Cap.9 - Trégua?

Samara estava parada de pé, em frente a porta da enfermaria. Um dos pés cutucando inquietamento o chão liso e uma mão segurando a maçaneta que, por vezes, fazia o movimento de querer abri-la.

A confusão envolvendo seu irmão e o grupinho de Potter havia acontecido há dois dias e ainda tinha consequências; seu irmão Severo e Régulos andavam estranhando o comportamento da garota. Haviam achado que ela tinha defendido muito Potter e seus amigos, o que Sam negava fervorosamente. Enquanto o grupo de Tiago também a olhava com desconfiança, como se a bruxinha estivesse armando alguma coisa. Também achavam que ela tinha sido muito legal com eles.

Porém, Samara não havia tido intenção de ser legal com ninguém, ou pelo menos não com aquele grupinho infeliz. Simplesmente, na sua mente, ela estava sendo justa com a pessoa que a havia apoiado num momento de dor.

E era esse alguém que ela estava curiosa para ver, mas não tinha ainda encontrado coragem.

De repente Sam teve uma ideia e resolveu de uma vez entrar na enfermaria.

A bruxa entrou devagar, espiando em volta, a enfermeira estava ao fundo mexendo em alguma poção e Lupin dormia tranquilo numa das macas. Sua aparência estava bem melhor.

- Com licença, Madame Pomfrey? - Falou Sam tentando colocar um pouco de arrogância na voz.

- Pois não querida? - Respondeu a enfermeira do outro lado da sala. O tom carinhoso em sua voz surpreendeu Sam e ela não pode deixar de notar que a mulher seguiu o olhar da bruxinha até o leito de Remo.

- Han, eu não estou me sentindo muito bem. Algo que comi. Será que a senhora tem alguma poção pra me dar?

- Mas algo tão simples querida? Tem certeza? - Falou a mulher com desconfiança.

- Sim, por favor. Prefiro não arriscar fazer nada por mim mesma. - Dizendo isso tentou sorrir para passar confiança, mas não pareceu convencer muito.

- Ok, vou lhe dar algo então, espere aí. - E falando isso se virou para buscar o pedido.

Sam se sentou mas quando ouviu uma voz suave do outro lado da enfermaria, tomou um susto que quase a fez levantar de novo.

- Olá.- A voz cansada mas satisfeita de Remo Lupin chegou ao seus ouvidos.

- Ah, olá. - Sam ficou subitamente sem graça e cruzou os pés nervosamente. - Então, está melhor?

- Sim, obrigada. Segundo Pomfrey estarei livre hoje.

- Ah, que bom. - Falou a menina sorrindo, sinceramente feliz.

Então Madame Pomfrey já estava de volta com um frasco de poção em suas mãos.

- Pronto querida, isso aqui deve bastar. Eu espero sinceramente que você não esteja mentindo para mim porque essa poção é forte. Se você tomar sem estar realmente passando mal ela lhe trará muitos desconfortos. - Falou, séria.

Sam pestanejou.

- Han, não faz mal. Pode me dar. Eu tomo depois. Estou atrasada para uma aula.- E dizendo isso fez menção de pegar a poção das mão da enfermeira.

- Ah não, eu mesmo tenho que aplicar para observar os sintomas. Pode abrir a boca. - Pomfrey falou já inclinando o frasco.

- NÃO! - Sam corou. Travou a boca na hora e impediu o procedimento.

- Eu sabia! - Pomfrey finalmente pareceu irritada- Vocês Sonserinos tem que parar de achar que se preocupar e gostar de alguem é sinal de fraqueza! Só porque ele é um Lobisomem..

- NÃO! Isso não me incomoda. Digo, ele é um Grifinório...e...- Sam corou mais ainda e pareceu não saber encontrar uma boa desculpa para dar.

- Sei. Prepare algo melhor da próxima vez! Agora vá lá ver seu amigo e pare de ser boba! - E dizendo isso, a enfermeira se afastou deixando os dois a sós.

Sam não quis corrigir Pomfrey dizendo que Remo não era seu amigo e abaixou a cabeça envergonhada para ir se sentar em uma cadeira ao lado da maca onde estava o menino, que tinha um sorriso bem divertido no rosto.

- Você parece bem mais bonito mesmo, digo, melhor.- Sam corou loucamente e desejou de verdade sumir dali, até porque, tinha a impressão de que Remo não tinha roupa nenhuma por baixo do lençol.

- Obrigada- Respondeu o menino tentando não rir- mas duvido muito. A cada transformação aparece uma nova cicatriz. Essas no meu rosto são só as que dão pra ver. Tem muito mais. Geralmente não dá para perceber porque uso um feitiço que as camufla.

Tentando de todas as formas não imaginar as outras partes do corpo onde Remo devia ter mais cicatrizes, Sam já estava olhando para a porta querendo sair.

- Você pode ir se quiser- Disse Remo percebendo o incomodo da menina- Você não precisa se sentir culpada pelo que seu irmão fez. Sei que minha companhia não é das melhores pra você.

- Porque diz isso? Por você ser lobisomem? - Sam falou quase com raiva.

- Também. E por eu ser Grifinório, não é? E mestiço, amigo do Potter, que por sinal, é o pior inimigo do seu irmão. Todas as combinações que afastam um Sonserino, principalmente você.

Sam não soube o que responder então tentou mudar de assunto:

- Soube que não estava falando com eles, seus amigos. - Pensar que seu irmão pudesse descobrir que ela estava lá "confraternizando com o inimigo", não lhe agradava nada.

- Sim, é verdade- Remo fechou a cara- O que você falou era verdade. Não dá pra confiar neles. Sirius contou um segredo seu e o meu também. Provou que não é confiável.

Sam ficou um tempo quieta refletindo se realmente deveria dizer aquilo que estava em sua mente, até resolver falar:

- Tem certeza disso? - Disse, surpreendendo Lupin e a ela mesma.

- Sobre o que? Você está defendendo ele? - Remo quase riu.

- Não! Não. O que quero dizer é, nem acredito que vou dizer isso mas, Sirius está mal sabe? E o Potter se arriscou quando soube do que houve, inclusive salvou meu irmão. - Falou a bruxinha e se deu conta de que ainda não havia agradecido Potter por isso.

Em seguida continuou:

- E, apesar de tudo, eu vejo que vocês são como se fossem irmãos sabem? A forma como se defendem e tudo mais. Irmãos idiotas claro, mas mesmo assim...

Remo pareceu refletir por um instante e se calou.

O silêncio não durou muito quando Pomfrey finalmente voltou trazendo as roupas de Remo junto.

- Bom, acho que o senhor já está liberado Sr. Lupin. Suas roupas estão aqui. Pode se trocar.

Aquilo foi demais para Samara. Levantando-se de um salto ela disse que já estava de saída e só parou a porta quando ouviu Pomfrey se dirigindo a ela num tom quase irritado, mas que, no fundo, parecia estar se divertindo.

- Mas você não vai espera-lo?

- Ham... Ok. Espero aqui fora. - Respondeu Sam envergonhada já saindo da enfermaria sem olhar para trás.

Sam estava imaginando como ela faria agora. Andaria com Remo pelos corredores na frente de todos? Seu irmão a mataria sem dúvidas. No entanto, Remo a havia ajudado e além do mais, estava brigado com aqueles amigos idiotas.

E falando neles.

- Tinha certeza que encontraria você aqui. - A voz arrogante de Sirius pode ser ouvida. - Não falei Tiago? É ela que está colocando o Remo contra nós. Aposto que fica aqui toda hora enchendo o ouvido dele.

Sam mal conseguia acreditar no que acabara de ser acusada. Era muita cara-de-pau.

- Sirius, relaxa. - Potter respondeu de braços cruzados e encostado na parede, deixando Sirius frustrado. O menino andava considerando duas vezes quando Sirius falava alguma coisa, depois da última encrenca em que ele havia lhe metido. Afinal, arriscar a própria vida para salvar o "ranhoso" não era algo que havia deixado Tiago feliz.

- Pela primeira vez tenho que concordar com o Tiago, Sirius. Estou aqui hoje porque me senti mal e chegando aqui, descobri que Remo esta tendo alta e fiquei esperando. Mas não sei o que você quer dizer com '' colocando Remo contra nós''. Você mesmo fez isso até onde eu sei, se não está lembrado. Ele não aceitou suas desculpas é? Achei que fosse quase uma honra receber essa raridade. Acho que está perdendo o prestígio Black.

Sirius engoliu em seco a sua raiva.

Pela primeira vez Samara parou para reparar naquele grupo direito. Sirius e Tiago se destacavam com certeza com sua espontaneidade, inconsequência, inteligencia e, droga!, beleza. Isso fazia todos os outros ficarem eclipsados. Agora conhecendo Remo, sabia que ele era com certeza o único ajuizado do grupo. Uma pena que se deixava levar tanto pelos outros por causa da carência que tinha.

E por fim, havia Pedro. Era o mais quieto. Dificilmente falava em público. Tinha vergonha demais. No entanto, seus olhos não perdiam nada. Estavam sempre inquietos reparando em tudo e denunciando mais do que ele teria coragem de falar.

Sam chegou a ter pena dele por achar que era ofuscado demais pelos outros mas, parecia que ele realmente gostava de ficar nos bastidores. Sem se arriscar, protegido. Estranho para um Grifinório. Será que o Chapéu Seletor se enganava em seu julgamento as vezes?

De repente Remo saiu da enfermaria com Pomfrey atrás desejando melhoras e, ambos, pararam a porta para ver o que estava acontecendo.

- Algum problema? - Remo falou se dirigindo principalmente à Sirius.

- Não Remo, viemos acompanhar sua alta. Queremos fazer as pazes. - Falou Black sendo apoiado por Tiago e Pedro.

- Agradeço, mas a sua ajuda eu dispenso Sirius. Não confio mais em você e, não sei se realmente um dia poderei voltar a confiar. - o Lobisomem falou e Sam não achou que ele conseguisse demonstrar tanta frieza na voz, quanto estava demonstrando agora.

No entanto, pelo pouco que a bruxinha o conhecia, dava para ver que ele estava sofrendo com a decisão.

- Olha Remo, deve ter algo que possamos fazer pra você voltar a confiar na gente.- Tiago tomou a frente de Sirius- O Black aqui foi um idiota mas já admitiu isso e você sabe como é raro isso acontecer.

Tiago e Pedro riram, Remo quase o acompanhou mas permaneceu sério.

- Tiago, não tenho ressentimentos de você mas, não sei quanto ao Sirius. Ele sabia a gravidade do que estava pra fazer.

- Cara, eu não pensei, só achei que seria divertido – Começou Sirius e parou para olhar Sam, que na hora fechou a cara.

Isso deu uma idéia à Remo.

- Olhe, não sei se trará minha confiança de volta mas, é um começo. Você faz qualquer coisa mesmo?

- Talv...Sim- falou Sirius depois que Tiago o chutou não tão delicadamente assim, mas seu rosto demostrava que ele não estava gostando nada da situação.

- Ótimo. Pois você vai pedir desculpas para Severo. Não posso exigir que seja em público porque ninguém sabe do acontecido, mas Samara será testemunha.

Sirius ficou branco. Pedir desculpas ao "seboso" não era o que ele planejava. Mesmo.

- Olha Remo...- Tentou argumentar o moreno.

- Não tem mas, Sirius. É o mínimo que você pode fazer e demonstraria um pouco de consideração.

- Mas o que isso tem a ver com você? - Black estava indignado enquanto Sam e Tiago se olharam por um momento e riram juntos, desviando o rosto rapidamente um do outro.

- Tudo. Afinal eu quase matei ele por sua culpa.

Vendo que Remo estava firme em sua decisão Sirius não sabia mais o que argumentar. Por um momento pensou se realmente valia a pena tanto sacrifício por aquela amizade mas, no outro instante estava se amaldiçoando por pensar daquele jeito.

- Ok, é isso que você quer. Pra você ver que gostamos de você.

- E tem mais. - Remo completou e todos olharam para ele novamente- Você vai deixar Sam em paz.

Aquilo era demais para Sirius.

Por mais que Tiago entendesse a dor do amigo e também estivesse surpreso, não conseguiu segurar uma risada espontânea pelo nariz que foi abafada rapidamente. Samara estava perplexa.

- Você não quer que eu adote aquela gata nojenta do Filch, também não? - Sirius recuperou um pouco de sua ironia mas sem disfarçar o desgosto que estava sentindo naquele momento.

- Sinta-se a vontade. Mas o que eu pedi não vou abrir mão. Acho que já exageramos de mais com os dois. Está na hora de pararmos.

Todos permaneciam em silêncio, olhando uns aos outros, esperando a decisão de Sirius. Madame Pomfrey que ainda estava parada observando a situação entrou na enfermaria com um sorriso de aprovação no rosto pela atitude de Lupin.

- Ok. - Respondeu o bruxo respirando fundo. - Se é mesmo, o que você quer. Tem certeza que não quer mesmo mudar de idéia?

Sirius não precisou de resposta.

Então, num gesto de boa vontade, Black ergueu a mão para Sam, que olhou bem nos olhos do garoto antes de finalmente aperta-la. Mas as soltaram bem rápido.

- Ótimo! Assim é muito melhor! Então, por favor, já que está tudo se encaminhando agora, vamos almoçar. Se não estou enganado já estão servindo não é Pedro? - Falou Remo alegremente. Tiago ainda segurava a risada.

- Sim, vamos- Respondeu Pedro, sem saber ainda se ria, ou não. Era pequeno demais e achava que era melhor não provocar Sirius.

Quando Sam parou para acompanhar todos, começando a pensar em como seria entrar no salão com toda a Sonserina olhando aquela cena, Sirius se aproximou dela e sussurrou em seu ouvido:

- Não se empolgue. É só uma trégua, entendeu, Mini-Snape?

Samara sabia que estava muito bom para ser verdade, mas já era um bom começo e, tinha que admitir, estava feliz com aquilo.

N/A: Pessoal, MUITO obrigada à todos que tem comentado até aqui. Vocês não sabem como isso me deixa feliz. Aqui aos 23 anos escrevendo fanfic e sabendo que além de me dar prazer ainda trás diverte vocês. Desculpe a demora para atualizar mas o emprego e a facul ainda tomando muito meu tempo mas, as férias vem aí e pretendo atualizar mais.

Por favor continuem acompanhando, claro, se gostarem, e comentem! Vocês fazem uma autora feliz! Rs. A fic não está nem perto da metade então muita coisa ainda vai rolar. Fiquem por perto porque a Sam vai longe ainda!

Obrigada e até!

PS: Agradecimento especial a minha amiga de todos os momento: Fernanda Ginny. Além de grande autora é uma grande amiga! Agradeço em meu nome e em nome da Sam que você ajudou a nascer e está vendo crescer. Bjs!