Capítulo 8 – It Was Time To Visit The Swan.
Na sexta-feira de manhã, Edward não participou do desjejum dos Swan, pois não quis arriscar outro encontro com Isabella. Precisava de tempo para reconstruir suas defesas.
Às dez horas, Sue informou-lhe que Charlie levara Isabella ao shopping.
— Ela ligará quando quiser que vá buscá-la.
— Certo, Sue. Se precisar de mim, estarei no apartamento.
Enquanto aguardava a chamada de Isabella, Edward telefonou para Charlie.
— Contou a sua filha que Black deve estar vindo para Houston?
— Não. Para isso, eu teria de revelar que a espiono há três anos.
— E se a polícia dissesse a Isabella que avistou Black a caminho de Houston?
— Boa idéia! Mas faça com que seu capitão ligue. Não quero correr o risco de que alguém revele sua identidade de policial.
— Pedirei ao capitão Morris que contate Isabella neste instante.
— Ótimo. Sue me falou que minha filha e você não jantarão conosco hoje.
— É verdade. Ela e Alice irão a um clube chamado Millennia. Isabella pediu-me para acompanhá-la.
— Excelente! Fique de olho nela. Faz semanas que Isabella não se expõe em público.
Isabella ligou para Edward por volta das duas. Quando a encontrou, ela carregava duas sacolas.
— Mais presentes de Natal?
— Não. Comprei um vestido novo para hoje à noite e outros itens necessários. A propósito, você precisa de uma roupa nova para a festa?
— Não.
— Ainda está de mau humor. Desse jeito, vai envelhecer antes da hora, Edward.
Atento às ruas, ele não se deu ao trabalho de argumentar. Ao chegar à mansão, parou diante da garagem e saiu, carregando as sacolas dela.
— A que horas irá precisar de mim?
— Às oito. Mas não terá de dirigir. Alice alugou uma das limusines de seu tio. — Isabella pegou as sacolas e beijou o rosto de Edward. — Até mais.
Edward subiu ao apartamento e telefonou para tio Marcus a fim de garantir que o motorista da limusine não o expusesse como policial.
Por volta das sete e quinze da noite, quando se preparava para entrar no chuveiro, escutou uma batida na porta. Era Isabella. Ela usava um vestido preto muitíssimo sensual.
— Pensei que fôssemos sair às oito. Está adiantada.
— Eu queria ver o que vai usar. Calça jeans não é adequada para a ocasião.
— Estava me barbeando. Pretendo pôr camisa e paletó.
— Que bom! — Isabella entrou e dirigiu-se ao quarto. Bufando, Edward fechou a porta.
— Olhe, preciso me arrumar para...
— ...nosso encontro?
— Não é um encontro.
— Finja que é. — Abriu o armário e achou o paletó. — É o que planeja vestir? Está ótimo. Quer que eu o ajude?
— Não, por favor. Estou indo a essa festa por obrigação.
— Será divertido. Estamos bem vestidos e haverá música lenta para dançarmos. Alice vai levar o namorado atual, e eu levarei você. Portanto, é um encontro de casais.
— Quero registrar um protesto. Isso não faz parte de meu trabalho.
— Tolinho... Charlie sempre inclui "obrigações extras" nos convites que prepara.
— Certo. Então, é uma obrigação profissional, não um encon tro. Saia, porque vou me trocar.
— Não sairei. Quero vê-lo se vestir.
— Isabella, estarei pronto em dez minutos.
Quando ela retornou à sala, Edward respirou fundo. Tivera de se conter para não agarrar Isabella e jogá-la na cama. Passou a mão na testa e sentiu o suor escorrer.
— Vou tomar um banho.
— Tudo bem. Se precisar de ajuda, basta pedir.
Edward entrou no banheiro e trancou a porta. Quando terminou, esquadrinhou o dormitório, com cautela.
— Isabella?
Não houve resposta.
Edward vestiu-se e, em seguida, vasculhou todo o apartamento. Ela não estava lá. Então, ligou para a casa principal. Sue atendeu.
— Isabella está aí?
— Sim. Veio buscar o casaco. Aguarda por você na sala.
— Certo. Estou indo.
Ao receber Edward na cozinha, Sue abriu um sorriso largo.
— Que elegante! Ainda bem que Isabella o escolheu para acom panhá-la.
— Não foi idéia minha.
— Não gosta dela?
— Gosto muito. Mas esse não é o problema
Sue pareceu entendê-lo.
— É o fato de ela ser casada que o perturba? Não se deixe abater por isso. Esse casamento foi uma farsa. Isabella, enfim, resolveu tratar do divórcio.
— Sim. Ela me contou.
—Mesmo? Que interessante... Ela também gosta de você, Edward. É a primeira vez que sai com alguém depois de três anos.
Nesse momento, Isabella chegou.
— Olá, Edward. A limusine veio nos apanhar.
Isabella deixou que ele a ajudasse com o casaco. Sentia-se ani mada e, ao mesmo tempo, em pânico. Talvez tivesse ido longe demais.
Assim que entraram no veículo, o namorado de Alice estendeu a mão.
— Boa noite. Sou Jasper Whitlock. Você deve ser Isabella.
— Isso mesmo.
— Edward Cullen. — Ele cumprimentou Jasper.
— Alice me falou do lugar aonde iremos. Parece divertido.
— O Millennia é um estabelecimento à moda antiga. Tem boa comida, piano-bar e pista de dança.
A limusine estacionou diante do clube, e os dois casais se apro ximaram da entrada.
— Vejam quanta gente! — Alice sorria.
— Mas nem todos poderão entrar. — Isabella ajeitou os cabelos.
— A maior parte da população de Houston, você quer dizer — Edward resmungou. — Não vejo nenhum de meus amigos aqui.
— Nem eu. — Jasper meneou a cabeça. — Mas verei em breve. Quase todo o time foi convidado.
— Jasper é jogador de futebol — Alice explicou, piscando. Isabella riu, nervosa. Não devia ter dito que aquele seria o pri meiro encontro. Ainda não se sentia preparada. Queria ir embora.
— Edward...
— Nossa! Vejam isso! — Jasper exclamou.
O Millennia era um velho teatro que fora todo restaurado. O saguão, que expressava a arquitetura do século anterior, possuía em seu centro uma fonte.
— Céus! Por que tinha de haver uma fonte?
— Qual é o problema, Isabella? — Jasper quis saber.
— Ela tende a mergulhar em fontes, querido. Espera-se isso de minha amiga.
— Não é verdade. Caí dentro de uma dessas apenas uma vez. E não foi minha culpa.
— Não? — Edward indagou.
— Não. Lauren Mellory me empurrou e pediu ao fotógrafo do jornal que registrasse o acontecimento. Vamos guardar nossos casacos, Alice — Isabella sugeriu, para encerrar o assunto.
Tão logo adentraram o recinto, a decoração transformou-se por completo. O espaço gigantesco era composto de ornamentos pretos e brancos e com detalhes em prata.
Os quatro escolheram uma mesa e se acomodaram.
— Olhem. O Houston Scoop está aqui.
— Onde, Alice? — Isabella esquadrinhou as mesas. A amiga apontou as de fundo.
— Lauren Mellory e seu fiel fotógrafo estão entrevistando os convidados.
— Droga!
— Isabella, preciso falar com você. — Edward indicava a jornalista do tablóide. — A respeito daquilo.
— Penso que devemos ir embora.
— Como é? — Alice protestou. — Acabamos de chegar!
— Eu não devia me expor em público às vésperas do Natal. Você sabe disso.
— Está pronta para ir, Isabella?
— Estou, Edward. Tenho um mau pressentimento sobre este lugar desde que vi aquela fonte.
— Como irão para casa? A limusine só voltará às duas da amanhã.
— Há um ponto de táxi do outro lado da rua, Jasper. — Edward levantou-se e ajudou Isabella a fazer o mesmo.
— Querida, veja quem veio à festa e com quem ele está con versando — Alice comentou.
— Oh, não! É James!
Ele conversava com Lauren Mellory e ambos a fitavam.
— Não quero talar com ele. James ainda não me perdoou por também ter perdido a carteira de motorista no ano passado.
Edward acompanhou Isabella até o saguão, onde várias pessoas se reuniam ao redor da fonte.
— Espere aqui. Vou buscar seu casaco.
Assim que Edward se afastou, alguém a abraçou pela cintura.
— Isabella querida! Está indo embora? Por quê?
— Olá, James. Como vai?
— Ainda estou de castigo. Não pode partir agora, meu bem. A noite ainda nem começou. Vamos dançar.
— Não, obrigada. Estamos de saída.
— Veio acompanhada?
— Sim. Até mais, James.
Isabella tentou se afastar, mas o rapaz não permitiu.
— Não nos víamos desde aquela famigerada corrida. Você me deve uma, amor.
— Não lhe devo nada. Solte-me, James.
— Não perca a esportiva, Isabella. Minha equipe está aqui, estão todos ansiosos para conhecer a mulher que me fez perder a licença para dirigir.
— Não foi minha culpa.
— Não? De quem foi a idéia de fazer aquele racha? — James apertou o braço dela.
— Minha. Mas você podia ter recusado. Largue-me, James. Não quero dançar.
— Tire as mãos dela, Ganghis — Edward ordenou.
— Eu o conheço?
— Não.
— Foi o que imaginei. Saia daqui. Isabella e eu somos velhos amigos.
— Ela está comigo. E estamos de saída.
— Ainda não. Temos de acertar uma dívida.
James abraçou Isabella e guiou-a em direção à fonte. Edward o deteve.
— Largue-a devagar, Ganghis.
James soltou-a e, rápido, agarrou o braço de Edward com as duas mãos.
— Briga! — Alguém gritou.
— Edward, deixe-o ir. James queria apenas me pagar uma bebida.
— Você quer uma bebida?
— Não.
— Muito bem. Ganghis, despeça-se de Isabella.
— Não. — James tornou a segurá-la e a empurrou até a fonte. Edward agarrou o outro braço de Isabella e puxou-a.
— Ei! Soltem-me! Vocês estão me machucando!
— Solte Isabella agora, Ganghis. — Edward pegou-o pelo colarinho.
— Quem você pensa que é? Quero ver Isabella dentro daquela fonte! — E deu risada.
Naquele momento. Isabella avistou Lauren e o fotógrafo de prontidão.
— Foi Lauren quem o induziu a fazer isso, não foi, James?
— Não sei do que está falando.
Impaciente, Edward esmurrou o queixo dele, derrubando-o no chão.
— Briga! — Tornaram a gritar na multidão.
Uma mulher empurrou Isabella, derrubando-a também. Enquanto isso, várias pessoas aglomeraram-se ao redor de Edward e James, que se atracavam.
Em meio à confusão generalizada, Isabella perdeu os sapatos e, após encontrá-los, conseguiu aproximar-se de Edward.
— Acho que está na hora de irmos.
— Tem razão. — Edward pegou-lhe a mão e a levou até a saída.
— Espere. — Isabella parou na calçada. — Meu casaco ficou lá dentro.
— Compre um novo.
Eles atravessaram a rua e entraram no táxi. Edward deu as coor denadas ao motorista.
— Meu Deus, você está sangrando!
Edward tirou o lenço do bolso e pressionou o corte na testa.
— É só um arranhão, Isabella. — Encostou a cabeça no banco e fechou os olhos.
— Sinto-me péssima. Foi tudo minha culpa.
— Por quê? Pelo que vi, Ganghis começou toda a confusão.
— Sim. Ele ainda está bravo comigo. James também perdeu a carteira de motorista.
— O sujeito não precisa de habilitação para pilotar nas corridas. Como profissional, o idiota deveria saber que não é permitido correr em rodovias. Ele queria atirá-la na fonte?
— Fora esse o plano. Estou quase certa de que foi Lauren Mellory quem lhe deu essa idéia.
— O fotógrafo tirou fotos?
— Creio que sim, vi muitos flashes. Talvez não tenham saído boas.
— Espero que não. Se publicarem uma foto minha metido numa briga de boate, perderei o emprego.
— Lamento muito.
— É aqui — Edward avisou ao motorista. — Pague, Isabella.
Quando Isabella saiu do carro, Edward já havia desaparecido. De cidida, subiu a escada que dava acesso ao apartamento.
— Edward, deixe-me entrar.
— O que é? — Edward apareceu, pressionando uma toalha no olho.
— Acho que devemos ir a um hospital.
— Não será necessário.
— Vou buscar uma bolsa de gelo.
— Isabella, deixe-me em paz.
— Está zangado comigo?
— Não, comigo mesmo. Eu não podia me meter numa briga.
— Só estava me defendendo, Edward.
— Sim, mas podia ter resolvido o problema sem socar James Ganghis.
— Por que partiu para cima dele?
— Não sei.
— Por acaso estava com ciúme? — Isabella sentiu o coração disparar.
Edward fitou-a com apenas um olho.
— Boa noite. Até amanhã. — Dito isso, ele fechou a porta.
No sábado pela manhã, Isabella vestiu-se em tempo recorde e desceu. Queria ver Edward o quanto antes a fim de saber se ele estava bem.
Quando entrou na cozinha, Charlie entregou-lhe o jornal.
— Você está na primeira página.
A foto do Houston Scoop mostrava James puxando-a por um braço, e Edward, de costas para a câmera, puxava-a pelo outro.
— Não tive nada a ver com isso, papai. A propósito, de onde veio este exemplar? Eu não sabia que éramos assinantes do Scoop.
— Estava na porta de casa hoje de manhã. Uma cortesia, sem dúvida alguma. — Charlie pegou o Chronicle.
— Nunca gostei desse tal de James — Sue confessou, olhando a fotografia. — É Edward quem segura seu outro braço?
— Ele mesmo. E ainda se feriu ao me salvar de James. O cretino queria me jogar na fonte.
— Havia uma fonte no clube?
— Sim, papai, na entrada. Lauren Mellory estava na festa com um fotógrafo. Foi ela quem induziu James a me jogar na água. Edward o impediu.
— Podemos processar essa jornalista.
— Não será fácil, Charlie. — Sue meneou a cabeça. — Ela pode alegar liberdade de imprensa. Edward se machucou?
— Um olho estava sangrando. Mas não quis ir ao pronto-socorro, tampouco me deixou cuidar dele.
— Parece alguém que conhecemos bem — Sue disse.
— A pele ao redor dos olhos é fina — Charlie explicou. Nesse momento, Edward entrou na cozinha, com o olho esquerdo inchado.
— Bom dia.
— Você está horrível. — Isabella levantou-se.
— Obrigado por cuidar de minha filha, Cullen.
— Devia ter colocado um bife aí, meu rapaz. — Sue arqueou uma sobrancelha.
— Onde ele encontraria um bife nesta casa? — Charlie fez uma careta. — Edward teria de se virar com um peito de frango ou filé de peixe.
— Está doendo?
— Não, Isabella. Só meu orgulho se feriu de verdade. — Edward espiou o jornal. — Somos nós na primeira página?
— Sim. Mas não conseguiram focar seu rosto.
— Que sorte! Não gostaria que minha família me visse numa situação assim.
— A matéria se refere a você como o homem misterioso de Isabella. — Charlie conteve o sorriso.
— Como o herói do dia, Edward, merece uma refeição mais caprichada para recuperar as forças.
— Herói coisa nenhuma! Ele acabou levando um soco do piloto de corrida.
— Foi por acidente — Isabella o defendeu. — James ficou em pior estado. Quer uma bolsa de gelo, Edward?
— Não, obrigado. Meu olho parece pior do que realmente está.
— O que pretende fazer hoje, filha?
— Eu queria ir as compras. Contudo, não creio que Edward deve dirigir nesse estado.
— Posso enxergar muito bem.
— Não, você precisa descansar — Sue decidiu. — Charlie pode levar Isabella aonde ela quiser. Também tenho compras de Natal para fazer.
— Descansar? O dia inteiro? — Edward parecia horrorizado.
— Vou ao escritório, Sue. Não tenho tempo para pajear minha filha.
— Hoje é sábado, Charlie.
— Eu sei. Preciso trabalhar. E Edward também. Consegue dirigir rapaz?
— Sem dúvida.
Pelo visto, Charlie queria que Edward vigiasse Isabella a qualquer custo.
— Repouse, Edward. Não tenho de ir a lugar nenhum hoje. Pode mos passar no shopping outro dia. — Isabella se levantou. — Vou embrulhar presentes.
— E eu, preparar uma torta de nozes e chocolate.
— Nesse caso, Sue, ficarei aqui para ajudá-la. — Isabella lhe sorriu.
—Talvez eu passe pela cozinha mais tarde, se não for incômodo - Edward sugeriu, tentado pelo doce.
Após passar o dia fazendo quitutes e mimando Edward, Isabella recolheu-se ao terceiro andar. Tinha acabado de sair do chuveiro, quando o telefone tocou. Correu para atender.
— Edward?
— Quem é Edward? Seu homem misterioso?
— Olá, Jacob. — Isabella estreitou os olhos. Se Jacob lera o lablóide local, isso significava que se encontrava nas proximidades de Houston. — Como vai? — Indagou, tentando ser civilizada.
— Não a acordei desta vez, certo? Quem é Edward?
— Você não me acordou, Jacob. E Edward é meu motorista. O i|ue quer?
— Tem um motorista que telefona para você tarde da noite? São quase dez horas, não?
— Está no fuso correto. O que deseja, afinal?
—Desculpe-me. Sei que tem o direito de estar zangada comigo.
—Tenho, sim. — Isabella ouviu um ruído na linha. Ficou imóvel a fim de escutar com mais atenção.
— Lamento por tê-la magoado. Mas tem de entender que foi inevitável, querida. Tive de deixá-la.
— Não estou mais brava com você. Já passou. — De súbito, ela identificou o som de ondas quebrando na areia.
— Graças a Deus. — Jacob suspirou. — Obrigado por me perdoar, Isabella.
"Perdão? De onde ele tirou essa idéia?"
— Por que telefonou, Jacob?
— Quero vê-la. Logo.
Sim, ela podia ouvir o som das ondas. Jacob devia estar no litoral.
— Ando muito ocupada por causa dos feriados de fim de ano. Minha agenda está repleta.
— Preciso de você, meu amor. Um fim de semana será o sufi ciente. Temos de falar de nosso futuro.
Isabella reprimiu uma gargalhada de escárnio.
— Devo ir aonde, Jacob? Onde você está?
— Diga que virá e eu lhe direi onde me encontrar.
— Adoro esse seu jeito impetuoso, querido. Mas, Jacob, não posso marcar nada agora. Dê-me seu telefone para eu voltar a ligar.
— Não. Estou com pressa. Ligarei em um ou dois dias.
E Jacob desligou em seguida.
Isabella começou a saltitar pelo quarto. Não precisava esperar outra ligação. Sabia onde ele estava.
Rápido, vestiu-se toda de preto e, pé ante pé, desceu até a porta da frente. Após desativar o alarme, saiu da mansão, dirigiu-se à garagem e subiu a escada lateral.
— O que faz aqui? E por que está vestida como um gatuno?
— Seu olho desinchou um pouco...
— O que você quer, Isabella?
— Consegue enxergar direito?
— Consigo.
— Ótimo. Vamos sair.
— Já passa das dez.
Isabella pretenderia ir atrás de Jacob?
Edward escutara toda conversa, e Black não informara seu paradeiro.
— Tenho de ir a um lugar agora. Se não me levar, irei sozinha.
— Não dirigirá sem habilitação. Aonde quer ir?
Talvez ela e Jacob possuíssem algum tipo de código.
— Eu lhe direi no caminho. Apresse-se.
— Certo. Eu me visto num minuto.
Isabella aguardou na sala, enquanto Edward vestia um suéter e cal çava os tênis.
Assim que entraram no automóvel, ela ordenou:
— Pegue a interestadual.
— Para onde vamos?
— Galveston.
— Por quê?
— Edward, vou lhe contar um segredo, mas tem de jurar não revelá-lo a Charlie.
— Juro.
— Jacob me telefonou hoje. Foi a segunda vez em menos de uma semana.
Edward engoliu o sorriso satisfeito ao ver quanto Isabella confiava nele e fingiu surpresa.
— O que ele queria?
— Marcar um encontro comigo.
— Onde está?
— Em Galveston.
— Seu marido lhe disse isso?
— Não. Descobri sozinha ao escutar alguns ruídos na linha. Primeiro, ouvi as ondas do mar. Jacob devia estar no deque. Em seguida, uma porta de vidro se abriu e se fechou, suprimindo o som do mar.
— Só isso? Há muitas praias no mundo. Ainda mais no Brasil, onde ele deve estar morando.
— Você não entendeu. O som da porta se abrindo e fechando era idêntico ao ruído que a porta de nossa casa de praia faz. Sue pediu para Charlie mandar consertar várias vezes, mas...
— Que casa de praia?
— A que temos na ilha de Galveston. É para lá que estamos indo.
Edward diminuiu a velocidade.
—Procure um telefone público. Precisamos ligar para a polícia.
— Não. Primeiro, quero saber se Jacob está mesmo lá.
— Ainda assim, acho que devemos chamar a polícia. — Edward cerrou os dentes. Por que não trouxera consigo o celular?
— De jeito nenhum. Agora, pise no acelerador!
— Tudo bem. Mas, quando chegarmos lá, você esperará no pier. Eu entrarei sozinho.
— Não mesmo. Jacob é problema meu.
— Mantê-la em segurança é meu trabalho. Se tiver de algemá-la, saiba que o farei.
— Você tem algemas?
— Não. — Edward teria trazido algemas, uma arma e o celular, sesoubesse que iriam caçar Black. — Se aquele bandido está lá, como conseguiu entrar?
— Jacob tem as chaves. Quando estávamos noivos, costumá vamos nos encontrar na casa de praia.
— Há um sistema de segurança?
— Sim, mas ele conhece o código.
— Vocês não costumam trocá-lo?
— Não. Charlie tem dificuldades para se lembrar dos códigos, que se baseiam na data de seu aniversário.
— Há alguma arma nessa casa?
— Não. Você não tem uma?
— Não.
— Que tipo de guarda-costas é você, afinal?
— Armas são perigosas.
— Também não sabe lutar caratê, certo? — Isabella parecia frustrada.
— Por que pergunta?
— Porque não usou nenhum golpe oriental para render James. Acho que deveríamos pedir ajuda, Edward.
— Boa idéia. Ligue para o serviço de emergência.
— Não chamarei a polícia. — Tirou o celular da bolsa. — Qual é o número do Departamento de Operações Internacionais? Você pode convocar dois agentes para nos ajudar.
— Esqueça. Estamos quase chegando. Conseguirei conter Black sozinho.
Assim que chegaram à ilha, Isabella o guiou até as proximidades do local.
— Pare aqui. A casa fica depois dessa curva. Edward desligou o motor.
— Passe-me as chaves.
— Eu irei junto, Edward. Sem mim, não conseguirá decifrar o código do alarme.
— Disparar o alarme pode ser uma boa estratégia. Dessa ma neira, a empresa de segurança chamará os policiais no mesmo instante.
— E Jacob fugirá assim que escutá-lo.
— É verdade. Mas prometa que ficará atrás de mim.
— Como está escuro... — Isabella comentou, ao começarem a caminhar.
— Há muitas nuvens no céu.
Quando Edward se aproximou da porta da frente, Isabella o deteve.
— Não podemos entrar por aí. Os quartos ficam todos nos fun dos. Se Jacob não tiver saído, deve estar dormindo. Não há luzes acesas.
Edward seguiu pela lateral. Destrancou a fechadura e entrou. Isabella digitou o código que desativava o alarme.
— Não enxergo nada — Ele comentou, a caminho da cozinha.
— Eu vou na frente. Sei me localizar aqui dentro.
— Não. Fique atrás de mim, Isabella. Diga-me para onde tenho de ir.
— Certo. Siga em frente e logo estaremos na entrada da sala.
Devagar, Edward deu alguns passos, mas, de súbito, esbarrou na beirada do balcão, derrubando um objeto que se espatifou no piso da cozinha.
— Droga!
— Desculpe-me, Edward. Esqueci-me desse balcão. Se Jacob está aqui, deve ter escutado o barulho.
— Fique quieta.
Depois de alguns instantes, Edward ouviu apenas o som da respi ração de ambos.
— Black tem o sono pesado?
— Não sei. Nunca passei uma noite inteira com ele. Acho que Jacob não está aqui.
— Verificarei os outros cômodos.
— Vou com você.
Na praia, Jacob observava as luzes se acendendo uma por uma. Pelas portas de vidro da suíte principal, avistou Isabella de relance. Havia um homem com ela.
Por isso, ela não pudera encontrá-lo naquela noite. Já tinha um compromisso.
Não devia ter ido à casa de praia, mas imaginara que o quadro tivesse sido relegado àquele lugar.
Ele já havia saído quando ouvira o motor de um carro. Então, voltara correndo e se escondera atrás das palmeiras, ao lado do ancoradouro. Agora, escondido nas sombras, observava Isabella e o companheiro percorrerem a residência.
Não encontrariam nenhuma pista de sua presença. Isabella não daria atenção à garrafa de conhaque na cozinha, pois devia ter outras intenções em mente. Além disso, ninguém sabia que ele voltara ao país.
Seguro de si, saiu da escuridão e começou a caminhar até o hotel, pela areia.
A viagem à casa de praia não fora em vão, concluiu. Descobrira que os códigos não tinham sido mudados e que sua mulher não lhe era mais fiel.
De repente, ocorreu-lhe que ela e o amante tinham estacionado o carro longe da residência. Por quê? No mínimo, Isabella e o na morado deviam estar se escondendo da imprensa.
Jacob deu de ombros e continuou a caminhar. Quando chegou ao hotel, começou a fazer as malas. Não podia permanecer mais que um dia no mesmo local para não levantar suspeitas.
Assim, pegou a lista telefônica e procurou um hotel nas proxi midades de River Oaks, em Houston.
Estava na hora de visitar os Swan.
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