10ª Capítulo: A Antiga Sara

- Como está minha princesinha?

- Até que vai bem, para quem tem um pai, com o pé na cova!

Grissom riu. Catherine continuava engraçada.

- Vá rindo, Gil! Quero ver se quando Sara descobrir, o que você inventou agora, se você continuará rindo, Sr, Risonho!

- Você está enganada sobre Sara, ela vai compreender e seguir adiante, você vai ver!

-Pode ser, mas eu duvido! – Disse com cara de dúvida, Catherine, que sentara frente à mesa de Grissom. – Que mulher entenderá que o marido inventou que vai morrer pra ela não descobrir uma surpresa?

- Uma mulher como Sara...

- Não a Sara Sidle, que eu conheci! – Afirmou Catherine.

- Sim, a Sara Grissom que eu conheço! – Replicou Grissom, olhando amorosamente... para o ar.

- Ela contou aos gêmeos e não sei se a mais alguém, e seu filho telefonou e não encontrou um tal de Dr. Sheldon. Conhece?

- Sim, é meu médico. –Falou Grissom, suspendendo a sobrancelha.

Ele começava a se preocupar. Não era para os garotos saberem. Tudo estava se complicando. Ainda bem que só teria de aguentar mais um pouco. Amanhã todos estariam aqui na hora do almoço e ele poderia deixar de mentir a Sara. Não gostava de mentir para ela; ela era mais esperta que ele e descobria logo.

- Não estou gostando nada disso – disse Catherine. – Abra o jogo logo, Gil! Uma surpresa,não vale tudo isso!

- Ah, vale sim. E é só até amanhã,e depois eu sei o que estou fazendo! – Retrucou Grissom teimosamente.

Catherine suspirou forte. Não, ele não sabia o que estava fazendo; mas ela não falaria mais nada: ele já era bem grandinho para ser responsável por seus atos.

- Como eles deverão chegar em horários diferentes, se você quer fazer surpresa é melhor ela não estar aqui!

- Tem razão - observou Grissom. – É melhor chamar Emily aqui ela inventará alguma coisa...

"Se ela for como você, duvido muito!", pensou a loira que preferia contar com William para isso. Em todo caso, não daria mais palpites. Grissom levantou-se e foi verificar se Emily estava na sala.

Ela estava sim; havia voltado e sentado na poltrona de Grissom. Mas já não participava ativamente da conversa: estava tristinha, acabrunhada, deixando os dois homens, conversarem sobre esportes entre si. O pai entrou na sala e chamou-a. Ela pediu licença e seguiu-o, até o escritório.

Á noite, depois de verificar que seus hóspedes estavam acomodados, Sara foi ao seu quarto tirou o robe e se enfiou debaixo das cobertas. Estava bem cansada, pois o dia fora bastante atribulado. Apagou a luz do abajur e, apesar do cansaço, estava feliz por ver seus filhotes sob suas asas de novo. Gostara muito também, de rever a velha companheira e o capitão, mas parecia que eles só se reuniam, para lamentar a morte de alguém.

Foi então que sentiu sob as cobertas, uma mão tateando seu corpo. Sentou-se imediatamente na cama e acendeu o abajur:

- GILBERT ARTHUR GRISSOM! Que você pensa que está fazendo?

- O que você acha? – Perguntou como um menino que vai fazer uma peraltice.