Capítulo X
Sakura ainda estava deitada no peito de Shaoran, quando abriu os olhos e sentiu o perfume masculino de seu marido. Inspirou profundamente.
Era um aroma forte, no entanto, muito agradável. A princesa sorriu internamente, afinal estranhamente, no saco dela casamento por conveniência não lhe estava parecendo a pior coisa do mundo. Muito pelo contrário, ela parecia até estar começando a gostar muito daquilo. Além de que, seu marido era muito bonito.
Ela estava assim, perdida em seus pensamentos, quando foi interrompida por um desconforto em seu estomago. Ela sentou-se à cama, ao lado de Shaoran, e despreguiçou-se.
'Acordou, dorminhoca? Sabe que já devem ser quase dez horas da manhã?' Sakura estremeceu ao ouvir a voz do esposo.
'Ah! Pensei que estivesse dormindo ainda.' Ela respondeu inclinando muito levemente a cabeça para o lado direito olhando nos olhos dele.
'Bem... Parece-me que a mocinha está morrendo de fome. Seu estômago não nega.' Sakura ficou levemente corada com o comentário, mas ele levantou-se e caminhou a passos largos até uma pequena mesa no outro canto do aposento, logo em frente à cama. A jovem esposa ficou olhando o comportamento do marido. Lá haviam algumas coisas dispostas para comer como castanhas, frutas, pães e algumas outras comidas. Tinham sido colocadas nos aposentos no dia do casamento. Shaoran encheu uma bandeja e trouxe para Sakura que lambeu os beiços.
'Hummmmm... Que delícia!' Ela falou com as mãozinhas nas bochechas e os olhos bem abertos.
Shaoran teve de rir da espontaneidade da esposa. "Que graça!!" Ele pensou e disse.
'Sabe? Gostaria de ter alguns dias a sós com minha pequena esposa! Acho que aqui no palácio real, todos ficam sempre prestando muita atenção. Eu realmente gostaria de conhecê-la melhor sem os olhos da corte. Existe um castelo, de minha família, que é usado para nosso descanso. Penso que seria muito agradável se fossemos para lá passar uns tempos. Só eu e você nesse castelo. O que achas?'
'É bem verdade que aqui estamos sempre sendo observados. Acho que seria uma boa idéia.' Ela falou esta última frase desviando os olhos para baixo. 'Só peço que me deixe levar minha aia e Kero, meu animal de estimação!'
'Claro.' Ele falou levantando-se. 'Bem, então está tudo combinado! Eu vou comunicar nossa decisão ao meu pai e ao seu também. Partiremos assim que estiver tudo preparado!'
Ele andou até a porta, e parou olhando pra Sakura dizendo: 'A propósito, quero conhecer esse tão falado animal de estimação. Até minha mãe já o conhece!'
'Claro!' Ela respondeu meigamente.
Sakura suspirou sonhadoramente assim que Shaoran saiu e nem deu quinze minutos Tomoyo já estava dentro dos aposentos.
'Vamos, princesa! Precisa se arrumar depressa. Vamos partir ainda hoje.'
'Hoje?' Sakura arregalou os olhos saindo de seu torpor. Pensou "Nossa, ele não quer perder tempo mesmo!"
' Sim. O príncipe me disse que eu deveria arrumar algumas roupas para a senhora sua esposa e para mim mesma!' Tomoyo ao dizer senhora sua esposa sorriu maliciosamente.
"Senhora?????" Sakura pensou. Tomoyo nunca havia a chamado assim. Ela a tratava por senhorita, Sakura, ou mesmo por princesa, mas nunca por senhora. Mas claro! Agora ela era casada. "Acho que vou demorar um pouco pra me acostumar com essa idéia!" Ela continuou pensando.
Levantou-se para vestir suas roupas enquanto a aia lhe ajudava. Rapidamente Sakura estava verificando quais as roupas, perfumes e outras coisas femininas que ela teria que levar.
Andaram pelos corredores até o quarto reservado para Sakura na chegada. Com a pressa do casamento, o imperador nem teve tempo de providenciar um apartamento exclusivamente para o casal como ele desejava. Isto seria feito aos poucos, sem pressa. A intenção inicial era que o casal real tivesse uma certa privacidade dentro do próprio palácio, pelo menos nos primeiros anos de relacionamento. No entanto, isso ainda não havia sido possível devido aos tantos problemas que o país estava tendo.
Ao sair do quarto de Shaoran as duas moças andavam com uma certa pressa chegando até onde as coisas da princesa estavam. Abriram a pesada porta de madeira esculpida à moda chinesa com suas reentrâncias e saliências magnificamente talhadas tendo alguns detalhes em dourado.
Lá dentro havia um Kero um pouco impaciente por sua dona ter dormido longe dele. Ele a olhava com olhos indagadores. Tomoyo começou a rir do animal enquanto Sakura aproximou-se dele ajoelhando para lhe falar.
'Kero, meu querido! Agora eu sou uma mulher casada. Você terá que se acostumar com isso.'
Era inacreditável a capacidade de entendimento daquele animal. O leão sentou-se no puff cruzando as patas da frente e baixando a cabeça como quem diz que de agora em diante, estaria sozinho no mundo.
'Não faz drama, Kero!' Sakura dizia e a aia ria de Kero tentando ser o mais discreta possível, tapando a boca com a frágil mão direita. Sakura continuou: 'Por favor, tente entender! Além do mais você vai gostar de meu marido. Ele é uma pessoa boa. E além do mais, nos convidou para uma viagem. O que acha? 'Quando ela disse que iriam viajar Kero levantou a cabeça e arregalou os olhos dourados.
Tomoyo não pode deixar de reparar na mudança de atitude de Sakura perante o príncipe. Parecia que ela estava gostando de estar casada com ele. Isso alegrou o coração da aia que prezava tanto por sua princesa. No entanto, Tomoyo resolveu não comentar nada sobre suas suspeitas respeitando a privacidade de Sakura.
'Se eu já não estivesse acostumada com Kero, diria que ele riu pra mim!' Sakura disse a si mesma levantando-se e indo ajudar Tomoyo que começara a preparar as coisas para a viagem.
Enquanto as duas arrumavam as malas Kero ficava olhando para toda aquela movimentação, intrigado. Sakura pôs-se a ajudar Tomoyo e por mais que Tomoyo dissesse que ela mesma arrumaria e que era para a princesa descansar, Sakura não lhe dava ouvidos e continuava ajudando a aia e amiga. Kero agora estava muito esperto, parecia estar de ouvidos em pé.
'Vamos, Tomoyo... Agora que já arrumamos minhas coisas vamos arrumar as suas.'
'Imagina Alteza. Eu arrumo! Já não chega a senhora me ajudar a arrumar as suas coisas.' E Tomoyo se pôs a arrumar sua modesta mala.
'Para de me chamar de senhora!!' Ela disse, repreendendoTomoyo.
'Mas não é assim que devo lhe chamar?' A outra perguntou.
'A senhora Tomoyo pode me chamar assim na frente dos outros.' Ela disse dobrando as roupas de Tomoyo.
Sakura, mesmo que a contra gosto de Tomoyo, a ajudou e por fim a aia teve de deixa-la, afinal, era impossível impedi-la.
'Ai, princesa. Essa é minha função. A senh... quero dizer, princesa, não deveria fazer isto!'
'Sim, sim. Eu sei Tomoyo, mas assim andamos muito mais rápido porque quatro mãos são sempre mais rápidas do que duas.'
'Ai princesa|! O que posso fazer para impedi-la!'
'Nada!' Sakura disse levantando os ombros para cima.
As duas puseram-se a rir e continuaram arrumando os apetrechos que levariam na viajem.
'Pronto! Tarefa cumprida!' Sakura disse. 'Podemos ir' Tomoyo sentiu que a moça estava ansiosa para estar a sós com o marido, e sorriu ligeiramente com o canto do lábio sem que a outra percebesse.
Três horas da tarde, estavam todos já preparados para partir rumo ao castelo. Sakura foi ter com o pai, irmão e com o General Yue. Ela se despediu mostrando felicidade nos olhos. O rei do Japão estava aliviado por ver seu tesouro mais precioso com um brilho de felicidade nos olhos. No entanto, no íntimo de Yue, havia um misto entre alívio e dor. Alívio por sua princesa estar bem e alegre e dor porque finalmente ela era de outro e não dele.
O pai de Sakura fez com que o príncipe levasse Yukito, guarda de honra da princesa, e este consentiu. "Acho que não vai ter problemas! Talvez seja melhor realmente." Shaoran pensava. Assim, o casal e seus acompanhantes se colocaram na estrada para o castelo de veraneio da família real chinesa. Sakura, Tomoyo e Kero iam em uma carruagem enquanto o príncipe viajava em outra sozinho. Ele preferiu não levar empregados pessoais. Estava um pouco farto de ser paparicado. Queria descanso.
O castelo não estava vazio. Já havia nele alguns súditos que ficavam permanentemente lá. Eram poucos, mas o suficiente. Por isso, o casal não precisou levar tantas pessoas com eles. A idéia de Shaoran era que quanto menos pessoas, melhor.
O castelo de veraneio era relativamente próximo ao Palácio Central. Demoraria somente sete horas de viagem. Enquanto isso, Sakura estava com nó na garganta querendo conversar com Tomoyo sobre o ocorrido na noite anterior enquanto sozinha com Shaoran e como ele havia sido gentil com ela. Ela queria conversar sobre o assunto mas não conseguia pronunciar uma só palavra sobre aquilo. Era muito íntimo. Então por isso, ela resolveu parar de pensar naquilo e olhar a paisagem enquanto ainda havia luz do sol.
"Realmente, a China é muito bonita! Parece um sonho lindo com todas essas nuvens e montanhas. É tão calmo e belo..."
Foi pensando assim e olhando para a paisagem maravilhosa chinesa que Sakura adormeceu só acordando quando Tomoyo delicadamente acariciou seu braço para que ela acordasse.
'Hum!' Sakura disse assustada. 'O que aconteceu?' Ela disse acordando.
'Chegamos princesa!'
'Já?' Ela disse alongando-se.
Olhou para fora e viu Kero correr livremente pra lá e pra cá como se nunca tivesse visto tanto espaço na vida. A brisa era refrescante, no entanto, fazia frio, o que fez com que Sakura se abraçasse tentando espantar o que sentia.
Yukito que estava cavalgando em um cavalo branco, desceu do animal e foi em direção da carruagem da princesa para que lhe ajudasse a descer. No entanto, parou quando viu Shaoran igualmente caminhando em direção desta. Esperou para que o próprio príncipe o fizesse.
'Venha! Está frio.' Ele a abraçou levando-a para dentro do quarto aonde iriam se hospedar.
Tomoyo olhou para os empregados que estavam correndo pra lá e pra cá porque não esperavam o casal. Uma senhora que conhecia um pouco da língua japonesa se aproximou da aia dizendo:
'A senhorita é a aia da princesa?'
'Sim!' Tomoyo disse curvando o tronco delicadamente para frente.
'Venha comigo!' Vou mostrar onde são seus aposentos. Tomoyo seguiu a senhora. Kero observou Tomoyo seguindo a senhora enquanto Sakura seguia nos braços de Shaoran para seu quarto e tinha que resolver com quem iria. Finalmente, foi atrás de Sakura, mas ela parou e disse para o animal bem baixinho para que só ele ouvisse: 'Vá com Tomoyo, que amanhã nós daremos uma volta por aqui.'
Kero imediatamente seguiu Tomoyo, mas não deixou de olhar para Shaoran com olhos fuziladores. Shaoran não viu, mas Sakura não pode deixar de perceber o olhar do animal para o marido. Ela teria que resolver essa situação ou estaria em apuros.
O quarto que a senhora lhe ofereceu era ao lado dos aposentos do príncipe e da princesa. Os empregados começaram a providenciar tudo rapidamente. Levaram as coisas de Sakura e Shaoran para o cômodo dos príncipes, as de Tomoyo e de Kero para o quarto ao lado e Yukito estava hospedado num quarto próximo de forma que tivesse uma visão geral dos quartos.
'Sakura, você pode tomar um banho se quiser para descansar. Eu terei de sair um pouco.' Ele disse passando a mão no frágil rosto de Sakura. 'Você deve estar cansada da viagem.'
'Sim! Um pouco cansada. Um banho seria rejuvenescedor!' Dizia não desviando o olhar do marido que lhe acariciava a face. "Assim vou acabar me apaixonando por ele!" Pensou.
Os dois se olhavam fixamente e Shaoran foi aproximando-se de Sakura cada vez mais. O olhar do príncipe passou furtivamente dos olhos verdes da moça para seus lábios rosados que estavam entreabertos. "São tão delicados e infantis, mas estão fazendo meu sangue ferver!" Ele pensava, não deixando de se aproximar cada vez mais dela que ficava, a cada passo dele em sua direção, mais nervosa.
"O que ele está fazendo?" Sakura pensava mas não tinha coragem de se afastar daquele homem tão alto e atraente, daqueles olhos castanhos penetrantes, daquele aroma tão forte. "Minhas pernas estão ficando bambas, meu coração está acelerado. O que está acontecendo comigo?" A princesa pensava atordoada por uma tempestade de emoções e sentimentos dentro de si.
Shaoran percebendo o estado da esposa, aproximou-se ainda mais a ponto de um sentir a respiração ofegante do outro. Sakura cedendo a ele fechou os olhos e nesse momento, Shaoran tocou levemente seus lábios aos dela, sentindo o doce sabor da esposa. Delicadamente ele deixou que ela se entregasse a ele e aos poucos aprofundou o beijo calorosamente. Sakura estava completamente entregue aquele homem por quem, um dia chorou, por não querer se casar. Agora estava se envolvendo numa incrível velocidade e ele igualmente se deixava envolver por aquele aroma delicado e doce.
Os braços fortes de Shaoran abraçavam a esposa e ela deixou que os seus envolvessem o pescoço do jovem marido sendo levada por seus impulsos.
Os dois e afastaram e assim que Sakura abriu os olhos Shaoran acariciou seu rosto novamente dizendo:
'Vou deixá-la se banhar.' Dizendo isso se virou saindo do aposento deixando uma Sakura perdida em seus mais singelos sonhos. Ela andou até a cama que havia no meio da enorme sala e deitou-se não tendo forças para levantar pois sentia as pernas trêmulas. Fechou os olhos e relembrou a magnificência daquele momento em todos os detalhes.
Perdida nesse sonho delirante, não viu quando Tomoyo entrou para lhe preparar o banho, pois o príncipe já havia lhe pedido isso assim que saiu. Sakura estava tão perdida que Tomoyo achou melhor não a incomodar preparando o banho sem demora.
Entrou em uma outra sala onde ela supôs ser o quarto de banhos. Lá acendeu uma lamparina e para sua surpresa viu que havia ali um lago de águas termais dentro do aposento. Ajoelhando e tocando a água sentiu o calor em sua pele e saiu para que Sakura viesse se lavar.
Andou o mais rápido possível e chegando perto da cama tocou sua princesa no braço para que esta acordasse daquele sonho. Sakura a olhou e sorriu.
'Venha, princesa.' A aia disse. 'Tens uma surpresa!'
Sakura levantou-se seguindo Tomoyo que lhe apresentou o lago de águas termais que lá existia. Sakura de bom grado concordou em se lavar pois ali parecia um lugar para o descanso dos deuses. Ficou meia hora imersa na banheira quente e resolveu sair pois começara a ficar sonolenta. Levantou-se e Tomoyo a ajudou a se secar e lhe vestiu um quimono branco com a barra bordado de flores vermelhas e grandes. As mangas eram compridas chegando quase ao chão. Tomoyo a penteou e colocou um perfume com cheiro de flores. Os cabelos de Sakura estavam cumpridos e soltos caindo-lhe às costas delicadas.
Calçou a sandália e andou com passos pequenos até o quarto. Chegando lá viu que seu marido já estava deitado à cama. Tomoyo imediatamente retirou-se sem dizer uma única palavra. Sakura aproximou-se da cama e deitou ao lado dele. Um pouco tímida e nervosa. No entanto, viu que o marido estava dormindo. Ela inclinou-se e beijou seus lábios deitando entre seus braços fortes, adormecendo juntamente com ele.
CONTINUA
