"A dor da incerteza machuca muito mais que qualquer ferida que os obstáculos da vida possam causar."

Os acontecimentos são muitos amores se fortalecem e mistérios começam a ser revelados, porém o inimigo ainda está oculto e nem todos dominaram seus temores. O destino começa a reclamar o que é seu por direito...

10 – Uma jornada inesperada.

Ainda era cedo provavelmente ainda passaria algum tempo antes que os habitantes do castelo começassem a despertar, da sala da coroa ele conseguia sentir a tranquilidade do amanhecer em Cefir, respirou fundo aliviado por mais uma noite sem nenhum tremor. Apesar da reação de Cefir a chegada das guerreiras, só a presença delas aqui acalmou o desiquilíbrio da terra, porém ele tinha duvidas se isso deveria acalmá-lo ou aumentar mais ainda seus temores. Será que essa não era a acalmaria antes da tempestade?

Seus pensamentos foram interrompidos ao sentir uma presença atrás da porta, respirou fundo novamente se preparando para ouvir as reclamações derivadas da porção que deu a ela e antes mesmo que ela batesse apertou sua equipe fazendo que a porta se abrisse.

Ela tentou esconder o espanto e abaixou a mão que já estava quase tocando na porta, então erguendo a cabeça caminhou diminuindo a distancia entre eles.

Ao vê-la andar firme percebeu que não importava o que ouviria, pois valeu a pena só por notar como ela tinha se recuperado.

_ Apesar de saber que era necessário fazer o que fiz, creio que te devo um pedido de desculpas. - Disse ele assim que ela ficou mais próxima.

_ Não é necessário, compreendo perfeitamente o que você fez.

_ Como!? – disse ele não conseguindo esconder o espanto de ouvir tais palavras.

_ E provavelmente teria feito o mesmo em seu lugar. – Disse ela friamente.

_ Por que você diz isso Marine? – questionou ele preocupado agora com a frieza que ela demonstrava.

_ Você tem uma posição de liderança aqui e tem que fazer o que for necessário para garantir o alcance de resultados satisfatórios.

_ Mas do que você esta falando? Espere um pouco, por favor, vamos sentar. – disse ele fazendo aparecer duas cadeiras de energia.

Ela sentou-se com uma postura impecável comportando-se como a empresaria que era e não como a Marine amiga, ou a guerreira destemida.

_ Marine o que esta acontecendo? Porque você esta agindo assim?

_ Assim como guru Clef? Estou perfeitamente normal.

Ouvi-la se dirigir a ele como guru machucou muito mais do que ele queria admitir, mas se esse era o meio dela demonstrar o descontentamento pelo que tinha acontecido ele iria suportar.

_ Marine você precisava descansar, sei que minha atitude não te agradou, mas...

_ Como já te disse não é necessária nenhuma explicação pode ficar despreocupado, pois não vim aqui atrás de respostas. – Disse ela interrompendo-o.

_ Mas gostaria que você entendesse.

_ Eu entendo perfeitamente suas razões.

_ Como assim Marine?

_Cefir precisa de nós e uma guerreira mágica sem forças, doente não tem serventia nenhuma.

_ Mas de onde você tirou isso. – disse ele exaltando-se e levantando da cadeira.

_ Não há necessidade de máscaras guru Clef, estamos a sós aqui e como já te disse teria feito o mesmo. Não iria arriscar o alcance de meus objetivos por nada nem ninguém. – Disse calmamente enquanto levantava.

_ Marine...

_ Eu só vim aqui para você ficar despreocupado quanto a minha capacidade de luta, ela está em perfeitas condições para lutar por Cefir, assim como contra ela se for necessário. – disse ela se retirando.

_ Espere Marine! – porém ela continuou andando. _Aqui não é o mundo místico, não são questões de negócios que resolvemos, não colocamos objetivo afrente daqueles que nos é importante... Vocês nos ajudaram a acabar com isso.

Mas ela continuou como se não estivesse ouvindo.

_ Essa não é você... Você não é assim Marine! - Gritou ele e ela parou

_ Você não me conhece o suficiente para afirmar isso. – Disse ela, mas sem se virar.

_ Essa máscara que VOCÊ usa não apagará o que passou e muito menos trará seus pais de volta.

Ela apertou o punho e fechou os olhos enquanto respirava fundo e ainda sem se virar para ele simplesmente falou:

_ Fique fora disso! - Então saiu da sala sem olhar para trás.

Ele ficou atônito, a frieza tanto de seus atos como o de sua voz o assustaram, ia segui-la quanto sua ligação com Cefir alertou que algo de ruim estava acontecendo. Ele fechou os olhos e se concentrou em sua terra. Ao abri-los olhou assustado para a porta. Seria muito imprudente de sua parte esconder isso das guerreiras. Então se concentrando novamente ligou sua mente a de todos no castelo:

_ Desculpe-me chamá-los tão cedo, mas gostaria da presença de todos na sala do trono após a refeição da manhã.

Então quebrou o vínculo e sentou-se na cadeira de luz que tinha feito a ficou observando o lugar vazio feito para Marine.

Ela estava em frente a uma grande janela do castelo apoiava suas mão enquanto respirava fundo sentindo a ar da manhã invadir seus pulmões.

Como ele sabe? Será que leu meus pensamentos?... Não! Ele não faria tal coisa, talvez Lucy e Anne?... Mas porque elas me traíram assim? Não! Elas nunca me trairiam, devem ter tido um motivo... Eu tenho que me manter firme, focada, com os pés no chão. Não posso me entregar à fantasia independente de qualquer coisa... A realidade me espera lá fora e ela não é bela. Não posso perder o controle que conquistei lá, tudo isso me deixa fraca, ele me deixa fraca... Aquelas desmioladas devem estar com o coração nas nuvens, ou melhor, nas mãos de Fério e Lantis quando tudo isso acabar elas vão ficar arrasadas tenho que me manter forte, só assim poderei ajudá-las.

De repente seus pensamentos foram interrompidos por um chamado:

_ Me ajude, por favor!

_ Quem está ai?

Sem explicação a menina do seu sonho (Capitulo3) apareceu na sua frente, assim como da outra vez estava coberta de lama.

_ Vamos acabar morrendo assim, está machucando dói! – disse a menina em lágrimas.

_ Quem é você? Como posso te ajudar?

_ A escolha está em suas mãos.

Marine se aproximou da menina e abaixou-se ficando assim da mesma estatura da criança, mas quando tentou acariciá-la sua mão atravessou à pequena. Seus batimentos cardíacos aceleraram então a menina começou a desaparecer.

_ Você tem pouco tempo, por favor, apresse-se.

_ Marine perdeu alguma coisa? – Disse Caldina aproximando-se.

Ela respirou fundo e colocou o melhor sorriso que podia:

"Com certeza isso era apenas uma alucinação, um sonho..." – Pensou ela.

_ Nada importante. – falou enquanto levantava.

_ Como é bom ver que você se recuperou nos deu um susto danado mocinha!

_ Desculpe-me Caldina.

_ Que nada passou! Mas já que ainda falta um bom tempo para o café da manha o que você acha de me acompanha enquanto dou as instruções diárias aos funcionários do castelo? – disse essa agarrando o braço da guerreira enquanto andava contagiando-a com seu bom humor.

_ Quem foi o louco que te colocou no comando? – disse ela sendo arrastada e rindo, agora sinceramente.

_ Engraçadinha! Essa é minha função desde a reconstrução só parei uns dias depois do casamento, mas logo voltei isso aqui fica uma bagunça sem mim.

_ Espera! Como assim casamento? Não vai dizer que...

_ Nossa é mesmo, quando contei as meninas você estava dormindo. Já faz um bom tempo, quatro meses depois da partida de vocês eu me casei.

_ E quem foi o louco a entrar nessa enrascada.

_ Pra quem estava tão seria ultimamente, você se soltou bem rápido não acha! – Disse Caldina com um olhar de mãe (quando realmente quer colocar medo).

_ Desculpe Caldina, não sei o que acontece comigo quando estou perto de você. – disse não contendo o sorriso em seu rosto.

_Espero que isso seja um elogia tá! Bom, mais o sortudo foi o meu querido Rafaga. – Disse suspirando.

_ Desejo toda felicidade no mundo para vocês! – disse ela parando e abraçando a amiga.

_ Bom, já que você foi a ultima a ficar sabendo da notícia que tal ser a primeira a ouvir um segredo. - Disse Caldina de aproximando do ouvido da guerreira e cochichando algo.

_ JURA! Não acredito Caldina!

E em meio a esse momento de descontração e alegria Marine pode ver um pouco por trás dos bastidores do castelo, esquecendo assim por alguns instantes dos tormentos que a assombravam.

Todos chegaram quase que ao mesmo tempo na sala do trono. Como o guru não participou da refeição já estava aguardando-os, então apertou sua equipe e fez aparecer varias cadeiras formando um grande círculo, de modo que todos pudessem se ver durante a reunião.

Enquanto todos sentavam Marine teve a atenção de aproximar-se de Caldina fingindo conversar algo, assim sentou-se perto dela, e o mais longe possível dele.

_ Então guru Clef, o que você descobriu? – Perguntou Rafaga fazendo todos olharem para o guru em busca de respostas, após estarem todos devidamente confortáveis para a reunião.

_ Bom na verdade convoquei vocês aqui exatamente pelo contrario.

_ Como assim? – Quis saber Ferio.

_ O que tenho são suposições, nada concreto, ou seja, nada que eu possa repassar com firmeza para vocês ou que nos mostre como devemos agir diante dos atuais acontecimentos.

_ Então o que devemos fazer? Esperar a vida de Lucy ser reivindicada?

_ Não disse isso Marine!

_ E nem nada que indique o contrario.

_ Quem sabe se você puder esperar. – A guerreira ia levantar para responder quando foi segurada.

_ Então continue guru Clef, vamos ouvir não é! – Disse Caldina colocando a mão na perna de Marine e dando-lhe um olhar, o qual fez a guerreira silenciar, mesmo contrariada.

_ Devemos buscar informações fora do castelo.

_ Mas toda história de Cefir se encontra naquela biblioteca! – Questionou Fério.

_ Não vamos em busca de livros, mas sim da história viva de Cefir e é ai que vocês entram guerreiras mágicas.

_ O que devemos fazer guru Clef? – Questionou Anne

_ Buscar respostas com Rayearth, Windom e Ceres. Vocês devem ir aos templos.

_ Isso vai ser ótimo! – o contentamento das três era visível a todos. Porém Lantis e Fério olharam para o mago ao mesmo tempo com olhares questionadores, os quais ele evitou e continuou falando.

_ Mas tem um problema minhas meninas, sei que são guerreiras destemidas e que já enfrentaram muitas coisas, mas um mal desconhecido ronda nossa Cefir, monstros estão reaparecendo e o trajeto pode não ser tranquilo.

_ Se assim pudermos evitar que Lucy assuma a coroa, enfrentaremos o que for necessário nenhum monstro poderá nos deter. – disse Marine confiante.

_ Não é só isso Marine! – ao proferir essas palavras todos encararam o mago, afinal os habitantes do castelo sabiam da aparição dos monstros, nada além disso.

_ Cefir sempre teve um clima agradável, como vocês bem sabem aqui é regido pelos corações de todos, portando as chuvas sempre vem quando é necessário para as plantações, ao quando as criaturas dela necessitam e sempre de forma agradável e tranquila.

_ Onde você esta querendo chegar guru Clef?

_ Bom Lucy está manha Cefir teve uma queda de temperatura muito brusca e temo que seja apenas o inicio do temporal que esta por vim.

_ Mas não sentimos mudança alguma. – continuou a guerreira.

_ Meu escudo está protegendo o castelo, inclusive de mudanças de temperatura.

_ Você está dizendo que o nosso inimigo é apenas uma tempestade?! - Questionou incrédula.

_ Não Marine. Estou dizendo que seja ele quem for esta prestes a causar uma devastadora como Cefir nunca teve. E o pior é que nosso tempo esta se esgotando, a cada minuto que passa sei que o perigo aumenta. – Disse ele com a voz irritada.

_ Quer dizer que estamos em uma contagem regressiva contra o perigo.

_ Isso mesmo Anne.- O guru respirou fundo. _ Como ela consegui me fazer perder a calma assim tão fácil?!

_ Bom então devemos sair daqui o mais rápido possível, afinal temos que passar por três templos.

_ Não temos tempo pra isso Lucy.

_ Como assim guru Clef? – Questionou Lantis.

Nesse momento o guru se concentrou novamente e fez aparecer uma enorme mesa no centro da reunião com um grande mapa de Cefir já estendido. Todos levantaram podendo assim observar as indicações do mago.

_ Sinto um mal crescendo por todos os lados de Cefir, devemos descobrir o que esta acontecendo antes que seja tarde, por isso sugiro que vocês se dividam e que cada uma siga ao santuário de seu gênio.

_ Mas será muito mais arriscado se elas fizerem esse trajeto sozinhas. – Afirmou Fério.

_ Por isso cada uma deve ir com alguém que lhes possa ajudar tanto no caminho, como em uma batalha caso necessitem.

_ Eu irei com a Lucy! – Se prontificou Lantis.

_ E eu com a Anne.- Apresentou-se Ferio.

Caldina fez um sinal com a cabeça impercebível para os demais, mas o qual seu parceiro e amante entendeu instantaneamente.

_ Irei te acompanha Marine. – Disse ele olhando para a guerreira.

_ Não Rafaga! - Interrompeu o guru.

_ Infelizmente teremos que colocar em prática o plano de contenção, Você é o mais adequando para comandar esse processo, use os guardas que forem necessários, mas traga todos os moradores para o castelo, a população de Cefir deve ser protegida, certamente a floresta protegera as criaturas melhor que qualquer um.

_ Mas, a Marine não pode ir sozinha.

_ E ela não irá Lucy, Caldina...

_ Não! Ela vai ficar aqui no castelo. – interrompeu Marine exaltada.

_ Será que você poderia parar de me interromper. – Gritou também o guru tão exaltado quanto à guerreira...

_ Ela vai ficar aqui! – Gritou ela. _ ("ELA ESTÁ GRAVIDA!") – Completou mentalmente essa ultima parte, sendo compreendida por Clef.

_ Eu nunca disse que ela iria te acompanha... Quem vai com você SOU EU! - gritou ele exaltado deixando a guerreira sem palavras.

Enquanto isso todos observavam a batalha em silêncio: Certo humor negro poderia ser notado no semblante de Lantis, mas era algo quase imperceptível; Caldina e Rafaga estavam espantados com a notícia, pois o mago mestre deixar o castelo era algo realmente raro; Enquanto isso Anne e Lucy cochichavam em um canto:

_ Bom de duas uma, ou eles se matam durante esse trajeto...

_ Ou se acertam de uma vez. – Lucy completou.

E assim as duas se viraram fazendo o possível e até o impossível para não rirem da situação, pois ver Marine sem palavras era algo mais raro que qualquer outra coisa citada.

Clef estava chateado principalmente consigo mesmo não se conformava de perder o controle assim tão fácil quando estava próximo a ela e antes de continuar respirou fundo e pensou:

"Essa garota vai acabar me matando."

_ Bom! Continuando, Caldina entre em contato com Ascot diga-lhe que a presença dele é solicitada imediatamente no castelo.

_ Certamente ele não vai querer vim.

_ Então diga a ele que se o escudo desmoronar antes que eu volte e inúmeras pessoas morrerem, inclusive a pessoa que ele ama como uma irmã a responsabilidade será única e exclusivamente dele. – Gritou ele ciente que não estava tão calmo como gostaria.

_ Sei que ele virá, mas agora vamos olhar o trajeto que cada um fará. – Interrompeu Rafaga sabendo que era melhor deixar esse assunto para discutir a sós com Caldina.

_ A ida a qualquer um dos templos a partir daqui demora por volta de um dia e meio, só de ida, principalmente porque todos os caminhos passam por uma parte distinta da Floresta do Silêncio e lá nenhuma magia funciona, assim como não poderemos convocar nossas criaturas. – Disse Lantis aproximando-se da mesa.

Enquanto todos falavam sobre os preparativos para essa inesperada jornada Marine não conseguia se concentrar no que todos falavam, ela sabia que precisava, mas por mais que tentasse só conseguia imaginar ela e Clef durante praticamente três dias sozinhos.

"Pare com isso! Pare agora! Pare de fantasiar você sabe que isso não trará nada de bom."

Pensou ela tentando acalmar seus batimentos que aceleravam a cada instante.

"É por Cefir, é por ela que ele está fazendo isso, você... Eu não sou nada para ele, isso já está bem claro, pare de sonhar, pare de acreditar lembre-se o que acontece com aqueles que você ama, com aqueles que acreditam te amar, ele é superior a tudo inclusive a você... Para ele você é apenas a guerreira que salva seu mundo quando é necessário, apenas a garota briguenta que atrapalha seu sossego, então esqueça, afaste-se..."

Ela deu um passo para trás sem ser notada, sua respiração estava acelerada, queria correr, fugir daquele lugar, porém antes que desse continuidade a esses pensamentos um tremor forte foi sentido fazendo com que todos tivessem que se apoiar (menos ela). Assim que o tremor diminuiu todos tinham a certeza que era hora de agir.

_ Organizem-se para colocar o que foi combinado aqui em prática, saímos daqui à meia hora, apresem-se, por favor. – Disse o mago encerrando a reunião.

Todos começaram a se mover Lucy e Anne agarraram cada uma de um lado de Marine garantindo assim que ela fosse para o quarto junto com elas. Dez minutos teriam que servir para arrumar o que for necessário, pois os outros vinte elas gastariam interrogando sua amiga, pois nesse momento algumas dúvidas teriam que ser esclarecidas.