9º Capítulo: O conselho de uma amiga

Sakura chegou a casa completamente encharcada, com a roupa, um top sem costas azul-claro, umas calças justas pretas e o casaco que Tomoyo lhe fizera, totalmente colada ao corpo. O pai, Fujitaka Kinomoto, gritou-lhe um olá e berrou-lhe da cozinha para que ela fosse à sala. Ao entrar na sala, não sabia que tinham visitas.

(Yukito) – Olá, Sakura!

(Hikari) – Sakurinha! É melhor ires mudar de roupa, senão ainda te constipas!

(Touya) – Parece que a monstra andou à chuva. Se amanhã estiveres doente, não penses que é aqui o maninho que te vai tratar e aturar!

(Sak.) – NÃO SOU NENHUMA MONSTRA! – berrou Sakura, muito zangada.

(Touya) – Claro que não! – ironizou. – Com esses pulmões és é uma cantora de ópera!

Até Sakura se riu.

(Hika) – Agora tens mesmo que ir vestir alguma coisa seca. Eu vou contigo.

(Yuki) – E vais deixar-me sozinho e abandonado, Hika?

Hikari, que estava sentada no sofá ao pé de Yukito, dá-lhe um beijo na bochecha.

(Hika) – Não sejas tonto. Eu já volto! – anunciou, empurrando Sakura até ao quarto, no andar de cima.

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Enquanto Sakura tomava um banho quente, Hikari estava sentada na cama da rapariga, cujos lençóis eram azuis escuros com estrelas amarelas, à espera da mesma.

(Sak.) – Então, o que é que vou vestir? – perguntou, entrando no quarto com uma toalha enrolada no corpo e outra na cabeça, como um turbante.

(Hika) – Acho que podes vestir o teu pijama, porque não vais sair. Vamos jantar aqui em casa.

(Sak.) – Então está bem – declarou, enquanto desenrolava a toalha e vestia o pijama.

Hikari secou-lhe o cabelo com o secador e terminada a tarefa, sentou-se novamente na cama de Sakura, decidida a conversar com ela.

(Hika) – Sakura, não te importas que eu te faça uma pergunta?

(Sak.) – Dispara.

(Hika) – Porque é que estiveste a chorar?

(Sak.) – A chorar, eu? – mentiu, tentando esconder a tristeza que a invadia.

(Hika) – Não me tentes enganar… Eu posso ajudar-te!

(Sak.) – Não podes. Mas obrigado por te preocupares.

(Hika) – Não me vais dizer o que aconteceu?

(Sak.) – O que farias se amasses alguém que não te ama e que tem uma namorada de que não gosta mas que é uma ciumenta impossível?!

(Hika) – Não te vou perguntar quem é o rapaz, nem que é a namorada dele, nem nada disso. Mas responde-me a três perguntas: «Ele sabe que gostas dele?», «Porque é que ele namora com ela, se não a ama?» E a mais importante «Como sabes que ele não te ama?».

(Sak.) – Nunca lhe disse o que sentia por ele; namora com ela, que é sua prima, porque o pai o obrigou devido aos laços entre a família Li e ele acha-a "toda boa", pelo que percebi…; Quanto à última questão, não te posso responder porque não sei. Mas acho que ele não me ama.

(Hika) – Só te vou dar um conselho. Diz-lhe o que sentes. Nada mais importa…

(Sak.) – Era o que ia fazer hoje. Mas apareceu a namorada e ameaçou-me que, se não me afastasse dele, ia ter problemas.

Nisto, Touya entrou no quarto.

(Touya) – Quem é que te ameaçou?!

(Sak.) – Quem é que te manda ouvir as conversas?! – inquiriu, furiosa.

(Touya) – Não estava a ouvir a vossa conversa, se é que estavam a conversar – explicou-se. – Mas quando entrei ouvi-te a dizer que alguém te ameaçou.

(Sak.) – Ainda bem. MAS NÃO TENS NADA A VER COM ISSO!

(Touya) – Hikari, podes ir ter com o Yuki? – pediu. E Hikari saiu do quarto. - Sakura – começou, olhando-a com seriedade – pode parecer-te que, às vezes, eu não gosto de ti e faço tudo para te irritar. Mas eu preocupo-me muito contigo e não sei o que faria se algo de mal te acontecesse…

Sakura, comovida, corre para ele e abraça-o.

(Sak.) – Eu também gosto muito de ti. Mas não tens de te preocupar. Quem me ameaçou não é perigoso. "Acho eu…" E a tua maninha já tem 17 aninhos, já sabe tomar conta dela!

(Touya) – Oh. – disse, com um encolher de ombros. – Agora vamos jantar.

Desceram juntos, e foram juntar-se a Fujitaka, a Yukito e a Hikari. Jantaram na cozinha e comeram sushi. A meio do jantar, Touya informou os outros dum grande acontecimento.

(Touya) – Eu namoro com a Kaho.

(Todos) – Que bom!

(Fujitaka) – Ela é uma mulher espectacular.

(Hika) – Tens muita sorte, Touya.

(Yuki) – Fico muito feliz por ti – declarou, com um significado que só Touya percebeu.

(Sak.) – Coitadinha da minha antiga professora… Ter que te aturar! – ironizou.

(Touya) – Cala-te, mostra!

(Sak.) – NÃO ME CHAMES MONSTRA!!!!!!!!!!!!

(Fuj.) – Parem com isso! – ordenou.

Continuaram a jantar amuados, tanto Touya como Sakura.

Ao fim do jantar, foram-se acomodar na sala. Estavam todos à conversa, quando se ouviu a campainha. Sakura levantou-se e foi abrir a porta. Não estava ninguém, e Sakura estava quase a fechar a porta quando viu um embrulho no chão. Pegou-lhe e procurou um nome. Só existia uma etiqueta.

De: Shaoran

Para: Sakura Kinomoto

Motivo: Desculpas

Sakura ficou espantadíssima, e dirigiu-se para o seu quarto a correr, a fim de abrir a prenda. Touya ainda lhe gritou para parar de agir como um monstro, mas Sakura nem ligou.

Quando chegou ao quarto, sentou-se de pernas cruzadas na cama e começou a desembrulhar o presente, com o máximo de cuidado para não rasgar o papel de embrulho. Estava eufórica. "Recebi um presente DELE!" matutou "Isso quer dizer que não lhe sou indiferente, não é?" Ao desembrulhar a prenda completamente, viu do que se tratava: uma fotografia dela e dele quando andavam na primária, encaixilhada com uma linda moldura cor-de-rosa ornamentada com desenhos de flores de cerejeira. Mas não era tudo. Junto à moldura, vinha um envelope. Sakura apressou-se a abri-lo. Lá dentro, estava uma carta escrita pelo próprio Shaoran.

Querida Sakura,

Enviei-te este presente como forma do meu arrependimento. Tenho que te pedir imensas desculpas pela cena que a Mei Lin fez. Ela é assim… Imploro-te que me desculpes.

Um beijo,

Shaoran

P.S.: Não ligues ao que a Mei Lin disse. Não quero que te afastes de mim … nunca.

Um sorriso desenhou-se na face de Sakura, ao ler a última frase. "Ele não quer que eu me afaste dele…" Os seus olhos brilharam de felicidade. "A moldura é linda, e a fotografia também… Como eu te amo, Shaoran…"