Bom, demorei um pouco mais para soltar esse do q os outros, mas td bem, pelo menos ddeu tempo do pessoal ler os outros capítulos e dar uma respirada xD Mas acho q logo eu solto, td, o capítulo 11. Eu ia escrever o resgate da doll 2# nesse capítulo, mas acabei achando uma boa falar um pouco mais dos personagens e suas formas de ser. Mas vamos responder às reviews dos dois capítulos anteriores...

Nando-kun - E vc ainda diz q naum teve ataque de emice? o q é esse kiki chorão ai? Pow, qtas vezes vou ter de explicar q é outro universo? Até pq Atlanta naum é necessariamente a fúria, tem a amazona de SSE tb, poxa ¬¬ Bom, o Aiolia adorou a idéia de ser papai, mas naum vai querer ficar ouvindo chacota, então toma cuidado xD Qto ao nono capítulo, SIM, é Selena-chan. Poxa, eu usei ela por causa da personalidade dela, calharia mto bem c/ uma doll sofrida. Mas td o q eu quero é salvá-las! Agora... A Liz anda passando dos limites, heim? Isso se reflete bem no capítulo de hj... Ela tem q parar c/ essa mania, mas eu tenho cerez q td o q ela vai fazer depois de ler o capítulo 10 é espernear. Liz-chan tem q amadurecer... u.u

Stella-chan - Olha eu num sei se o Camus ficou vermelho de lisonjeio ou de vergonha de ser chamado de fofo. Essa naum é a característica q ele mais queira ter xD E coitado do meu aniki! Ele num merece ser estepe! Espero q o Lesath saia logo dessa fossa, viu, pq é barra ficar vendo ele sofrer a toa... Uhu, Atlanta e Aiolia e Suzu e Aiolos! Mas num conta isso tão abertamente, eles ainda num admitem, e podem acabar saindo na porrada uns com os outros por não conseguirem admitir o.o Agora... Liz-chan naum tah merecendo mtos momentos de glória como fazer carvão de panção, naum, viu... Ele tem mais é q aprender a ser humilde. Mas ela fica bravinha comigo qdo eu falo isso u.u Qto a arma do Camus, como eu disse na fic, ela tem mais ou menos o dobro do tamanho de uma pistola grande, ou seja, cabia na mochila do Camus e até debaixo do paletó ^^

Bom, voltando agora à fic, espero q gostem deste capítulo q é cheio de intriga! xD Agora vamos lah, boa leitura a todos e comentem, onegai! ^^v


CAPÍTULO 10:

A viagem através do Atlântico, ou o que sobrou dele, foi bastante conturbada, como dissera Adrian, eles não iriam querer atravessar aquilo duas vezes. As águas haviam secado muito, drenadas pelo solo podre e fétido daquele planeta decadente, as correntes de ar poluído corriam numa velocidade terrível, formando tufões e furacões, tempestades terríveis de chuva ácida e tóxica e de relâmpagos infindáveis. Não havia nada pior do que viajar daquela forma, nem nada mais perigoso. Como a nave era rápida, eles poderiam chegar em dois dias, como fora a viagem anterior, mas graças às tempestades, ele levariam uma semana. Havia muito tempo para ensinar muitas coisas às dolls que estavam com eles, mas principalmente, havia muito tempo para elas aprenderem o que fazer em situações de emergência, na prática. A rota fora perdida diversas vezes por causa dos fortes ventos, mas Aiolia sempre trazia sua nave de volta ao caminho correto, e Atlanta aprendia tudo isso muito rápido. As panes nos sistemas mecânicos e elétricos eram constantes por causa dos impactos dos ventos, do fato de terem de forçar muito os motores e das descargas elétricas que causavam muitos curtos circuitos. As meninas, Tifa e Kalina, já ajudavam, mesmo sendo tão novas. Elas se assustavam com freqüência por causa das tempestades e da nave desgovernada, das quedas de energia e turbulências, mas Aiolia as conseguia acalmar de forma quase mágica, chamando-as para ajudar e distraindo-as com o que adoravam fazer: mexer em mecanismos e fios.

Todos os outros ajudavam em tudo que podiam, Shaka e Suzu estavam sempre recuperando os computadores da nave e Mu não saía deles, junto com Andrey, pois tinham de manipular os programas perfeitamente para conseguirem o sinal da doll perdida. Nala estava, um dia, procurando por algum livro de ecologia nas prateleiras, quando uma nova turbulência atingiu a nave. Tudo ficou escuro, ela caiu por conta do desequilíbrio, ela ficou no escuro e sem conseguir se levantar facilmente. Tentou, deu alguns passos no escuro, esbarrou numa e outra prateleira, continuou andando, caiu outra vez, até que a energia voltou e a nave se estabilizou. Quando se levantou, olhou e volta e estava numa sessão onde nunca fora, os livros eram diferentes, nenhum deles parecia científico. A bíblia sagrada, o Alcorão, a Torá, o livro dos mortos de vários países, o livro de Enoch, o livro das bruxas, Sabbats, mitologia grega, mitologia, celta, mitologia nórdica, magia oriental, o evangélio segundo o espiritismo, a umbanda, Maggus, entre muitos outros livros de teor bastante estranho, mas que a atraiam de uma forma que ela não podia explicar. Dali adiante, passou a freqüentar aquela sessão, muitas vezes saía sozinha, se afastando dos outros, para ler os livros que encontrara, muitas vezes lia os livros de biologia e, logo depois, os de magia, encontrou em alguns dos seus livros científicos, muitas críticas ao misticismo, mas quando lia sobre este assunto, não conseguia deixar de sentir que aquilo poderia fazer sentido. Leu também sobre energia corporal pelos canais energéticos do corpo, coisas usadas em acupuntura e cura pelas mãos, chamada Reiki. Mas isso foi depois, afinal, uma semana de viagem não daria para tanto.

Acontece que os outros viajantes começaram a achar bastante estranho seus sumiços diários. Nala não era o tipo de pessoa que ficava como grupo o tempo todo, ela ainda não havia se soltado por completo, mas com certeza alguma coisa estava lhe atraindo bastante. E Hyoga resolveu segui-la para ver o que era.

- Nala? – ela se assustou, estava cercada de livros – Que sessão é essa?

- Não sei... Mas o livros falam de muitas coisas que não são do nosso mundo.

- Coisas sobre o espaço?

- Não. Coisas sobre outras dimensões, planos espirituais onde seres mágicos existem e lugares para onde nossos espíritos vão quando morremos.

Ele ficou um pouco parado, não sabia do que ela poderia estar falando, então sentou com a menina e começou a ler com ela. Aquelas coisas não eram científicas, não eram materiais, por isso não poderiam ser provadas por ciência nenhuma, aliás, nunca poderiam ser provadas, mas estava, ali, em centenas de livros, e tinham uma linha de raciocínio que não se podia ignorar. Falava sobre o mundo, sobre a natureza e seus espíritos e energia, sobre as crenças dos humanos, sobre os ciclos naturais. Aquilo era ainda mais fascinante que a janela panorâmica de seu laboratório. Ele não só podia imaginar aquelas coisas, era como se pudesse senti-las, como se elas ainda pudessem existir em algum lugar do universo, independente das atrocidades que os homens haviam feito com a Terra. Ele ficou vislumbrado, apesar de ser cientista e se importar com coisas materialmente comprováveis, aqueles mundos além de seu universo pareciam estar dentro de si desde sempre, e apenas agora os tinha percebido. Ele sentia necessidade de entendê-los. Nala lhe estendeu um dos livros, o qual tinha uma cruz muito bela desenhada na capa.

- Veja! É como a que usa em seu pescoço.

Ele tomou o livro, não podia acreditar, finalmente descobriria seu significado e a importância daquele símbolo para sua mãe. Ele leu avidamente, e chorou no final, era uma história triste e lhe dava remorsos, fechou o livro e com rancor pelos seus semelhantes disse apenas.

- Ele morreu por nada. Quis tirar nossos erros, acabou morto e a Terra também. Antes Deus tivesse deixado todos morrerem afogados no dilúvio.

Naquele dia ele não falou com mais ninguém, se trancou no quarto e ficou pensando no significado de tudo. Seria aquela história apenas uma simbologia? Ou aquilo teria mesmo acontecido. Talvez tivesse acontecido em partes, mas era realmente de um conteúdo importante, algo em que as pessoas deveriam ter restado atenção Quando leu o livro todo viu que não concordava com muitas coisas dele, mas sabia que havia sido escrito por pessoas, e sabia ainda mais o quanto pessoas podem errar, mas não podia ignorar que, ali, havia ensinamentos importantes. Ele se recuperou no dia seguinte e voltou a ler todos aqueles livros com Nala, os dois passavam horas lendo e discutindo o que liam, com o que concordavam ou não, e assim começaram a criar um pensamento próprio que unia todas aquelas antigas culturas. Começaram, também, a treinar algumas práticas e meditações.

Quando, finalmente, terminaram de atravessas as tormentas do oceano, o radar de busca começou a funcionar. Estavam na Europa e tinham menos de uma semana para encontrar a menina antes que as notícias chegassem a todos. A essas horas já deveria ter chegado ao governante de São Paulo, já que as ondas de comunicação não teriam de passar pelas turbulências do Atlântico, mas na Europa ainda demoraria um pouco mais. Ainda assim parecia ser muito temo para encontrar uma menina fugitiva no meio de um continente enorme. Afinal de contas, sendo tudo grudado, tinha de procurar na Europa, na Ásia, no Oriente Médio e até mesmo na África.

- Acho que ela não andaria tanto... – arriscou Fernando.

- Por que diz isso? – perguntou Andrey.

- Bom... Ela não poderia andar nem correr tanto, né?

Mu entrou com o lap top nas mãos.

- Encontrei o banco de notícias de Londres, seis meses atrás a Doll sumiu, ninguém a encontrou, mas sabem que ela roubou uma das motos, que tinha uma arma poderosa na garupa e que esta foi usada para destruir a saída da fortaleza, impedindo que a seguissem.

- É... Com uma moto ela pode ter ido bem longe... – disse Adrian.

- Mu me mostrou o modelo da moto em questão – começou Camus – Eu vi suas especificações, fiz os cálculos e cheguei à conclusão de que, se o tanque estivesse cheio, ela poderia ter andado pouco mais de mil e quinhentos quilômetros em linha reta para qualquer lado. Só nos resta descobrir para que lado ela foi. Ela pode ter feito curvas, se perdido ou não.

- Então traçamos um raio de dois mil quilômetros em volta de Londres, as áreas de tempestades do Atlântico são excluídas, pois ela não conseguiria entrar num lugar daqueles e se desviaria, e procuraremos em todos os locais. Os dois mil quilômetros são para ter menor nível de erro. Se ela saiu a pé para algum lugar, não acho que teria andado mais que isso em uma semana. – concluiu Andrey.

Todos acharam uma ótima decisão, e ela foi apresentada ao grupo inteiro naquela noite, na mesa do jantar. Agora as dolls poderiam comer, já que Fernando havia terminado suas modificações nelas. Agatha levantou a mão timidamente como se estivesse numa sala de aula e tivesse medo de ser chacoteada pela turma.

- Posso... Fazer uma pergunta...?

- Claro! – respondeu Milo de pronto, querendo animar a menina.

- É que... Eu vi vocês dizendo que a encontrariam por causa da energia e da eletricidade das células, mas foi Andrey que trouxe essa tecnologia e ele trabalhava na fortaleza. Quer dizer... Se ele pensou em fazer a busca assim, por que os outros das fortalezas também não estariam fazendo o mesmo?

- Essa é uma boa pergunta... – pensa Aiolos – Mas se os caras de Londres nunca a encontraram e já faz seis meses que ela fugiu, acho que eles não pensaram nessa possibilidade. Felizmente para a doll e para nós!

- Então acho melhor encontrarmos ela logo antes que eles resolvam pensar no caso. – sentencia Suzu, obtendo o apoio geral da mesa, mas principalmente de Aiolos.

- E daí vai ser o que? A gente vai ficar brincando de achar agulha no palheiro? – disse Liz meio contrariada.

- Não temos nenhum plano melhor, Liz. – respondeu Fernando.

- Pois deviam ter! A gente entra nessas fortalezas, pega as dolls e vai embora. Já pararam para pensar que os caras que as compraram e que o cara que tem a empresa que as faz são todos uns babacas que querem escravizá-las e violentá-las? Vamos saindo assim, deixando eles e todos os homens imbecis e mesquinhos das fortalezas impunes? Ainda por cima chegamos aqui e nem vamos passar perto de Londres? E o castigo que eles merecem?

- Eles... Já estão tendo um grande castigo, mesmo que não percebam. – disse Nala timidamente.

- Como é que é, menina? Você sabe as atrocidades que o cara que ia se dizer seu dono ia fazer com você?

- Sei... Mas eles estão vivendo presos em cúpulas de vidro, o mundo está morto e feio por culpa deles, eles insistem em sua maldade, mas estão sofrendo cada vez mais com isso. Vão sofrer aos poucos até que sejam arrebatados pelas doenças que não poderão conter. Eles não terão matéria prima para fazer comida e bebida que os nutra para sempre, muito menos tecnologia. Estão definhando aos poucos, mesmo sem saber.

- Esse é o problema! De que adianta definharem aos poucos se nunca sabem que estão sofrendo por serem uns babacas? Eles têm de aprender diretamente! Eles têm que ser punidos! Você é uma tonta por ficar com essas idealidades!

Nala suspirou, ressentida, levantou e foi limpar sua louça. Hyoga a olhou muito bravo pelo modo como estava falando, mas foi Milo quem tentou falar com ela.

- Escuta... As coisas não são bem assim. Sua impulsividade até que é engraçada e suas intenções são legais, mas não temos como fazer uma coisa dessas. Estamos aqui para libertar dolls antes que nos encontrem, e não para ficar castigando esses caras. Os exércitos deles são gigantescos e quando a notícia dos roubos se espalharem haverá uma bela crise, eles vão entrar em guerra e se matar. Isso não é bom castigo? Não temos que ficar nos intrometendo, ou acabaremos mortos!

- Só se formos uns fracotes como você, pelo jeito, é! Eu não sou! Eles têm que ter o que merecem.

- Liz, eles são milhares de homens! Somos meia dúzia! – tentou sentenciar Aiolos, mas ela estava irredutível.

- Que se dane! Vocês são uns bundões como todo mundo! Uns medrosos! Esses tarados nojentos têm que ser punidos, e se vocês não dão conta disso eu posso dar conta sozinha.

- Pelo amor, Liz – disse Suzu – Usa um pouco de massa cinzenta. Você não é o Rambo. Não existem Rambos.

- Ah, cala a boca. Você tá com inveja por que eu sou mais corajosa que todos vocês e por que sabe que sou muito mais foda que você.

- Pois mesmo que seja, pelo menos eu uso o meu cérebro!

- Parem as duas! – pediu Zashi – Você não pode se jogar para a morte só por que esta com raiva da maldade desses homens, Liz.

- E você não pode me impedir que eu faça o que acho que é certo.

- Fazer o que e certo sem usar o cérebro e se atirar para a morte é burrice. – tentou Shaka.

- Ah, vai te catar! Vocês são uns medrosos!

Fernando não agüentou mais, levantou da mesa e falou o mais sério que conseguia, olhando direto nos olhos de Liz.

- Chega, Liz! Eu não vou permitir que faça uma loucura dessas! Não vou deixar minha prima se matar só para provar que é melhor que todos nós. Isso aqui não é um filme de ação e aventura com um escolhido que possui poder de fazer tudo o que os outros não conseguem. Estamos trabalhando em equipe e você tem que respeitar a equipe. Afinal ela quer o bem de todos acima de tudo.

- Ah... Que bonitinho. Agora o priminho resolveu se importar. Quer saber? Vocês não querem o bem de todos. Querem me ofuscar! Tirar de mim a oportunidade de fazer uma coisa grandiosa, porque eu tenho capacidade para isso e, se fizesse, deixaria todos para trás. Vocês não querem perder para uma garota! São tão machistas quanto todo mundo no fim das contas! Eu odeio todos vocês!

Ela levantou da mesa e foi para o quarto, se trancando nele. Nala estava muito irritada com o comportamento da garota, e Hyoga tentava acalmá-la. Agatha estava um pouco acuada em sua cadeira.

- Me desculpem... Eu... Não devia ter feito aquela pergunta. Por causa dela aconteceu toda essa briga e...

- Não diga isso! – falou Milo – Não tem nada a ver com você. Liz é uma garota difícil mesmo, ela arrumaria essa briga com ou sem sua pergunta, afinal está louca para bater em todo mundo sozinha desde que resolvemos fazer esta missão.

- Eu não imaginava que ela fosse tão doida... – suspirou Aiolia.

- E ainda ficava defendendo ela... – disse Milo com olhar de desaprovação.

- Ah, não enche, seu mala sem alça. Você adora encontrar com o que me acusar, não é mesmo?

- Mas desta vez tem que admitir que estou bem certo.

Aiolia virou o olhar para outro lado, todos estavam bastante tensos naquele momento. Zashi tentou amenizar a situação.

- Oh, por favor, não fiquem tão bravos com ela. Liz tem um bom coração, ela só quer quer fazer o bem...

- Ela só sabe fazer o bem com agressão! – gritou Nala – Agredindo os amigos que estão preocupados com ela! Querendo se mostrar superior a todos nós e capaz de qualquer coisa como se fosse indestrutível! Se isso é querer fazer o bem, nem quero ver quando ela resolver querer fazer o mau!

Zashi ficou parada, as palavras lhe doeram em seu peito como se lhe tivessem esfaqueado e as lágrimas subiram rápido aos seus olhos. Ela correu para o seu quarto aos prantos e se fechou lá. Nala também largou suas coisas e foi para o seu quarto tentar se acalmar, Hyoga deu um suspiro, Suzu sabia o que ele sentia por ela, por isso foi seu primeiro alvo. Ela olhou no fundo de seus olhos com rancor e disse.

- Ótimo... Sua amiguinha começou toda essa coisa contra Liz, e acabou magoando ela. Agora magoou a Zashi, que é um amor de pessoa. Isso vai ter volta...

Hyoga se zangou, tornou para ela o mesmo olhar e retaliou.

- Nala as magoou? Todos aqui viram a insensatez da sua irmã, todos tentaram alertá-la de que devia pensar direito, e ela só soube gritar e xingar todos como sempre faz. Ela quer tudo do jeito dela o tempo todo e vive se dizendo a melhor e mais forte até para você que a está defendendo. Como queria que Nala se sentisse depois do que ela disse? Agora Zashi vem querendo passar a mão na cabeça dela? Acha que isso vai melhorar a situação, que vai fazer Liz pensar melhor na forma de agir e falar com as pessoas? Não, só vai fazer com que ela continue achando que tem o direito de agir assim, afinal esse é o jeito dela e ela só quer fazer o bem, como Zashi disse. Só que Liz está errada e você sabe. Então não venha ameaçar Nala de que vai ter retorno que isso eu não vou admitir! E se Zashi se sentiu tão ofendida, eu sinto muito, mas acho que ela tem que aprender a não defender tanto a Liz. Vou falar com Nala. Ela vai entender que não devia ter descontado sua raiva na Zashi.

Ele saiu em direção ao quarto de Nala, Suzu ficou um pouco quieta olhou para Aiolos e viu que ele estava um pouco contrariado.

- Eu admito que estou um pouco ressentido por ele falar assim com você... Mas ele tem sua razão. – ele disse.

Ela resolveu ir ara o seu quarto meditar um pouco, Mu se levantou para falar com Zashi e Adrian foi encontrar Liz. Mu Bateu na porta do quarto da menina.

- Por favor, não quero ver ninguém!

- Zashi... Sou eu, Mu, por favor, fale comigo. Estou preocupado.

Ela acabou sentindo um pequeno aperto no peito quando escutou sua voz. Resolve abrir. Ele se sentou ao seu lado, na cama.

- Não fique assim, Zashi... Nala não fez por mau. Liz foi muito bruta e a chateou demais.

- Ela não precisava gritar... Eu só queria ajudar. Todos ficam gritando com a Liz, ninguém a entende! Ela não é tão má e mesquinha como dizem.

- Ah, nós sabemos que não. Mas o problema é a forma como ela age. Mesmo que tenha boas intenções, ela diminui muito as pessoas e isso magoa a todos. Ela não percebe, mas ela feriu muito a todos nós. Ela e sente ferida por nossas tentativas de explicar a ela que não deve ser tão impulsiva, mas não percebe o quanto nos machuca.

- Eu sei que ela não devia xingar tanto, mas...

- Ela não só xinga, mas diminui a todos. Devo admitir que é um tanto humilhante, mesmo que não tenha sido diretamente para mim em nenhum momento.

- Mas ela não faz isso por mau! Por que os outros não entendem que é só o jeito dela mostrar o quanto gosta de todos e se preocupa com as pessoas?

- Ter boas intenções e se preocupar não são suficientes. As pessoas têm de ser tratadas bem para se sentirem bem e queridas. Ela nunca vai conseguir que a entendam enquanto continuar querendo impor sua forma de ser e suas opiniões como se as dos outros fossem imbecis.

- Eu entendo, mas... Ela é minha irmã... Eu não queria que ficassem bravos com ela como ficaram, ainda mais a Nala. Ela ficou muito irritada.

- Sabe, às vezes ficar bravo com alguém é importante para que ela reflita sobre seus erros e resolva tentar mudar. Você ficar querendo amenizar a situação e dando razões para o jeito dela apenas a torna mais certa de que ela está certa em fazer o que faz. Ela vai continuar ferindo e magoando as pessoas de quem gosta sempre por que você lhe dá apoio, mesmo que sem saber. Não pode passar a mão na cabeça dela para sempre, ou ela acabará sozinha, ou morta. Afinal, e resolver mesmo fazer alguma coisa como sair querendo se vingar desses homens, sozinha...

- Oh, nem quero pensar!

- Então... Agora, quanto a Nala. Ela errou em descontar em você, estava muito irritada com o que Liz disse o tempo todo e ver você defendendo tudo aquilo a deixou ainda mais irritada. Mas Hyoga foi falar com ela. Tenho certeza que ela percebera seu erro e pedirá desculpas. Vamos, vocês duas têm se dado bem nesta semana. Não podem deixar que isso destrua uma possível amizade.

Zashi balançou a cabeça afirmativamente, as lágrimas ainda escorriam em seu rosto, e Mu as secou com a ponta dos dedos e um doce sorriso nos lábios. A garota não soube o que a impulsionou, mas abraçou o rapaz e afundou o rosto em seu ombro. Ele aceitou e retribuiu seu abraço, com o coração batendo um tanto mais rápido que de costume, afagou os cabelos dourados da jovem e deixou que ela chorasse a vontade.

- Nala? Posso falar com você?

Hyoga estava à porta, não houve resposta verbal, mas a porta foi aberta. Nala voltou para a cama, onde se sentou, o garoto fechou a porta e sentou numa cadeira, diante dela. Ele pegou em suas mãos.

- Então, como está?

- Irritada... Por que a Zashi tem que defender tudo o que a Liz faz?

- Ah, porque ela é uma garota com um coração puro, e é irmão da Liz.

-Não justifica ficar querendo que ninguém se irrite com tanto insulto!

- Eu sei... Ela talvez tenha bondade em excesso. Mas Também... Bom, eu não acho que precisava gritar com ela... Ela... Não fez nada de ruim, não é mesmo?

- Mas ficou defendendo os insultos da irmã!

- Não foram os insultos, apenas disse que ela não fazia por mau.

- Não está certo, mesmo assim. Ele foi estúpida comigo e com todo mundo.

- Mas Zashi não foi.

- É... – ela baixou os olhos – Eu sei que não.

- Vamos... Vocês duas têm se dado tão bem. Pensávamos que poderiam ser ótimas amigas. Não deixe estragar por causa de uma discussão com a Liz. Zashi ficou muito triste por ter gritado com ela. Não precisava descontar sua raiva nela, não é?

- É... Não precisava. Mas eu estava tão irritada que... Fiz besteira... Eu sei que a Liz não é ruim, mas ela e irritante, é egoísta, quer ser sempre só ela a aparecer, quer er sempre a melhor em tudo. Por que isso? Somos uma equipe, ninguém precisa ser melhor que ninguém por que é juntos que conseguimos o que queremos!

- Exatamente, mas a Liz ainda não entende isso. Mas isso não pode destruir sua amizade com a Zashi.

- Eu sei... Mas a Liz também nunca vai entender isso enquanto a Zashi não parar de passar a mão na cabeça dela.

- Bom... Mu foi falar com ela. Quem sabe Zashi não perceba isso? Mas você também precisa fazer sua parte.

- Sei... Vou pedir desculpas para ela.

Hyoga sorriu. Nala era impulsiva, quase como Liz, mas não era tão agressiva, apesar dos gritos do dia. Mas diferente da ruiva, ela sabia que estava errada e sempre tentava consertar o que fizera. A menina olhou no fundo de seus olhos azuis, fazendo-o corar, e sorriu, aproximou-se de si e lhe deu um beijo no rosto. Hyoga não acreditava que aquilo tinha acontecido, se sentiu nas nuvens.

- Obrigada por sempre estar do meu lado e me aconselhar, Hyoga.

Ele não conseguiu dizer nada, ficou ali parado enquanto a garota saia na direção do quarto de Zashi. Nala pediu licença, a dona do quarto aceitou que entrasse, mas não conseguia olhá-la direito, Mu tinha acabado de sair, ela sabia o que Nala viera pedir, mas ainda assim continuava triste.

- Me desculpe, Zashi... Eu... Não devia ter descontado a raiva em você...

- Tudo bem... – ela sorriu, finalmente olhando para a amiga, Zashi tinha mesmo um bom coração, não guardava rancores – Eu sei que ficou triste com o que Liz disse aquela hora. Fiquei chateada, mas não quero perder sua amizade por uma briga.

- Nem eu. Eu fiquei mesmo triste, e sei que Liz não é má. Acho que ela deve mudar algumas coisas, para podermos conviver melhor, mas eu também não devia ter jogado tudo isso em você só por que estava tentando melhorar as coisas. Você tentou melhorar e eu acabei piorando.

- Bem, agora já foi. Você veio me pedir desculpas, e eu aceito.

- Que bom que você é tão boa, Zashi. Amigas?

- Amigas! – disse a outra com um sorriso.

Elas se abraçaram e choraram juntas.

No quarto de Liz, Adrian bateu na porta. Ela não foi tão amistosa quando a irmã ou Nala, gritou lá de dentro, sem querer saber quem era.

- Me deixa em paz!

- Por favor, Liz, vamos conversar um pouco.

- Não to a fim! Dá o fora daqui se não quiser que eu te chute pra longe.

- Oras, não fale assim. Todos estavam preocupados com você.

- Uma ova que estavam! Vai embora!

- Não vou. Vou ficar sentado aqui até me atender.

Liz viu a sombra do homem pelo vão de baixo da porta, ele se sentou. Ela ficou ali por horas, mas sempre que olhava, a sombra continuava ali. Já era hora de dormir quando ele chegara ali, mas quando já era de manhã, ele ainda estava ali, imóvel. Ela se irritou e abriu a porta, ele se levantou e ficou de frente com ela, que parecia irritada.

- O que você quer, afinal?

- Conversar com você.

- Ah, é? E o que quer conversar? Que eu estou errada, que eu tenho q obedecer todo mundo, que eu tenho q pensar no que fiz e pedir desculpas.

- Bom... Na verdade ninguém quer que você obedeça em nada. Apenas que entenda que o que quer fazer é inviável. Somos humanos, não bombas atômicas.

- Ah, você é igual a todo mundo.

- Liz... Você não precisa se preocupar com inveja de ninguém. Ninguém quer comparar capacidades de um com o outro, porque a capacidade individual não importa. No fim das contas, juntando a capacidade de todos temos muito mais que a capacidade de cada um, por maior que ela seja.

- Isso não faz o menor sentido.

- Por que você quer tanto ser a mais forte, Liz?

- Por que isso que é importante! Ser a mais forte para poder mostrar aos imbecis o que eles merecem.

- Sabe... Ser a mais forte vai apenas botar medo neles, mas não vai mostrar seus erros, eles vão apenas ter mais raiva, achando que estão brigando com eles por algo idiota. Eles não conseguem ver as mulheres com respeito, nem nunca conseguirão. A maldade não tem cura, Liz, nem pelo bem nem pelo mal. Só pelo tempo.

- Você diz como se soubesse muita coisa.

- E eu sei. Vivi lá a vida inteira, lembra? Eu fiz a doll 2# que estamos tentando recuperar e nunca disse que era contra tudo por que sabia que acabaria morto. Mas só eu sei o quanto tive pesadelos à noite com o que ela poderia estar sofrendo.

- Você foi um fraco como todos os outros.

- Não é questão disso, Liz. Falando desse jeito você fere a todos, não percebeu. Se ofende com o que lhe dizemos, mas nos ofende da mesma forma. Não temos escolhas sozinhos. Tentamos ser uma resistência, mas quase todos morreram, fomos obrigados a fingir que aceitávamos. Meu melhor amigo morreu protegendo sua esposa, minha amiga também, ela morreu doente, nós a escondemos da tara dos homens até o fim, mas depois não tivemos escolha.

- Eu lutaria até o fim! Mesmo que tivesse que morrer!

- E deixar Hyoga e Andrey sozinhos? Crianças para viver por conta própria, sem quem lhes ensinasse o que é bom e correto, deixá-los com aqueles homens que, ou os matariam por tentar defender os pensamentos de seus pais ou envenenariam suas mentes? Chega uma hora que temos de por na balança, Liz, mas na primeira oportunidade, peguei os dois e fugi. Essa oportunidade foram vocês e aqui estou. Não me considero um fraco, como você pensa. Mas a verdadeira força não está só na capacidade de vencer quantos homens seja necessário numa luta física.

- Eu não entendo nada do que você diz! Eles merecem m castigo digno.

- Estão tendo. Estão mortos em vida, devoram uns aos outros simbolicamente.

- Não é suficiente! Eles não percebem. Precisam de algo pior!

- Se recorre à crueldade, mesmo que pensando no bem das meninas, estará se tornando ao cruel quanto eles.

- Serei cruel com eles pelas crueldades que fizeram!

- Liz... Por favor, faça as pazes os o pessoal, que te quer bem, não os insulte mais e não perca seu coração, que é bom, para a maldade. Maldade paga com maldade nunca levará à verdadeira justiça.

Ele saiu, admirava a disposição e coragem daquela garota, mas temia que ela acabasse se deixando levar por algo ruim que envenenasse seu coração, ou de maldade ou de culpa. Não queria que ela se perdesse, ela era uma garota incrível. Liz, por sua vez, não entendia por que todos estavam contra si. Ela só queria para os maus o que eles mereciam, e todos estavam contra ela, protegendo aqueles homens, dando desculpas, fugindo da briga. Mas as palavras de Adrian a haviam deixado em dúvida, a tinham deixado curiosa. Ficou pensando no que ele dissera. Entre irritada e pensativa, ela passou a manhã inteira em seu quarto enquanto Adrian foi descansar um pouco.


Continua...