomer apenas meneou a cabeça, e os jovens se entreolharam. – Ensine a meu filho o máximo que puder.

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-Bem, eu espero que seja melhor que a minha antiga escola. – comentou Caleb, enquanto esperava, no dia seguinte, pela nova mentora, em companhia dos novos colegas.

-Escola? – perguntou Peter, sem entender.

-Oh, sim. Na Terra, nós não temos um só professor para tão poucas pessoas. – explicou o garoto, observando a sala circular onde iriam ter aula. – Um monte de alunos da mesma idade vai a um grande prédio onde há várias salas, várias turmas e um professor para cada disciplina.

-Ora, nós também temos isso! – exclamou Tinúvil – Só que apenas em nossos primeiros anos de vida. Aprendemos a ler e escrever, a situação de todas as dimensões mais ou menos, e o básico de magia. Então nossos poderes amadurecem, e o dono da... 'escola', como você chama, nos divide conforme a capacidade de cada um. E aí, no último ano, quando estamos com 10 ou 11 anos de idade, vários mentores vão�� academia e escolhem dois ou três alunos que lhe apeteçam para ensinar.

-Mesmo? Que engraçado! – riu Caleb, estranhando. – Parece mesmo esse negócio de magia. Como os jedi no filme Star Wars, ou aprendizes de feiticeiro naquelas séries de TV...

-Acha que é uma piada? – questionou Peter, zangado.

-Não, não foi o que eu quis dizer. É só que é muito diferente. No meu mundo, esse método não daria certo. Para começar, a grande maioria não tem poderes mágicos. Os humanos se formam em coisas normais, como médicos, advogados, engenheiros, e por aí vai.

-'Coisas normais'... Mas então, cada um tem a sua habilidade não tem? Como nós temos habilidades diferentes de magia.

-Bem, sim, mas...

-Não acho que seja tão diferente.

-Mas é. Qualquer um pode ser médico, ou...

-Agora você está menosprezando as profissões do seu mundo. Nós aprendemos um pouco sobre sua dimensão, e medicina era uma área muito respeitada.

-É claro, os médicos são importantes e tudo, mas comparando com magia, nem tanto. Magia pode resolver qualquer coisa, não é?

-Claro que não. – responderam eles em uníssono, Tinúvil surpresa e Peter com desdém.

-Nós também temos nossas áreas. – explicou ele com impaciência. – Muita gente tem dons curativos, mas acha que qualquer um cura uma doença mais grave, como câncer, ou uma ferida muito profunda? Aqueles que se especializaram nisso é que conseguem. São nossos médicos, mas chamamos de curandeiros. E eles não conseguem fazer coisas como abrir portais, mesmo que tenham essa capacidade, se não aprenderam como.

-É, mas... Não, espere. Estou confuso. – disse Caleb, pondo a mão na cabeça. – O que vocês aprendem, afinal?

-Nos primeiros anos com o mentor, aprendemos basicamente todas as funções de todas as nossas habilidades e como usá-las. – explicou Tinúvil. – Depois, escolhemos uma área em especial, em que somos bons e gostamos. Aí, nosso mentor nos especializa nessa área, ou, se ele não tem muito conhecimento, nos indica para outro mentor. Mas temos que ser muito bons, e querer aprender.

-Oh. Como a nossa faculdade. – concluiu Caleb – Entendi. É, acho que não é tão diferente assim, afinal. O que vocês estão aprendendo?

Eles ficaram em silêncio por um instante, depois de trocarem um olhar significativo.

-Bem... – começou Tinúvil, olhando para baixo. – Nós não somos assim, como te explicamos. Estamos em uma espécie de aprendizagem diferente.

-Nós somos aprendizes da senhora Méomer. – informou Peter. – Seremos o que ela quiser.

-Eh? Como assim?

-Nós... Nós temos poderes excepcionais. E somos de uma... Hã... Digamos de um povo especial. Por isso, precisamos aprender tudo. Tudo, mesmo. – enfatizou. – Assim, seremos sábios e poderemos resolver a maioria das coisas.

-Aí, sim, você pode dizer 'a magia resolve qualquer coisa'. Se for utilizando um exemplo desses.

-Bem, acho... Acho que entendi. Mas não completamente.

- Já ouviu falar em Merlin? E em Gandalf? É mais ou menos como eles.

-O que, os velhos magos? De Avalon e do Senhor dos Anéis? Mas... Estão dizendo que eles foram reais?

-Merlin, sim. Gandalf provavelmente ainda é. Ele foi para as terras imortais com os elfos.

Caleb ficou um instante em silêncio.

-Vocês estão brincando, certo? – perguntou ele com um sorriso vacilante. – Quero dizer, são apenas lendas. Histórias para passar o tempo. Não houve Camelot de Arthur, nem hobbits, nem elfos, nem o Um Anel, nem...

-Você deve estar brincando. – disse Peter sem sorrir. – O reinado de Arthur e a Guerra do Anel são dois dos primeiros e mais importantes fatos ensinados sobre a sua dimensão.

-Nós só aprendemos como lendas.

-Não disse a Terra. Disse a sua dimensão. É diferente. – explicou Peter com frieza. – A Terra é um dos poucos mundos que ignora a existência de outros mundos e dimensões, justamente por causa dessa visão limitada.

- Vocês desconhecem muita coisa. – concordou Tinúvil. – As histórias do Rei Arthur e Frodo-nove-dedos muitos já ouviram falar, mas... Pouca gente também não sabe, mesmo por lenda, de Roland de Gilead, o mago Howl, o torneio de Shaman King, Lyra da língua mágica, a Raposa de nove caudas, o próprio Trigon, e todas as coisas que se escondem atrás de simples crenças.

-Esqueceu Anakin e Darth Vader,�e Potter e Dumbledore. – resmungou Caleb de braços cruzados.

-Oh, sim, a Guerra�de Voldemort e o Menino-que-sobreviveu�e a Guerra nas Estrelas�também�são clássicas.�Desculpe, não sou tão interada na história de sua dimensão.

-Eu estava brincando... – murmurou ele, mas os outros não o ouviram. Méomer acabara de adentrar na sala.

-Tinúvil, Peter, quero que saiam e continuem treinando o encantamento de fenômenos naturais que ensinei semana passada. Quando eu sair, quero ver resultados de tempestades e deslizamentos. E não esqueçam que depois terão de arrumar sozinhos, com o mesmo encantamento. – ordenou ela sem emoção na voz. – Enquanto isso, eu vou ter uma pequena confabulação com o Sr Logan.

Tinúvil e Peter saíram com expressões de quem caminha para a terceira sessão na cadeira elétrica, mas a garota deu um aceno de boa sorte para Caleb pouco antes de cruzar a porta.

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-Mãe, tem certeza de que vai dar certo? Ela não é velha demais?

-Creio que não, Ravena. – respondeu Arella avó, sentada em uma poltrona com um embrulho nas mãos. A pequena Arella estava sentada defronte a ela, com a pomba Ellie no ombro.

-O que, exatamente, vocês pretendem fazer? – perguntou Mutano, de pé na porta.

-Mamãe vai inserir uma jóia mágica protetora no chacra central de Arella. – explicou Ravena apontando para a própria testa. – Como o meu.

-Vai fazer os pesadelos pararem, vovó? – perguntou a pequena, um pouco nervosa.

-Mais ou menos, querida. Vai te ajudar a controlar seu dom da visão, mas se alguém muito poderoso enviar uma mensagem em forma de sonho, você ainda a terá. Por isso, é bom se você aprender a meditar.

-Como a mamãe?

-Como a mamãe. – concordou ela, desembrulhando uma pequena caixa de madeira – Você a ensina, Ravena?

-Oh, claro. Mas onde conseguiu uma pedra para isso?

-Aqui, mesmo. Foi um pouco mais difícil do que para você, afinal, Azarath concedia uma pedra e a incisão para cada garota que nascia, mas está aqui, e é de boa qualidade.

Ela abriu a caixa e lá estava, no meio de uma almofada de veludo, um pequeno rubi muito delicado e brilhante. Ela o pegou com cuidado.

-Não vai doer, não é, vovó? – quis saber Arella, apreensiva. – Não é?

-Não se preocupe docinho. – disse Ravena, ajoelhando-se ao lado da filha e pegando sua mão. – Vai dar tudo certo. Você só vai sentir uma leve perturbação mental e um pouco de dor de cabeça. Mas passa logo, e eu vou estar aqui com você.

-Certo.

Ellie voou do ombro da menina e saiu pela janela, enquanto Arella avó se aproximava com a pedra em uma mão e um brilho azulado na outra.

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-E então, a mamãe disse pra gente tirar na moeda. Eu escolhi cara, e juro, Diego, aquela moeda vacilou antes de cair em coroa. – reclamava Esmeralda para o grande espelho onde se refletia não a sua imagem, mas o rosto divertido de Diego Kirah Grayson.

-Tem certeza, Alda?

-Tenho, tenho, tenho! Marie fez alguma coisa! – insistia ela com os punhos fechados. – O que aquelas duas podem querer com um quarto com sacada?

-Tirar de você.

-É, tem razão. – suspirou Esmeralda. – Mas e aí? Vocês já voltaram �s aulas?

-Nah... Começamos amanhã. – respondeu ele, amuado – Vai ser muito chato. Agora que pensamos que iríamos de carro... E eu vou ter que aturar aquelas chatices sozinho.

-Ah... Não fique triste. Pelo menos, o Jim vai estar lá. – o consolou ela, se referindo ao amigo de escola dos dois. – Não pense que eu estou me divertindo a valer, aqui. É legal e tudo, meu quarto é bem maior do que antes, mas não tem TV, e nenhum lugar para ir, como shopping, ou cinema, ou lanchonete. E é só o Caleb que vai aprender magia, e talvez a Arella e a Marie, com a vovó. Eu não tenho esses dons, vou ter que ficar ouvindo música e lendo o dia todo. E aqui só tem gente velha e, além disso...

-Esmeralda! – gritou Ravena do andar de baixo. – Venha aqui me ajudar com o almoço.

-... Eu tenho que ajudar a minha mãe em um monte de afazeres domésticos. – completou ela, de testa franzida. – Já estou indo! – gritou – Ah, quase esqueci, a Arella colocou uma pedra na testa igual � da mamãe, e agora ela fica desfilando com o negócio, toda metida.

-Há,há,há... – riu Diego, imaginando a garota com a testa empinada. – Vamos, deve ter algo divertido para fazer aí. Vai ficar muito tempo?

-Muuuuuuuuito tempo! Até o Caleb vencer o tal Trigon, provavelmente.

-Ah, é. Não está preocupada? – perguntou Diego, já informado que o demônio estava atrás dos netos. Esmeralda deu de ombros. Ravena gritou seu nome novamente.

-Eu já to indo! – berrou ela. – Diego, é melhor eu ir. Posso te ligar de novo � noite?

-Acho que sim, mas não gasta muita magia?

-Gasta, mas esse lugar é repleto de magia. Até mais, amigo!

-Tchau, Alda!

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Era uma enorme casa semi destruída. Tinha pelo menos três andares, e todas as janelas estavam quebradas. Os cacos irregulares e afiados ainda jaziam na grama fria e amassada. Ao redor, o mesmo rastro de destruição. Árvores derrubadas, flores pisoteadas. Das outras casas menores, só restavam alguns tijolos e vigas de pé, no meio de cinzas ainda mornas.

Era noite. Não se via luz. Não se via vida. Os poucos corpos no chão não se levantariam mais. Mas na enorme casa, a única em que não fora atiçado fogo, pessoas conversavam. A casa havia pertencido ao governante daquela pequena cidade-dimensão, que vivia pacatamente até ser escolhida por Trigon.

E era ele, em uma forma bem menor do que a que tinha antes de ser derrotado, que falava dentro da casa desolada, onde seus quatro olhos vermelhos eram a única fonte de luz para seus servos ensangüentados e sorridentes.

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Legal, o fim do décimo capitulo! Sabem, não pensei que essa história iria tão longe...

Agora, antes que vocês pensem que eu sou uma maluca crédula, saibam que eu não acho que essas coisas tenham sido reais. Só aproveitei que estavam falando de histórias e dimensões e aproveitei para mencionar algumas das minhas favoritas... Acho isso divertido! Misturar universos, quero dizer.

Bom, só pra constar, o meu novo personagem, Peter, foi inspirado no meu amigo J, e vocês logo vão conhecer o lado mais legal dele. (admita, J, vc é meio assim no começo das coisas).

Ah, agora é melhor estarem preperados: talvez o proximo demore mesmo. Mas como tem um feriadão aí, é bom dar uma espiada no fim do mês. Os professores não vão me vencer!

Me mandem os reviews, e, se tiver algo ruim, reclamem mesmo, assim eu melhoro no proximo!

Feliz Pascoa! Adoro vocês!

bjbj/