Capítulo Revisado.
Beijos para todos os leitores fiéis. E fiquem tranqüilos. O cap. 11 está em andamento, com mais Adrian (para alegria das fãs do "príncipe da Sonserina" ^_^;) e finalmente, o tão atrasado baile...
Amélia... eu realmente tenho que parar de torturar leitores... É divertido, mas eu também sou leitora, e sofro na mão da escritora e minha mentora MarcelleßHalliwell. Foi ela quem me ensinou tudo sobre torturar leitores...
Sol e Lua
10. Verdades e dúvidas
Todos os professores estavam tendo dificuldades em manter os alunos interessados nas aulas durante a semana antes do baile. Todos estavam ansiosos demais para ficarem quietos nas salas. Na sexta-feira, praticamente todos os professores (até mesmo a Professora Minerva) haviam liberados os alunos nas aulas da tarde.
No final da última aula da manhã, os alunos guardavam o material, animados. Levana estava louca pra sair dali e ficar num canto só para ela. Desde a última discussão, ela e Sarah não se falavam mais, não que isso realmente incomodasse ela. O que realmente a incomodava era Narcisa e suas amigas. Todos os dias a garota fazia questão de ir conversar com Levana, tentando ganhar caminho até Adrian - ou melhor, até o baile.
- Oi Levana. Posso conversar com você?
Aparentemente ela não havia arrumado o material rápido o suficiente para sair correndo da sala. Narcisa estava parada, atrás dela, com um sorriso sorrateiro no rosto. Como um rato pronto para atacar o queijo. Levana respirou fundo e tentou não demonstrar inimizade, ao invés disso, ela sorriu.
- Claro Narcisa! O que foi?
"Cínica... como se você não soubesse qual o assunto..." Levana começou a andar para fora da sala, acompanhando a colega.
- É que imagino que você deve saber melhor sobre isso do que qualquer outro da escola...
- Isso o que? - Levana fingiu interesse.
- Bem... seu irmão. Não ouvi falar dele indo com alguém ainda... Você sabe se ele está livre?
Levana evitou fazer uma cara de nojo. "Desde quando eu vou deixar uma garota como você chegar perto do meu irmão?" Ela balança a cabeça negativamente, fingindo desapontamento.
- Pra falar a verdade, meu irmão não me disse nada. Acho que ele prefere compartilhar esse tipo de coisa com os amigos dele, ao invés de vir falar comigo... Mas duvido que ele esteja sozinho ainda... Ele deve estar indo com alguma das garotas do quinto ano...
Nenhuma das duas percebia uma terceira garota andando atrás delas, escutando a conversa. Assim que Narcisa se separou de Levana, Sarah viu sua chance. Calmamente, como quem não quer nada, ela encostou a mão no ombro da garota na frente, com um sorriso triunfante.
- Eu sei quem Adrian vai levar para o baile...
Levana olhou primeiramente espantada para Sarah, mas logo seu rosto mostrava um certo desprezo.
- Até parece...
Sarah sorriu. Levana olhava mais desconfiada para Sarah. O riso no rosto da outra garota só a deixava mais nervosa...
- É sério. Por que eu iria mentir sobre isso?
- Então quem é?
- Eu...
A reação de Levana foi a esperada pela Sarah. A garota quase derrubou os livros que carregava na mão, olhando mais espantada ainda. O rosto dela estava vermelho.
- Há. Claro. Boa piada, Sarah... Como se meu irmão...
- ...fosse convidar uma sangue-ruim pra festa... - Sarah terminou a frase, com um riso cínico - Mas é a verdade. Por que não pergunta pro seu irmãozinho? Na verdade, até fico surpresa de você não estar sabendo... Afinal, você é a queridinha dele, não?
Ao ver que Levana só se limitava a olhar para ela com um misto de raiva e dúvida, Sarah sorriu e saiu andando na frente.
- Só achei que você gostaria de saber da companhia do seu irmão...
Levana continuou parada por uns minutos, absorvendo tudo o que a outra garota havia dito. O sorriso cínico, a superioridade, tudo o que ela havia falado deixava Levana ainda mais nervosa. Ainda desconfiada, só havia uma coisa a fazer: procurar Adrian e tirar a limpo toda essa história.
~*~*~
Levana entrou na biblioteca apressada. Ela já havia procurado por toda a masmorra e no salão principal, e mesmo assim não tinha visto nenhum sinal do irmão. Numa última tentativa desesperada dentro do castelo, antes de sair para os jardins e campo de quadribol, só restava mesmo a biblioteca.
Para sua surpresa, o local estava praticamente vazio, exceto pela Madame Pierce e por um aluno da Grifinória, escrevendo um enorme pergaminho.
"Por Merlin. Por que eu tenho que encontrar justo Remo Lupin?". Ela se virou e voltou em direção à porta, antes que o garoto pudesse perceber a presença dela ali. Mas antes de sair da biblioteca, uma idéia cruzou a sua mente. Tinha alguma coisa de estranha naquela cena. Com calma, ela voltou para observar novamente o garoto.
Remo estava realmente concentrado na sua redação. Uma pilha de livros ao seu lado estava aberta em páginas estratégicas. O garoto só tirava o olhar do pergaminho para ler alguma página de um dos livros. Suspirando fundo, Levana se aproximou da mesa onde ele estava. Isso chamou a atenção de Remo, que levantou a cabeça, olhando surpreso para a garota. Levana cruzou os braços, olhando séria para ele.
- O que você está fazendo aqui sozinho? Onde estão os outros garotos? Pensei que você e eles fossem inseparáveis.
Remo deu de ombros, abaixando o livro que estava em sua mão.
- Na realidade, não faço a mínima idéia. Eles parecem estar me ignorando nos últimos dias...
Levana percebeu algo que parecia tristeza na voz do garoto, mas tentou manter a seriedade, em vão.
- Você acha que eles descobriram sobre... você sabe... seu segredo?
Remo percebeu um leve tom de preocupação na voz da garota, o que o deixou intrigado.
- Eles já sabem sobre isso desde o final do ano passado... A propósito. Por que você não está me evitando agora?
Levana pode sentir o rosto ficando vermelho. Irritada, ela deu de ombros.
- Por que me deu vontade. Qual o problema?
- Qual o problema? Você que não dirigiu uma palavra boa pra mim desde que veio a Hogwarts...
O garoto soltou uma leve risada, vendo a pose e o desconforto dela. Levana só ficou mais irritada ainda com a risada dele, o que fez ela explodir de raiva. Sem se importar com o local, e com o olhar da Madame Pince, ela começou a falar em um tom de voz mais alto do que pretendia.
- EU tenho te evitado? Você ignorou minha existência nos últimos anos! Pensei que fossemos amigos! Eu morri de preocupação naquela noite! Morri de preocupação muitas noites seguintes, sem ouvir uma notícia sua! Pensei que você tivesse morrido depois daquele ataque! Fiquei sabendo meses depois, pelo meu irmão, que você estava vivo! Fiquei arrasada! Por que você nunca respondeu minhas cartas? É por que você me odeia? É por que você me culpa pelo o que aconteceu naquela noite?
Ela começou a sentir lágrimas chegando até seus olhos, e antes que elas pudessem cair, ela saiu da biblioteca correndo, ignorando o olhar perplexo de Remo e a bronca da bibliotecária.
Remo permaneceu parado, olhando para onde a garota havia estado alguns segundos antes. "Eu a culpo? Eu nunca respondi uma carta dela? Essa garota está ficando louca...". Sem entender nada do que ela havia dito, ele se virou pedindo desculpas à Madame Pierce antes de se sentar e continuar os estudos. Mas por mais que ele tentasse concentrar na tarefa, as palavras da garota continuavam em sua mente.
~*~*~
Levana estava fazendo o maior esforço possível para que as lágrimas não começassem a cair enquanto ela estivesse no meio do corredor - e tão perto ainda da biblioteca - que ela mal via o caminho. Ela só percebeu o irmão na frente dela quando praticamente trombou com ele, quase sendo derrubada no chão, com a diferença de tamanho. Por sorte Adrian estava sozinho.
- Levana? O que aconteceu?
O rosto da garota ainda estava vermelho, mas as lágrimas já não teimavam mais em querer cair. Ela não podia mostrar que estava tão abalada para o irmão. Ela forçou um sorriso, obviamente falso.
- Está tudo bem. Não se preocupe.
Adrian olhou para ela sério, como ele sempre fazia quando percebia que ela não estava falando a verdade. Ele sempre conseguia ler através dela, não importando o quanto ela se esforçasse para esconder. "Eu sou tão transparente assim?", ela pensou, frustrada.
- É óbvio que é alguma coisa, Levana. O que aconteceu?
Ela ficou nervosa, e ele percebeu que não iria conseguir tirar nada dela naquele estado. Seja o que fosse, ele iria ter que descobrir mais tarde. Levana achou que o momento era ideal para mudar de assunto.
- Não é nada! Eu queria falar com você sobre o baile...
Adrian soltou uma risada alta, genuína. Ele não esperava que ela fosse tocar justamente nesse assunto.
- Está tão desesperada assim pra tocar nesse assunto? Você tem fugido de mim e do baile a semana inteira...
Ela fez um gesto com o mão, desfazendo o que o irmão havia dito.
- Não. Eu realmente quero saber se os boatos são verdadeiros. Você está indo com a Sarah Tamman para o baile?
Adrian viu a expressão contrariada no rosto da irmã. "Acho que posso me aproveitar da situação..." Com um olhar maroto, ele se fez de desentendido.
- Não digo que sim, nem que não.
Levana abriu a boca, indignada. "Então é verdade!"
- Mas por que, Adrian? Ela é uma sangue-ruim! E foi você quem me ensinou tudo o que eu sei hoje sobre sangue-ruins... Foi você que passou os últimos anos me dizendo pra nunca me juntar com uma sangue-ruim!
Adrian continuou o seu jogo, se divertindo com a contrariedade da irmã. Ele pensou um minuto, olhando par o teto, como se analisasse a pergunta da garota. Com um sorriso maroto, ele se virou novamente para ela.
- Eu conto meus motivos se você for para o baile com o Ethan. O idiota demorou tanto para decidir com quem ele iria, que as melhores garotas já foram convidadas. Ele até pensou na possibilidade de chamar a Narcisa de novo, tamanho o desespero dele. Quando ele falou que iria te chamar, eu ri da cara dele, sabendo que você nunca iria aceitar. Mas agora até que não parece uma má idéia, não é?
A cara de indignação de Levana era ainda maior. Ela olhava com uma mistura de raiva e nojo para o irmão. E uma dose de surpresa. Ela não imaginava o quão baixo o irmão poderia ser.
- Adrian, isso é chantagem! Eu não vou cair nessa! Vou perguntar para o Ethan mesmo. Com certeza ele sabe sobre os motivos que fizeram você convidar uma sangue-ruim para o baile.
Adrian deu de ombros.
- Ele vai fazer a mesma chantagem com você.
- E o Blake?
Ele balançou a cabeça negativamente, um sorriso vitorioso no rosto.
- Ele tem medo demais de mim para te falar algo.
Levana mordeu os lábios. A imagem dela indo para o baile com Ethan Sawyer era horripilante. Ethan não era um garoto feio, pelos padrões da Sonserina. Ele era alto e esbelto, de cabelos loiros e olhos castanhos. Mas o olhar e o sorriso sempre cínicos destorciam suas feições. Levana se arrepiou, mas não via outra alternativa. Ela queria saber os motivos daquilo. "Eu me livro do Ethan mais tarde".
- Está bem. Eu vou para o baile com o Ethan. Agora você pode me falar por que diabos convidou Sarah Tamman?
A expressão derrotada no rosto de Levana trouxe um sorriso no rosto de Adrian. Não importava naquele momento que aquela era a irmã que ele sempre protegia, e sempre iria proteger. Ele havia ganhado uma discussão, e isso trazia mais prazer a ele do que qualquer sorriso da irmã. Isso mostrava quem era o mais forte. "E vou mostrar amanhã para o Ethan quem é mais poderoso. Eu vou ganhar essa aposta e ele vai ser meu escravo pelos próximos dois meses..."
- Uma aposta. Duvidaram que eu pudesse convidá-la, eu aceitei.
Ele disse simples, sorrindo da expressão da irmã. Levana tinha um sorriso vitorioso no rosto. Adrian olhou orgulhoso dela. Sejam lá quais fossem os planos da garota, ela sentia que tinha uma carta na manga, algo que a colocava acima da pessoa que ela iria enfrentar. "O primeiro passo para testar o gostinho da vitória."
Levana deixou o irmão e correu para o dormitório da Sonserina. Ela tinha certeza de que Sarah Tamman estaria lá, estudando. O quarto era praticamente o único lugar onde a garota ficava sozinha e em paz.
~*~*~
Adrian, com um sorriso no rosto, viu a irmã saindo e virando o corredor. Mas na sua mente ele ainda via a expressão que Levana tinha quando ele a encontrou. Algo a havia perturbado. E mesmo que ele tivesse fingido esquecer, a dúvida do que tinha acontecido com ela ainda permanecia.
Pensando nisso, ele entrou na biblioteca, imaginando ser de lá que ela tivesse saído. Assim que ele viu quem estava lá dentro, não tinha mais motivos para a dúvida. Era óbvio que o mesmo garoto que a tivesse perturbado anos atrás iria continuar perturbando-a.
Com passos largos, ele se dirigiu até a mesa onde Remo Lupin estava. E da mesma maneira que a irmã antes, ele também não ligou para o olhar severo da bibliotecária. Com o rosto vermelho de raiva, ele pegou o garoto pela gola das vestes. Remo tinha uma expressão assustada e tentava se soltar o rapaz mais velho, em vão. Adrian mantinha o punho firme.
- Você não vai mais se aproximar da minha irmã, falar com ela ou magoá-la novamente. Entendeu, "monstro"? Tente chegar perto dela de novo que eu não vou deixar barato...
Adrian sussurrou, com os dentes cerrados. Ele soltou o garoto mais novo, jogando-o na cadeira e lançando um olhar maldoso para a bibliotecária. Madame Pierce continuava olhando-o severamente, mas não fez nada além de murmurar um "jovens" ao ver que o garoto saia da biblioteca. Remo permaneceu sentado, olhando para a porta, arrumando a gola da própria veste sem entender mais nada.
"Primeiro ela, agora ele." Desistindo de tentar se concentrar novamente na tarefa, Remo arrumou o material e saiu da biblioteca.
~*~*~
Assim que Levana entrou no dormitório, encontrou o lugar vazio. Mas a cortina de Sarah estava fechada, e ela podia ouvir barulhos do lado de dentro. Ela se aproximou da cama da garota, dando uma leve tossida. Nenhuma resposta. Ela chamou pelo nome da colega de quarto. Também nenhuma resposta. Impaciente, ela abriu a cortina com violência. Sarah nem se mexeu com o movimento, se limitando a virar a página do livro que estava lendo.
- Tamman, eu estava te chamando, não escutou?
Sarah fechou o livro e colocou na cabeceira da sua cama, com calma. Ela mal olhou para a colega de quarto.
- O que você quer?
- Conversar com você. Depois da nossa... conversa mais cedo, achei que faltaram ser ditas algumas coisas...
Levana dizia tudo casualmente, como quem não quer nada. Sarah resolveu entrar no jogo da garota.
- O que faltou ser dito? Que eu não mereço ir com seu irmão? Que eu não devia nem chegar perto de um dos grandes Grimshaw?
Sarah viu com satisfação que Levana começava a ficar irritada, por mais que a outra garota tentasse esconder.
- Você está se achando a máxima por estar indo com meu irmão para o baile, não? - Levana viu Sarah dar de ombros.- Por acaso você faz idéia do porque meu irmão convidou justo você para o baile?
- Eu tenho uma idéia ou outra... - Sarah disse calmamente, olhando para cima. Ela estava se divertindo vendo a outra garota perdendo aos pouco a paciência.
- Uma aposta! Duvidaram que meu irmão fosse se rebaixar tanto a ponto de convidar uma sangue-ruim para a festa... Esse foi o motivo dele ter te convidado.
Levana olhava para a garota com um ar de triunfo. Mas para sua surpresa, a expressão no rosto da colega não parecia chocada, ou triste, nem nada do gênero. Sarah sorria.
- Grimshaw. Você é tão infantil. Eu já sabia da aposta...
- Sabia? - Levana tinha uma expressão de espanto misturado com dúvida, o que fez Sarah rir.
- Aquele amigo loirinho do Adrian veio falar comigo ontem de manhã. Acho que ele queria que eu ficasse revoltada, assim como você, e desistisse de ir para o baile... Até parece...
Levana mantinha a expressão espantada. Ela julgara Sarah erroneamente, e agora começava a perceber isso. "Existe realmente uma razão para ela estar na Sonserina afinal de contas..."
- Você é igualzinha a Narcisa e as amigas dela!
O tom acusatório na voz de Levana só fez Sarah rir mais ainda.
- Eu nunca disse que não era. Diferente de você...
Levana apertou os olhos, ameaçadoramente.
- O que você quer dizer com isso?
- Exatamente o que você entendeu! - a voz de Sarah demonstrava mais raiva agora. - Você finge ser diferente, não querendo se juntar a elas. Você se sentiu ofendida quando eu disse que você se achava superior... Mas a verdade é que você se acha superior a elas... e a mim... Isso a torna igualzinha a elas!
Sarah se virou e saiu do dormitório. Levana sentiu o peso das palavras da outra garota pesando no silêncio do dormitório. "Imbecil...". Ela pensou, com raiva, sentindo lágrimas chegando aos olhos. "Mimada Imbecil." E por alguns momentos, ela não sabia se as palavras em sua mente eram dirigidos à Sarah ou a ela mesma.
~*~*~
Naquela noite, em um dos dormitórios masculinos da Grifinória, quatro garotos estavam sentados em suas camas, conversando baixo. Remo Lupin contava para Tiago e Pedro sobre Levana Grimshaw. Como eles se conheceram. E como ela sumiu de sua vida depois da mordida. Tiago balançou a cabeça, incrédulo.
- Sabia que tinha algum motivo para ela ter ido para a Sonserina.
Remo balançou a cabeça negativamente, sentindo a necessidade de proteger a garota.
- Ela era uma criança. Não a culpo por ter ficado assustada.
- Você era uma criança! Que teve que viver com isso durante todo esse tempo! - Sirius disse, irritado pela calma do amigo. - Não entendo como você ainda defende ela...
Remo parou por um minuto, lembrando das palavras da garota na biblioteca. Ela realmente parecia magoada. "Com alguma coisa que eu fiz..." Ele balançou a cabeça, livrando a mente desse pensamento.
- É só que... - ele disse, meio inseguro. - Ela veio falar comigo hoje, enquanto eu estava sozinho na biblioteca...
- Ela foi falar com você? Por que? O que ela disse?
A voz de Sirius parecia enojada com a simples idéia de Levana Grimshaw dirigindo palavras à algum dos seus amigos. Ainda mais com Remo Lupin. Seu espírito protetor dizia para tomar cuidado com essa garota. "Ela só vai causar mais sofrimento para o Remo...". Com esse pensamento, Sirius nem escutou direito a narrativa de Remo sobre o encontro na biblioteca, e nem mesmo perceber que o amigo omitira a ameaça de Adrian.
- Eu fico imaginando se não tem mais por trás disso tudo. Quero dizer. Ela disse que eu nunca respondi as cartas dela. Ela que nunca me escreveu, nem respondeu minhas cartas... E ela parecia realmente magoada com a hipótese de eu a culpar pelo o que aconteceu comigo, como se eu a odiasse. Eu achei que ela me odiava, não o contrário...
Remo estava pensativo, assim como Tiago. Pedro apenas ouvia a história, se sentindo aliviado pelo fato dos amigos não se aproximarem mais ainda da família Grimshaw. Assim como todas as grandes famílias da Sonserina, Os Grimshaw também traziam arrepios a ele.
Sirius, no entanto, fez pouco caso. Nada que o amigo dissesse iria fazer com que ele mudasse de idéia sobre Levana Grimshaw. "Continuo afirmando. Ela só o deixa cada vez mais confuso e triste." Com o plano para o dia seguinte em mente, ele foi se deitar, sinalizando um sinal positivo para Tiago e Pedro, mas sem que Remo visse. "O plano ainda está de pé." Ele movimentou os lábios, para que os amigos entendessem. Tiago balançou a cabeça, incerto. Mas a imagem de Levana chamando um dos seus melhores amigos de "monstro" o fez mudar de idéia. O plano daria certo. E Levana iria pagar.
~*~*~
Beijos para todos os leitores fiéis. E fiquem tranqüilos. O cap. 11 está em andamento, com mais Adrian (para alegria das fãs do "príncipe da Sonserina" ^_^;) e finalmente, o tão atrasado baile...
Amélia... eu realmente tenho que parar de torturar leitores... É divertido, mas eu também sou leitora, e sofro na mão da escritora e minha mentora MarcelleßHalliwell. Foi ela quem me ensinou tudo sobre torturar leitores...
Sol e Lua
10. Verdades e dúvidas
Todos os professores estavam tendo dificuldades em manter os alunos interessados nas aulas durante a semana antes do baile. Todos estavam ansiosos demais para ficarem quietos nas salas. Na sexta-feira, praticamente todos os professores (até mesmo a Professora Minerva) haviam liberados os alunos nas aulas da tarde.
No final da última aula da manhã, os alunos guardavam o material, animados. Levana estava louca pra sair dali e ficar num canto só para ela. Desde a última discussão, ela e Sarah não se falavam mais, não que isso realmente incomodasse ela. O que realmente a incomodava era Narcisa e suas amigas. Todos os dias a garota fazia questão de ir conversar com Levana, tentando ganhar caminho até Adrian - ou melhor, até o baile.
- Oi Levana. Posso conversar com você?
Aparentemente ela não havia arrumado o material rápido o suficiente para sair correndo da sala. Narcisa estava parada, atrás dela, com um sorriso sorrateiro no rosto. Como um rato pronto para atacar o queijo. Levana respirou fundo e tentou não demonstrar inimizade, ao invés disso, ela sorriu.
- Claro Narcisa! O que foi?
"Cínica... como se você não soubesse qual o assunto..." Levana começou a andar para fora da sala, acompanhando a colega.
- É que imagino que você deve saber melhor sobre isso do que qualquer outro da escola...
- Isso o que? - Levana fingiu interesse.
- Bem... seu irmão. Não ouvi falar dele indo com alguém ainda... Você sabe se ele está livre?
Levana evitou fazer uma cara de nojo. "Desde quando eu vou deixar uma garota como você chegar perto do meu irmão?" Ela balança a cabeça negativamente, fingindo desapontamento.
- Pra falar a verdade, meu irmão não me disse nada. Acho que ele prefere compartilhar esse tipo de coisa com os amigos dele, ao invés de vir falar comigo... Mas duvido que ele esteja sozinho ainda... Ele deve estar indo com alguma das garotas do quinto ano...
Nenhuma das duas percebia uma terceira garota andando atrás delas, escutando a conversa. Assim que Narcisa se separou de Levana, Sarah viu sua chance. Calmamente, como quem não quer nada, ela encostou a mão no ombro da garota na frente, com um sorriso triunfante.
- Eu sei quem Adrian vai levar para o baile...
Levana olhou primeiramente espantada para Sarah, mas logo seu rosto mostrava um certo desprezo.
- Até parece...
Sarah sorriu. Levana olhava mais desconfiada para Sarah. O riso no rosto da outra garota só a deixava mais nervosa...
- É sério. Por que eu iria mentir sobre isso?
- Então quem é?
- Eu...
A reação de Levana foi a esperada pela Sarah. A garota quase derrubou os livros que carregava na mão, olhando mais espantada ainda. O rosto dela estava vermelho.
- Há. Claro. Boa piada, Sarah... Como se meu irmão...
- ...fosse convidar uma sangue-ruim pra festa... - Sarah terminou a frase, com um riso cínico - Mas é a verdade. Por que não pergunta pro seu irmãozinho? Na verdade, até fico surpresa de você não estar sabendo... Afinal, você é a queridinha dele, não?
Ao ver que Levana só se limitava a olhar para ela com um misto de raiva e dúvida, Sarah sorriu e saiu andando na frente.
- Só achei que você gostaria de saber da companhia do seu irmão...
Levana continuou parada por uns minutos, absorvendo tudo o que a outra garota havia dito. O sorriso cínico, a superioridade, tudo o que ela havia falado deixava Levana ainda mais nervosa. Ainda desconfiada, só havia uma coisa a fazer: procurar Adrian e tirar a limpo toda essa história.
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Levana entrou na biblioteca apressada. Ela já havia procurado por toda a masmorra e no salão principal, e mesmo assim não tinha visto nenhum sinal do irmão. Numa última tentativa desesperada dentro do castelo, antes de sair para os jardins e campo de quadribol, só restava mesmo a biblioteca.
Para sua surpresa, o local estava praticamente vazio, exceto pela Madame Pierce e por um aluno da Grifinória, escrevendo um enorme pergaminho.
"Por Merlin. Por que eu tenho que encontrar justo Remo Lupin?". Ela se virou e voltou em direção à porta, antes que o garoto pudesse perceber a presença dela ali. Mas antes de sair da biblioteca, uma idéia cruzou a sua mente. Tinha alguma coisa de estranha naquela cena. Com calma, ela voltou para observar novamente o garoto.
Remo estava realmente concentrado na sua redação. Uma pilha de livros ao seu lado estava aberta em páginas estratégicas. O garoto só tirava o olhar do pergaminho para ler alguma página de um dos livros. Suspirando fundo, Levana se aproximou da mesa onde ele estava. Isso chamou a atenção de Remo, que levantou a cabeça, olhando surpreso para a garota. Levana cruzou os braços, olhando séria para ele.
- O que você está fazendo aqui sozinho? Onde estão os outros garotos? Pensei que você e eles fossem inseparáveis.
Remo deu de ombros, abaixando o livro que estava em sua mão.
- Na realidade, não faço a mínima idéia. Eles parecem estar me ignorando nos últimos dias...
Levana percebeu algo que parecia tristeza na voz do garoto, mas tentou manter a seriedade, em vão.
- Você acha que eles descobriram sobre... você sabe... seu segredo?
Remo percebeu um leve tom de preocupação na voz da garota, o que o deixou intrigado.
- Eles já sabem sobre isso desde o final do ano passado... A propósito. Por que você não está me evitando agora?
Levana pode sentir o rosto ficando vermelho. Irritada, ela deu de ombros.
- Por que me deu vontade. Qual o problema?
- Qual o problema? Você que não dirigiu uma palavra boa pra mim desde que veio a Hogwarts...
O garoto soltou uma leve risada, vendo a pose e o desconforto dela. Levana só ficou mais irritada ainda com a risada dele, o que fez ela explodir de raiva. Sem se importar com o local, e com o olhar da Madame Pince, ela começou a falar em um tom de voz mais alto do que pretendia.
- EU tenho te evitado? Você ignorou minha existência nos últimos anos! Pensei que fossemos amigos! Eu morri de preocupação naquela noite! Morri de preocupação muitas noites seguintes, sem ouvir uma notícia sua! Pensei que você tivesse morrido depois daquele ataque! Fiquei sabendo meses depois, pelo meu irmão, que você estava vivo! Fiquei arrasada! Por que você nunca respondeu minhas cartas? É por que você me odeia? É por que você me culpa pelo o que aconteceu naquela noite?
Ela começou a sentir lágrimas chegando até seus olhos, e antes que elas pudessem cair, ela saiu da biblioteca correndo, ignorando o olhar perplexo de Remo e a bronca da bibliotecária.
Remo permaneceu parado, olhando para onde a garota havia estado alguns segundos antes. "Eu a culpo? Eu nunca respondi uma carta dela? Essa garota está ficando louca...". Sem entender nada do que ela havia dito, ele se virou pedindo desculpas à Madame Pierce antes de se sentar e continuar os estudos. Mas por mais que ele tentasse concentrar na tarefa, as palavras da garota continuavam em sua mente.
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Levana estava fazendo o maior esforço possível para que as lágrimas não começassem a cair enquanto ela estivesse no meio do corredor - e tão perto ainda da biblioteca - que ela mal via o caminho. Ela só percebeu o irmão na frente dela quando praticamente trombou com ele, quase sendo derrubada no chão, com a diferença de tamanho. Por sorte Adrian estava sozinho.
- Levana? O que aconteceu?
O rosto da garota ainda estava vermelho, mas as lágrimas já não teimavam mais em querer cair. Ela não podia mostrar que estava tão abalada para o irmão. Ela forçou um sorriso, obviamente falso.
- Está tudo bem. Não se preocupe.
Adrian olhou para ela sério, como ele sempre fazia quando percebia que ela não estava falando a verdade. Ele sempre conseguia ler através dela, não importando o quanto ela se esforçasse para esconder. "Eu sou tão transparente assim?", ela pensou, frustrada.
- É óbvio que é alguma coisa, Levana. O que aconteceu?
Ela ficou nervosa, e ele percebeu que não iria conseguir tirar nada dela naquele estado. Seja o que fosse, ele iria ter que descobrir mais tarde. Levana achou que o momento era ideal para mudar de assunto.
- Não é nada! Eu queria falar com você sobre o baile...
Adrian soltou uma risada alta, genuína. Ele não esperava que ela fosse tocar justamente nesse assunto.
- Está tão desesperada assim pra tocar nesse assunto? Você tem fugido de mim e do baile a semana inteira...
Ela fez um gesto com o mão, desfazendo o que o irmão havia dito.
- Não. Eu realmente quero saber se os boatos são verdadeiros. Você está indo com a Sarah Tamman para o baile?
Adrian viu a expressão contrariada no rosto da irmã. "Acho que posso me aproveitar da situação..." Com um olhar maroto, ele se fez de desentendido.
- Não digo que sim, nem que não.
Levana abriu a boca, indignada. "Então é verdade!"
- Mas por que, Adrian? Ela é uma sangue-ruim! E foi você quem me ensinou tudo o que eu sei hoje sobre sangue-ruins... Foi você que passou os últimos anos me dizendo pra nunca me juntar com uma sangue-ruim!
Adrian continuou o seu jogo, se divertindo com a contrariedade da irmã. Ele pensou um minuto, olhando par o teto, como se analisasse a pergunta da garota. Com um sorriso maroto, ele se virou novamente para ela.
- Eu conto meus motivos se você for para o baile com o Ethan. O idiota demorou tanto para decidir com quem ele iria, que as melhores garotas já foram convidadas. Ele até pensou na possibilidade de chamar a Narcisa de novo, tamanho o desespero dele. Quando ele falou que iria te chamar, eu ri da cara dele, sabendo que você nunca iria aceitar. Mas agora até que não parece uma má idéia, não é?
A cara de indignação de Levana era ainda maior. Ela olhava com uma mistura de raiva e nojo para o irmão. E uma dose de surpresa. Ela não imaginava o quão baixo o irmão poderia ser.
- Adrian, isso é chantagem! Eu não vou cair nessa! Vou perguntar para o Ethan mesmo. Com certeza ele sabe sobre os motivos que fizeram você convidar uma sangue-ruim para o baile.
Adrian deu de ombros.
- Ele vai fazer a mesma chantagem com você.
- E o Blake?
Ele balançou a cabeça negativamente, um sorriso vitorioso no rosto.
- Ele tem medo demais de mim para te falar algo.
Levana mordeu os lábios. A imagem dela indo para o baile com Ethan Sawyer era horripilante. Ethan não era um garoto feio, pelos padrões da Sonserina. Ele era alto e esbelto, de cabelos loiros e olhos castanhos. Mas o olhar e o sorriso sempre cínicos destorciam suas feições. Levana se arrepiou, mas não via outra alternativa. Ela queria saber os motivos daquilo. "Eu me livro do Ethan mais tarde".
- Está bem. Eu vou para o baile com o Ethan. Agora você pode me falar por que diabos convidou Sarah Tamman?
A expressão derrotada no rosto de Levana trouxe um sorriso no rosto de Adrian. Não importava naquele momento que aquela era a irmã que ele sempre protegia, e sempre iria proteger. Ele havia ganhado uma discussão, e isso trazia mais prazer a ele do que qualquer sorriso da irmã. Isso mostrava quem era o mais forte. "E vou mostrar amanhã para o Ethan quem é mais poderoso. Eu vou ganhar essa aposta e ele vai ser meu escravo pelos próximos dois meses..."
- Uma aposta. Duvidaram que eu pudesse convidá-la, eu aceitei.
Ele disse simples, sorrindo da expressão da irmã. Levana tinha um sorriso vitorioso no rosto. Adrian olhou orgulhoso dela. Sejam lá quais fossem os planos da garota, ela sentia que tinha uma carta na manga, algo que a colocava acima da pessoa que ela iria enfrentar. "O primeiro passo para testar o gostinho da vitória."
Levana deixou o irmão e correu para o dormitório da Sonserina. Ela tinha certeza de que Sarah Tamman estaria lá, estudando. O quarto era praticamente o único lugar onde a garota ficava sozinha e em paz.
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Adrian, com um sorriso no rosto, viu a irmã saindo e virando o corredor. Mas na sua mente ele ainda via a expressão que Levana tinha quando ele a encontrou. Algo a havia perturbado. E mesmo que ele tivesse fingido esquecer, a dúvida do que tinha acontecido com ela ainda permanecia.
Pensando nisso, ele entrou na biblioteca, imaginando ser de lá que ela tivesse saído. Assim que ele viu quem estava lá dentro, não tinha mais motivos para a dúvida. Era óbvio que o mesmo garoto que a tivesse perturbado anos atrás iria continuar perturbando-a.
Com passos largos, ele se dirigiu até a mesa onde Remo Lupin estava. E da mesma maneira que a irmã antes, ele também não ligou para o olhar severo da bibliotecária. Com o rosto vermelho de raiva, ele pegou o garoto pela gola das vestes. Remo tinha uma expressão assustada e tentava se soltar o rapaz mais velho, em vão. Adrian mantinha o punho firme.
- Você não vai mais se aproximar da minha irmã, falar com ela ou magoá-la novamente. Entendeu, "monstro"? Tente chegar perto dela de novo que eu não vou deixar barato...
Adrian sussurrou, com os dentes cerrados. Ele soltou o garoto mais novo, jogando-o na cadeira e lançando um olhar maldoso para a bibliotecária. Madame Pierce continuava olhando-o severamente, mas não fez nada além de murmurar um "jovens" ao ver que o garoto saia da biblioteca. Remo permaneceu sentado, olhando para a porta, arrumando a gola da própria veste sem entender mais nada.
"Primeiro ela, agora ele." Desistindo de tentar se concentrar novamente na tarefa, Remo arrumou o material e saiu da biblioteca.
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Assim que Levana entrou no dormitório, encontrou o lugar vazio. Mas a cortina de Sarah estava fechada, e ela podia ouvir barulhos do lado de dentro. Ela se aproximou da cama da garota, dando uma leve tossida. Nenhuma resposta. Ela chamou pelo nome da colega de quarto. Também nenhuma resposta. Impaciente, ela abriu a cortina com violência. Sarah nem se mexeu com o movimento, se limitando a virar a página do livro que estava lendo.
- Tamman, eu estava te chamando, não escutou?
Sarah fechou o livro e colocou na cabeceira da sua cama, com calma. Ela mal olhou para a colega de quarto.
- O que você quer?
- Conversar com você. Depois da nossa... conversa mais cedo, achei que faltaram ser ditas algumas coisas...
Levana dizia tudo casualmente, como quem não quer nada. Sarah resolveu entrar no jogo da garota.
- O que faltou ser dito? Que eu não mereço ir com seu irmão? Que eu não devia nem chegar perto de um dos grandes Grimshaw?
Sarah viu com satisfação que Levana começava a ficar irritada, por mais que a outra garota tentasse esconder.
- Você está se achando a máxima por estar indo com meu irmão para o baile, não? - Levana viu Sarah dar de ombros.- Por acaso você faz idéia do porque meu irmão convidou justo você para o baile?
- Eu tenho uma idéia ou outra... - Sarah disse calmamente, olhando para cima. Ela estava se divertindo vendo a outra garota perdendo aos pouco a paciência.
- Uma aposta! Duvidaram que meu irmão fosse se rebaixar tanto a ponto de convidar uma sangue-ruim para a festa... Esse foi o motivo dele ter te convidado.
Levana olhava para a garota com um ar de triunfo. Mas para sua surpresa, a expressão no rosto da colega não parecia chocada, ou triste, nem nada do gênero. Sarah sorria.
- Grimshaw. Você é tão infantil. Eu já sabia da aposta...
- Sabia? - Levana tinha uma expressão de espanto misturado com dúvida, o que fez Sarah rir.
- Aquele amigo loirinho do Adrian veio falar comigo ontem de manhã. Acho que ele queria que eu ficasse revoltada, assim como você, e desistisse de ir para o baile... Até parece...
Levana mantinha a expressão espantada. Ela julgara Sarah erroneamente, e agora começava a perceber isso. "Existe realmente uma razão para ela estar na Sonserina afinal de contas..."
- Você é igualzinha a Narcisa e as amigas dela!
O tom acusatório na voz de Levana só fez Sarah rir mais ainda.
- Eu nunca disse que não era. Diferente de você...
Levana apertou os olhos, ameaçadoramente.
- O que você quer dizer com isso?
- Exatamente o que você entendeu! - a voz de Sarah demonstrava mais raiva agora. - Você finge ser diferente, não querendo se juntar a elas. Você se sentiu ofendida quando eu disse que você se achava superior... Mas a verdade é que você se acha superior a elas... e a mim... Isso a torna igualzinha a elas!
Sarah se virou e saiu do dormitório. Levana sentiu o peso das palavras da outra garota pesando no silêncio do dormitório. "Imbecil...". Ela pensou, com raiva, sentindo lágrimas chegando aos olhos. "Mimada Imbecil." E por alguns momentos, ela não sabia se as palavras em sua mente eram dirigidos à Sarah ou a ela mesma.
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Naquela noite, em um dos dormitórios masculinos da Grifinória, quatro garotos estavam sentados em suas camas, conversando baixo. Remo Lupin contava para Tiago e Pedro sobre Levana Grimshaw. Como eles se conheceram. E como ela sumiu de sua vida depois da mordida. Tiago balançou a cabeça, incrédulo.
- Sabia que tinha algum motivo para ela ter ido para a Sonserina.
Remo balançou a cabeça negativamente, sentindo a necessidade de proteger a garota.
- Ela era uma criança. Não a culpo por ter ficado assustada.
- Você era uma criança! Que teve que viver com isso durante todo esse tempo! - Sirius disse, irritado pela calma do amigo. - Não entendo como você ainda defende ela...
Remo parou por um minuto, lembrando das palavras da garota na biblioteca. Ela realmente parecia magoada. "Com alguma coisa que eu fiz..." Ele balançou a cabeça, livrando a mente desse pensamento.
- É só que... - ele disse, meio inseguro. - Ela veio falar comigo hoje, enquanto eu estava sozinho na biblioteca...
- Ela foi falar com você? Por que? O que ela disse?
A voz de Sirius parecia enojada com a simples idéia de Levana Grimshaw dirigindo palavras à algum dos seus amigos. Ainda mais com Remo Lupin. Seu espírito protetor dizia para tomar cuidado com essa garota. "Ela só vai causar mais sofrimento para o Remo...". Com esse pensamento, Sirius nem escutou direito a narrativa de Remo sobre o encontro na biblioteca, e nem mesmo perceber que o amigo omitira a ameaça de Adrian.
- Eu fico imaginando se não tem mais por trás disso tudo. Quero dizer. Ela disse que eu nunca respondi as cartas dela. Ela que nunca me escreveu, nem respondeu minhas cartas... E ela parecia realmente magoada com a hipótese de eu a culpar pelo o que aconteceu comigo, como se eu a odiasse. Eu achei que ela me odiava, não o contrário...
Remo estava pensativo, assim como Tiago. Pedro apenas ouvia a história, se sentindo aliviado pelo fato dos amigos não se aproximarem mais ainda da família Grimshaw. Assim como todas as grandes famílias da Sonserina, Os Grimshaw também traziam arrepios a ele.
Sirius, no entanto, fez pouco caso. Nada que o amigo dissesse iria fazer com que ele mudasse de idéia sobre Levana Grimshaw. "Continuo afirmando. Ela só o deixa cada vez mais confuso e triste." Com o plano para o dia seguinte em mente, ele foi se deitar, sinalizando um sinal positivo para Tiago e Pedro, mas sem que Remo visse. "O plano ainda está de pé." Ele movimentou os lábios, para que os amigos entendessem. Tiago balançou a cabeça, incerto. Mas a imagem de Levana chamando um dos seus melhores amigos de "monstro" o fez mudar de idéia. O plano daria certo. E Levana iria pagar.
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