NARUTO,NÃO ME PERTENCE, NEM A HITÓRIA! CAPITULO DEZ
Hinata esperava Sasuke ligar, dizendo a si mesma que não estava esperando. Inventou até uma boa razão para ficar mais tempo em casa e começou a redecorar a sala de estar em tons de cinza e azul. Era como se tentasse mudar os aspectos externos de sua vida para que eles correspondessem às mudanças internas, apesar de to mar todo cuidado para não se analisar demais. Um exa me pormenorizado de seus sentimentos a levaria facil mente a concluir que o amor por Sasuke renascera de uma forma nova e aterrorizante.
Ela falou com seu editor por telefone e concordou que deveria voar para Paris no fim do mês para come çar o novo livro. E disse a si mesma que se ele não ligasse em três dias, então não ligaria mais, e mesmo se ligasse depois, ela seria fria como um pepino.
Toda vez que o telefone tocava ela contava até sete antes de atender. Até que...
— Hinata Hyuuga.
— Hinata?
Alguns dias podem parecer uma eternidade quando você está esperando, e agora parecia que ela esperara tanto para ouvir aquela voz profunda e forte.
— A-alô.
— É Sasuke.
— Sasuke. — Respiração profunda. Calma. Não mostre a ele o quanto isso significa. — Como vai?
Ele pensou nas noites longas, dolorosas.
— Sinto saudades de você. Ela engoliu em seco.
— Sente?
Ela sentia saudades dele? Ah, sim, sentia. Como era possível sentir tanta falta de um homem que até algu mas semanas antes mantinha escondido no mais fundo de sua memória?
— Um pouco — ela murmurou, sem ser hipócrita, mas se protegendo.
— Só um pouco?
— Huumm, muito. Tenho estado ocupada.
— Oh.
Para ela, ele pareceu, se não desapontado, surpreso.
— Você pensa que fiquei chorando por você em meu travesseiro todas as noites, Sasuke? — ela brincou.
— Bem, se você não esteve chorando, o que mais fez durante a noite, Hinata? — ele ronronou. — Devo te dizer o que venho fazendo?
Ela ficou vermelha, mesmo sabendo que ele estava a milhas e milhas de distância.
— Pare com isso!
— Na noite passada eu sonhei que estava passando a mão em todo o seu corpo. Hinata, quando eu acordei...
A voz dele se calou, dando lugar a um suspiro macio e sugestivo, e Hinata sabia exatamente o que ele estava fazendo. Ou tentando fazer.
— Não vou fazer sexo por telefone com você, se é o que você está querendo — ela disse, decidida.
O tom de inspetora de colégio foi para Sasuke como em balde de água fria, e quando o desapontamento passou, Sasuke deu uma risada baixa de prazer. Será que ele realmente pensava que Hinata se proporia a uma conversa erótica pelo telefone? Ele cocou a nuca e bocejou.
— Então me fale o que tem te deixado tão ocupada.
— Ah, estou pintando a sala.
— Huum, alguma coisa mais?
— E fazendo planos de viagem para o próximo livro.
— A Paris?
— Isso mesmo.
— E quando você vai a Paris?
— No fim do mês.
Ele fez um cálculo apressado em sua cabeça.
— E você estará muito ocupada para me ver?
O coração dela disparou de excitação e ela blasfe mou. Algumas coisas são difíceis de controlar, como a reação de seu corpo, mas outras, nem tanto. Como a voz, que ela lutava para manter calma.
— Não pensei que houvesse esta opção.
— Sempre há uma opção — ele retrucou. — E se eu te encontrasse lá?
— Onde? Em Paris?
— Por que não?
O coração dela batia rápido.
— Assim? Você pode tirar mais umas férias tendo acabado de voltar?
— Não serão férias — ele respondeu, rapidamente. — Você estará trabalhando, portanto estarei trabalhan do também.
— Mas eles não vão se importar se você sair do hotel novamente, tão cedo?
— Não se preocupe com isso. Em vez disso, pense em Paris... e tudo de bom que poderemos fazer juntos.
— Está bem — ela disse, como se não fizesse dife rença para ela. — Nos encontramos em Paris.
— Vou reservar um hotel.
A idéia de passar uma noite com ele — uma noite inteira — a deixava louca de desejo, mas...
— Não, Sasuke. Eu reservo o hotel.
— Isso é uma repetição da conta do restaurante? — ele perguntou. — Uma tentativa de me mostrar o quan to você é independente?
— Não exatamente. Isso é estritamente profissional, não é pessoal. Hotéis fazem parte do meu trabalho.
— Assim como do meu — ele afirmou, com uma voz prazerosa.
— Mas a grande questão de eu ir à França é pesqui sar locais para as mulheres ficarem, ao passo que você não está planejando desarraigar um hotel e levá-lo de avião a preço de atacado para Pondiki, certo?
Ele riu. m
— Então você me fará ficar em um lugar todo rosa e.a enfeitado? — ele sugeriu, ironicamente.
— Esta pode ser a sua percepção do que as mulheres gostam — ela riu. — Se for, sinto dizer que você está fora do páreo. Mulheres, hoje em dia, querem conforto e dão valor ao dinheiro.
— E o que mais as mulheres querem, Hinata? — ele perguntou, suavemente.
Ela se sentia mais confiante agora.
— Vou te mostrar — ela prometeu.
— Mal posso esperar.
Nem ela. Ela nunca tivera uma viagem de trabalho que a seduzisse tanto. Ele estava ali, esperando por ela no aeroporto Charles de Gaulle, alto e admirável, os cabelos negros como ébano refletindo as luzes do sa guão, os olhos negros brilhando mais e mais à medida que ela se aproximava, e ela evitando correr para se jogar nos braços dele.
Você é uma mulher de trinta anos, Hinata tentava se lembrar a todo instante, e não é assim que mulheres na sua idade se comportam. Ela disse a ele que iria sozinha para o hotel, mas ele insistira em encontrá-la. E não é que havia uma parte estupidamente feminina nela que adorava quando ele insistia em contrariá-la? Talvez, lá no fundo, por conta de uma independência tão duramente conquistada, houvesse em toda mulher uma parte que gostava de homens assim, fortes e domi nadores.
Ele observou a aproximação dela, pensando em como os anos a haviam modificado. Toda a paixão e exuberância da juventude tomara a forma de uma mu lher serenamente linda, de cabelos azuis e olhos de perolados que combinavam com seu vestido de verão. Ah, ela ainda tinha paixão — não havia dúvida —, mas agora só mostrava isso quando eles faziam amor.
O que tornava as coisas perfeitas. Sasuke não gosta va de demonstrações públicas de afeto. Mas por que com ela ele sentia vontade de jogar tudo para o alto? Seria simplesmente um caso de desejar o que nunca tivera? Ele estava acostumado com mulheres que o ido latravam e o colocavam em um pedestal. Mas se Hinata também o via assim, tanto melhor, pois era exatamente assim que ele a via.
Mas colocar as pessoas em um pedestal é perigoso. É um lugar tão solitário que ninguém poderia culpá-los por acabarem se sentindo sós.
— Olá — ela disse, desejando que esta timidez de testável e inexplicável a abandonasse. — Você não precisava ter vindo me encontrar, você sabe.
— Foi o que você me disse — ele disse secamente, e sorriu. — Mas aqui estou eu, e aí está você, então não vamos mais perder tempo falando nisso. Podemos ir?
Sem beijos, então.
— Podemos. No táxi, ela olhou para ele.
— Como vai Sarada?
— Está bem. Ela não perguntou mais nada, então ele se sentiu à vontade para dizer.
— As discussões sobre o futuro dela continuam. Ela olhou para ele de forma curiosa.
— E?
Ele franziu as sobrancelhas.
— Parece que ela vai me desarmar.
Hinata escondeu um sorriso. Parecia que Sasuke es tava aprendendo que jamais seria verdadeiramente feliz se sua filha não seguisse os próprios sonhos.
— Você parece ter dado a ela a coragem para lutar pelo que quer — ele comentou, pesaroso.
— Bom!
— Discussões, Hinata — ele murmurou, passando o dedo no contorno dos lábios dela, sentindo o tremor instantâneo que aquele toque lhe provocava. — Você vai discutir comigo mais tarde, agape moul
— Eu... eu espero não precisar — ela disse, trêmula. Se houvesse alguma discussão, seria consigo mesma, para fazê-la aceitar as coisas como eram, e não como gostaria que fossem. E se ela estava sendo prática, era porque sabia no fundo do seu coração que não poderia jamais ser de outro modo. Se antes não dera certo, tinha sido fundamentalmente por isso.
A vida deles ainda era muito diferente. E, sim, a re lação agora já durava mais do que da primeira vez, mas ela seria louca de pensar que ele se casaria com ela.
Ela virou o rosto para a janela, com medo da direção de seus pensamentos. Um fim de semana em Paris e já estava pensando em casamento? Quanto medo ele sen tiria?
— Chegamos — ele disse, calmamente, pensando no que a teria feito se afastar dele dessa forma.
Na suíte, eles ficaram se olhando.
— O que foi? — ele perguntou, franzindo a testa.
— Eu deveria estar tomando nota de tudo — ela disse.
— Você quer?
— Não — ela disse, sem disfarçar o tom de desespe ro em sua voz.
Ele sorriu.
— Então o que você quer fazer?
— Isto. — Ela andou na direção dele, colocou os braços em volta de sua nuca e o beijou, um beijo pro fundo e doce.
Ele levantou a cabeça, tonto pelo poder daquele beijo.
— Hinata — ele disse, simplesmente.
Ele a despiu com tanta delicadeza e depois se despiu também. Só quando os dois estavam nus, em uma cama e em um quarto que Hinata mal havia registrado, ele começou a beijá-la. A beijá-la como se jamais quisesse parar de beijá-la.
Ela abriu a boca para ele, os olhos arregalados de excitação, e apertou seu corpo contra o dele até senti-lo entrar. E a cada golpe delicioso, ela emitia um pequeno choro indefeso que rapidamente se tornou uma mistura de soluço de prazer e lamento.
Ele gemeu o nome dela, sentindo o mundo girar, e quando seus sentidos começaram a pulsar de volta para algo próximo da normalidade, ele sentiu a umidade das lágrimas dela sobre seus ombros, e ergueu a cabeça, olhando com surpresa para seus olhos.
— Lágrimas, Hinata? — ele perguntou, tenso.
Se ela não fosse muito cuidadosa, poderia pôr tudo a perder com uma reação emocional exagerada. Ela sorriu e beijou os lábios dele.
— Desculpa.
— Por que você está chorando?
Ela secou os olhos. Não vá por aí, Sasuke.
— Ah, é só coisa de mulher.
— Me fala.
Ela balançou a cabeça.
— Desculpe, não posso. — Ela olhou para ele de forma debochada. — Somos criaturas misteriosas, você não sabia? Os homens não nos compreendem, e é isto que nos faz tão encantadoras. — Ela se afastou dele, sentou e ficou observando o quarto. — Bom quar to — ela observou.
— Huumm. — Mas ele não estava olhando para o quarto. — O que você quer fazer agora?
Ela gostaria de ficar o resto da noite com ele na cama, fazendo amor várias vezes, até que os dois se cansassem e caíssem exaustos em um sono pesado. Na verdade, ela não se importaria nem um pouco se eles não saíssem da suíte durante a temporada em Paris, mas essa não era a razão de sua viagem. E esse tipo de comportamento não era só nada profissional, como ex tremamente perigoso. Ela tinha um trabalho e uma vida para ganhar. Uma vida para gerenciar, da qual Sasuke era apenas uma pequena parte.
— Tenho uma lista de bares para visitarmos — ela disse. — E um restaurante que gostaria de dar uma pas sada. O que você acha?
Achava um inferno, se pudesse dizer a verdade.
— Tudo bem — ele disse, com determinação. Eles se vestiram em silêncio, e Hinata pensou que, às vezes, o ato de se vestir pode ser mais íntimo do que o de se despir. Quando o fogo da paixão se acalma, não sobrava nada além da fria e severa realidade, e esta realidade de repente ficou muito fria, na verdade. A única intimidade que havia entre eles era essa, de se vestirem na frente um do outro. Não havia troca de olhares, risinhos, brincadeiras ou qualquer das coisas que aconteceriam se eles fossem um casal de verdade. Ela vestiu seu vestido de jérsei preto e macio, pen teou o cabelo e calçou um par de sapatos de saltos bem altos que não seriam sua escolha número um para vi sitar a cidade, mas, diabos, aquilo não era trabalho e prazer?
Sasuke acabou de colocar suas abotoaduras e olhou para ela com os olhos tão cerrados quanto seu sorriso breve.
— Pronta?
— Sim.
Mas Paris exercia sobre eles sua magia sutil, apesar dela tê-lo feito rodar por quatro bares diferentes onde ele, rabugento, bebeu apenas água mineral. Só quando eles estavam sentados frente a frente em um restaurante perto da Champs-Elysées, diante de cardápios grandes como Atlas, Sasuke permitiu-se um sorriso genuíno.
— Você me deixou exausto, agape — ele murmu rou.
Ela olhou para ele por cima do cardápio, levantando as sobrancelhas.
— Depois de apenas um encontro? Estou com pena de você, Sasuke! — ela debochou. — Em outros tem pos você não me teria deixado sair de seus braços.
— Porque em outros tempos você não iria querer sair!
— Não, mas... — As palavras em francês dançavam sem sentido na página à sua frente. — As coisas mu dam.
— Você gostaria que elas não mudassem? — ele perguntou, de repente.
Ela colocou o cardápio na mesa. Isso era profundo, vindo dele, e a expressão em seus olhos a alertava para não ser petulante. Havia hora para petulância, e esta definitivamente não era uma delas.
— Claro que sim! Algumas vezes. — Ela respirou fundo e deixou as palavras saírem. — Existe um lado tolo e romântico em toda mulher que deseja que seu primeiro amor dê certo e que eles vivam juntos, felizes para sempre.
— Mas você acha que isso é impossível? — ele adi vinhou.
Ela afirmou com a cabeça.
— Em noventa e nove por cento dos casos, sim, e certamente no nosso.
Ele colocou o cardápio na mesa. Tinha comido pou co, mas não tinha interesse na comida.
— E agora? — ele perguntou, calmamente.
Era uma dessas perguntas-chave, dê a resposta errada e tudo estará perdido. Ela suspeitou que ele estivesse testando o clima para descobrir até que ponto ela estava séria e se sustentaria essa seriedade, então ele correria o mais rápido possível para a direção contrária.
— Aprendi a não olhar para o futuro — ela disse. — Nem a olhar para o passado, não tem por que, tem?
Ele sorriu.
— Você quer dizer viver o hoje.
Ela balançou a cabeça afirmativamente, e, apesar de doer dizer isso, ela sabia que precisava. Antes dele.
— Sim. Porque hoje é tudo o que temos, Sasuke. — Tudo o que sempre teriam. E depois deste fim de sema na, cada um voltaria para sua vida. Ela teria que apren der a compartimentar as coisas, assim como ele fez, assim como todos os homens faziam. Caso contrário, ela seria uma dessas mulheres que ansiavam pelo im possível, e a relação — se é que se podia chamar assim — simplesmente não sobreviveria.
— Devemos pedir? — ela perguntou.
— Peça para mim.
— Eu?
— Claro. Você estava aí estudando o cardápio. Ou deixando parecer que estava.
— O que você imagina?
Ele se inclinou para a frente e acenou para ela vir na direção dele, beijou lentamente seus lábios por mais tempo do que deveria, considerando que estavam em uma mesa próxima à janela do restaurante, completa mente expostos aos transeuntes e outros freqüentado res. Mas eles estavam em Paris — e Paris nunca desa prova os amantes.
Ela fechou os olhos brevemente e viajou com o con vite sensual daquela boca.
— Você... você tem... gosto de sexo — ela disse, enfraquecida.
— Sei disso. E você também. O que foi que você me perguntou, ágape?
— Perguntei o que você queria comer.
— Você — ele respondeu, simplesmente, e sorriu ao ver que ela o olhava chocada e deliciada. — Você não sabia que na Grécia comemos mulheres e galinhas com nossos dedos?
— Sasuke — ela engoliu em seco. — Eu suposta mente estou analisando este restaurante, e você está tornando as coisas muito difíceis.
— Eu sei. — Ele deixou o menu sobre a mesa. — Podemos ir?
— Mas não comemos nada!
— E daí?
Ela lançou a última cartada, desanimada.
— Você sentirá fome mais tarde — avisou.
— Sempre podemos contar com o serviço de quarto. — Os olhos dele lançaram um desafio completamente negro. — Vem, vamos pegar seu casaco.
Ela empurrou a cadeira.
— Você está muito mal acostumado a só fazer as coisas do seu jeito — ela acusou, e ele riu em resposta.
— Sim — ele concordou. — Mas nós dois sabemos que o que quero é o que você quer também. Você só precisava que eu te mostrasse o quanto.
Ela não conseguiu pensar em uma resposta, mas qualquer pensamento racional era muito difícil, na ver dade. Não conseguia pensar em nada além do maravi lhoso fato de eles estarem indo para o hotel passar a noite. Passar a noite.
— Você se deu conta de que esta é a primeira vez que vamos dormir juntos? — ela perguntou.
O rosto dele parecia quase triste.
— Você não sabia que pensei nisso a tarde toda? E então o táxi chegou.
Postado o primeiro capitulo da GAAHINA, espero que gostem!
