Desculpem-me se houver algum erro.

Capítulo 8

— Isabella! — Edward entrou e tirou o casaco, colocando-o na cadeira antes de fechar a porta em busca de privacidade.

Embora Isabella se sentisse como se uma grande pedra estive entalada em sua garganta, ela respirou normalmente de novo e aliviou a pressão que comprimia seu peito. Edward focou seus olhos profundos nas feições rígidas da mulher como se fosse um puma nas montanhas. Com as maçãs do rosto pouco coradas e os ângulos elegantes da face, Edward estava estonteantemente lindo, mas ao mesmo tempo demonstrava precaução, como um homem que tentava se equilibrar sobre um abismo.

— Como pôde trazer esta criança aqui? — Isabella perguntou secamente, sem esconder sua incredulidade. Ao mesmo tempo, ela sentia aquele frisson que a chegada dele evocava o efervescer na corrente sanguínea que agia como vinho em uma cabeça fraca. Ela ficou mortificada ao se dar conta de que ele ainda mexia com ela.

— Eu não poderia, simplesmente, deixá-las no hotel.

— Por que não? — Isabella se pronunciou sem se esforçar para parecer razoável.

— Lili chora incessantemente e estava perturbando os outros hóspedes. O gerente do hotel reclamou. — Edward comprimiu sua boca sensual quando fez a declaração exasperada. — A substituição de Suzette é recente e ela está lutando para se adaptar. Não havia jeito de deixá-la sozinha, responsável por Lili em Londres, com todos os paparazzi à espreita tentando conseguir a oportunidade de tirar uma foto.

— De repente você está agindo responsavelmente... Como um pai de verdade — Isabella zombou. Ela odiava a si mesma por fazer isso, mas não podia engolir o sarcasmo.

— Estou fazendo o meu melhor — Edward admitiu categoricamente, com aquela boca maravilhosa endurecida. — Eu tenho que fazer, não tem mais ninguém que o faça.

No entanto, Edward estava se sentindo em um ambiente hostil, no qual seus pecados passados voltavam para persegui-lo. Ele estava ciente de que não brilhara diante da adversidade, quando Isabella ficara grávida, depois de estarem saindo por apenas algumas semanas. A ressentida ponta de imaturidade e a infância complicada que o haviam precavido de aceitar seu papel como pai com entusiasmo causou efeitos devastadores. Ele mantivera distância, preservando seu destacamento devido ao seu orgulho e, quando o pior acontecera, já era tarde demais para reverter o relógio e mudar as coisas.

Mesmo através da densidade da porta, Isabella podia ouvir o choro, de cortar o coração, do bebê. Embora a babá tivesse, indubitavelmente, levado a criança para cima, ainda podia ouvir a menininha. Ou estava simplesmente imaginando ainda poder ouvir seu bebê chorando? Isabella imaginou preocupada. Afinal de contas, já tinha descoberto que sua imaginação era sem fronteiras quando o sono a conduzia a pesadelos que já a haviam assombrado. Ela trincou os dentes com a adrenalina saltando a níveis altíssimos diante daquele choro, criando um eco em seus ouvidos. Isabella queria correr e continuar sempre correndo, mas algo dentro dela se recusava a dar forma á este desejo covarde. Qualquer tentação em demonstrar fraqueza na presença de Edward teria que ser descartada. Mesmo que isso a matasse, ficaria em Roxburn Manor.

— Eu nem sabia que estava planejando se juntar a mim nesta casa e que não se importaria de trazer esta criança com você — Isabella comentou com raiva. — Eu nunca teria concordado em ter saído de Londres se soubesse o que me esperava aqui!

— Não pensei sob este ponto de vista. Desculpe, meu único objetivo foi ajudar você...

— Como pode me ajudar? Você é o meu problema! —Isabella atirou fervendo de raiva, olhando para o homem com as bochechas coradas, enquanto ela mexia com a mão enfaticamente para ressaltar este ponto. — Eu não estaria fugindo da imprensa e das terríveis perguntas se não fosse por você e seu comportamento.

Edward fechou o semblante com firmeza. Tinha os olhos verdes, velados e seus ombros estavam erguidos em um silêncio resoluto. Ele queria sair dali, entrar no helicóptero e voltar para seu escritório, onde seus melhores esforços, invariavelmente, valeriam á pena, pois teria lucro. Ele era maravilhoso em ganhar dinheiro, sabia disso e também sabia que muitas mulheres considerariam essa sua característica a mais atraente.

Pela primeira vez, desejou que diamantes fossem o dinheiro vivo que Isabella apreciasse. Mas, quando ela deixara a segurança para trás, quando saíra do casamento, enviara a mensagem subliminar de que joias não eram nada demais para ela. Isabella esperava coisas mais intangíveis e significativas dele. Edward só não estava certo se ele tinha para dar o que ela desejava. E, infelizmente, também não tinha as palavras para explicar o que faltava a ela.

O silêncio latente da insatisfação mútua foi interrompido pela governanta, convidando-os para a refeição na sala de jantar. Isabella pensou em perguntar se poderia comer em seu quarto no andar de cima, mas não o fez, pois não queria agir como a diva cheia de caprichos, já que não sabia se a senhora precisaria de ajuda nos afazeres da casa.

Com os lábios rosados, cheios de tensão, ela sentou-se com um ar de frustração na formal sala de jantar.

— Por que me convidou para vir para cá? — ela perguntou depois de que uma moça de macacão serviu-lhes a sopa. — Se a sua chegada significa que está pensando que estou aceitando a situação...

— Dificilmente. — Edward recebeu esta sugestão com frieza e levantou a sobrancelha. — Não queria você lutando para lidar com a invasão da mídia, já que era culpa minha você ter virado o alvo. Achei que fosse ter paz aqui.

A sopa era de cenoura e coentro e estava deliciosa.

Isabella se perguntou se esquentaria o frio que ela sentia por dentro, mas avaliou que seria necessário um maçarico.

— Quando comprou esta casa?

— Não comprei — Edward falou quando ela o olhou, franzindo a testa. — Roxburn Manor pertence a meus pais. Aproximadamente há dez anos, minha mãe chegou à conclusão de que gostaria de ser uma senhora do interior na Inglaterra, mas um verão chuvoso matou seu sonho. Nem consigo me lembrar de quando foi á última vez que usaram esta casa.

Isabella analisou as paredes pintadas de azul e a mobília ornamentada, completamente fora de sintonia com a idade da casa, e pensou que deveria ter reconhecido o gosto elaborado da mãe de Edward em relação a design de interiores. Ela tivera tato e não fizera nenhum comentário sobre o desperdício que era manter uma propriedade tão grande e não usá-la. Não conseguia se esquecer de como Edward tinha trabalhado duro para manter a Cullen Shipping de pé, enquanto seus pais continuavam a gastar; gastar e gastar, embora suas finanças já estivessem acabadas. Nascidos dentro da riqueza, os pais dele eram as duas pessoas mais autoindulgentes que ela conhecia; no entanto, nunca criticara o estilo de vida extravagante que eles não davam o menor valor. Considerando a forma como os pais o tratavam, Isabella percebeu que ele não reclamava a este respeito, devido à lealdade que nutria como filho.

Sim, Edward tinha muitos pontos positivos, ela reconheceu relutantemente. Era um ótimo filho para seus pais indignos, trabalhava duro, era um provedor nato e uma companhia muito agradável dentro e fora da cama. Mas este pensamento só estapeava Isabella, primeiro na cabeça, como uma colisão dolorosa, por estar ciente de um fato que não poderia superar: a criança de Oleia. A vida de Isabella foi virada de cabeça para baixo e não tinha nada que ela pudesse fazer a respeito, além de deixar Edward e o casamento para sempre. Era isso que ela estava planejando fazer?

Imobilizada pela ameaça concreta desta perspectiva, Isabella sentiu um arrepio quando seu telefone celular começou a piscar e tocar na cadeira ao seu lado.

— Deixe para lá — Edward disse impacientemente. Como previsto, Isabella ignorou o conselho e pegou o aparelho. Era Jacob, e uma expressão quase cômica de desânimo ficou estampada em seu rosto.

— Onde, diabo, está você? — ele perguntou. — Estou esperando há vinte minutos.

Isabella murmurou alto e começou a se desculpar. Na primeira sexta-feira de cada mês, ela e Jacob sempre se encontravam para jantar e discutir negócios sobre a empresa de decorações de interiores, e ela já tinha faltado no mês anterior por estar no Marrocos.

— Jacob, eu sinto muito. Eu esqueci completamente que deveria ir ao seu encontro hoje à noite...

— Eu leio os jornais — Jacob respondeu ironicamente. — Eu sei que o reencontro arrebatador deve estar derrapando mais rápido devido à onda de revelações publicadas recentemente.

O rosto dela ficou em chamas.

— Não seja sarcástico.

— Eu estou completamente por fora de tudo isso, Isabella — seu parceiro de negócios disse com tristeza. — Não sei o que espera de mim.

— Não pode ser apenas meu amigo? — Isabella perguntou desconfortavelmente.

— Você está fazendo disto um desafio. E descartar a Sra. Margaret esta manhã não foi muito inteligente da sua parte. Ela já ligou para reclamar comigo. Ela não quer tratar com nenhum de seus funcionários.

Isabella franziu a testa.

— Eu assegurei-lhe que qualquer trabalho que requisite vai receber minha atenção pessoal. Hoje nós íamos apenas ter um encontro preliminar para discutir suas preferências.

— Onde você está?

Extremamente ciente de Edward a estar analisando, ela explicou sobre Roxburn Manor.

— Vou dirigir até aí e encontrá-la ao meio dia — Jacob disse a ela e desligou antes que ela pudesse protestar.

Os olhos tensos da mulher colidiram com os de Edward.

— O quê? — ela interrompeu o silêncio desconfortável entre eles.

— Qual é a situação com Black? — ele indagou em voz baixa, no momento em que a mulher de macacão reapareceu para retirar os pratos e servir o prato principal.

Já na iminência de partir, Isabella inclinou o queixo.

— Meu relacionamento com o Jacob é particular. O olhar intenso do homem queimou como fogo.

— Não me diga isso!

— E não me leve ao ponto de achar que o que aconteceu ontem vai me fazer reconsiderar nosso casamento! — Isabella o enquadrou com a voz rouca, sem desejar fazer uma ameaça, mas incapaz de se calar as palavras de fúria saíram de sua voz.

— Não sou idiota. — Edward analisou o rosto da mulher e percebeu os olhos castanhos despedaçados pela indecisão e tensão, assim como a curva da sua boca voluptuosa cor de pêssego. O apetite dele acabou ali mesmo, e ele jogou o guardanapo no prato e se levantou. — Com licença, também tenho que fazer algumas ligações.

As lágrimas brotaram nos olhos de Isabella e ela as engoliu furiosa. Ela comeu com determinação, lembrando-se de quantas refeições silenciosas e solitárias tinha feito no sul da França quando o casamento deles estivera prestes a fracassar. Enquanto estivera perdida em sua dor, Edward se enterrava no trabalho, à medida que ela se sentia cada vez mais sozinha negligenciada e plenamente certa de sua decisão de deixá-lo. Mas, naquele instante, percebeu que talvez fosse ela que tivesse afastado Edward, ao lembrar-lhe que não sabia mais se estava ou não disposta a dar ao casamento deles outra chance. Lembrou-se da chantagem do pai dela e quase riu, sabendo que ele também iria olhar os fatos e imaginar qual seria o desfecho.

A história havia se repetido com o nascimento da filha ilegítima do marido. Já tinha sido uma criança na mesma posição que Lili, mas, pelo menos, nascera antes de seu pai, Charlie, ter conhecido e se casado com a mãe de sua meia-irmã, Alice. Agora estava tendo um vislumbre de como era estar do outro lado da cerca. Ela estava com muita raiva, ressentida e com sentimentos pouco nobres pela inocente criança que não pedira para nascer. Esta constatação fez apenas com que Isabella se sentisse mais miserável e confusa.

Seria, provavelmente, mais fácil sair de cena do que tentar ficar e fazer com que o casamento deles funcionasse sob tais circunstâncias, ela refletiu dolorosamente. Porém, o caminho mais fácil não era necessariamente o certo.

A Sra. Jones a levou até seu quarto, sempre alegre, falando de como estava feliz por Roxburn Manor estar sendo ocupada, mesmo que temporariamente. Ao fundo, Isabella tentou não ouvir o lamento triste que Lili continuava emitindo do andar debaixo enquanto pensava que certamente deveria haver algo de errado quando uma criança chorava tão constantemente e alto, e o fato fez com que ela refletisse novamente. Uma pilha de caixas esperava por ela na cama do elegante quarto de hóspedes. Suas investigações revelaram que existia um vestido de noite, uma saia, um suéter e lingerie. Todos do tamanho correto.

Isso era uma questão a se considerar sobre ter um homem mulherengo como marido, Isabella pensou ironicamente, ciente de como ele sabia o suficiente sobre mulheres a ponto de entender o que deixaria uma mulher confortável.

Mas Edward ainda era mulherengo? Honestamente, a ideia a convidou a admitir que ela não tivesse tido motivo para duvidar da fidelidade dele enquanto ainda estavam vivendo juntos como marido e esposa. E ele estava certo quando falara de um ponto importante: havia sido ela quem abandonara o casamento. Só agora Isabella reconhecia que o sofrimento tinha colorido tudo que sentira antes, somado a sua infeliz convicção de que seu marido só tinha se casado com ela porque estava grávida. O fato de o bebê ter nascido morto a convencera de que não havia mais motivo para que ficassem juntos e que a ausência constante de Edward era a forma que ele havia encontrado de dizer isso a ela.

Agora, lembrando-se da confissão de que o marido havia bebido pesadamente depois que se separou ela chegou à conclusão de que era culpada por ter presumido tantas coisas enquanto ignorava o fato de Edward ter sido sempre corajoso o suficiente para falar em nome próprio.

Ela se enxugou depois de um rápido banho e colocou o vestido de noite. Todo o tempo estava dolorosamente consciente do choro melancólico da menina. Depois de não conseguir mais suportar aquele som ao fundo, ela saiu do quarto e desceu para procurar Edward.

Ele estava usando seu laptop em uma mesa enorme e grandiosa de mogno que era muito mais do estilo do seu pai que o dele. Quando ela apareceu na porta, ele a olhou com seus olhos verdes brilhantes e ficou visivelmente paralisado.

— A que devo a honra? — Edward saboreou a visão que tinha da mulher no vestido que tinha pessoalmente escolhido para ela. A seda turquesa caía em camadas sobre o corpo esguio de Isabella, moldando a curva de seus seios e os bicos rígidos. Ele teve uma ereção instantaneamente e o desejo percorreu seu corpo poderoso com uma dor quase imediata. O decote do envoltório mostrava apenas uma rasa parte da pele cremosa e, no entanto, aquele pequeno vislumbre do veludo de sua pele macia foi á coisa mais erótica que já tinha visto.

Diante da análise detalhada do marido, Isabella se manteve rígida na porta.

— Você provavelmente vai pensar que não é problema meu, mas um bebê que chora tanto quanto Lili parece... — Ela pronunciou o nome alto pela primeira vez e sua voz falhou levemente. — Ela precisa ser levada a um médico para investigação. Deve estar chorando porque está com dor... Ou algo parecido.

Edward ficou de pé e ostentou sua altura superior a 1,80m com uma graça espontânea. Com lindos cílios pretos, semiocultando seu olhar escuro dourado, ele respirou fundo.

— Um médico foi vê-la em Londres. Aparentemente, ela sofre de eczema infantil, o que a está deixando bastante angustiada. A babá vem dando a medicação e seguindo um tratamento para o bem estar da menina.

Isabella sentiu sua primeira pontada de compaixão pela filha de Oleia. Ela possuía uma amiga na escola que sofria de eczema e sabia como poderia ser angustiante viver com a pele em condições que podiam causar intensa irritação.

— Talvez, num certo período de tempo, a medicação vá ajudar — Isabella disse com a voz amarga, tentando se comportar como se ambos estivessem compartilhando uma conversa normal. — Como a babá está lidando com tudo isso?

— Ela só está exercendo a função temporariamente e será substituída por outra babá amanhã. — Quando Isabella franziu a testa, Edward comprimiu sua linda boca, demonstrando concordar com ela. — Está muito longe de ser o ideal, mas foi o melhor que consegui fazer, dada a rapidez da notícia.

— Nós dois parecemos estranhos bem educados — Isabella comentou frustrada pelo fato de ambos estarem pisando em ovos.

E, sem o menor aviso de suas intenções, Edward se aproximou dela. Com os olhos verdes brilhando como chamas, ele a envolveu com os braços para mantê-la presa ao seu contato com sua musculatura poderosa, abaixando sua cabeça e a beijando com o mesmo erotismo que não a faria resistir dois dias antes, porém havia uma frieza, uma pedra imóvel dentro dela no lugar de seu coração, e Isabella congelou, recusando-se a sentir qualquer coisa. De repente, ela o empurrou e recuou para enfatizar o que tinha em mente.

— Não — ela falou categoricamente.

— Você está aqui, está comigo — Edward apontou com a voz rouca. — Por que não?

Isabella estava chocada e irritada por ser desafiada. — Você sabe o por que.

— Qual o sentido de me punir por algo que aconteceu há mais do ano enquanto estávamos separados? — Edward indagou.

As bochechas de Isabella enrubesceram. Ela mal conseguia controlar seus nervos, mas também reconhecia que a libido de Edward requeria um, certo encorajamento.

— Não estou tentando punir você, Edward.

— Você está me afastando novamente e eu não vou aceitar isso — ele falou entre os dentes, realçados em sua pele morena enquanto a analisava com a intensa tenacidade masculina, como se ela fosse um quebra-cabeça que ele pudesse resolver.

— Você pode não ter escolha.

— Sempre há uma escolha, e esta não é uma que pode fazer por mim — Edward entoou com um forte sotaque grego, como se estivesse dando um aviso.

— Você ainda é a minha esposa... Isabella cruzou os braços na defensiva.

— No papel...

— Ontem, estávamos sobre um colchão, não sobre um papel — Edward a relembrou com uma frieza sarcástica. — Você escolheu voltar para mim, estava disposta a dar ao nosso casamento outra chance.

A lembrança nem um pouco bem vinda fez o pequeno rosto de Isabella endurecer como gelo, seu orgulho se contorcendo com mortificação.

— Não é tão simples assim.

Edward se agigantou com toda a agressão teimosa de seu forte temperamento em posição desafiadora.

— É sim.

O ressentimento que ameaçava a confiança escaldante de Edward assolou Isabella, a ponto de deixá-la tonta e sem nem conseguir parar para pensar sobre isto. Ela reagiu da forma mais dura que podia.

— Bem, de fato, é bem simples. Se não fosse pela pressão que Charlie colocou em mim, eu nunca teria voltado para você, em primeiro lugar!

As sobrancelhas de Edward plissaram diante daquela declaração, e ele franziu a testa em direção à mulher.

— Do que você está falando? O que o seu pai tem a ver com tudo isso?

Rapidamente, uma pontada de arrependimento se infiltrou em Isabella, pois nunca pretendera contar a Edward a verdade.

— Isabella — Edward falou impacientemente. Ela respirou; fundo reconhecendo que tinha nocauteado a si mesma com o insulto.

Agora não tinha alternativa, exceto contar a história toda.

— Minha mãe fez uma coisa desonesta quando estava morando em Mônaco. Tinha dívidas e para pagá-las falsificou cheques que pertenciam a Phill, o homem com quem ela estava morando. Quando ele descobriu, chutou-a para fora e mandou um advogado dizer-lhe que, se não pagasse o dinheiro que tinha roubado, envolveria a polícia — Isabella explicou com tristeza. — Claro que Renée não tinha nenhum dinheiro e eu também não estava na posição de ajudar. Tudo que eu tenho está investido no meu negócio.

Edward franzia a testa, mas a confissão de Isabella sobre a desonestidade de Renée não pareceu surpreendê-lo muito.

— Por que não veio pedir ajuda para mim? Ela é sua mãe e eu teria entendido.

— Porque, nos fim das contas, eu não estou muito certa de que existe uma escolha entre você e meu pai. Nenhum dos dois é fã do conceito de dar alguma coisa em troca de nada. Ambos são homens durões de negócios. Meu pai acha que estar casada é bom para mim. Ele concordou em me dar o dinheiro para repor o que Renée roubou se eu concordasse em dar outra chance ao nosso casamento. Assim como Charlie queria algo em retomo pela generosidade dele, presumi que você também iria querer.

— Eu não teria escolhido colocar a fraude de sua mãe sobre sua cabeça e á chantageado para que voltasse comigo. Isabella pareceu não se impressionar.

— Você gosta de conseguir o que você quer, quando você quer. Não estou certa...

— Você tem que se certificar, neste instante. — Os olhos brilhantes do homem incendiaram. — Eu não iria querer nenhuma mulher nos termos que significassem que eu precisaria chantageá-la para obter sua companhia! — Ele a olhou de volta com uma feroz retração. — E isso inclui você.

— Oh... Isso é um fato? — Isabella falou, embora estivesse mais sacudida pela reação dele do que estava preparada para demonstrar.

— Eu teria lhe dado o dinheiro sem que laços fossem atados — Edward a informou, ainda muito abatido pelo o que tinha acabado de saber. — Renée não é capaz de se sustentar e nunca foi. Eu sabia disso quando me casei com você e também sabia que ela iria precisar da minha ajuda mais cedo ou mais tarde. Eu vou pagar Charlie de volta. — Ele franziu as sobrancelhas fortemente. — Foi este o único motivo para reatar comigo? Por que seu pai exigiu como condição para que recebesse o dinheiro?

Quase energizada pelo fato que, desta vez, fora ela que o surpreendera, Isabella lançou- lhe um olhar de desafio pouco apologético.

— Charlie parece estar convencido de que, se eu me divorciar de você, vou terminar que nem a minha mãe e nunca vou me estabelecer novamente. Obviamente ele gosta de ver você como uma influência estabilizadora.

Edward balançou as mãos cerrando o punho, como se estivesse engolido um grito grego gutural de indignação e condenação. Seu sogro astuto fora responsável pela negociação para que sua esposa voltasse para seu lado. Era a ele que tinha que agradecer por ter tido uma segunda chance em seu casamento. A fúria sombria de Edward o deixou tonto. Ele queria martelar a parede até que passasse sua raiva e seu orgulho ferido. O sangue pulsava em suas veias e as batidas por trás da sua testa fizeram com que ele se sentisse como se uma barra de metal estive apertando suas têmporas. Ele precisou de uma forte autodisciplina para suprimir sua raiva.

— E qual foi o preço que a trouxe de volta para a minha cama? — Edward murmurou com uma frieza letal, virando para olhar dentro dos olhos da mulher.

— Não foi assim que aconteceu — Isabella protestou rigidamente, começando a desejar que tivesse mantido a boca fechada e ressentindo que aquele comentário sarcástico fizesse com que ela se sentisse uma mulher fácil.

— Quanto? — Edward a pressionou enfaticamente.

E ela disse a ele, na esperança de terminar o assunto. Era uma soma irrisória quando se tratava de Edward.

Ele deu um longo assovio, normalizou a respiração e olhou para os olhos tensos de Isabella.

— Sem querer ofendê-la, mas tive você de volta no barato. Estou surpreso de que não tenha se voltado para Jacob Black à procura de ajuda. Acho que ele teria gostado da oportunidade de salvá-la como um cavaleiro em um cavalo branco.

— Não queria levar Jacob para dentro dos problemas da minha família. Minha mãe era culpada de fraude, ela roubou... Ir até Jacob não parecia apropriado — Isabella disse, desconfortavelmente.

— Mais uma vez, devemos o desenrolar do nosso casamento á seu pai. — Edward soltou um riso de apreciação. — Charlie é bom em intrigas e você também é moli mou. Não me ocorreu suspeitar que tivesse outra motivação ao concordar em voltar para mim. — A mandíbula forte e sombria do homem endureceu, sua boca sensual se contorceu. — Era menos provável que eu fosse ingênuo, mas claramente fui por não avaliar que você tem seu preço como qualquer outra mulher que já conheci.

Isabella perdeu a cor, a estrutura proeminente de seus ossos lutava para manter a compostura. Se for a intenção dele fazer com que ela se sentisse barata e fácil, tinha conseguido com aquele cínico estalo de fibra moral. Isabella já tinha, havia muito tempo, aceitado que a proposta do pai fora uma mera desculpa para que ela fizesse o que queria.

Isabella queria Edward de volta, mas, já que era muito orgulhosa, achara mais fácil dizer a si mesmo que estava apenas reatando com ele porque o pai não havia lhe dado outra opção. O que isso dizia a respeito dela? Sua auto decepção a envergonhou, mas, no clima atual, nem cavalos selvagens poderiam ter tirado a verdade dela e a feito compartilhar o fato com Edward. Ela levantou a cabeça e mascarou os olhos para se defender, em seguida se virou e voltou para o quarto.

Ao ser deixado sozinho novamente, Edward, indignado, serviu-se de uma bebida. Ele tentou se concentrar nas coisas práticas. Naturalmente teria que repor o dinheiro que Charlie pagara para salvar a pele de Renée. Nestes dias, Renée era mais responsabilidade dele do que de Charlie. Edward sempre suspeitara que Isabella houvesse sofrido muito na infância insegura, pois sua mãe era egoísta e irresponsável. No entanto, Isabella nunca tinha apontado as falhas de Renée.

Na verdade, quando se tratava das pessoas que ela amava, Isabella tinha um espírito generoso e indulgente. Houvera uma época em que Edward não dera valor ao fato de sua esposa amá-lo, mas esta convicção morrerá logo depois da morte do filho deles. Agora, ele estava consciente de que não era mais qualificado para um lugar dentro do círculo de confiança de Isabella, mas estava ainda mais ciente de que não queria uma esposa que não havia escolhido ficar com ele por vontade própria.

Depois da segunda bebida, ele se perguntou se estava sendo inteiramente honesto com ele mesmo nesta questão. Afinal de contas, por séculos, homens lutavam e se apegavam a mulheres que não eram loucas por eles. Embora não fosse muito desafiador quando a esposa tinha pouquíssimos direitos humanos, ele racionalizou com tristeza.

No entanto, nem mesmo a história exigia que ele recuasse ê permitisse que sua esposa entretivesse seu amante dentro da casa do marido. Jacob Black estava tirando vantagem da situação ao planejar atacar no momento ideal. Black era um estrategista.

Claro que iria investir quando o casamento de Edward estivesse quase afundando. Era duro pensar que aquele triste e pequeno fragmento de humanidade no andar de cima era a causa de tanto problema.

Era a sua filha, Edward refletiu com tristeza, que estava ameaçando seu casamento, mas isso não o liberava de suas responsabilidades em relação a ela. Em todo caso, uma voz cínica o lembrava de que a reconciliação que tinha creditado tanta fé havia se mostrado ser nada. E quem poderia dizer quanto tempo á reconciliação iria durar diante destas circunstâncias? Edward ergueu os ombros, sabendo que a verdade, nada bem vinda, era que Isabella tinha sido manipulada pelo pai para colocar as prioridades da mãe na frente das dela. Era uma verdade que atingia seu orgulho como ácido. O mais provável era que Isabella tivesse dividido a cama com ele no Marrocos porque sexo era parte de qualquer reconciliação.

Hoje, infelizmente, não poderei responder os reviews já que estou sem tempo, desculpem por isso gente. Mas agradeço todos aqueles que tiraram um minutinho do seu tempo para escrever um comentário, muito obrigado. Beijos e até quarta-feira.