N/A:Hey!
Como estamos?
Gente, desculpem pela demora á postar e tal. Mas eu realmente não estava conseguindo escrever muita coisa.
O capítulo de hoje não está muuuuito engraçado, mas ele é importante.
O próximo capítulo deve sair em breve, pois já comecei a escrever e está indo muito bem, obrigada! Weeeeeeee
Sem mais delongas...
Boa leitura!
Naquela semana, durante uma noite, Severus e Hermione procuraram por Filch, para falar sobre madame Nor-r-a.
O zelador, sempre ranzinza e mal-humorado, mais parecia uma criança perdida. Seus olhos estavam avermelhados e grandes olheiras eram vistas em sua face enrugada, o que fez com que Hermione se sentisse culpada por ter protelado tanto a conversa.
Ele os recebeu em seu escritório encardido e mal arrumado, trajando seu pijama de flanela velho.
– Sr. Filch, nós queríamos falar com o senhor á respeito de madame Nor-r-ra... – começou Hermione.
– Vocês encontraram o maldito aluno que sumiu com ela?
Os olhos do velho zelador se iluminaram com esperança.
– Erm, ahmm... Nós, bem, nós meio que estamos com ela.
Como era de se esperar, Filch pulou no pescoço de Hermione, derrubando-a no chão e puxando os cabelos negros. Snape os separou por fim, amarrando Filch á cadeira até que se acalmasse.
Eles explicaram tudo sobre como encontraram madame Nor-r-ra no tapete com uma ninhada de pequenos filhotes. Filch decidiu que o-gato-laranja-corrompedor-de-gatas-puras devia morrer, e exigiu que ele fosse amarrado pelo pescoço na torre de astronomia.
– A honra da minha gata foi corrompida! Ele tem que pagar! –esbravejava o velho zelador.
– Olha, com todo o respeito, madame Nor-r-ra parece gostar de Bichento, e eu duvido muito que ele tenha sido o primeiro gato da vida dela – defendeu Hermione.
– Ora seu morcego velho! Como se atreve a falar assim da minha preciosa? – gritou Filch de volta.
– Pelo bendito sangue de Merlin! Estamos falando de GATOS aqui! – interviu Snape.
Como resposta ao comentário, Snape recebeu dois pares de olhos furiosos sobre si. "É melhor deixar que os loucos se entendam sozinhos" pensou ele ao se largar sobre uma das cadeiras empoeiradas que ali havia.
– Pelo bem dos filhotes – tornou a falar Hermione, como se nunca tivesse sido interrompida –, eu sugiro uma união.
– União? – Filch bufou em desgosto.
– É. Um casamento.
Snape não podia acreditar nas baboseiras que foi obrigado á ouvir naquela noite. Filch e Hermione planejaram um casamento para os bichanos, com direito a festa e tudo mais, para dali á um mês, já que madame Nor-r-ra estava em resguardo e tal. Foi com profundo desgosto que o mestre de poções recebeu Filch nos seus aposentos para que ele pudesse conhecer os "netinhos", evento esse que rendeu grossas lágrimas aos olhos do velhote.
Foi um alívio surreal quando Snape se viu livre dos absorventes. Se ele fosse uma pessoa mais desinibida, teria dançado no meio do salão principal de tanta felicidade. Ser mulher é difícil, e isso o mestre estava descobrindo da pior maneira.
Para Hermione, entretanto, a felicidade parecia ter se extinguido por completo.
Ela dormia com Snape, acordava com Snape, sentia o perfume de Snape, morava nos aposentos de Snape e... O que mais mesmo? Ah, sim, ela estava no corpo de Snape. Pra piorar tudo, ela gostava de beijar Snape. Gostava muito, diga-se de passagem.
Poucos dias tinham se passado, mas os sentimentos que ela nutria á respeito de seu ex-professor tinham mudado exponencialmente. Ele não era mais um insuportável morcego velho para ela. É bem verdade que não era a pessoa mais simpática do mundo, mas, na medida do possível, o homem se provara uma companhia interessante.
Só que Hermione não queria se apegar ao mestre. Ou á ninguém.
Como se evocado de seus pensamentos, Snape apareceu na porta da sala de aula.
— Professor Snape — ele chamou e Hermione podia dizer apenas pelo seu tom de voz, que algo ruim tinha acontecido —, temos uma emergência e eu preciso que o senhor venha comigo!
Hermione dispensou a classe e então Snape a arrastou para seus aposentos. No caminho, ele explicou que recebeu uma coruja do St. Mungus e que precisavam dele lá com urgência. Usaram o floo para chegar à sala da diretoria do hospital, já que na carta a diretora do St. Mungus dizia que estaria liberando a rede de floo para que Snape estivesse lá o mais rápido possível.
— Oh, senhor Snape! Graças ao bom Merlin! — exclamou uma mulher baixinha de feições bondosas.
— Onde eles estão? — perguntou Snape, esquecendo-se momentaneamente de sua condição fisica.
— Quem é você? Pensei que esse fosse um caso confidencial! — exclamou ao ver Snape/Hermione.
Ele rapidamente justificou:
— Sou a nova assistente do Sr. Snape, e vim ajudá-lo. Não se preocupe, o caso continua em clandestinidade!
A mulher tornou a se acalmar e indicou que os dois á seguissem. Um longo corredor de paredes brancas se materializou onde antes havia apenas a estatua de uma fada, e eles seguiram por ele, até pararem em frente á uma das portas.
— Eles estão assim á horas! Eu acho que a poção da paz não está mais fazendo o efeito necessário em Alice, principalmente — contou ela com certa tristeza.
Quando entraram no quarto, encontraram os pais de Neville, Alice e Frank, amarrados em suas macas e gritando com todas as forças. Os olhos estavam torturados e esbugalhados, pupilas dilatadas que cobriam quase todo o castanho das íris. Havia sangue em seus pulsos e tornozelos, pois eles lutavam contras as amarras que os prendiam. Suas faces eram uma mistura de veias, lagrimas e dor. A única palavra clara entre os gritos de horror era o nome de Neville.
— Vou deixá-lo fazer sua magica — murmurou a diretora e saiu.
Assim que a porta se fechou, Snape se dirigiu á cama de Alice, apontou sua varinha para a testa da mulher e começou a entoar um encantamento complicado em latim. Hermione, que não sabia ao certo o que fazer, começou a murmurar feitiços de cura e relaxamento no corpo da tremulo de Alice.
Depois de um tempo, os feitiços começaram a fazer efeito e Alice dormiu. Então fizeram a mesma coisa em Frank, que também se acalmou e dormiu.
— Muito bem, Granger — concedeu Snape. — Eu não pensei que você fosse ser útil, mas seus feitiços de relaxamento realmente me permitiram manipular a mente deles com mais facilidade.
— Por que eles estavam assim? —perguntou ela com a voz embargada.
— Eles foram torturados com a cruciatos até muito além da loucura. Tudo o que eles lembram, é a dor do feitiço.
— Mas... Neville me disse que eles estavam loucos, apenas. Não que sofriam a dor...
— Isso é o que Neville acredita. A verdade é que, desde que eles estão internados aqui, eu tenho que alterar a poção da paz que eles tomam. É o que faz com que eles pareçam apenas loucos. Mas de tempos em tempos ela deixa de fazer efeito, então eu tenho que recriá-la — alterar alguns ingredientes ou propriedades mágicas—, para que faça o efeito desejado. É como um antibiótico trouxa. Se usado por muito tempo, o organismo se acostuma, então não faz mais efeito...
— Então o médico receita uma nova droga — concluiu Hermione pesarosa. — Quantas vezes você alterou a poção? Quer dizer, quantas variações você ainda pode tentar?
— Não muitas, na verdade, eu não tenho ideia do que fazer para outra alteração — admitiu ele.
— Isso é tão horrível. — Hermione sussurrou e desatou a chorar.
Snape brigaria com ela por estar chorando com seu corpo em qualquer outra situação, mas, estando ali, depois de ver como o casal sofria, ele se sentia incapaz de brigar com ela, pois ele mesmo queria chorar.
O mestre puxou Hermione para um abraço e ela chorou em seu cabelo.
Era para ser estranho estar abraçando Hermione Granger tão ternamente, mas ele não conseguia pensar nisso. Aquilo parecia certo. Seus corpos, independente de quem fosse quem, se entendiam muito bem. Se completavam.
Quando os soluços passaram e a bruxa se instabilizou, eles deixaram o quarto.
Snape deu instruções á enfermeira, para que ela conseguisse manter o casal calmo enquanto ele trabalha-se na nova poção, e então eles rumaram para a saída do hospital.
Mas, ainda no hall de entrada, foram parados por um senhor de cabelos alvos e oclinhos quadrados. Trazia no peito um crachá brilhante, que informava que seu nome era Otavio e que ele era medibruxo –Hematologista.
— Hermione! — cumprimentou ele alegre.
Snape mal teve tempo de respirar e o homem já o abraçava com força.
— Como você está, querida? — seus olhinhos pequenos e azuis inspecionaram o corpo de Snape, como se procurassem por algum pedaço faltando.
—Bem , eu acho — Snape disse inseguro, se sentindo desconfortável sob o olhar especulativo do homem.
— Como está indo o tratamento? — os olhos azuis cintilaram em preocupação.
— Que tratamento? — O mestre de poções perguntou em visível confusão.
Foi quando Hermione interviu. Ela enganchou o braço em Snape, e começou a arrastá-lo para a saída.
— Temos que ir — gritava ela. — Eu cuido dela doutor, pode deixar! Vou levá-la a todas as consultas e... Até mais! — O medibruxo disse mais alguma coisa, mas Snape não conseguiu ouvir, pois já deixavam o hospital.
Ele ficou confuso com o breve encontro com o Dr. Otavio, porém nada disse, estava preocupado demais com Alice e Frank para pensar em outra coisa.
Eles caminharam em um silêncio contemplativo até a cafeteria que ficava ali perto.
Hermione comprou um copo grande de café com leite e vários bolinhos de morango, enquanto Snape pegou apenas uma xicara de café preto.
Os pensamentos do mestre estavam longe, quando Hermione perguntou:
— A poção que você está preparando, a que leva a orquídea, é para os pais de Neville, não é? — Snape olhou para Hermione por um longo momento, mas não respondeu a pergunta da grifana.
Sua mente começava a voltar a funcionar como antes e, logo, as palavras do Dr. Otavio vieram para o primeiro plano. E aquilo tudo só podia significar uma coisa, uma coisa nada boa.
— Você está doente. — Apesar de supostamente ser uma pergunta, soou como uma afirmação.
Algo dentro dele gritava que Hermione estava doente. Algumas imagens se encaixaram: Hermione o olhando preocupada, o desmaio no laboratório, Ginevra sendo interrompida abruptamente, a falta de apetite, as dores de cabeça infernais e, por fim, esse medibruxo estranho falando de algum tratamento... Hermione Granger estava doente, e ele tinha certeza de que era algo sério.
Ficaram se encarando por longos minutos, ambos sem responder a pergunta do outro.
No entanto, antes que um deles tivesse que quebrar o silêncio, uma voz grave e profunda ecoou até eles.
— Mione!
Hermione virou o pescoço e viu Dimitre Volk andando lentamente em direção á mesa.
— Oh. Meu. Merlin! — exclamou ela baixinho para Snape. — Olha, por favor, por tudo que é mais sagrado, pelo seu quite de química, seja gentil com ele! — implorou com voz manhosa.
—Com ele quem, criatura?
— O cara que está vindo pra cá — contou ela. — O nome dele é Dimitre, ele e eu... Bem, nós meio que flertamos por anos!
— Quer que eu paquere... — mas antes que Snape terminasse de falar, Dimitre já puxava uma cadeira e se sentava.
— Boa tarde, senhor... — ele estendeu a mão para Hermione, e ela a apertou com gentileza.
— Snape. Você é Dimitre, não é? Hermione me falou muito bem de você!
— Falou é? — Dimitre girou o pescoço para Snape, então se inclinou sobre a mesa e beijou o bruxo no canto dos lábios. — Senti saudades, Mione. — Snape ficou paralisado por um momento, mas quando recobrou seus movimentos, pegou o guardanapo do colo e limpou a cara toda, fazendo barulhos característicos de ânsia de vomito.
Hermione arregalou os olhos para Snape e acenou com a cabeça, para indicar que o homem parasse com a ceninha de nojo e respondesse Dimitre. Ao que ele obedeceu sem vontade.
— Eu também senti saudades. — Snape disse roboticamente.
— Eu ia te mandar uma coruja hoje ainda, mas o destino te colocou na minha frente gata — Dimitre deu uma piscadinha de cafajeste e jogou os cabelos castanhos para o lado, no maior estilo "estou te seduzindo".
Snape girou os olhos nas órbitas. Hermione gostava desse cara? Sério mesmo? Desgostoso, o mestre avaliou o homem que estava sentado á centímetros dele. Dimitre tinha a pele morena, os cabelos cacheados, em tom de castanho–acobreado, combinavam com os olhos que eram da mesma cor. Mesmo sentado podia se notar que era alto e forte. Trajava uma jaqueta de couro e calças jeans que se enterravam em coturnos pretos.
— Que bom, não é? — Hermione interrompeu com um sorriso. — O que você queria com ela Dime? Digo, Dimitre.
— Eu ia... — começou o jovem, mas achou estranho o homem perguntar sobre aquilo. Logo sua mente gritou que ele e Hermione estavam juntos, o que o fez ficar irritado. —O que, afinal, você é da Mione? — quis saber ele, sua voz se tornando um pouco rude.
— Eu sou só colega de trabalho dela — Hermione disse rapidamente, suas mãos acenando em desdém.
Snape enrijeceu na cadeira. Só um colega de trabalho? Como assim? Ele sabia que era isso que eles eram. Apenas colegas de trabalho, certo? Então porque ouvir Hermione dizer aquilo o incomodou tanto?
— Hum. Só um colega... —começou Dimitre coçando o queixo. Ele bufou e enrugou o nariz para Hermione, antes de voltar a falar com Snape. — Então, como eu dizia, eu ia te mandar uma coruja hoje. Queria te chamar para sair.
—Sair? — Snape arqueou a sobrancelha e cruzou os braços sobre o peito.
— É. Acho que nós devíamos tomar uma cerveja amanteigada qualquer dia desses, o que você acha Mione? Domingo está bom para você?
— Olha, eu não quero decepcionar você – Snape olhou para Hermione, seus olhos brilhando com uma ideia repentina de vingança. — Mas eu acho melhor deixarmos claro um ponto aqui.
— Pode dizer.
— Dimitre, eu sou lésbica. — Ele disse com um sorriso grande.
Hermione arregalou os olhos e cerrou os punhos sobre a mesa, mas não tinha nada que pudesse fazer ou dizer pra parar Snape, entretanto.
— Não entendi — Dimitre murmurou.
— Gosto de mulheres, entendeu? Seios, bunda, coxas, cabelos compridos, perfume de flores, batom de cereja...
— Aaaaah! Entendi — Dimitre tomou uma longa respiração, então chacoalhou a cabeça, como se não acreditasse no que ouvia. Mas, para desagrado de Snape — que já estava sorrindo de orelha á orelha —, o jovem bruxo abriu um sorriso radiante. — Isso é ótimo, Mione! —exclamou ele roucamente.
—É?
—É? — Hermione e Snape perguntaram ao mesmo tempo.
— Eu tenho um fetiche por... Você sabe... Lésbicas e tal — ele sussurrou. — Na verdade, se eu soubesse que você gostava de mulheres, eu já tinha te chamado pra sair antes.
— Você não entende o que ser lésbica significa? — Snape cuspiu, já meio irritado pelo bruxo parecer feliz com a noticia.
— Claro que sei.
— Então, você sabe que não tem o equipamento necessário para me satisfazer sexualmen...
— Xiiiiiu! — Dimitre se inclinou sobre a mesa e colocou dois dedos sobre os lábios de Snape, fazendo com que ele se calasse. — Isso é só um detalhe, gata!
Dimitre se levantou para ir embora, mas antes se inclinou e tomou a mão de Snape entre as suas.
— Domingo á noite, na minha casa. E leve um par de luvas de silicone e um chifre de unicórnio — O jovem deu um beijo molhado na mão de Snape e se retirou com um sorriso torto.
Hermione deixou o corpo tombar pra frente, batendo a testa na mesa com força.
— Eu quero morrer! — sua voz soou abafada pela toalha de linho.
— O que foi que você viu nesse sujeitinho, Hermione? — a ciúmes na voz de Snape era mais que evidente, entretanto, Hermione não notou.
— Me chamou de Hermione — apontou ela, e mesmo sem ver seu rosto, Snape sabia quem ela estava sorrindo.
— Não chamei nada — afirmou ele, mesmo sabendo que tinha a chamado pelo nome de batismo. — Então, o que foi que você viu nele?
Hermione levantou um pouco a cabeça.
— Ele tem uma moto. Tenho uma tara por motoqueiros — admitiu ela com um dar de ombros e voltou a tombar a cabeça na mesa.
Snape se remexeu em sua cadeira. "Motoqueiros é? Eu posso ser motoqueiro também... Quer dizer, nunca consegui andar de bicicleta, mas deve haver algum feitiço que dirija essas estupidas motos sozinho... Mas que droga que estou pensando? Tanto faz o que a Granger gosta ou deixa de gostar!" Snape chacoalhou a cabeça para expulsar tais pensamentos absurdos e voltou a se concentrar no que importava de verdade.
— Luvas de silicone? Chifre de unicórnio? Mas que diabretes esse doente têm em mente?! Olha, nem por todos os galeões do mundo eu vou á esse encontro! — Snape disse firme.
— Oh, não, nem vamos discutir sobre isso — Hermione ergueu o olhar desanimado para Snape. — Acredite, depois disso, Dimitre perdeu todo encanto pra mim. — Ela assegurou.
Snape não sabia bem o porquê, mas, saber que ela não se interessava mais nos cabelos cacheados de Dimitre, o deixou completamente satisfeito.
Hermione estava no quarto de Snape, olhando fixamente para o guarda-roupa aberto. Suas roupas estavam todas ali agora, misturadas às roupas do bruxo, como se fossem um casal.
Que ideia mais ridícula! Como ela e Snape podiam parecer um casal? Eles se odiavam. "Não, não nos odiamos mais" pensou ela com um sorriso, lembrando-se dos poucos beijos que trocaram naquela semana.
—Já fez as malas? —perguntou Snape ao entrar no quarto, arrancando Hermione de seus pensamentos.
— Estou terminando — contou ela, jogando dentro da mala rosa-choque um par de meias coloridas.
— Ei, não precisa levar tudo isso — interviu Snape, olhando desconfiado para a montanha de roupas que se formava sobre a mala.
Ele se aproximou da grande mala, e começou a arrancar algumas peças de roupas de lá de dentro, o que fez Hermione bufar.
— Olha, você é uma mulher agora, você precisa de tuuuuuudo isso ai. Confie em mim.
— Granger— Snape levantou uma blusa com estampa de oncinha e balançou-a freneticamente diante do rosto de Hermione—, por que eu precisaria disso? Sinceramente, você me imagina usando oncinha?
— Não se diz oncinha, Snape. Diz-se: animal print — disse pomposa. — E sim, essa blusinha é linda e super combina com Vegas! — assegurou ela.
— Pela calcinha de Morgana, apenas me dê uma mochila com dois vestidos pretos e eu estarei bem — implorou o homem, que já imaginava as coisas absurdas que Hermione podia ter colocado naquela mala.
— Olha, você está no meu corpo, e vai se vestir conforme eu acho que deve ser — contrapôs ela. — E, diga-me, você já fez as minhas malas?
— Já! — exclamou ele orgulhoso e apontou para um canto do quarto, onde havia uma pequena mochila preta.
— É impossível que as roupas de um fim de semana inteiro estejam ali! — Hermione fingiu sufocar. — Eu preciso de, pelo menos, sete mudas de roupa!
— Argh, mulheres!
Hermione observou o bruxo jogar as mãos para o alto e sair do quarto com passos duros. Suspirou pesadamente e voltou a se concentrar em sua mala, pois ainda naquela noite, estariam indo para Las Vegas.
Cerca de 20 alunos esperavam em frente aos portões de Hogwarts, com os malões no chão e as autorizações em mãos. Snape passava conferindo de um á um, para ver se a assinatura ali era verdadeira, e Hermione não tardou a aparecer, carregando a mochila de Snape no ombro e arrastando a mala rosa-choque em suas rodinhas barulhentas. Alguns alunos caíram na gargalhada ao ver Hermione carregando aquela mala, ainda mais pela echarpe lilás que ela trazia no pescoço. "Uma dama não pode ir á Vegas sem uma boa echarpe!" pensou ela quando colocou a peça.
Ela percebeu as risadinhas, e notou que parecia mesmo cômica a cena de Snape usando echarpe e carregando uma mala rosa-choque de rodinhas. Por isso ela gritou para todos ouvirem:
— Granger, você esqueceu a sua mala!— estava esbaforida quando entregou a mala á Snape e colocou a echarpe em torno de seu pescoço fino. O mestre mordeu a língua para não brigar com ela na frente dos alunos, mas se vingaria de Hermione mais tarde.
Foi um furioso Snape que gritou:
— Todos prontos?
— Sim! — os alunos gritaram em uníssono. Mas Daniel O'conner (o menino que era apaixonado por Hermione), que já estava com o braço totalmente recuperado, mordeu os lábios e acrescentou : "Sempre estou pronto para você, gatinha! Rarw!" com a voz baixa e sensual.
Snape outra vez mordeu a língua, já prevendo que essa viajem lhe traria muitos problemas.
— Meninas com a professora Granger, e meninos comigo, digo, meninos com o professor Snape.
Os alunos, meio confusos, logo se agruparam — nove meninas para o lado de Snape e onze meninos para o lado de Hermione.
O mestre então convocou, com um acenar de varinha, o cabo de vassoura que estava encostado ao portão, ao mesmo tempo em que Hermione convocava a chaleira enferrujada que também estava ali perto.
Quando todos se espremeram para tocar no objeto, Hargrid e Flitwick apareceram aos tropeços ali. Os dois traziam consigo malinhas com roupas e sorriam abertamente.
— O que fazem aqui? — quis saber Hermione.
— A professora Minerva mandou a gente ir com vocês! Pra ajudar com as crianças, sabe? — Hagrid disse rapidamente, olhando por cima do ombro, como se esperasse ver alguém correndo atrás deles. Não havia ninguém, entretanto.
— Ela não disse que vocês iriam junto — murmurou Snape.
Hagrid e Flitwick se entreolharam e um pouco de cor apareceu em suas bochechas, mas antes que Snape dissesse mais alguma coisa, as chaves de portal começaram a brilhar e todos voltaram a se espremer em torno dos objetos. Hagrid colocou a mãozona na chaleira e Flitwick segurou sua mãozinha no cabo de vassoura.
O mundo girou e desapareceu, mas aquele conhecido desconforto de ser transportado para longe não tardou muito á acabar, e quando abriram os olhos, estavam no em Las Vegas. A maioria dos alunos estava estatelada no chão de mármore de um suntuoso saguão de hotel, entre eles também havia Hagrid que também se desiquilibrara com viajem.
Quando o meio gigante se levantou, bateu a poeira das vestes e gargalhou alto.
— Vegas, Vegas, Vegas! Papai voltou! — Hagrid abriu os braços e girou para contemplar melhor o saguão do hotel.
Ninguém nunca tinha visto Hagrid tão feliz.
N/A: Xiiii, Hagrid e Flitwick estão muito estranhos, muito estranhos... hahaha
No próximo: Poker, festa, dreads e casamento. *OOOOOOOOOOOOOO*
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Amo vocês, beso
