Capítulo dez: O Restaurante
Por Kami-chan
– O que foi, un?
– Nada, vamos. – Disse, mas suas pernas travaram onde estava.
– Ino! – Deidara a chamou baixo, em um leve tom de represaria. – Vamos logo, você já está começando a chamar atenção.
– Eu não posso ir lá. – Apontou o lugar com a cabeça.
Deidara acompanhou e se deparou com uma mesa com pessoas que discutiam alegremente e falavam alto. Em alguns era visível o símbolo da folha desenhado nas bandanas que expunham orgulhosamente na altura da testa.
– Conhece algum? – Ela fez que sim com a cabeça. – Então lembre-se que está com cabelo preto, olhos escuros e um penteado diferente. Até onde sabemos eles acham que você está morta, um. A encorajou antes de pegar novamente em sua mão e a conduzir pelo restaurante.
Ao chegarem mais perto ela se permitiu analisar melhor as faces que podia ver ali. Quatro bons ninjas, shinobis de qualidades inestimáveis. Se eles estivessem ali para a proteção dos mesmo pergaminhos que tinham ido buscar, captura-los não seria nada simples.
Mas também seria um bom indicativo de quanto o treinamento com a organização estava fazendo diferença. Com grande força de vontade, sucumbiu a curiosidade de olhar para aquela mesa em questão, passando reto até sentarem-se à mesa em que eram esperados.
Os recém-chegados cumprimentaram os seus acompanhantes tal como fariam dois casais de amigos que combinam se encontrar à noite. Seguindo com a farsa, pediram a refeição e começaram a conversar como pessoas normais, gastaram alguns minutos até a comida chegar. E tão logo os quatro começaram a comer, Konan começou a puxar um assunto qualquer com Deidara para camuflar o trabalho entre Pain e Ino.
"Ino"– A voz grave do ruivo ecoando diretamente em sua mente quase a fez dar um pula da cadeira.
"Mas que porra! Como assim você está falando dentro da minha cabeça? Eu nem senti você entrar na minha mente!" – Ralhou a loira indignada.
"– Não estou em sua mente, mas posso me comunicar telepaticamente com todos os membros e não faça essa cara de ódio para mim, é uma dominadora de mentes já tinha que estar acostumada"
"Eu domino mentes, não tenho a minha dominada e não me int..."
"Já chega Ino, isso não interessa! Estamos aqui à trabalho. E antes que me pergunte, Konan e Deidara podem te ouvir também"
"Que ótimo. Deidara, todo esse tempo treinando, me diz uma coisa treinar pra ser uma Akatsuki não inclui saber os jutsus usados pelos Akatsukis?" – Direcionou sua indignação ao loiro ao seu lado que parecia muito interessado em uma conversa qualquer com Konan.
"Deidara, não ensinou nossos jutsus básicos pra ela?" – Perguntou mentalmente o líder, sem se preocupar em mostrar uma careta de insatisfação para o Iwa.
"Pensei que a Konan ia ensinar pras duas juntas" – Respondeu o loiro, conseguindo arrancar uma careta de desgosto da segunda mulher à mesa.
"E eu tenho cara de professora agora?" – Foi o que ela disse sem humor.
"Só achei que você era a melhor nisso" – Tentou se justificar.
"O treinamento de Ino é sua responsabilidade, cabeça oca." – Ela lhe respondeu, o olhar direcionado a sua pessoa deixando claro que a decisão não deveria ser questionada e nem a hipótese de que era quem deveria ensinar algo para as novas recrutas, sugerível.
"Você é o meu senpai Deidara." – Ino reforçou.
"Chega vocês três. Nós temos trabalho aqui, lembram"– Apontou ignorando os olhares mal humorados que recebia tanto de Ino quanto de Konan.
"É verdade. Porque infernos você está falando dentro da minha cabeça?"
– "Ino tenho um aviso pra você, e é melhor você ouvir bem, pois só vou te lembrar disso uma vez: Nunca se esqueça que você está conversando com o líder da organização que pertence. Se continuar a não ter respeito com Pain-sama, será minha missão matar você"– Konan falou calma e delicada, como se estivasse convidando Ino para colher flores.
Konan se endireitou na cadeira e começou a dobrar repetidas vezes o guardanapo de papel, Deidara simplesmente voltou a comer, não estavam falando com ele mesmo e no momento era até melhor que não se lembrassem de sua pessoa. Ino contou até trinta e procurou encarar Pain.
– "O que deseja saber?" – Perguntou forçadamente mais calma.
– "Conhece os Konohas?"
– " Todos os quatro"
– "Quais suas capacidades?"
– "Todos são muito bons, três são ANBU e o quarto não quis seguir carreira."
– "Ino, eu tenho a impressão de conhecer um deles."– Se meteu Deidara.
– "Sim, acho mesmo que você conhece. Mas não se preocupe, isso não será um problema a memória dele é horrível, ele com certeza não vai te reconhecer."
– "Olha Ino, pode não parecer, mas esse tipo de comunicação me consome chakra, então me diz o que eu preciso saber deles logo"
– "Tá. Começando pelo conhecido do Deidara, o loiro é o portador da Kyuubi, é um excelente ninja e um dos queridinhos da Hokage e ANBU. Faz parte do time que Sakura abandonou, ele é um baka, mas é forte mesmo sem apelar pro poder selado dentro dele. O branquelo do lado dele é o Sai, um idiota incurável que luta com desenhos, chega a ser cômico de tão patético. É um imprestável, mesmo assim é um imprestável ANBU da raiz, ele assumiu o lugar do irmão do Itachi no ex-time da Sakura. Na frente dele está a pessoa que deve nos preocupar mais, o moreno com cara de joelho é Nara Shikamaru, ele tem cara de tonto, mas tem um QI de mais de duzentos, é líder de estratégias da ANBU. Sinceramente se Tsunade o mandou para cá é porque já suspeitam de algum ataque, ele é um manipulador das sombras. O quarto homem na mesa é o Chouji, ele não quis seguir carreira militar. Ele usa a gordura do próprio corpo e muito chakra durante as lutas, o fato de ele estar aqui deixa claro que Shikamaru é o líder da missão. Chouji, Shikamaru e eu éramos o "time dez". O time 10 tinha o melhor trabalho em equipe de Konoha.
– "O loiro é quase uma massa maciça de chakra, o gorducho também tem bastante. Os outros dois tem níveis médios pros padrões." – Konan interferiu.
– "Ótimo. Tem mais uma coisa Ino, se os enfrentarmos, terá que lutar para matar."
– Um por um. – A loira completou em voz alta.
E continuaram a comer. Depois pediram uma sobremesa qualquer, apenas porque queriam ficar ali tempo suficiente para analisar bem o perfil e a personalidade de cada membro da mesa de Konoha.
Aos poucos o lugar foi se esvaziando. Havia agora poucas mesas ocupadas, a maioria por casais que estavam ali para aproveitar o festival que começaria no dia seguinte. Agora era completamente audível o que era conversado na mesa dos quatro da vila da folha e era isso que eles queriam.
– Yare, Chouji, como você consegue? Nem eu aguento mais comer. – Disse Naruto com a mão no estômago.
– Essa vila é conhecida pela culinária, eu não vou embora sem provar de tudo um pouco antes. – Disse empurrando mais comida para dentro da boca.
– Ah que bando de problemáticos que eu fui trazer comigo. Hey Sai, parece que você é o único com cérebro pra salvar o time que escolhi. – Disse Shikamaru conseguindo atenção de todos na mesa, menos daquele com quem falava.
– Oh Sai, acorda branquelo! Você já está quieto aí desde cedo, o que você tem? – Perguntou Naruto em um tom alto demais, ainda assim sem respostas. – SAI!– Gritou Naruto. – Acorda seu baka imprestável! – Disse sacudindo o outro.
– Naruto para de me sacudir, seu baka de pinto atrofiado! – Reclamou o moreno de pele muito clara.
– NANI? Você estava me ouvindo este tempo todo? Por que estava se fingindo de morto?
– Errei feio, são os três problemáticos – Shikamaru choramingou mais para si mesmo do que para os outros.
– Algo que me passou pela cabeça. – Disse de forma leviana, olhando fixamente para uma mesa à sua frente.
– Se passou pela tua cabeço só pode ser grosseria, viadagem ou putaria. – Naruto gritou, pontuando cada item dito em seus dedos como uma contagem.
A voz naturalmente alta do Uzumaki fazendo os Akatsukis ouvirem tudo com clareza de sua mesa. O comentário em especial de Naruto fazendo um meio sorriso nostálgico surgir nos lábios de Ino.
– Eu teria ganhado mais se tivesse ficado dormindo no hotel. – Disse Shikamaru com a voz cansada, levando as mãos à cabeça que sacudia negativamente.
– O Naruto tem razão Shika, da cabeça desse aí só dá isso. – Concordou Chouji
– Olha só uma bichinha concordando com a outra. E você Nara, montou o time que quis.
– Na verdade não, o Naruto e o Chouji eu ia trazer de qualquer jeito, mas a Tsunade disse que tinha que ser um time de quatro pessoas e só tinha mais você na vila.
– Obrigado pela sinceridade. E se quer saber, o motivo por vocês dois me odiarem tanto é o mesmo que estava preenchendo minha mente.
Ino sabia o por quê de todos ali odiavam tanto Sai, e ao ouvir isso teve duas reações. Uma foi se agarrar à mão de Deidara, que pousava tranquilamente sobre a mesa e a outra foi olhar imediatamente para Pain com um olhar arregalado de apelo por uma ordem do tipo "me deixe ir lá e fazê-lo calar a boca". Mas Pain queria ouvir tudo que pudesse dos ninjas e apenas ignorou cada uma das reações da loira.
– Nem começa seu bostinha! – Alertou Chouji em um tom mais irritado. – Se começar a faltar com respeito à memória da Ino vai sentir muita dor! – Prosseguiu dando um murro na mesa com seu punho levemente aumentado.
Neste momento os três nuke-nins olharam para Ino com exatamente a mesma feição curiosa. E a loira estava com os olhos fechados e o cenho franzido, já prevendo que aquilo não tinha mais como acabar bem enquanto apertava cada vez mais a mão de Deidara entre a sua.
– E saiba que terá o mesmo resultado se sujar a memória da Sakura-chan também! – Completou Naruto.
Acima da curiosidade, para os Akatsukis ficou apenas o alívio. De acordo com as declarações da outra mesa, estava confirmado que a vila da folha realmente acreditava que Sakura e Ino estavam mortas.
E talvez a única voz que Ino quisesse realmente ouvir da outra mesa, nada falou sobre sua morte. Aquele era um assunto que conseguia deixar o Nara quieto.
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Início das memórias de Shikamaru
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O homem com uma máscara da ANBU estava sentado diante à Hokage, seus olhos traziam o peso de uma derrota. Não de uma derrota física, mas a derrota contra aquilo que não tinham como lutar. Já devia estar acostumado, mas aquela perda em especial lhe doía mais.
– Voltamos à vila onde elas foram vistas e descobrimos que os corpos pertenciam a cinco ninjas homens desconhecidos. Seguimos o rastro delas até outra vila, ouvimos falar de uma explosão e homens de capa vermelha, esta vila conhece a organização e identificou os homens como membros da mesma. Foram atrás das vítimas para eliminar os vestígios e não levar o peso da culpa no lugar dos mesmos.
– Eles colaboraram com a sua investigação? – Interrompeu a Hokage, já pensando em meios de forçar uma nova investigação caso a resposta fosse negativa.
– Se tratando de Konoha, sim. O líder em pessoa me passou estas informações e me deu liberdade para analisar os relatórios da missão dos ninjas dele. É uma vila fraca demais para resistir a qualquer tentativa de investida nossa para obter estes documentos à força.
– E o que você conseguiu através dos relatórios deles.
– São organizados, havia fotos e descrições minunciosamente precisas do que fizeram.
– E qual foi o seu veredito?
– O solo ficou totalmente destruído pela explosão. Havia o corpo de duas mulheres que foram descartadas, carbonizadas e decapitadas. O que foi possível coletar de vestígios foi compatível com as roupas que elas usavam. É fato que apenas se capta alguém quando se quer dificultar o reconhecimento do corpo. – O ANBU jogou a cabeça para trás e tirou a máscara, quebrando o protocolo. – Não há mais rastros a seguir depois de lá. Eles cremaram os restos mortais. – Completou colocando um jarro de cerâmica sobre a mesa da Hokage. – Se eu tivesse conseguido encontrá-las antes, estávamos tão perto... – Lamentou-se.
– Você fez um bom trabalho Shikamaru, não pense em se culpar. Bem, não há mais saída, temos que preparar um velório simbólico, mas antes peça para Naruto vir até aqui.
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Fim das memórias de Shikamaru
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Início das memórias de Ino
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– Deidara. – Chamou o moreno do outro pássaro. – Pouse aqui. Quero que vocês três se deixem ser vistos por pessoas da vila, depois arrume duas mulheres com corpo semelhante aos delas, mate, troque suas roupas e as decapite. Depois exploda os corpos como se fosse uma desova.
– Não quero ser dada como morta! – Sakura se manifestou.
– Nem eu. – Concordou Ino.
– Vai ser o melhor por enquanto. A organização está com muitos problemas e ter vocês por lá e Konoha no nosso pé não vai ajudar muito. Depois que tudo se acalmar, seja qual forem os seus motivos vocês aparecem de novo. Eu vou ficar aqui, sem enxergar vou acabar atrapalhando.
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Fim das memórias de Ino
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– Não me importo com esse tipo de coisa, porque deveria respeitar duas pessoas mortas se não as respeitava nem quando vivas. Pra mim, nunca vão passar de duas putinhas, uma feia e a outra gostosa. – Sai disse com desdenho.
Shikamaru teve que prender os dois amigos pela sombra que a cadeira fazia no chão e se controlar o máximo para não se juntar à eles na investida contra o outro. Na outra mesa, Ino tinha uma veia latejando na lateral da testa e sua mão apertava tanto a de Deidara que a pele do loiro já estava se rompendo por baixo da luva no lugar onde as unhas dela se cravavam.
Ele não ligava, na verdade já estava começando a odiar esse tal Sai apenas por suas palavras. Pain ao ver a expressão deles tratou logo de mandar uma mensagem telepática para que ninguém ali perdesse o controle e se esquecessem de que aquilo também fazia parte de sua missão.
"E por qual motivo você acha que ainda to parada aqui, gênio" – Foi o rosnado de ira da loira em resposta à comunicação.
Konan estava louca pra rir, a fisionomia do casal em sua frente estava ótima. Nem deu bola para o comentário de Ino, porque era visível o esforço que ela estava fazendo para não voar dali e acabar com o moreno de língua podre.
Ela pegou na mão do namorado e disse só para ele ouvir:
– Se fosse comigo você não teria tanto controle. – Sorriu.
– Quem você pensa que é pra falar assim Sai, você é um nada. – Disse Chouji vermelho de raiva, Ino sempre foi o ponto fraco do gordinho.
– É, parece que você não é tão burro quanto se esforça pra demonstrar. Eu sou feito de nada, eu sou vazio e assim como sou nada pra vocês, elas sempre, SEMPRE – Repetiu dirigindo-se para Shikamaru especialmente. – Foram nada pra mim.
– Arrg. – Chouji e Naruto rosnaram presos em sua cadeira.
– Chega. Vamos tentar nos acalmar, ou isso vai atrapalhar nosso desempenho na missão. Sai, por que você tinha que trazer os nomes Ino e Sakura pra conversa, olha o que você fez. – Shikamaru ditou a voz da ordem.
– Eu nem falei da feiosa colorida, só da Ino. – Nesse momento Pain e Konan que estavam de frente pra mesa deles, viram o mais pálido de todos apontar para sua mesa.
Na mesma hora todos os três ninjas acompanharam a direção para onde ele apontava. Em questão de segundos Ino ouviu passos em sua direção e uma expressão alterada na face de Pain que tinha o rinnegan omitido em um par de íris azuis.
No entanto era visível para quem o conhecia que a tonalidade dos olhos dele estava começando a mudar. Cobrindo o azul claro com uma fina névoa acinzentada. Konan largou a mão do líder e discretamente começou a brincar com um dos guardanapos sobre a mesa. O casal que estava de costas para a situação apenas se entreolhou, Deidara tirou suas mãos de cima da mesa e as omitiu embaixo da mesma, sobre suas coxas, e Ino imitou o gesto do loiro com sua mão dominante. Por baixo da toalha de mesa, seus dedos buscaram pela fenda do kimono a cinta que havia prendido na coxa e omitia uma kunai contra a pele da face interna de sua coxa.
–INO? – Ouviram a voz que ela reconheceu mesmo de costas como sendo de Chouji gritando.
"Eu sabia que devíamos ter ido embora assim que chegamos e os vimos na mesa" – Disse a Yamanaka telepaticamente.
"Não ataquem, nem se mostrem!". Foi a resposta dada pelo ruivo.
No momento seguinte ouviu o som de cadeira sendo arrastada e Deidara sumindo de seu lado. Duas mãos corpulentas seguravam os ombros do loiro, por onde ele havia sido virado. Ino seguiu o caminho que começava nas mãos, passava pelos braços e terminava na face visivelmente decepcionada de Chouji.
– Não é ela. – Viu o gordinho dizer com uma grande decepção no rosto.
Não se conteve e riu algo pelo alívio. Tanto suspense ouvindo a conversa do quarteto para chegar àquela situação irônica.
– Dei-san, parece que esse homem confundiu você com uma garota. – Disse sem parar de rir.
– "Mal aí", esse idiota se recusa a acreditar na morte de uma putinha loira que conhecíamos. Fica atacando cada loira de cabelo comprido que vê pela frente. – Respondeu o boca suja que vinha lentamente pelo mesmo caminho percorrido por Chouji.
– Bem, eu não sou uma loira! – Disse Deidara mínima coisa alterado.
– Anatomicamente da pra ver que não, mas com essa cara de mulher eu tenho certeza que é o uke de alguém. – Desdenhou o moreno de pele branca e olhos vazios.
Ino viu Deidara mexer as mãos pronto para tirar as luvas e buscou o antebraço do colega com a sua mão. Sai era mesmo grosseiro e mal educado até mesmo com pessoas que não conhecia.
– Meu amor, não vai deixar esse cara estragar nossa noite. Não é mesmo? – Finalizou olhando diretamente para as mãos cobertas do Iwa.
– Cala essa boca Sai! Gomen nasai nii-chan, a educação dele não tem conserto. É que de costas seu cabelo se parece muito com o dela, foi só isso. – Desculpou-se Chouji, soltando os ombros de Deidara.
– Chouji, quando vai se convencer que ela não está mais aqui? – Shikamaru se aproximou para garantir que a situação saísse do controle. – Mas dessa vez devo concordar com Chouji, O cabelo é igual até no tom de loiro, ainda pra ajudar você também tem olhos azuis e usa a franja pro lado. Você é realmente muito parecido com ela, digo, é como se fossem parentes próximos. Como se chama, por acaso não conhece ou tem parentesco com alguém de Konoha?
Deidara olhou do moreno com o cabelo preso para cima para Ino, como se ela estivesse loira e pudesse comparar as suas semelhanças. Não achava que eram tão parecidos assim. Mesmo sendo azuis, os olhos dela não poderiam ser comparados a nada, eram exclusivos. E os cabelos tinham comprimentos diferentes, o dela era mais liso e a franja era para o lado contrário.
– Meu nome é Deidara e eu com certeza não conheço ninguém de Konoha. – Respondeu com uma sobrancelha erguida, não achava que devia explicações para aqueles caras que tinham o confundido com uma mulher.
– É tão parecido... – Chouji falou mais para si que para os outros e saiu dali para fora do restaurante.
– Chouji. – Shikamaru tentou chamar.
– Ótimo Sai, olha o que tu conseguiste. Deixa Shika, eu vou lá falar com ele, eu sei bem o que ele está sentindo. – Naruto saiu atrás do amigo.
– Agora eu sou o culpado de tudo que acontece?
– Dá um tempo Sai. Olha Deidara-san, nos desculpe pelo mal entendido. Será que podemos oferecer um drink para os quatro pelo incômodo e para desfazer algumas primeiras impressões? – Concluiu olhando feio para Sai.
"Aceite" – Foi a ordem dada pelo líder.
– Adoraríamos, mas já estávamos de saída. – Ino disse antes que Deidara o obedecesse.
– Apenas um drink querida, não é nada mal conhecermos pessoas novas. – Respondeu olhando para ela. – Nós aceitamos sim.
Os ninjas de Konoha puxaram duas cadeiras e sentaram-se à mesa com eles, Shikamaru fez os pedidos e aquela veia na testa de Ino começou a latejar novamente. Esse detalhe não passou despercebido por Deidara que tirou a mão que estava em cima da mesa e a pousou sobre o joelho dela.
– Então você tem certeza que não tem parentes em Konohagakure no Satu? Até você se surpreenderia com a semelhança entre vocês. Já ouviu falar no clã Yamanaka?
– Como já disse, não conheço ninguém desta vila. Não pertencemos a nenhuma vila shinobi. – Não tinha problema mentir, pois se eles tinham o nível de chakra que Konan disse que tinham não sentiria o pouco de Chakra que Ino e Pain liberavam no momento e muito menos os chakras camuflados dele e Konan. – Nunca ouvi falar em nenhum Yamanaka.
– Pode ser que seja um irmão bastardo da Barbie.
– Sai eu vou pedir só mais uma vez para você parar de falar assim. Além de ser horrível te deixa ainda mais ridículo.
Pain e Konan ficaram quase em silêncio durante todo o tempo, hora ou outra trocando algum assunto corriqueiro sobre fatos impressionantes de maior de todas as vilas, para não parecerem suspeitos. Deixaram que Deidara cuidasse de tudo, sabia que apesar de explosivo entre os quatro, o loiro era o mais volátil para conseguir prosseguir com aquela situação.
Contudo, a forma como Sai falava de Ino o estava irritando muito e dificultando o sucesso daquela noite e consequentemente da missão. Já estavam trocando palavras vagas por quase vinte minutos e Sai parecia sentir prazer em importunar Shikamaru falando da loira que para eles estava morta.
– Por que sempre que fala desta Ino, você fala desse jeito? – O Iwa perguntou para o moreno de boca suja.
– O problema não é ela, é ele mesmo. – Shikamaru respondeu antes que Sai falasse alguma besteira. – Ele não consegue falar com ninguém e nem sobre ninguém sem ser "educado" assim. Sai, se não se importa em me envergonhar, pelo menos respeite as duas damas à mesa.
– Damas? Não vejo nenhuma, só duas vagabundinhas bem jeitosas que devem estar cobrando bem caro a hora, não é mesmo?
Ele recebeu um olhar mortal de Konan que foi segurada por Pain. O próprio ruivo estava reunindo todas as suas forças para ignorar aquela pessoa desagradável. Mas Deidara não foi tão rápido, Ino se levantou e puxou Sai pela camiseta de tecido cinza de forma ameaçadora.
– Quem você pensa que é para falar assim de mim, seu imprestável! – O repreendeu contendo toda a ira que tinha vontade de extravasar contra a face do Konoha, em seu olhar.
"Controle-se Ino!" – Pain tentou ser uma lembrança constante na mente dela.
– Veja que dama. – Disse com ironia ao se soltar dela com facilidade já que ela permitiu-se concentrar na voz do líder em sua mente.
Três veias eram visíveis em sua testa agora.
Para Shikamaru havia apenas a certeza de que nunca mais levaria Sai para uma missão consigo. E se em algum evento futuro o fato de não haver mais ninguém disponível acontecer, seria a primeira vez em que o Nara iria contra uma ordem dada pela Hokage. Com Sai não trabalharia mais, havia tantos ninjas bons em Konoha que poderiam estar no lugar daquele problemático naquele momento.
Por hora, apenas prendeu Sai pela sombra e fez com que a mesma contornasse seu rosto na altura da boca e o calasse. Aquela não era uma postura shinobi.
– Vamos tomar nosso drink. Eu sei que ele é insuportável, mas é um bom ninja, só não tem capacidade de se comportar como homem. Nem mesmo a Ino, que foi uma das únicas pessoas que deu uma chance pra esse bosta tentar mudar ele é capaz de respeitar.
– Você tem mesmo uma paciência admirável. Mas o que quer dizer com isso? – Deidara perguntou curioso, mas no mesmo instante em que fez a pergunta sentiu Ino beliscar seu braço com força.
– Eu vou matar você! – Ela disse só para ele ouvir.
– É que o Sai sempre foi simpático desse jeito que vocês conheceram e todo mundo sempre foi simpático à altura para responder às provocações dele, mas a Ino achava que ele era assim porque éramos indiferentes com ele. Ela permitiu que ele se aproximasse, achou que ele tinha algo de bom dentro de si e tentou dar atenção ao Sai. Acho que ela acreditou que poderia muda-lo, é aquela típica coisa de mulher que não dá pra entender. Nós tínhamos uns quinze anos, eu acho e ele resolveu se aproveitar da bondade dela, fingiu estar realmente mudando por estar perto dela. O Sai foi o primeiro namorado da Ino, o primeiro em tudo, aí depois que conseguiu o que queria voltou a ser o mesmo bastardo idiota, nem terminou direito com ela, só partiu pra outra. Pelo menos ela teve o prazer de fazê-lo passar seis semanas de inferno no hospital.
Ino largou os cotovelos na mesa e tomou sua bebida de uma vez só sentindo três pares de olhos sobre si. Uma quarta veia apareceu na testa dela.
Odiava aquele tom superprotetor de Shikamaru, mesmo que não fosse sua intenção, soava como machista e piedoso. Mesmo que fosse de longe a pessoa que mais prezasse por seu bem estar, a tratando quase como uma irmã.
Com a última gota de sanidade que tinha Ino mandou uma mensagem para Pain:
"Tira esses dois daqui ou eu não respondo mais por mim!"
– Você está se sentindo bem? – Perguntou Shikamaru para mulher falsamente morena.
– Ótima! – Respondeu com olhar assassino que deixava o Gaara em seu tempo de Shukaku com cara de santinho.
– Hnnn.. hnn hhnn... hununnnn – Todos olharam para Sai que se contorcia inutilmente dentro da sombra de Shikamaru e com muita força mostrava três dedos para eles.
– Você vai se comportar? – A resposta foi uma careta e a sombra sumiu.
– Foram três semanas. – Disse o moreno assim que ganhou a sua liberdade.
– Seis. – Retrucou Shikamaru.
– Três, mas aí a feiosa descobriu e tive que ficar mais três semanas lá e sem remédios para dor, já que era ela que cuidava da medicação.
– E você fala isso assim com tanta tranquilidade? – Deidara estava quase explodindo.
– Hai. E faria tudo igual se pudesse fazer de novo. Putinhas são para isso mesmo, para serem usadas. Mas fazer o que, ela está morta agora. E por culpa sua não é Nara, que não conseguiu encontrar as duas antes dos Akatsukis. Não foi uma desculpa dessas que você usou pra me ameaçar? "Encoste na minha irmãzinha protegida de novo e eu acabo com você" – Desdenhou com uma imitação maldosa de Shikamaru. – Se eu soubesse que não podia cumprir sua promessa tinha me aproveitado mais da Ino, você não pôde salvá-la nem quando essa era sua missão!
– É. Eu falhei Sai, mas não te devo satisfações sobre isso. Pelo menos eu tenho minha consciência limpa, pois sempre respeitei e protegi ela como um homem deve respeitar e proteger uma mulher, as mulheres são... – Começou, mas não pode terminar de responder.
– Eu avisei! – Gritou Ino antes de acertar um belo soco em Shikamaru que caiu nocauteado sem nem ver quem ou o que o acertara.
Iria socar Sai em seguida, mas esse já estava inconsciente no chão. Deidara o havia nocauteado, Ino nem viu quando.
Ao perceber alguma confusão vindo de dentro do restaurante, Naruto e Chouji entraram novamente no estabelecimento:
– O que significa isso? – Perguntou o loiro.
– Significa que mulheres não são putinhas usáveis e descartáveis. – Respondeu Deidara.
– Ah tá. – Concordou o loiro.
– Mas e o Shika? – Perguntou Chouji.
– Significa que não pode ficar nos diminuindo só por sermos mulheres e termos menos força física. Foi pra aquele ninja machista aprender que mulheres não são dependentes de proteção masculina. Ouvi falar na grandeza de Konoha, mas parece que os ninjas são uma vergonha. – Berrou Ino.
– Vocês não são ninjas? – Perguntou Naruto.
– Não, não somos. – Mentiu Pain.
– Nesse caso, gomen por nossos colegas. Estamos em uma missão estressante aqui, eles devem estar cansados demais. Por favor, não guardem essa imagem de Konoha, não somos assim. – Disse indo em direção ao amigo seguido por Chouji. – Não se preocupem, nós resolvemos tudo por aqui.
– Não quero saber de nenhum comentário! – Alertou Ino assim que saíram do restaurante.
– Sobre o que? A noite foi bem cheia de informações.
– Cala a boca Pain, não me importa líder de que você é, nada disso teria acontecido se tivessem me ouvido. Com a quantidade de chakra que botei naquele soco, teremos sorte se o Nara não percebeu.
Konan não gostou nem um pouco da ousadia do comentário da loira, já tinha avisado ela antes para não agir assim, mas entendia o que ela devia estar sentindo. Por isso não iria matá-la por sua atitude, mas tinha que desempenhar seu papel de braço direito.
Ino viu algo branco passar em alta velocidade, estava tão irritada que nem deu bola, no entanto o objeto tomou mais velocidade e foi em sua direção. Por instinto ela desviou da Shuriken de papel, mas essa se despedaçou e se transformou em centenas de pontas que seguiram novamente a direção da loira, desta vez em uma velocidade muito além do que ela estava hábil a desviar.
Sem outra opção, realizou um jutsu de substituição e assistiu as pontas atingirem uma réplica que depois se transformou em um tronco. Olhou confusa para Konan, não tinha levado o aviso dela a sério.
–É melhor controlar a língua se não quiser ter ela arrancada Ino. Eu já avisei, esse é o papel do braço direito. – A loira não respondeu, entendeu que a outra estava falando sério.
– Vamos voltar para o hotel Konan. – Avisou o ruivo lhe estendendo a mão. – A missão está cancelada por enquanto, vamos ficar aqui como dois casais normais, fiquem de olho nos ninjas de Konoha sempre que puderem. Assim que eles deixarem a vila nós voltaremos a agir. Nos encontramos daqui três dias no mesmo restaurante. – E sumiram
– Eu não quero voltar para o hotel ainda. – Reclamou a loira.
– Tudo bem, podemos caminhar um pouco un.
– Certo, para onde vamos?
– Que tal lá? – Apontou para um rochedo enorme de superfície plana.
– Que mania de sempre querer ir pra lugares altos.
– É que as explosões são mais bonitas vistas de cima, un.
– Mas não vamos explodir nada hoje. – Lembrou-lhe.
– Mas eu peguei o hábito, a altura sempre fornece belos cenários. E sempre nos mostra como somos efêmeros.
– Então vamos, quero te mostrar uma coisa.
– Ino? Você não andou aprontando nada, un?
– Lá em cima Dei-san, lá em cima. – Disse já o puxando.
