Capítulo 9 – A Chegada de Lílian.
Lílian Evans Potter abriu seus olhos devagar após o breve cochilo que tirara depois da última parada. A viagem já naturalmente longa estava ainda pior, pois todo o cuidado era pouco para evitar serem bombardeados pelos aviões nazistas. Aquela semana tinha sido com certeza a mais desgastante dos últimos meses. Fora um dos acontecimentos mais recentes da guerra que a levaram a tomar a decisão de se reunir ao seu filho Harry, que estava sob os cuidados de sua irmã no norte do país, na pequena cidade chamada Bourghill para onde ela estava indo no momento. Até agora a separação estava sendo difícil, mas necessária, contudo após a queda do avião pilotado por seu marido James, ela não suportou mais. Eles tinham que se reunir.
Estava louca de saudades de Harry. Fazia agora seis meses que não o via, porém parecia muito mais. Com o serviço dos correios muito debilitado em Londres, não conseguira mandar muitas notícias para ele e esperava que ao menos o envio mensal do dinheiro para as despesas que sempre fazia, desse a certeza a ele de que estava bem.
No geral estava bem, mesmo que ainda acordasse algumas vezes assustada com lembranças da noite na qual o hospital em que trabalhara por tantos anos fora bombardeado. Escapara da morte por muito pouco. Tinha acabado de deixar o prédio e virar a esquina quando a explosão fez todo quarteirão estremecer. Uma parte de seus colegas de trabalho, inclusive sua grande amiga Marlene Mackinon Lupin, haviam morrido naquele ataque. Junto com a amiga morrera um pouco da esperança que Lílian tinha de sair ilesa daquela guerra, assim como a alegria que ela representava para na vida do homem à sua frente.
Olhou para o semblante semi-adormecido de Remus Lupin. A fisionomia cansada, as cicatrizes encobertas pela barba por fazer, o grande curativo em sua perna, escondido sob a velha calça de linho, tolhendo-lhe os movimentos deixavam-no com a aparência de ser mais velho do que os trinta e seis anos que ele possuía. Tinha sido uma boa idéia convencê-lo a acompanhá-la. Era evidente para os dois que o fato dela não querer viajar sozinha era apenas uma desculpa, mas Lílian acreditava que uma mudança de ares iria fazer bem a ele depois de tudo.
Após a morte da esposa, Remus que sempre fora um homem calmo e pacato, um repórter fotográfico que apenas se inscrevera no Comando de Guerra para poder mostrar ao mundo os horrores que aconteciam no front através de suas fotos, começara a procuraras ações mais arriscadas, como se nada mais importasse em sua vida.
Até que finalmente encontrara o furo de reportagem que tanto procurara. Sua foto de um pequeno grupo de soldados sendo vitimados após pisarem numa mina tinha feito grande sucesso na imprensa internacional, porém ninguém informara que estilhaços dessa mesma mina tinham atingido o fotografo que vinha logo atrás.
Se Remus Lupin houvesse sido tratado no campo de batalha, teria perdido a perna, ou até mesmo perecido, como os outros. Mas ele dera muita sorte e quase imediatamente tinha sido socorrido e levado de volta à Londres onde Lilly se encarregara pessoalmente dos cuidados com ele e conseguiu que um dos melhores médicos que ela conhecia o operasse rapidamente. O movimento que seu amigo fez ao se acomodar melhor no assento do trem chamou sua atenção de volta ao presente.
- Pensando em James?
- Também. – Resumiu com um sorriso fraco no rosto.
- Vai ficar tudo bem, Lilly.
O sorriso que ela lutava para manter no rosto se desvaneceu e Lílian falou de um jeito mais sério do que pretendia.
- Estou cansada de todos dizerem a mesma coisa...
- Eu sei bem como é. - Remus respondeu solidário.
Desde que tinha recebido a notícia da queda do avião de seu marido, direto do comando da RAF, Lílian ouvira a mesma frase incontáveis vezes. Ela sabia que ia ficar tudo bem. Era uma certeza que habitava dentro de seu coração, de que James seria resgatado com vida. Ele era um piloto experiente que já tinha conseguido sair de várias situações adversas, sempre com aquele sorriso de canto que ela tanto amava.
Sirius Black, padrinho de seu filho e companheiro constante de seu marido, tanto nas brincadeiras quanto na Força Aérea, havia enviado uma mensagem a ela em que afirmava que as possibilidades de resgate de James eram grandes e que ele mesmo se encarregaria da missão. Conhecendo Sirius como ela conhecia, podia tranquilamente traduzir a mensagem como sendo: O resgate de James era difícil e complicado, mas ele tentaria tudo o que fosse possível para trazê-lo de volta, mesmo que isso significasse descumprir ordens superiores. E isso realmente não a tranqüilizava.
Só restava a ela esperar e continuar ouvindo de todos que tudo iria ficar bem. Resolvera que a espera por notícias ia ser mais fácil junto de seu filho e por isso pedira licença do hospital e tão logo conseguiu organizar tudo e convencer Remus a acompanhá-la, embarcou no trem rumo à Bourghill.
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Já estivera ali visitando sua irmã uma vez e aquela pequena cidade nunca parecera tão acolhedora como naquele dia. Talvez fosse por causa da ansiedade em encontrar Harry ou pelo clima de destruição que pairava sobre Londres e que nem de longe alcançava os ares dali. Caminhou mais apressada do que pretendia ao sair da estação, deixando o jovem funcionário da companhia de trens que estava ajudando-a a carregar as malas e seu amigo Remus para trás. Abriu o portão e encarou a porta de entrada da casa dos Dursley com evidente emoção. Tocou a campainha e não esperou muito até que fosse recebida.
- Pois não? – Petúnia abriu a porta e tão logo viu quem era exclamou. – Lílian! Mas... Mas nós pensamos... Você não morreu?
- Pelo menos não até agora, minha irmã. – A ruiva deu um passo pra frente abraçando-a e alargou o sorriso diante do espanto da outra. – Nós podemos entrar?
- Quem é esse?
- Esse é um grande amigo meu e de James, Remus Lupin.
- Muito prazer senhora.
- Ele me acompanhou na viagem.
- Oh, claro.
Lilly e Remus seguiram Petúnia até a sala onde se acomodaram e ficaram observando-a abrir e fechar a boca procurando as palavras certas para falar, até que pareceu conseguir.
- Nós lemos seu nome na lista de vítimas do hospital. Estava lá L. Evans.
- Não era eu...
- Isso me parece óbvio agora.
- Era um funcionário da recepção, Leonard Evans. Eu sempre brincava com ele que devíamos ser parentes.
- Uhm, certo... Eu... – Petúnia pensou em algo mais a dizer e então continuou. - Eu vou arrumar o quarto de hóspedes para vocês. Você vai dormir com o Harry não é? – Perguntou com um olhar enviesado para o homem sentado ao lado de sua irmã.
- É claro Petúnia, com quem mais seria? – Lílian franziu os cenhos entre divertida e incrédula.
- Ninguém é claro.
- Por falar nele, onde está Harry?
- Eu não sei. Ele saiu logo depois do almoço.
- Ah... – A ruiva suspirou desanimada.
- Esperem aqui que eu vou mandar servir um suco enquanto aguardam.
Tão logo Petúnia sumiu da sala indo até a cozinha para pedir a senhora Weasley que preparasse e servisse suco para os recém-chegados, Remus e Lilly sorriram um para o outro.
- Bem que você falou que sua irmã era uma figura.
- Você ainda não viu nada.
Depois de alguns momentos em que Lílian esperou ansiosa que Harry entrasse a qualquer momento porta adentro, Molly apareceu carregando uma bandeja.
- Com licença. - Disse começando a encher os copos com suco, olhando atentamente para o rosto de Lilly.
- Oh, obrigado. – Falou Lupin ao tomar um grande gole.
A senhora Weasley ia saindo da sala quando pareceu decidir-se por alguma coisa e voltou sobre os próprios passos aproximando-se novamente de Lílian e perguntou com o cenho franzido.
- Você é parente do Harry?
- Sou sim. Sou a mãe dele. – Se Molly não tivesse deixado a bandeja com a jarra sobre a mesa teria deixado-a cair naquele momento.
- Jesus amado! Bem que eu desconfiei. Os olhos...
- É todos dizem que ele tem os meus olhos.
- O Harry vai ficar tão feliz. Ele acreditava que a senhora também tinha morrido. – A senhora Weasley falou fazendo com que o coração de Lilly se apertasse.
- Oh, senhor. Eu queria tanto poder encontrá-lo logo. Eu achava que ele sabia que eu estava bem.
- Imagino. Ele meus filhos são muito amigos e estão sempre juntos, mas desde a noticia de seu marido, ele ficou um pouco mais isolado.
- A senhora sabe onde ele foi?
- Eu acho que ele foi se encontrar com os meus filhos na casa de outros amigos, mas não tenho certeza. – Algumas batidas leves na porta da cozinha interromperam a conversa. – Com licença.
- Claro.
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Ginny não sabia mais o que fazer para Harry se sentir melhor. Tinha consciência de que era só uma questão de tempo, mas doía nela vê-lo daquela forma. Quando haviam marcado de se encontrar na casa de Neville naquela tarde pôde ler claramente nos olhos verdes que ele ia dar um jeito de não ir. Também não achava uma grande idéia, Harry precisava de um tempo para absorver a notícia. Um tempo para colocar a cabeça no lugar e não uma reunião com amigos, ouvindo música animada, dançando e rindo. Por isso mesmo tinha se oferecido para ir buscá-lo. Ela, Ginevra Weasley, sabia o que ele precisava naquele momento e ia respeitar essa decisão não o convencendo a ir para junto dos amigos e sim fazendo-o companhia. Tinha certeza que Parvati, que também se oferecera para ir buscá-lo, praticamente o levaria arrastado até lá somente para exibir seus olhos amendoados e seus longos cabelos castanhos, não se importando com o que ele queria.
Bateu algumas vezes na porta dos fundos da casa dos Dursley, sendo recebida com um enorme sorriso de sua mãe. Como sabia que a tia de Harry não gostava que ele recebesse visitas, perguntou apressada.
- Oi mãe, tem como a senhora chamar o Harry?
- Ele não está com vocês? – Molly questionou pensativa.
- Não. Nós estávamos lá na casa dos Longbotton e como ele não apareceu eu vim chamá-lo.
- Mas ele saiu há algum tempo...
A senhora Weasley concluiu mais para si mesma, pensativa. Tinha imaginado, quando vira Ginevra na porta que poderia pedir-lhe para chamar Harry para que ele pudesse encontrar com sua mãe, mas se ele não estava junto com seus filhos só restava aguardar.
- Tudo bem mãe. Eu já sei onde ele deve estar. – Ginevra falou com um sorriso torto antes de se despedir de sua mãe. – Tchau mãezinha.
- Não Ginny, espere. – Exclamou ao vê-la caminhar em direção à calçada.
- O que foi?
- A mãe dele está aqui;
- Mãe de quem? – Perguntou sem entender.
- Do Harry. A mãe dele está lá na sala esperando para vê-lo.
- Como? Não pode ser! – Voltou sobre os próprios passos e encarou a mãe séria. - Você tem certeza mãe?
- É claro que eu tenho certeza, Ginevra.
Sem se preocupar se era correto ou educado, Ginny saiu da cozinha e foi constatar com os próprios olhos se o que a mãe tinha lhe dito era de fato verdadeiro. Parou abruptamente com o rosto paralisado de espanto ao ver os tão conhecidos olhos esmeralda no rosto da mulher sentada na poltrona da sala.
- Meu Deus! Vo-você é... - Lílian sorriu diante da expressão da jovem.
- Eu sou Lílian Potter, e você?
- Oh céus, me desculpe. – O rosto de Ginny ganhou vários tons de vermelho enquanto ela percebia o modo como entrara na casa dos Dursley e ficava ainda mais nervosa ao se dar conta da pessoa que estava a sua frente. Num rompante começou a tentar se explicar, desatando a falar. - Eu sou Ginevra Molly Weasley. Sou amiga de Harry. E-eu... não devia ter entrado assim, perdão. É que eu... eu vim chamá-lo e minha mãe me contou... Eu não acreditei, me desculpe!
- O que você está fazendo aqui, mocinha? – Petúnia Dursley perguntou ao descer as escadas e vê-la conversando com sua irmã.
- Me desculpe, senhora Dursley. Eu vim procurar o Harry. – Falou mortificada, recebendo de volta uma resposta seca.
- Ele não está.
- Sim senhora. – Ginny deu meia volta, fazendo menção de se retirar.
- Espere, Petúnia. Deixe a menina. – Lilly falou impedindo que saísse da sala ao segurar em seu ombro e perguntar diretamente para ela. – Você sabe onde meu filho está?
- E-eu acho que sim.
- Você pode me levar até ele?
- Claro.
- Ótimo...
- Eu vou com você. – Remus falou tentando levantar do sofá, apesar da forte dor na perna que dificultava seus movimentos.
- Não Remus, você precisa descansar.
- Mas...
- Não insista Remus, o doutor Witter pediu para você ter o máximo de repouso. – Olhou para sua irmã que ainda estava parada ao pé da escada. – Petúnia, você poderia mostrar o quarto onde Remus ficará, por favor.
- Não precisa Lilly, eu posso ir para o hotel.
- E como eu vou cuidar do seu ferimento?
- Está bem então. – Respondeu resignado. Já havia tido essa conversa com ela durante a viagem de trem e sua amiga continuava irredutível.
- Venha comigo senhor Lupin, o senhor ficará no quarto que Harry ocupava até então. Acabei de transferir as coisas dele para o quarto onde ele ficará com a Lílian. – Disse Petúnia de um jeito que deixava claro que não a agradava em nada o que estava acontecendo.
- Obrigado senhora Dursley. – Remus agradeceu pegando sua mala e aproximando-se da escada.
- Muito obrigada Petúnia. – E virando-se para Ginny adicionou. – Podemos ir?
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As duas ruivas andavam pelo caminho que seguia o curso do rio com aparente calma, apesar da vontade que tinham de se apressar. Ginny lançava olhares de tempos em tempos para a mulher ao seu lado, incapaz de esconder sua admiração e curiosidade. Tentando desfazer o incomodo silêncio, Lilly iniciou uma conversa entre elas assim que atravessaram a pequena ponte.
- Você estuda com o Harry?
- Não. Ele é da mesma turma que meu irmão Ronald. Nós somos só... bem, nós somos só amigos. – Respondeu ruborizando levemente.
Lílian prendeu um sorriso ao notar o brilho nos olhos cor de âmbar e o jeito com que a garota falava de Harry. Reconhecia e lembrava muito bem daqueles sintomas. Era assim mesmo que ela ficava quando falava em James... Procurou desviar seus pensamentos de volta para o outro amor de sua vida. Olhou para o caminho que seguiam e perguntou.
- Para onde estamos indo?
- Bom, o Harry não é muito criativo. Toda vez que ele quer ficar sozinho, ou está chateado, vai até o lago ou se esconde na casa da árvore que tem lá perto. – Explicou com um sorriso travesso. – Então fica fácil.
- E hoje é uma dessas vezes?
- Pelo visto é. Nós tínhamos, eu, ele e alguns amigos, marcado de nos encontrar para conversar, ouvir músicas, essas coisas. Harry não apareceu então eu acredito que ele estará lá.
- Entendo. – Lilly afirmou com um sorriso fraco.
- O Harry vai ficar muito feliz em saber que a senhora não...
- Que eu não morri.
- É... isso. – Ginny respondeu sem-graça. – É que ele viu o nome da senhora no jornal e não recebeu mais nenhuma carta, então...
- Eu mandei um cartão no aniversário dele. – Disse a mulher se justificando.
- Eu acho que ele não recebeu.
Por um momento ela ficou com pena da expressão que a senhora Potter fazia. Chegaram à trilha que levava ao lago e Ginny indicou por onde Lílian teria que segui-la. Tão logo avistou a faia e junto a ela, Harry, ela se despediu e retornou rápido para junto de seus amigos, mesmo com uma vontade imensa de ficar ao lado de Harry naquele momento. Ele vai ficar tão feliz! Era quase um milagre!
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- Mãe?!
Harry levantou-se num pulo, indo em direção a pessoa que o chamara. Mas como? Será que ele estava tendo algum tipo de alucinação? Ficou frente à frente com a mulher, encarando-a antes de levantar uma das mãos e tocar levemente em seu rosto. Só quando uma lágrima quente que havia escorrido dos olhos tão verdes quanto os seus, umedeceu seus dedos é que ele percebeu que não era um sonho. Era real. Sua mãe estava viva e ali na sua frente.
- Harry!
Lilly abraçou-o fortemente. Toda a saudade e a angústia dos últimos meses se fazendo presente nas lágrimas que ambos derramavam. Sem se importarem em falar nada naquele momento. Teriam muito tempo para explicações depois. O que importava mesmo era estarem novamente um nos braços do outro.
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Vernon Dursley alisou os bigodes repetidas vezes, como se isso o ajudasse a entender todos os acontecimentos das últimas horas. Voltara de uma reunião desgastante com os outros membros do conselho da cidade e se deparou com a noticia de que tinham hóspedes. E eles nada mais eram que sua cunhada, que ele jurava que tinha morrido na guerra e um amigo dela. Amigo, pois sim. Aquele homem que no momento estava sentado ao lado do seu filho na mesa de jantar, devia ser tudo menos amigo dela. Isso para ele tinha outro nome. Como Lílian, que apesar de ter um jeito meio independente demais para o gosto dele nunca dera mostras de ser uma pessoa vulgar, tivera coragem de trazer aquele tipo para dentro de uma casa de família. E pelo jeito de Harry tratá-lo, aquele caso era coisa antiga e de conhecimento quase público.
- Vocês vão ficar muito tempo? – Rosnou sem se preocupar em ser educado.
- Eu não sei Vernon. – Respondeu Lilly, feliz demais em ver seu filho para se incomodar com o jeito do cunhado. – A princípio tenho um mês de licença.
- A gente vai voltar para Londres? – Harry perguntou sentindo seu coração bater aflito. Desejara tanto poder voltar à sua cidade que não imaginara sentir-se tão mal diante da possibilidade iminente.
- Ainda não pensei realmente nisso, querido. Não acho que Londres seja um lugar seguro ainda. – Falou pegando na mão do filho carinhosamente.
- Isso quer dizer que vocês vão ficar aqui na minha casa até decidirem se voltam ou não para lá.
- Vernon, por favor. – Petúnia pediu baixinho, não por discordar do marido e sim porque achava uma verdadeira falta de etiqueta discutir à mesa.
- Se o senhor quiser, senhor Dursley, eu posso ir para o hotel. – Começou Remus, mas foi interrompido por Lílian.
- Você não pode ir para o hotel Remus, já discutimos sobre isso. – Virando-se para o cunhado continuou com uma expressão que Harry a via fazer sempre que queria conseguir que seu pai fizesse algo que não queria. – Vernon, Remus tem um ferimento na perna que precisa ser cuidado com atenção, por isso, se pudermos contar com sua enorme generosidade, eu pediria para ficarmos um pouco mais até que ele melhore.
- Está bem senhor Buffin...
- Lupin. Senhor Lupin. – Interrompeu Harry contendo o riso.
- Senhor Lupin. O senhor pode ficar. Apenas peço que contenham-se enquanto estiverem sob esse teto. – Bufou irritado.
Lílian e Remus trocaram um olhar igualmente intrigados com as palavras de Vernon, mas por respeito aos seus anfitriões decidiram deixar para lá. Estavam muito cansados pela longa viagem para se desgastarem com coisas sem sentido.
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Ginny, Hermione e Ronald atravessaram os portões do jardim da casa dos Dursley ainda incertos sobre a recepção que teriam. Tinham visto Harry brevemente após a missa naquela manhã, mas acharam que seria inoportuno atrapalhá-lo depois dele ter estado tanto tempo afastado de sua mãe, então decidiram fazer uma breve visita no final da tarde. Enquanto a jovem ruiva alisava as dobras da saia com mais cuidado do que o normal, Hermione se aproximou da porta e tocou a campainha.
- Olá, boa tarde. – Falou quando a senhora Dursley abriu a porta. – O Harry está?
- Está.
- E a gente pode falar com ele? – Completou Ron erguendo a sobrancelha.
- Ron!
- O que Hermione?
- Francamente...
- Shshshsh. – A garota disse lançando um olhar reprovador. - Nós poderíamos falar com ele senhora Dursley, por favor.
- Eu vou chamar.
Ginevra quase não reconheceu o rosto que surgiu à sua frente minutos depois. Nunca tinha visto Harry daquele jeito, com a fisionomia tão relaxada. Parecia que haviam tirado um grande peso de suas costas e agora ele estava livre. Um grande sorriso adornava seu rosto e havia um brilho de felicidade nos olhos verdes que Ginny nunca antes enxergara e sentiu o coração bater mais forte quando ele se aproximou.
- Oi Harry, viemos saber como você está. – Hermione falou assim que o viu.
- Ótimo, eu me sinto ótimo.
- A Ginny nos contou a novidade. – Ron falou depois de cumprimentá-lo.
- Nós estamos muito felizes por você. – Balbuciou a ruiva sem conseguir tirar os olhos do rosto dele, que sorriu ainda mais ao respondê-la.
- Eu sei, obrigado. Venham eu quero que conheçam a minha mãe.
Harry chamou os amigos, pegando na mão de Ginny e puxando-a para que o seguisse. Chegaram à sala onde sua mãe conversava com Remus Lupin e aproximou-se dela ainda trazendo a garota consigo.
- Mãe, eu queria apresentar os meus amigos. – Lílian encarou os recém-chegados com um grande sorriso. – Essa é Hermione Granger, a garota mais inteligente que eu conheço.
- Para com isso, Harry. – A garota murmurou sem graça, antes de cumprimentar a mulher. – Muito prazer senhora Potter.
- Como vai?
- Esse é meu melhor amigo Ronald Weasley. – Apontou para o ruivo que estava ao lado de Hermione.
- Prazer senhora Potter.
- O prazer é todo meu. – Lilly disse sorrindo.
- E essa é a Ginny...
Harry olhou para a jovem com tanta intensidade ao falar que ela sentiu a respiração falhar e corou imediatamente, o que não passou despercebido por Hermione que conteve um risinho. Mas ele não terminou de falar, pois foi interrompido por sua mãe.
- Essa eu já conheço, como vai querida?
- Eu estou bem senhora Potter.
- Eu fico muito feliz de conhecer os amigos de Harry, é realmente um grande prazer. Espero que possamos nos ver mais vezes.
Harry sorriu e apertou mais a mão de Ginny na sua. Virou-se um pouco para o lado e apontando o homem que os observava da poltrona com um sorriso, apresentou.
- Esse é meu tio Lupin.
- Lupin. – Corrigiu Remus com um erguer de sobrancelha.
- Ah é, só Lupin, sem tio. – Brincou. - Ele é um grande amigo dos meus pais e veio acompanhando minha mãe.
- Muito prazer. – Os jovens disseram os cumprimentos de costume e então Ron perguntou.
- E aí, Harry. Você quer dar uma volta com a gente?
- Francamente Ronald. Ele deve querer ficar com a mãe dele, não acha?
- É... – Começou Harry, mas foi interrompido por sua mãe.
- Eu ia mesmo pedir licença a vocês, pois está na hora de verificar o ferimento de Remus. – Levantou-se e pousou um braço nos ombros do filho. – Por que você não vai com eles, Harry? Pegue um pouco do dinheiro que te mandei e compre chocolate quente para todos, ou algo assim.
- Legal! – Exclamou Ron recebendo de Hermione um olhar de repreensão.
- Tudo bem, só que... – Deu um sorriso torto. – Eu não tenho mais dinheiro mãe. O dinheiro que eu recebi no início de julho já acabou faz tempo.
Lílian olhou intrigada. Então Harry não estava recebendo o dinheiro que ela mandava todos os meses e que sabia que eram retirados... Aproximou-se da pequena bolsa que levara consigo quando foram à igreja pela manhã e que ainda estava sobre a arca da sala e de lá retirou algumas moedas.
- Não tem problema, tome. Agora vá e divirtam-se.
Harry aceitou o dinheiro, certo que sem duvida aquela seria a melhor tarde desde que chegara a Bourghill. Deu um beijo estalado no rosto da mãe e agradeceu, saindo em seguida acompanhado dos amigos.
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N/B Paty: Eis que nos surge o capítulo feliz!!! (vibrando) Eu amei tudo, mas principalmente a parte do Harry apresentando a Ginny para a mãe - foi muito bom hihihihi... Foi tudo lindo e quanto ao James vamos esperar. Mas galera eu confesso que estou louca para ler a parte em que a Lily descobre que o Valter tá ficando com o dinheiro, gordo bandido (arregaça as mangas) eu queria ajudá-la a bater nele hihihi... Beijos pessoal e valeu por esse capítulo lindo Pri.
N/B Pamela: Sim, um capítulo leve e feliz! Ai o tadinho do Harry tava precisando né?! Ele segurando a mão da Gin e andando pra lá e pra cá não foi lindo???! . Ai, ai suspirando... Aff como o Valter e a Petúnia são maldosos né? Imagina, pensar algo feio da Lily e do Remus. Humpf! Eu ainda tenho esperanças do James estar bem vivo para dar uns bons tabefes naquele bolão! rsrs
Amei o capítulo Pri! Amo-te...beijos!
NA: Viram como eu não sou tão má como vocês imaginaram? Eu não matei a Lilian!!!!! e a galera vibra Quanto ao James ainda resta uma esperança!!!! e a galera canta Bom, estou sem inspiração pra escrever essa notinha, e sem tempo também então dessa vez eu não vou fazer os comentários individuais, apenas agradecimentos, ok?. Bjks especiais paras minhas irmãs queridas, Pam e Paty. Amo vocês.
Muito o brigada a todos que estão lendo: Sonia Sag (te amo e estou com saudades. Você vai ou não pra Sampa?), Gina W Potter, Bernardo Cardoso (amore tá tão sumido!), Aluada (e sua irmã que desistiu de comentar, Duda), Naty L Potter, Charlotte Ravenclaw, Bru Black, Tonks Butterfly, Gaby Weasley (como está a faculdade filha?), Márcia M (o que importa é que você está por aqui também, obrigada), Lanni Lu (vc atualizou a sua fic? Recebi um email avisando, mas não consegui abrir), Patty Potter Hard, Livinha (Gama Amada!!! Ficou do jeito que você imaginou?), Mirella Silveira, Ninha, Brousire, Sally Owens (Mana, to morreeeendo de saudades. Milhões de beijos), Jade Weasley Potter, Georgea (E o casório quando sai???) e Nani Potter. Também à Ara Potter e a Lis Strange que sempre que podem estão por aqui. E a todos que lêem mas não comentam. BJKS DA PRI.
