Quebrando as Regras
Madam Spooky
Capítulo 10
Hiei estava andando pelos corredores vazios do colégio. Mais um estúpido fim de semana que ele passava na companhia de Kaitou – o que não era muito diferente de passar sozinho com as paredes – e sob a vigilância acirrada de Tiyu. O zelador aproveitava a ausência da maioria dos estudantes para prestar especial atenção nele, muito ansioso para pega-lo em flagrante tentando pular o muro ou aprontando alguma brincadeira de mau gosto. Daquela vez, porém, o baixinho estava disposto a se comportar. Tinha algo muito mais divertido que podia fazer ao invés de correr o risco de passar os próximos sábados e domingos pagando detenção: arreliar com aquela menina disfarçada na frente de Kurama.
Tinha sido uma sorte mesmo o garoto ruivo ter decidido permanecer no colégio ao invés de ir para casa como era seu plano. Tinha qualquer coisa a ver com o que ele estivera fazendo no pátio, no dia em que aparecera com Botan na biblioteca discutindo sobre amaciante. Provavelmente ouvira suas palavras mais cedo e telefonara para casa, cobrando uma resposta sobre sua estadia ali. Fosse lá o que a mãe tinha lhe dito, com certeza não fora o que ele esperara ouvir. Melhor. Assim ele teria momentos divertidos de alfinetadas sarcásticas a começar por aquela manhã.
De bom humor, Hiei caminhou até o auditório onde Kuwabara, Botan, Yusuke e Kurama esperavam por ele. O estúpido aspirante a namorado de sua irmã o tinha inscrito para a banda idiota que se apresentaria no show de talentos no final do ano. Seu primeiro impulso foi o de saltar no pescoço de Kuwabara e torce-lo até que ele ficasse azul e começasse a desfalecer, mas pensou melhor e acabou não fazendo absolutamente nada. Que oportunidade melhor para divertir-se as custas da prima de Yusuke que nos ensaios, quando todos estariam presos juntos em um espaço fechado?
Quando deu por si, já estava descendo a rampa entre as muitas cadeiras do grande espaço onde ocorriam os principais eventos da escola. Kurama estava na primeira fila, conversando animadamente com Botan, enquanto os outros dois discutiam qualquer coisa sobre guitarras que ele não tinha o menor interesse em escutar. Enquanto descia, sem pressa, seus olhos e ouvidos se concentraram na conversa do ruivo com a garota. Ambos falavam sobre detalhes de um trabalho que Yomi passara no dia anterior e era interessante como o garoto transformara-se completamente do introspectivo e emburrado Kurama daquela manhã para alguém relaxado e alegre. Seria no mínimo interessante quando ele descobrisse que seu tão prezado amigo Touya era na verdade uma menina chamada Botan. Não que isso fosse uma mudança ruim...
- Até que enfim o pouca sombra chegou – disse Yusuke, saltando do palco e lançando a Hiei um olhar debochado. – Se atrasou procurando uma escada para subir o batentinho do auditório, foi, meu filho?
Hiei sorriu, disfarçando a raiva com um cerrar de dentes. Atrás dele, Kurama e Botan levantaram-se e caminharam para o palco. A garota torceu o nariz como se quisesse falar com Yusuke em particular, no entanto, antes que ele pudesse responder, Kuwabara o puxou novamente para trás, perguntando a plenos pulmões qual parte do trabalhar em grupo ele não tinha entendido.
- Essa banda não vai ter um grande futuro – murmurou Botan.
- Não é como a sua banda, mas se a gente se esforçar talvez possamos pensar em ganhar alguma coisa – Kurama respondeu. – Eu duvido que os outros alunos tenham mais experiência do que nós.
Ele deu um de seus sorrisos raros e Hiei percebeu com diversão como Botan rapidamente desviou os olhos para o palco. Como o ruivo, passando tanto tempo com ela, podia não desconfiar de nada? Era como andar com um cavalo se passando por uma zebra quando a tinta das listras falsas ainda estava pingando pelo chão. Ele só tinha que olhar para baixo durante um segundo para perceber que havia algo errado, mas, por algum motivo, se recusava a fazer isso.
- A minha banda... – a garota repetiu. E Hiei a observou afastar-se rapidamente como sempre fazia quando tocavam naquele assunto. Afinal, qual era o problema com a tal banda? Era algum tipo de grupo estilo Spice Girls com letras sobre amor, romance e outras coisas melosas, cantadas sobre sapatos de plataforma? Ou talvez... Se não havia um Touya, haveria uma banda?
- Por que é que essa escadinha de colher morangos está sorrindo? – perguntou Yusuke. Olhou desconfiadamente para a prima antes de acrescentar irritadamente: – Andou vendo algo de que gostou?
- Eu só estava aqui pensando quando é que o Touya vai tocar um solo para que possamos ter uma demonstração do talento do astro da banda – Hiei respondeu. – Eu não quero fazer parte de um grupo fracassado. Preciso primeiro de garantias.
Ele alargou o sorriso, olhando para Botan que congelou onde estava. Kuwabara aproximou-se mais dela, encarando-o com uma expressão que ele não conseguiu definir. Colocou-se entre a prima de Yusuke e seu campo de visão, quase como se a estivesse protegendo. Seria possível que...
- Eu acho uma boa ideia – disse Shuuichi, aproximando-se. – Nós ainda não ouvimos o Touya tocar. Eu estou ficando ansioso para ver esse talento que o Yusuke tanto falou.
Kuwabara sorriu, concordando.
- Pois é, o Yusuke fala demais – Botan passou pelo primo, atingindo de propósito o ombro dele com o seu. – Eu volto daqui a pouco, preciso de um copo de água.
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Botan caminhou rapidamente para fora do auditório e começou a andar de um lado para o outro no corredor. Ela mataria Yusuke. E dessa vez não haveria nenhuma crise de consciência pela proteção que ele estava lhe oferecendo ali dentro para impedi-la. Seria possível que o garoto não tinha capacidade de explicar uma coisa tão absurdamente simples a Kuwabara, como o fato dela não saber tocar guitarra? De que ele estivera falando todo o tempo do verdadeiro Touya? Ela os deixava mais de duas horas sozinhos, para que pudessem falar... Como foi mesmo que Yusuke dissera? Ah, sim, "de homem para homem". Mais de duas horas! E quando voltara ao dormitório, eles estavam deitados no chão, vendo as modelos da revista de novelas de Hiei e fazendo comentário despudorados sobre os bustos delas.
- Botan?
A garota se virou e deu de cara com um Kuwabara olhando para os pés. Desde que descobrira que ela era na verdade uma garota, ele andava muito protetor. Algo sobre damas indefesas em uma piscina de tubarões precisarem de salva-vidas. Ele devia estar falando sobre os outros garotos, não se dando conta da maneira abobada que olhava para ela. Não estranharia se a qualquer momento o nariz dele começasse a sangrar. Melhor nem imaginar no que ele estaria pensando.
- Eu estou bem, Kuwabara, nenhum tubarão a vista – respondeu entediadamente. Pensou em acrescentar que um pouco de privacidade não lhe faria mal, mas o garoto parecia realmente preocupado, então desistiu. – Você está bem? – perguntou, parando de andar.
Kuwabara deu de ombros.
- Eu estava pensando sobre a banda. Você parece não querer fazer parte do grupo. Se é por medo que alguém descubra... O seu segredo, sabe? Não tem perigo, eu garanto. Se o Minamino ainda não descobriu depois de todo esse tempo em que vocês andam juntos, ninguém descobrirá.
Ninguém a não ser Hiei, Botan pensou. Refletindo sobre aquilo, era realmente um mistério que Shuuichi ainda não tivesse desconfiado de nada. Talvez a cabeça dele estivesse longe demais, no tal padrasto esquisito e na mãe... Era quase triste pensar que ele estivesse precisando tanto assim de um amigo. E assustador pensar em como ele se sentiria quando descobrisse – se descobrisse – que ela mentira o tempo todo para ele.
- Kuwabara... – Botan falou, pensando nas palavras. Tinha que falar de uma vez que não sabia tocar guitarra coisa nenhuma. – Lembra quando você descobriu sobre mim e desmaiou?
- Eu não desmaiei! – o colega de quarto ficou vermelho e deu um passo para trás, estendendo a mão em uma reação exagerada. Em seguida cruzou os braços, recuperando a compostura, embora olhasse de lado, emburrado. – Eu apenas fiquei um pouco chocado por estar dividindo o quarto com uma menina na última semana. Eu troquei de roupa na sua frente, sabia?
- Você preferia que eu fosse o namorado do Yusuke?
- Ele tem um? – Kuwabara encarou a garota.
- Oh, claro – Botan respondeu. – Você pode perguntar isso para ele e correr o risco de ser morto. Vá aproveitando que todo o veneno do meu primo está direcionado a pessoa do Hiei.
- Aquela coisinha tem mais veneno que todas as cobras da Floresta Amazônica juntas... – o garoto resmungou. – Mas nós estávamos falando do ensaio.
- Sim... Sobre isso... Yusuke não te falou mesmo nada sobre por que eu não estou sendo muito cooperativa?
Kuwabara pensou por um instante antes de balançar a cabeça com segurança.
- Não.
– Aquele imprestável...
- Mas você pode me dizer agora.
- Ai ai... Sabe o que é que é?
- Touya?
Botan e Kuwabara se viraram na direção da porta do auditório e deram com o rosto preocupado de Shuuichi.
- Tudo bem com você, Touya? – virou-se para Kuwabara. – Acho melhor você entrar lá agora mesmo. Yusuke e Hiei estão se encarando como se fossem se matar e não consegui afasta-los um do outro de jeito nenhum.
- Hunf! Depois eles reclamam quando eu insinuo alguma coisa.
Kuwabara andou para o auditório, resmungando que morreria de uma úlcera antes daquele show acontecer e a culpa seria do Urameshi e do baixinho. Botan o acompanhou com os olhos, desconsolada por ter perdido a oportunidade de falar sobre sua completa incapacidade de tocar guitarra. Se ele não a ajudasse, não sabia o que faria. Mas também havia a possibilidade dele surtar quando descobrisse. Afinal, parecia muito animado com a apresentação quando falaram com Itsuke no outro dia.
- Touya?
- Shuuichi... – a garota tentou sorrir, mas não conseguiu. Ainda não sabia o que fazer para escapar do ensaio daquele dia.
- Você sempre dá um jeito de escapar quando alguém pede para ouvi-lo tocar, não é mesmo? – o ruivo cruzou os braços pensativamente. – Se não tivesse sido Yusuke a dizer, eu pensaria que você não toca guitarra coisa nenhuma. – Balançou as mãos com descaso. – Mas por que ele faria uma coisa dessas?
- É...
Botan considerou por um momento dizer a Shuuichi o que a estava incomodando, mas no mesmo instante mudou de ideia. Se falasse teria que explicar o porquê da mentira de Yusuke e não tinha nenhuma desculpa suficientemente convincente. O garoto ruivo não era bobo. Se dissesse alguma coisa, ele cedo ou tarde ligaria os fatos e, mesmo que não descobrisse de imediato que ela era uma garota, descobriria que não era Touya.
- Não estou me sentindo bem – balbuciou. – Acho que tenho medo de palco ou coisa parecida.
- É possível... Mas veja pelo lado bom, o objeto do seu medo é bem menos assustador que o meu.
- E qual o seu medo? – Botan perguntou, sentindo-se fraca. Tinha que sair dali antes que Kuwabara voltasse e a arrastasse para o ensaio sem ao menos perguntar o que ela tinha para dizer. – Você vai ser o vocalista, não? Também tem medo de cantar em público? Ou está falando das galinhas?
– Não – o ruivo inclinou a cabeça sem graça. – Das calças de couro que o Itsuke tanto fala.
Botan gargalhou de repente. Cobriu a boca com a mão no instante em que ouviu o riso mais agudo que o normal chegar aos ouvidos. Era incrível como Shuuichi sempre dava um jeito de fazê-la se sentir melhor, fosse qual fosse a situação. E ele nem mesmo sabia a verdade sobre o que a estava incomodando. Pensou no outro dia, quando Yusuke perguntou se gostava do ruivo e sentiu o rosto esquentar. Estava chegando cada vez mais perto disso.
- Está melhor? – Shuuichi perguntou, apontando com a cabeça para o auditório.
Ela definitivamente estava, mas não queria voltar para o ensaio. Não com uma guitarra esperando por ela. Isso se Yusuke e Hiei não destruíssem o lugar com toda aquela fúria assassina que emanava deles sempre que se encontravam no mesmo espaço.
- Acho que vou até a cozinha – Botan respondeu. – Não deve haver ninguém por lá a essa hora e eu estou precisando de um chá...
Virou-se e começou a andar rapidamente pelo corredor na direção do refeitório. Talvez um chá fosse mesmo uma boa ideia. Enrolaria por lá até meados da hora do almoço e, quando voltasse a encontrar os outros, daria um jeito de afastar-se com Kuwabara e falar com ele sobre o problema que seria se insistisse com aquela conversa de "Touya, o astro do show". Já estava quase saindo de vista quando ouviu passos correndo atrás dela. Antes que pudesse olhar de quem se tratava, Shuuichi a alcançou, uma expressão sorridente no rosto.
- Kuwabara vai ter muito trabalho até convencer Hiei de que o pescoço de Yusuke não é feito de borracha para ele conseguir torcer. Acho que um chá não seria nada mal.
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Por que ele tinha que ser tão gentil com ela? Os garotos costumavam ser rudes uns com os outros, certo? Tudo bem que ela não esperava que Shuuichi tentasse torcer seu pescoço como Hiei ainda devia estar fazendo com Yusuke, mas atuando de maneira tão agradável ficava difícil ela acatar aquela já velha e muito repetida sugestão do primo de que deveria ficar longe dele se não quisesse ser descoberta.
- O que está fazendo? – Botan perguntou ao ruivo que estava virado para o fogão, fervendo água e separando algumas ervas.
- Chá.
- Eu posso fazer o meu próprio chá, você não precisa se incomodar.
- Eu insisto – ele olhou para ela com um sorriso tranquilizante antes de voltar a prestar atenção no que estava fazendo. – Minha mãe sempre diz que eu sou bom com ervas. Na verdade, com plantas em geral. Acho que nasci com o dedo verde.
- É mesmo? – Botan o encarou com certa fascinação. Só faltava mesmo ele dizer que tinha um jardim de peônias, suas flores favoritas. – Você vai me dizer que cultiva uma horta em casa?
- Um jardim.
- Jura? Você faz isso para sua mãe?
- Não... Eu sei que é um pouco raro garotos da minha idade terem esse tipo de hobbie, mas... – repetiu o movimento de olhar para ela, dessa vez com um dar de ombros. – É agradável. Pode até chamar de terapia.
Botan respirou fundo e apoiou o braço no balcão antes de perguntar:
- Você cultiva rosas?
- Peônias.
O braço da garota deslizou do balcão quase fazendo-a cair da cadeira. Endireitou-se com o coração descompassado, um pouco pelo susto da quase queda, muito mais por causa da resposta.
- São as minhas flores favoritas – Shuuichi sorriu e colocou as ervas que estivera separando dentro da água. – Casca de frutas silvestres, você gosta? Eu não tenho certeza do que vai dar, mas se separadas têm gosto bom, imagino que juntas não farão nenhum mal.
- Isso quer dizer que vou ser sua cobaia? – Botan sorriu, tentando fingir indignação.
- Pense que é pelo bem da ciência.
- Posso passar mal.
- Não temos aulas hoje.
- Então acho melhor deixar para tomar isso ai na segunda. Não, na terça! Temos aula de Ichigaki...
Shuuichi riu e olhou para a fumaça que saia da chaleira sobre o fogão. Havia qualquer coisa sobre Touya que estava começando a incomodá-lo. Algo que parecia estar bem na sua frente, mas ele não conseguia ver. Seria a aparência delicada do garoto? De qualquer maneira não ousaria falar a respeito. Ele mesmo odiava que o apontassem e comentassem que ele parecia uma menina. Felizmente, com o passar dos anos esse tipo de observação estava ficando cada vez mais rara.
- Touya, nós somos amigos, não é mesmo?
- Sim. – Botan respondeu.
- Não vai me dizer o que está te incomodando tanto? Eu pensei que, talvez – ele fez uma pausa, os olhos fixos na fumaça que desaparecia no ar pouco antes de chegar ao teto. – Talvez você sentisse falta da sua família, da sua banda, do mundo fora daqui.
Botan deu de ombros, com um sorriso pequeno. Shuuichi aparentemente estava procurando nela um pouco de identificação. Não era mentira que mal podia esperar para aquele semestre terminar e poder sair dali, mas tinha que admitir que adquirira boas lembranças. Divertira-se até, apesar da maioria das situações terem parecido o fim do mundo no momento em que estavam acontecendo.
- No que está pensando? – o ruivo perguntou.
- Eu sinto falta do mundo lá fora sim. De poder sair à hora que eu quiser e ir de bicicleta até a loja de conveniências da esquina ou de nadar todos os finais de tarde... Mas algumas coisas interessantes aconteceram por aqui e eu gostei de ter tido a oportunidade de fazer novos amigos.
Ela esperou que ele respondesse, mas para sua surpresa, o ruivo deu uma risada e perguntou:
- Sabe o que seria divertido?
Botan o fitou interrogativamente.
- Se nós combinássemos com o pessoal para nadar um dia desses. Acho que deve ter uma piscina por aqui em algum lugar. Em uma estrutura como essa...
A garota empalideceu. De onde Shuuichi tinha tirado aquela ideia? Nadar junto com os outros? Oh, claro, ela tinha que ter dito que sentia falta disso. Por que não cortava a maldita língua fora de uma vez por todas?
- Não há nenhuma piscina por aqui.
- Não? Você já andou por todo o colégio?
- Andar, eu não andei, mas se houvesse uma piscina nós já teríamos ouvido falar dela, não? – riu. – Além disso, o Yusuke é um péssimo nadador. Ele fica batendo os braços como um pato se afogando e acaba afundando de verdade... Depois vêm os pedidos de socorro, salvamento, uma loucura... Péssima ideia, não acha?
Botan tinha consciência do sorriso estúpido que se instalara em seu rosto, mas não conseguia se desfazer dele. Era rir ou começar a chorar pela própria burrice.
- Eu pensei que patos nadassem bem... – disse Shuuichi a olhando estranho. – Pelo menos eu nunca ouvi falar de um que tivesse se afogado.
- Ah, isso só prova que você precisa se ligar mais no Animal Planet.
- Eu vejo bastante esse canal. Assim que encontrar com os outros, vou mencionar a piscina. Talvez possamos nos dividir para procurar. Na verdade, Hiei deve saber sobre isso.
- Genkai não vai permitir uma farra dessas.
Shuuichi sorriu misteriosamente, aproximando o rosto de Botan, fazendo-a recuar.
- Ela não precisa saber.
Ele afastou-se e desligou o fogão, começando a procurar por xícaras no armário sobre a pia. A Botan, só restou continuar imóvel onde estava, se perguntando o que tinha passado pela sua cabeça para ao menos cogitar que sua estadia ali estava sendo divertida. E quem era aquele ruivo e o que ele tinha feito com seu doce Shuuichi Minamino? Genkai não precisava ficar sabendo? Isso era algo que Yusuke diria!
- Você quer açúcar? – Shuuichi perguntou. Quando não obteve resposta, virou-se e deu de cara com os olhos muito abertos de Botan o encarando. – Touya? Você não precisa ficar com essa cara de quem viu um fantasma. Yusuke não vai se afogar de verdade.
- Não, eu prefiro bem amargo... – Botan fez menção de sorrir, mas só conseguiu uma cômica expressão de choque. – Não estou me preocupando com o Yusuke, só acho perigoso nadar nessa época, com todo esse frio...
- Mas está fazendo trinta e oito graus...
- Negativos?
Shuuichi arqueou a sobrancelha. Terminou de distribuir o chá entre as duas xícaras e entregou uma a Botan, então voltou a sentar-se ao lado dela.
– Touya, primeiro sobre a banda, agora essa da natação. Estou começando a desconfiar das coisas que você diz. Por um acaso não sabe nadar?
Botan franziu o cenho e apertou os olhos ao sentir o líquido quente do chá lhe queimar os lábios. Olhou para o garoto ruivo indignadamente.
- Pois fique sabendo que eu venci o campeonato de natação do colégio três vezes consecutivas!
Shuuichi tomou um gole da própria xícara e sorriu.
- Então está decidido. Todos na piscina assim que possível – disse em um tom que não aceitava recusa.
Botan estremeceu. Linha cirurgica, era isso. Ela tinha que costurar definitivamente.
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- Botan, quer parar de agir como uma mulher histérica e falar logo o que aconteceu?
Yusuke gritou com a prima que estava sentada na cama, escovando os cabelos soltos com uma expressão de quem tinha sido condenada a forca. Ela vestia uma camiseta comprida que não lhe chegava aos joelhos e, apesar de estar usando shorts, na opinião dele não decentes o suficiente, Kuwabara não tirava os olhos de cima dela. Aquilo era ótimo. Como ele faria para desencorajar os olhares do garoto e acalmar a prima ao mesmo tempo? Talvez devesse jogar um balde de água fria em cima dos dois.
- Shuuichi e eu fomos tomar chá na cozinha e aconteceu uma coisa terrível!
- Ele te agarrou, eu sabia! – disse Kuwabara. – Aquele ruivo com aquela cara de tapado... Mas quando eu o encontrar vou ensiná-lo a não colocar as mãos em uma dama indefesa...
- Kuwabara... – Yusuke chamou em voz baixa. Em seguida gritou: – Ele não sabe que ela é uma mulher!
- Oh...
- Não foi nada disso – disse Botan. – E o Shuuichi não tem cara de tapado. Fala o gênio que dividiu o dormitório comigo uma semana e só notou que eu era uma garota porque aceitei contar!
Kuwabara corou e olhou para os pés com um sorriso amarelo.
- Eu abri a minha boca grande – a garota continuou – e falei dos campeonatos de natação dos quais participava... E agora ele quer que a gente descubra onde tem uma piscina nesse lugar e combine de nadar um dia.
Ela jogou-se para trás na cama e colocou o travesseiro sobre o rosto.
Yusuke riu.
- Era só isso? Eu aposto que nem há uma piscina nesse lugar. Isso aqui parece mais uma prisão. Por que iam investir nesse tipo de conforto? Para os alunos poderem dar uma escapada e nadarem sem roupa no meio da noite?
- Nem todos os alunos têm os seus maus hábitos – disse Botan, a voz soando abafada sob o travesseiro.
- Uh... – disse Kuwabara, chamando atenção dos outros. – Piscina? Sabe o que é que é... Nós temos uma piscina sim...
- O que? – Botan jogou o travesseiro para longe e ficou de joelhos na cama, gritando ao mesmo tempo em que Yusuke.
- Fica atrás do ginásio de esportes. Acho que eles ainda vão começar com as práticas daqui a um mês, o lugar está precisando de algumas reformas. – Deu um passo para trás antes de acrescentar: – A piscina, no entanto, está em ótimas condições.
Botan se deixou cair para o lado.
- O que eu vou fazer?
- Você pode ficar de mal do Minamino, assim ele não te convida – disse Kuwabara.
- Esqueça.
- Diga que estava contando vantagem e não sabe mesmo nadar – sugeriu o primo.
- Ficou maluco? O que ele vai pensar de mim?
- Você pode se esconder e não aparecer lá... – Yusuke ia dizendo, mas foi interrompido por Botan.
- Isso seria infantil da minha parte.
Ela fez um beicinho implorante, como fazia toda vez que queria que alguém resolvesse um problema por ela. Os dois garotos olharam um para o outro e balançaram a cabeça ao mesmo tempo.
- Você não devia ter dito a ele que sabia nadar – Yusuke resmungou. – Se não sabe manter essa boca fechada perto daquele ruivo sem graça, então é melhor ficar longe dele. Onde já se viu... Se o Touya descobre que você está dando em cima de um colega de classe usando o nome dele...
- Eu não estou dando em cima de ninguém! – Botan apanhou o travesseiro do chão e jogou no primo que deu um passo para o lado, deixando que Kuwabara fosse atingido em seu lugar. – Nós somos amigos. A-M-I-G-O-S!
- Eu tenho certeza disso – disse Yusuke. – O Minamino sabe que vocês são só amigos, mas e quanto a você?
- Eu acabei de dizer...
– Botan! – o garoto gritou. Kuwabara afastou-se e resolveu assisti-los de sua cama, onde estaria mais seguro. – Não é o que você diz, mas o que você faz. Se visse mesmo Shuuichi Minamino como um amigo e apenas isso não ia ficar aceitando convites para tomar chazinho na cozinha sozinha como ele.
- Está falando como se eu fosse alguma espécie de pervertida.
- Eu não quero nem saber o que você anda sonhando todas as noites para acordar de bom humor, sabendo que está se passando por garoto em colégio masculino.
Os olhos de Botan se abriram e sua boca formou um "O". Yusuke imediatamente arrependeu-se do que disse. Olhou para o lado, esperando um novo ataque com o travesseiro, decidido que merecia isso e dessa vez não sairia do caminho. Para sua surpresa, ouviu a porta do quarto bater. Virou-se rapidamente para a cama só para encontrá-la vazia.
- Ela...
- Acabou de sair – disse Kuwabara, timidamente. Era mais seguro não se intrometer nas brigas dos primos ou acabaria sobrando para ele também.
- Mas ela nem levou o boné – Yusuke falou abobalhadamente, apontando para o acessório depositado de qualquer jeito na mesinha de cabeceira ao lado da cama.
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Botan escorou-se na porta pelo lado de fora. Estava furiosa. Quem Yusuke pensava que era para falar como se entendesse os sentimentos dela em relação à Shuuichi? Não que houvesse sentimentos daquele tipo nessa equação. Eles eram só amigos. Que mal havia em se aproximar de alguém naquele lugar? Se ia ficar por um semestre inteiro, recusava-se a permanecer isolada, acompanhada apenas por Yusuke e Kuwabara que desde o dia anterior a seguiam como dois guarda-costas mal encarados.
Olhou para baixo, para o próprio corpo coberto pela camiseta e shorts que não serviam de nenhuma maneira como disfarce, e levou as mãos à cabeça. Os cabelos estavam soltos, tinha esquecido o boné. Girou rapidamente, olhando desesperada para todos os lados. Já era noite alta e os corredores estavam iluminados apenas pela metade das lâmpadas disponíveis. Se bem conhecia a rotina do lugar, a qualquer momento Tiyu passaria por ali, certificando-se de que nenhum estudante tinha ficado fora da classe, então às luzes se apagariam. Do jeito que estava vestida, se ele esbarrasse com ela estaria perdida. Olhou para a porta do quarto, pensando em voltar, mas desistiu. Ainda estava com raiva demais do primo e se ele a recebesse com seu famoso sorrisinho de deboche, a coisa entre eles ficaria bem mais feia do que já estava.
Onde poderia ficar até que as luzes se apagassem? Geralmente Yusuke tinha o sono pesado e dormia antes mesmo que isso acontecesse, a não ser que estivesse com algum problema. Brigar com ela não era algo que ele considerasse digno de fazê-lo perder o sono, então não tinha que se preocupar com contendas se encontrasse um bom esconderijo e voltasse depois. Caminhou rapidamente na direção dos vestiários. Por ali havia um quartinho onde os professores guardavam materiais especiais, como refletores e fitas de vídeo, que estava sempre aberto. Não demorou muito a encontrá-lo. Entrou sem perda de tempo, agachando-se por via das dúvidas atrás de um armário. Alguém que aparecesse para checar o lugar não poderia vê-la, além disso, tinha uma boa vista da iluminação que entrava pelas frestas da porta. Quando tudo escurecesse, estaria na hora de sair.
Por sorte, ninguém apareceu no quartinho. Ela pensou ter ouvido passos no corredor pouco antes das luzes se apagarem. Talvez tivesse sido Tiyu, talvez uma peça pregada por sua imaginação. De qualquer maneira, esperou cerca de dez minutos antes de ousar levantar-se e começar a tatear pelas paredes, com pausas para alguns esbarrões, até a porta.
O corredor estava completamente escuro, mais do que imaginara que estaria. Continuou tateando na direção do quarto, passando a mão pelas maçanetas e contando as portas, de maneira a não entrar no lugar errado. Faltava pouco para seu destino quando ela ouviu os passos de alguém se aproximando rapidamente, exatamente na direção dela.
Botan estancou onde estava, sentindo as pernas enfraquecerem e a testa começar a se cobrir de suor. E se fosse Tiyu? Podia colar-se a parede o máximo que podia e pedir silenciosamente que ele estivesse bêbado demais para notar sua presença. Por outro lado, se corresse agora talvez conseguisse chegar ao quarto onde estivera até instantes atrás antes que ele se aproximasse o suficiente para notá-la. Mas e se seus passos ecoassem pelo chão e chamassem a atenção do zelador? Se estivesse vestida como um garoto não haveria problema, poderia encontrar uma desculpa, mas assim como estava...
Os passos estavam chegando mais perto. Botan apressou-se em correr para o outro lado, mas atrapalhou-se com os próprios pés e acabou escorregando para trás. Esperou cair no chão, mas, nesse instante, a pessoa que se aproximava deu um passo mais rápido e a segurou. Ela apressou-se em se erguer, virando-se para encarar o desconhecido. Onde tinha visto aquela cena antes? Não importava. Agora a tinham descoberto e estava tudo perdido. Pensando bem, até que ficara por ali tempo demais. Em quantos colégios masculinos conseguiria se infiltrar sem que ninguém desconfiasse de nada, a exceção de um baixinho sádico e debochado?
- Você está bem? – o estranho perguntou.
Botan retesou-se. Conteve um grito de surpresa, mordendo o lábio com força. Era a voz de Shuuichi. Ele estava ali bem na sua frente quando ela não tinha nem mesmo o boné do Arquivo X de Yusuke. O que ia fazer? Se falasse, com toda certeza ele a reconheceria; se corresse, possivelmente iria atrás dela. Ali pelo menos não estava vendo seu rosto, mas se avançassem mais um pouco pelo corredor, o luar da janela no final do mesmo os alcançaria e seus traços ficariam visíveis.
- Quem é você?
O que ele fazia fora do quarto? Qual era o problema dos homens e sua mania de querer quebrar as regras? As luzes já tinham se apagado há vários minutos, o que significava o toque de recolher. Shuuichi não tinha nada que estar passeando ao invés de dormir.
- Você não deveria estar andando pelos corredores há essa hora – disse o ruivo.
A garota abriu a boca para protestar, uma vez que era exatamente o que ele estava fazendo, mas voltou a fechá-la. Nada de falar na frente dele. Aquele era um momento perfeito para ela aprender a conter sua boca grande.
Fez uma reverência, em agradecimento, esperando que Shuuichi assumisse que era um dos funcionários e não a seguisse quando passasse por ele, mas, quando deu um passo para se afastar, sentiu as mãos dele a segurarem pelos ombros e avançarem para os seus cabelos e rosto.
Botan ficou imóvel. O que ele pensava que estava fazendo? Os dedos dele passearam por sua face exatamente como uma pessoa privada da visão faria na tentativa de identificar os traços de alguém. Ela fechou os olhos, esquecendo-se de onde estava e apreciando o toque dele sobre sua pele, passando pela testa, nariz, até descansar no queixo ainda trêmulo pela iminência de ser descoberta.
Tão de repente quanto começou, ele levou as mãos para longe, afastando-se e forçando a vista em uma tentativa vã de reconhecê-la.
- Você é uma menina – disse levemente alterado pela descoberta. – O que está fazendo nesse colégio? Por acaso é filha de alguém que trabalha aqui?
Quando parecia que as coisas não podiam piorar... Aquele sim era um problemão. Se não dissesse algo depressa, Shuuichi continuaria fazendo perguntas e ela não podia continuar mais tempo ali, correndo o risco que os escutassem aparecessem e fossem pegos. Ponderou as possibilidades por um instante antes de se decidir. O que podia fazer era dar um jeito de distrair o garoto para que pudesse fugir. Se não podia falar, tinha que derruba-lo de alguma maneira.
- Qual o seu nome?
Shuuichi aproximou-se novamente. Sua voz soou macia e ele a tocou no ombro delicadamente. Talvez tivesse pensado que todas aquelas perguntas a tinham assustado. Não que não tivesse sido assim. Ela estava apavorada. Tinha imaginado muitas vezes como seria encontrar-se com o amigo sendo ela mesma, mas nenhuma possibilidade incluía corredores escuros e iminência de um desastre.
Botan tentou se afastar, mas o ruivo a seguiu. Deu um passo para trás e ele a acompanhou. Certamente estava sentindo o cheiro de alguma coisa errada ou não agiria daquela maneira. Frustrada, resolveu se arriscar de uma vez. Tomou impulso para trás e empurrou Shuuichi com força de encontro à parede. Enquanto ele estivesse confuso, aproveitaria para correr e voltar ao quartinho. Era sua única chance...
Mas Shuuichi não parecia exatamente cooperativo com uma pobre menina obrigada a passar seis meses irrecuperáveis de sua vida em um estúpido colégio idiota por culpa de um primo ainda mais idiota. Ele a segurou pelos braços enquanto caia e, ao mesmo tempo em que aterrissou contra a parede, ela esbarrou direto em cima dele.
Quando foi que um plano de fuga, que tinha tudo a ver com sair dali o mais rápido possível, tinha terminado com ela segura entre o abraço apertado de Shuuichi Minamino? A mãe dele nunca tinha dito que não devia agarrar garotas desconhecidas em corredores?
- Você vai me dizer o seu nome agora? – ele voltou a perguntar. A respiração bateu contra o rosto de Botan fazendo-a sentir ainda mais urgência em sair dali. – Desculpe, mas se você sair correndo pelo corredor como parece que pretendia fazer, vai acabar esbarrando em Tiyu e eu não estou com muita vontade de passar outros dois dias arrumando livros na biblioteca.
Por um instante os dois continuaram na mesma posição. Botan tinha o rosto virado para o lado e o sentia esbarrar contra o de Shuuichi ao mínimo movimento. Ela se virou para olhá-lo de frente, debatendo-se ligeiramente, mas ele continuou segurando-a.
- Eu quero que saiba que não fico agarrando garotas desconhecidas em corredores – disse ele, respirando com maior intensidade. – Mas você me empurrou. – ele riu. – Ou talvez eu apenas esteja tendo algum sonho estranho, qual a sua opinião?
Aquela situação era constrangedora. Lembrou-se da vez que um garoto um ano mais velho a levara para uma sala minúscula e vazia em seu antigo colégio, com a desculpa de que tinha algo para mostrar e a beijara. Tinha sido quase divertido vê-lo ajoelhado depois, implorando a Yusuke que não quebrasse seus dentes, jurando que nunca mais chegaria a menos de um quilômetro dela. Não que as promessas e pedidos tivessem impedido o primo de espanca-lo. Mas por que estava pensando naquilo agora? Shuuichi não era o tipo que implorava. E ele não a tinha enganado. E nem ia beijá-la. De jeito nenhum.
Não se ela o beijasse primeiro.
Quando deu por si, seus lábios já tinham feito o caminho até os dele e as respirações se confundiam. Tudo não durou mais que alguns segundos e Shuuichi nem mesmo teve tempo de reagir. Aproveitando seu desconcertamento, Botan livrou-se dos braços dele e correu dali, desaparecendo na primeira porta que encontrou.
Ela se escorou na parede, deslizando por ela e encolhendo-se no chão. O coração batia descompassadamente e ainda não podia acreditar no que acabara de fazer. Droga! Depois disso teria realmente que se afastar de Shuuichi ou... Abaixou a cabeça. Era sempre depois que cometia a burrada que começava a pensar que Yusuke tinha razão.
Acabou adormecendo, levantando-se apenas depois de muitas horas, embora felizmente o dia continuasse escuro. Lançou um olhar apressado para as estantes repletas de vidros fechados que rodeavam o cômodo antes de sair. Estivera quase a noite toda dormindo em alguma espécie de laboratório de biologia.
Correu pelo corredor de volta para o quarto como se estivesse sendo perseguida por todos os fantasmas do mundo. Não percebeu a figura parada no final do corredor, próxima a janela por onde ainda entrava um fino feixe de luar. Seus olhos estavam invisíveis por trás dos óculos que refletiam a iluminação fraca. Sua expressão, porém, era de interesse indisfarçável.
N/A: Lá vou eu pedindo desculpas novamente... E a história estava avançando até rápido... (suspiro)
Gente, desculpa mesmo pela demora. Meu computador teve que voltar para o concerto por causa de uns problemas no sistema e foi mais uma semana sem ele. Depois disso eu tive uma espécie de bloqueio por causa do que eu queria que acontecesse aqui.
Sobre o capítulo, ficou um pouco curto, mas no próximo vou tentar escrever mais. Eu dei um pulo no tempo ai, mas é um mau hábito de quando estou bloqueada mesmo... Espero não ter confundido muito nisso. :)
Respondendo aos comentários:
Heaven's Demon: Sim, você tem razão, daqui a pouco até o Tiyu vai saber do segredo... :P Quando ao Kurama, vai demorar menos do que está pensando. Agora, praticamente, só falta uma coisa acontecer para caminhar para isso. Obrigada.
Botan Kitsune: Aquilo foi só uma pequena pausa! Eu ainda tenho muitas idéias malvadas para submeter à Botan, ela não perde por esperar. Obrigada. :D
Loba: Meu computador está melhor sim, obrigada. Acho que agora saiu uma cena mais ou menos KB, embora o Kurama estivesse inocente na história. Espero que tenha ficado razoável. :)
: Obrigada, Juli. Espero que tenha podido se divertir com esse capítulo, apesar de não ter ficado tão engraçado quanto o último. E atualize seu fic!
Isa: Eu tenho que te agradecer pelas horas te alugando por causa desse capítulo. :D Só vou dispensar a ameaça da próxima vez. :P Obrigada.
Megawinsone: O Hiei é sacana sim, mas ele é outro que torturarei no próximo capítulo. :D Obrigada, Mega.
Teella: Fico feliz que tenha gostado do último capítulo. O Kuwabara se assustou, mas está vivo e saltitante outra vez. Obrigada.
Mayuka Kitsune: Sim, realmente. O Kuwabara não será problema para a Botan. Acho que já basta o Hiei. Sobre as situações desesperadoras, elas estão de volta! A Botan já teve a folga dela. Obrigada.
maninha: Ah, sim, o Kuwabara só precisa descobrir sobre o parte da guitarra para se tornar útil à farsa. Obrigada pelo comentário.
Eternia Melody: Meio a contragosto, mas ela contou. :) Mais uma cena entre Kurama e Botan. Ninguém pode dizer que não fui muito generosa com ela. :P Muito obrigada.
Morgana Witch: Ah, não se preocupe sobre isso, o Kuwabara vai sobreviver. :D O meu computador já melhorou então vou continuar atualizando mais rápido, é só a cabeça colaborar Obrigada.
Sachi: O Kurama vai saber. E acho que nem vai demorar muito. Eu demorei um pouco a postar novamente, mas meu computador andou se rebelando novamente. Espero conseguir escrever o próximo mais rápido. Obrigada.
Bianca Potter: Ok, ai está a cena! Agora eu posso reclamar se você demorar também. :D Agora posso descansar a minha generosidade com a Botan por uns tempos, não é? Obrigada mais uma vez pela idéia.
Belatrice Black: Por enquanto só o Kuwabara vai ficar sabendo sim. :) Eu pulei a reação dele porque não achei muito importante descrever apenas a cara de tacho... Acho que não pensei em coisa melhor. Obrigada pelo comentário.
LP Vany-chan: Nada, o Kuwabara tem cabeça dura. Acho que aceitou melhor do que os outros. Melhor nem falar no interesse próprio. XD Obrigada!
caHh Kinomoto: Você sabia da fantasia do Yomi? Aposto que foi o Tsubasa quem te contou. u.u Sobre o olhar amigável, eu já desfiz o mal entendido com o Yusuke, pode direciona-lo para outra pessoa. :D Obrigada pelo comentário.
Ayumi-tenshi: Eu não tenho nada contra o ursinho! Ele é fofo. Não tenho culpa se o Kurama fica procurando defeito no padrasto e sobra para o coitado. u.u Juntar os dois de uma vez? Não sei. Depende do Kurama perceber as coisas. :D Nah, poucos capítulos para o final, eu espero. Obrigada!
darkkikyou: Até agora não tenho idéia para a Yukina aparecer, acho que vai ficar na citação mesmo. Par para o Hiei? Acho que alguma coisa parecida com isso. No próximo capítulo vejo isso. :D Obrigada.
Mário: Puxa, obrigada. Com certeza o melhor de Yu Yu são as lutas. Mesmos tendo dado um jeito de pular essa parte, fico feliz que tenha gostado. :)
Por enquanto é só. Até o próximo!
