Depois de comer alguma coisa no próprio hotel, eles foram até o museu. Nenhum deles tocou na questão de trabalho, ou de se disfarçar para obter algumas informações, durante o almoço, mas Sara não havia descartado completamente a idéia.
Caminhando até o museu, Grissom perguntou se Sara estava sentindo saudades de las Vegas.
"Não muita... Por enquanto acho que a saudade só está ligada aos rapazes do trabalho. Não tanto pela cidade". Respondeu ela.
"Gostaria de morar aqui?"
"Essa pergunta é difícil. Las Vegas e Paris são muito diferentes: aqui as pessoas agem diferentes, o ritmo também é distinto..."
"Pensei que gostasse do ritmo mais agitado".
"Eu gosto... Por que você me perguntou isso?"
"Só curiosidade" respondeu Grissom.
"Grissom, você não estaria querendo se livrar de mim estaria?"
Grissom arregalou os olhos - de forma alguma, era essa a idéia que queria passar, ao dizer todas aquelas coisas.
"Ok. Dessa vez ela te pegou. Como vai sair dessa?" Pensou ele.
"E então..." questionou Sara.
"Você ficou muito mais feliz aqui..."
"Bom isso é verdade. Mas isso não responde minha pergunta".
"Vamos lá Grissom, o que você quis dizer com isso? Realmente quer que eu me afaste de você?" Pensou Sara.
"Não quero, de forma alguma, me "livrar" de você. Eu só estava pensando..." falou ele finalmente.
A jovem sorriu. "Agora está ficando melhor..." pensou.
"Por um outro ângulo" continuou ele "Se você for ser mais feliz aqui, deveria ficar. Eu iria entender".
"Não acredito!" Exclamou ela. "Está, por acaso, ouvindo essa besteira toda que está dizendo?"
Grissom ficou chocado com a reação da jovem. Sara queria estar próximo dele, e ele também, e mesmo assim, Grissom conseguiu dizer bobagens!
O Louvre era muito bonito: a entrada, de muros altos, os jardins com flores lindas, a pirâmide feita de vidro no centro... A maioria, senão todos os lugares, era superbem cuidados. Grissom comprou os ingressos e eles entraram para ver a exposição.
Sara até que conseguiu se distrair um pouco, mas não tanto quanto gostaria. Apreciou as obras de artes, mas quando Grissom se aproximava, ficava nervosa e ia olhar a obra seguinte.
Quando eles chegaram na última sala, que estava bem mais vazia que as demais, ele a pegou pelo braço e a puxou para perto.
"O que está fazendo?!" Exclamou ela.
"Desculpe, mas foi a única forma que encontrei para fazê-la olhar para mim".
"Está bem. Você conseguiu, mas será que pode soltar o meu braço?" (Grissom assim o fez).
"Eu sei o que você quer de mim, Sara! Mas nesse momento, eu não posso lhe dar isso! Se me fiz de "idiota", muitas vezes, era porque não queria te magoar, ou ser injusto, seja dando esperanças ou simplesmente dispensando-a, depois de tê-la feito ir trabalhar em Vegas, ao meu lado. Esses últimos dias tem sido muito bons, porque estou vendo você feliz e posso, longe do laboratório e longe das pessoas, pensar com calma sobre nós".
"Essas coisas a gente não pensa, Grissom, a gente sente".
"E posso dizer que sinto algo, mas não sei qual a proporção disso. Então, preciso de mais tempo".
"Já pensou que eu poderia ter desistido de tudo, há muito tempo?"
"Sim. Eu pensei, mas não o fez, o que significa que ainda há esperanças, desejos. Só peço que tenha mais um pouco de paciência".
"Até quando?"
"Não vai demorar muito... Eu prometo".
Grissom voltou seu olhar para o último dos quadros. Ele não queria demonstrar a Sara, o quão havia sido difícil dizer tudo aquilo. Sara sentou-se no banco que havia na sala e esperou por ele. A frase "não vai demorar muito" ficava latejando dentro da cabeça dela.
Os dois subiram a escada rolante, de volta ao térreo, de mãos dadas. Agora o clima já estava bem mais ameno.
Quando saíram do jardim, Sara avistou um simpático café e sentiu uma vontade enorme de tomar um sorvete.
"O que foi, Sara?"
"Poderíamos ir até aquele café?" Perguntou ela, parecendo criança.
"Claro".
Sara atravessou a rua, sem nem olhar para os lados. Por sorte, o carro que vinha estava longe, dando tempo dela atravessar toda a rua. Grissom arregalou os olhos. A jovem se aproximou do balcão e pediu uma bola de sorvete de framboesa, com calda de chocolate. Ela pegou o potinho e olhou para Grissom. Tinha um brilho lindo no olhar que o deixou Grissom totalmente arrepiado.
"Uma flor, saboreando um sorvete com glamour, que meigo" pensou ele.
Sara ofereceu a ele, com graça, mas ele recusou.
Os dois então, voltaram para o hotel.
Assim que a jovem entrou em seu quarto, o telefone tocou. Era Laffon, querendo saber se estava tudo bem.
"Sim".
"Estava tentando falar com você... "
"Alguma novidade no caso?" Perguntou ela, cortando qualquer tentativa de "flerte" por telefone.
"Confirmado que ele vai ao cabaré, aquele mesmo, esta noite" respondeu o detetive.
"Ótimo. Estava pensando em colocar alguém mais próximo do homem... Realmente próximo".
"É uma boa idéia. Vou ver se arranjo alguma agente, para fazer isso".
"Acha que será necessário?" Perguntou Sara.
"Como assim?!" Questionou ele.
Sara explicou com todos os detalhes, o que tinha bolado para aquela noite. Laffon ficou realmente chocado ao saber, mas não podia negar que era uma idéia interessante, e que talvez trouxesse algum resultado satisfatório. Da forma como Sara falou, parecia tudo certo entre ela e o chefe e por isso, Laffon não fez perguntas. Os dois acertaram as coisas e depois desligaram.
Enquanto isso, Grissom aproveitou o meio tempo para ler um livro de detetive, da Agatha Christie. Não era o tipo de livro de cabeceira, mas comprara no aeroporto de Nova York.
TBC
