Geeeente... Me perdoem pela demora, em?
E percebam que mudei o nome do dragão da Sheena... Vou mudar nos outros caps tb!

Capítulo 10 – A Floresta

Estava escuro, e Lyra havia acabado de alcançar o continente. "Pyrus... Eu estou com fome...".
"Eu sei, mas não podemos parar agora".
Lyra avistou um pequeno borrão laranja no horizonte. "Pyrus! Aquilo... Parece uma fogueira não?"
"Humm? Ah sim... parece ser". Respondeu ao avistar o que Lyra olhava.
"Ótimo! Eu quero que você se aproxime, pouse quase em cima da fogueira e solte um rugido! Aí Eu mando eles entregarem tudo que têm para nós!".
"O quê? Você vai roubar?"
"Claro que sim! Tem alguma idéia melhor?"
Pyrus pensou um pouco, mas admitiu que não. "Certo... vamos tentar".
Aproximaram-se da fogueira, ambos um pouco nervosos, afinal, não estavam acostumados a assaltar os outros. Foi então que escutaram um farfalhar de asas enormes vindo da sua direita, e ao se virarem para olhar, um enorme vulto levemente prateado colidiu com eles. O vulto imediatamente fincou suas garras em Pyrus, na barriga e nas suas costas, logo atrás das asas, enquanto as patas traseiras seguravam as de Pyrus, que começou a se debater ao sentir que estava perdendo altura. Pyrus, com o ataque, urrou de dor, um grito que foi acompanhado pelo de agonia de Lyra. Desesperado para se livrar do outro, virou seu pescoço e soltou um jato de fogo em direção do agressor. Foi quando Lyra e Pyrus viram seu inimigo. Um dragão prateado, maior que Pyrus, estava os atacando, mas quando o dragão percebeu que estava atacando outro se sua espécie, soltou-o, e ambos voaram para reganhar altura. Voando em círculos e se encarando, o dragão prateado começou se apresentando, falando na mente de Lyra e Pyrus ao mesmo tempo.
"Saudações. Meu nome é Endless. Perdoe meu ataque, mas não somos desse lugar, e não sabíamos que tipos de criaturas haviam por aqui".
"Eu sou Pyrus, e minha cavaleira é Lyra. Também não somos daqui."
"Entendo... Bom... Vamos pousar, eu posso dar um jeito nas suas feridas, e minha cavaleira ficará feliz de recebê-los." Lyra teve certeza que ouviu um sussurro de "eu acho" após a frase do dragão, mas resolveu perguntar outra coisa.
"Cavaleira? Quer dizer que você também tem uma cavaleira?"
Endless olhou-a espantado, para então responder. "Sim, todos os poucos dragões que existem atualmente tem cavaleiros, não que eu tenha visto muitos. Você é o primeiro que vejo".
Pousaram em volta da fogueira, e Lyra viu uma garota bonita, com uma expressão desconfiada, e com um arco diretamente apontando para Lyra.
— Você, tire todas armas que estiver carregando.- disse friamente. – E dragão, se você se mexer, mato sua cavaleira.
Lyra tirou apenas uma pequena faca de seu cinto, e colocou-o no chão.
— Não pode ser. Que tipo de pessoa em sã consciência viaja nos tempos de hoje só com uma faca?
— Bom... Eu não estava muito preparada para minha viagem... – respondeu lentamente.
Sheena continuou olhando-a por alguns instantes, até que baixou o arco e caminhou até Lyra, revistando-a. Após a garota concluir que não havia nada além da faca, sentou-se do outro lado da fogueira e pegou um peixe para comer, observando Lyra e Pyrus quase sem piscar.
"É... Ela é um pouco assim... Minha cavaleira se chama Sheena". Olhou então os convidados. "Ah! Sim, desculpe... Suas feridas". Virou-se para Pyrus, olhando os estragos feitos pelas suas garras. Então abriu levemente a boca e um pequeno jato de ar frio atingiu as feridas. As feridas, e apenas elas, ficaram levemente congeladas, e descongelaram em seguida, com o calor do fogo. "Isso alivia um pouco." E Endless continuou congelando e descongelando as feridas de Pyrus.
Lyra passou parte de seu tempo comparando os dois dragões. Além das cores diferentes, havia varias outras características marcantes. O focinho de Pyrus era bem mais fino, lembrando de um jacaré, enquanto de Endless era maior e mais redondo, lembrando mais um camaleão. Ambos possuíam chifres no topo da cabeça, que apontavam para suas costas, mas de Pyrus era torcido e apontado para cima, enquanto de Endless era liso, com a ponta curvada para baixo. Endless por inteiro parecia ter escamas mais lisas que de Pyrus, que havia escamas por toda a parte, especialmente no rosto de Endless, que parecia formado por placas grandes de prata. Outra coisa que Lyra notou foi que as asas de Pyrus possuíam mais divisões que de Endless. Pyrus tinha quatro dedos formando as asas, e um para cima, com uma garra mais afiada, enquanto o prateado tinha três dedos formando as asas e dois para cima. Quando Pyrus fechava a boca, as pontas de seus dentes ficavam a mostra, mas Endless, ao fechar sua boca, escondia todos seus dentes. Lyra poderia continuar observando os dois e encontrar muitas outras diferenças, mas se interessou pela conversa dos dois, e resolveu prestar atenção.
"De onde vocês vieram?" questionou Pyrus, curioso.
"Viemos de uma ilha, mais para o sul. Eu gosto de frio, e esse calor está começando a me fazer mal."
"Calor? Há! Aqui é mais frio que minha terra natal, com certeza!"
respondeu alegremente. "Mas o que estão fazendo aqui, tão longe?"
"Viemos por convite do Imper..."

— NÃO CONTE, ENDLESS! – gritou Sheena repentinamente. – Não revele nossos objetivos!
— Do Imperador? – perguntou Lyra com a voz rouca, enquanto levantava-se. – Você ia falar Imperador? Não pode ser! Por quê?
" Ele enviou um mensageiro que nos convidou para conhecê-lo." Respondeu Endless imediatamente, apesar do olhar de Sheena censurando-o.
Lyra arregalou os olhos.
— Ele... ele também nos enviou um mensageiro! O desgraçado fez o vulcão entrar em erupção, e eu fui a única que sobreviveu! Depois ele me atacou, mas... Conseguimos fugir.
"Sim, é verdade..." retrucou Pyrus de cabeça baixa.
" Eu sabia que ele não podia ser confiável! Viu, Sheena? Eu disse que tinha algo de errado! Ele é um assassino!" exclamou Endless, encarando diretamente sua cavaleira.
— Como saberemos se ela não está mentindo? – perguntou friamente.
"Ela não está!" respondeu Pyrus indignado.
"Sheena, eu te imploro... Não vamos para lá..!" pediu Endless.
— Nós vamos, e assunto encerrado.
Endless suspirou tristemente, mas então pegou levemente a sacola com peixes entre os dentes e ofereceu a Lyra. Essa agradeceu, e esfomeada, mastigou satisfeita seu peixe. Então Endless perguntou para Pyrus desafiadoramente, enquanto abria as asas para decolar.
" Aposto que eu caço mais rápido que você!!"
"Isso é o que veremos!"
respondeu prontamente Pyrus, e pulou aos céus também.
Sheena observou os dois dragões voarem para longe, e depois se concentrou em sua comida.
— Acho que eles seriam bons amigos... – começou Lyra, mas com um olhar de desaprovação de Sheena, ela desistiu de iniciar uma conversa.
Estava ficando tarde, quando os dragões voltaram. Estavam alegres, enquanto Lyra ficou naquela situação tão desconfortável com Sheena. Ficou muito aliviada ao ouvir os dois retornando e quando eles pousaram, ela foi cumprimentar Pyrus.
— Bem vindo de volta! Como foi? – perguntou, passando a mão no pescoço escamoso do animal, carinhosamente.
"Foi tudo bem! Eu nunca tinha comido um antílope, Lyra! Foi tão divertido!" respondeu alegremente.
— Que ótimo! – sorriu gentilmente. – Pyrus, está tão friiio...
"Isso não é um problema" disse, deitando-se. "Vem cá!" continuou, olhando para sua barriga.
Lyra ergueu as sobrancelhas.
— Aí?
"Sim! Venha logo."
— Tá bom... – e caminhou até o dragão, deitando encostada na barriga dele, e ele cobriu-a com sua asa.
"Aposto que vai ficar quentinho daqui a pouco."
Já Sheena e Endless, estavam com calor, então Sheena apenas apoiou nele, e ele deitou com as asas bem abertas, para esfriar mais rapidamente.As garotas dormiam, mas os dragões fizeram turnos para vigiar a noite.

Na manhã seguinte, o sol ainda estava nascendo quando Lyra foi acordada por um vento frio, de quando Pyrus tirou a asa de cima dela. Levantou-se, sonolenta, e olhou ao seu redor. Sheena já estava de pé, se preparando para sua viagem. Lyra bateu nas suas roupas, para tirar um pouco da terra, e olhou os horizontes. Para sua direita e para trás havia o oceano. A sua frente havia uma densa floresta, e a sua esquerda havia uma enorme planície, onde era possível localizar algumas nuvens escuras se aglomerando nessa direção.
— Se você pretende fugir, sugiro a floresta... – começou Sheena- Não terá lugar para continuar sua fuga para o sul, e você já veio do oeste. E para norte, é onde o castelo do Imperador está, portanto, vá pela floresta.
Lyra sorriu. Apesar de que ela já soubesse que teria que enfrentar a floresta, ficou feliz de ouvir Sheena preocupando-se com ela.
— Por que você está me olhando assim?- retrucou irritada - Tire esse sorriso bobo da cara!
— Obrigada, Sheena! – respondeu Lyra, calmamente - Fico feliz que se preocupe comigo, e espero que nos vejamos de novo logo.
— O QUÊ? De onde você tirou que eu estou preocupada? Eu estou apenas... Sugerindo, já que você parece idiota demais para pensar em alguma coisa!
— Haha! Claro, claro! Obrigada mesmo assim!
"Acho que ela não acredita em você, Sheena..." disse Endless, olhando a cavaleira, que agora parecia prestes a explodir. Lyra prendeu seu cabelo em um coque, e então apertou a mão de Sheena, que fez uma cara de nojo. Lyra riu mais uma vez, e então olhou Pyrus.
— Vamos?
"Sim... Eu só quero me despedir!" falou Pyrus, virando-se para Endless. "Gostei de ter te conhecido! Foi muito divertido... Pena que temos que seguir rumos diferentes, mas como Lyra já disse, nos veremos de novo!"
"Com absoluta certeza, parceiro!" respondeu Endless, piscando para Pyrus.

A Floresta era muito densa. Pyrus havia voado até a entrada, e depois foi obrigado a pousar, se queria observar Lyra de perto.
"Porque não vamos voando, Lyra? Não teríamos que enfrentar florestas desconhecidas, nem nada do gênero!" questionou mal-humorado.
— Por que sim, Pyrus! Você sabe que não pode voar muito alto comigo, e um animal gigantesco vermelho não é comum de se ver por aí.- respondeu com firmeza, apesar de que preferisse passar por tudo isso no dorso do amigo.
Adentraram na floresta, Pyrus olhando cuidadosamente sua volta, até que ele parou e olhou para trás.
"Lyra, são passos! Tem alguém vindo! Responda mentalmente!"
"Lógico que eu vou responder mentalmente... Quem você acha que é?"
"Não sei... Mas monte em mim, se eu precisar fugir sei que está comigo."

Lyra subiu no dragão, mas se sentia bastante insegura. Pyrus fixou seu olhar no som que se aproximava e nem mesmo piscava. Estavam chegando perto. Então, um vulto grande e prateado saiu das sombras, com uma garota em suas costas.
"Endless!" exclamou Pyrus contente. "O que estão fazendo aqui? Não iam ver o Imperador?"
"Estávamos pensando, e resolvemos fugir com vocês... É melhor que sermos mortos."
Sheena não parecia alegre com a idéia, mas pelo visto Endless havia convencido-a de seguir com Pyrus e Lyra.
— Ótimo! Então vamos continuar!- exclamou Lyra, descendo de Pyrus, e continuando seu caminho.
Os quatros rumaram para o coração da floresta, e, apesar de tão densa, não ouviam ruído algum. Pyrus e Endless começaram a ficar preocupados com o silêncio, mas continuaram seguindo as cavaleiras. Foi então que Endless parou, repentinamente.
"Acho que estou ouvindo alguma coisa..." – disse virando-se para a esquerda, e seguindo sua audição. Os outros seguiram, e apenas após uma boa caminhada Pyrus começou a ouvir também.
"É verdade... Parecem... Tambores?"
"Sim... Foi isso que eu achei."
– respondeu Endless, seguindo o som atentamente.
Lyra e Sheena se entreolharam. Não ouviam absolutamente nada. Obviamente, a audição, assim como a visão e o olfato eram bem mais aguçados nos dragões. Caminharam um longo caminho, passando por árvores e raízes, até que as duas escutaram os tambores também... Cada vez mais altos. Então alcançaram uma clareira. Havia um circulo de pessoas, de mãos dadas, e no centro, dois homens tocando os tambores. Parecia um tipo de ritual. Então alguém gritou, e apontou para os estrangeiros, que os olhavam curiosos. Os tambores cessaram, junto com as vozes. O silêncio reinou por alguns segundos, até que Lyra resolveu quebrá-lo.
— Olá... Eu sou Lyra, e essa é Sheena. Os dragões são Endless e Pyrus – disse olhando para cada um ao nomeá-los. – Estamos... Err... Pegando um atalho? Para leste.
O povoado continuou fitando-os desconfiados, até que um idoso saiu do círculo e questionou:
— Como sabemos se vocês não estão trabalhando para o Imperador? Ele arrancou de nós nossa única esperança, e nunca iremos perdoá-lo!
Lyra e Sheena entreolharam-se e depois Sheena apenas completou:
— Estamos apenas de passagem. Só isso.
O povoado continuou desconfiado, mas então o "chefe" convidou-os para sua "árvore". As pessoas viviam em um tipo de casa-de-árvore, que lembravam muito uma casa de João-de-barro, só que muito maior. O "chefe", chamado Leonard, era o mais velho da vila, e ele revelou que seu neto fora levado pelo Imperador, e nunca mais voltou. Depois questionou-as sobre a viagem que estavam fazendo.
— Vamos para leste, mas pela floresta, para não atrair atenções. – respondeu alegremente Lyra.
Ele arregalou os olhos.
— Não podem! É o começo da floresta sagrada! Ninguém pode entrar, a não ser que queira morrer.
Elas se olharam, e deixaram o assunto de lado. Teriam que passar por lá. O ancião serviu almoço para elas, algum tipo de carne, e contentes, aceitaram. Depois do almoço, elas arrumaram os dragões, para carregar um pouco de comida que elas haviam comprado dos moradores, e contra a vontade do ancião, adentraram na floresta. Continuaram o caminho para a parte mais densa da floresta, sem pronunciar uma palavra sequer. Depois de muita caminhada para leste, alcançaram uma clareira. Havia um belo lago, cercado pela luz do sol, que ainda estava alto no céu. Os dragões começaram a ficar inquietos, mas Lyra e Sheena entraram em um tipo de transe. Era tudo tão bonito, que tinham vontade de permanecer lá para sempre.
"Vamos logo, não quero mais ficar aqui". Disse Pyrus olhando a sua volta.
"Concordo. Vamos sair daqui, rápido". Concordou Endless.
Mas a beleza do local havia enfeitiçado as garotas. Então o chão tremeu. E mais uma vez. Os dragões abaixaram-se para elas subirem em suas costas, mas elas nem pareceram notar os tremores. Pyrus mordeu levemente a gola de Lyra, levantou-a e colocou-a em seu dorso, enquanto Endless passava a cabeça por debaixo de Sheena, e ela escorregou no seu pescoço para a sela. Os dragões então se olharam e balançaram a cabeça afirmativamente e decolaram, quando os tremores estavam mais próximos.
Voaram, mas algo atingiu Endless, que foi arremessado de volta para o chão. Pyrus virou-se para encarar o inimigo. Lyra finalmente saiu do transe e soltou um som de surpresa. Era gigantesco, parecia um dinossauro. Um Tiranossauro Rex, talvez. Mas era feito de madeira e troncos, galhos e folhas verdes. O animal havia batido com a cauda em Endless. Endless, na queda, virou-se de lado, para não machucar Sheena, que com o impacto voltou a si. Pyrus mergulhou em direção do inimigo, que era enorme. Lyra era do tamanho um de seus dentes, e se o inimigo abrisse a boca em um ângulo de 60º engoliria Pyrus facilmente. Pyrus esquivou-se de uma mordida, e fincou todas suas garras no focinho do dinossauro, que rugiu em fúria e bateu a cauda em Pyrus. Lyra notou uma pedra esférica verde-vivo entre as narinas do inimigo. Até esse ponto, Endless estava no ar e Sheena com o arco preparado mirando o dinossauro.
"Nunca venceremos! Temos que fugir" Gritou Lyra mentalmente para os outros três.
"Vamos na primeira brecha que conseguirmos". Respondeu Endless aflito.
Endless mergulhou e mordeu o focinho ferido do animal e esse balançou a cabeça freneticamente para soltar Endless, e nisso, Sheena soltou uma flecha no olho do inimigo, e acertou. Ele rugiu de dor, batendo a cauda violentamente no chão, e Endless aproveitou para ganhar altura e alcançar Pyrus, que já estava bem alto. Pyrus virou-se e lançou um jato de fogo no inimigo, mas a madeira era saudável demais para pegar fogo. Os dragões voaram o mais rápido que conseguiram para longe da floresta, especialmente o mais longe possível do local sagrado. O silêncio continuou até que alcançaram a fronteira leste da floresta, e pousaram perto de um rio, na grama.
— O que era aquilo? – perguntou Lyra.
— Não faço idéia... – resmungou Sheena em resposta.
Os dragões não disseram nada, apenas deitaram na grama, exaustos. Haviam feito tudo aquilo para não serem vistas voando, mas afinal, além de serem vistas, foram atacadas pela criatura mais bizarra do mundo, talvez.