Obrigada, Amanda Saitou.
Capítulo X - Reencontro
Harry desceu correndo as escadas e foi até onde Sirius e Severus estavam. Recebeu um olhar avaliador dos dois.
– Vejo que resolveu seguir nosso conselho a respeito da roupa. - A voz de Snape era carregada de ironia.
– Como se vocês tivessem me deixado escolha, escondendo todas as minhas coisas.
– Hoje você precisa estar impecável.– Sirius caminhou até ele, exibindo um olhar crítico. - Harry, e esse cabelo?
– Qual o problema com ele? Está como sempre.
- Isso. É exatamente esse o problema. Depois do corte que o Martin fez, como você conseguiu deixá-lo assim? - Sirius pegou uma bolsa que já estava ao lado deles.
- Ah, eu não fiz nada. Só penteei.
Severus e Sirius trocaram um olhar e o segundo continuou:
- Você precisa de nossa ajuda. Vem, deixa eu dar um jeito nele para você.
- Sir, por favor. – Harry tentou evitar o padrinho, mas foi impossível.
- Potter, você não vai tirar esse brinco? – Severus deu-lhe um olhar reprovador.
- Não, eu gostei dele. Combina com o outro.
- Que outro? - Sirius perguntou curioso.
Recebeu apenas um sorriso de Harry como resposta.
--------------X--------------
Draco estava sentado no bar da boate, olhando com desgosto para sua companhia. 'Será que os sócios do seu pai só tinham esses projetos mal acabados de trasgos como filhas?' Lucius praticamente o obrigara a levar Sophie – esse era o nome da coisa – àquela festa. A garota era recém chegada ao país e seu pai queria que ele – Draco – se empenhasse em diverti-la.
Se a mulher ao menos fosse apresentável, não teria problema nenhum quanto a isso. Mas ela estava longe dos padrões Malfoy de qualidade até mesmo nos requisitos mais básicos. Para piorar era uma chata que não largava dele. A chance de conseguir encontrar e sair com alguém interessante dali era menor que zero. 'O que me resta, então?', pensou, respondendo para ele mesmo. – 'Beber.'
Enquanto bebericava sua vodka, ignorou o papo infindável da coisa e observou ao redor. Seus olhos rapidamente localizaram uma concentração de ruivos. Tentou evitar a careta de desgosto. 'Os pobretões. Sem Potter. Só espero que não me vejam e precise ir falar com eles.'
Estavam todos ali: os gêmeos, Weasel, Granger, a caçula pervertida e o namorado patético – 'Qual era mesmo o nome dele? Ah, tanto faz.' – e Bill, o qual observou criticamente. Usava botas negras – provavelmente couro de dragão – uma calça azul escuro, camisa branca, tudo fabulosamente justo, revelando um corpo bem feito. 'Taí um Weasley que eu pegava.'
Draco vagou o olhar pelas coxas torneadas e o peito que a camisa marcava quando notou que o outro também o encarava. Deu um de seus sorrisos insinuantes e recebeu outro em retribuição, com um toque de malícia e diversão. Bill ergueu o copo que segurava em cumprimento. 'Talvez a noite não esteja totalmente perdida. Se conseguir levar a coisinha mais cedo para casa...'
Quando ia retribuir o cumprimento, notou que a atenção de Bill já não estava mais nele. Aborrecido, resolveu verificar o motivo. Parado a porta, estava um rapaz realmente atraente. Estreitou de leve os olhos tentando descobrir o que o desconhecido tinha de tão familiar, quando o viu sorrir. E, então, soube.
Potter havia chegado.
Sentiu a boca secar enquanto via ele caminhando, com segurança, em direção a corja que chamava de amigos. Agora, Draco estava próximo o suficiente para reparar em todos os detalhes na aparência de Potter: sapato e calça pretos, uma blusa de cor escura – provavelmente verde – o brinco de argola prateado, o cabelo no qual ele tinha aplicado algum tipo de gel para dar direção e estilo as mechas normalmente desgrenhadas. O efeito era simplesmente a perfeição. Ele exibia um sorriso arrasador. 'Está delicioso.'
Viu os amigos dele se levantarem e serem abraçados, a conversa rápida com cada um. Então, foi a vez de Bill. Sentiu que franzia a testa ao ver o olhar predador que o rapaz lançava ao moreno. Os dois pararam um em frente ao outro e o sorriso de Potter, que antes era alegre e amigável, modificou-se para um sensual e provocador. Não conseguiu desviar os olhos quando notou as mãos de Potter deslizarem como uma carícia pela cintura de Bill, que, por sua vez, envolveu o outro em seus braços. Os corpos se encaixaram perfeitamente e, então, aconteceu. 'Os dois estão se beijando.'
Quase quebrou o copo que segurava de tanta raiva. 'Quando era meu namorado, não permitia sequer que eu pegasse em sua mão em público. Agora, com esse tipinho fica se esfregando desse jeito?'
Quase estuporou a coisinha quando ela colocou a mão pegajosa em seu braço, perguntando se estava bem. 'Claro que não estava bem. Potter era meu. E beijava aquele pobretão sem graça há pelo menos 10 minutos.' Mas claro que não disse nada daquilo para ela. Talvez dissesse se, com isso, conseguisse que ela calasse a boca. Mas na dúvida, achou melhor dar uma desculpa de praxe.
Logo, ela voltou à ladainha sem fim e ele pôde se concentrar no casal a sua frente. Ver os cochichos, as mordidas, as mãos assanhadas de Bill que estavam perto demais do traseiro do seu namorado - 'ex- namorado.' Uma vozinha irritante em sua cabeça, que lembrava estranhamente a de Pansy, o lembrou.
Reparou o modo como Potter bebia do mesmo copo de Bill, as risadas. Ficaram bastante tempo conversando até que os amiguinhos dele se levantaram para dançar. Observou Potter de perfil e sentiu um frio no estômago quando ele passou a língua, umedecendo os lábios, antes de começar uma nova sessão de amassos com Bill.
'Bill uma ova. Desde quando tratava os rivais pelo primeiro nome?' Porque depois que aquele ser ousou encostar em algo que lhe pertencia, ele havia se tornado o inimigo. 'Seria Weasley ou, no máximo, ruivo sem graça.' A vozinha voltou a se pronunciar. 'Ora, mas não era você mesmo quem estava reparando nas qualidades do ruivinho há pouquíssimos minutos atrás?' Resolveu ignorar aquela voz.
Estava em sérias dúvidas entre lançar um estupefaça ou um cruciatus, quando Weasel voltou e interrompeu os dois. Seria até capaz de agradecer ao pobretão por isso.
Para sua surpresa, o ruivo sem graça levantou e saiu puxando Potter. 'Se forem em direção ao banheiro, vou atrás e acabo com a festa deles.' Mas o Weasley apenas o levou para a pista de dança. Deu um sorrisinho debochado. 'Não sabe que Potter não dança?'
Infelizmente, constatou que estava errado. Potter dançava e bem. 'Se é que aquilo pode ser chamado de dança.' O casal se movimentava sensualmente, muito próximo, cantando a música. Ocasionalmente, beijavam-se. O modo como se tocavam demonstrava familiaridade. 'Será que Potter tinha terminado o namoro por causa do Weasley? Será que os dois já estavam saindo antes que terminassem?' Independente da resposta, era evidente que não era primeira vez que eles ficavam juntos.
--------------X--------------
Yeah...
Uh huh
So seductive
Harry ria. – Bill, para onde está me levando?
– Eu adoraria carregá-lo para o banheiro mais próximo, mas estou apenas te levando para dançarmos um pouco.
– Sabe que não gosto de dançar.
– Não? Mas nós nos divertimos tanto na praia. Quem te visse lá, jamais diria isso.
– Mas lá nós estávamos...
– Sozinhos? E isso faz diferença? - Ante a resposta afirmativa do outro, Bill continuou. – Você se preocupa demais com o que os outros vão pensar. Tem de aproveitar mais sem se importar com a opinião alheia. Está com medo de parecer ridículo?
Biil se aproximou, quase se encostando no corpo do outro. – Você não foi, não é e jamais será ridículo, Harry.
Os dois se beijaram. Estavam parados no meio da pista de dança. Harry não pôde deixar de provocar Bill. – Talvez eu precise de mais algumas aulas.
Recebeu um sorriso sexy em retribuição.
– Com prazer. Vamos. Estão tocando a nossa música.
Harry prestou atenção na letra da música e começou a rir.
I'll break it down for you now, baby it's simple
If you be a nympho, I'll be a nympho
In the hotel or in the back of the rental
On the beach or in the park, it's whatever you into
I Got dat magic stick, I'm the love doctor
– Essa é a nossa música? Muito romântica e inocente. – Harry comentou, divertido.
– Se você quisesse romance e inocência, acho que teria pedido ajuda a outro. - Bill sorriu, começando a dançar.
Harry começou a se movimentar ao ritmo da música, ainda um pouco tenso, colocando os braços acima da cabeça. Bill, então, encostou o corpo no dele, segurando com uma das mãos as suas, encarando-o nos olhos e cantando a música para ele.
Harry entregou-se a dança, concentrando-se unicamente em seu parceiro. Bill, sempre o olhando, o beijava de leve, provocador ou cantava – com os lábios encostados em sua orelha – alguma parte da música que ele achasse mais interessante. Com a mão livre, o ruivo fazia carinhos ocasionais em suas costas ou peito.
I take you to the candy shop
I'll let you lick the lollypop...
Ficaram nesse jogo de provocação mútua durante um tempo, esquecendo-se das pessoas ao redor, apenas curtindo e aproveitando a noite.
what we do (what we do)
And where we do (and where we do)
The things we do (things we do)
Are just between me and you (oh yeah)
--------------X--------------
Depois de algum tempo, Weasley e Potter voltaram a se sentar. Como Sophie tinha ido ao banheiro, Draco resolveu que era hora de cumprimentar o novo casal.
Aproximou-se lentamente, esperando que parassem de se beijar antes que chegasse, mas parecia ser impossível que isso acontecesse tão cedo. Parou estrategicamente ao lado de Potter e recorrendo a toda sua boa educação, cumprimentou as outras pessoas da mesa.
Com exceção da Granger, todos demonstravam uma expressão, no mínimo, surpreendida. Trocou algumas amenidades e quando notou que Potter realmente não ia interromper o beijo, com toda a discrição, deu um empurrão nele.
O casal finalmente se separou e Potter se virou para o olhar. Seus olhos se encontraram e perdeu momentaneamente a fala. Os fabulosos olhos esmeraldas, sem aqueles óculos horríveis, eram ainda mais sedutores. O moreno tinha o rosto um pouco afogueado, os lábios vermelhos e inchados. Sentiu aquela sensação familiar no estômago.
– Malfoy. Que surpresa.
' Então havia voltado a ser Malfoy.'
-Potter, Weasley. Eu quem estou surpreso, Potter. Não sabia que você gostava deste tipo de lugar.
Observou o outro dar de ombros e notou também a mão possessiva do ruivinho que acariciava a coxa de Potter. Por um momento, seus olhos e do Weasley se encontraram e viu diversão nos dele. Trincou os dentes e voltou a se concentrar unicamente em Potter, quando este respondeu.
– Parece que há algumas coisas que não sabe sobre mim. Mas ir a determinados lugares depende e muito da companhia, não é? – Harry pareceu procurar alguma coisa, ante de indagar. - Está sozinho?
–Não. Eu estou acompanhado.
Viu quando os olhos de Potter se concentraram em um ponto a suas costas e o sorriso debochado que ele deu. Virou-se para ver o motivo e achou que seria capaz de matar aquela criatura quando a viu vindo em sua direção.
– Aquela é sua acompanhante?
O tom depreciativo de Potter não passou despercebido a Draco que teve de se acalmar para não acabar com aquela menina ali mesmo.
– Sim. Sophie é filha de um dos sócios de meu pai.
– Fascinante. Bem, os dois estão convidados para se sentarem conosco, se quiser. – O tom de Harry era indiferente.
Mesmo que não estivesse com a coisinha, jamais aceitaria o oferecimento. 'Imagina. Não iria passar a noite vendo esses dois praticamente se acasalando.' (1)
– Obrigado, mas não pretendo demorar muito tempo mais aqui.
Nesse momento, o Weasley resolveu participar da conversa.
– Nem nós.
Potter se virou para ele, dizendo: – Mas já vamos? Está tão cedo ainda.
O ruivinho deu um daqueles sorrisos que Draco classificaria como pervertido, aproximando –se para dar uma mordida na orelha de Potter e disse: – Concordo. A noite mal começou.
Quando os dois terminaram de se beijar, Draco se despediu e foi em direção a criatura que o acompanhava. Viu quando os dois se levantaram e saíram da boate.
Sem qualquer humor, pagou sua conta e foi embora também. Depois de deixar Sophie na casa dela, aparatou para seu apartamento o mais rápido possível. Sem acender as luzes, serviu-se de uma dose de bebida e se jogou na poltrona ao lado da janela. Ficou um tempo repassando os acontecimentos da noite, tentando filtrar os sentimentos de fúria que o assolavam toda vez que lembrava do casalzinho.
Depois de um tempo, o velho sorriso predador voltou a surgir em seu rosto. Seus dedos tocaram o papel – 'o maldito bilhete'- que carregava sempre no bolso com ele. Sabia exatamente como fazer Potter engolir cada uma daquelas palavras e acabar de vez com aquela obsessão que sentia.
Da primeira vez que tentara conquistar Potter, ele havia errado por tê-lo imaginado inocente. Mas já que não era assim, as coisas seriam bem mais fáceis. 'Ele vai ver do que um Malfoy é capaz.'
Comentários:
1 – Eu tive que comentar isso. Como se o Draco tivesse feito outra coisa, além de ficar observando Bill e Harry a noite inteira. ¬¬"
A música inocente e romântica é Candy Shop, 50 cent.
Obrigada pelas reviews: milanesa, Lilly W. Malfoy, Amy Lupin, Kirina Malfoy, Bela - chan, Dany Ceres, Hanna Snape, Drak Wolf 03, Hermione Seixas, Athena Sagara. No LJ – Magalud, Marck Evans, Pet, Nicolle Snape, Srta Mizuki, Paula Lírio.
Beijos a todos e uma excelente semana ! Espero que tenham gostado de reencontro deles.
