N/A: Oooi gente, aqui vai mais um capítulo! Muito obrigada por todos os comentários, e pelos favoritos e seguindo! ((: A história tá ficando do jeito que eu quero! Espero que vcs gostem tbm!


Décimo

- COMO ASSIM NOSSA IRMÃ FOI SEQUESTRADA? - Kankurou gritou assim que entrou na sala de conferência. Ele parou de súbito ao olhar o conteúdo do pano estendido sobre a mesa.

O imponente leque de ferro de Temari estava reduzido a pedaços de metal retorcidos, com tiras de papel grudadas em alguns pontos.

O mestre dos fantoches andou até o lado de seu irmão mais novo e indicou o ex-leque com a cabeça.

- Se alguém conseguiu fazer isso com o leque, o que fizeram com nossa irmã? – Sua voz tremia de leve, presa no fundo da garganta.

Todos na sala engoliram em seco. Mitsue, de seu lugar próximo à parede estremeceu quando uma imagem de Temari passou por sua cabeça. Como puderam levá-la? Ela, a Rainha do Vento Impetuoso. Princesa da Areia. Ela, que parecia tão forte. "O que fizeram com ela?"

- Eu gostaria de saber por que Konoha não nos avisou? Ela estava em seus domínios quando isso aconteceu! – Gaara se manifestou pela primeira vez desde que fora informado da destruição da arma de sua irmã. Sua voz estava abafada de ódio controlado.

Ele levantou seus olhos do tampo dos destroços, e por mais que todos no aposento soubessem que sua raiva não era direcionada a eles, um arrepiou coletivo passou pela sala. Mitsue queria abraça-lo, confortá-lo de alguma forma, mas sabia que ele já tinha o suficiente em sua cabeça, não precisava ter de explicar seu relacionamento. Ela lembrou-se do que o ninja que os notificara sobre os acontecimentos lhe dissera.

Flashback

Gaara saiu bruscamente da sala. Mitsue em seus calcanhares. Mas antes que ela conseguisse cruzar o batente da porta uma mão segurou seu pulso.

- Então foi assim que você conseguiu seu emprego? – O jounin a olhou de cima a baixo, seu olhar e voz repletos de desprezo.

Fim do flashback

Sim. Ninguém deveria se preocupar com nada além da segurança de Temari no momento

- A mensagem ainda pode estar chegando. São três dias de viagem. – Um conselheiro estava respondendo a pergunta do Kazekage.

- Mandem um mensageiro até a folha também, solicitando a ajuda da Hokage para a localizarmos. - Ele disse após pensar um minuto.

- O senhor acha que precisamos de ajuda? – Um dos oficiais perguntou.

- Não medirei esforços para encontrar Temari.

- O senhor acha que nos ajudariam? – Outro dos jounins se manifestou.

Kankurou bufou.

- É claro que sim! Eles têm seus próprios interesses na saúde de Temari! Além disso, de que vale uma aliança se não podemos recorrer a ela quando precisamos?

- O que eu quis dizer é que talvez eles achem que esse é um problema... – O oficial pigarreou. - De ordem menor.

- Ordem menor?

A sala inteira congelou. Gaara voltara a encarar o tampo da mesa, sua voz baixa e perfeitamente calma. Perfeitamente perigosa.

- Você acha que o resgate de minha irmã é de ordem menor? – Ele continuou inexpressivo.

- Nã... Não foi o que eu... Quis dizer... Eu... – O ninja gaguejou.

Kankurou deu um passo à frente e pôs a mão no ombro de seu irmão.

- Gaara, acalme-se. Precisamos de todos os ninjas que pudermos reunir, não vale a pena matá-lo. – Depois, virando-se para o dito ninja. – O sequestro de nossa irmã não é uma questão de ordem menor. Eles provavelmente pretendem nos chantagear, é uma crise nacional. – Terminou acidamente.

- E o que vamos fazer enquanto isso? – Alguém perguntou.

- Vamos esperar. – Mitsue manifestou-se pela primeira vez. – E vamos mandar grupos de busca pelo deserto e arredores da Vila da Folha.

Gaara levantou a cabeça ao som de sua voz.

- Mitsue, estou te nomeando chefe da inteligência dessa missão. Organize as equipes e suas rotas.

Ela acenou com a cabeça, determinada.

Ele respondeu com outro aceno.

- Estou contando com você.


Chovia torrencialmente em Konoha. Tsunade olhava pela janela fazia alguns minutos. Ela nunca gostara de dias chuvosos. Mas sabia que não era a chuva que a estava fazendo sentir-se péssima nesse dia. Seu estado de humor tinha muito mais a ver com a carta sobre sua mesa. Uma batida na porta a fez mover-se de seu lugar. Suspirou e sentou em sua cadeira. Era chegada a hora.

- Entre.

Ela observou o rapaz que passara pela porta. Ele era um de seus melhores ninjas, uma mente brilhante, habilidades incríveis. Ela por acaso sabia que também era uma ótima pessoa. E que ele não merecia ouvir o que teria de ouvir agora. Pensou embaixadora da areia, nas coisas que ela sabia que atormentavam a cabeça da jovem ninja. Ela deixara a folha apressada quando recebeu uma carta da areia solicitando sua presença imediata. Tivera tempo de falar com ele? Ela teria de contar-lhe que Temari fora sequestrada ou que sua namorada o fora?

- Shikamaru, por favor, sente-se.

Ele obedeceu silencioso.

- Eu tenho uma notícia um tanto desagradável para te dar.

Ele esperou, ainda em silêncio, um leve ar de curiosidade em sua face.

- Hoje eu recebi uma carta da areia referente à sua embaixadora em Konoha. Você tem interesse em saber seu conteúdo?

- Obviamente eu tenho, ela é minha namorada. – Ele respondeu sentando-se mais ereto.

Tsunade fechou os olhos. Isso seria desagradável.

- Pois bem. A carta foi escrita pelo próprio Kazekage. - Então ela abaixou a cabeça e começou a ler o pedaço de papel em suas mãos:

Cara Hokage,

Hoje eu recebi uma carta da Vila do Grão notificando o sequestro de minha irmã mais velha. – Ela fez uma pausa de um milésimo de segundo ao ouvir uma respiração afiada (sharp breath). – Recebi como prova os restos do leque das três luas. Gostaria de saber se vocês tem ciência desse acontecimento, e se tem, por que não fomos avisados. Também tenho um pedido para te fazer. Se a Vila da Folha puder dispor de algumas equipes de busca, seria de grande ajuda que a área ao redor de sua Vila fosse investigada. Temari não se deixaria levar sem lutar, e se encontrarmos o lugar no qual tal luta ocorreu, podemos ter algum sinal da localização de minha irmã.

Já agradecido, o Kazekage.

Tsunade esperou, mas nenhum som foi emitido por Shikamaru. Depois de alguns instantes ela levantou seus olhos da carta.

Ele tinha os seus abaixados, focados em algum ponto perto de seus pés. Suas mãos estavam entrelaçadas e tremiam ligeiramente. Mas quando ele falou, sua voz foi firme.

- Tenho sua permissão para montar e liderar as equipes?

- Sim.

Ele levantou-se e saiu do escritório, sem nem olhar para trás.


Gaara suspirou e esfregou suas têmporas. Então era isso, não tinham mais esperanças de encontrar sua irmã. Alguns dias atrás a equipe de busca liderada por Kiba Inuzuka, da Vila da Folha mandara uma notificação de que encontraram o que provavelmente era o local em que Temari fora sequestrada. Mas todos os ninjas rastreadores, sensitivos e o que mais pudessem enviar para o local não puderam encontrar nenhuma pista do paradeiro da mais velha dos irmãos da areia. Ele mesmo fora observar o local, mas não conseguira nada além de uma sensação de frio na barriga ao perceber as marcas de uma grande mancha de sangue no chão cheio de folhas da floresta.

Não tinham outra opção além de declarar guerra.

O jantar naquele dia passou-se silencioso e pesaroso. Mitsue levantou-se e começou a retirar a louça. Ela tentara melhorar um pouco o clima durante o jantar, trazer esperanças, mas nem mesmo ela conseguia mostrar-se animada, quanto mais animá-los.

Depois do jantar todos se reuniram na sala de estar, e as horas passaram silenciosas e arrastadas. Shikamaru foi o primeiro a se retirar, subindo para o quarto de Temari com passos pesados. Kankurou o seguiu poucos minutos depois, murmurando alguma coisa sobre acordar cedo e ocupar-se me tentar pensar em uma saída. Gaara e Mitsue deixaram-se ficar na sala por mais tempo. Em algum momento ela passou os braços ao redor de seu corpo e o estreitou. Ele deixou-se levar pelo toque, relaxando contra seu corpo. Eventualmente Mitsue adormeceu, no mesmo lugar que se encontrava.


Gaara suspirou e esfregou as têmporas, uma parte de sua mente registrou vagamente que isso estava virando um hábito. Ele passou os olhos pela mesa de conferência. Havia um grande mapa estendido sobre ela, preenchido com alfinetes vermelhos e verdes. Cada cor representando uma vitória ou uma derrota em uma batalha. Infelizmente, havia muito mais alfinetes vermelhos do que verdes no papel. Como uma Vila do tamanho da Vila do Grão conseguia sobrepujar toda a força ninja da Vila da Areia, as forças enviadas pela Folha, pela Nuvem, pela Rocha e pela Névoa, era um mistério. Talvez alguma coisa relacionada à sua incrível habilidade em armar emboscadas, ou então ao fato de ninguém conseguir encontrar a localização de sua Vila. Gaara observou a lista de equipes que haviam caído. Os ninjas do Grão mostravam-se extremamente inteligentes, não se atrevendo a enfrentar a Areia no deserto, ou a Folha na floresta, e por causa disso a lista crescia cada vez mais. As perspectivas não eram boas.

O mais novo dos irmãos da areia não conseguia parar de pensar, de passar por sua cabeça se não poderiam fazer mais alguma coisa, mas no fundo ele sabia que estavam de mãos atadas. Só restava esperar. Esperar que conseguissem descobrir um jeito de dobrar a Vila, que encontrassem sua exata localização, ou a localização de Temari. Ele sabia que seus melhores ninjas estavam pensando em estratégias, inclusive Mitsue e Shikamaru, mas não podia deixar que uma sensação de desesperança se espalhasse por ele. O que estaria acontecendo com sua irmã? Ela estaria bem? Era difícil de imaginar que alguém poderia machucar Temari, mas depois que ele vira o estado de seu leque. O leque que pertencera a sua mãe... Ele não podia perdê-la também.


Gaara abriu a porta de seu escritório e andou até a mesa. Deixou seu corpo cair pesadamente sobre a cadeira. Os últimos dias tinham sido extremamente cansativos, arrastando-se na escuridão de sua ignorância. Ele suspirou e começou a mexer na pilha de documentos deixados por sua secretária naquela manhã. Pouco tempo depois uma batida na porta lhe avisou que a correspondência da tarde chegara. Ele começou a vasculhar os envelopes avidamente, mas um tanto desesperançado. Então ele viu um envelope quadrado, de papel pardo. Dentro dele um pequeno bilhete.

Caro Kazekage-sama,

Gostaríamos de convidá-lo para um encontro na fronteira sudoeste do País do Fogo com o País do Vento para podemos agradecê-lo por nos permitir ter sua adorável irmã como convidada esses dias. Temari-hime manda suas mais carinhosas lembranças. Esperamos-te no nascer do sol do terceiro dia do mês.

Atenciosamente, Vila do Grão.

Gaara sentiu seu corpo começar a tremer. Eles estavam o provocando.


Quando Mitsue se dirigiu ao escritório do líder da vila, após a reunião de planejamento, mal conseguiu reconhecer o lugar. As estantes eram pouco mais que lascas de madeiras, e parecia que uma tempestade de areia entrara pelas janelas.

- Eles estão atrasados. – Shikamaru murmurou. (said under his breath).

Mitsue não pode deixar de concordar. O sol estava a pino e eles já estavam ali desde antes de clarear. Ela olhou de canto para Gaara. Ele estava parado com os braços cruzados desde que chegaram sem mover nem mesmo um músculo.

A situação era inteira extremamente frustrante. Eles eram uma nação poderosa, mas se viam obrigados a sentar e esperar por uma naçãozinha que sequestrara um de seus membros mais importantes e os estava humilhando em pequenas batalhas. Era uma prova de que poder não era tudo nesse, mundo, que a estratégia realmente contava. Ela quase riu diante da ironia amarga. Observou o cenário ao redor. Estavam perto de um rio, no meio da mata, grandes árvores ao seu redor. Começou a pensar em uma estratégia se as coisas não saíssem do jeito que gostariam. Havia sombras o suficiente, Shikamaru poderia fazer um bom trabalho. As árvores ao redor podiam tanto mostrar-se uma vantagem quanto um ponto fraco, por estarem cercados por elas. Era confiar que os ninjas da equipe de Shikamaru mostrassem que diferença faz ser criado no ambiente. O rio tinha um leito arenoso, Gaara podia tirar proveito disso. E essas árvores mais altas... Se Kankurou pudesse esconder algumas marionetes por lá... Deu alguns passos em direção ao mestre das marionetes para lhe falar o que pensara, mas um barulho em um canto a fez parar.

Algumas figuras começaram a discernir-se da mata densa. Quinze, vinte ninjas do Grão. Eles andavam calmamente, como se não tivessem nada a temer. Mitsue sentiu-se desconfortável ao pensar que eles provavelmente não tinham. Nenhum sinal de Temari. Pensando calmamente no assunto, isso fazia sentido. Assim eles garantiam que não seriam mortos, por que se fossem, a localização da ninja da Areia estaria perdida. Um deles, que parecia o líder aproximou-se de Gaara. Vários ninjas da areia puderam-se no caminho dos dois.

- Vocês não vão me machucar, não seriam tão imprudentes. – Ele disse calmamente.

- Experimenta encostar um dedo em meu irmão para ver o que é imprudência. – Kankurou rosnou. – Te transformo em geleia e extraio a localização de minha irmã de seus ossos.

O ninja do Grão fez um barulho de reprovação e balançou a cabeça lentamente.

- Não faça ameaças que não pode cumprir, titereiro. Agora, se todos vocês puderem se acalmar, podemos conversar como pessoas civilizadas. – Ele olhou intensamente para Gaara e deu um sorriso zombeteiro.

"Esse homem não tem noção do perigo" Mitsue não pode deixar e pensar.

Gaara fez um sinal com a mão e o espaço entre ele e o líder dos ninjas do Grão foi liberado.

- Bom, bom. – O homem disse andando mais alguns passos. - Muito prazer, Kazekage. - Ele esticou a mão.

Gaara permaneceu de braços cruzados. Quando o ninja do Grão deu mais um passo em sua direção, areia começou a brotar em seus pés e ele viu-se impedido de continuar. Todos se assustaram com fato, não tinham visto Gaara mexer-se, quanto mais fazer um selo.

- Não gosto que me toquem. – Ele disse em um tom pouco acima de um sussurro.

O ninja estacou, um pequeno brilho amedrontado passou por seus olhos, mas ele logo se recuperou. Retrocedeu alguns passos, a areia o liberou. Ele deu um sorriso um pouco nervoso.

- Vejo que é uma característica de família, sua irmã também não gostou nenhum pouquinho.

Mitsue sentiu Kankurou tencionar ao seu lado e pôs uma mão em seu ombro, lançando um olhar que dizia claramente que "não valia a pena". Kankurou relaxou um pouco e ela respirou fundo, imaginando ter evitado que tudo fosse para o buraco. Mas então algo inesperado aconteceu.

- Ora, seu... – Shikamaru murmurou, a voz estrangulada de raiva, e partiu para cima dos ninjas do Grão.

A garota gritou e tentou chamá-lo de volta, mas ele não parecia ouvi-la. Na metade do caminho, porém, mãos de areia seguraram o ninja da folha em seu lugar.

- Gaara, me solte, deixa-me estraçalhar esse bastardo.

- Shikamaru, pense bem no que você vai fazer. – Ele disse calmamente.

Não demorou um segundo para que o ninja da folha acenasse com a cabeça e fosse liberado do jutsu. Ele retrocedeu alguns passos e voltou a postar-se próximo a Mitsue, fuzilando as fileiras inimigas com uma fúria silenciosa.

- Pois bem, vamos conversar civilizadamente. – Gaara começou. – Onde está minha irmã?

- Não tão de pressa, baixinho.

As fileiras aliadas estremeceram de raiva e medo diante de tamanho desrespeito ao Kazekage. Gaara apenas fechou seus olhos e respirou fundo.

- Muito bem, o que vocês querem como resgate?

- Agora sim! Agora estamos falando a mesma língua. – O ninja sorriu divertido.

- Vamos conversar na minha língua depois. – Kankurou murmurou por entre dentes.

- Nosso líder, Hashimato-sama tem uma proposta muito vantajosa para te fazer.

- Vá direto ao ponto. – O Kazekage cortou friamente.

- Apressadinho...

Eles estavam brincado com fogo.

- Bem, a proposta consiste em um pedido de casamento.

Ok, isso era inesperado. Mitsue tinha certeza de que eles exigiriam algum tipo de aliança, receber imunidade, direitos sobre a Vila da Areia, qualquer coisa, mas não um casamento. Por que eles fariam isso? Então tudo apareceu claro em sua mente. Se a proposta fosse para Gaara... Ela sentiu uma profunda indignação crescer em seu peito. Eles não ousariam.

- Casamento?

- Sim. Sabe, a filha de Hashimato-sama tem dezenove anos e é extremamente bonita, além de uma ninja bem forte. A Vila do Grão veio treinando em segredo pelos últimos anos, e aumentamos em muito nosso poder. Yoi-hime tornou-se esplendorosamente forte.

- Vá. Direto. Ao. Ponto.

- Você é um tanto quanto estressado, não é?

Gaara não respondeu, permaneceu em silêncio.

- Está bem, está bem. A proposta é que você e Yoi-hime se casem. Um pacto seria assinado. - Nisso ele fez um sinal e um dos outros ninjas abriu um pergaminho e estendeu no chão para que todos olhassem. – Como você pode ver, o pacto deixa claro que você será um marido ideal em seu casamento. O que incluiu, obviamente, não causar nenhum dano à Vila de origem de sua esposa e fornecer todo o apoio necessário, independente do que seja. Se você quebrar o pacto, morrerá instantaneamente. Em troca de seu sangue nesse pergaminho, entregaremos sua irmã em suas mãos e pararemos todos os assaltos contra sua Vila.

Sim, eram óbvias as vantagens desse casamento. Dessa forma Gaara seria obrigado a reconhecer e respeitar a Vila do Grão acima de tudo, uma aliança seria firmada de forma irrevogável. Uma onda de ódio quente como ferro fervente se apoderou de Mitsue. Dessa vez foi Kankurou que pôs uma mão em seu ombro para acalmá-la. "Vamos lá, Gaara, coloque-os de volta em seus ligares, esses insolentes". Ela pensou irritada, mordendo o lábio inferior fortemente. Mas Gaara a surpreendeu.

- Ouvi sua proposta, até quando tenho que decidir?

- Esperamos sua resposta nesse mesmo lugar dentro de uma semana.

- Está certo. E eu tenho sua palavra de que não importa o que aconteça, minha irmã estará perfeitamente segura entre hoje e a data de nosso próximo encontro?

- Tem minha palavra. Ninguém encostará um dedo em Temari-hime a partir desse momento até o próximo encontro.

- Não importa o que aconteça?

O ninja do Grão sorriu.

- Não importa o que aconteça.

Gaara virou-se de costas e saiu andando.

- Bom. – ele murmurou.

Então mãos de areia envolveram todos os ninjas inimigos e em um piscar de olhos eles foram reduzidos a massas disformes de carne e ossos, o sangue respingando em todas as direções, mudando a cor da água. E pela primeira vez em sua vida, Mitsue sentiu verdadeiro medo de Gaara.


- Eu vou aceitar. – A voz do Kazekage ecoou pela sala silenciosa.

Estavam todos reunidos na sala de conferência de Suna.

- Do que você está falando? – Mitsue não conseguiu se segurar. Sua voz soou incrédula.

Mas o resto das pessoas permaneceu em silêncio. Ela passou os olhos por todos, podia ver que eles concordavam com as palavras do líder da Vila da Areia.

- É o mais lógico a ser feito.

- Não, não é! Você não consegue ver o absurdo disso? Esse pedido é em si só um profundo desrespeito pela nossa Vila! De uma insolência sem tamanho!

- Sim, é tudo isso, mas não temos escolha.

- Temos sim! Vamos pensar em outra solução, uma contraproposta! – Mitsue aumentou o tom de voz, uma parte de sua mente registrou os olhares de repreensão que recebeu.

- Pense bem no assunto. Eles estão vencendo, têm Temari em seu poder. Não há por que negociarem. – Ele continuou calmo, inexpressivo.

- Mas isso é ridículo! Quem eles pensam que são para nos tratar como marionetes?!

- Mitsue, acalme-se. Estou tão indignado com a situação quanto você, mas é o melhor que podemos fazer.

- Não é o melhor! Como as maiores vilas do mundo ninja não conseguem vencer?! – Ela continuou, exasperada.

- Isso é o que ninguém conseguiu entender até agora. – Kankurou murmurou.

Todos na sala assistiam espantados à discussão. Era muita ousadia dela falar assim com o Kazekage.

- Alguém aqui concorda com ela?

Ninguém se manifestou.

- Então minha decisão está tomada.

- Mas Gaara...! – Ela gritou, esquecendo-se completamente que não deveria usar seu nome de forma tão íntima.

- Mitsue, chega.

- Isso é um absurdo! É ridículo! É ofensivo! Você não pode se sujeitar a isso! – Ela aumentou ainda mais a voz, exaltando-se.

- Eu disse que já bastava. – Ele disse perfeitamente calmo.

- Mas isso...

- Chega! – Gaara gritou. A sala inteira prendeu a respiração. – Nós estamos em guerra! E eu, como Kazekage, farei o que for preciso para proteger minha Vila! E você... você se colocará no seu lugar!

Silencio sepulcral seguiu a suas palavras. Todos os olhares passavam de um para o outro, esperando que o primeiro se mexesse. Fazia muito tempo que algum deles ouvira Gaara elevar sua voz, e o que seguira nunca fora bom. Mas o que aconteceria dessa vez era um mistério.

Gaara suspirou.

- Mitsue, quero que você deixe de lado todos os sentimentos pessoais e analise a situação calmamente. Depois me diga o que fazer como um membro do conselho. – Ele disse novamente calmo.

Ela respirou fundo, e sacudiu a cabeça para sair do choque em que ficara quando ele gritara com ela. Tremendo de indignação, tentou acalmar-se respirando fundo várias vezes. Então pensou. Ela prendeu a respiração e passou os braços ao redor de seu corpo, sentindo um frio súbito.

- O melhor a fazer é aceitar a proposta, teríamos mais um aliado que se provou forte, Temari ficaria em segurança, e nenhum outro ninja de nossa Vila teria de morrer. – Ela disse sem a menor inflexão em sua voz.

Gaara deu um aceno curto de cabeça e dispensou a todos. Mitsue deixou-se ficar na sala. Depois que todos foram embora, ela lentamente escorregou até o chão e por ali ficou, até o amanhecer.


O sol estava alto, os passarinhos cantavam nas árvores, e um clima negro pesava sobre os ninjas reunidos. Mais uma vez eles esperavam, ainda mais impacientes que antes. Nada parecia mudar no cenário da floresta. Shikamaru andava de um lado para o outro irritado, irritado com o sequestro, irritado com a espera. E começava a sentir raiva de Gaara também. Está certo que lhes fora garantido que nada aconteceria com Temari, mas mesmo assim. Ele irritara os ninjas do Grão, talvez eles não fossem assim tão fiéis às suas palavras.

Eles esperaram até quase o por do sol antes que algum movimento fosse percebido. Estavam em menor número do que da outra vez, mas tinham a mesma postura desafiadora e insolente. Shikamaru observou com curiosidade a formação das fileiras, os ninjas pareciam reunir-se ao redor de um deles, mantendo uma distância respeitosa, deveria ser seu líder, Hashimato. Foi ele que começou a falar.

- Você se comportou muito mal, caro Kazekage. – Ele disse em um tom brincalhão.

- Você sequestrou minha irmã. – Gaara respondeu frio.

O líder da Vila do Grão concordou com um aceno de cabeça.

- Isso é verdade. – Ele respondeu sem retirar aquele estúpido sorriso de seu rosto. – Então vamos resolver isso. Ali – Ele apontou para uma ninja que segurava um grande pergaminho. – Está o contrato no qual precisamos do seu sangue, Kazekage. Em algum lugar desse grupo tem uma pessoa que poderá trazer sua irmã até seus braços e em outro lugar, está um ninja com contato direto com o lugar em que a doce Temari está, e qualquer movimento suspeito, ou se não dermos notícias até o amanhecer, resultará em sua morte.

Shikamaru sentiu uma onda nova de raiva percorre-lo. Eles provocavam. Próxima vez que alguém tocasse no nome de Temari... Mas ele sabia que não podia fazer nada. Eles haviam se preparado bem desde o último incidente.

- Então façamos isso rápido.

- Adoro pessoas determinadas como você! – Hashimato riu alegremente.

Gaara fez um sinal para Mitsue, que se aproximou de seu líder com muita má vontade. Ela não aparecera a semana inteira na mansão do Kazekage, nem trocara uma palavra com ele senão durante as reuniões do conselho. A garota usualmente alegre apresentava uma expressão amarrada, que Shikamaru sabia não estar relacionada ao sequestro de Temari. Se ele não estivesse muito ocupado preocupando-se com sua namorada, sentiria pena da garota. Sentiria pena de Gaara também, vendo que tipo de pessoa seria seu sogro.

- Mitsue, eu quero que você leia o contrato e veja se pode ser assinado.

Ela deu um aceno curto de cabeça em guisa de resposta e estendeu a mão para a ninja do Grão. A mulher lhe passou o pergaminho que ela abriu e examinou. Após alguns momentos o estendeu no chão na frente de Gaara.

- Está correto, pode assiná-lo. – Disse friamente.

Gaara passou os olhos pela multidão.

- Preciso do ninja mais forte aqui presente. – Disse olhando para seus aliados. – Vamos lutar, e eu preciso ser ferido.

Todos se olharam estranhamente. O que ele queria dizer com isso? Kankurou foi o único que não pareceu confuso.

- Ele não pode ferir-se, a areia não permite, ela o protege de qualquer coisa que o ameace, mesmo que seja ele. Ela sabe o que ele pensa, então não adianta ele tentar ser mais rápido. Ele precisa estar fora de si para conseguir se machucar, o que obviamente é menos seguro do que pedir para que alguém o enfrente. Agora a questão é: quem vai conseguir atingi-lo?

Houve uma hesitação geral, todos se mexeram desconfortáveis, não querendo oferecer-se e arriscar-se a drenar todo seu chakra sem conseguir resultado nenhum. Depois de um tempo Kankurou suspirou.

- Está certo, eu vou.


Gaara e Kankurou já estavam lutando há algum tempo. Isso é, Gaara ficava parado enquanto seu irmão mais velho tentava atingi-lo de todas as formas possíveis, sem sucesso.

- Kankurou, você tem de vir com a intenção de me matar, ou nunca conseguirá quebrar a barreira.

O mestre das marionetes parou por um milésimo de segundo. Então ele atacou. Dessa vez com mais ferocidade. Após alguns movimentos ele conseguiu acertar o Kazekage, rasgando seu peito de lado a lado. Gaara gemeu e levou as mãos ao corte, que logo se encharcaram de sangue vermelho.

Um grito estrangulado foi ouvido. Shikamaru olhou para Mitsue e a viu fechar os olhos com força, abraçando seu corpo como que para impedir-se de agir.

A luta foi suspensa nesse exato momento.

- Desculpe irmão. – Kankurou disse ao correr para o lado de Gaara.

- Obrigado, irmão. – Gaara respondeu um pouco arfante.

Ele andou em direção ao pergaminho e o assinou com seu próprio sangue.

- Pronto, já fiz a minha parte, façam a sua.

Hashimato sorriu largo e fez um sinal para seus ninjas. Em um instante todos eles desapareceram no ar, sobrando apenas uma ninja de cabelos vermelhos.

- Agora vou entregar Temari-san para vocês. – Ela anunciou.

Tirou de suas costas um pergaminho e o abriu no chão à sua frente. Mordeu a ponta do dedo e escreveu um kanji. Após alguns sinais de mãos uma nuvem de fumaça surgiu. Quando os ninjas puderam enxergar alguma coisa, a ninja do Grão desaparecera, e onde antes ela se encontrava havia uma massa disforme no chão.

- TEMARI! – Shikamaru gritou e correu em direção ao amontoado de roupas, seguido de perto pelos irmãos da areia e por Mitsue.

Quando chegaram ao lado da garota, estacaram. Um arrepio percorreu seus corpos. Ela dormia. Tinha uma aparência exausta, e inúmeros arranhões e hematomas descendo por seus rostos e braços. Um corte profundo em sua perna esquerda e outro logo abaixo de sua clavícula. Usava um vestido branco simples, que terminava pouco acima de seus joelhos, um deles dobrado de uma forma que parecia um tanto errada. Ela parecia tão frágil.

Sem seu sorriso impetuoso, seu olhar feroz, sua postura severa, ela parecia apenas mais uma garota delicada, precisando que alguém a protegesse. Tão diferente da realidade, mas no momento tão real. Seu cabelo estava solto e penteado, todo o sangue que provavelmente escorrera de suas feridas fora limpo. As feridas mais profundas foram claramente tratadas e era possível divisar pedaços de uma bandagem pela barra do vestido.

Shikamaru a pegou em seus braços.

- Temari, Temari acorde.

Ela não mexeu um músculo. Se não fosse pelo leve subir e descer de seu peito, ela poderia estar morta.

- Temari, vamos sua cabeça dura, acorde. – Shikamaru soava desesperado, ele batia de leve no rosto da namorada, que permanecia desacordada.

- Temari, vamos lá, você é mais forte que isso. – Kankurou disse ao agachar-se do lado da irmã, um olhar preocupado em seu rosto. Passou a mão por sua testa, tirando os fios de cabelo loiro de sobre seus olhos.

Gaara também se ajoelhou ao seu lado. Ele pegou uma das mãos dela entre as suas e, depois de observar se não havia nenhum machucado, a apertou de leve.

A ninja loira gemeu ligeiramente e começou a abrir seus olhos. Ela piscou algumas vezes antes de abri-los por completo. Quando seus olhos verdes finalmente estavam abertos eles pareciam um tanto foscos e desfocados. Então ela soltou um gritinho de dor e voltou a fechá-los fortemente.

- Temari, você está bem? Diz o que dói! – Shikamaru perguntou de imediato.

- Tudo... – Ela respondeu com a voz fraca.

- Ninjas médicos! – Kankurou gritou para os aliados. – Tem algum ninja médico aqui?

Um jovem destacou-se da multidão e veio correndo em direção ao grupo. Shikamaru e Kankurou afastaram-se de Temari, dando-lhe espaço para agir. Ele examinou os machucados por alguns instantes então começou uma sequência de jutsus. Após algum tempo ele se afastou e deixou que voltassem a se aproximar. Os ninjas voltaram a amontoar-se ao redor da garota e esperaram que ela abrisse os olhos novamente.

- Vocês deveriam ver suas caras. – Ela disse assim que abriu os olhos, um sorriso torto em seus lábios.

Ela tentou levantar-se e cambaleou um pouco, Kankurou a segurou por um braço e a ajudou a ficar de pé.

- Calma, Temari, não tão rápido. Não tem necessidade de bancar a forte.

Ela respondeu com uma careta para seu irmão, então se virou para olhar os outros à sua volta.

- Mitsue, pare de chorar. Eu estou bem, garota.

A kunoichi morena deixou um soluço escapar e aproximou-se de Temari, após observá-la com cuidado lhe deu um abraço de leve que foi retribuído frouxamente com um braço. Quando Mitsue afastou-se, Temari pôs os olhos em seu irmão mais novo.

- Gaara, você está sangrando! – Ela disse assustada, sua voz ainda fraca.

- Eu estou bem, Temari, é com você que temos de nos preocupar. Conte-nos o que fizeram com você.

A ninja suspirou e estremeceu.

- Foi uma emboscada na floresta. Uns dez ninjas, mais silenciosos do que eu já vira. Eu tentei resistir, mas uma hora fui pega em um jutsu e as coisas começaram a piorar. Eu continuei lutando, mas depois que perdi meu leque, não tive mais nenhuma chance. – Ela parou por alguns instantes e respirou fundo. – A próxima coisa que eu me lembro eu estava em uma sala toda branca, usando esse vestido e com meus ferimentos tratados. Eu também estava perfeitamente amarrada, sem a menor chance de mover um músculo. Eu me debati, lutei e eventualmente consegui me livrar o suficiente para matar o ninja que entrou com uma refeição. Nessa noite eu fui espancada. E a rotina continuou por algum tempo, não consigo dizer quanto, eu meio que perdi a noção das coisas naquela sala. Até que um dia um tal de Hashimato entrou na sala com um sorriso profundamente irritante, e disse que infelizmente eles teriam de me por para dormir por que eu não estava sendo muito gentil. – Ela terminou num tom sarcástico.

- Aqueles bastardos, vou fazer picadinho de todos eles. – Kankurou rosnou.

- Não, não vai. – Gaara disse calmo.

- Mas Gaara! Eles machucaram nossa irmã! – O mais velho dos irmãos da areia se indignou.

- E se você encostar um dedo neles, matarão seu irmão. – Ele disse (matter of factly).

Kankurou hesitou por alguns segundos antes de baixar a cabeça e rosnar.

- Malditos sejam.

- O que você quer dizer com te matarem Gaara? – Temari perguntou. Sua voz ainda estava fraca e despida de toda sua imponência usual.

Seu irmão mais novo respirou fundo e dirigiu-se até um tronco de árvore caído. Sentou-se e começou e fez um sinal para o ninja médico, que se aproximou lentamente.

- Eu tive de assinar um pacto de paz. – Ele disse enquanto desabotoava sua jaqueta. – Com sangue. – Apontou para o peito ferido. – Kankurou fez o favor de tornar isso possível.

Temari lançou um olhar azedo para o mais velho de seus irmãos.

- O que foi?! Ele que pediu! – O outro se defendeu.

- Precisava ser tão feio?

- Ou era isso ou não era nada!

Temari bufou de leve e voltou a olhar para Gaara. Agora ele estava terminando de tirar sua blusa, e a visão de sua pele cortada lhe deu uma sensação aflitiva no peito. Prometera a si mesma que nada aconteceria com ele...

Ao lado dela, Mitsue virou-se de costas para a cena, não conseguindo olhar o sangue escorrendo. Shikamaru registrou os olhos brilhantes da garota, e desviou o rosto, não querendo invadir sua intimidade.

O ninja médico aproximou-se do Kazekage e começou a tratar de suas feridas, tomando cuidado para não encostar em Gaara, muito bem avisado de que não agradaria o ninja.

Shikamaru ajudou Temari a se sentar ao lado de seu irmão. O corpo da ninja ainda estava muito fraco, e ela mal sustentava seu peso. Precisavam voltar para Suna e permitir que ela descansasse. A ninja loira observou seu irmão por alguns segundos, um olhar preocupado em seu rosto. "Ela é forte demais" Shikamaru pensou consigo mesmo, "está extremamente fraca e ainda assim consegue por toda a dor e sofrimento dos últimos dias de lado, e olhar por seu irmãozinho." Enquanto ele observava Temari viu sua expressão passar de preocupada para intrigada.

- Gaara, no que consistiu o pacto? – Ela perguntou hesitante.

Ele suspirou e levantou os olhos para uma figura mais afastada. Seguindo seu olhar Shikamaru viu Mitsue, que permanecia distante, os olhos baixos e os braços firmes ao redor de seu tronco.

- Não tive escolha senão assinar, você viu como eram bons, estávamos perdendo a maior parte das batalhas.

- E eles me tinham em seu poder. – Temari completou.

Gaara deu um aceno de cabeça e suspirou.

- Eu vou me casar com a filha de Hashimato, e devido ao pacto a tratarei com todo o respeito e consideração que uma esposa merece. O que significa que defenderei e atenderei desejos de sua família. - Terminou inexpressivo.

- E que está preso a ela. –A mais velha dos irmãos da areia disse baixinho. Ela olhou para sua amiga, que se afastara ainda mais do grupo no tronco da árvore. Depois olhou de novo para seu irmão, e num impulso passou seus braços ao redor do corpo dele e o abraçou forte.

- Sinto muito. – Ela murmurou de encontro aos seus cabelos.

- Não foi culpa sua, Temari.

Gaara levantou uma das mãos e acariciou os cabelos de sua irmã.


Temari ouviu um ligeiro barulho e abriu os olhos lentamente.

- Shika? – Ela perguntou em direção à porta que se fechava.

- Oi, Tem. – Ele colocou a cabeça para dentro do quarto. – Desculpe, eu não queria te acordar, só vim ver se você estava com fome.

- Na verdade eu estou faminta. – Ela deu um sorriso fraco.

Shikamaru sorriu de volta e entrou no quarto com uma bandeja.

- Não sei se está muito bom, e você com certeza não quer ver o estado de sua cozinha, mas nós três nos esforçamos bastante.

Temari riu de leve e sentou-se na cama. Se a comida estava boa ou não, ela não comentou, mas o modo e a velocidade com que comeu indicavam que estava feliz com a refeição. Depois que ela terminou, voltou a aconchegar-se nos cobertores. Shikamaru colocou a bandeja na mesa de cabeceira e deitou-se ao lado dela. Passaram alguns minutos assim, apenas se olhando, olhos verdes nos negros.

- Tem, eu tive muito medo. – Ele finalmente falou, sua voz baixinha.

Ela deu um sorriso gentil e levou uma mão até seu rosto, mas Shikamaru a pegou nas suas antes que ela pudesse tocá-lo.

- Não, Tem, deixe-me falar. Eu tive muito medo, medo de que você não estivesse bem, medo de que fosse machucada, medo de que eu nunca mais te visse. E eu ficava pensando que a última coisa que eu teria te dito era "Para de reclamar, mulher problemática". Nada relacionado ao quanto eu te amo, o quanto você é maravilhosa. Eu tive tanto medo de te perder. Eu não posso te perder.

Shikamaru é conhecido por ser extremamente inteligente e estar sempre alguns passos à frente. Mas ele não conseguiu prever o que encontraria. Quando ele estava acabando de falar, o rosto de Temari começou a contorcer-se como se ela sentisse uma dor profunda. Seu lábio inferior começou a tremer e seus olhos se molharam. Ela fez uma careta, franziu a boca e as sobrancelhas, e olhou para cima. Então a primeira lágrima escorreu. Ela fungou e escondeu o rosto no peito dele, segurando firme sua camisa.

- Temari, você... Você está chorando?! – Ele disse incrédulo e admirado.

- Cala a boca e me abraça, imbecil. – Ela respondeu com a voz abafada pelo pano da camisa.

Ainda profundamente assustado, ele passou os braços ao redor do corpo da namorada e a abraçou enquanto soluços seguiam fungadas, engasgos e vice e versa. Quando ela finalmente se aclamou e desenterrou seu rosto da camisa agora encharcada, ele a olhou curioso. Ela estava inteira vermelha, os olhos inchados e irritados.


- Tem, está tudo bem?

- É só, é só que... Eu... Eu tinha decidido... Eu já tinha certeza... Eu ia terminar com você antes de sair da Folha... Por que assim ia ser melhor... Eu digo... Eu conversei com a Hokage e... Não esquece isso. A questão é que pensando no futuro, como as coisas seriam em caso de guerra, ou filhos... – Ela fungou alto. - Eu achei que seria melhor terminar antes do que depois... Que menos tempo juntos seria melhor já que teria de acabar de qualquer jeito, para não sofrermos ainda mais. – Sua voz embargada ficava mais aguda a cada palavra. - Mas daí... Daí aquele chamado veio dois dias antes de eu partir e eu não podia. Simplesmente não podia. Eu estava preparada... Eu tinha me preparado para uma terminar tudo dois dias depois, mas daí quando eu precisei fazer isso antes, eu não estava pronta... Eu não consegui. E agora... Agora eu não consigo mais! Desculpa, eu não posso terminar com você! Eu não posso te perder também.

E ela chorava copiosamente. Shikamaru que permanecera o tempo inteiro quieto, ouvindo-a com atenção, começou em um tom gentil:

- Calma, calma.

- Como eu posso ficar calma?! – Ela perguntou com seu tom de sempre, mas logo rompeu em pranto novamente.

- Vai ficar tudo bem. Acredita em mim. Nós não vamos terminar... Nós não precisamos terminar... Eu te prometo que ficaremos juntos para sempre, que nada vai atrapalhar nossa felicidade...

- Mas Shikamaru, você já pensou...

- Sim, já pensei em todas as consequências, em todas as coisas que podem acontecer. E eu te garanto que vou dar um jeito para que possamos ficar juntos. Já faz algum tempo que estou pensando nisso, e começo a ter algumas ideias...

- Sério?

- Claro. – Ele sorriu. – Eu sou um gênio no final das contas!

Ela fez um barulho sarcástico.

- Você promete que vai descobrir um jeito?

- Prometo. Vou passar cada hora livre pensando em uma solução. Quando eu estiver observando as nuvens estarei procurando por um sinal.

Temari sorriu docemente.

- Eu te amo tanto, Shikamaru.

- Eu também te amo muito, minha princesa.

Ela fungou e limpou o nariz na manga do pijama.

- Que bela princesa eu sou, heim?

- A mais linda de todas. Agora, - Ele se levantou da cama. – Vou descer e comer alguma coisa.

- Espera. – Ela disse antes que ele conseguisse chegar até a porta. - Quando terminar sobe aqui? Eu meio que queria dormir abraçado.

Shikamaru sorriu e acenou com a cabeça.

- Tem? – Ele sussurrou ao entrar no quarto.

- Estou acordada. – Respondeu a voz debaixo dos cobertores.

Shikamaru trocou de roupa e acomodou-se ao lado da namorada. Ela aconchegou-se de encontro ao seu corpo.

- Fiquei muito feliz com as coisas que você me disse. – Ela murmurou.

Ele acariciou seu rosto e sorriu de volta.

- Sabe, eu estou gostando desse seu lado menininha delicada hoje.

- Aproveite enquanto pode. – Ela rosnou de leve.

- Aproveitarei, chorona.

Temari afastou-se dele bruscamente e o encarou com os olhos apertados. Então um sorriso começou a crescer em seu rosto e ela o puxou para perto pela gola da blusa.

- Resmungão. – E o trouxe para um beijo forte, que ele correspondeu imediatamente.

Quando ela começou a acariciar seu peito e a base do pescoço, Shikamaru afastou-se de leve.

- Tem, você precisa descansar. – Ele disse sério.

- Eu não quero descansar. – Ela murmurou um pouco manhosa.

- Parece uma gatinha ferida. – Ele sorriu.

- Decidi manter-me delicada por mais algum tempo. – Ela sorriu de volta e inclinou-se capturando os seus lábios nos dela novamente.

Ela quebrou o beijo para pegar o lóbulo de sua orelha entre seus dentes e mordiscar de leve. Mas no lugar de responder à provocação, como de costume, Shikamaru afastou-se e a olhou fundo nos olhos verdes.

- Eu falo sério, Tem. Você precisa de repouso.

- Não. Eu preciso de você. – Ela respondeu séria.

- Não, não precisa, você precisa de uma boa noite de sono.

- Eu dormi por sei lá quanto tempo. Agora, eu passei o último mês inteiro me preparando para perdê-lo, sabendo que as coisas acabariam entre nós. Eu preciso de você. Preciso estar contigo sabendo que ficaremos juntos, que seremos felizes para sempre, juntos.

Ela o olhava intensamente nos olhos, toda a força de seu olhar de volta. Ele examinou seu rosto antes de puxá-la para um beijo.

Quando o peso do corpo de Shikamaru pousou sobre o seu, Temari soltou um leve grito de dor.

- Você está bem? Machuquei-te?

- Foi só o ombro. – Ela murmurou.

- Viu? Eu disse que isso não era uma boa ideia... – Ele disse afastando-se.

- Não, não, não... Você não vai escapar assim tão fácil. – Ela cortou.

- Mas Temari, você está machucada.

- Eu sei. Mas nós ainda assim vamos fazer isso. – Então ela sorriu maliciosamente. – Eu só preciso ficar no topo.

- Essa é minha namorada. – Ele sorriu de volta. – Senti falta do seu sorriso.


N/A: Ai, gente, não sei quanto a vocês, mas eu caio de amores por esse casal... Heheheh Adorei escrever essa cena (: ME digam o que vocês estão achando... Rolou uma reviravolta grande agora e a história vai se definir nos próximos capítulos...