Capítulo 10: O Presente
O sol brilhava forte, o céu estava completamente limpo e os pássaros comemoravam a beleza daquele dia cantando pelos ares. A sereia se perguntava pela milésima vez o que diabos ela foi fazer na superfície, mas o objeto que ela apertava com força desnecessária na mão direita a lembrava: Sakura.
Ela bufou, arrependendo-se de ter cedido tão facilmente ao pedido da amiga. Não importavam as circunstâncias, ela não devia estar ali.
Tomoyo podia ver claramente, enquanto escondia-se na muralha de rochas, os dois feiticheiros conversando na pequena praia deserta. Ela arrepiou-se ao perceber que teria que se aproximar, caso quisesse completar a tarefa. Não, ela não queria, mas também não queria receber o olhar decepcionado que Sakura certamente lhe daria caso retornasse sem ter completado a missão.
Para ela era uma missão e tanto. Aproximar-se sem motivo aparente dos feiticeiros. Sentia o seu rosto esquentar sem saber por quê. Mas ela passara tanto tempo ponderando se deveria fazer aquilo ou não, que os olhos anis de Eriol acabaram encontrando os seus.
No mesmo instante ela afundou, assustada e completamente envergonhada.
- O que foi, Eriol? - Shaoran perguntou ao notar o olhar atento do amigo.
- Eu acho que elas estão aqui... - ele respondeu ainda procurando por algum sinal de Tomoyo.
Ele se levantou ao terminar de falar, caminhou até as pequenas ondas baterem em sua cintura e chamou por Tomoyo. Demorou um pouco, mas a sereia finalmente cedeu e emergiu lentamente, mais próxima da praia.
- Não há ninguém aqui além de nós – o inglês disse para confortá-la enquanto dava um dos seus sorrisos galantes, que fez Tomoyo ficar ainda mais vermelha.
Ela não entendia aquelas reações do seu corpo, mas também não tinha tempo para pensar sobre o assunto. Quanto mais rápido completasse a tarefa, mais rápido sairia dali.
- Shaoran... - ela praticamente sussurrou, mas foi alto o bastante para o chinês ouvir e se aproximar. Não muito, com medo de assustar a sereia. Eles já tinham percebido que ela estava sozinha.
- Alguma coisa aconteceu com Sakura? - ele perguntou preocupado, o que não passou despercebido pelos dois seres observadores. Tomoyo também não sabia o que pensar quanto a isso.
Como resposta, Tomoyo balançou a cabeça afirmativamente, prestando bem atenção às reações do chinês. Seu olhar ficou ainda mais apreensivo. Ela então suspirou e lhe estendeu o objeto em suas mãos fora da água, para que os feiticeiros pudessem ver.
Shaoran percebeu com curiosidade o que ela lhe dava. Sem movimentos bruscos, ele pegou o objeto das mãos de Tomoyo. Era uma concha de ostra, um tanto grande, por sinal. Nada muito anormal, mas parecia muito a cara de Sakura lhe dar um presente como aqueles. Será que havia um significado especial para o seu povo?
Tarefa cumprida, hora de voltar para casa. Era o que Tomoyo pensava antes de começar a submergir. Percebendo seu ato, Eriol rapidamente segurou pelo seu braço. A sereia não pôde evitar lembrar-se do dia em que eles se conheceram. Já devia ter aprendido que não seria tão fácil assim livrar-se deles.
- Por favor, não vá embora desse jeito – o inglês pediu gentil. Tomoyo o olhou estática, incomodada com a proximidade e com o próprio coração, que batia forte em seu peito.
- O que aconteceu com Sakura? - Shaoran perguntou, sem tentar esconder toda a sua preocupação, e deixando momentaneamente de lado a curiosidade sobre o presente.
Tomoyo o olhou desconfiada, cogitando se deveria ou não responder.
- Por favor... - ele pediu mais uma vez.
- Ela está sendo vigiada – respondeu enfim, após um longo suspiro. Ainda recebendo olhares interrogativos, prosseguiu – Graças ao atraso de vocês dois, noite passada – ela disse em tom acusador, que fez Shaoran corar culpado – o nosso Rei decidiu castigá-la. - Tomoyo quase riu do olhar assustado que Shaoran fez, mas ignorou os próprios sentimentos – Ela está sendo vigiada, o que quer dizer que ela não tem mais como fugir.
O chinês suspirou aliviado pelo castigo não ter sido nada grave. Mas ainda assim... quando ele poderia vê-la de novo? Só de pensar no tempo que isso poderia levar, ele já sentia seu peito se apertar.
- E... até quando ela vai ser vigiada? - ele perguntou temendo a resposta. Tomoyo apenas deu os ombros, indicando que não sabia.
- Talvez, se ela aprender a se comportar, o castigo acabe mais rápido.
Um instante de silêncio se seguiu. Shaoran não conseguia esconder sua tristeza. Só conseguia pensar na presença de Sakura e na falta que ela lhe faria... Quando se tornara tão dependente dela? Do seu sorriso? Da sua inocência? Do seu doce beijo...
Tomoyo observava confusa os sentimentos explícitos no olhar do chinês. Ela sentia em seu próprio peito o seu sofrimento. O que aquilo significava? Ela suspirou longamente para tomar coragem de fazer o que estava prestes a fazer...
- Você... - ela recebeu os olhares atentos dos feiticeiros – quer que eu dê algum recado para ela? - Tomoyo sentiu um pequeno sorriso se formar em seus lábios ao ver os olhos de Shaoran brilharem.
- Sim! Por favor... Diga que eu sinto falta dela... e que eu vou esperar, o tempo que precisar, para vê-la de novo. - Shaoran corou gradativamente ao dizer essas palavras, esperando receber o olhar reprovador de Eriol, mas o amigo apenas lhe sorria compreensivo.
Tomoyo assentiu antes de tentar submergir de novo, mas Eriol lhe impediu mais uma vez. E só então a sereia notou que seus braços ainda estavam envoltos pelas mãos quentes do inglês, mas de uma forma gentil, agradável. Novamente ela sentiu seu rosto esquentar, e novamente ignorou essa sensação. Ela o olhou um tanto irritada, queria ir logo embora dali.
- Volte – ele lhe pediu simplesmente.
Ela o olhou surpresa pelo pedido. Mesmo sabendo que Sakura não voltaria a vir, ele queria que ela voltasse?
- E-eu... eu vou pensar... - foi tudo o que ela conseguiu dizer, mas Eriol pareceu ficar satisfeito. Pelo menos não era uma negativa.
Lentamente ele lhe soltou e ela mais do que imediatamente sumiu nas águas.
- Ei, espera! - Shaoran lembrou-se de gritar, mas ela já não podia mais ouvir. Ele suspirou, olhando para a concha em suas mãos. Esquecera-se de perguntar sobre o presente.
- O que acha que significa? - Eriol perguntou, agora também analisando a concha.
- Não faço ideia – o outro respondeu, enquanto girava o objeto em mãos.
Foi quando ele pensou em abrir a concha. E lá dentro estava o verdadeiro presente. Bem no centro, uma pequena, linda e brilhante pérola. Não uma pérola comum. Ele podia sentir uma estranha energia vindo dela, uma presença muito parecida com a de Sakura. Mas apenas ao primeiro olhar já podiam perceber que não se tratava de uma pérola normal: sua cor era tão verde esmeralda quanto os olhos de Sakura.
Sakura rolava em sua cama enquanto suspirava. Estava angustiada, e suas atitudes estavam começando a tirar Kerberus do sério. Mas a verdade era que o golfinho encontrava-se entediado, já que passara todo aquele tempo trancado naquele quarto sem fazer nada.
Passara-se uma semana desde que recebera aquele castigo, e só neste dia convenceu Tomoyo a voltar para a superfície para encontrar com os feiticeiros. Ficara tão feliz com o recado enviado por Shaoran que desejava retribuir o mais rápido possível. Mas só conseguiu convencer Tomoyo quando lhe disse que as chances deles ainda esperarem por ela eram remotas.
Sakura riu com a lembrança da cara emburrada da amiga ao partir. O que mais desejava era ir com ela, mas a presença marcante de Yue, sempre à porta com aquele olhar severo, a fazia desistir da ideia. A sereia suspirou e rolou na cama mais uma vez.
Seus pensamentos vagaram para Shaoran. Como ele recebera a notícia? Tomoyo disse que eles ficaram decepcionados por saberem que não a veriam por um tempo indeterminado, mas Sakura sentia que a amiga estava lhe escondendo alguma coisa...
Um estrondo na porta fez Sakura levantar-se rapidamente. Sabia que não era Tomoyo, ela tinha acabado de sair. Assustou-se ao ver a imagem de Touya surgindo no quarto. O que ela havia feito de errado agora? Além de ter nascido, é claro...
- O Rei deseja vê-la. - ele disse com uma tranquilidade que Sakura não sabia ser existente nele. Ainda assim, aquelas palavras a pertubaram.
- Por que?
- Não interessa! Ele ordenou e você vai obedecer! - ele respondeu exaltado, voltando a agir como sempre.
A sereia começou a olhar nervosa pelos cantos, em busca de alguma ideia que a livrasse daquele encontro, mas foi inútil. No segundo seguinte seu braço fora agarrado com uma força desnecessário e assim Touya a arrastou até a sala do trono.
- Vocês dois também foram convocados – ele disse para os guardiões antes de sair do quarto.
Kerberus encarou Yue como se perguntasse o motivo daquela reunião. O sereiano apenas deu os ombros. Ele também não sabia, mas para ele não fazia diferença. Seu dever era apenas cumprir as ordens do seu soberano.
Mais um dia de verão na pequena Tomoeda significava mais um dia de praia. Os rapazes aproveitavam a visão as belas jovens de biquini, enquanto as mesmas apreciavam os olhares dos admiradores. Com Meilin não era diferente. Porém, o único olhar que ela almejava, sabia que jamais teria.
Ela estava sentada em sua canga, ao lado de Chiharu e Rika, enquanto os amigos jogavam vôlei na água. Elas falavam sobre garotos, é claro. Chiharu cutucava Rika querendo saber qual era a real natureza do seu relacionamento com Eriol, mas ela insistia em dizer que eles eram apenas amigos. Aquele costumava ser o tópico favorito da chinesa, mas não naquele dia.
Desde que descobrira os encontros de Shaoran com aquela estranha, ela passara a ignorá-lo. No entanto, a verdade é que ela estava desesperadamente sentindo a sua falta. Sentia saudades de poder agarrá-lo a qualquer hora, de conversar com ele, de ficar perto dele.
Todos os seus amigos perceberam aquele distanciamento, mas concluíram que era apenas mais uma briga que iria passar.
Quando a chinesa viera ao Japão, gritou aos quatro cantos do mundo que Shaoran era seu noivo. Ninguém acreditou que isso era realmente verdade, pois não conhecem a fundo o clã Li. Então simplesmente assumiram que eles eram namorados, embora o chinês nunca agisse como tal.
As horas passaram sem que a jovem percebesse, e logo os rapazes já estavam ao lado delas, jogando conversa fora. Foi só então que ela parou para olhar ao redor e não encontrou o seu amado. Seu olhar o buscou por toda a extensão da praia, até finalmente recaírem sobre as suas costas, que logo desapareceram na mata. Ele estava indo vê-la... Saber disso a deixou com uma angústia que ela não conhecia. Precisava tomar uma atitude, ou perderia Shaoran para sempre...
- Senhorita Mizuki! - a sereia chamava pela sua mestra de forma afobada, enquanto entrava no cômodo, ofegante.
Mizuki não se preocupou em olhar para Naoko. Já esperava pelo interrogatório da mais nova e sabia o que aquilo significava: o rei estava começando a agir.
- Senhorita Mizuki! - Naoko chamou mais uma vez, percebendo que não ganhara a atenção da sacerdotiza. - O que ele pretende?
- O que pretende uma mente perturbada, Naoko? - ela lhe devolveu a pergunta, com um sorriso sereno no rosto, finalmente encarando a pequena sereia.
- Paz... - ela respondeu depois de refletir um pouco.
Mizuki acenou afirmativamente.
- Mas Sakura... - ela começou a dizer depois de um tempo.
- Sakura – a mais velha a interrompeu – vai conseguir superar tudo isso. Não se preocupe, Naoko. No momento, tudo o que ela vai fazer é uma visita...
- Mas por que agora? - a jovem estava perturbada com o que o Rei estava prestes a fazer. Parecia ser uma coisa boa, a princípio, e era isso o que lhe preocupava.
- Você sabe porquê. O tempo está acabando.
Naoko sabia que a sereia não ia lhe explicar os planos do rei, então ela controlou-se para guardar suas perguntas na boca, mesmo que sua língua coçasse para fazê-las todas de uma vez. Decidiu então retornar a sala do trono e observar escondida. Era tudo o que podia fazer no momento...
Sakura entrou no aposento por conta própria desta vez. Sabia que não adiantaria resistir. Ela conseguira reunir mais coragem para este encontro, de forma que entrou de cabeça erguida e olhou diretamente nos olhos do seu, suposto, soberano.
Novamente aquelas sensações a atormentaram. Aquele olhar, tão negro quanto o mais profundo oceano, lhe causava um arrepio na espinha, ao mesmo tempo em que lhe atiçava a curiosidade. A presença daquele brilho indeterminado ainda estava lá, como se zombasse dela quando seus olhares se encontraram.
- Desejava me ver? - ela perguntou com a voz firme, ignorando mais uma vez o fato de que deveria curvar-se diante dele, como Touya fazia a sua frente.
O sereiano sentia uma vontade imensa de dar-lhe um murro a cada vez que ela demonstrava tamanho desrespeito, mas não possuía autorização para isso. Então controlava-se apertando fortemente os punhos e rangendo os dentes.
- Sim, pequena Sakura. - o Rei respondeu com uma tranquilidade que contradizia o seu olhar. - Decidi lhe dar um presente pelo seu bom comportamento esta semana.
- O que?! - ela e Touya perguntaram juntos, incrédulos, mas o segundo logo abaixou novamente a cabeça, percebendo sua inconveniência.
- Não entendo o porque da surpresa. Eu não sou nenhum monstro, sabe. - ele disse sorrindo. Mas não era um sorriso leve e sereno como aqueles dados pela sua mãe, ou pela Mizuki, ou por Shaoran. Aquele sorriso tinha alguma coisa sombria no canto dos lábios, deixando Sakura um tanto apreensiva.
- Se isto é verdade, então por que manteve a mim e a minha mãe presas por todo esse tempo? Por que nós não temos liberdade como todos os outros sereianos?
O Rei aumentou o seu sorriso diante a pergunta. Esperava por essa reação. Ele poderia lhe dar o mundo e Sakura ainda iria odiá-lo. Estava no sangue da família.
- Eu tenho os meus motivos – foi tudo o que ele disse – Não importa o que eu diga, não vai mudar o seu julgamento. Então, você aceita o meu presente?
- Dependendo do que seja... - ela respondeu hesitante, lançando-lhe um olhar desconfiado.
- Você tem a minha autorização para conhecer a cidade, acompanhada por Yue.
Sakura não evitou arregalar os olhos diante daquilo. Por que ele estava fazendo isso? Por que agora, depois de tantos anos?
Touya não tinha gostado nada desta história. Vários questionamentos surgiram em sua mente. Todos os motivos que o Rei lhe dera para odiar Sakura perdia o sentido diante daquele "presente". Quais eram os verdadeiros objetivos do seu soberano?
- Então, você aceita ou não? - o Rei cortou o silêncio que se instalara.
A sereia se pegou pensando em quantas vezes desejara conhecer a vila, ficar perto do seu povo, ser tratada como uma igual. Aquela era uma chance única, ela sabia. Ainda assim, ela não entendia o que aquele sereiano pretendia com tudo aquilo.
- Eu... aceito – disse por fim.
O Rei a olhou satisfeito, fazendo sinal para que ela se retirasse. Kerberus permaneceu imóvel, já que apenas o nome de Yue fora citado para acompanhar Sakura. Quando a sereia saiu do aposento, o golfinho lançou um olhar interrogativo para o Rei, que não demorou a lhe dar uma resposta.
- Você tem o dia livre, Kerberus.
Pela primeira vez em uma semana, o golfinho demonstrou satisfação. E então ele também se retirou.
Touya, no entanto, sentia-se perdido mentalmente. Permanecia curvado e cabisbaixo tentando entender o que estava se passando, o que estava sentindo...
- Touya – a voz do seu soberano cortou os seus pensamentos de forma fria.
O sereiano ergueu os olhos e então seu coração se acalmou. Todas as suas dúvidas foram sumindo de sua mente perturbada. Aquela angústia que machucava a cada batida de seu coração contra o seu peito sumira. Apenas uma coisa importava: sua lealdade.
Naoko observava com pesar o pequeno brlho no olhar de Touya se esvair, até seus olhos ficarem completamente vazios.
Tomoyo já estava esperando fazia algum tempo. Ela não sabia porque ainda estava ali. Deveria ter ido embora no momento em que percebera a praia vazia. Na verdade, nem deveria ter ido até lá. Podia ter dito a Sakura que não encontrara ninguém e fora embora. Mas mentir para a amiga não lhe agradava. Então, ali estava ela, esperando por dois feiticeiros que ela nem sabia se iriam aparecer.
Mas a verdade era que a sereia aprendera a apreciar a superfície. Ela gostava se sentir a leve brisa que brincava com seus cabelos longos. Ela gostava de ver o céu azul e de ouvir o canto das gaivotas. Ela gostava até dos pequenos peixes que nadavam na beira da praia, confundindo-se com a areia. Eles chegavam perto dela e lhe faziam cócegas, fazendo a sereia sentir-se uma boba por rir sozinha. Finalmente, ela apreciava estar ali.
Porém, o barulho que se fez na mata pertubou a sua tranquilidade, fazendo com que ela se afastasse rapidamente da praia, escondendo-se no mar, atrás das rochas. Botando um pouco a cabeça para fora, ela conseguiu reconhecer Shaoran, e ficou um pouco mais relaxada.
- Tomoyo! - ele a chamou antes mesmo da sereia ter tempo de pensar em se esconder. Sentira a presença dela no momento em que chegara.
- Shaoran... - ela o comprimentou com a sua frieza de sempre, ainda relutando em demonstrar o quão confortável realmente estava.
- Como está Sakura? - perguntou sem rodeios, mas a sereia já esperava por isso.
- Entediada. Insuportavelmente entediada.
O chinês riu com a resposta. Ele podia imaginar uma pessoa elétrica como Sakura tendo que ficar dentro de um quarto sem ter nada para fazer. Não que ele soubesse toda a verdade, mas as sereias haviam contado um pouco sobre sua "casa".
- Mas ela está bem – completou depois de um tempo – Está aceitando tudo melhor do que eu imaginava.
- Fico feliz em saber... - mas a verdade era que não estava nem um pouco feliz. O que queria realmente saber era se ela estava com tanta saudade dele quanto ele estava dela... Mas, claro, não faria essa pergunta em voz alta.
- E Eriol? - ela sentiu-se no dever de perguntar. Também não sabia mais o que dizer.
- Ele está bem – o feiticeiro respondeu depois de se recuperar da surpresa – Hoje ele preferiu ficar em casa, estudando.
- Estudando? - ela ainda iria se castigar pela sua curiosidade. Mordeu a língua assim que a palavra saiu. Shaoran não conseguiu evitar rir discretamente da reação dela.
E assim a conversa fluiu, mais facilmente do que ambos esperavam.
A sereia estava nadando sem pressa pelos corredores, tentando se recuperar da cena que vira ainda pouco. Ela pensava em Mizuki. Sabia como a sereia mais velha realmente se sentia com relação a Touya, embora ela nunca fosse admitir. Também sabia como aquele vazio no olhar de Touya a afetava. Porém, ela também não precisava contar a Mizuki o que vira, pois ela já sabia que isso aconteceria. Acontecia o tempo todo, na realidade.
O que ela realmente não entendia era porque a Mizuki era tão impassível. Por que ela não fazia nada? Por que ela não tentava devolver o brilho no olhar de Touya? Por que ela não lutava?
Naoko suspirou. Toda vez que botava para fora todas essas perguntas, a sereia apenas lhe dava um doce sorriso e dizia:
- Tudo tem seu tempo.
A paciência da sereia mais velha lhe irritava as vezes.
Ela olhou ao seu redor e viu-se sem ter o que fazer. Nos seus dias de folga, costumava visitar Sakura, mas a mesma não estava naquele momento, fato que também a incomodava. Tomoyo também parecia estar fora do castelo. E ela ainda não se sentia emocionalmente preparada para encontrar Mizuki de novo.
Suspirou mais uma vez, antes de voltar a nadar sem rumo.
No segundo seguinte, seu corpo fora atirado rudemente contra a parede. Ela demorou a abrir os olhos depois do susto e ainda sentindo a dor do impacto, e do seu corpo ainda sendo pressionado por um outro maior e mais forte.
Depois de alguns instantes ela conseguiu distinguir a figura de Touya. Do jeito que ele lhe olhava, ela sabia que ele estava fazendo um grande esforço para não lhe dar uma surra. Infelizmente, ela já presenciara seus ataques de fúria contra a Tomoyo.
- Onde ela está? - ele perguntou baixo e ameaçador.
Do que ele estava falando?
Ara minna!
Adianta pedir desculpas pela demora? É, achei que não... Mas eu tardo, mas não falho, nee! xD
Espero que tenham gostado desse cap. Inicialmente ele ia até mais pra frente, mas como eu estou tentando manter um padrão entre o tamanho dos capítulos, parei por aqui mesmo. Fica até mais fácil pra escrever o próximo xD
Aproveito aqui para desejar um ótimo ano para todos! Que vocês consigam alcançar suas metas =)
Beijos!
*Reviews, onegai? (^-^")*
Aviso: estou repostando este cap por motivos de continuidade. Estou escrevendo o próximo e percebi que ia dar problema, então fiz uma pequena modificação: a Tomoyo ainda não se despediu de Shaoran; o encontro deles continuará no próximo cap. Desculpa gente.
