Capitulo 10 – Planos Preciosos

O Kenshin observou a Kaoru dormitar, enquanto a sua mente pensava nas inúmeras questões para as quais ele queria uma resposta. Ele precisava mesmo saber o que se tinha passado na noite em que ela foi atacada. Ela tinha vindo a evitar essa questão, mas ele sabia que não ia conseguir descansar até saber toda a verdade.

Alguém a tinha magoado imenso… De uma forma tão séria que até agora ela ainda tinha pesadelos com isso… Sem falar das marcas nas suas costas. O Kenshin suspirou e olhou para cima quando a viu acordar.

Ao vê-la naquele estado tão vulnerável o Kenshin mal se conseguia lembrar dos motivos que o levaram a partir. Com o cabelo despenteado, Ela esticou os braços espreguiçando-se ainda de olhos fechados. O Kenshin sentiu-se agitado só por a ver assim… ela trouxe-lhe imagens à sua mente e sentimentos ao seu coração que já não experimentava há algum tempo.

O Kenshin tentou afastar aqueles pensamentos. Ela tinha sido atacada e ele precisava de se manter focado em tudo o que se passava na vida dela naquele momento. Os seus olhos encontraram-se com os dela, e apesar de ainda estar sonolenta, havia um misto de curiosidade escondida na forma como ela olhava para ele.

"Ohayo Kenshin." – ela murmurou. Ela observou o seu rurouni de perto. Mas que é isto! O rurouni dela? Ele não era DELA!

"Ohayo, Kaoru." – o Kenshin respondeu escondendo os seus pensamentos através das suas palavras: "Ou devo dizer… Konnichiwa."

Demorou algum tempo até ela se aperceber do que ele tinha dito: "Konnichiwa? Já é meio dia?" – ela levantou-se rapidamente e pegou nas coisas para o banho.

"Sim. Tu dormiste até tarde."

A Kaoru barafustou baixinho enquanto tirava uma fita para o cabelo da gaveta, e, só ai é que deu conta das ligaduras nos seus braços. Ficou pálida quando se apercebeu do que tinha acontecido. Voltando-se para o Kenshin ela perguntou-lhe: "Tive outro pesadelo?"

Outro? Então ela já os tem há algum tempo. "Sim. Tu arranhaste-te a ti mesma. A Megumi teve que te ligar."

"Eu tenho de lhe agradecer." – ela disse – "Não me acredito que aconteceu de novo. O Shuichi costumava ficar ao meu lado quando isto acontecia." – ela suspirou perguntando-se onde estaria o seu amigo naquele momento. Será que ele estava bem? Andava a comer direito? Cega pelos seus pensamentos ela não notou o olhar do ruivo.

"Ai ficava?"

"Ah?"

Ele levantou-se e caminhou até ela cheio de vontade de lhe perguntar acerca do pesadelo, mas depois parou. A Kaoru ficou a olhar para ele. Ele abanou a cabeça e disse-lhe para ir tomar banho antes de a comida ficar fria.

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"Perguntas-te-lhe?" – o Sanosuke perguntou de costas contra a parede e com uma espinha de peixe na boca.

O Kenshin abanou a cabeça. Ele tentou afastar da sua mente a ideia de se juntar a ela no banho, nesta manhã tão quente. Ele estremeceu. Era impressão sua ou estava a ficar muito quente ali?

"Como é que planeias perguntar-lhe? Ela não vai falar de livre vontade." – a Megumi perguntou preocupada.

"Nós vamos ter que tentar descobrir. Eu preciso de saber com o quê que ela estava a sonhar!"

Os outros mantiveram a calma quando repentinamente alguém bateu à porta. O Yahiko levantou-se e passado alguns segundos voltou e trazia na mão duas cartas para a Kaoru. Uma do Shuichi e outra do…

"O Saito? Porque que ele mandou esta carta para a Kaoru?" – o Kenshin perguntou alto e bom som.

"Vocês estão a ler a minha correspondência?" – Uma Kaoru não muito contente perguntou-lhes.

O Yahiko deu um sorriso malandro e passou-lhe as cartas. Ela sentou-se e abriu primeiro a carta do Shuichi.

Sorriu ao ler que ele estava bem, sem nódoas negras e que voltava para casa brevemente. Casa… ela sorriu ainda mais ao pensar no significado daquelas palavras. Ele sabe como apaparicar uma rapariga – pensou. O constante uso da palavra princesa cada vez que se endereçava a ela fê-la corar, e apesar de ela lhe ter dito que ele não a chamasse assim, ele explicou que em carta não contava. Ele fez também questão de lhe dizer que não tinha motivos para ficar preocupada com ele, o que ele queria era que ela tivesse cuidado com ela mesma.

A Kaoru sorriu, abanou a cabeça e seguiu para a carta do Saito. Era mais ou menos como ela imaginava que ia ser. Mas ele tinha acrescentado algo… algo que não a deixou feliz de todo. Chocada ela voltou-se para os seus amigos.

"Alguem viu a Misao?" – perguntou calmamente. Eles entre-olharam-se: "Misao?" A Megumi perguntou "Agora que falas nisso já não a vejo há algum tempo… bem como ao Aoshi."

"O Aoshi partiu para tomar conta e alguns assuntos importantes a meu pedido. Quanto à Misao, Eu já não a vejo desde o festival." – o Kenshin respondeu curioso sobre o que poderia ter acontecido à jovem ninja – "Talvez ela tenha seguido o Aoshi."

"Não… não pode ser isso… Eu vi-a ir-se embora durante o festival. Mas pensei que ela só precisava de tempo ou assim. Mas o Saito diz na carta…" – ela não conseguia continuar, ainda incapaz de registar as noticias que ele lhe tinha dado– "O que é que se passa de errado com a doninha, Jouchan?" o Sano perguntou com a usual espinha de peixe na boca "Ela sabe tomar bem conta de si, afinal de contas ela é uma ninja!"

"Não me digas que ela apanhou de alguém, feia?" – o Yahiko brincou com a situação sem se aperceber da seriedade da mesma. A Kaoru deitou-lhe um olhar de morte. "Nunca mais me chames nomes! Eu odeio que o faças! Além disso," – olhou de novo para a carta em mãos – "Aparentemente a Misao está a ser tratada numa clínica na cidade vizinha."

Todos ficaram espantados: "A Misao está magoada?" o Kenshin tentou parecer calmo, mas os seus olhos não o deixavam esconder nada. Alguém tentou magoar a Misao. Não podia ter sido um qualquer que queria dinheiro ou outra coisa. Tinha de ser alguém bom o suficiente para a derrotar. Não podia ser alguém ao acaso. Alguém deveria estar de olho neles.

"O Saito não sabe o que se passou mesmo. Só sabe que ela estava a sangrar muito e que foi encontrada inconsciente. De acordo com as fontes dele, a pessoa que a atacou tinha cabelo castanho e… olhos verdes." A voz da Kaoru baixou de tom à medida que os seus olhos passavam pelas palavras. O Saito avisou-a para não visitar a Misao assegurando-lhe que ela estava em boas mãos. Ele disse que tinha receio de que a pessoa que atacou a Misao fosse a mesma que andava de olho na Kaoru. Claro, que com tudo isto ela não notou o olhar dos seus amigos.

Essa pessoa que ela descreveu… só havia alguém assim na mente deles… Shuichi Haname.

"Eu suponho que a devemos ir visitar." – o Sano levantou-se e sacudiu o pó das calças – "Vamos, ou o Senhor Iceberg pode transformar-nos em gelo por não termos cuidado dela." – apesar de tentar manter um tom leve, não passou despercebida a sua tensão. A Kaoru abanou a cabeça: "Eu não vou."

Todos se voltaram para olhar para ela.

"Kaoru… o que queres dizer com isso?" – o Kenshin perguntou chocado com o facto de ela não se preocupar com a amiga. Normalmente ela era a primeira a correr para ajudar os amigos. O que é que tinha mudado?

"Tanuki, estás bem? Normalmente és a primeira a tomar a iniciativa! Ouve, ela não te fez nada." – ela foi firme nas suas palavras. Neste momento tinha vontade de bater à Kaoru pela atitude que ela estava a tomar. A Kaoru olhou-a: "Eu sei. Mas também sei que ela está em boas mãos. Eu passo. Tenho coisas muito mais importantes para fazer." – ela levantou-se pronta para sair quando o Kenshin a agarrou pelos braços. A Kaoru tentou evitar gemer, mas ainda estava ressentida das feridas recentes em ambas as mãos. O Kenshin deu conta disso e arrependeu-se de imediato, praguejou e largou-a. Ficou a olhá-la em silêncio, mas ela apenas continuou a andar para longe deles.

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A Kaoru esperou que eles saíssem para que pudesse correr para a estação da policia para ficar ao corrente do que se estava a passar. Ainda surpreendida com a atitude que tinha tido e como tinha sido capaz de esconder aquilo dos seus amigos, ela pediu imensas vezes em pensamento perdão à Misao. Ela desejou que o Shuichi pudesse estar ali para a acalmar.

Ela sabia que se neste momento tivesse de escolher, o Shuichi iria definitivamente ganhar. Ela tinha de por o passado para trás juntamente com o Kenshin. As coisas agora eram diferentes,ela tinha pessoas atrás de si. Já tinha acontecido mais de uma vez. E diferentemente do ruivo, o Shuichi não tinha medo de matar nem tinha a consciência pesada de eterna culpa. Ela sabia que na actual condição ela não podia sobrecarregar o Kenshin com os seus problemas. Ela sempre se tinha sentido a donzela em apuros perto dele, mas, todo este problema tinha sido causado por ela e a Kaoru não queria envolver mais ninguém nesta situação.

O Shuichi tinha-a protegido de livre vontade, tratou-a de forma igual, preocupou-se e confiou nela. Apesar de ela amar o Kenshin, ele não a tratava da forma como ela desejava. Começou a caminhar. Estava mais determinada do que nunca a tirar o Kenshin da cabeça. Ele tinha partido com intenções de ter uma vida nova, e, ela estava disposta a deixa-lo partir novamente.

….

"Pareces chateada." – ele comentou perante o olhar dela. Parecia que estava prestes a matar alguÉm.

A Kaoru rosnou. Estava mesmo irritada por ele não a ter deixado visitar a Misao. "A Misao é minha amiga Saito, porque raios é que eu não a posso ir visitar!?" ela quase que berrou. Será que a amiga estava bem? A preocupação até lhe fazia o estômago doer.

"Eu só estou a olhar pela tua vida, de forma a que a minha mulher me deixe em paz. Tenho a certeza de que te lembras disto," o Saitou pousou um pedaço de tecido manchado de sangue em cima da secretária. Os olhos dela arregalaram-se e o ar ficou preso na garganta. Ela empalideceu ao reconhecer o símbolo.

Era a insígnia o tigre branco um dragão vermelho circundava o tigre. Era o mesmo símbolo tatuado nos braços do homem que tinha morto o seu pai e a Sayuri. Igual ao dos homens que a atacaram na floresta. A Kaoru arrepiou-se apesar da temperatura quente que se fazia sentir no escritório.

Ela não podia acreditar. A sua amiga tinha sido magoada por causa dela. Devido a toda aquela loucura que pairava na sua família. Misao… Desculpa… Eu nunca pensei que fosses ser envolvida nesta situação. Mas… porque a Misao? Porque não ela ou até mesmo o Shuichi?

Os olhos dourados dele estavam fixos na Kaoru. Será que ele sabia? "Quão grave é?" – ela perguntou quase em murmúrio.

"Não é muito grave. Ela perdeu a consciência por algumas horas, mas agora já está acordada. Não vai andar a lançar kunais tão cedo se é isso que queres saber." Ele levou o cigarro à boca e depois expirou o fumo. A Kaoru torceu o nariz, mas refreou-se de dizer o que quer que fosse. Não tinha o direito de enfurecer alguém que a estava a ajudar tanto.

"Porque ela? Porque não eu?" Ela perguntou obviamente sentindo-se culpada. Ela sabia que não se ia perdoar caso algo acontecesse à Misao.

"Porque é que me perguntas a mim? Não fui eu quem a atacou." – ela apercebeu-se do tom de sarcasmo mas ignorou-o. Apercebeu-se depois que ele estava fixo a olhar para ela e corou de embaraço: "O que foi?" – ela perguntou. Ele levantou o sobrolho. "O que foi o quê?" ele respondeu de volta. A Kaoru explodiu: "Porque que estás a olhar assim para mim?" O Saito olhou-a como se ela estivesse maluca "Tu vens aqui pedir-me ajuda. Sentas-te à minha frente. Para quem mais é suposto eu olhar?" – ele respondeu mecanicamente. A Kaoru suspirou e perguntou-se a si mesma porquê que ela ainda se preocupava em fazer-lhe perguntas.

"O que aconteceu ao Arashi Sawamura? Não tenho ouvido novidades dele." Ela perguntou conduzindo a conversa para um rumo diferente. Era estranho ainda não ter tido novidades dele.

"Ele é um assunto delicado. Tenho de tomar precauções. Não só por o governo estar envolvido neste esquema…" – ele parou de falar, o tom de mistério tinha chamado a atenção da Kaoru que o olhava com curiosidade. O Saito levantou-se e andou até ao sofá novo, uma cortesia da sua esposa, e sentou-se antes ali. A Kaoru seguiu-o: "Mas também…" – ela tentou que ele falasse.

O policia perguntou-se se ela estaria pronta para ouvir aquilo. Ele ficou super surpreendido quando descobriu quem ela realmente era. A rapariga com quem muitos achavam que ele devia ter casado. A ironia da vida. Ele riu-se desse pensamento. Olhando-a mais de perto ele perguntou-se como é que nunca se tinha dado conta antes. Ela era exactamente igual à Naoko Kamyia. Ele viu aquela mulher tantas vezes… mas nunca a filha. Talvez fosse essa a razão que o levava a ter um instinto protector em relação a ela. Nunca antes ele a tinha magoado, nem mesmo na luta com o Battousai. Puro e duro instinto. Talvez ela devesse saber. Não toda a verdade… mas parte, no que dizia respeito ao Arashi.

"O Arashi não está só envolvido com os ministros de topo, mas também é um dos lideres dos yakuza. Não sei como, apesar de todo o seu historial no mercado negro ele nunca foi preso. O teu… pai foi contratado para juntar provas principalmente porque… ele violou uma mulher." – a Kaoru olhou-o sem saber o que pensar.

Sim, então, este homem violou uma mulher. Muitos outros tambem o fizeram. O que o torna tão importante? O Saito leu-lhe os pensamentos e por isso continuou: "Não foi qualquer mulher, Kamyia. Ela era a tua… era mulher de um membro de alto posto dos yakuza. Claro que ninguém soube."

"Então, como é que tu descobriste? " – ela perguntou-lhe.

"Ela confessou com uma empregada próxima dela. Depois de essa ter sido assassinada ela contou o segredo ao meu… a outro alto membro da organização. Um homem que seria o próximo líder caso o líder morresse. Foi assim que eu soube, mas, ainda se mantém um segredo."

A Kaoru acenou com a cabeça. O Arashi ia ser punido por ter mexido com as pessoas erradas. Ela não podia fazer nada. Ele era um dos nomes da lista do seu pai. A Kaoru estava só a fazer o seu trabalho. No entanto.

"Eu tenho vindo a ajudar-te já por algum tempo, mesmo antes de o Kenshin me deixar. Porque que só começaram a perseguir-me agora?" ela perguntou ainda incerta. O Saito suspirou. Como é que ele lhe ia dizer que quem a queria morta era o seu próprio tio? Ele tinha eliminado todas as pessoas da família dela, só ela tinha restado. Com o líder errado os yakuza iam seguir um caminho terrível. A palavra de que um membro da descendência Kamyia estava vivo espalhou-se e muitos estavam à espera de que este herdeiro se levantasse para tomar o seu lugar.

Como é que ele podia dizer aquilo a uma jovem que nem sequer se lembrava do seu passado?

"Talvez eles se tivessem apercebido de que tinhas nomes contigo." – ele disse antes de se levantar. A Kaoru percebeu que a conversa terminava ali, por isso fez uma pequena vénia : "Obrigada Saito e desculpa por aquilo de manhã." – ela disse corando.

O Saito acenou. Assim que ele se voltou, a Kaoru deu um passo em frente para sair, mas o seu pé ficou preso na carpete e ela tropeçou caindo em cima do Saito, que por sua vez caiu no sofá. Neste momento, a porta abriu-se e um oficial entrou. O jovem olhou para o seu superior espantado e ao vê-lo numa posição intima com a Kaoru de imediato ficou embaraçado e saiu. A Kaoru sentiu-se a petrificar e levantou-se de imediato. O Seu rosto ficou vermelho que nem um tomate e antes de sair apressadamente tudo o que ele ouviu foi um murmúrio de um pedido de desculpa.

O Saito deixou-se ficar no sofá por mais algum tempo. A Tokio ia rir-se do sucedido. Mas ele tinha a certeza de que um escaldante boato ia circular pela cidade… mais ou menos por volta do meio dia de amanhã.

A Misao estava bastante ferida mas as boas noticias eram de que ela estava acordada e a curar bem. Ela não estava em condições de ser transferida e ficou contente por ver os amigos ali. Ela notou de imediato que a Kaoru não estava entre eles, mas não perguntou nada. Eles aperceberam-se e disseram-lhe que a Kaoru tinha fincado o pé em não vir. Ela apenas acenou. "Talvez tenha sido melhor assim." – ela disse suavemente olhando para o tecto. As palavras daqueles homens ainda ecoavam nos seus ouvidos.

"Eu sei que não sentes isso doninha! Tu querias que ela estivesse aqui. Bolas, eu não sei porque é que ela está assim contigo, se nem sequer partiste connosco." – o Sano disse ainda irritado

"Não. Eu sinto mesmo isso. Foi melhor assim." – Ela respondeu voltando-lhes a sua atenção – "Quando fui atacada, um dos homens fez um comentário que eu não consigo esquecer. Eles disseram algo do género: Isto vai fazer a Kamyia sofrer, Vamos ver-nos livres dela aos poucos e poucos e vamos começar por esta aqui. Por isso, foi melhor ela não ter vindo hoje. Eles poderiam estar à sua espera."

"Alguém anda atrás da Kaoru… mas quem? Porque?" – o Sano perguntou alto e bom som.

"Isso nós podemos descobrir se conseguirmos fazer com que a Kaoru fale e nos conte o que se passou. E tu sabes, a descrição da pessoa que te atacou é muito semelhante à do Haname." Todos os outros concordaram. Eles pensavam da mesma forma que o Kenshin.

"Eu não sei como é que vocês planeiam fazê-lo, mas a Kaoru tem de falar." – o cansaço era visível na voz dela.

"Porque é que não te juntaste a nós nos festival? Tivemos saudades tuas… Ou andas-te a passear com o Aoshi? " – a Megumi brincou

A Misao não respondeu. A Rejeição do AOshi ainda magoava muito, ela desviou o olhar. Apercebendo-se disso, os outros mantiveram-se em silencio. Eram um assunto privado que apenas aos dois dizia respeito.

O Saito estava certo. Por volta da hora do pequeno almoço os rumores já se tinham espalhado. A Tokio divertia-se com os olhares que as pessoas no mercado lhe lançavam… algumas até lhe faziam os preços mais baixos por pena… Como eram ingénuas.

Por outro lado, o Kenshin e o Sano ficaram chocados quando a Tae lhes contou os rumores.

A Kaoru tinha um caso com o Saito.

A Tae não se acreditava mas muitos outros sim. Principalmente porque a Kaoru já vivia com três homens… mais um não ia fazer diferença. O Kenshin espumava-se de raiva, perguntando-se quem teria começado os rumores.

"Sabes, eu realmente achei estranho que ele lhe mandasse cartas." – o Sano disse pensativo depois de terem saído da mercearia. O Kenshin lançou-lhe um olhar perigoso e de imediato o Sano tentou emendar-se: "Não que isso signifique que eles estão a ter um caso ou isso…" o Kenshin suspirou.

Ele tambem achava estranho o Saito escrever-lhe. O que é que aconteceu exactamente entre eles?

Assim que estavam a chegar perto do dojo, os portões abriram-se e o Saito saiu. O Kenshin e o Sano petrificaram. O Saito deu um sorriso sinistro ao vê-los.

Bolas é melhor que eles não comecem à porrada, a Jou-chan não gosta nada quando isso acontece. O Sano pensou. O Kenshin tinha ficado de imediato tenso enquanto o Saito parecia relaxado.

"Battousai…" – o Saito manteve o sorriso. O Kenshin continuou a olhá-lo de forma perigosa.

"O que é que estás a fazer aqui?" – ele inquiriu pronto para reagir de forma mais agressiva se necessário.

"Porque? Para visitar a Kaoru, é claro." – ele respondeu claramente no gozo, mas sem deixar de olhar o Kenshin nos olhos. Ele preferiu dizer o nome dela sem honoríficos ou sobrenome para pegar ainda mais com o ruivo. O efeito foi imediato.

"Deixa a Kaoru em paz." – o Kenshin avisou-o ao se aperceber de que ele se referiu a ela pelo nome e não por texugo como antes. Ele estava completamente possessivo.

"Essa não é uma escolha minha." – o Saito expirou o fumo do cigarro ao passar pelo ruivo, gozando aquele tormento que lhe estava a causar. "Eu nunca me dei conta, e não sei se tu também…" – a voz dele parou.

O Kenshin sabia que aquilo era uma encruzilhada, mas, ele queria ouvir o final da frase. "O que?"

"A Kaoru tem uma cintura fina."

Ainda levou alguns segundos para que o Kenshin digerisse a situação, e quando o fez, raiva tomou conta de si. Mas o Saito só se riu e desapareceu. Como é que ele poderia saber? O kenshin perguntava-se. Como é que ele podia saber se ela tinha uma cintura fina?

"Ele só está a pegar contigo, Kenshin." – o Sano avisou-o pousando uma mão no braço do ruivo impedindo-o de avançar atrás do policia. "Nunca que a Jou-chan ia permitir que ele lhe tocasse. Ela preferia-te a ti." Bolas, se o Kenshin começasse agora uma luta ele ia ficar sem o seu precioso lanche!

O Kenshin tentou conter a raiva mas não conseguia deixar de ficar com ciúmes. Agora, em vez de só ter que se preocupar com o Haname também tinha de manter o olho no Saito. Quando é que as coisas tinham ficado tão complicadas.

….

Assim que entraram em casa, o Kenshin viu-a a limpar o chão. Fez sinal para o Sano partir, algo que deixou o ex-gangster contente. Afinal de contas ele queria ir ter com a médica à clinica.

Assim que ele saiu, o ruivo caminhou até perto dela e ficou a olhá-la por algum tempo. Desde que tinha regressado não tinham passado tempo nenhum juntos. E ele estava determinado a arrancar a verdade dela.

Lentamente, ele colocou os braços à volta da cintura dela por trás, assustando-a. A Kaoru encolheu-se e tentou libertar-se, mas ele impediu-a. Deu-lhe um beijo na bochecha que fez com que ela ficasse pálida. A Kaoru tentou atingi-lo mas ele evitou o ataque e tentou beijá-la.

Quando a Kaoru viu que era ele abriu a boca de alívio, e ele aproveitou para a beijar lentamente. Ela tentou empurra-lo, mas, o seu corpo agora tinha mente própria e as suas mãos cravaram-se na parte traseira do pescoço dele puxando-o mais para si. O Kenshin emitiu um som de contentamento pela atitude dela e agarrou-a contra si com força. As suas mãos exploravam todas as curvas do corpo da jovem. Ela emitiu um som de protesto quando os seus lábios se separaram mas quando ele lhe mordeu a orelha ela descontrolou-se.

À medida que ele a beijava todos os pensamentos coerentes desapareciam deixando os seus joelhos fracos, por isso ela teve que se apoiar nele para se manter em pé. Enquanto desfrutava do momento, subitamente memórias emergiram na sua mente e fizeram-na gemer de dor e a Kaoru afastou-o com força.

O Kenshin ficou espantado quando ela tomou aquela atitude. Ele ficou preocupado quando a viu cair no chão desamparada.

Ela segurava na cabeça como se algo a estivesse a magoar ali e ele ficou sem saber o que fazer. Na tentativa de a levar até à Megumi ele tentou levantá-la, mas ela protestou, impedindo-o, as dores aumentavam se ela se mexesse. O Kenshin observou-a sentindo-se inútil naquela situação.

"Kaoru, temos que ir ver a Megumi. Deixa-me levar-te" – ele implorou pegando nela com cuidado.

"Não. Para. Isto vai desaparecer. Por favor… não me mexas," – ela trincou o lábio de dores. A Kaoru não sabia o que tinha acontecido. Imagens do nada tinham aparecido na sua mente… imagens daquele homens nos seus sonhos. Ela começou a ter dores e tão subitamente como vieram as dores também desapareceram, deixando-a deitada no chão exausta.

O Kenshin carregou-a com cuidado até à clinica, determinado a fazer com que a Megumi a examinasse. Assim que saíram do dojo, ele deu-se conta de que alguem os observava. Ele voltou-se para puder olhar melhor, mas só conseguiu ver que essa pessoa tinha cabelo castanho. Ele apressou o seu caminho até à clinica, tomando uma nota mental de que deveria dar uma vista de olhos no dojo mais tarde.

Graças a Deus a clinica não estava muito cheia. Quando viu o Kenshin entrar com o pânico estampado no rosto, ela apressou-se em atender a Kaoru. Ela despachou-o para fora do quarto para puder dar uma vista de olhos nas feridas das jovem. Assim que viu que elas estavam a curar bem, limpou-as e saiu do quarto fazendo sinal ao Kenshin para entrar. Ela foi atender mais um paciente enquanto o ruivo caminhava para onde a Kaoru estava.

O Sano tambem estava na clinica e entrou no quarto juntamente com o Kenshin. Assim que abriram a porta viram-na a tentar sair da cama. O Kenshin apressou-se de imediato para o seu lado. "Tu não estás bem para andares a fazeres esforços."

"Kenshin eu estou bem. Eu disse-te que não precisava de médico nenhum." – quando viu que o Sano também vinha junto e o olhar preocupado que o amigo tinha ela desesperou. "Eu não posso acreditar que ele te amarrou a isto Sano, tu não tens que ficar preocupado comigo, tens coisas mais importantes a fazer." – o Sano encolheu os ombros. Ele sabia que ela lhes escondia algo. Um segredo que a estava a magoar. E detestava sentir-se inútil no que lhe dizia respeito…. Toda a sua força… não servia de nada neste momento…. Não… Ela tinha de deitar para fora toda a verdade.

No entanto, antes de o Sano puder falar, a Medica entrou de rompante no quarto. Sentou-se ao lado da Kaoru visivelmente cansada, e observou a jovem sentada na sua frente. "Não há nada de fisicamente errado contigo, Kaoru. De facto, eu não sei o que há de errado contigo. Não tem nada haver com o teu corpo. Aí está tudo bem. No entanto, eu acho que o teu problema é emocional. Algo te preocupa, e eu… não, nós queremos saber o que é." – a Megumi disse de uma forma firme sem deixar espaço para protestos. Obviamente que ela não esperava pela reacção da jovem amiga.

"Se eu estou bem fisicamente, não preciso de estar aqui, assim como eu disse ao Kenshin, eu não preciso de um médico. Mas este idiota arrastou-me até aqui. Por isso, se me permitem." – ela disse levantando-se do futon- "Eu vou-me embora. Há coisas no dojo que necessitam da minha atenção." – o Kenshin impediu-a não de uma forma muito gentil. Ele fê-la sentar-se de novo no futon irritado com a sua atitude.

"Tu, Kaoru, não vais a lado nenhum sem teres respondido às nossas perguntas. O que é que aconteceu naquela noite que tu tanto queres esconder de nós?" – o Kenshin quase que berrou com ela. Ela sabia que não podia apenas levantar-se e sair. Com três pares de olhos em cima de si ela desviou o olhar para o tecto. Eles aguardaram pacientemente… ou talvez não.

"Que raios é que se passou contigo Jou-chan? Não consegues ver que estamos preocupados? Desde que te envolveste com aquele assassino idiota que parece que te esqueceste de nós! Abre essa boca e conta a verdade!" – o Sano gritou. A paciência tinha desaparecido.

A Kaoru subitamente estonteada com aquela atitude olhou para o amigo. Apesar de ela saber que o Sano estava preocupado, ela não podia perdoar aquelas palavras: "O Shuichi não é um assassino idiota! Tem tento na língua quando falas dele! Ele tomou melhor conta de mim do que vocês todos juntos!" – Ela inspirou e expirou várias vezes para se controlar…mas depois acabou por desistir. Não havia como esconder mais… Só lhe custava ter de relembrar tudo. Olhando para tudo menos para eles, ela começou a falar de forma hesitante.

"O meu passado não é tão claro como vocês pensam. Eu… eu tenho uma doença rara, segundo aquilo que o meu pai dizia… ele dizia." – a Kaoru fechou os olhos: "que era uma doença que eu tinha herdado da minha mãe. Eu não me lembro dela… De nada acerca dela."

A Megumi estava impaciente: "Claro que não te lembras. Ela morreu quando tu ainda eras uma criança! O que é que isso tem haver com o que te aconteceu?" – A Kaoru olhou-a com raiva.

"Só porque eu vos disse o mínimo acerca do meu passado não significa que não exista mais para além disso. Eu disse-vos que não me lembro dela. De facto, eu não me lembro de nada da minha infância. As minhas memórias… São apenas partir da minha adolescência. Eu não me consigo lembrar de amigos nem família para além do meu pai."

"Mas como é que isso pode ser? Porque é que não te lembras? Se tivesses problemas de memória a curto prazo tambem te esquecias de nós!" – o Sano perguntou claramente confuso. O Kenshin manteve-se em silencio.

"Aparentemente, eu passei uma boa parte da minha vida num tipo de sono. De acordo com o que o meu pai me dizia. Quando acordei, eu não me lembrava de nada. Eu nem sequer me recordava dele como meu pai. Mas ele contou-me tudo e treinou-me… tomou conta de mim. Eu amava-o e ele amava-me. Mas… as minhas memórias dele só começam com essa idade.

Ele tinha planeado casar com uma jovem e linda mulher chamada Sayuri. Ele gostava mesmo dela. Mas, houve uma noite em que fomos atacados por uns homens. Eles… eles violaram a Sayuri e queimaram o meu pai vivo. Eu continuo até hoje sem saber porque que eles me deixaram viva. Eles só disseram que eu não estava a par de uma importante verdade. " As lágrimas começaram a cair em cascata pelo rosto dela abaixo. O Kenshin olhou para ela confuso e horrorizado.

"Porquê é que nunca nos contaste? Porquê é que nunca nos contaste como é que ele morreu?" – ele perguntou-lhe incapaz de perceber porque que ela lhes tinha escondido aquilo quando todos eles falaram abertamente do seu passado, porque que ela não confiou neles?: "Porquê Kaoru?"

"Porque já não importava. Ele morreu, era tudo o que vocês precisavam saber e eu não precisava reavivar essa memória de novo. Pelo menos até vocês partirem. Eu… estava a chover. E eu não conseguia adormecer."

FLASHBACK

A chuva caia em cima da jovem enquanto ela entrava mais e mais para dentro da floresta. Ela recordava-se daquele local, porque o seu pai costumava trazê-la ali para treinar. Apesar do frio e da chuva ela estava determinada a não voltar para casa, a não voltar para as memórias daqueles três homens… especialmente do Kenshin… que a faziam sentir-se inútil e fraca.

Ela tinha tentado… Oh… como ela tinha tentado andar em frente com a sua vida… Mas tudo parecia impedi-la.

De novo sozinha.

Tal e qual como depois da morte do meu pai.

Depois da morte da Sayuri.

Uma casa fria… silenciosa… sem risos.

A Kaoru estremeceu… mais pela repulsa de ter de voltar ao dojo, do que pelo frio. Caminhava devagar, com cuidado para não escorregar. Mas Assim que sentiu que não estava sozinha começou a ficar nervosa.

Ryou.

O homem que tinha queimado o seu pai até à morte.

Ele riu-se demoníacamente, caminhando até ela como um predador atrás da sua presa. O medo apoderou-se dela e as suas pernas ficaram dormentes. Não se conseguia mexer. Ela sabia que ele a ia magoar… tal e qual como tinha magoado a Sayuri e o seu pai.

"O que é que queres?" – ela gritou, tentando parecer corajosa mas a sua voz traiu-a. Ela tinha enfrentado a Kamatari, o Shoujo Amakusa, Jin-eh e até mesmo o Enishi. Mas eles eram inimigos do Kenshin…. Enfrentá-los tinha sido para o ajudar… Mas este homem… este homem tinha morto toda a sua família. Os seus ente-queridos. Ele não era como o Gohei que tinha tentado manchar o seu nome…. Mas ela sabia que não ia desistir sem lutar. Ela ia lutar até ao fim.

"Ora ora… que bela senhorita em que tu te transformas-te, menina Kaoru. Estou tão satisfeito por ter esperado até agora em vez de te ter tomado naquele dia." – ele olhou para as formas do seu corpo que se tornavam mais evidentes por causa das roupas molhadas da chuva.

"Não me gozes! Eu sei quem és! Tu matas-te o meu pai e a Sayuri!"

"O teu pai? Teu pai? Mas eu nem sequer lhe toquei, menina, O meu mestre sim." – ele olhou-a nas calmas.

Ele aproximou-se e a Kaoru deu um passo atrás agarrando a sua espada de madeira com firmeza. Aos poucos o medo desapareceu.

"Mentiroso."

"Oh… eu não minto. Vê bem… Eu deixei-te sozinha na altura por um motivo. Tu és alguém importante menina. No entanto, o meu mestre decidiu que a a tua importância terminou. Tu és um empecilho para os planos futuros dele. Por isso… eu posso eliminar-te quando eu quiser." – ele deu um passo em frente.

"Então, porque agora? Porquê hoje?"

"Pensas que sou algum idiota? As minhas hipóteses de te matar enquanto vivas com o Battousai eram apenas de 50%. Mas agora… os meus planos compensaram… Os meus homens conseguiram apanhar-te sozinha. Sem mais Battousai para salvar esse teu lindo pescoço." – ele riu-se sarcasticamente tentando tocá-la mas ela afastou a mão dele para longe. Mas ele bateu-lhe no pulso com tanta força que ela quase deixou cair a sua espada.

Ela gemeu com as dores, mas aguentou-se. Ela levantou-se e tentou acertar-lhe no pescoço , mas ele evitou o ataque e pontapeou-a. De novo levantou-se e tentou ataca-lo de novo com o último golpe que o seu pai lhe tinha ensinado. Ela sabia que ele era mais forte. Mas não planeava render-se. Mesmo sabendo que estava em desvantagem de número, ela tentou afastar todo o medo no seu coração e concentrou-se no Ryou.

Ele Com apenas um movimento lesionou-a na perna e fê-la cair. Mas ela não se deixou ficar, de novo atacou, desta vez acertou-lhe no estômago. Ele gemeu de dor… mas depois riu-se sadicamente e de imediato, quase de forma invisível apanhou-a por trás torceu-lhe o braço e bateu-lhe no pulso.

A Kaoru gritou e deixou cair a espada. De imediato dois homens agarraram-na pelos braços.

Ele aproximou-se e acariciou o rosto dela antes de de forma rude empurrar a cabeça dela para trás.

A Kaoru trincou os lábios de dor. "E que belo pescoço temos aqui." – ela gritou de dores quando ele mordeu o seu pescoço com tanta força que a fez sangrar.O Agressor limpou o sangue da boca: "Ele foi um idiota em ter partido sem ao menos te ter experimentado."

A Kaoru tentou defender o Kenshin furiosamente: "Ele é um senhor, não uma besta como tu. O que planeias fazer? Violar-me como enquanto dois homens com o dobro do meu tamanho seguram em mim?" – ela tentou parecer corajosa apesar do medo.

Ele estava certo, o Kenshin não estava ali para a ajudar.

"Tira as tuas mãos de cima de mim!" – ele riu-se passando as mãos pelo corpo dela aleijando-a no peito, num tipo de punição. "Violar-te? Oh minha querida, por mais bem parecida que sejas… eu gosto de mulheres que venham até mim de livre e espontânea vontade. Não… o teu preço a pagar é muito mais alto." – ela cuspiu-lhe na cara. O Ryou limpou e deu alguns passos atrás: "De espirito selvagem, não é? Vamos ter de por um fim a isto. É mesmo uma pena que o Battousai não te dobrou quando teve hipótese. Tu, minha querida, és um brinquedo muito engraçado."

Antes que ela pudesse responder o seu gi foi arrancado e o seu corpo ficou exposto à chuva e ao vento. Apenas o seu peito ficou tapado por uma roupa interior. A Kaoru tentou soltar-se mas eles eram fortes demais. Quanto mais ela se tentava soltar mas eles lhe apertavam os pulsos com força. Os seus risos fizeram-na ficar em pânico. As suas pernas fraquejaram e ela já não se conseguia manter de pé. O Ryou olhou de forma implacável.

"Essas roupas estão a esconder uma bela vista, não achas menina?" – ele perguntou gozando claramente com a situação. A Kaoru implorou: "Por favor… não." Com um golpe da sua espada, ela pode sentir não só a sua roupa ser cortada mas também a sua pele. Ela gritou. A Kaoru tentou tapar-se mas as suas mãos estavam presas. As lágrimas começaram a escorrer pelo seu rosto.

"É uma pena que o mestre te queira morta. Não só morta, ele queria que a tua morte fosse lenta. Acho que foi por isso que ele me escolheu. É uma pena sabes… afinal, eu até gostava de ficar com um bocadinho de ti." – Suspirando teatralmente ele desenrolou o chicote que tinha à cintura. "Deixa-me tomar a liberdade de te dizer… Isto vai doer. "

Foi nesse momento que a Kaoru descobriu o significado de dor, tortura e sofrimento. Ele chicoteou-a como se ela fosse um animal. As suas lágrimas e os seus gritos apenas o encorajavam ainda mais. Depois do que pareceu uma eternidade, ele levantou-a e beijou-a à bruta. A Kaoru já não tinha mais forças para lutar contra ele. O beijo talvez fosse um género de punição… ela não tinha a certeza… ela só sabia de uma coisa. Ela gritou pelo Kenshin e ele não apareceu. Ela chamou o nome dele e ele não veio. Ela chorou por ele e ele falhou em se apresentar.

Eu vou sempre proteger-te Kaoru-dono.

Mentiras! Mentiras! Tudo mentira!

O Seu corpo já não aguentava mais. Ela ouviu o Ryou desembainhar a sua espada e sentiu a lâmina cortar a sua pele, enquanto ele parecia fazer desenhos nela, rindo-se malevolamente enquanto ela gritava de dores. "Pena que isto tenha de acabar de uma forma ou de outra"- ele suspirou e a Kaoru pode aperceber-se de que ele lhe ia desferir o golpe final. Ela fechou os olhos à espera que ele viesse.

Curiosamente… ela sentiu que o último golpe era mais do que bem vindo. Ela sabia que não ia conseguir viver com o que sobrava de si mesma. Ela já não se importava mais. Mas afinal de contas porque que ela lutava? Para quem é que ela vivia? Não havia ninguém para quem ela pudesse voltar. Ninguem ia ter saudades suas. Talvez… talvez ela estivesse destinada a ter este fim horrível… como o seu pai.

Talvez… ela continuou a aguardar pelo último golpe.

Mas o golpe nunca veio.

Em vez disso ela ouviu um esbater de lâminas.

Ao abrir os olhos viu um homem de casaco preto na sua frente protegendo-a. Ele facilmente os matou a todos. Uma chuva de sangue cobriu-a. Agora a floresta estava coberta não só do seu sangue, mas dos deles tambem. A Kaoru sentiu nojo e percebeu que ele tinha dito que ela se devia afastar um pouco. Ela tentou rastejar. Dores… todas as partes do seu corpo sentiam dores horríveis. Era como se estivesse a arder. Mas ela tentou não pensar nisso e fixou-se naquele que a salvou. Ele lutava sem hesitação. Matando-os sem pensar. Ela queria pedir-lhe para parar, mas não conseguia formar palavras. Por isso observou.

Um movimento súbito alarmou-a. Ela viu o Ryou a tentar atacar o seu salvador pelas costas. Sem saber o que fazer para o avisar, a adrenalina do momento fê-la correr e bloquear o ataque com o seu próprio corpo, nesse momento a espada dele cortou-a no braço. A Kaoru gritou de dores. Ele voltou-se.

Cheio de raiva, ele lutou com o Ryou. Desviando-se e atacando-o até lhe desferir o golpe final, mas antes disso o Ryou conseguiu empurrar a Kaoru pela falésia abaixo.

Fraca demais para gritar ela caiu, mas a imagem do rosto daquele que a salvou ficou gravada na sua mente no momento em que ele saltou e a agarrou antes de eles baterem na água. Depois disso ela apagou.

FIM DO FLASHBACK

O quarto ficou em silencio absoluto enquanto ela contava o sucedido naquela noite. Agora que lhes tinha contado, eles já não a iam incomodar mais com isso.

"O Dr Gensai avisou-me que aquela noite teve um efeito indesejado no meu corpo. As cicatrizes eram um desses efeitos, apesar dos remédios do Suichi terem ajudado a curar muitas delas. AS minhas costas não parecem nem metade daquilo que estavam antes… pelo menos é isso que ele diz sempre. No entanto… " ela olhou-os – "Eu não posso nunca mais entrar numa batalha a sério. Eu posso treinar alguns passos mas nunca mais vou puder usar a minha mão direita para lutar como antes. O golpe no meu braço enfraqueceu muito os meus músculos. Demorará meses ou até mesmo um ano ou dois até eu puder recuperar totalmente para treinar por completo sem me preocupar com lesões. Por isso, terei de confiar na minha mão esquerda."

O Kenshin, o Sano e a Megumi ficaram especados a olhar para ela. Quase que nem conseguiam acreditar no que ela tinha acabado de contar. Tantas coisas tinham acontecido em tão pouco tempo.

Incapaz de lidar com isso o Kenshin levantou o queixo da Kaoru para que ela o olhasse nos olhos.

"PorquÊ? Porque que tomas-te uma decisão tão estúpida? Porquê Kaoru, sabendo que nós nos importamos contigo? Porquê?" Ele não tinha a intenção de gritar com ela, apenas a abanou um pouco tentando fazê-la entender o erro que ela tinha cometido. A Kaoru apenas o olhou de volta triste.

"PorquÊ? Tu precisas que te responda, Kenshin? Não te lembras do que me disseste? Como é que te pudeste esquecer tão rápido? Tu disseste que nunca tinhas sentido nada por mim para além de amizade. Tu disseste-me que a Tomoe significava mais para ti do que qualquer outra pessoa no mundo. Tu disseste-me que para ti eu era apenas uma pessoa que te dava um tecto! Que me ajudavas porque achavas que me devias uma por eu te deixar viver comigo. Não foi isso o que tu me disseste Kenshin? Olhas-te-me nos olhos e juraste que eu não era especial para ti. Eu recusei-me a acreditar mas tu provaste que eu estava errada. Tu partiste! Tu partiste quando eu te implorei que ficasses! Aquela noite não era uma noite qualquer, Kenshin. Era… o aniversário da morte do meu pai e da Sayuri." As lágrimas escorriam pelo seu rosto. Ela não retirou os olhos dele nem uma única vez ao lhe repetir as palavras que ele lhe tinha dito naquela noite. Ela sabia-as de cor…

A mão do ruivo caiu para o lado e O Kenshin tapou os olhos. Os seus punhos estavam fechados, toda a raiva que sentia ele teve que a controlar: "Desculpa-me… eu nunca quis magoar-te…Eu amo-te Kaoru."

"Mentira! Tudo uma cambada de mentiras hipócritas!" – A Kaoru gritou tapando os ouvidos "Não me mintas! Desejo… eu posso entender isso. Podes não ter dormido com nenhuma mulher e eu pareço-te disponível. Mas não digas essa palavra Kenshin. Pela tua vida, tu não sabes o que isso significa!"

Todos a olharam. Dor, traição estava ali tudo estampado no seu rosto. "Eu não te minto Kaoru. Eu amo-te. Amei-te sempre. Desde o dia em que me pedis-te para ficar! Eu amo-te loucamente desde aí." – ele agarrou-a pelos ombros, tentando abaná-la para que ela voltasse a si.

"Não, não, não! Se me amavas assim tanto porque me deixas-te? Se me amavas porque me disseste que eu não significava nada? Como é que tu consegues viver contigo mesmo depois de todas essas mentiras! Como?" - A Kaoru chorou, tentando afastá-lo. Imagens daquela noite passaram na sua frente. Sempre que ela chamava por ele, ele nunca aparecia. Ele, que tinha prometido protege-la, ele nunca veio. Mentiroso! Mentiroso! Mentiroso!

A Kaoru ficou espantada quando subitamente ele a puxou para si com força abraçando-a. Ela parou de chorar, perguntando-se o que ele iria fazer.

Ele passou-lhe a mão no cabelo com carinho, acariciando-lhe o rosto. "Será que eu sou só um brinquedo para ti, Kenshin? Sou mais uma rapariga que levas para a cama?"

Ele respirou fundo: "Não há nenhuma outra rapariga meu amor. Houve em tempos a Tomoe, Mas agora… só existes tu querida… eu amo-te." Ela tentou protestar mas ele abanou a cabeça: "Ouve-me, eu amo-te de verdade. Eu menti-te quando disse que apenas amava a Tomoe, eu menti quando disse que não significavas nada. Mas eu não estou a mentir quando digo que te amo. Estar longe de ti destruiu-me por dentro. Nunca me sentia completo. Sentia-me sem valor nenhum e quase que nem conseguia dormir perguntando-me como é que tu estavas. Quando soube que tinhas sido atacada eu queria tanto vir. Eu nunca pensei que algo te pudesse acontecer na minha ausência. Eu pensava que tudo de mal só te acontecia por minha causa e então convenci-me que tinha de te deixar. O Sano e o Yahiko tambem pensaram que isso fosse o melhor. Porque nós preocupamo-nos contigo. Mas agora, eu sei que a minha decisão foi errada. Estava errado em pensar que te protegia em estar longe. Tu foste ainda mais magoada. Mas… por favor querida… dá-me mais uma hipótese." – o Kenshin estava a expressar ao máximo aquilo que sentia, sempre sem tirar os olhos dos dela: "Dá me uma hipótese de fazer com que me ames de novo, que confies em mim de novo. E eu nunca mais vou partir."

A Kaoru queria que aquele momento durasse para sempre… ficar nos seus braços para sempre. Mas ela sabia que ia ser um perigo para ele também. Alem disso, havia o Shuichi. As lágrimas ameaçavam cair de novo… porquê que tudo era tão cruel para eles? Ela afastou o Kenshin e olhou para baixo: "Desculpa Kenshin. Por mais que eu queira, eu não posso voltar para ti."

O Kenshin empalideceu: "PorquÊ? Porquê que não podes voltar para mim? Dar-me uma chance? " – ele sentiu um enorme medo crescer dentro de si. O medo de a perder.

"Eu não posso! Por favor… deixa-me sozinha."

"É ele não é? Por causa dele? Do Haname?" O Kenshin queria que ela negasse mas o olhar da Kaoru partiu-lhe o coração: "Estou a ver… Mas eu não vou desistir. Eu nunca vou permitir que ele case contigo,Kaoru. Eu fiz um erro, e estou preparado para me redimir. Mas ele não vai ficar contigo." – Ele disse antes de sair porta fora. Todos se aperceberam de que já não era o Kenshin a falar.

"Tu sabes que ele não vai deixar que fujas assim, Kaoru." – a Megumi disse quase num sussurro, incapaz de olhar a amiga nos olhos.

A jovem acenou: "Mas vai ter de ser assim Megumi."

"PorquÊ?"

"Porque eu amo-o tanto… tanto que agora, vou ter de ser capaz de o deixar ir." Para que fique a salvo.

O Sano abanou lentamente a cabeça sem saber o que dizer ou fazer. Mas uma coisa ele sabia. Sabia que ia fazer tudo para a compensar por a ter abandonado daquela forma.

Desculpa Jouchan.

Desculpa.

Ele caminhou até lá fora e viu o Kenshin encostado à parede. O Sano aproximou-se. Estiveram em silencio por algum tempo. Ambos sabiam que a Kaoru não precisava do conforto deles. Ele tinha-o por parte do homem que a salvou.

Shuichi Haname.

Por mais que tentasse, ele não conseguia odiar o Shuichi. Mas tambem não conseguia confiar ou simpatizar com ele. Havia algo que ele escondia, e o Sano perguntava-se se alguma vez iria descobrir o que era.

"Foi uma armadilha."

Ele voltou-se quando o ouviu falar. "O quÊ?"- ele perguntou sem tirar os olhos do ruivo.

"Os homens que tentaram atacar a Kaoru na noite em que ela ficou doente. Ele disse que era uma vingança contra mim… mas agora ao ouvir tudo isto…" – ele não completou a frase… ele não o precisou de fazer para o Sano perceber.

"Era um plano para nos afastar dela… e eles previram os nossos movimentos." – ele tinha vontade de partir algo ou alguém.

"Eu não percebo porque que alguém poderia querer magoar o Senhor Kamyia. E o que era esta traição da qual o Ryou falava?" - o Kenshin perguntou-se em alta voz… todas as revelações da Kaoru tinham servido para tirar algumas dúvidas, mas muitas outras questões se levantaram. Porquê? PorquÊ? O Senhor Kamyia?

"Tu achas que ela sabe a resposta. O pai dela se calhar estava metido em algo ilegal sem ela ter conhecimento." – o Kenshin olhou para a porta fechada na sua frente "Perguntas-te o que ele fez que acabou por o matar?"

"Fica com ela Sano. Eu vou tentar reunir algumas informações acerca do Sr Kamyia." – o Kenshin começou a caminhar.

"Ei onde vais? Eu também quero ir!" – o Sano disse seguindo-o. O Kenshin abanou a cabeça e deu um sorriso ténue. "Não… eu acho que não te queres encontrar com o Saito… pois não?" o Sano engoliu em seco e deu dois passos atrás: "Eu passo. Tem cuidado."

O Kenshin acenou antes de partir.

Ao se aproximar do dojo ele escaneou o lugar à procura de vestígios de que algum tivesse estado ali. Mas não encontrou nada. Estremeceu pois sabia que tinha sentido uma presença quando a levou para a clínica. Mas como não encontrou nada, ele continuo a andar, escapando-lhe o olhar de um jovem de cabelo castanho.

Assim que chegou à estação da policia, o Kenshin pediu para ver o oficial Fujita Goro mas um dos jovens disse-lhe que o Saito tinha saído e não retornaria até ao dia seguinte. Ele não sabia onde ele tinha ido mas aceitou deixar uma mensagem do Kenshin para se encontrar com ele o mais urgente possível. O jovem viu o ruivo partir e perguntou-se se a luta pelo coração da Kaoru já teria começado.

O Kenshin rosnou de frustração. Massajou as têmporas de olhos fechados e não reparou que acidentalmente embarrou numa bonita senhora com um bebé ao colo. Desculpando-se de imediato ele ficou sobressaltado quando ela o reconheceu.

"Senhor Himura, certo?"

O Kenshin coçou a cabeça, ele sabia que o rosto dela lhe era familiar. Ela riu-se: "Oh não se preocupe. Eu tenho a certeza de que nunca fomos apresentados. Eu sou a Tokio, Esposa do Haijime."

"Oh… Buda." – o Kenshin murmurou. "huh?Não… Desculpe… A senhora é a esposa do Saito? Prazer em conhecê-la." – Então esta é a mulher que casou com o SAITO. Eu pergunto-me se ela será como o Buda! Tem de ser!

"O prazer é todo meu, ouvi falar tanto de si. Através do Hajime e da Kaoru."

"É próxima da Kaoru?"

"Apenas recentemente. O meu marido esta a ajudá-la e ela providencia-lhe provas."

Ele semicerrou os olhos: "Provas?"

A Tokio ficou a olhá-lo espantada: "Oh não… O Himura Não sabe o que eles andam a fazer? Eu peço desculpa, nem sequer devia ter aberto a boca. Eu acho, que deve ser segredo."

"O que quer que seja esse segredo está a matá-la. Se sabe alguma coisa por favor partilhe comigo para que eu a possa ajudar." – o Kenshin manteve o tom grave esperançoso de que esta mulher o pudesse elucidar.

"Bem… eu não devia falar acerca do trabalho do Hajime. Esta jovem significa muito para nós. Receio não puder ajudar mais." – ela estava prestes a ir-se embora quando o Kenhsin lhe bloqueou o caminho. Ele curvou-se pedindo desculpa: "Por favor ajude-me, Ela está a esconder algo e isso está a matá-la. O Saito sabe a resposta mas não está cá. Eu não posso esperar que ele volte. Por favor ajude-me… ajude a Kaoru." – ele esperava convencê-la. A Tokio suspirou. Fez-lhe sinal para a seguir até sua casa.

…..

"O pai dela era um ESPIÃO do governo?" – O Sano explodiu quando o Kenshin lhes contou.

Os outros três na sala mantiveram-se em silencio enquanto ele procedia: "A Tokio disse que a Kaoru continuou o trabalho do pai desde que o Saito entrou em cena. Ela providenciava-lhe nomes, e ele elimina-os. Ela conhece o Saito desde a altura em que ele veio lutar contra mim. Eu posso dizer que eles cooperam há mais de um ano."

"Foram esses nomes que o levaram a ser morto, certo?" – o Yahiko perguntou tentando juntar a informação "Significa isso que este homem a quem o Saito procura tentou magoar a Kaoru para a fazer parar?"

O Kenshin abanou a cabeça: "Não faço ideia. Até quanto eu sei isto envolve um gangue dos yakuza. Não é um gangue muito antigo mas é bem conhecido entre os pobres. Os Dragões Brancos. Não sei como isto se relaciona, mas muitos nomes na lista da Kaoru pertenciam a este gangue. Agora, apenas resta uma pessoa. De acordo com a Tokio é esse tal Arashi Swamura."

O Sano praguejou: "Este homem é extremamente perigoso. "

"Mas como é que a Kaoru conseguiu fazer isto nas nossas costas? Nós estivemos aqui o tempo quase todo… e ela nunca disse nada!" – a Megumi perguntou-se. Era muita coisa para acompanhar de uma só vez.

A jovem simples, de enorme coração que lhes abriu a porta, vem de um passado muito tempestuoso, para não dizer sombrio. E cada vez mais os mistérios parecerem adensar-se. A doença dela, a morte do pai, a morte da noiva do pai e o facto de ela ser a próxima vitima. Sem mencionar que ela estava a ajudar o governo… mais especificamente o Saito, o homem que ainda queria lutar contra o Battousai. Era muito informação nova.

"A minha preocupação é que um destes homens seja o Shuichi. Não só ela vai estar em perigo, como vai sofrer emocionalmente." – o Kenshin cerrou os punhos. Ele não ia permitir que ela fosse magoada novamente, nem por ele nem por ninguém.

"Talvez ela vá sofrer."

Todos se voltaram sobressaltados em sentido da voz. O Aoshi com a sua habitual gabardina branca estava na entrada.

"Bem vindo Aoshi. O que é que isso significa especificamente?" – a Megumi perguntou com medo da resposta.

Ele olhou-os directamente: "O Shuichi Haname está morto."

O silêncio do dojo foi quebrado pela voz do Yahiko, que se recusava a acreditar :"O que é que queres dizer com isso? Ele está morto? Ele não pode ter morrido. Ele só partiu há alguns dias atrás? E prometeu à Kaoru que ia voltar. Ela saberia se ele tivesse morrido."

O Aoshi acenou.

"Ela saberia se ele tivesse morrido recentemente. O verdadeiro Shuichi Haname morreu há doze anos atrás."

Vozes de desacreditação ecoaram no dojo: "Doze anos atrás?"

"Por favor explica-te Aoshi."

"Aparentemente uma criança de nome Shuichi Haname nasceu numa distante vila. Mas a criança acabou por morrer de uma doença. Um mês depois da sua morte, um jovem rapaz apareceu e reclamou esse nome. Como podem ver, esse Shuichi… ou qualquer que seja o nome dele. Eu não consigo encontrar nenhuma informação relacionada com o seu passado. No entanto, ele é conhecido por ser um membro dos Dragões Brancos."

O Kenshin fechou os olhos exausto. "Esta é a segunda ligação que temos a este grupo. Porquê que ambos, tanto o Senhor Kamyia como o Haname estavam envolvidos neste mesmo gangue? Não acho que seja apenas uma coincidência. "

"Há mais. Aparentemente há uma discussão entre Os Dragões Brancos quanto ao seu líder. Eles estão divididos em dois grupos. Um liderado pelo Arashi Sawamura e o outro por alguém desconhecido. No entanto, o Arashi é conhecido por seu louco por poder."

"Três pessoas ligadas a um bando… não é uma mera coincidência. E tudo se passa à volta da Kaoru, o que torna as coisas perigosas para o lado dela. Ela nunca se devia ter envolvido." O tom de desagrado era latente na voz do Kenshin e estava escrito no seu rosto.

"Então porque não contamos tudo à Kaoru? Ela vai dar um pontapé nesse Haname e não vai estar mais em perigo!" – O Yahiko disse preparado para se ver livre do Shuichi. A Megumi não concordou: "Desde que a obrigamos a contar o que se passou naquela noite, ela está instável… se colocarmos mais pressão em cima dela ela vai desabar… E eu sinto-me mal por a termos forçado."

"Nós não vamos mencionar nada acerca do Shuichi. No entanto, eu tenho de falar com ela… Ela não pode continuar este trabalho."

O Kenshin levantou-se e saiu. Ninguem o parou. Eles sabiam que não o podiam impedir. A Kaoru tinha colocado propositadamente a sua vida em risco e isso era imperdoável. Eles ainda não se conseguiam acreditar que ela tinha feito isso.

O Aoshi tambem se levantou para ir até à clinica onde a Misao estava. Todo ele ficou tenso quando soube o que se tinha passado. A Megumi deu-lhe todas as informações que ele precisava ouvir e orou para que as coisas se resolvessem entre eles.

Ela não se voltou quando sentiu um par de braços circularem a sua cintura. Ela sorriu e encostou-se ao peito do Sano: "Obrigada raposa."

"Huh?" – ela olhou para cima.

Ele sorriu antes de a beijar suavemente: "Por nos dar uma chance."

Ela sorriu tambem: "Só porque tu prometeste procurar um trabalho. O que, não te vejo fazer?"

O Sano riu-se: "Oh.. eu tenho trabalho, chama-se: Tirar a Jou-chan deste sarilho."

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